Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Fórum Social Mundial

 
Uma breve história do FSM
(Fonte: Carta Maior)


Nas origens do FSM estão o "grito zapatista" de 1994 e as manifestações em Seattle, em 1999, que impediram a realização da reunião da OMC. Na sequência, o movimento anti-neoliberal passou da fase de resistência à fase de construção de alternativas. Este FSM demonstrará se permanece na fase de resistência, de fragmentação de temáticas, de limitação à “sociedade civil” ou se se coloca à altura da etapa atual de disputa hegemônica, já não mais a nível nacional ou regional, mas a nível global. A análise é de Emir Sader.
O Fórum Social Mundial já tem história. Uma história que não pode ser entendida separada daquilo que lhe deu nascimento e a que ele está intrinsecamente vinculado: a luta contra o neoliberalismo e por um mundo posneoliberal – que é o sentido de seu lema central “Um outro mundo possível”.

Nas suas origens está o “grito zapatista” de 1994”, conclamando à luta global contra o neoliberalismo. Em seguida, veio o editorial do Le Monde Diplomatique, de Ignacio Ramonet, chamando à luta contra o “pensamento único”, seguida pelas manifestações em Seattle, que impediram a realização da reunião da OMC e as outras, em tantas cidades do mundo. Enquanto isso, se realizavam anualmente manifestações na Suiça, chamadas de anti-Davos.

Até que, com o crescimento da resistência ao neoliberalismo, se pensou no projeto de organizar um Forum Social Mundial em oposição ao Forum Economico de Davos. A idéia foi de Bernard Cassen, jornalista francês que naquele momento dirigia a Attac, que ao mesmo tempo propôs que a sede fosse na periferia do sistema – onde residem as vitimas privilegiadas do neoliberalismo -, na América Latina – onde se desenvolviam os principais movimentos de resistência, no Brasil – que tinha a esquerda mais forte naquele momento – e, em particular, em Porto Alegre – pelas políticas dos governos do PT, de Orçamento Participativo.

Depois do primeiro Fórum se constituiu um Conselho Internacional, com participação de todas as entidades que quisessem se incorporar, porém a direção continuou em um estrito grupo de entidades brasileiras, dominadas por ONGs. Este foi um limitante original do FSM, dado que o movimento se apoiava centralmente em movimentos sociais – de que a Via Campesina agrupa a parte significativa deles -, enquanto as ONGs – cujo caráter ambíguo, até mesmo neoliberal pela sua definição anti-governamental, mas também com várias delas com ações obscuras no seu sentido, no seu financiamento e nas suas alianças com grandes empresas privadas – se apoderava do controle da organização, imprimindo-lhe um caráter restrito.

Restrito, porque limitado a um suposta “sociedade civil”, o que já lhe imprimia um caráter liberal, oposto a governos, a partidos, a Estados, bloqueando a capacidade de construção de “um outro mundo possível”, que teria que ser um mundo global, com transformação das relações de poder, do Estado e da sociedade no seu conjunto. Também ficava fora um tema que passou a ser central no mundo conforme os EUA adotavam sua política de “guerras infinitas” – a luta pela paz -, que no entanto representou o momento de maior capacidade de mobilização dos novos movimentos populares no mundo, com as mobilizações de resistência à guerra do Iraque, em 2003.

O Conselho Internacional decidiu a alternância de sedes do FSM, que passou a se realizar em outros continentes, com o que se realizaram encontros na Índia e no Quênia. Também decidiu que os FSM seriam realizadosa cada dois anos, alternados por FSM regionais. No entanto o FSM passou realmente a girar em falso conforme a definição inicial de se limitar um espaço de troça de experiências entre entidades da “sociedade civil” foi limitando suas temáticas e sua capacidade de formular alternativas. Nem sequer balanços das maiores mobilizações populares jamais havidas, as contra a guerra do Iraque, foram feitas, para definir a continuidade da luta.

A fragmentação dos temas se acentuou conforme foi decidido que as atividades dos FSM seriam “autogestionadas”, sem definição política dos temas fundamentais, que deveriam ser financiados centralizadamente, promovendo um imenso privilegio das ONGs e outras entidades que dispõem de recursos contra os movimentos sociais – que deveriam ser os protagonistas fundamentais do FSM.

Hoje, o FSM tem em governos latinoamericanos progressistas os agentes de construção da agenda proposta pelo movimento. Os movimentos sociais que souberam rearticular de maneira criativa suas relações com a esfera política – de que a fundação pelos movimentos bolivianos do MAS – e disputar a criação de novos governos e a construção de projetos hegemônicos alternativos, avançaram significativamente na criação do “outro mundo possível”. Enquanto que os que seguiram refugiados na chamada “autonomia dos movimentos sociais” – como os casos dos piqueteiros argentinos ou dos zapatistas – perderam peso ou até mesmo tenderam a desaparecer politicamente.

Em 2009, o Fórum voltou ao Brasil, sendo realizado em Belém, no Pará. O encontro foi marcado, entre outras coisas, pela presença de 5 presidentes latino-americanos – Evo Morales, Rafael Correa, Hugo Chavez, Fernando Lugo e Lula, líderes de governos que, em distintos níveis, colocam em prática políticas que identificaram, desde o seu nascimento, o FSM: a Alba, o Banco do Sul, a prioridade das políticas sociais, a regulamentação da circulação do capital financeiro, a Operação Milagre, as campanhas que terminaram com analfabetismo na Venezuela e na Bolívia, a formação das primeiras gerações de médicos pobres no continente, pelas Escolas Latinoamericanas de Medicina, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Segurança, o gasoduto continental, a Telesul – entre outras. A cara nova e vitoriosa do FSM, nos avanços da construção do posneoliberalismo na América Latina.

O FSM 2009 foi marcado também pela forte presença d os povos indígenas e pelo Forum PanAmazonico, com os movimentos camponeses e a Via Campesina, os sindicatos e o Mundo do Trabalho, os movimentos feministas e a Marcha Mundial das Mulheres, os movimentos negros, os movimentos de estudantes, os de jovens.

O movimento anti-neoliberal passou da fase de resistência à fase de construção de alternativas. Este FSM demonstrará se permanece na fase de resistência, de fragmentação de temáticas, de limitação à “sociedade civil” ou se se coloca à altura da etapa atual de disputa hegemônica, já não mais a nível nacional ou regional, mas a nível global, quando a crise capitalista e o esgotamento do modelo neoliberal coloca para o FSM seu maior desafio: ser agente na construção concreta do “outro mundo possível” ou permanecer como espaço de testemunhos, ricos, mas impotentes.

O Fórum Social Mundial 2011, em Dakar, ganhou uma nova agenda com a onda de protestos populares que já atingiu a Tunísia, o Egito, o Iêmen e a Jordânia. O mais significativo de todos, sem dúvida, é o Egito, em função do que o país representa em termos geopolíticos no Oriente Médio. Egito e Arábia Saudita são dois pilares centrais da aliança EUA-Israel na região. Uma mudança de regime político em um desses dois países pode significar um terremoto geopolítico de grandes proporções.
A aplicação da consigna do FSM aos problemas dessa região coloca a seguinte questão: “Outro Oriente Médio é possível?”. O que está acontecendo no Egito mostra que o castelo das autocracias apoiadas e sustentadas pelos EUA é menos sólido do que parecia. Milhões de jovens, homens e mulheres, estão nas ruas dizendo que é possível, sim. E necessário.

McDonald's: exploração do trabalho infantil


Rede McDonald's é multada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por exploração do trabalho infantil e descumprimento de leis trabalhistas
(Fonte: O Berro)

Por Altamiro Borges

Por descumprir acordos trabalhistas, a poderosa rede de fast food McDonald's será obrigada a destinar R$ 11,7 milhões, nos próximos nove anos, à promoção de campanhas publicitárias contra o trabalho infantil. A punição foi aplicada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e passou a valer a partir de janeiro. A multinacional estadunidense ainda deverá doar outros R$ 1,5 milhão à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) para a aquisição de equipamentos de reabilitação física.

A decisão representa um duro golpe na imagem do McDonald's. Entre as irregularidades, o MPT listou a ausência da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e da emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), alimentação inadequada e a falta de vestiários. Em algumas franquias, o expediente ultrapassava o limite legal de duas horas extras diárias e os funcionários não tinham descanso semanal previsto em lei. O McDonald's também é acusado de dificultar a sindicalização dos trabalhadores.

