Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A pretinha brasileira fazendo sucesso

 A NOSSA JABUTICABA, HEIN? QUEM DIRIA...



            Olha aí que interessante!
            A jabuticaba, nossa pequena notável! Fruta 100% brasileira.
            É dela que vamos falar.
            Discreta no quintal de nossa casa, ela contém teores espantosos de
            substâncias protetoras do peito. Ganha até da uva, e provavelmente do vinho
            que é festejado no mundo inteiro por evitar infartos.
            Você vai conhecer agora uma revelação científica, e das boas, que acaba de
            cair do pé.

            Por Regina Pereira

            A química Daniela Brotto Terci nem estava preocupada com as coisas que se
            passam com o coração. Tudo o que ela queria, em um laboratório da
            Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, era
            encontrar na natureza pigmentos capazes de substituir os corantes
            artificiais usados na indústria alimentícia.
           E, claro, quando se fala em cores a jabuticaba chama a atenção.
            Roxa? Azulada? Cá entre nós, jabuticaba tem cor de... jabuticaba.
            Mas o que tingiria a sua casca? A cientista quase deu um pulo para trás ao
            conferir: "enormes porções de antocianinas", foi a resposta.
            Desculpe o palavrão, mas é como são chamadas aquelas substâncias que, sim,
            são pigmentos presentes nas uvas escuras e, conseqüentemente, no vinho
            tinto, apontados como grandes benfeitores das artérias.
            Daniela jamais tinha suspeitado de que havia tanta antocianina ali, na
            jabuticaba, aliás, nem ela nem ninguém.
            "Os trabalhos a respeito dessa fruta são muito escassos", tenta justificar a
            pesquisadora, que também mediu a dosagem de antocianinas da amora.
            Ironia, o fruto da videira saiu perdendo no ranking, enquanto o da
            jabuticabeira...
            Dê só uma olhada (o número representa a quantidade de miligramas das
            benditas antocianinas por grama da fruta):
            *jabuticaba: 314*
            *amora: 290*
            *uva: 227*
            As antocianinas dão o tom. 'Se um fruto tem cor arroxeada é porque elas
            estão ali', entrega a nutricionista Karla Silva, da Universidade Estadual do
            Norte Fluminense, no Rio de Janeiro.
            No reino vegetal, esse tingimento serve para atrair os pássaros.
            E isso é importante para espalhar as sementes e garantir a perpetuação da
            espécie', explica Daniela Terci, da Unicamp.
            Para a Medicina, o interesse nas antocianinas é outro. "Elas têm uma potente
            ação antioxidante", completa a pesquisadora de Campinas. Ou seja, uma vez em
            circulação, ajudam a varrer as moléculas instáveis de radicais livres. Esse
            efeito, observado em tubos de ensaio, dá uma pista para a gente compreender
            por que a incidência de tumores e problemas cardíacos é menor entre
            consumidores de alimentos ricos no pigmento.
            Ultimamente surgem estudos apontando uma nova ligação: as tais substâncias
            antioxidantes também auxiliariam a estabilizar o açúcar no sangue dos
            diabéticos.
            Se a maior concentração de antocianinas está na casca, não dá para você
            simplesmente cuspi-la. Tudo bem, engolir a capa preta também é difícil. A
            saída, sugerida pelos especialistas, é batê-la no preparo de sucos ou usá-la
            em geléias. A boa notícia é que altas temperaturas não degradam suas
            substâncias benéficas.
            Os sucos, particularmente, rendem experiências bem coloridas. A
            nutricionista Solange Brazaca, da Escola Superior de Agricultura Luiz de
            Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior paulista, dá lições que parecem
            saídas da alquimia. "Misturar a jabuticaba com o abacaxi resulta numa bebida
            azulada", ensina. "Já algumas gotas de limão deixam o suco avermelhado". As
            variações ocorrem devido a diferenças de pH e pela união de
            pigmentos ácidos.
            Mas vale lembrar a velha máxima saudável: bateu, tomou. "Luz e oxigênio
            reagem com as moléculas protetoras", diz a professora. Não é só a saúde que
            sai perdendo: o líquido fica com cor e sabor alterados.
            Aliás, no caso da jabuticaba, há outro complicador. Delicada, a fruta se
            modifica assim que é arrancada da árvore. "Como tem muito açúcar, a
            fermentação acontece no mesmo dia da colheita", conta a engenheira agrônoma
            Sarita Leonel, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu. A dica é
            guardá-la em saco plástico e na geladeira. Agora, para quem tem uma
            jabuticabeira, que privilégio!
            A professora repete o que já diziam os nossos avós: "Jabuticaba se chupa no
            pé".


            O branco tem seu valor.

            A bioquímica Edna Amante, do laboratório de frutas e hortaliças da
            Universidade Federal de Santa Catarina, destaca alguns nutrientes da parte
            branca e mais consumida da jabuticaba. "É na polpa que a gente encontra
            ferro, fósforo, vitamina C e boas doses de niacina, uma vitamina do complexo
            B que facilita a digestão e ainda nos ajuda a eliminar toxinas".


