Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade
Clic sobre o livro (download gratuito). LEIA E DÊ SUA OPINIÃO

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

TV Globo abusa impune e repetidamente


     O caso BBB, amplamente relatado e reportado na imprensa, não só gerou protestos de diferentes entidades como mobilizou a sociedade em torno de vários questionamentos, entre eles, até que ponto um veículo de comunicação pode ignorar qualquer limite ético em favor dos seus interesses comerciais?

     O documento abaixo., assinado por mais de uma dezena de entidades, pede a atenção e a adesão de todos os que se indignaram com o fato ocorrido no Big Brother Brasil e alerta, para quem ainda tem dúvidas:" A Globo fatura bilhões de reais anualmente pela exploração de uma concessão pública". 
     Em outras palavras, como emissora pública, ela deve satisfação e respeito aos cidadãos, responsabilizando-se por tudo o que veicula.
     Entidades divulgam nota sobre o caso BBB
     Veja abaixo a íntegra.
     Pela imediata responsabilização da TV Globo no caso BBB
     Dois fatos muito graves ocorreram esta semana envolvendo o Big Brother Brasil. O primeiro foi com a participante Monique, que pode ter sido vítima de crime praticado por outro integrante do programa. O segundo foi a absurda atitude da TV Globo frente ao ocorrido. Em relação ao primeiro, cabe à polícia apurar e à justiça julgar, buscando ouvir os envolvidos, garantindo que eles estejam livres de pressões e constrangimentos. Já em relação ao segundo, é preciso denunciar a emissora e os anunciantes que sustentam o programa, e cobrar as autoridades do setor.
     Frente a indícios de um possível abuso sexual contra uma mulher participante de um de seus principais programas, a Globo, além de não impedir a violência no momento em que ela poderia estar ocorrendo, tentou escamotear o fato, depois buscou tirar de circulação as imagens e finalmente assumiu o ocorrido sem nomeá-lo. Na edição de domingo do programa, após todas as denúncias que aconteciam pela internet, ela transformou a suspeita de um crime em uma cena "de amor". O espírito da coisa foi resumido pelo próprio apresentador Pedro Bial: “o espetáculo tem que continuar”. A atitude é inaceitável para uma emissora que é concessionária pública há 46 anos e representa uma agressão contra toda a sociedade brasileira.
      Pelas imagens publicadas, não é possível dizer a extensão da ação e saber se houve estupro. A apuração é fundamental, mas o mais importante é o que o episódio evidencia. Em primeiro lugar, a naturalização da violência contra as mulheres, que revela mais uma vez a profundidade da cultura machista no país. No debate público, foram inúmeras as tentativas de atribuir à possível vítima a responsabilidade pela agressão, num discurso ainda inacreditavelmente frequente. O próprio diretor do programa, Boninho, negou publicamente que as imagens apontassem para qualquer problema.
      Em segundo lugar, o episódio revela o ponto a que pode chegar uma emissora em nome de seus interesses comerciais. A Globo fatura bilhões de reais anualmente pela exploração de uma concessão pública, e mostra, com esse episódio, a disposição de explorá-la sem qualquer limite nem nenhum cuidado com a dignidade da pessoa humana. O próprio formato do programa se alimenta da exploração dos desejos e das cizânias provocadas entre os participantes e busca explorar situações limite para conquistar mais audiência. Assim, o que aconteceu não é estranho ao formato do programa; ao contrário, é exatamente consequência dele.
      Em terceiro lugar, fica evidente a ausência de mecanismos de regulação democrática capazes de apurar e providenciar ações imediatas para lidar com as infrações cometidas pelas emissoras. Como já vem sendo apontado há anos pelas organizações que atuam no setor, não há hoje regras claras que definam a responsabilidade das emissoras em casos como esse, nem tampouco instrumentos de monitoramento e aplicação dessas regras, como um Conselho Nacional de Comunicação ou órgãos reguladores.
      Uma das poucas regras existentes para proteger os direitos de crianças e adolescentes – a classificação indicativa – está sendo questionada no STF, inclusive pela Globo. A emissora, que costuma tratar qualquer forma de regulação democrática como censura, é justamente quem agora pratica a censura privada para esconder sua irresponsabilidade. É lamentável que precise haver um fato como esse para que o debate sobre regulação possa ser feito publicamente.
      Frente ao ocorrido, exigimos que as Organizações Globo e a direção do BBB sejam responsabilizados, entre outros fatos, por:
     • Ocultar um fato que pode constituir crime;
     • Prejudicar a integridade da vítima e enviar para o país uma mensagem de permissividade diante de uma suspeita de estupro de uma pessoa vulnerável;
     • Atrapalhar as investigações de um suposto crime;
     • Ocultar da vítima as informações sobre os fatos que teriam se passado com ela quando estava supostamente desacordada.
      É preciso garantir, no mínimo, multas vultuosas e um direito de resposta coletivo para as mulheres, que mais uma vez tiveram sua dignidade atingida nacionalmente pela ação e omissão da maior emissora de TV brasileira.
     Os anunciantes do BBB – OMO (Unilever), Niely Gold, Devassa (Schincariol), Guaraná Antártica e Fusion (Ambev) e FIAT – também devem ser entendidos como co-responsáveis, e a sociedade deve cobrar que retirem seus anúncios do programa ou boicotá-los. Suas marcas estão ligadas a um reality show que, para além de toda a crítica sobre os valores que propaga à sociedade – da banalização do sexo e do consumo de álcool à mercantilização dos corpos – , permite a violação de direitos fundamentais.
     Finalmente, é fundamental que o Ministério das Comunicações coloque em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos capazes de atuar sobre essas e outras questões.
     Este é mais um caso cujas investigações não podem se restringir à esfera privada e à conduta do participante suspeito. Exigimos que o Poder Executivo cumpra seu papel de fiscal das concessionárias de radiodifusão e não trate o episódio com a mesma "naturalidade" dada pela TV Globo. Esperamos também que o Ministério Público Federal se coloque ao lado da defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana e responsabilize a emissora pela forma como agiu diante de uma questão tão séria como a violência sexual contra as mulheres.
     Brasil, 18 de janeiro de 2012
     FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
     Rede Mulher e Mídia
     Articulação de Mulheres Brasileiras
     Campanha pela Ética na TV/Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania
Ciranda
     Coletivo Feminino Plural
     Observatório da Mulher
     Associação Mulheres na Comunicação - Goiânia
     COMULHER Comunicação Mulher
     HUMANITAS - Diretos Humanos e Cidadania
     Marcha Mundial das Mulheres
     Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
     SOF – Sempreviva Organização Feminista
     SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia
     Manifesto aberto a adesões de entidades e redes. Para aderir, escreva para imprensa@fndc.org.br
     Entidades divulgam nota sobre o caso BBB
     Fonte: Redação - Observatório do Direito à Comunicação

