Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade
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terça-feira, 31 de maio de 2011

NOTA DE MORTE ANUNCIADA

  A história se repete!
  Novamente, choramos e revoltamo-nos:
  Direitos Humanos e Justiça são para quem neste país?
   Hoje, 24 de maio de 2011, foram assassinados nossos companheiros, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assentados no Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira, em Nova Ipixuna ? PA. Os dois foram emboscados no meio da estrada por pistoleiros, executados com tiros na cabeça, tendo Zé Claúdio a orelha decepada e levada pelos seus assassinos provavelmente como prova do ?serviço realizado?.
  Camponeses e líderes dos assentados do Projeto Agroextratista, Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo (estudante do Curso de Pedagogia do Campo UFPA/FETAGRI/PRONERA), foram o exemplo daquilo que defendiam como projeto coletivo de vida digna e integrada à biodiversidade presente na floresta. Integrantes do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), ONG fundada por Chico Mendes, os dois viviam e produziam de forma sustentável no lote de aproximadamente 20 hectares, onde 80% era de floresta preservada. Com a floresta se relacionavam e sobreviviam do extrativismo de óleos, castanhas e frutos de plantas nativas, como cupuaçu e açaí. No projeto de assentamento vive aproximadamente 500 famílias.
  A denúncia das ameaças de morte de que eram alvo há anos alcançaram o Estado Brasileiro e a sociedade internacional. Elas apontavam seus algozes: madeireiros e carvoeiros, predadores da natureza na Amazônia. Nem por isso, houve proteção de suas vidas e da floresta, razão das lutas de José Cláudio e Maria contra a ação criminosa de exploradores capitalistas na reserva agroextrativista.
  Tamanha nossa tristeza! Desmedida nossa revolta! A história se repete! Novamente camponeses que defendem a vida e a construção de uma sociedade mais humana e digna são assassinados covardemente a mando daqueles a quem só importa o lucro: MADEREIROS e FAZENDEIROS QUE DEVASTAM A AMAZÔNIA.     ATÉ QUANDO?
  Não bastasse a ameaça ser um martírio a torturar aos poucos mentes e corações revolucionários, ainda temos de presenciar sua concretude brutal?
  Não bastasse tanto sangue escorrendo pelas mãos de todos que não se incomodam com a situação que vivemos, ainda precisamos ouvir as autoridades tratando como se o aqui fosse distante?
  Não bastasse que nossos homens e mulheres de fibra fossem vistos com restrição, ainda continuaremos abrindo nossas portas para que os corruptos sejam nossos lideres?
  Não bastasse tanta dificuldade de fazer acontecer outro projeto de sociedade, ainda assim temos que conviver com a desconfiança de que ele não existe?
  Não bastasse que a natureza fosse transformada em recurso, a vida tinha também que ser reduzida a um valor tão ínfimo?
  Não bastasse a morte orbitar nosso cotidiano como uma banalidade, ainda temos que conviver com a barbárie?
  Mediante a recorrente impunidade nos casos de assassinatos das lideranças camponesas e a não investigação e punição dos crimes praticados pelos grupos econômicos que devastam a Amazônia, RESPONSABILIZAMOS O ESTADO BRASILEIRO ? Presidência da República, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, Polícia Federal, Ministério Público Federal ? E COBRAMOS JUSTIÇA!
  ESTAMOS EM VÍGILIA!!!
  Aos nossos mortos nenhum minuto de silêncio. Mas toda uma vida de lutas.
  Marabá-PA, 24 de Maio de 2011.
  Universidade Federal do Pará/ Coordenação do Campus de Marabá; Curso de Pedagogia do Campo UFPA/FETAGRI/PRONERA; Curso de Licenciatura Plena em Educação do Campo;

  Movimento dos Trabalhadores Sem Terra ? MST/ Pará;

  Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura ? FETAGRI/Sudeste do Pará;

  Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar ? FETRAF/ Pará;

  Movimento dos Atingidos por Barragens ? MAB;

  Comissão Pastoral da Terra ? CPT Marabá;

  Via Campesina ? Pará;

  Fórum Regional de Educação do Campo do Sul e Sudeste do Pará.