            Ufa! E não só nessa polpa, mas também na casca escura, você tem excelentes
            teores de pectina. "Essa fibra tem sido muito indicada para derrubar os
            níveis de colesterol, entre outras coisas", conta a nutricionista Karla
            Silva. A pectina, portanto, faz uma excelente dobradinha com as antocianinas
            no fruto da jabuticabeira. Daí o discurso inflamado dessa especialista, fã
            de carteirinha: "A jabuticaba deveria ser mais valorizada, consumida e
            explorada".


            Nós concordamos, e você?

            A jabuticabeira

            Nativa do Brasil, ela costuma medir entre 6 e 9 metros e é conhecida desde o
            período do descobrimento. "A espécie é encontrada de norte a sul, desde o
            Pará até o Rio Grande do Sul", diz o engenheiro agrônomo João Alexio
            Scarpare Filho, da ESALQ. Segundo ele, a palavra jabuticaba é tupi e quer
            dizer "fruto em botão".
            A invenção é esta: vinho de jabuticaba. O nome não deixa de ser uma espécie
            de licença poética, já que só pode ser denominado vinho pra valer o que
            deriva das uvas. Mas, sim, existe um fermentado feito de jabuticaba que,
            aliás, já está sendo exportado.
            "O concentrado da fruta passa um ano inteiro em barris de carvalho", conta o
            farmacêutico-bioquímico Marcos Antônio Cândido, da Vinícola Jabuticabal, em
            Hidrolândia, Goiás.
            A jabuticaba é a matéria-prima de delícias já conhecidas, como a geléia e o
            licor, e também de uma espécie de vinho. Quem provou a bebida garante: é uma
            delícia.

            Em 100 gramas ou 1 copo:
            *Calorias 51*
            *Vitamina C 12 mg*
            *Niacina 2,50 mg *
            *Ferro 1,90 mg *
            *Fósforo 14 g*

            Tire proveito da jabuticaba

            Atributos, para essa fruta tipicamente brasileira, são o que não faltam.
            Vitaminas, fibras e sais minerais aparecem nela ao montes.
            Agora, para melhorar ainda mais esse perfil nutritivo, pesquisadores da
            Universidade Estadual de Campinas descobriram que ela está cheia de
            antocianinas, substâncias que protegem o coração.
            Mais uma razão para que a jabuticaba esteja sempre em seu cardápio.


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Fonte: O Berro...repassem

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Nova Trilha para o Brasil

NOTA DE MANIFESTAÇÃO DA COMISSAO DE ANISTIA SOBRE A DECISÃO
DA OEA



A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça vem, por intermédio desta nota pública, e a propósito da Sentença prolatada no dia 14.12.10 pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) no Caso 11.552 Julia Gomes Lund e Outros VS Brasil (Guerrilha do Araguaia), manifestar o que se segue: 

1. A Comissão de Anistia reconhece a sentença prolatada pela Corte IDH no caso Araguaia como um importante e decisivo marco para a promoção e a proteção dos Direitos Humanos no país. Esta decisão sinaliza de maneira inquestionável para a repulsa à prática de crimes contra a humanidade, especialmente quando cometidos pelo Estado contra os seus próprios cidadãos, afastando com veemência qualquer obstáculo que se interponha para a persecução e o julgamento dos responsáveis. 
2. A Corte Interamericana determinou a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado de camponeses e militantes da Guerrilha do Araguaia e declarou que a Lei de Anistia de 1979 não pode seguir representando um obstáculo para a investigação, identificação e punição dos responsáveis pelos crimes de tortura, desaparecimento forçado e assassinato das vítimas da Guerrilha do Araguaia e tampouco pode ser aplicável a outros casos de graves violações de direitos humanos consagrados na Convenção Americana, ocorridos no Brasil.
3. Essa decisão demarca a superioridade da jurisdição internacional dos direitos humanos sobre as decisões judiciais do país que afrontem as suas determinações. Aguarda-se agora que o STF na ADPF 153 corrija sua decisão anterior ajustando aos preceitos internacionais de justiça como assim o fora exigido pela OAB. Afastar a aplicação da lei de anistia para torturadores no Brasil é tarefa para todas as instituições do Estado democrático. Em um momento histórico no qual o Brasil desponta com forte protagonismo no cenário internacional é indispensável que o país seja um exemplo nas suas políticas públicas e entendimentos judiciais quanto ao tema dos Direitos Humanos e no respeito às jurisdições internacionais às quais o país se submete por sua própria e soberana vontade. É indispensável, portanto, que a decisão da Corte IDH no caso Araguaia seja integralmente cumprida pelo Estado brasileiro. 
4. O Poder Judiciário e o Ministério Público brasileiros têm papel fundamental para que a sentença seja plenamente cumprida, uma vez que deverão promover a investigação e a responsabilização daqueles agentes que durante a Ditadura Militar cometeram crimes de lesa humanidade. A Lei n. 6683, de 1979, conforme expôs o tribunal interamericano, não pode ser aplicada em benefício dos autores destes crimes, e as ações penais contra os supostos responsáveis deverão ser examinadas pela jurisdição comum e não pelo foro militar. A Comissão de Anistia coloca-se à disposição de juízes, promotores e procurados para colaborar com o pleno cumprimento da decisão apresentando todos os relatos e documentos disponibilizados em seu amplo acervo de reparação às vítimas. 
5. Com esta decisão, a Comissão de Anistia espera que a Justiça Federal do Rio de Janeiro desbloqueie o pagamento das justas indenizações aos 45 camponeses atingidos pela repressão à Guerrilha do Araguaia. 
 6. A Comissão de Anistia reconhece e parabeniza a incansável luta dos familiares de mortos e desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia bem como o Centro pela Justiça e o Direito Internacional- CEJIL, que representou os brasileiros perante à Corte e todas as pessoas e organizações que concorreram para a ação como amicus curiae. E felicita a Corte Interamericana e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos pelas coerentes decisões que hoje fortalecem a democracia brasileira. 