Abusos na multinacional são antigos

Por que temer o espírito revolucionário árabe?


Fonte: Carta Maior


A reação ocidental aos levantes no Egito e na Tunísia frequentemente demonstra hipocrisia e cinismo. A hipocrisia dos liberais ocidentais é de tirar o fôlego: eles publicamente defendem a democracia e agora, quando o povo se rebela contra os tiranos em nome de liberdade e justiça seculares, não em nome da religião, eles estão todos profundamente preocupados. Por que aflição, por que não alegria pelo fato de que se está dando uma chance à liberdade? Hoje, mais do que nunca, o antigo lema de Mao Tsé-Tung é pertinente: "Existe um grande caos abaixo do céu - a situação é excelente". O artigo é de Slavoj Zizek.
O que não pode deixar de saltar aos olhos nas revoltas Tunísia e Egito é a notável ausência do fundamentalismo islâmico. Na melhor tradição democrática secular, as pessoas simplesmente se revoltaram contra um regime opressivo, sua corrupção e pobreza, e demandaram liberdade e esperança econômica. A sabedoria cínica dos liberais ocidentais - de acordo com os quais, nos países árabes, o genuíno senso democrático é limitado a estreitas elites liberais enquanto que a vasta maioria só pode ser mobilizada através do fundamentalismo religioso ou do nacionalismo - se provou errada.

Quando um novo governo provisório foi nomeado na Tunísia, ele excluiu os islâmicos e a esquerda mais radical. A reação dos liberais presunçosos foi: bom, eles são basicamente a mesma coisa; dois extremos totalitários - mas as coisas são simples assim? O verdadeiro antagonismo de longa data não é precisamente entre islâmicos e a esquerda? Ainda que eles estejam momentaneamente unidos contra o regime, uma vez que se aproximam da vitória, a sua unidade se parte e eles se engajam numa luta mortal, frequentemente mais cruel do que aquela travada contra o inimigo comum.

Nós não testemunhamos precisamente tal luta depois das eleições no Irã? As centenas de milhares de apoiadores de Mousavi lutavam pelo sonho popular que sustentou a revolução de Khomeini: liberdade e justiça. Ainda que esse sonho tenha sido utópico, ele levou a uma explosão de criatividade política e social de tirar o fôlego, experiências de organização e debates entre estudantes e pessoas comuns. Essa abertura genuína, que liberou forças de transformação social então desconhecidas, um momento no qual tudo pareceu possível, foi então gradualmente sufocada pela dominação do controle político e do establishment islâmico.

Mesmo no caso de movimentos claramente fundamentalistas, é preciso ser cuidadoso para não perder de vista o componente social. O Talibã é usualmente apresentado como um grupo fundamentalista islâmico que impõe suas leis pelo terror. No entanto, quando, na primavera de 2009, eles tomaram o Vale de Swat no Paquistão, o The New York Times noticiou que eles arquitetaram "uma revolta de classe que explora profundas fissuras entre um pequeno grupo de ricos donos de terra e seus inquilinos desprovidos de um chão". Se, ao "se aproveitar" dos apuros dos agricultores, o Talibã estava criando, nas palavras do New York Times, "um alerta sobre os riscos ao Paquistão, que permanece sendo largamente feudal", o quê impediu os democratas liberais do Paquistão e dos Estados Unidos de, da mesma forma, "se aproveitarem" desses apuros e de tentarem ajudar os agricultores sem terra? Ocorre de as forças feudais no Paquistão serem aliados naturais da democracia liberal?

A conclusão inevitável a ser delineada é que a ascensão do islamismo radical sempre foi o outro lado do desaparecimento da esquerda secular nos países muçulmanos. Quando o Afeganistão é retratado como sendo o exemplo máximo de um país fundamentalista islâmico, quem ainda se lembra que, há quarenta anos atrás, ele era um país com uma forte tradição secular, incluindo um poderoso partido comunista que havia tomado o poder lá sem dependência da União Soviética? Para onde essa tradição secular foi?

É crucial analisar os eventos em andamento na Tunísia e no Egito (e no Iémen e ... talvez, com esperança, até na Arábia Saudita) em contraste com esse pano de fundo. Se a situação for eventualmente estabilizada de modo ao antigo regime sobreviver, apenas passando por alguma cirurgia cosmética liberal, isso irá gerar um intransponível retrocesso fundamentalista. Para que o legado chave do liberalismo sobreviva, os liberais precisam da ajuda fraternal da esquerda radical. De volta ao Egito, a mais vergonhosa e perigosamente oportunista reação foi aquela de Tony Blair noticiada na CNN: mudança se necessário, mas deverá ser uma mudança estável. Mudança estável no Egito, hoje, só pode significar um compromisso com as forças de Mubarak na forma de ligeiramente alargar o círculo do poder. Este é o motivo pelo qual é uma obscenidade falar em transição pacífica agora: pelo esmagamento da oposição, o próprio Mubarak tornou isso impossível. Depois de Mubarak enviar o exército contra os protestantes, a escolha se tornou clara: ou uma mudança cosmética na qual alguma coisa muda para que tudo continue na mesma, ou uma verdadeira ruptura.

Aqui, portanto, é o momento da verdade: ninguém pode arguir, como no caso da Argélia uma década atrás, que permitir eleições verdadeiramente livres equivale a entregar o poder para fundamentalistas islâmicos. Outra preocupação liberal é de que não existe poder político organizado para tomar o poder caso Mubarak parta. É claro que não existe; Mubarak se assegurou disso ao reduzir a oposição a ornamentos marginais, de forma que o resultado acaba sendo como o título do famoso romance de Agatha Christie, "E Então Não Havia Ninguém". O argumento de Mubarak - é ele ou o caos - é um argumento contra ele.

A hipocrisia dos liberais ocidentais é de tirar o fôlego: eles publicamente defendem a democracia e agora, quando o povo se rebela contra os tiranos em nome de liberdade e justiça seculares, não em nome da religião, eles estão todos profundamente preocupados. Por que aflição, por que não alegria pelo fato de que se está dando uma chance à liberdade? Hoje, mais do que nunca, o antigo lema de Mao Tsé-Tung é pertinente: "Existe um grande caos abaixo do céu - a situação é excelente".

Para onde, então, Mubarak deve ir? Aqui, a resposta também é clara: para Haia. Se existe um líder que merece sentar lá, é ele.

(*) Nota do Tradutor: o título original do livro de Agatha Christie é "And Then There Were None", conhecido aqui no Brasil como "O Caso dos Dez Negrinhos".

Referências feitas pelo autor:
http://www.guardian.co.uk/world/2010/feb/02/iran-mousavi-dictatorship-khameini-protests
http://www.nytimes.com/2009/04/17/world/asia/17pstan.html?_r=1
Fonte: http://www.guardian.co.uk

Traduzido por Henrique Abel para o Diário Liberdade.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Reflexões de Fidel Castro


 A grave crise alimentar 

Apenas 11 dias atrás*, em 19 de janeiro, sob o título "É hora de fazer alguma coisa", escrevi: "o pior é que, em grande parte, as soluções dependerão dos países mais ricos e desenvolvidos, que chegaram a uma situação que realmente não estão em condições de enfrentar sem que entre em colapso o mundo que têm tentado moldar".
Por Fidel Castro Ruz

Reprodução
  "A grave crise alimentar" é o título da mais recente reflexão do líder da revolução cubana, Fidel Castro.
"Eu já não falo de guerras, cujos riscos e consequências têm sido alertados por pessoas sábias e brilhantes, incluindo muitas norte-americanas.Refiro-me à crise alimentar originada por eventos econômicos e mudanças climáticas, que aparentemente já são irreversíveis, como resultado da ação humana, mas que de todas as formas a mente humana tem a obrigação de enfrentar urgentemente.