Nossa Fonte: Vermelho

Fórum Social: Rio+20 não pode endossar pirataria e economia verde


     MIlitantes brasileiros e estrangeiros que participam do Fórum Social Mundial Temático preocupam-se com a possibilidade de a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável legitimar 'pirataria' da biodiversidade e capitalismo predatório travestido de 'economia verde'. Rio+20, que acontece em junho, é foco principal do Fórum.

     Porto Alegre - A luta pelo controle das tecnologias para transformação da biomassa e a tentativa de esconder as mazelas do capitalismo sob a capa de uma 'economia verde' darão o tom da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, marcada para o Rio de Janeiro, em junho, na opinião de ativistas políticos estrangeiros e brasileiros que participam do Fórum Social Mundial Temático. 
     “As grandes corporações internacionais já estão preparadas para virem à Rio+20 concretizar o processo de pirataria iniciado na conferência anterior, a Rio 92”, afirma o ativista alemão Pat Roy Mooney, diretor-executivo da ETC Group, incitando os movimentos sociais a fazerem o mesmo.
     De acordo com ele, a conferência da ONU realizada no Rio de Janeiro há 20 anos significou o maior roubo de recursos naturais da história da humanidade, fato que tende a se repetir agora, se os movimentos sociais não se prepararam adequadamente. 
     “Os governos assinaram acordos perdoando os roubos de amostras da biodiversidade do Sul, efetuados pelo Norte, em mais de 500 anos de história. Agora, as grandes corporações querem voltar para tomar posse daquilo que, naquela época, ainda não tinha valor de mercado e foi relegado a segundo plano”, disse.
     O ativista explica que, na conferência de 1992, as grandes corporações definiram o modelo predatório de exploração de recursos naturais como o petróleo, por exemplo, centro da economia mundial do período. 
     Hoje, com o aprimoramento de tecnologias não disponíveis antes, também querem botar as mãos na biomassa que pode ser extraída das florestas e savanas para ser transformada em energia, insumos industriais e alimentos. 
     “Qualquer tecnologia introduzida em uma sociedade injusta aumenta o abismo entre ricos e pobres: os ricos ficam mais ricos, e os pobres, ainda mais miseráveis”, afirmou Mooney.
     O ativista francês Christoph Aguiton, membro da Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos (Attac), alertou para o fato de que a chamada “economia verde”, apresentada como a solução para o atual processo de desenvolvimento destrutivo, nada mais é do que uma adaptação do velho e tradicional capitalismo predatório, com o objetivo de cooptar o apoio de parte dos movimentos sociais que lutam contra o neoliberalismo. 
     Segundo ele, há 13 anos, a luta anticapitalista coincidia com a luta contra o neoliberalismo. “Por isso, todos os movimentos se uniram, construíram iniciativas como o Fórum Social Mundial e impuseram várias derrotas ao modelo neoliberal. Entretanto, hoje, a conjuntura mudou”, afirma.
     Para o ativista, que foi um dos fundadores do Fórum, mesmo organizações que, naquela época, estavam coesas na luta antineoliberal, hoje propõem a economia verde como solução ao desenvolvimento. 
     “A defesa da biodiversidade, no contexto atual, significará uma radicalização das lutas dos movimentos sociais, mesmo que isso signifique uma redução no número de atores envolvidos”, disse o francês. 
     A ativista brasileira Beatriz Whitaker, que atua no Comitê Francês Contra a Austeridade dos Governos e em Solidariedade à América Latina, ressaltou a correlação existente entre a apropriação do meio ambiente e a crise econômica capitalista, que abala as economias dos países centrais.
     “Esta crise sem precedentes que afetará todo o mundo, inclusive o Brasil, que afirma estar nadando em um mar de felicidades”, afirmou ela, lembrando que, na Europa, nem mesmo as democracias burguesas estão a salvo dos interesses do grande capital. “Eles já destituíram os governos da Itália e da Grécia e impuseram uma política de austeridade fiscal que prejudica demais os trabalhadores”
     Para a militante, o poder econômico mundial não poupará esforços para se refazer e encontrar novas formas de exploração capitalista. Whitaker acredita que, ou os movimentos assumem a defesa de uma lógica de ruptura com o sistema capitalista, ou terão que entrar na lógica proposta pela economia verde de um capitalismo menos desumano, mais que prejudicará muitas vidas, em um mundo onde 3 bilhões de pessoas ainda vivem em condições desumanas. 
     “Não é por acaso que a Rio+20 ocorrerá paralelamente à reunião do G-20 [grupo das vintes economias mais poderosas do planeta) e à reunião comercial entre União Europeia e América Latina. A tecnologia nos permite, hoje, ‘coisificar’ até mesmo o ar que respiramos, mas é incapaz de transformar o mundo em um lugar menos desigual”, afirmou.
     Fotos: Felipe Blumen 
    Fonte: Carta Maior