   Idelma Santiago da Silva
  UFPA - Campus de Marabá


Limpe seus rins por menos de R$ 1,00 - Salve a Salsa

VAMOS USAR, e.... REPASSAR. 
 Limpe seus rins por menos de R$ 1,00Os anos passam e nossos  rins vão filtrando nosso sangue para remover o sal e outros intoxicantes que entram no organismo.
Com o tempo, o sal se acumula e precisamos de uma limpeza. Como fazer isso?
De um modo simples e barato: Pegue um maço de salsa e lave bem. Corte bem picadinho e ponha em uma vasilha com água limpa. Ferva por 10 minutos e deixe esfriar. Coe, ponha em uma jarra com tampa e guarde na geladeira. Beba um copo todos os dias, e você vai perceber que o sal e outros venenos acumulados nos rins saem na urina.
Você vai notar a diferença!
Há muitos anos a salsa é reconhecida como o melhor tratamento de limpeza dos rins.
E é um remédio natural!
A salsa é uma das ervas com propriedades terapêuticas menos reconhecidas.  Ela contém mais vitamina  C do que qualquer outro vegetal da nossa culinária (166mg por 100g).Isso é três vezes mais que a laranja.A salsa contém também ferro  (5.5mg /100g), manganésio (2.7mg / 100g), cálcio  (245mg / 100g) e potássio (1mg / 100g) .. Sendo  recomendada para pedra nos rins, reumatismo e cólica menstrual.

Sua alta concentração de vitamina C ajuda na absorção de ferro.
O suco de  salsa, sendo uma bebida natural,  pode ser tomado misturado com outros sucos, 3 vezes ao dia.
As folhas podem ser mantidas no congelador, e seu uso é recomendo na culinária diária, pois além de saudáveis, dão ótimo sabor a qualquer receita. MUITO BOM PARA HIPERTENSOS.
Fonte: E-mail solidariamente enviado por Rogério Saleme.

Contibuição da médica pesquisadora fitoterápica Dra. Milza Lemos Cintra
A salsinha é muito boa mesmo, mais algumas informações:
Salsas são ricas em vitaminas A, B1, B2, C e D, isto se consumidas cruas, já que o cozimento elimina parte dos seus componentes vitamínicos. Também fibras e anti-oxidantes!
É diurética (facilita a secreção da urina); emenagoga (provoca a vinda da menstruação); carminativa (combate os gases intestinais); expectorante (facilita a expectoração); antitérmica (combate a febre); eupéptica (melhora a digestão); vitaminizante (colabora na regeneração das células); aperiente (abre o apetite); antiinflamatória (combate inflamações).
Mas cuidado! A salsa, através de uso interno, é contra-indicada para gestantes e lactantes, pois um de seus componentes, o apiol, é estrogênico; isto é, altera o sistema reprodutor feminino e pode provocar o aborto.
O suco de salsa também é utilizado para impedir a formação de gases no estômago e nos intestinos. Aplicado em forma de compressasa salsa  faz desaparecer hematomas e equimoses, além de eliminar sardas e manchas da pele
O globo repórter, fez um documentário interessante sobre a salsa e de quebra o alecrim!


segunda-feira, 30 de maio de 2011

A semelhança entre lá e cá

Fonte: Carta Maior

Os "indignados" gregos contra o plano de ajuste

"Se nós temos que viver com 500 euros mensais, que os políticos, sem exceção, também o façam". Essa foi uma das frases que marcou a manifestação reunindo mais de 40 mil pessoas neste domingo, em Atenas, contra os planos de austeridade econômico impostos pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para enfrentar a grave crise econômica que se abateu sobre o país. A convocação para os protestos foi feita principalmente pelo movimento "Cidadãos indignados", organizado em redes sociais pela internet.

