Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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domingo, 6 de maio de 2012

Veja o que diz Luís Nassif



Luís Nassif
Em 2008 dei início à primeira batalha de um blog contra uma grande publicação no Brasil. Foi O caso de Veja, uma série de reportagens denunciando o jornalismo da revista Veja. Nela, selecionei um conjunto de escândalos inverossímeis, publicados pela revista. Eram matérias que se destacavam pela absoluta falta de discernimento, pela divulgação de fatos sem pé nem cabeça.
A partir dos “grampos” em Carlinhos Cachoeira foi possível identificar as matérias que montava em parceria com arevista. A maior parte delas tinha sido abordada na série, porque estavam justamente entre as mais ostensivamente falsas.
Com o auxílio de leitores, aí vai o mapeamento das matérias:
Do grampo da PF divulgado pela revista Veja este fim de semana.
Cachoeira: Jairo, põe um trem na sua cabeça. Esse cara aí não vai fazer favor pra você nunca isoladamente, sabe? A gente tem que trabalhar com ele em grupo. Porque os grande furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles fomos nós que demos (…).
Cachoeira: Eu fiquei puto porque ontem ele xingou o Dadá tudo pro Cláudio, entendeu? E você dando fita pra ele, entendeu? (…)
Cachoeira: Agora, vamos trabalhar em conjunto porque só entre nós, esse estouro aí que aconteceu foi a gente. Foi a gente. Quer dizer: mais um. O Jairo, conta quantos foram. Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz. E tudo via Policarpo.
Graças ao grampo, é possível mapear alguns dos “furos” mencionados pelo bicheiro na conversa entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira com o PM-araponga Jairo Martins, um ex-agente da Abin que se vangloria de merecer um Prêmio Esso por sua colaboração com Veja em Brasília. Martins está preso, junto com seu superior na quadrilha de Cachoeira, o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, fonte contumaz de jornalistas – com os quais mantém relações de agente duplo, levando e trazendo informações do submundo da arapongagem.
O primeiro registro da associação entre Veja e Cachoeira está numa reportagem de 2004, que desmoralizou uma CPI em que o bicheiro era investigado. Em janeiro daquele ano, Cachoeira foi a fonte da revistaÉpoca, concorrente de Veja, na matéria que mostrou Waldomiro Diniz, sub de José Dirceu, pedindo propina ao bicheiro quando era dirigente do governo do Rio (2002). Depois disso, Cachoeira virou assinante de Veja.
As digitais do bicheiro e seus associados, incluindo o senador Demóstenes Torres, estão nos principais furos da Sucursal de Brasília ao longo do governo Lula: os dólares de Cuba, o dinheiro das FARC para o PT, a corrupção nos Correios, o espião de Renan Calheiros, o grampo sem áudio, o “grupo de inteligência” do PT.
O que essas matérias têm em comum:
1) A origem das denúncias é sempre nebulosa: “um agente da Abin”, “uma pessoa bem informada”, “um espião”, “um emissário próximo”.
2) As matérias sempre se apoiam em fitas, DVDs ou cópias de relatórios secretos – que nem sempre são apresentados aos leitores, se é que existem.
3) As matérias atingem adversários políticos ou concorrentes nos negócios de Cachoeira e Demóstenes Torres (o PT, Lula, o grupo que dominava os Correios, o delegado Paulo Lacerda, Renan Calheiros, a campanha de Dilma Rousseff)
4) Nenhuma das denúncias divulgadas com estardalhaço se comprovou (única exceção para o pedido de propina de R$3 mil no caso dos Correios).
5) Assim mesmo, todas tiveram ampla repercussão no resto da imprensa.
Confira agora a cachoeira dos furos da Veja em associação com Demóstenes, arapongas e capangas do bicheiro preso:
1) O caso do bicheiro vítima de extorsão
Revista Veja Edição 1.878 de 3 de novembro de 2004
Trecho da matéria: Na semana passada, o deputado federal André Luiz, do PMDB do Rio de Janeiro, não tinha amigos nem aliados, pelo menos em público. Seu isolamento deveu-se à denúncia publicada por Veja segundo a qual o deputado tentou extorquir R$4 milhões do empresário de jogosCarlos Cachoeira. As negociações da extorsão, todas gravadas por emissários de Cachoeira, sugerem que André Luiz agia em nome de um grupo de deputados.
Nota: A fonte da matéria são “emissários de Cachoeira”, o “empresário de jogos” que Veja transformou de investigado em vítima na mesma CPI.
2) O caso do dinheiro das Farc
Capítulo 1 – Revista Veja Edição 1896 de 16 de março de 2005
Trecho da reportagem: Um agente da Abin, infiltrado na reunião, ouviu tudo, fez um informe a seus chefes (…) Sob a condição de não reproduzi-los nas páginas da revista, Veja teve acesso a seis documentos da pasta que trata das relações entre as Farc e petistas simpatizantes do movimento.
Capítulo 2 – Revista Veja Edição 1.899 de 6 de abril de 2005
Trechos da matéria: Na semana passada, a comissão do Congresso encarregada de fiscalizar o setor de inteligência do governo resolveu entrar no caso Farc-PT. Na quinta-feira passada, a comissão do Congresso decidiu convocar o coronel e o espião. Os membros da comissão também querem ouvir José Milton Campana, que hoje ocupa o cargo de diretor adjunto da Abin e, na época, se envolveu com a investigação dos supostos laços financeiros entre as Farc e o PT.