Sessão Plenária da Comissão de Anistia, de 15 de dezembro de 2010.

Paulo Abrão
Presidente

Distribuição de Renda?! Zombaria?! Perversidade?!



Temos sim como reagir!
Vamos reagir com inteligência a esse absurdo que o congresso aprovou, ZOMBANDO da sua (da nossa) cara.
62% de aumento nos salários deles? O caramba:  Vamos reagir a isso, pelas vias legais.
Clique no link e assine o Abaixo-Assinado eletrônico do site Petição-Pública.
Participe e divulgue aos seus amigos.  Vamos mandar milhões de assinaturas para o STJ.


http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N4596

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Uso Seguro de Agrotóxico não Existe


Especialistas reunidos em Recife destacam que o chamado “uso seguro” de agrotóxicos não existe




Sex, 03 de Dezembro de 2010 – CPT

Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, realizado em Pernambuco, derrubou esse mito baseando-se na análise dos critérios técnico-científicos utilizados internacionalmente e no Brasil, para a determinação de indicadores de toxicidade dos agrotóxicos.
Na última semana, nos dias 25 e 26 de novembro, o Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos realizou congresso em Recife intitulado “Agrotóxicos, saúde e meio ambiente: o direito à informação”. O evento marcou o primeiro ano de atuação do Fórum, que surgiu com o objetivo de ser um mecanismo de controle social sobre o tema. Além de Recife, Salvador e Cuiabá foram também sede de eventos semelhantes promovidos pelo Fórum ao longo de 2010.
O Fórum é coordenado pelos Ministérios Públicos do Trabalho e Federal e por organizações da sociedade civil das áreas de meio ambiente, saúde, saúde do trabalhador e por movimentos sociais do campo.
Os debates realizados ao longo do evento recuperaram o histórico das políticas oficiais que a partir da década de 1960 apoiaram a consolidação do modelo agrícola hoje predominante, químico-dependente, lembrando que muitos dos seus impactos sociais permanecem desconhecidos até hoje. Do ponto de vista das intoxicações, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que há cerca de 50 casos não notificados para cada um que chega ao conhecimento das autoridades.
Também destacou-se em um dos painéis o fato de não ser possível o “uso seguro” de agrotóxicos, ao contrário do discurso apregoado pela indústria. A crítica a essa visão foi feita com base na análise dos critérios técnico-científicos utilizados internacionalmente e no Brasil para a determinação de indicadores de toxicidade dos agrotóxicos.
Os estudos que geram esses dados são feitos em sistemas fechados e com produtos isolados, quando na realidade a aplicação dos venenos é feita em sistemas abertos e o produtor está exposto a diversos produtos a um só tempo. Além disso, os dados gerados experimentalmente são extrapolados para a situação humana, quando se sabe que não há linearidade entre exposição a um dado produto e seus efeitos.
Esta reflexão levantou a necessidade de um maior engajamento da ciência em prol do interesse público, de forma que esta posicione-se acima dos interesses do mercado.
Outro painel abordou a questão da importação de agrotóxicos, lembrando que o registro de produtos formulados só é aceito quando há registro dos produtos técnicos que entram em sua composição e, por isso, no Brasil não se aceita a livre importação de agrotóxicos.
O congresso foi seguido pela plenária do Fórum Nacional, onde representantes das organizações presentes relataram problemas enfrentados em suas regiões, que serão encaminhadas pela coordenação do Fórum para conhecimento e providências do Ministério Público nos respectivos estados.