Milhares de gregos saíram às ruas, pelo quinto dia consecutivo, para protestar contra o severo plano de ajuste implementado pelo governo socialista do país. "Se nós temos que viver com 500 euros mensais, que os políticos, sem exceção, também o façam", disseram os manifestantes em Atenas.

Na capital grega, os protestos reuniram mais de 40 mil pessoas na praça Syntagma, em frente ao Parlamento. A convocação para os protestos foi feita principalmente pelo movimento "Cidadãos indignados", organizado em redes sociais pela internet. As pessoas gritavam "ladrões, ladrões", dirigindo-se ao Parlamento. Outros sustentavam que os trabalhadores assalariados e os aposentados não podem pagar o preço das crises financeiras provocadas pelas elites políticas e econômicas.

Segundo informaram meios de comunicação gregos, os protestos reuniram pessoas de todas as idades. Também ocorreram manifestações em Tessalônica. Os movimentos foram pacíficos. Muitos manifestantes planejavam permanecer durante toda a noita nas praças. Os organizadores do protesto declararam que protestariam contra as medidas de arrocho "todo o tempo que pudessem".

Tradução: Katarina Peixoto

Assassinato de líder camponês

Ministros divulgam nota pública sobre assassinato de líder camponês



Os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Maria do Rosário (Direitos Humanos) divulgaram na noite desta sexta-feira (27/5), nota pública em que manifestam sobre o assassinato do líder camponês Adelino Ramos, ocorrido hoje pela manhã, em Vista Alegre do Abunã, em Rondônia. O texto informa que "imediatamente ao recebimento da notícia, entramos em contato com a Polícia Civil, com o governador do estado de Rondônia e com a Polícia Federal, exigindo a mais rigorosa atitude para investigar o caso e punir os criminosos, tanto os executores como os possíveis mandantes".

 "É necessária uma ação enérgica e exemplar. Só coibiremos essa violência absurda quando acabarmos com a impunidade", diz a nota pública.

A ministra Maria do Rosário, segundo assessores, informou à presidenta Dilma Rousseff sobre o crime e, de imediato, foi determinado pela presidenta que a ministra acompanhe as investigações deste assassinato.

A seguir o Blog do Planalto reproduz o texto divulgado pelas assessorias dos dois ministérios.


 NOTA PÚBLICA
 Sobre o assassinato do líder camponês Adelino Ramos, na localidade de Vista Alegre do Abunã, em Rondônia, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Secretaria-Geral da Presidência da República vêm a público manifestar:

 1 - Adelino era uma liderança reconhecida na região Norte do país, sendo presidente do Movimento Camponeses Corumbiara e da Associação dos Camponeses do Amazonas. Dinho, como era conhecido, morava em um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) com outras famílias e seu grupo buscava regularizar sua produção. Segundo lideranças locais, ele vinha recebendo ameaças de morte de madeireiros da região. Na manhã de hoje, na companhia de sua família, ele foi executado a tiros no município localizado na divisa dos estados de Rondônia, Acre e Amazonas. Cabe ressaltar que ele era um remanescente do massacre de Corumbiara, ocorrido em 9 de agosto de 1995, que resultou na morte de 13 pessoas.

 2 - O assassinato de Adelino Ramos merece o nosso total repúdio e indignação. Há três dias o Brasil se chocou com a execução de duas lideranças em circunstâncias semelhantes, no Pará. Hoje, mais uma morte provavelmente provocada pela perseguição aos movimentos sociais. Essas práticas não podem ser rotina em nosso país e precisam de um basta imediato.

 3 - Segundo levantamento conjunto da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos e da Ouvidoria Agrária Nacional, desde 2001, já foram registrados 71 assassinatos em Rondônia motivados por questões agrárias. Mais de 90% dos casos ficaram sem punição.

 4 - Imediatamente ao recebimento da notícia, entramos em contato com a Polícia Civil, com o governador do estado de Rondônia e com a Polícia Federal, exigindo a mais rigorosa atitude para investigar o caso e punir os criminosos, tanto os executores como os possíveis mandantes. É necessária uma ação enérgica e exemplar. Só coibiremos essa violência absurda quando acabarmos com a impunidade.