Os problemas têm tomado forma agora, de súbito, através de eventos que se repetem em todos os continentes: calor, incêndios florestais, queda de safra na Rússia, alterações climáticas na China; perda progressiva das reservas de água no Himalaia, que ameaçam a Índia, a China, o Paquistão e outros países; excesso de chuvas na Austrália, que inundaram quase um milhão de quilômetros quadrados; o frio insólito e extemporâneo na Europa; seca no Canadá, ondas de frio incomuns neste país e nos Estados Unidos”.
Também mencionei as chuvas sem precedentes na Colômbia, na Venezuela e no Brasil.
Relatei naquela reflexão que "a produção de trigo, soja, arroz, milho e inúmeros outros cereais e leguminosas, que formam a base alimentar do mundo – cuja população é hoje, segundo estimativas, cerca de 6,9 bilhões de habitantes e já se aproxima da cifra inédita de 7 bilhões, onde mais de um bilhão sofrem com fome e desnutrição – estão sendo seriamente afetados pelas mudanças climáticas, criando um gravíssimo problema no mundo".

No sábado, dia 29 de janeiro, o boletim diário que recebo com notícias da internet reproduziu um artigo de Lester R. Brown publicado no site Via Orgânica, datado de 10 de janeiro, cujo conteúdo, na minha opinião, deve ser amplamente divulgado.
Seu autor é o mais prestigiado e premiado ecologista norte-americano, que vem advertindo para o efeito nocivo do enorme e crescente volume de CO2 que se vem lançando na atmosfera. Do seu bem fundamentado artigo, tomarei só alguns parágrafos que explicam de forma coerente seus pontos de vista.

"No início do novo ano, preço do trigo alcança níveis sem precedentes

A população mundial quase dobrou desde 1970, e ainda estamos crescendo a uma taxa de 80 milhões de pessoas a cada ano. Nesta noite, haverá 219 mil bocas a mais para alimentar à mesa e muitos deles vão encontrar pratos vazios. Outros 219 mil se juntarão a nós amanhã à noite. Em algum momento esse crescimento incessante começa a ser demais para as capacidades dos agricultores e os limites da terra e dos recursos hídricos do planeta.

O aumento do consumo de carne, leite e ovos nos países em desenvolvimento, que crescem rápido, não tem precedentes.
Nos Estados Unidos, onde a safra foi de 416 milhões de toneladas de grãos em 2009, 119 milhões de toneladas foram enviados às destilarias de etanol, a fim de produzir combustível para automóveis. Isso seria suficiente para alimentar 350 milhões de pessoas ao ano. O enorme investimento dos Estados Unidos em destilarias de etanol cria condições para a concorrência direta entre os carros e as pessoas na colheita mundial de grãos. Na Europa, onde grande parte do parque automotor é movido a diesel, há uma crescente demanda por combustível diesel produzido a partir de plantas, principalmente a partir do óleo de colza e de palma. Essa demanda de oleaginosas não só reduz a área disponível para cultivar alimentos na Europa, mas também acelera desmatamento de florestas tropicais da Indonésia e da Malásia para as plantações produtoras de óleo de palma.

O crescimento anual do consumo de grãos no mundo saiu de uma média de 21 milhões de toneladas anuais no período 1990-2005 para 41 milhões de toneladas por ano, no período de 2005 a 2010. A maior parte deste grande salto pode ser atribuída à orgia de investimentos em destilarias de etanol nos Estados Unidos entre 2006 e 2008.
Ao mesmo tempo em que se duplicava a demanda anual de crescimento de grãos, surgiam novas limitações do lado da oferta, incluindo a intensificação daquelas de longo prazo, como a erosão dos solos. Estima-se que um terço da terra cultivável do mundo perde solo mais rápido do que o tempo necessário para a formação de novos solos por processos naturais, perdendo assim a sua produtividade inerente. Estão em processo de formação duas grandes massas de poeira. Uma se estende pelo noroeste da China, pelo oeste da Mongólia e pela Ásia Central; a outra está localizada na África Central. Cada uma delas é muito maior do que a massa de poeira que afetou os Estados Unidos na década de 1930.

As imagens de satélite mostram um fluxo constante de tempestades de poeira que se iniciam nestas regiões e cada uma normalmente carrega milhões de toneladas de solo valioso.
Enquanto isso, o esgotamento dos aquíferos reduz rapidamente a extensão das áreas irrigadas em muitas partes do mundo: este fenômeno recente é provocado pelo uso em larga escala de bombas mecânicas para extrair água subterrânea. Atualmente, metade da população mundial vive em países onde os lençóis freáticos estão diminuindo à medida que o bombeamento excessivo esgota aquíferos. Quando se esgota um aquífero, é necessário reduzir o bombeamento segundo o ritmo de substituição da água, se não for a intenção torná-lo um aquífero fóssil (não renovável), caso em que o bombeamento cessa completamente. Mas, mais cedo ou mais tarde, a diminuição dos lençóis freáticos resulta em um aumento nos preços dos alimentos.

As áreas irrigadas diminuem no Médio Oriente, sobretudo na Arábia Saudita, Síria, Iraque e possivelmente no Iêmen. A Arábia Saudita, que era totalmente dependente de um aquífero fóssil hoje esgotado para a auto-suficiência em trigo, vê esta produção em queda livre. Entre 2007 e 2010, a produção de trigo saudita caiu mais de dois terços.

O Oriente Médio árabe é a região onde a escassez crescente da água causou a maior redução na safra de grãos. Mas a escassez de água é também muito elevada na Índia, onde, segundo dados do Banco Mundial, 175 milhões de pessoas alimentam-se com grãos produzidos pelo bombeamento excessivo. Nos Estados Unidos, outro grande produtor de grãos do mundo, reduz-se a área irrigada em estados agrícolas fundamentais, como Califórnia e Texas.

O aumento da temperatura também torna mais difícil aumentar a safra mundial de grãos com rapidez suficiente para se equiparar ao ritmo sem precedentes da demanda. Os ecologistas que se ocupam do cultivo de alimentos têm sua própria regra, geralmente aceita: para cada aumento de um grau Celsius da temperatura acima do nível ótimo durante a estação de crescimento, pode-se esperar uma redução de 10% na produtividade dos grãos.

Outra tendência emergente que ameaça a segurança alimentar é o derretimento das geleiras das montanhas. Isto é especialmente preocupante no Himalaia e no planalto do Tibet, onde o derretimento das geleiras não só alimenta os grandes rios da Ásia durante a estação seca, como o Indo, o Ganges, o Mekong, o Yang-tsé e o Amarelo, mas também os sistemas de irrigação que dependem desses rios. Sem esse derretimento de geleiras, a safra de grãos iria sofrer uma grave queda e os preços cresceriam proporcionalmente.

Por último, e a longo prazo, as calotas de gelo que se derretem na Groenlândia e no oeste da Antártica, juntamente com a expansão térmica dos oceanos, ameaça aumentar o nível do mar em até 1,83 metros durante este século. Até mesmo uma elevação de 0,91 metros causaria a inundação de terras arrozeiras de Bangladesh. Também deixaria embaixo d'água grande parte do Delta do Mekong, onde se produz metade do arroz do Vietnã, o segundo maior exportador de arroz do mundo. No total, existem cerca de 19 deltas fluviais produtores de arroz na Ásia onde as culturas seriam consideravelmente reduzidas pela elevação do nível do mar.

A instabilidade das últimas semanas é apenas o começo. Já não se trata de um conflito entre grandes potências fortemente armadas, mas sim de maior escassez de alimentos e da subida dos preços dos produtos alimentícios (e da agitação política a que isso conduziria), que ameaçam o nosso futuro mundial. A menos que os governos revisem imediatamente as questões de segurança e desviem os gastos de uso militar para a mitigação das alterações climáticas, a eficiência da água, a conservação dos solos e a estabilização demográfica, segundo toda a probabilidade, o mundo enfrentará um futuro de mais instabilidade climática e de volatilidade dos preços dos alimentos. Se as coisas continuarem a ser feitas como até agora, os preços dos alimentos só tenderão a subir".