Carta da Saúde Ambiental

I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental
Belém do Pará, Dezembro de 2010


Aprendendo com a história, setores cada vez mais amplos da sociedade se movem para re-conceber, em bases harmoniosas e igualitárias, a nossa relação com a Natureza e nossos projetos de futuro. Para isto, nos mobilizamos, cerca de 1000 professores, pesquisadores, estudantes e técnicos, aqui presentes, para debater acerca da responsabilidade do campo da Saúde Ambiental brasileira neste especial momento da trajetória humana no Planeta Terra.
Há, entre nós, um sentimento comum de indignação e não passividade para com a apropriação da ciência e da tecnologia pela racionalidade instrumental econômica, que concorre significativamente para a crise civilizatória, nas dimensões ambiental, econômica, sócio-sanitária e política, como também denuncia uma crise ética e paradigmática do conhecimento científico.
Qual o papel da ciência neste contexto? Como articulamos o modo de produção e consumo das sociedades contemporâneas com o ambiente e a saúde? Como isto se expressa no modelo de desenvolvimento delineado pela globalização e pela reestruturação sócio-espacial da produção? Em que medida o Estado Nação tem sido capaz de fazer valer seu papel, se antecipando às ofensivas do grande capital e protegendo a população e os ecossistemas? Qual o papel da sociedade civil organizada no enfrentamento destes problemas?
A questão ambiental, conformada por uma lógica de intervenção da sociedade no sentido da apropriação da natureza, ou mais especificamente, uma lógica capitalista de produção e consumo, nos coloca o desafio de compreender e analisar as conexões entre os processos produtivos, as relações sociais e a saúde, assim como as desigualdades dos riscos à saúde e das vulnerabilidades socio-ambientais.
Na vigência de uma economia cujo mercado está mundializado, nossa biodiversidade, a riqueza do subsolo e fontes de água, a extensão de nossa terra, a capacidade de trabalho do povo, e até mesmo as seqüelas de sua secular exclusão, são elementos que delimitam uma escolha político-econômica que subestima seus próprios efeitos deletérios ao ambiente e à saúde das populações. Ademais, não prevê formas efetivas de recuperação da natureza e de prevenção e cuidado com a saúde humana. Este desenho nos inclui na economia global na condição de país produtor e exportador de commodities agroindustriais, num modelo monocultor químico-dependente de padrão agro-bio-tecnológico, que se expande sobre biomas como a Amazônia e o Cerrado. Somam-se a esta configuração as cadeias de mineração-aço e petroquímica, entre outras, que produzem expressiva contaminação ambiental e danos à saúde humana. Este é o pacto perverso do capitalismo atual, que produz injustiças ambientais e nos coloca importantes desafios para o seu enfrentamento.
Se este modelo nos colocou entre as seis maiores economias do mundo, ainda não se conseguiu superar as distâncias existentes entre esse “progresso” e o grande acúmulo de riquezas que ele possibilitou, com o desenvolvimento humano e seus indicadores no campo do saneamento, da educação, da saúde, e da qualidade ambiental.
O Estado brasileiro tem se colocado, muitas vezes, de forma subordinada aos ditames das grandes corporações internacionais e facilitado sua instalação, no país, disponibilizando vultosos recursos públicos para estes investimentos e as infra-estruturas que demandam. Assim, grande parte das comunidades, que no discurso hegemônico seriam beneficiadas pelo crescimento econômico, passam a ser atingidas por ele, expulsas de suas terras e afastadas de seus ecossistemas, perdendo sua segurança e soberania alimentar, sob o aceno de insuficientes medidas compensatórias focais.
A complexidade e as incertezas do conhecimento científico devem ser consideradas nos processos de tomada de decisão político-técnicos voltados para o estabelecimento da regulação de parâmetros ambientais e do trabalho, que visem à proteção à vida e à saúde. Torna-se imperativo que as políticas públicas se voltem para essas questões e se utilizem de princípios éticos e precaucionários diante dessas incertezas, dialogando respeitosamente com outros saberes e culturas.
No contexto da ordem mundial dos “neo” colonialismo, imperialismo e liberalismo, dialeticamente, povos indígenas, afrodescendentes, comunidades tradicionais, trabalhadores e moradores das periferias urbanas resistem e avançam na construção de alternativas a este modelo, como são a Agroecologia e a Economia Solidária, preservando suas culturas e saberes de cuidado com a Vida.
Colocamos-nos ao lado dos cuidadores da vida e afirmamos a importância da práxis na produção de uma ciência cidadã, com pressupostos éticos, que supere as barreiras disciplinares e os muros da academia, para produzir processos coletivos de produção de conhecimentos emancipatórios e de proteção da saúde e do ambiente.
Nesse sentido é necessário desenvolver e aprofundar teorias e técnicas que auxiliem o entendimento das influências do meio ambiente na saúde e forneçam subsídios para a formulação de respostas apropriadas do ponto de vista da Saúde Pública e, dessa forma, possibilitem intervenções consistentes e efetivas através de abordagens integradoras e globalizantes. A práxis nos compromete a lutar por Políticas Públicas que assegurem o direito à saúde e ao ambiente saudável, para o qual uma nova concepção de Ciência e Tecnologia tem papel fundamental.

Fonte:   
De: Secretaria ANA [mailto:secretaria.ana@agroecologia.org.br]
Enviada em: Monday, December 13, 2010 1:29 PM
Assunto: Carta da Saúde Ambiental Belém dezembro 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A democracia fugiu do controle?