 5 - O governo brasileiro não tolera que crimes como esses aconteçam e fiquem impunes no nosso país. Nesta semana, a presidenta Dilma Rousseff já determinou que a Polícia Federal acompanhe as investigações no Pará, numa atitude enérgica e clara de que crimes como esses não podem se tornar uma prática rotineira em nosso país. Acompanharemos de perto os desdobramentos para garantir justiça. É isso que se espera de um Estado democrático de direito e é assim que o governo procederá.

 Brasília/DF, 27 de maio de 2011

 Maria do Rosário Nunes
 Ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

 Gilberto Carvalho
 Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República

sexta-feira, 27 de maio de 2011


À Mírian
A ESPÉCIE HUMANA
Por Daniel José de Carvalho
26 de maio de 2011

A EXISTÊNCIA DA ESPÉCIE HUMANA sempre me levou a muitas reflexões.
Qual é a importância de nossa espécie em relação ao Universo?
Havendo Algo ou Alguém responsável pelo Universo, qual seria, para esse Algo ou Alguém, a importância da espécie humana com relação às outras espécies?
Nós, em geral, acreditamos numa importância diferenciada e privilegiada de nossa espécie. Mas por que seríamos assim tão importantes? Afinal, na história de nosso planeta, nós surgimos muito recentemente, e não podemos assegurar que vamos durar para sempre. Sabemos que as espécies animais e vegetais surgem, duram por um tempo, e depois desaparecem.
Mesmo o nosso planeta Terra, assim como todos os astros do Universo, nasceu, está vivendo, e vai desaparecer. Sabemos que a nossa espécie não pode sobreviver por muito tempo fora das condições geológicas da Terra. Deduzimos, então, que a espécie humana durará, no máximo, até o fim da Terra.

BEM... HÁ OUTRAS TEORIAS E IDEOLOGIAS...
Pode ser que a ciência encontre meios para driblar a evolução natural da espécie e nos dê condições de sobreviver aos tempos, quiçá eternamente!
Pode ser que a ciência também consiga encontrar meios para que nossa espécie consiga viver em outros planetas... quem sabe?

MAS TUDO ISSO PARECE UTÓPICO DEMAIS.
Quem sabe, devamos nos preocupar com os problemas mais atuais que ameaçam nossa espécie! Tais problemas, que ameaçam a continuidade da espécie e do planeta, são tão graves que talvez nem devamos nos preocupar com o fim natural do homem e do planeta. Tudo indica que NÓS MESMOS vamos destruir a humanidade e o planeta, muito antes que a natureza o faça.
Creio que nem é preciso mencionar quais problemas são esses. Afinal todos leem jornais e assistem à televisão:

Fim próximo das reservas dos metais e do petróleo...
Guerras...
Armas nucleares...
Terrorismo...
Crimes hediondos...
Uso de drogas...
Fome e miséria...
Doenças...
Corrupção...
Agressão ao meio ambiente...
Desastres naturais...
Preconceitos...
Degeneração das famílias, “células da sociedade”...
Falta de amor...

COMO UM SONHADOR, amante da espécie humana, eu imaginei que sim, que pode haver uma solução para todos esses problemas atuais e futuros. Não quis guardar essas ideias somente para mim. Então, resolvi divulgá-las através de um romance, que intitulei de “VIKING”.

sábado, 21 de maio de 2011

A saudade dói e não mata a gente


Hoje é seu aniversário. Hoje seria seu aniversário, mas você foi embora. Se tinha que ir, foi bem, da melhor forma. Primeiro se sentou na terra, embaixo da jabuticabeira no quintal da filha caçula, chupou suas frutas prediletas e discretamente, sem qualquer alarde, se foi. Falei com você um pouco antes, mas o bom de lembrar é seu último abraço quando, após 10 dias juntos, nos despedimos para eu voltar a minha morada, na Chácara Xury, que você me ajudou a formar.
-  Pára de plantar árvore, você vai ficar sem Sol. – Ouço seu alerta. E quando de minha próxima visita em sua casa, em Belô, sua fala foi:
 - Fiz umas mudas para você levar para plantar. – Lá vinha eu carregada de  mudas de lichia, cabeludinha, jabuticaba e tantas outras que, agora, moram no meu pomar e me dão seu gosto misturado com a saudade.