A ordem mundial existente foi imposta pelos Estados Unidos no final da 2º Guerra Mundial, e reservou para este país todos os privilégios.
Obama não tem como administrar a confusão que criaram. Há alguns dias foi derrubado o governo da Tunísia, onde os Estados Unidos impuseram o neoliberalismo e estavam felizes com sua proeza política. A palavra democracia havia desaparecido do cenário. É incrível como agora, quando o povo explorado derrama seu sangue e saqueia as lojas, Washington expressa sua felicidade pela derrubada. Ninguém ignora que os Estados Unidos converteram o Egito no seu principal aliado dentro do mundo árabe. Um grande porta-aviões e um submarino nuclear, escoltados por navios de guerra dos Estados Unidos e de Israel, atravessaram o Canal de Suez até o Golfo Pérsico durante vários meses, sem que a imprensa internacional tivesse acesso ao que estava acontecendo lá. Foi o país árabe que mais fornecimentos de armamentos recebeu. Milhões de jovens egípcios sofrem com o desemprego e a escassez de alimentos provocados na economia mundial, e Washington diz que os apoia. Seu maquiavelismo é que, ao mesmo tempo em que fornecia armas para o governo egípcio, a Usaid fornecia fundos à oposição. Poderão os Estados Unidos deter a onda revolucionária que varre o Terceiro Mundo?

A famosa reunião de Davos que acaba de terminar tornou-se uma Torre de Babel, e os Estados europeus mais ricos, liderados por Alemanha, Grã-Bretanha e França, concordam apenas nas suas divergências com os Estados Unidos.Mas não há nada com o que se preocupar, a secretária de Estado prometeu mais uma vez que os Estados Unidos ajudariam na reconstrução do Haiti.

Fonte: Prensa Latina
Tradução: Luana Bonone

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Solidariedade ao povo do Egito


A multidão contra o ditador 
    
      Manifestantes são atacados pela polícia egípcia na ponte Qasr al-Nil, perto da Praça Tahrir, no Cairo, em 28 de janeiro. 
      por Robert Fisk/The Guardian 
      Tradução: Coletivo Vila Vudu/São Paulo
    

Pode ser o fim. Com certeza é o começo do fim. Em todo o Egito, dezenas de milhares de árabes enfrentaram gás lacrimogêneo, canhões de água, granadas e tiroteio para exigir o fim da ditadura de Hosni Mubarak depois de mais de 30 anos.

Enquanto Cairo mergulha em nuvens de gás lacrimogêneo das milhares de granadas lançadas contra multidões compactas, era como se a ditadura de Mubarak realmente andasse rumo ao fim. Ninguém, dos que estávamos ontem nas ruas do Cairo, tínhamos nem ideia de por onde andaria Mubarak - que mais tarde apareceria na televisão, para demitir todos seus ministros. Nem encontrei alguém preocupado com Mubarak.

Eram dezenas de milhares, valentes, a maioria pacíficos, mas a violência chocante dos battagi - em árabe, a palavra significa literalmente "bandidos" - uniformizados sem uniforme das milícias de Mubarak, que espancaram, agrediram e feriram manifestantes, enquanto os guardas apenas assistiam e nada fizeram, foi uma desgraça. Esses homens, quase todos dependentes de drogas e ex-policiais, eram ontem a linha de frente do Estado egípcio. Os verdadeiros representantes de Hosni Mubarak.

Num certo momento, havia uma cortina de gás lacrimogêneo por cima das águas do Nilo, enquanto as milícias antitumultos e os manifestantes combatiam sobre as grandes pontes sobre o rio. Incrível. A multidão levantou-se e não mais aceitará a violência, a brutalidade, as prisões, como se essa fosse a parte que lhe coubesse na maior nação árabe do planeta. Os próprios policiais pareciam saber que estavam sendo derrotados. "E o que podemos fazer?" - perguntou-nos um dos guardas das milícias antitumulto. "Cumprimos ordens. Pensam que queremos isso? Esse país está despencando ladeira abaixo." O governo impôs um toque de recolher noite passada. A multidão ajoelhou-se para rezar, à frente da polícia.

Como se descreve um dia que pode vir a ser página gigante da história do Egito? Os jornalistas devem abandonar as análises e apenas narrar o que aconteceu da manhã à noite, numa das cidades mais antigas do mundo. Então, aí está a história como a anotei, garatujada no meio da multidão que não se rendeu a milhares de policiais uniformizados da cabeça aos pés e e milicianos sem uniforme.

Começou na mesquita Istikama na Praça Giza: um sombrio conjunto de apartamentos de blocos de concreto, e uma fileira de policias especializados em controle de tumultos que se estendia até o Nilo. Todos sabíamos que Mohamed ElBaradei ali estaria para as orações do meio dia e, de início, parecia que não haveria muita gente. Os policiais fumavam. Se fosse o fim do reinado de Mubarak, aquele começo do fim pouco impressionava.

Mas então, logo que as últimas orações terminaram, uma multidão de fiéis apareceu na rua, andando em direção aos policiais. "Mubarak, Mubarak", gritavam, "a Arábia Saudita o espera". Foi quando os canhões de água foram virados na direção da multidão - a polícia estava organizada para atacar os manifestantes, mesmo não sendo atacada. A água atingiu a multidão e em seguida os canhões foram apontados diretamente contra ElBaradei, que retrocedeu, encharcado.

ElBaradei desembarcara de Viena poucas horas antes, e poucos egípcios creem que chegue a governar o Egito - diz que só veio para ajudar como negociador -, mas foi atacado com brutalidade, uma desgraça. O político egípcio mais conhecido e respeitado, Prêmio Nobel, trabalhou como principal inspetor da Agência Nuclear da ONU, ali, encharcado como gato de rua. Creio que, para Mubarak, ElBaradei não passaria de mais um criador de confusão, com sua "agenda oculta" - essa, precisamente, é a linguagem que o governo egípcio fala hoje.

Aí, começaram as granadas de gás lacrimogêneo. Alguns milhares delas, mas algo aconteceu, enquanto eu caminhava ao lado dos lança-granadas. Dos blocos de apartamentos e das ruas à volta, de todas as ruas e ruelas, centenas, depois de milhares de pessoas começaram a aparecer, todas andando em direção à Praça Tahrir. Era o movimento que a polícia queria impedir. Milhares de cidadãos em manifestação no coração da cidade do Cairo daria a impressão de que o governo já caíra. Já haviam cortado a internet - o que isolou o Egito, do resto do mundo - e todos os sinais de telefonia celular estavam mudos. Não fez diferença.

"Queremos o fim do regime", gritavam as ruas. Talvez não tenha sido o mais memorável brado revolucionário, mas gritaram e gritaram e repetiram, até derrotar a chuva de granadas de gás lacrimogêneo. Vinham de todos os lados da cidade do Cairo, chegavam sem parar, jovens de classe média de Gazira, os pobres das favelas de Beaulak al-Daqrour, todos marchando pelas pontes sobre o Nilo, como um exército. Acho que sim, são um exército.

A chuva de granadas de gás continuava sobre eles. Tossiam e esfregavam os olhos e continuavam andando. Muitos cobriram a cabeça e a boca com casacos e camisetas, passando em fila pela frente de uma loja de sucos, onde o dono esguichava limonada diretamente na boca dos passantes. Suco de limão - antídoto contra os efeitos do gás lacrimogêneo - escorria pela calçada e descia pelo esgoto.

Foi no Cairo, claro, mas protestos idênticos aconteceram por todo o Egito, como em Suez, onde já há 13 egípcios mortos.

As manifestações não começaram só nas mesquitas, mas também nas igrejas coptas. "Sou cristão, mas antes sou egípcio" - disse-me um homem, Mina. "Quero que Mubarak se vá!" E foi quando apareceram os primeiros bataggi sem uniforme, abrindo caminho até a frente das fileiras da polícia uniformizada, para atacar os manifestantes. Estavam armados com cassetetes de metal - onde conseguiram? - e barras de ferro, e poderão ser julgados e condenados por agressão grave e assassinato, se o regime de Mubarak cair. São pervertidos. Vi um homem chicotear um jovem pelas costas, com um longo cabo amarelo. O rapaz gritou de dor. Por toda a cidade, os policiais uniformizados andam em pelotões, o sol refletindo no visor dos capacetes. A multidão já deveria ter sido intimidada, àquela altura, mas a polícia parecia feia, como pássaros encapuzados. E os manifestantes alcançaram a calçada da margem leste do Nilo.