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Carta Maior promove debate sobre crise do neoliberalismo e rumos da esquerda


Luiz Gonzaga Belluzzo, Samuel Pinheiro Guimarães, Ignácio Ramonet e Mario Búrkún debaterão em Porto Alegre a crise econômica mundial e os desafios políticos e econômicos que ela coloca para a esquerda internacional. Seminário ocorrerá no dia 26 de janeiro, às 9 horas, no auditório da Escola Superior da Magistratura da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris). Atividade faz parte da programação do Fórum Social Temático 2012.

Porto Alegre - A Carta Maior promove dia 26 de janeiro, em Porto Alegre, um debate sobre “A crise do neoliberalismo e os rumos da esquerda no século XXI”, com a participação de Luiz Gonzaga Belluzzo, Samuel Pinheiro Guimarães, Ignácio Ramonet e Mario Búrkún.

A atividade, que faz parte da programação do Fórum Social Temático 2012, será realizada a partir das 9 horas, no auditório da Escola Superior da Magistratura, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), rua Celeste Gobbato, n° 229, bairro Praia de Belas. O encontro, que será mediado pelo jornalista e historiador Gilberto Maringoni, é aberto ao público, mas recomenda-se antecipação no horário pois os lugares são limitados.

Sobre os participantes:
Luiz Gonzaga Belluzzo: economista, professor da Unicamp e diretor da Facamp.
Samuel Pinheiro Guimarães: Alto Representante do Mercosul, ex-secretário geral do Ministério de Relações Exteriores do Brasil.
Ignácio Ramonet: Jornalista espanhol. Presidente do Conselho de Administração e diretor de redação do Le Monde Diplomatique.
Mario Burkún é Doutor em Ciências Econômicas da Universidade Pierre Mendes France, de Grenoble, França. Professor de Ciências Econômicas na Universidade de Buenos Aires e na Universidade de La Matanza.

"Brasil deve ter papel de liderança no combate à fome"


Diz Graziano


Na primeira atividade do Fórum Social Mundial Temático, em Porto Alegre, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, fez um apelo para que o Brasil assuma a responsabilidade internacional no combate à fome, com a exportação de tecnologia para outros países. Graziano defendeu a criação de uma Embrapa internacional, além da cooperação do governo brasileiro com outras nações.


O diretor-geral da FAO disse que a economia brasileira avançou muito nos últimos anos e que o país precisa “retribuir ao mundo” com cooperação técnica. “O Brasil precisa criar uma institucionalidade. Precisamos ter uma agência brasileira de cooperação que seja efetivamente uma agência. Precisamos ter uma Embrapa internacional que seja efetivamente uma agência de cooperação técnica, apoiando os países que precisam’’, afirmou. “O Brasil precisa ajudar os outros países”, reforçou.

Ex-ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Graziano foi um dos principais responsáveis pelo Fome Zero e articulou os programas de segurança alimentar nas duas gestões de Lula. No início deste mês, assumiu o comando do órgão da ONU responsável pela segurança alimentar.

Graziano elogiou o programa de erradicação da miséria do governo Dilma Rousseff . Em sua avaliação, “há todas as condições” para o Brasil acabar com a fome até o fim desta década.