As lembranças me povoam, me arrancam soluços e risos, sem ordem, misturados. Você chega e a saudade derrama minhas lágrimas que, em seguida, são acompanhadas de sorrisos vindos dos carinhos, ternura que chegam trazidos por você.  Não há cronologia. Sou a criança que está em cima de um belo cavalo e escuto seu grito:
- Não deixa o garrote passar. – Estamos na fazenda levando o gado de um pasto para outro. Estas imagens são fortes, é minha infância, a melhor de todas as infâncias: cavalos, leite no curral, carro de boi ... felicidade âncora de toda minha vida.
Tento ir atrás dessa época, mas já estou mulher, perguntando-lhe:
- Vou vender esta chácara (era minha primeira) e torrar o dinheiro em Paris. O que você acha? – Sua resposta, sua cara:
- Foi você que trabalhou para comprá-la, ponha o dinheiro onde achar que vale a pena. –

 Agora quero ir a Paris, mas você chega de cara amarada – ai, tão você – comigo no cartório, em Ibiraci, para me dar a emancipação de que precisava para lecionar. Eu quero trabalhar e você finge estar muito chateado por isso. Contradição esclarecida  quando escuto, sem você perceber, sua conversa com um amigo contando de seu orgulho por “sua menina” querer a independência.

E lá está você mudando sua fisionomia com a dor da perda de suas fazendas e a culpa de nos deixar pobres, sem escutar o que tínhamos a lhe dizer e, que bom, você logo volta à primeira Chácara para me ensinar a fazer um aterro:
- Mexer com terra é sempre complicado. Pensa que vai um caminhão e acaba precisando de cinco. –

 A próxima aparição é à beira da cama de mamãe que está se despedindo , com tanto sofrimento. Sua companheira de vida se foi e eu fui tentar lhe cuidar. Tempo difícil, tristeza invasora.

Lá está de novo seu riso me trazendo alívio. E a eterna pergunta: - Precisa de dinheiro?
Gostaria de acreditar, como minhas irmãs, que ainda nos veremos, em outro patamar. Sei que sua presença em minha vida está em tudo que sou. Gostaria de escrever sobre você, sobre o homem forte, carismático, líder regional, contraditório, casmurro, doce, amargo, vaidoso, honesto, íntegro, amoroso e tão MEU PAI.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quatro frases que fazem o nariz do Pinóquio crescer

  Eduardo Galeano, desde Montevideo, maio de 2011.