Ainda é cedo para maiores projeções nessa ou naquela direção sobre os te-legramas wikis ou sobre o papel repre-sentado por Julian Assange. Uma coi-sa é certa. A pergunta que se configu-ra aos poucos e que o confronto entre a força avassaladora da nova informação eletrônica e a da velha mídia mundial a serviço do poder hegemônico do capitalismo nos coloca é a seguinte: a democracia representativa burguesa está fugindo ao controle de quem a tutela? 
Izaías Almada

Um curioso artigo do jornalista espanhol Pascual Serrano publicado em El Periódico de Catalunya e reproduzido no sítio www.rebelion.org levanta uma questão interessante provocada pelos milhares de telegramas vazados pelo sítio WikiLeaks na internet, mas que ? de algum modo até intrigante ? ultrapassa a polêmica criada na imprensa mundial diante do volume e do conteúdo ali exibidos.
 Diz Serrano na introdução de seu texto que o fenômeno WikiLeaks tem monopolizado numerosas análises e reflexões sobre o futuro da informação, da internet e da própria difusão de notícias. É natural. Como o direito à informação e à liberdade de imprensa se constitui em pilares, dentre outros, da democracia tal qual a conhecemos e é praticada em boa parte do mundo ocidental, chama a atenção o fato de que parece se configurar com maior nitidez uma verdade que a hipocrisia de muitos ?democratas? procura esconder e maquiar há algum tempo: afinal existem informações e... informações. Como também existem concepções diferentes sobre a liberdade de imprensa.
 Quando um país, como os Estados Unidos da América, apoia um golpe de Estado contra um governo democraticamente eleito, o último exemplo é a deposição do presidente Manuel Zelaya em Honduras (mas a lista é imensa só nos últimos 50 anos), é justo encobrir ou negar essa informação? Em nome de que? De quem? E a liberdade de imprensa onde é que fica? Os chamados segredos de estado só pesam em um dos pratos da balança?
 Não é por acaso que o pensador e linguista Noam Chomsky declara, a propósito dos recentes vazamentos no WikiLeaks, que os governantes norte-americanos tem profundo desprezo pela democracia, essa mesma da qual se orgulham e querem impor ao mundo através da força.
 Muito a propósito, vejamos as recentes declarações do atual embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, em artigo escrito para o jornal Folha de S.Paulo no dia 2 de dezembro passado: ?O presidente Obama e a secretária de Estado Hillary Clinton decidiram dar prioridade à revigoração das relações dos EUA no mundo. Ambos têm trabalhado com afinco para fortalecer as parcerias existentes e construir novas parcerias no enfrentamento de desafios comuns, das mudanças climáticas e da eliminação da ameaça das armas nucleares até a luta contra doenças e contra a pobreza.?
 Obedecendo à orientação de Washington para minimizar os telegramas wikis, o blablablá retórico de Thomas Shannon é vazio de significado prático e recheado de conteúdo cínico. No contexto da América Latina, quais seriam esses desafios, senhor embaixador? O combate ao narcotráfico, por exemplo? Mas qual é o maior país consumidor de drogas pesadas no mundo e, portanto, grande sustentáculo do narcotráfico internacional, segundo relatórios da ONU? Os Estados Unidos da América. Qual o volume de dinheiro do narcotráfico branqueado em bancos norte-americanos (e europeus)? Em termos mundiais, já ultrapassa a casa dos US$400 bilhões por ano.
 Quanto às mudanças climáticas, é sabido que até a presente data o país do senhor Shannon ainda não assinou o Protocolo de Kyoto, criado em 1997 com o objetivo de reduzir a produção de gases poluentes, sendo os EUA o país que mais polui o meio ambiente mundial. Dispenso-me de comentar sobre o cinismo da ?eliminação da ameaça de armas nucleares?. Repito aqui apenas a velha e surrada pergunta: por que os EUA não dão o exemplo e começam a destruir seu próprio arsenal nuclear? Sobre a luta contra a doença e a pobreza, o senhor Shannon deveria olhar para dentro de seu próprio país e ver os estragos causados no sistema de saúde privatizado, tão bem avaliado pelo cineasta Michael Moore; ou avaliar o atual nível de desemprego e pensar nos imensos guetos de miséria espalhados pelo país, sobretudo entre afrodescendentes e hispânicos.
 O ainda referido artigo publicado na Folha de S.Paulo é uma catilinária de parvoíces, eivada de frases vazias, mas sempre com aquela pontinha de arrogância com a qual ?nossos irmãos do Norte? se acostumaram a tratar o mundo. Prestem atenção nessa simples e emblemática frase do embaixador norte-americano no Brasil sobre os telegramas do WikiLeaks, eivada de arrogância e ?espírito democrático?: ?Uma ação cuja intenção é provocar os poderosos pode, em vez disso, pôr em risco aqueles que não têm poder.? Ou seja: nós, os poderosos (leia-se EUA), se provocados, podemos pôr em risco os que não tem poder (o resto do mundo).
 Mas é exatamente isso o que seu país já faz, senhor embaixador, com ou sem o WikiLeaks. Como é que ficam os assassinatos de civis no Afeganistão e no Iraque? Quantos idosos, mulheres e crianças já morreram para receber (custa-me mais uma vez engolir o cinismo) a velha e empoeirada democracia de Abraham Lincoln? O que significa enviar 10 mil soldados armados até os dentes para uma ajuda humanitária ao Haiti?
 Volto agora ao jornalista Pascual Serrano. Sobre o debate entre defensores e críticos para saber se o sítio de Julian Assange comete uma irresponsabilidade com a e circulação de informação secreta, o jornalista espanhol considera que há uma simplificação do tema e que o modus operandi do próprio WikiLeaks vem demonstrando que o assunto é mais complexo.
 Serrano, sem mostrar duvidas quanto à veracidade dos tais telegramas, levanta a enigmática hipótese de se saber a razão pela qual, de início, o WikiLeaks ofereceu de forma privilegiada e com exclusividade 250 mil documentos a cinco grandes meios de comunicação mundial: The New York Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde e El País. Tais órgãos de informação divulgaram em seguida que tinham ?autonomia para decidir sobre a seleção, valoração e publicação das informações que afetassem a seus países [EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, França e Espanha]?.
 Portanto, e ainda segundo Serrano, a conivência entre o WikiLeaks e o cartel criado entre esses cinco órgãos de comunicação, é absoluta. E conclui: ?Não sei se a origem do sítio WikiLeaks era limpa e honesta. O que parece claro, contudo, é que está se convertendo num objeto domesticado, a ponto de o primeiro-ministro de Israel Benjamim Netanyahu afirmar que os documentos dão razão a seu governo ao valorizar a ameaça iraniana.?
 Os vazamentos WikiLeaks significariam o simples desnudamento da diplomacia de intimidação e espionagem colocadas em prática por Washington, tornando explícito para o mundo aquilo que muitos já sabiam ou desconfiavam? Criam constrangimentos para o complexo industrial/militar e as grandes corporações capitalistas ou, ao contrário, significam uma nova e sofisticadíssima forma de contra-informação digna de um filme de Hollywood?