Em sua primeira visita ao país como diretor-geral da FAO, o ex-ministro comentou que a ONU tem “muitos convênios” com o Brasil de políticas de segurança alimentar e citou como exemplo um programa que já foi implantado em dez países da África e em seis países da América Central, “com ajuda e recursos do governo brasileiro”.

“Estamos implantando também programas de merenda escolar na África e na América Central e no Caribe. Há outros programas da Embrapa. Acertei com o presidente da Embrapa de criar uma subsede da Embrapa, em Roma, dentro da FAO, para facilitar esse processo de assistência técnica aos países que fizerem demandas por assistência técnica”, declarou.

Graziano criticou o “descuido” de países desenvolvidos com a segurança alimentar, que foi “capturada por um cassino financeiro”, movido pela "especulação" de commodities.

O diretor-geral da FAO disse que atuação da ONU no combate à miséria é limitada e que o orçamento do órgão que comanda é restrito: US$ 1 bilhão para atender um bilhão de pessoas que passam fome por ano. 

“A FAO não é um Banco Mundial, um banco de investimentos. Mas é para difundir conhecimento, boas experiências e colocar experiência técnica à disposição”, comentou. “A FAO não vai nunca conseguir acabar com a fome no mundo sozinha. Quem decide acabar com a fome são os governos”, disse.
Fonte: Valor Econômico

Nossa fonte: Vermelho

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pinheirinho: "Direita oligárquica não descansa", diz Boaventura


Em Canoas para uma oficina da universidade Popular dos Movimentos Sociais, evento pré-Fórum Social Temático, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos condenou duramente a ação de reintegração de posse autorizada pela justiça paulista e executada pelo governo de Geraldo Alckimin (PSDB). "A violência é um recado da direita oligárquica, que não descansa, a todos os movimentos sociais que lutam por seus direitos", disse Boaventura.



Canoas (RS) - O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos comentou neste domingo, a violenta ação da Polícia Militar de São Paulo na desocupação da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, São Paulo, na manhã deste domingo. Relatos dos próprios moradores dão conta de pelo menos sete mortes, informação não confirmada pela polícia militar até o final da tarde deste domingo.

Em Canoas para uma oficina da Universidade Popular dos Movimentos Sociais, evento pré-Fórum Social Temático, Boaventura condenou duramente a ação de reintegração de posse autorizada pela justiça paulista e executada pelo governo do estado, comandado pelo governador tucano Geraldo Alckimin (PSDB).

Para o professor, a violência é um recado da direita oligárquica a todos os movimentos sociais que lutam por seus direitos. Uma tentativa de desmoralizá-los. Para ele, a direita é anti-democrática e não hesita em usar de todos os meios para garantir seus interesses, sejam meios legais ou não. 

O sociólogo cobrou uma ação firme do governo federal no caso e considera que mesmo com a violência, os movimentos sociais não se deixarão desmoralizar e seguirão em suas lutas por direitos fundamentais de cada cidadão.

Vídeo: Ivan Trindade
Nossa fonte: Carta Maior

Nunca publicada, 1ª obra de Drummond será lançada em julho


O mês de julho traz grandes novidades para os amantes de Carlos Drummond de Andrade. Junto à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que neste ano homenageia o poeta, será lançado o livro "Os 25 poemas da triste alegria". Ele reúne textos escritos aos 22 anos — seis anos antes do lançamento de seu primeiro livro, "Alguma poesia", em 1930.



Drummond havia encadernado os poemas, mas o original desapareceu, e a obra nunca foi publicada. Até que, há alguns anos, esse exemplar único foi encontrado pelo acadêmico Antonio Carlos Secchin. "Não se sabe como esse livro se perdeu. Comprei-o de um amigo de Drummond", diz ele, que se comprometeu a não revelar o nome do vendedor.

Pouco entusiasmo
Os poemas foram escritos em 1924. Em 1937, Drummond fez anotações sobre eles. "São comentários pouco entusiasmados. Um ou outro ele achava que merecia um pouco de complacência", diz Secchin. 

"Drummond escreve que talvez eles sejam literários demais. Há muito de pose, de artificialismo, de convenção literária a que faltasse uma experiência. Ele descreve uma rua do subúrbio e enche o poema de reticências. Há certos truques poéticos que estavam na moda, uma espécie de cartilha que padronizava as sensações."

Mas, mesmo duro na avaliação, ele não quis destruir o caderno. Tanto que, dos 25 poemas, 13 foram publicados em jornais e revistas da época, permanecendo 12 inéditos. A obra, que será lançada pela Cosac Naify, trará de um lado os poemas datilografados, como foi feito na ocasião, e, de outro, as observações manuscritas, como "Se um inimigo apanhasse esses versos..." e "Eram exercícios à moda do tempo, tímidos e mecânicos. Não deram evasão a nenhuma necessidade íntima, não transpuseram nenhuma aventura ou experiência intelectual ou física".

"São poemas tributários ao modernismo moderado, ainda sem a ousadia dos temas e formas da poesia modernista. É a escola penumbrista, em que há um sentimento difuso de tristeza. É uma coisa sempre no intervalo. Um poema se chama "A sombra de um homem que sorriu"; outro é "Quase noturno, em voz baixa". Aponta para a noite, mas o "quase" já dilui isso", analisa Secchin.