 1 - Somos todos culpados pela ruína do planeta.
      A saúde do mundo está feito um caco. ?Somos todos responsáveis?, clamam as vozes do alarme universal, e a generalização absolve: se somos todos responsáveis, ninguém é. Como coelhos, reproduzem-se os novos tecnocratas do meio ambiente. É a maior taxa de natalidade do mundo: os experts geram experts e mais experts que se ocupam de envolver o tema com o papel celofane da ambiguidade.
 Eles fabricam a brumosa linguagem das exortações ao ?sacrifício de todos? nas declarações dos governos e nos solenes acordos internacionais que ninguém cumpre. Estas cataratas de palavras - inundação que ameaça se converter em uma catástrofe ecológica comparável ao buraco na camada de oz??nio - não se desencadeiam gratuitamente. A linguagem oficial asfixia a realidade para outorgar impunidade à sociedade de consumo, que é imposta como modelo em nome do desenvolvimento, e às grandes empresas que tiram proveito dele. Mas, as estatísticas confessam.. Os dados ocultos sob o palavreado revelam que 20% da humanidade comete 80% das agressões contra a natureza, crime que os assassinos chamam de suicídio, e é a humanidade inteira que paga as consequências da degradação da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da água, do enlouquecimento do clima e da dilapidação dos recursos naturais não-renováveis. A senhora Harlem Bruntland, que encabeça o governo da Noruega, comprovou recentemente que, se os 7 bilhões de habitantes do planeta consumissem o mesmo que os países desenvolvidos do Ocidente, "faltariam 10 planetas como o nosso para satisfazerem todas as suas necessidades." Uma experiência impossível.
     Mas, os governantes dos países do Sul que prometem o ingresso no Primeiro Mundo, mágico passaporte que nos fará, a todos, ricos e felizes, não deveriam ser só processados por calote. Não estão só pegando em nosso pé, não: esses governantes estão, além disso, cometendo o delito de apologia do crime. Porque este sistema de vida que se oferece como paraíso, fundado na exploração do próximo e na aniquilação da natureza, é o que está fazendo adoecer nosso corpo, está envenenando nossa alma e está deixando-nos sem mundo.
 2 - É verde aquilo que se pinta de verde.
      Agora, os gigantes da indústria química fazem sua publicidade na cor verde, e o Banco Mundial lava sua imagem, repetindo a palavra ecologia em cada página de seus informes e tingindo de verde seus empréstimos. "Nas condições de nossos empréstimos há normas ambientais estritas", esclarece o presidente da suprema instituição bancária do mund o. Somos todos ecologistas, até que alguma medida concreta limite a liberdade de contaminação.
     Quando se aprovou, no Parlamento do Uruguai, uma tímida lei de defesa do meio-ambiente, as empresas que lançam veneno no ar e poluem as águas sacaram, subitamente, da recém-comprada máscara verde e gritaram sua verdade em termos que poderiam ser resumidos assim: "os defensores da natureza são advogados da pobreza, dedicados a sabotarem o desenvolvimento econ??mico e a espantarem o investimento estrangeiro." O Banco Mundial, ao contrário, é o principal promotor da riqueza, do desenvolvimento e do investimento estrangeiro. Talvez, por reunir tantas virtudes, o Banco manipulará, junto à ONU, o recém-criado Fundo para o Meio-Ambiente Mundial. Este imposto à má consciência vai dispor de pouco dinheiro, 100 vezes menos do que haviam pedido os ecologistas, para financiar projetos que não destruam a natureza. Intenção inatacável, conclusão inevitáve l: se esses projetos requerem um fundo especial, o Banco Mundial está admitindo, de fato, que todos os seus demais projetos fazem um fraco favor ao meio-ambiente.
     O Banco se chama Mundial, da mesma forma que o Fundo Monetário se chama Internacional, mas estes irmãos gêmeos vivem, cobram e decidem em Washington. Quem paga, manda, e a numerosa tecnocracia jamais cospe no prato em que come. Sendo, como é, o principal credor do chamado Terceiro Mundo, o Banco Mundial governa nossos escravizados países que, a título de serviço da dívida, pagam a seus credores externos 250 mil dólares por minuto, e lhes impõe sua política econ??mica, em função do dinheiro que concede ou promete. A divinização do mercado, que compra cada vez menos e paga cada vez pior, permite abarrotar de mágicas bugigangas as grandes cidades do sul do mundo, drogadas pela religião do consumo, enquanto os campos se esgotam, poluem-se as águas que os alimentam, e uma crosta seca cobre os desertos que antes foram bosques.