Alguns turistas foram colhidos de surpresa no meio do espetáculo - vi três senhoras de meia idade, numa das pontes do Nilo (os hotéis, claro, não informaram os hóspedes sobre o que estava acontecendo -, mas a polícia decidiu que fecharia a extremidade leste do viaduto. Dividiram-se outra vez, para deixar passar as milícias não uniformizadas, e esses brutamontes atacaram a primeira fileira dos manifestantes. E foi quando choveu a maior quantidade de granadas de gás, centenas de granadas, em vários pontos, contra a multidão que andava sem parar por todas as grandes vias, em direção cidade. Os olhos ardem, e tosse-se horrivelmente, até perder o fôlego. Alguns homens vomitavam nas soleiras das portas fechadas das lojas.

O fogo começou, ao que se sabe, noite passada, na sede do NDP, Partido Democrático Nacional, partido de Mubarak. O governo impôs um toque de recolher, e há relatos de tropas na cidade, sinal grave de que a polícia pode ter perdido o controle dos acontecimentos. Nos abrigamos no velho Café Riche, perto da Praça Telaat Harb, restaurante e bar minúsculo, com garçons vestidos de azul; e ali,  tomando café, estava o grande escritor egípcio Ibrahim Abdul Meguid, bem ali à nossa frente. Foi como dar de cara com Tolstoi, almoçando em plena revolução russa. "Mubarak está sem reação!" - festejou ele. "É como se nada estivesse acontecendo. Mas vai, agora vai. O povo fará acontecer!" Sentamos, ainda tossindo e chorando por causa do gás. Foi desses instantes memoráveis, que acontecem mais em filmes que na vida real.

E havia um velho na calçada, cobrindo os olhos com a mão. Coronel da reserva Weaam Salim do exército do Egito, que saiu para a rua com todas as suas medalhas da guerra de 1967 contra Israel - que o Egito perdeu - e da guerra de 1973 que, para o coronel, o Egito venceu. "Estou deixando o piquete dos soldados veteranos" - disse-me ele. "Vou-me juntar aos manifestantes". E o exército? Não se viram soldados do exército durante todo o dia. Os coronéis e brigadeiros mantêm-se em silêncio. Estarão à espera da lei marcial de Mubarak?

As multidões não obedeceram ao toque de recolher. Em Suez, caminhões da polícia foram incendiados. Bem à frente do meu hotel, tentaram jogar no rio Nilo um caminhão da Polícia. Não consegui voltar à parte ocidental do Cairo pelas pontes. As granadas de gás ainda empesteiam as margens do Nilo. Mas um policial ficou com pena de nós - emoção absolutamente inexistente, devo dizer, ontem, entre os policiais - e nos guiou até a margem do rio. E ali estava uma velha lancha egípcia a motor, de levar turistas, com flores plásticas e proprietário disponível. Voltamos em grande estilo, bebendo Pepsi. Cruzamos com uma lancha amarela, super rápida, da qual dois homens faziam sinais de vitória para a multidão sobre as pontes. Uma jovem, sentada na parte de trás da lancha, carregava uma imensa bandeira: a bandeira do Egito. 

Ver original em http://www.independent.co.uk/news/world/africa/robert-fisk-a-people-defies-its-dictator-and-a-nations-future-is-in-the-balance-2197769.html

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Especial da Maurício Grabois em homenagem a A. Gramsci

120 anos de Antônio Gramsci
(Fonte: O Berro)


  a.. Construir ou tomar o poder? A estratégia socialista de Marx a Gramsci
  Qual o papel da coerção e do consentimento na dominação de classes nos Estados modernos? Marx, Lênin, Mao e Gramsci enfrentaram essa questão na busca dos caminhos da revolução.
  Por Lincoln Secco
  Publicado em 22.01.2011

  b.. Crise e revolução em Marx e Gramsci
  O pensamento revolucionário deve apropriar-se criticamente do legado marxista de Antonio Gramsci e retomar as leituras reformistas "A política não pode deixar de ter primazia sobre a economia. Pensar o contrário é esquecer o abc do marxismo" (Lênin).
  Por Lincoln Secco
  Publicado em 22.01.2011

  c.. Gramsci e a Escrita da História
  Gramsci utilizou a literatura como documento histórico. Mesmo no cárcere, isolado da luta política, contrubuiu com a teoria marxista, analisando a história a partir dos elementos que lhe eram possíveis Nenhum teórico marxista estabeleceu um diálogo mais fecundo da modernidade com a tradição ocidental antiga e medieval do que Antonio Gramsci.
  Por Lincoln Secco
  Publicado em 22.01.2011

  d.. Gramsci, Lênin e a questão da hegemonia
  Criou-se um hábito - um mau hábito - de se separar um autor das bases teóricas que lhes serviram de suporte; separá-lo de seus pressupostos teóricos e históricos imediatos. Esta separação levou alguns a conferirem os louros de pensamento original, no sentido de exclusividade, a autores cujo grande mérito foi justamente desenvolver teses elaboradas por outros, ainda que as enriquecendo. Nos trabalhos acadêmicos sobre Gramsci parece ser bastante comum este procedimento. Estudou-se, e escreveu-se, sobre o pensamento de Gramsci desvinculando-o de seus pressupostos teóricos e políticos imediatos, que foram o pensamento e a ação política de Lênin. E Gramsci foi, em minha opinião, acima de tudo um leninista.
  Por Augusto C. Buonicore
  Publicado em 21.01.2011

  e.. Ideologia e intelectuais na obra de Antônio Gramsci
  Ele concebe a ideologia como "uma concepção de mundo que se manifesta implicitamente na arte, no direito, nas atividades econômicas e em todas as manifestações da vida intelectual e coletiva". (1) Portanto, para Gramsci, a ideologia estaria presente em todas as atividades humanas, não se traduziria apenas no campo da produção de ideias.
  Por Augusto C. Buonicore
  Publicado em 21.01.2011

  f.. A vida e a obra de Antônio Gramsci
  O autor, através deste artigo, pretende mostrar em grandes traços alguns momentos da vida e da elaboração teórica do dirigente comunista italiano Antônio Gramsci. Apesar de sua importância para o movimento comunista nas décadas de 1920 e 1930, sua vida e obra são ainda pouco conhecidas pelo conjunto da militância socialista no Brasil.
  Por Augusto C. Buonicore
  Publicado em 21.01.2011

  g.. Torino Rossa: os Conselhos de Fábrica na Itália
  Com o impacto da Revolução Russa de 1917 e a crise econômica e social do pós-guerra, o movimento operário italiano adquiriu uma dimensão até então nunca vista. Isso fez com que a burguesia, amedrontada, lhe concedesse alguns direitos sociais. Nesse mesmo período começou a se desenvolver um novo instrumento de organização e de luta dos trabalhadores: as comissões internas de fábrica.
  Por Augusto César Buonicore
  Publicado em 21.01.2011

  h.. Antônio Gramsci: chefe da classe operária italiana
  Quando Antônio Gramsci, deputado ao Parlamento Italiano e portanto protegido pelas imunidades asseguradas na Constituição, acusado de crimes que não havia cometido, foi arrastado ao Tribunal Especial de Roma, em 1928, o procurador fascista não se deu ao trabalho de demonstrar que as acusações, lançadas contra ele, se baseavam cm fatos.
  Por Palmiro Togliatti
  Publicado em 20.01.2011

  i.. Dossiê: Gramsci e a política
  É inegável a influência do pensamento de Antonio Gramsci nas Ciências Sociais brasileiras1. Desde que Florestan Fernandes levou a cabo o complexo e sofisticado projeto intelectual de fusão do método funcionalista de Émile Durkheim com o método compreensivo de Max Weber e o método dialético de Karl Marx, este último havia recebido a legitimidade que lhe permitia integrar a matriz do pensamento social brasileiro. E mesmo aceito a contragosto por uma ciência em via de institucionalização, ele lá permaneceu como dos clássicos das Ciências Sociais, ou pelo menos dessa forma particular que as Ciências Sociais assumiram em nosso país. Mas Gramsci? O que ele está fazendo nessa matriz?
  Por Álvaro Bianchi
  Publicado em 20.01.2011