Em "Uma lâmpada brilha", ele escreve: "Ah, o abandono dessa lâmpada! /O abandono desse olho imoto, amarelo,/ brilhando sem desejo,/ sozinho/ no alto do poste fino e lírico!" 

"Os 25 poemas da triste alegria" é a segunda tentativa de livro de Drummond. "Antes ele tinha composto "Teia de aranha". Mas mandou os originais de Minas para uma editora no Rio, que perdeu o material. Drummond brincou: "Deve haver um anjo protetor dos autores estreantes que faz o livro desaparecer." E ele pensou ainda num terceiro livro antes de "Alguma poesia": "Preguiça". Mas acredito que o título o influenciou, porque ficou no projeto", brinca.

Fonte: Diario de Pernambuco
Nossa fonte: Vermelho

Cordisburgo, cidade do coração


No final do ano fui viajar de carro com minha mulher a amigos, e que viagem! Entre meus companheiros de viagem, a “sketcher” Mazé Leite, grande artista e ser humano, valeu, Mazé! 

E o que vimos:

 João Pinheiro





1.Desenho feito durante uma das paradas para almoçar na beira da estrada. 

Chapadões imensos, sem fim, a perder de vista, se estendendo por muitas léguas. Vegetação verde em todos os tons, cobrindo toda terra, até onde os olhos podem alcançar. Nuvens que aparentam cavalos fortes como não há e a dúvida se aquilo tudo era real, de se pegar. Amplidão, nação sem fim, mato, roça, arraial, coqueiros altos, envergados pro lado do vento, bananeiras, mangueiras, pé de café, laranjeiras... plantação de tudo quanto é legume e frutas. E o verde das árvores e plantas verdes de milhões de tons; De vez em quando muda de cor e explode, no meio do verde, um violeta intenso, roxo, laranja e o vermelhão da terra destacado, as rachaduras da terra seca e as rochas redondas. Por cima dos montes e montanhas, as pedras espalhadas numa perfeição assombrosa, como que colocada com as mãos. Igrejas brancas isoladas no alto dos montes embranquecendo. No céu, nuvens felpudas, de estiagem, nuvens de chuva e de vento, lá na frente a chuva e depois o sol e a estrada continuam até o final do mundo. Casinhas de barro, sapé, tijolo à vista, telhadinhos coloridos e fachadas pintadas com nossas cores ancestrais, que sempre povoaram nossos sonhos e imaginação. Casas de duas cores bem postas, de onde vem essa noção, se não da própria natureza? Eia, que o sertão não tem fim mesmo, eu vi. 


2.Dona Alzira, primeira moradora do vilarejo Naque. 


A gente foi adiante, rasgando e vimos mais, conversamos com toda a gente boa que pintava. Vimos também banquinhos de madeira na frente da casa onde, debaixo da copa da árvore, serve pra se sentar na sombra depois de mais um dia de trabalho. Beirada pra tomar café e cachaça e prosear sem contar tempo. As vacas comendo e recomendo, galinhas pescando com o bico aqui e ali, cavalos quietos pastando e balançando o rabo como um pêndulo. O tempo corre e as casas e pessoas e galinhas e vacas e bananeiras e verdes e roxos vão ficando pra trás, novas paisagens vão aparecendo com uma constituição toda nova, mais seca e arenosa, o verde fica mais fosco e estamos indo mais pra longe, vendo rios largos e lagos espalhados pelo campo. Chapadão imenso. Estamos de bem com a terra, eita, Brasil grande, oh povo bom de sentar na soleira da porta e conversar.

Paramos em um povoado feito de uma só rua. Conversamos com os moradores e tomamos café. Treze dias de viagem de São Paulo para Bahia, parando em João Molevade e Vitória da Conquista antes de dar as caras a Salvador. 


3.Pelourinho, queria desenhar tudo lá.


4.Sirlene posando no bairro do Vermelho.

Na Bahia foi incrível andar pelo pelourinho, ver a casa natal do Gregório de Matos e imaginá-lo cantando seus versos cáusticos pelas tabernas, acompanhando pelas cinco cordas duplas da sua viola, abrindo sua boca do inferno para atacar padres, Deus e o Diabo e os poderosos daquela época. Ele embriagado indo embora, cambaleante, se apoiando nas portas de madeira noite adentro, todo esfarrapado. Vimos também a igreja onde foi rodado o filme brasileiro, premiado em Cannes, O pagador de promessas, perdi a conta de quantas vezes vi esse filme... que bom ver onde foi filmado. Vamos seguindo, conversando com meu amigo, escritor baiano, Gustavo Rios – Gente finíssima!. Visitamos praias e comemos acarajé no Vermelho.


5.Praia de Itapuã.



6.Lagoa do Abaeté com a Mazé desenhando.