O atual líder republicano no senado norte-americano, Mitch McConnell, declarou em entrevista para a rede de televisão NBC que Assange é ?um terrorista de alta tecnologia?. O dano causado aos EUA é enorme e, segundo o senador, Assange deve ser julgado com todo o peso da lei. Se por acaso isso causar problemas legais, ?muda-se a lei?, completou McConnell. Parece que desde a eleição de Bush filho, quando se fraudou a lei no estado da Flórida para sua eleição, ou mesmo bem antes, quando John Kennedy foi assassinado, a democracia norte-americana vem mudando algumas de suas leis a fim de se manter como sendo a democracia exemplar para o resto do mundo. 
Ainda é cedo para maiores projeções nessa ou naquela direção sobre os telegramas wikis ou sobre o papel representado por Julian Assange. Uma coisa é certa. A pergunta que se configura aos poucos e que o confronto entre a força avassaladora da nova informação eletrônica e a da velha mídia mundial a serviço do poder hegemônico do capitalismo nos coloca é a seguinte: a democracia representativa burguesa está fugindo ao controle de quem a tutela?



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um pouco de HISTÓRIA

O JUDEU E OS JUDEUS
Raul Longo

(Fonte: O Berro...repassem) 


      Oceanógrafo, socialista e judeu, meu hóspede comenta como foi difícil sua formação ao longo da vida, pelo estigma da religião que confundem com etnia: - Judeu não é etnia. O antissemitismo aplicado aos judeus é uma estupidez enorme. Não existe o judeu-alemão, o judeu-polonês o judeu-russo. O que existe é o alemão de ascendência semita que professa o judaísmo, o italiano de ascendência semita que professa o judaísmo, o brasileiro de ascendência semita que professa o judaísmo. Assim como existem semitas cristãos e semitas mulçumanos.

      Pergunto se sofre muita discriminação. Confirma, mas revela: - Muito mais entre os judeus do que entre cristãos. No Brasil, cristãos e não judeus em geral não sabem reconhecer nomes de judeus. Mas judeus sem dúvida, claro que te reconhecem no primeiro declinar do nome de família. E com muito maior acuidade distinguem logo se você é um judeu rico ou pobre. Todo judeu pobre é discriminado.

      Questiono sua situação social: professor universitário não é exatamente um pobre: - A distinção é diferente. Não se julga a condição de vida, mas os meios pelos quais foi alcançada e é mantida. Eu poderia ter uma condição financeira ainda inferior e seria auxiliado se minhas convicções de obtenção de fortuna corresponde-se às dos judeus de famílias que se tornaram ricos ao longo da história. Não foi o caso de meus ancestrais e para que futuramente o nome de minha família venha a ser integrado sem discriminação entre os judeus, seria preciso que me tornasse rico através dos meios que consideram como indicadores de proficiência. Se ganhasse na loteria e por isso me tornasse milionário, talvez deixasse de ser tão discriminado, mas eu e meus filhos sempre seríamos olhados com desconfianças pelos demais judeus.