  j.. O pensamento de Gramsci na época da mundialização
  O ano de 1997, sexagésimo aniversário da morte de Gramsci, foi um ano de celebrações em todo o mundo, aberto pelo seminário ocorrido no mês de fevereiro em Havana, que pela primeira vez sediava um encontro internacional inteiramente dedicado ao pensamento gramsciano; e continuado em seguida com encontros internacionais de estudo na Itália - Cagliari, Nápoles e Turim - mas também no Japão, em Kyoto, e no Brasil, em Juiz de Fora e outras universidades; e ainda em muitos outros países e lugares.
  Por Guido Liguori
  Publicado em 20.01.2011

  k.. A economia política de Gramsci
  Giorgio Lunghini, em sua introdução à coletânea antológica dos Escritos de economia política de Gramsci, recentemente publicada por Bollati Boringhieri, quase sentiu a necessidade de "justificar" a atribuição de um título como este aos textos nela incluídos, que vão desde os escritos anteriores à prisão até algumas das notas dos Cadernos. "A teoria econômica de Gramsci - escreve - é a crítica marxiana da economia política (verdadeiro título de O capital)".
  Por Luigi Cavallaro
  Publicado em 20.01.2011

  l.. Gramsci e o americanismo
  À primeira vista pode parecer surpreendente que um pensador como Gramsci, inteiramente comprometido com a práxis marxista, tenha se dedicado ao tema do americanismo, território distante das análises clássicas desta vertente, e mesmo resistente à organização operária de tipo comunista. Num exame mais detido, entretanto, a surpresa se desfaz.
  Por Felipe Maia Guimarães da Silva (1)
  Publicado em 20.01.2011

  m.. Togliatti, Gramsci e o fascismo
  O primeiro elemento teórico de destaque no pensamento de Togliatti (ainda em fase de maturação, no segundo lustro dos anos vinte) foi, sem sombra de dúvida, o uso, originado pela sua adesão juvenil ao historicismo, da categoria de "análise diferenciada".
  Por Marco Mondaini - 2003
  Publicado em 20.01.2011

  n.. Americanismo e direito
  A visível e crescente expansão do direito, dos seus procedimentos e instituições sobre a política e a sociabilidade da vida contemporânea tem sido objeto de uma vasta produção que não mais se contém no seu campo específico de conhecimento, tornando-se matéria corrente da reflexão de vanguarda da teoria social e da filosofia política.
  Por Luiz Werneck Vianna - Novembro 2005
  Publicado em 20.01.2011

  o.. Atualidade de Gramsci
  Coube-me, como tema de abertura deste seminário [Franca, 1997], falar sobre a atualidade de Gramsci. Irei me deter aqui em algumas das razões pelas quais, em minha opinião, Gramsci continua atual, talvez mais atual do que nunca. Digo "algumas" porque, decerto, são muitíssimas as razões que asseguram essa atualidade.
  Por Carlos Nelson Coutinho - 1997
  Publicado em 20.01.2011
  p.. ntônio Gramsci
  
    a.. A questão da ideologia em Gramsci
    O italiano Antonio Gramsci desenvolveu uma interpretação bastante original da filosofia de Marx. Para ele, a perspectiva do pensador alemão era a de um "historicismo absoluto". No essencial, o pensamento de Marx nos desafia - sempre! - a pensar historicamente. E esse desafio nos põe diante tanto de possibilidades magníficas como de dificuldades colossais.
    Por Leandro Konder - 2002
    Publicado em 20.01.2011

    b.. A biblioteca gramsciana na prisão
    A história do livro e da leitura constitui um campo de estudo de muitas possibilidades analíticas. Numa zona intermediária que une a história social e a história econômica, ela tem inspirado estudos sobre livrarias, livreiros, editoras, bibliotecas [1]. É também um ramo fecundo para iluminar novas facetas da Revolução Francesa (por exemplo, os estudos de Robert Darnton), da história cultural (Roger Chartier), da História Antiga (Luciano Canfora e Guglielmo Cavallo). Desde o clássico de Daniel Mornet (As origens intelectuais da Revolução Francesa), foi possível ampliar muito o conhecimento das relações (nem sempre tão diretas) entre as luzes e a Revolução.
    Por Lincoln Secco - Dezembro 2005
    Publicado em 20.01.2011

    c.. Gramsci: uma introdução
    Tradução: Luiz Sérgio Henriques
    Por Valentino Gerratana - 1997
    Publicado em 20.01.2011

    d.. Cronologia da vida de Antonio Gramsci
    Da edição brasileira dos Cadernos - 1999
    Por Tradução: Carlos Nelson Coutinho
    Publicado em 20.01.2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Alerta, agora, vem do DIEESE


Dieese: é preciso mudar o rumo do debate sobre inflação e juros

(Fonte: Vermelho)

A aceleração da inflação tem servido, no Brasil, de pretexto para a elevação da taxa básica de juros, que em termos reais (descontada a inflação) é, de longe, a maior do mundo. A recente alta de preços de alguns produtos agrícolas e de commodities deve provocar uma nova rodada de aperto da política monetária, já iniciada na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que elevou a Selic de 10,75% para 11,25% ao ano e sinalizou com novos aumentos.

Em Nota Técnica (nº 94) o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) questiona a orientação conservadora do BC, que tem múltiplos efeitos negativos sobre a economia nacional, promove uma transferência perversa de renda para a oligarquia financeira e prejudica, em particular, os interesses da classe trabalhadora.

Outras alternativas

Esta medida (alta dos juros), argumenta a nota, acaba se refletindo em valorização do real, encarecimento do crédito e arrefecimento da elevação dos preços pela queda da demanda e concorrência dos produtos importados mais baratos. É, portanto, necessário pensar em outras alternativas, recomenda o órgão, que aponta a necessidade de criar uma agenda, ainda que incompleta, de debates para mudanças na política econômica.
O argumento reflete as preocupações levantadas pelas centrais sindicais, que condenaram a última elevação da Selic e lutam por taxas de juros mais civilizadas ou compatíveis com as que são praticadas no exterior.

Dívida pública

Um efeito relevante do aumento dos juros apontado pelo estudo é o aumento da dívida pública “atrelada à taxa Selic e à valorização do real.O aumento da dívida obriga o governo federal a apertar o orçamento público com corte de gastos e/ou aumento de impostos para garantir um superávit das contas públicas. O aumento do superávit (receita-despesa) é para evitar o crescimento da relação dívida/Produto Interno Bruto (PIB). O outro efeito não menos importante é a valorização da moeda nacional”.
“Após 1999”, quando foi adotado o regime de metas inflacionárias, lembra o Dieese, “toda vez que a taxa anual de inflação ameaçou ultrapassar o centro da meta, o Banco Central (BC) acionou a política monetária, na maioria das vezes elevando a taxa básica de juros”. As decisões se pautam, agora, pelo pressuposto de que o ritmo de crescimento não pode ultrapassar certos limites.

Causas da inflação


A economia brasileira passou por um processo de maior internacionalização desde os anos 1990, ampliando o grau de abertura ao exterior. Numa economia mais aberta, assinala a Nota Técnica, a elevação dos preços internacionais das commodities agrícolas e minerais (trigo, milho, soja, açúcar, petróleo, minério de ferro, entre outros) ocorrida em 2007/2008 e em 2010 é transmitida mais rapidamente para os preços internos.
Trata-se de uma inflação “importada”, que requer uma combinação de políticas para evitar o impacto sobre a inflação doméstica, políticas tarifárias e de abastecimento para mitigar a contaminação dos preços externos maiores na formação dos preços no país. Com base na evolução do ICV-Dieese, ilustrada com gráficos no estudo, o órgão que assessora o movimento sindical afirma que a elevação do patamar de inflação nos últimos meses de 2010 tem origem no aumento dos preços agrícolas in natura, destacando-se a forte alta das carnes e do feijão. Os preços do açúcar, leite, óleo de soja e álcool também contribuíram para a elevação da inflação nos últimos meses.”
Vale citar que os grupos de despesas que superaram a inflação acumulada nesses 14 anos (142,24%) foram: Alimentação, Transporte, Educação e Saúde. Os que ficaram abaixo foram: Habitação, Equipamento Doméstico, Vestuário e Despesas Pessoais. O grupo Alimentação, contudo, só superou claramente a taxa média de inflação a partir de 2007. Até então, apresentou uma evolução abaixo da média, contribuindo para “segurar” a inflação.