De lá partimos para Rio de Contas, lugar mágico! A estrada é verde e a vista se dilata para ver aquelas montanhas de sonho. Uma viagem no tempo onde Walter Salles esteve anos atrás, filmando “Abril despedaçado”, este que ficou encantado com o trabalho do artista Zofir.
A névoa da cidade, somada à arquitetura colonial, cria um ar de mistério. Encontramos personagens saídos diretos dos romances de João Guimarães Rosa. As pessoas são como poemas vivos, andando debaixo da chuva.



7.Ana Rita Sérgia Ribeira, benzedeira do vermelhão - Rio de Contas.



8.Bom Jesus da Lapa

Treze dias de viagem: São Paulo, Salvador, Chapada Diamantina, Bom Jesus da Lapa (onde vimos o Velho Chico), e finalmente Cordisburgo, a cidade do coração, onde nasceu Guimarães Rosa, onde conhecemos o Brasinha e a Dôra Guimarães, prima do Rosa e coordenadora do Projeto Miguilim, onde vimos a casa dele e a venda do pai em frente à estaçãozinha de trem. De lá voltamos com o coração repleto de paisagens bonitas e gente mais bela ainda, que nos enriqueceram com seus sorrisos abertos e olhares profundos. 


9.Dôra Guimarães e Michele no Projeto Miguilim.



10.Mackswell lendo trecho do Grande Sertão no Projeto Miguilim.


11. Igreja de São José

É isso, vamos aprender a sermos brasileiros e enxergar o que é esse País. Pra terminar, cito um trecho do “Grande Sertão: Veredas”:“Aprender a viver é o que é viver mesmo.” (João Guimarães Rosa).

(*) João Pinheiro é desenhista, autor do livro “Kerouac”, uma biografia quadrinizada do líder beatnik



Nota do blog: Estou reproduzindo porque afinal sou mineira, uai. Obrigada João Pinheiro.
Nossa fonte: Vermelho

Os benefícios dos agrotóxicos no "Mundo de Veja"

Flavia Londres


 A revista Veja publicou uma matéria buscando "esclarecer" os brasileiros sobre os alegados "mitos" que vêm sendo difundidos sobre os agrotóxicos desde a divulgação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), dos dados Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos referentes ao ano 2010. A revista se propõe a tranquilizar a população, certamente alarmada pelo conhecimento dos níveis de contaminação da comida que põe à mesa.
Os entrevistados na matéria são conhecidos defensores dos venenos agrícolas, alguns dos quais com atuação direta junto a indústrias do ramo – como é o caso do Prof. José Otávio Menten, que já foi diretor executivo da ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que reúne as empresas fabricantes de veneno.
A revista afirma que chamar os venenos da agricultura de "agrotóxicos" seria uma imprecisão ultrapassada e injustamente pejorativa, alertando os leitores que “o certo” seria adotar o termo "defensivos agrícolas". Não menciona que a própria legislação sobre a matéria refere-se aos produtos como agrotóxicos mesmo.
A Veja passa então para a relativização dos resultados apresentados pelo relatório do Programa de Análise, elaborado pela Anvisa, fundamentalmente minimizando a gravidade da presença de resíduos de agrotóxicos acima dos limites permitidos. Para isso, cita especialistas alegando que os limites seriam "altíssimos", e que, portanto, quando "um pouco ultrapassados", não representariam qualquer risco para a saúde dos consumidores.
A verdade é que a ciência que embasa a determinação desses limites é imprecisa e fortemente criticada. Evidência disso é o fato de os limites comumente variarem ao longo do tempo – à medida que novas descobertas sobre riscos relacionados aos produtos são divulgadas, os limites tendem a ser diminuídos. Os limites "aceitáveis" no Brasil são em geral superiores àqueles permitidos na Europa – isso pra não dizer que aqui ainda se usa produtos já proibidos em quase todo o mundo.

A revista também relativiza os riscos de longo prazo para a saúde dos consumidores, bem como os riscos para os trabalhadores expostos aos agrotóxicos nas lavouras. Mesmo diante de tantas provas, a Veja alega que, não haveria comprovações científicas nesse sentido.
A reportagem termina tentando colocar em cheque as reais vantagens do consumo de alimentos orgânicos, a eficácia dos sistemas de certificação e mencionando supostos "riscos" do consumo de orgânicos. A revista alega que esses alimentos "podem ser contaminadas por fungos ou por bactérias como a salmonela e a Escherichia coli." Só não esclarece que, ao contrário dos resíduos de agrotóxicos, esses patógenos – que também ocorrem nos alimentos produzidos com agrotóxicos – podem ser eliminados com a velha e boa lavagem ou com o simples cozimento.
Da revista Veja, sabemos, não se poderia esperar nada diferente. Trata-se do principal veículo de comunicação da direita conservadora e dos grandes conglomerados multinacionais no País. Mas podemos destacar que a publicação desse suposto "guia de esclarecimento" revela que o alerta sobre os impactos do modelo da agricultura industrial está se alastrando e informações mais independentes estão alcançando mais setores da população – ao ponto de merecerem tentativa de desmentido pela Veja e pela indústria.
 