      Cogito pela possibilidade de se dar por não professar a religião: - Isso pode agravar ainda mais, mas não é o determinante. Rabinos pobres são igualmente discriminados.

      Reporto ao que disse antes e retomo a questão religião x etnia, considerando que, como ateu, deixou de ser judeu: - Não é tão simples. Assim como veladamente se imputa à Marx o ?crime? de ser judeu para justificar a razão de seu ateísmo e estruturação sócio/política do comunismo, os judeus também imputam à Marx o ?crime? de ser pobre para justificar seus ideais. E Marx é tão execrado entre judeus capitalistas quanto entre capitalistas não judeus.

      Menciono que no cristianismo e outras religiões coincidem princípios de igualdade e união entre os humanos, similares aos pretendidos por Karl Marx: - O judaísmo é tão hipócrita quanto qualquer outra religião. Como em todas, também no judaísmo há os que de fato se pautam pelos princípios básicos originais de Buda, Cristo ou Maomé. Mas as elites do sacerdócio os utilizam para conduzir, condicionar e induzir à maioria dos crentes a acreditar no que praticam ao inverso.

      Quero concluir que ao menos não seja tão discriminado entre cristãos: - Não é verdade. Apenas enquanto não distinguem minha ascendência e a confundem com a dos árabes. Somos todos semitas e as semelhanças físicas só se diluem quando os ancestrais de nossas famílias se miscigenaram com etnias dos povos europeus.

      Concluo que afirme maior identificação semita entre os povos árabes e que no Brasil o preconceito contra o islamismo seja menor do que contra o judaísmo: - Evidente. E não apenas no Brasil. Apesar de disseminado pela Igreja Católica a partir da expulsão dos mouros da Península Ibérica, três fatores inviabiliram os mitos criados contra os muçulmanos.

      Primeiro porque poucos árabes se mantiveram na Europa e seus descendentes já eram fruto de 8 séculos de miscigenação, o que não ocorreu entre hebreus por determinações do próprio judaísmo para manutenção de uma identidade que hoje se busca através no sionismo, estreitamente identificado ao nazismo exatamente na concepção da pureza e superioridade racial. Esse fator que contribuiu para a evolução dos tantos mitos criados pela Igreja Católica contra os judeus, hoje é utilizado contra os árabes pela mídia internacional, manipulada pelos judeus. Mas é difícil personificar uma identidade árabe, pois mesmo religiosamente, ainda que todos maometanos, são bem mais diversificados.

      O segundo fato é que por mais que a Igreja tenha insistido no ódio dos mulçumanos aos infiéis, a verdade é que judeus e cristãos nunca foram tão respeitados em suas tradições religiosas como durante os séculos da ocupação moura que protegeram a ambos contra a violência e ganância de nobres e clérigos cristãos, permitindo completa liberdade religiosa.

      Por último, por toda a Península Ibérica ainda sobrevivem documentos arquitetônicos e literários documentando as contribuições cientificas, técnicas, artísticas e culturais numa Europa obscurantista e inculta onde qualquer evolução ou descoberta era compreendida como diabólica e condenada à morte.

      Concordo, lamentando a crença de que procedemos exclusivamente da cultura greco-romana e considerando que a maior parte dos saberes da civilização ocidental provêm da cultura árabe. Aproveito para perguntar sobre a contribuição dos semitas judeus à formação da cultura europeia: - Além das finanças e ciências econômicas, estivemos presente em todas as demais das mais profundas evoluções alcançadas sobretudo nos séculos XIX e XX. Mas essas contribuições já vêm muito antes, viabilizando aos ocidentais conhecimentos desenvolvidos em conjunto, por semitas árabes e judeus.

      As cortes cristãs não tinham pessoal qualificado para isso. E se meses depois da expulsão dos últimos árabes, Colombo pôde chegar à América através da navegação desenvolvida através dos conhecimentos dos beduínos dos desertos e dos fenícios, todos árabes, foi porque os judeus ajudaram a organizar e levar a cabo empreendimento então tão temerário e detalhista quanto, hoje, uma excursão intergaláctica.

      Quero saber se lhe parece impossível derrubar o mito de que árabes e judeus estejam envolvidos numa milenar e eterna guerra fratricida: - Depois do fracasso de Napoleão e da falência do Império Britânico ficou claro que é preciso uma justificativa para os interesses de domínio mundial através do poder das armas. Os nazistas aventaram o mito da superioridade racial exatamente entre um povo de múltiplas origens. Alemães não são apenas germânicos, mas também bávaros, suevos, hunos, etc. Para alimentar esse mito de identidade racial, precisaram criar um contraponto. Não se cria o mito da superioridade masculina, se não houver um contraponto de inferioridade, por mais falso que seja. Todo mito precisa de seu inverso, por mais insólitos. O antagônico é tão essencial à mentira quanto sua repetição por mil vezes.