Salário e preços


O documento lembra que alguns países utilizam um indicador de núcleo da inflação para acionar a política de combate à elevação dos preços. O núcleo, em geral, exclui os preços de produtos agrícolas e de energia, que oscilam com mais intensidade em função de choques de oferta e movimentos especulativos. No caso brasileiro, este movimento não é diferente. A elevação do preço de um produto agrícola não é duradoura na maior parte das vezes. Preços que sobem costumam atrair investimentos na produção que ampliam a oferta e contribuem para a queda no momento seguinte.
A suposição de que os salários promovem inflação também é rebatida. Recorda-se na nota que depois de uma pequena elevação em 1986, os salários reais apresentam uma expressiva queda entre 1986 e 1992. Voltam a crescer entre 1992 e 1997. Caem novamente entre 1996 e 2003 e praticamente se estabilizam a partir de 2004. O nível atual do salário real encontra-se muito abaixo daquele observado em 1985.
Embora a situação mais favorável do mercado de trabalho nos últimos anos tenha
contribuído para a discreta elevação dos salários reais, o nível salarial no Brasil é baixo em qualquer comparação que se faça com os países desenvolvidos. Qualquer política que busque frear esse movimento de elevação recente caminha na contramão de um projeto de desenvolvimento que tem como objetivos centrais a redução da desigualdade de renda e a elevação da participação dos salários na renda nacional.

Questão estratégica


A entidade salienta que para o movimento sindical brasileiro, a questão salarial é estratégica e integra o projeto de desenvolvimento apresentado pelas Centrais Sindicais Brasileiras ao governo federal. E indaga: Qual é, então, a relação entre a elevação da inflação nos últimos meses e os salários?
O primeiro impacto da elevação da inflação é a corrosão do poder aquisitivo dos salários,
levando o movimento sindical a lutar pela reposição dessa inflação mais alta. Para os trabalhadores, há uma forte percepção do aumento do custo de vida, uma vez que a elevação de preços de alimentos essenciais (carne, feijão, soja, açúcar, leite, entre outros) atinge diretamente o “bolso” do trabalhador.
Em outra dimensão, o desafio principal é evitar que eventuais medidas que venham a ser
tomadas para combater o aumento da inflação dificultem a trajetória positiva de crescimento do emprego e dos salários. Nesse momento, o risco maior é a desaceleração da atividade econômica através da elevação dos juros e da contração do crédito. Quanto mais forte o desaquecimento da economia, maiores as dificuldades para que o movimento sindical continue conquistando aumentos reais de salários.

Crescimento e valorização do trabalho


Nos últimos anos, especialmente a partir de 2004, a economia brasileira cresceu num ritmo
mais intenso que o das duas décadas anteriores. A taxa média de crescimento dobrou em relação ao período anterior. Esse resultado esteve apoiado no aumento do valor real do salário mínimo, nos programas de transferência de renda para os mais pobres e na expansão do crédito. Nesses anos houve permanente elevação do consumo das famílias e da taxa de investimento (formação bruta de capital). Contudo, a sustentação do crescimento vai depender, em grande medida, da contínua elevação dos salários reais, do consumo e do investimento doméstico.
Tudo indica que a economia brasileira pode continuar crescendo a taxas altas nos próximos
anos. Assim, o combate à inflação nos próximos meses deve incluir medidas que não interrompam essa trajetória, como ocorreu em 2005, quando a taxa de crescimento caiu de 5,7%, em 2004, para 3,2% em 2005.
Trata-se de aproveitar a oportunidade para aprofundar o debate público de forma a contribuir para a construção de medidas inovadoras no combate à inflação, preservando o crescimento econômico e a redução da desigualdade de renda pela elevação do emprego e dos salários.

Rentismo
 
Assim, se o combate à inflação no início de 2011 for feito repetindo a cartilha de elevação
da Selic, vão ser ampliados os riscos de desaquecimento econômico e de valorização do real. E também os riscos de desindustrialização e de exportação de empregos.
Reforma do sistema financeiro e controle do fluxo de capitais em contraposição à política monetária conservadora do BC são duas das propostas elencadas no documento, que conclui: Políticas de abastecimento e mudanças nos mecanismos de financiamento de curto prazo da dívida pública para reduzir os juros podem iniciar um debate público que altere os rumos da política econômica no combate à inflação, especialmente quando sua elevação decorre de fatores conjunturais como choques de oferta e/ou especulativos, internos ou externos, como o que se observa nos últimos meses. Em outras palavras, é uma oportunidade de discutir um dos traços mais perversos que impedem uma aceleração do crescimento no Brasil: o “rentismo” que beneficia apenas aqueles que estão no topo da pirâmide de renda.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Beba água para não ter ressaca


A HORA CORRETA PARA TOMAR ÁGUA
 (Fonte: O Berro)

Você vai ao bar e bebe uma cerveja. 
Bebe a segunda cerveja. A terceira e assim por diante.
O teu estômago manda uma mensagem pro teu cérebro dizendo "Caracas véio... o cara tá bebendo muito liquido, tô cheião!!!" 
Teu estômago e teu cérebro não distinguem que tipo de liquido está sendo ingerido, ele sabe apenas q "é líquido". 
Quando o cérebro recebe essa mensagem ele diz: "Caracas, o cara tá maluco!!!" 
E manda a seguinte mensagem para os Rins "Meu, filtra o máximo de sangue que tu puderes, o cara aí tá maluco e tá bebendo muito líquido, vamo botar isso tudo pra fora" e o RIM começa a fazer até hora-extra e filtra muito sangue e enche rápido. 
Daí vem a primeira corrida ao banheiro. Se você notar, esse 1º xixi é com a cor normal, meio amarelado, porque além de água, vem as impurezas do sangue. 
O RIM aliviou a vida do estômago, mas você continua bebendo e o estomago manda outra mensagem pro CÉREBRO "Cara, ele não pára, socorro!!!" e o CÉREBRO manda outra mensagem pro RIM "Véio, estica a baladeira, manda ver aí na filtragem!!!" 
O RIM filtra feito um louco, só q agora, o q ele expulsa não é o álcool, ele manda pra bexiga apenas ÁGUA (o líquido precioso do corpo). Por isso que as mijadas seguintes são transparentes, porque é água. E quanto mais você continua bebendo, mas o organismo joga água pra fora e o teor de álcool no organismo aumenta e você fica mais "bunitim". 
Chega uma hora q você tá com o teor alcoólico tão alto q teu CÉREBRO desliga você. Essa é a hora que você desmaia... dorme... capota... 
Ele faz isso porque pensa "Meu, o cara tá a fim de se matar, tá bebendo veneno pro corpo, vou apagar esse doido pra ver se assim ele pára de beber e a gente tenta expulsar esse álcool do corpo dele" 
Enquanto você está lá, apagado (sem dono), o CÉREBRO dá a seguinte ordem pro sangue "Bicho, apaguei o cara, agora a gente tem que tirar esse veneno do corpo dele. O plano é o seguinte, como a gente está com o nível de água muito baixo, passa em todos os órgãos e tira a água deles e assim a gente consegue jogar esse veneno fora". 
O SANGUE é como se fosse o Boy do corpo. E como um bom Boy, ele obedece as ordens direitinho e por isso começa a retirar água de todos os órgãos. Como o CÉREBRO é constituído de 75% de água, ele é o que mais sofre com essa "ordem" e daí vêm as terríveis dores de cabeça da ressaca. 
Então, sei que na hora a gente nem pensa nisso, mas quando forem beber, bebam de meia em meia hora um copo d'água, porque na medida que você mija, já repõe a água.

Sabia que tomar água na hora correta maximiza os cuidados no corpo humano?