Flavia Londres é engenheira agrônoma e consultora da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.
 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Os amores e sua dor


 Deixei você com sua dor, mas ela me acompanhou, forte, lancinante me inundou e, na minha cara,  mostrou minha impotência. Você ficou com sua dor, mascarada em impaciência, beirando a raiva, desejando a solidão Os incômodos dos galhos secos, malformados.

Alguns poucos dias separavam você da grande perda da despedida final, inesperada naquele momento. As descobertas e os tormentos das medidas necessárias ao enceramento de uma vida só maltratam, não basta a dor da perda. Uma sociedade organizada, como a nossa, cobra providências imediatas. Documentos que antecedem documentos. Providências a priori que só conseguem vir depois. Contradições inexplicáveis, porém exigentes. E a dor firme, acompanhando, grudada na  mão que assina sem vontade, nas pernas que caminham com passos firmes, balançando a alma, na cabeça que é demandada a pensar, resolver, tomar decisões. A exaustão abate e vem a vontade de dormir, apenas o querer apagar, se não a situação, o sofrer, então, a si mesma, numa fuga anestesiante de um sono que não vem.

Antes de pegar o avião, ainda fiquei uma noite  nas Alterosas, mas longe – e tão junto – de você, minha querida. Quando cheguei de volta ao meu ponto, tive momentos de grande alívio na recepção de meus bichos, das minhas árvores. Um vaso de belas e coloridas flores me esperava e, grata, respirei.  Na segunda noite, a dor foi sufocante, assustaram-me sua intensidade e indefinição até perceber que era a sua dor que eu sentia. A compreensão de sua necessidade de eu não estar perto me impedia de tentar a desejada comunicação. Comecei a fazer o que sempre faço em momentos doídos, procurar a companhia de minhas árvores e com elas me acalmar para enviar a você o que podia de paz e, sobretudo,  todo o meu amor. Saber você forte não ameniza a dor compartilhada e não dividida. Impotência.

Agora, você me telefona preocupada com minhas condições materiais! Ah! Minha tão querida, quanto caminho ainda terá que percorrer para se livrar dessa tristeza potencializada nas burocracias burras, exigentes e incompetentes e nas pessoas, amigas, e eu com elas, que querem ajudar e só fazem trazer mais uma vez as lembranças tétricas. Você, na sua generosidade, vai percorrer todos os caminhos duros e acabará chegando a um lugar seu. Lá, estará você, inteira, íntegra, maior, bela, dona de si e das flores. 