      Entendo que o antagonismo ao povo palestino trata-se de um planejamento com fins específicos e perdurará até a ocupação total da Palestina, e explica: - Nos anos 50/60 muitos judeus, mesmo antissionistas, se indignaram contra os árabes, pois nos era claro ser plenamente possível convivermos na Palestina sem prejuízo para nenhum dos lados e até com muitas contribuições àquele povo já tão massacrado pelo Império Britânico e também  por alguns dos vizinhos árabes. Além de que, mesmo em maioria islâmicos, há palestinos judeus e muitos são semitas de origem judaica que no decorrer dos séculos assimilaram outras influências religiosas, mas preservaram diversos costumes que nos judeus se diluíram pelas influências adquiridas por onde se dispersaram.

      Hoje, na distância do tempo, podemos perceber as razões da reação árabe contra a criação do Estado de Israel. Não há como mentir que o modelo sionista é o nazismo. Adotou-se o mito de superioridade racial para unificação dos tantos povos que formaram a Alemanha, para dessa vez unificar a dispersão da cultura judaica. E, repetindo-se o método do modelo, o povo palestino tonou-se o mito antagônico.

      É só nos perguntarmos se o objetivo único e final de Hitler era apenas o de que o povo alemão se acreditasse superior a todos os demais? Apenas exterminar os judeus e depois disso não promoveria novos genocídios? Se limitaria às fronteiras da Alemanha, anexando apenas a Eslováquia? Ou apenas a Polônia? Talvez somente a França?

      Muitos militares de alta patente do exército de Israel, que naquelas décadas de formação do Estado lutaram contra árabes entendendo-os incapazes de ceder um espaço de que não tiravam proveito, adquirido por um parente escorraçado e profundamente maltratado em outras terras. Hoje, esses mesmos militares compreendem e dão razão aqueles árabes, pois é inegável que os sionistas não pretendem apenas estabelecer europeus que ainda professavam a religião judaica. É muito claro que se tratou de um planejamento geoestratégico de ingleses e norte-americanos, para atender seus interesses na região de maior produção petrolífera do mundo. E para isso reproduziram o modelo nazista no Oriente Médio a troco do financiamento da recuperação da então combalida economia mundial.

       A II Guerra foi provocada exatamente pela fragilidade da economia mundial que ensejou aos nazistas a possibilidade de ressurgirem da derrota na guerra anterior como donos do mundo. Após a quebra financeira que tão profundamente afetou a economia norte-americana na década de 30 e dos enormes gastos com a maior guerra da história, como em tão curto espaço de tempo os Estados Unidos se torna a maior economia do planeta?

      Todos os países envolvidos, dos dois lados, enriqueceram. Com que milagre se deu a espetacular recuperação do devastado Japão e da própria Alemanha? Despojos de guerra não justificariam tão pronto crescimento dessas economias. Uma guerra daquela magnitude dependia de um efetivo financiamento tanto no seu transcorrer quanto após o conflito com o qual alguns grupos arrecadaram enormes quantias. Nenhum integrante desses grupos se transferiram para Israel, mas foram os que negociaram o território.

      Se apenas para alojar os sobreviventes de guerra e seus parentes e quem se interessasse em emigrar da Europa, se gastaria muito menos em ações que conscientizasse o povo palestino das vantagens da nova vizinhança. Assim como hoje a maioria do povo basco se indispõem com os separatistas do ETA, os próprios palestinos poderiam conter seus radicais e fundamentalistas religiosos. Mas o que se fez foi o inverso. O Estado de Israel perseguiu e persegue todo judeu que proponha o convívio pacífico. De ambos os lados  já se matou muitos líderes pacifistas como Rabin.

      O assassinato de Itazak Rabin é a demonstração clara de que a paz é possível, mas a paz jamais seria possível no mundo sem a erradicação do nazismo. A morte de Rabin é a evidência de que quando erradicarem o sionismo, judeus e palestinos poderão conviver pacificamente, pois não haverá o antagônico para justificar fundamentalismos de ambos os lados. No entanto, para isso é preciso eliminar primeiro os mantenedores do sionismo e esses não são judeus ou de religião alguma, não estão preocupados com qualquer povo ou cultura. Como Hitler, esses somente se interessam em ampliar domínios além de quaisquer fronteiras e para isso apenas despendem esforços em criar mitos e antagonismos.

      E o povo de Israel é tão usado quanto o povo palestino, pois o dia em que árabes impedirem que continuem manipulando-os  e se unirem... Ou a Turquia, onde crescem os fundamentalistas islâmicos, pender para o lado contrário ao dos manipuladores da Europa, os judeus sofrerão um segundo holocausto com a diferença de que dessa vez será justificado pelos sionistas. Tampouco os palestinos serão beneficiados por isso, mas aos judeus se lamentará tanto quanto hoje se lamenta os carrascos nazistas.

      Não foram exatamente estas as palavras do hóspede, mas foi tudo o que conclui de nossa conversa momentos antes de receber o link abaixo pelo meu correio eletrônico. Vejam só que coincidência:       
                 
       A notícia que o resto do mundo não viu (?)   

                                               http://www.youtube.com/watch?v=Jv8TW2Pts_w