2 copos de água depois de acordar ajuda a ativar os órgãos internos.
1 copo de água 30 minutos antes de comer ajuda na digestão.
1 copo de água antes de tomar banho ajuda a baixar a pressão sanguínea.
1 copo de água antes de ir dormir evita ataques do coração.


domingo, 23 de janeiro de 2011

III Encontro Internacional Civilização ou Barbárie


Desafios do Mundo Contemporâneo - Declaração Final 
(Fonte: O Berro) 

Reunidos na cidade portuguesa de Serpa, os participantes no III Encontro Internacional Civilização ou Barbárie - Desafios do Mundo Contemporâneo lançam um alerta quanto ao agravamento da crise global do sistema capitalista.

  a.. Constatam que pela evolução dessa crise - política, social, financeira, económica, militar, energética, cultural e ambiental - o capitalismo, na sua escalada de agressividade, se tornou um factor de regressão absoluta da civilização, ameaçando a própria continuidade da vida na Terra. 

  b.. Sublinham que os EUA, núcleo do sistema capitalista, optaram por uma estratégia de terrorismo de Estado que assume matizes genocídas nas suas guerras asiáticas. 

  c.. Identificam na União Europeia um bloco politico-económico-militar ao serviço do capital monopolista, empenhado em impor, através do chamado Tratado Constitucional, um reforço da integração capitalista, aprofundando o seu carácter federalista, neoliberal e militarista.

  d.. Saúdam a resistência dos povos europeus à ofensiva em curso contra os seus direitos e garantias,contra as soberanias nacionais e a democracia, ofensiva que promove o desemprego e a pauperização, favorece o grande capital, e suprime direitos laborais e sociais,sobretudo nos sectores da Saúde, da Educação, da segurança social,destruindo conquistas históricas dos trabalhadores, e atingindo com particular violência as mulheres trabalhadoras. As gigantescas manifestações de protesto em França, em Espanha, Italia, Portugal e sobretudo na Grécia confirmam que a radicalização da luta de massas, como resposta à violência do sistema, se amplia a nível continental.

  e.. Condenam as guerras imperiais que atingem os povos do Iraque e do Afeganistão, agredidos e ocupados e os monstruosos crimes ali cometidos pelas forças armadas dos EUA e da NATO, com a aprovação e cumplicidade do Governo português; denunciam como farsa os calendários de retirada das tropas invasoras; advertem que autênticos exércitos de mercenários se comportam na Região como hordas fascistas; e saúdam a resistencia dos povos iraquiano e afegão em luta pela liberdade e independencencia.

  f.. Manifestam a sua solidariedade com o povo mártir da Palestina e o povo do Líbano no seu combate heróico contra o sionismo neofascista. Denunciam o Tribunal Especial das Naçóões Unidas sobre o Líbano como mero serventuário dos EUA e de Israel. Denunciam a hipocrisia da falsa política de paz do governo Obama, aliado incondicional do sionismo e do Estado terrorista de Israel.

  g.. Advertem contra o perigo de uma agressão iminente dos EUA e de Israel ao povo do Irão - agressão que poderia ser o prólogo da III Guerra Mundial - e denunciam a campanha de desinformação montada para deformar a imagem daquela nação que foi berço de grandes civilizações.

  h.. Alertam para a política de cerco militar e guerra fria que os EUA conduzem contra a República Popular da China.

  i.. Condenam as intervenções militares directas e indirectas do imperialismo estadounidense na America Latina; denunciam o regresso da IV Frota da US Navy a águas sul americanas e a instalação de 7 novas bases norte-americanas na Colômbia e reclamam o encerramento de todas as existentes no Continente, incluindo a de Guantanamo, ocupada ilegalmente em Cuba.


  j.. Denunciam a participação do governo dos EUA, através da CIA e do Pentágono, no golpe de estado nas Honduras e na fracassada intentona no Equador e saúdam as conquistas democráticas e as medidas anti-imperialistas alcançadas pelos governos progressistas de Evo Morales na Bolívia e de Rafael Correa no Equador.

  k.. Saúdam a luta, corajosa e difícil, de uma percentagem crescente de cidadãos norte-americanos contra as engrenagens de um sistema de poder cuja ambição e irracionalidade configuram ameaça à humanidade e sublinham que as esperanças suscitadas pela eleição de Barack Obama se desvaneceram à medida que se tornou evidente que o novo presidente dava continuidade no fundamental à política externa de George Bush - agravando-a mesmo, como sucede no Afeganistão e na América Latina - e, no plano interno, actuava como aliado do capital contra os trabalhadores.

  l.. Saúdam calorosamente o povo da Venezuela pelos avanços realizados no desenvolvimento da Revolução Bolivariana, e pela firmeza perante o imperialismo estadounidense e na defesa do projecto de construção de uma sociedade socialista.

  m.. Reclamam o fim do bloqueio imposto a Cuba pelos EUA e da «Posição Comum da UE»,ambos instrumentos do imperialismo. Sublinham que a sua revolução socialista e a heróica resistência do seu povo a meio século de guerra não declarada foi factor decisivo para o fortalecimento em todo o continente da resistência ao imperialismo norte-americano. Sem essa resistência e exemplo, os avanços revolucionarios registados na Venezuela não teriam sido possiveis, nem a emergência de governos progressistas noutros países.

  n.. Saudam as primeiras manifestações da classe operária e dos trabalhadores da Rússia contra a exploração desencadeada pela restauração capitalista em curso no país.

  o.. Saudam a campanha internacional «Gaza Livre» pelo levantamento do criminoso bloqueio a Gaza.

  p.. Condenam os crimes cometidos pelo governo de Uribe Velez na Colômbia nos quais desempenhou importante papel o actual presidente Juan Manuel Santos e lembram que a solidaridade da União Europeia com o regime neofascista colombiano dificulta uma solução negociada para o conflito existente naquele pais pela qual tem lutado corajosamente o seu povo. Exprimem a sua solidariedade com a senadora Piedad Cordoba e as vítimas do terrorismo de estado.

  q.. Constatam que o crescimento económico capitalista, baseado no aumento do consumo, mobiliza fluxos colossais de materiais e de energia, causando a degradação e a exaustão de recursos naturais finitos - nomeadamente o petróleo que neste momento atinge o nível máximo de produção possível - ameaçando os processos de renovação natural. Ao invés do bem-estar das populações, o crescimento económico capitalista desfigura assim a relação harmoniosa do Homem com a Terra que habita e que é património comum da humanidade, destruindo o ambiente necessário à vida e os recursos indispensáveis à produção de bens essenciais.

  r.. Alertam para a necessidade imperiosa do combate à alienação de grande parte da humanidade, envenenada pelo massacre mediático de uma comunicação social - controlada pelo imperialismo - que desinforma e manipula, disseminando a mentira e ocultando a realidade em escala mundial.


  s.. Apelam ao reforço da defesa da diversidade cultural e da resistência cultural e linguística, contra a hegemonização e a colonização do espaço mediático, comercial, cultural, científico pela expressão anglo-saxónica, enquanto «língua de trabalho» do imperialismo.

  t.. Proclamam a convicção de que o marxismo - e em particular o seu núcleo fundador assente na obra de Marx e Engels - continua a ocupar um lugar central entre as referências teóricas mobilizadas não somente pelos comunistas mas também pelos progressistas do mundo. A reapropriação e o reforço do marxismo, da sua metodologia e dos seus conceitos, como pensamento da crítica e da transformação do mundo, nem dogmático nem domesticado, e a herança do marxismo-leninismo, continuam a ser uma necessidade absoluta da luta ideológica e na justa definição da estratégia e da táctica das forças que se empenhem no combate anti-capitalista e anti-imperialista. Contra o sistema totalitário de desinformação, de alienação e de manipulação das massas, o marxismo-leninismo permanece como a arma intelectual mais preciosa nas mãos dos trabalhadores e dos povos que resistem. Renunciar a ele equivaleria a desistir da luta pelo socialismo.

  u.. Denunciam o carácter profundamente reaccionário das campanhas de criminalização do comunismo, recordam as consequências trágicas do desaparecimento da União Soviética e expressam a convicção de que o socialismo é a única alternativa ao sistema capitalista que, ao entrar na fase senil, optou por uma estratégia de desespero e exterminista, que ameaça reconduzir a humanidade à barbárie.

  v.. Registam o significado das comemorações do I Centenário da Republica Portuguesa, sublinhando a importância decisiva da participação do povo na revolução do 5 de Outubro de 1910 e nas suas conquistas políticas.

  w.. Constatam com alegria e esperança a intensificação das lutas dos trabalhadores em escala mundial, bem como a resistência às guerras de agressão, designadamente nos EUA, centro do sistema de dominação, e sublinham que o reforço da solidariedade internacionalista entre os explorados e os excluídos de todo o mundo é imprescindivel à globalização do combate contra o inimigo comum: o capitalismo e o imperialismo.
Serpa, 1 de Novembro de 2010

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