 3 - Entre o capital e o trabalho, a ecologia é neutra.
     Poder-se-á dizer qualquer cois a de Al Capone, mas ele era um cavalheiro: o bondoso Al sempre enviava flores aos velórios de suas vítimas... As empresas gigantes da indústria química, petroleira e automobilística pagaram boa parte dos gastos da Eco 92: a conferência internacional que se ocupou, no Rio de Janeiro, da agonia do planeta. E essa conferência, chamada de Reunião de Cúpula da Terra, não condenou as transnacionais que produzem contaminação e vivem dela, e nem sequer pronunciou uma palavra contra a ilimitada liberdade de comércio que torna possível a venda de veneno.
      No grande baile de máscaras do fim do milênio, até a indústria química se veste de verde. A angústia ecológica perturba o sono dos maiores laboratórios do mundo que, para ajudarem a natureza, estão inventando novos cultivos biotecnológicos. Mas, esses desvelos científicos não se propõem encontrar plantas mais resistentes às pragas sem ajuda química, mas sim buscam novas plantas capazes de r esistir aos praguicidas e herbicidas que esses mesmos laboratórios produzem. Das 10 maiores empresas do mundo produtoras de sementes, seis fabricam pesticidas (Sandoz-Ciba-Geigy, Dekalb, Pfizer, Upjohn, Shell, ICI). A indústria química não tem tendências masoquistas.
    A recuperação do planeta ou daquilo que nos sobre dele implica na denúncia da impunidade do dinheiro e da liberdade humana. A ecologia neutra, que mais se parece com a jardinagem, torna-se cúmplice da injustiça de um mundo, onde a comida sadia, a água limpa, o ar puro e o silêncio não são direitos de todos, mas sim privilégios dos poucos que podem pagar por eles. Chico Mendes, trabalhador da borracha, tombou assassinado em fins de 1988, na Amaz??nia brasileira, por acreditar no que acreditava: que a militância ecológica não pode divorciar-se da luta social. Chico acreditava que a floresta amaz??nica não será salva enquanto não se fizer uma reforma agrária no Brasil. Cinco an os depois do crime, os bispos brasileiros denunciaram que mais de 100 trabalhadores rurais morrem assassinados, a cada ano, na luta pela terra, e calcularam que quatro milhões de camponeses sem trabalho vão às cidades deixando as plantações do interior. Adaptando as cifras de cada país, a declaração dos bispos retrata toda a América Latina. As grandes cidades latino-americanas, inchadas até arrebentarem pela incessante invasão de exilados do campo, são uma catástrofe ecológica: uma catástrofe que não se pode entender nem alterar dentro dos limites da ecologia, surda ante o clamor social e cega ante o compromisso político.
 4 - A natureza está fora de nós.
      Em seus 10 mandamentos, Deus esqueceu-se de mencionar a natureza. Entre as ordens que nos enviou do Monte Sinai, o Senhor poderia ter acrescentado, por exemplo: "Honrarás a natureza, da qual tu és parte." Mas, isso não lhe ocorreu. Há cinco séculos, qua ndo a América foi aprisionada pelo mercado mundial, a civilização invasora confundiu ecologia com idolatria. A comunhão com a natureza era pecado. E merecia castigo. Segundo as cr??nicas da Conquista, os índios n??mades que usavam cascas para se vestirem jamais esfolavam o tronco inteiro, para não aniquilarem a árvore, e os índios sedentários plantavam cultivos diversos e com períodos de descanso, para não cansarem a terra. A civilização, que vinha impor os devastadores monocultivos de exportação, não podia entender as culturas integradas à natureza, e as confundiu com a vocação demoníaca ou com a ignorância. Para a civilização que diz ser ocidental e cristã, a natureza era uma besta feroz que tinha que ser domada e castigada para que funcionasse como uma máquina, posta a nosso serviço desde sempre e para sempre. A natureza, que era eterna, nos devia escravidão. Muito recentemente, inteiramo-nos de que a natureza se cansa, como nós, seus filhos, e sabemos que, tal como nós, pode morrer assassinada. Já não se fala de submeter a natureza. Agora, até os seus verdugos dizem que é necessário protegê-la. Mas, num ou noutro caso, natureza submetida e natureza protegida, ela está fora de nós. A civilização, que confunde os relógios com o tempo, o crescimento com o desenvolvimento, e o grandalhão com a grandeza, também confunde a natureza com a paisagem, enquanto o mundo, labirinto sem centro, dedica-se a romper seu próprio céu.

Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio
Fonte: O Berro