BARTÔ, O MAGO DA PALAVRA

   
Frei Betto  

     O coração de Bartolomeu Campos de Queirós (1944-2012),  pleno de amor e arte, parou na madrugada de 16 de janeiro. Meu querido amigo  Bartô transvivenciou. Entrou em “encantamento”, diria Guimarães  Rosa.
      Bartô tinha 67 anos e mais de 70 livros  publicados. A ele dediquei meu mais recente romance, Minas do ouro:  “Para Bartolomeu Campos de Queirós nascido, como eu, na mesma terra mineira,  no mesmo ano, no mesmo mês, no mesmo dia, e condenado, como eu, à mesma sina:  escrever.”
      Em 2003, mereci dele a dedicatória do  livro Menino de Belém. Era um mago da palavra. Não fazia poesia, não  escrevia prosa – criava proesia. Sua prosa é arrebatadoramente poética,  como o comprova seu último romance Vermelho amargo, de forte conotação  autobiográfica.
      Sua mãe morreu aos 33 anos, de câncer, quando ele  tinha 6. Lembrava-se que ela sofria dores atrozes, a ponto de o bispo  autorizar que se apressasse a morte dela com uma injeção. Às vezes a dor era  tanta que ela se punha a entoar canto lírico. Bartô, por vezes, ligava para  sua amiga Maria Lúcia Godoy, cantora lírica, para que ela cantasse para ele ao  telefone.
      Equivocam-se os que classificam sua obra  de literatura infantil, embora tenha angariado os mais importantes prêmios  nacionais e internacionais neste gênero. Sua escrita é universal, encanta  crianças e adultos. Como artesão da palavra, trabalhava cuidadosamente cada  vocábulo, cada frase, até extrair toda a polissemia possível, assim como a  abelha suga o néctar de uma flor.
      Bartô morava em Belo Horizonte, no apartamento que  pertenceu à poeta Henriqueta Lisboa – cuja estátua se ergue à porta do prédio,  na Savassi. Gostava da solidão. Precisava dela para escrever. Chegava a pedir  à cozinheira que saísse mais cedo. E só admitia que o silêncio fosse quebrado  pela música, que ele escutava deitado no chão.
      Nos últimos anos, mais lia do que escrevia. E o fazia  com um prazer quase luxurioso. Narrou-me como se deleitava em abrir um novo  livro, reformular suas ideias e conceitos, adquirir novos conhecimentos...
      Tornou-se escritor por acaso. Estudava comunicação e  expressão em Paris, quando lhe pediram enviar um texto a um concurso, que o  premiou. Mas custou a se assumir como autor. Para ele, isso era secundário. A  prioridade era o emprego no MEC, num departamento de investigação de qualidade  de ensino, que o obrigava a viajar Amazônia afora. Seu chefe, Abgar Renault,  lhe dava toda liberdade.
     Nos últimos anos, pouco saía de casa. Desde que se viu  obrigado a fazer hemodiálise três vezes por semana, caminhava a passos miúdos,  os ombros curvados e, no rosto, a perplexidade diante dos mistérios da vida. A  fala era contida, proverbial, mesmo quando fazia palestras. Seus silêncios  ecoavam.
     Fazia questão de não abandonar o cigarro  e tomar um chope antes de submeter-se à hemodiálise. Dizia que, assim, o  tratamento seria compensado...
      Seu ponto de encontro era a Livraria Quixote, na rua  Fernandes Tourinho, onde há um espaço em homenagem a ele. Ali revia amigos,  lançava livros, tomava café da manhã. Foi ali que nos vimos pela última vez,  na véspera do Ano-Novo, quando me deu de presente o romance epistolar A  sociedade literária e a torta de casca de batata, de Ann Shaffer e Annie  Barrows.
      Há três anos ele me propusera um projeto  literário a quatro mãos: uma troca de correspondência sobre literatura,  conjuntura política, vivências. Nunca o efetivamos. Em nosso encontro de fim  de ano respondeu-me quando indaguei o que andava escrevendo: “Cartas para mim  mesmo.”
      Bartô contava que, quando criança, ficava  intrigado com o mistério de como pouco mais de vinte letras podem registrar na  escrita tudo que a cabeça pensa... Orgulhoso, disse que aprendera a escrever  com o avô, marceneiro, que morava em Pitangui (MG). Tirara a sorte grande na  loteria e, assim, trocou a madeira pela literatura. Ao se sentir inspirado,  tomava em mãos o lápis próprio para marcar medidas na madeira e redigia suas  histórias nas paredes da casa. Quando o avô morreu, tiraram da parede da sala  o relógio em forma de oito. Era o único espaço vazio de  textos...
      Bartô era um artista profundamente  espiritualizado. Desde que morou em Paris tornou-se devoto de São Charbel  (1828-1898), libanês, canonizado em 1997. Disse que o escolhera porque é um  santo de poucos devotos e, portanto, mais disponível para atender às suas  preces...  E mostrou-me a estampa do monge de longas barbas  brancas.
     Meu único consolo é a certeza de que  Bartolomeu Campos de Queirós vive, agora, imortalizado em suas obras  literárias. Reproduzo aqui o que escrevi a ele, em maio de 1998, após ler  Escritura: “Sua escrita é canto, luz, vereda e afago. Cada frase  lindamente esculpida! Proíba-se de tudo o mais para só escrever, porque é a  sua única e irrecorrível sentença de vida.”
 Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear  estrelas” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.


 Copyright 2012 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Diretora geral da UNESCO diz que Rio+20 será marco na história



A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova, disse nesta  que a Conferência Rio+20, programada para ocorrer entre 13 e 22 de junho, no Rio de Janeiro, será um marco histórico mundial. A diretora-geral acrescentou ainda que o resultado da Rio+20 será de grande “importância” para o meio ambiente global nos próximos dez anos. As informações são da Unesco.

Rio+20
A A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse que a falta de diálogo entre políticos é responsável pelo degradamento ambiental
–Rio+20 deve ser lembrada como um marco histórico. É o início de uma transição global verde. Essa é a visão da Unesco que orienta nosso trabalho no desenvolvimento de ações nas áreas de educação, ciências, cultura, informação e comunicação para um futuro mais sustentável–, disse Bokova.
Segundo a diretora-geral, a conferência oferecerá ao mundo a “oportunidade única” de avançar na construção de uma agenda global para o desenvolvimento sustentável. De acordo com Irina Bokova, todos devem se esforçar na elaboração das propostas e na execução das ações – países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Bokova disse ainda que a falta de diálogo entre os líderes políticos e gestores contribui para acentuar a “grave degradação dos recursos naturais do mundo”.
Pelo menos cem presidentes da República e primeiros-ministros são esperados na Rio+20, além de 50 mil credenciados. Os demais números referentes às pessoas que trabalharão no evento – direta e indiretamente – e visitantes ainda estão sendo calculados.
A Rio+20 ocorre duas décadas depois de outra conferência que marcou época, a Rio 92. O objetivo agora é definir um modelo internacional para os próximos 20 anos com base na preservação do meio ambiente, mas com o foco na melhoria da condição de vida a partir da erradicação da pobreza, por meio de programas sociais, da economia verde e do desenvolvimento sustentável para uma governança mundial.
A conferência conta com o apoio e o comando da Organização das Nações Unidas (ONU). O secretário-geral do encontro é o diplomata chinês Sha Zukang. Porém, a presidenta da conferência é Dilma Rousseff.
Nossa font:CdB