O senador Demóstenes Torres, do PFL de Goiás, teme que a discussão sobre o regimento sirva só para adiar os depoimentos.
– Para ouvir a versão do governo e tentar dar o caso por encerrado, ninguém precisou de regimento – diz ele.
3) O caso Mauricio Marinho
Capítulo 1 – Revista Veja Edição 1.905 de 18 de maio de 2005
Trecho da reportagem: Há um mês, dois empresários estiveram no prédio central dos Correios, em Brasília. Queriam saber o que deveriam fazer para entrar no seleto grupo de empresas que fornecem equipamentos de informática à estatal.
Foram à sala de Maurício Marinho, 52 anos, funcionário dos Correios há 28, que desde o fim do ano passado chefia o departamento de contratação e administração de material da empresa. Marinho foi objetivo na resposta à indagação dos empresários. Disse que, para entrar no rol de fornecedores da estatal, era preciso pagar propina. “Um acerto”, na linguagem do servidor. Os empresários, sem que Marinho soubesse, filmaram a conversa. A fita, à qual Veja teve acesso, tem 1 hora e 54 minutos de duração.
Nota: As investigações da PF e de uma CPI mostraram que o vídeo foi entregue à revista pelo PM-araponga Jairo Martins, que “armou o cenário” da conversa com Marinho a mando de concorrentes nas licitações dos Correios.
4) O caso dos dólares de Cuba
Revista Veja Edição 1.929 de 2 de novembro de 2005 (Clique aqui)
Trecho da reportagem: (Vladimir) Poleto, (principal fonte da reportagem) até hoje, é um amigo muito próximo do irmão de (Ralf) Barquete, Ruy Barquete, que trabalha na Procomp, uma grande fornecedora de terminais de loteria para a Caixa Econômica Federal. Até a viúva de Barquete, Sueli Ribas Santos, já comentou o assunto. Foi em um período em que se encontrava magoada com o PT por entender que seu falecido marido estava sendo crucificado. A viúva desabafou: “Eles pegavam dinheiro até de Cuba!”.
Nota: A empresa de Barquete venceu a concorrência da Caixa Econômica Federal para explorar terminais de jogos em 2004, atravessando um acordo que estava sendo negociado entre a americana Gtech (antiga concessionária) e Carlinhos Cachoeira, com suposta intermediação de Waldomiro Diniz. O banqueiro teria deixado de faturar R$30 milhões m cinco anos.
A armação era para pegar Antônio Palloci, padrinho de Barquete. Pegou Dirceu.
5) O caso Francisco Escórcio
Revista Veja Edição 2.029 de 10 de outubro de 2007
Chamada no alto, à esquerda: “Renan agora espiona os adversários”
Na semana passada, Demóstenes Torres e Marconi Perillo foram procurados por amigos em comum e avisados da trama dos arapongas de Renan. Os senadores se reuniram na segunda-feira no gabinete do presidente do Tribunal de Contas de Goiás, onde chegaram a discutir a possibilidade de procurar a polícia para tentar flagrar os arapongas em ação. “Essa história é muito grave e, se confirmada, vai ser alvo de uma nova representação do meu partido contra o senador Renan Calheiros”, disse o tucano Marconi Perillo. “Se alguém quiser saber os meus itinerários, basta me perguntar. Tenho todos os comprovantes de voos e os respectivos pagamentos”.
Demóstenes Torres disse que vai solicitar uma reunião extraordinária das lideranças do DEM para decidir quais as providências que serão tomadas contra Calheiros. “É intolerável sob qualquer critério que o presidente utilize a estrutura funcional do Congresso para cometer crimes”, afirma Demóstenes.
Pedro Abrão, por sua vez, confirma que os senadores usam seu hangar, que conhece os personagens citados, mas que não participou de nenhuma reunião. O empresário, que já pesou mais de 120 quilos, fez uma cirurgia de redução de estômago e está bem magrinho, como disse Escórcio. Renan Calheiros não quis falar.
Com reportagem de Alexandre Oltramari (que viria a ser assessor de Marconi Perillo).
Nota: Demóstenes é a única fonte que confirma a versão em que teria sido vítima.
6) O caso do grampo sem áudio
Capítulo 1 – Revista Veja, Edição 2022, 22 de agosto de 2007
Capítulo 2 – Revista Veja Edição 2073 de 13 de agosto de 2008
Capítulo 3 – Revista Veja Edição 2.076 de 3 de setembro 2008
Chamada acima do logotipo: “Poder paralelo”
Trecho do texto: O diálogo entre o senador e o ministro foi repassado à revista por um servidor da própria Abin sob a condição de se manter anônimo.
Trecho do texto: O senador Demóstenes Torres também protestou: “Essa gravação mostra que há um monstro, um grupo de bandoleiros atuando dentro do governo. É um escândalo que coloca em risco a harmonia entre os poderes”. O parlamentar informou que vai cobrar uma posição institucional do presidente do Congresso, Garibaldi Alves, sobre o episódio, além de solicitar a convocação imediata da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso para
analisar o caso. “O governo precisa mostrar que não tem nada a ver e nem é conivente com esse crime contra a democracia”.
Nota: O grampo sem áudio jamais foi exibido ou encontrado, mas a repercussão da matéria levou à demissão do delegado Paulo Lacerda da chefia da Abin.
7) O caso do “grupo de inteligência” do PT
Capítulo 1 – Revista Veja Edição 2.167 de 2 de junho de 2010 (Clique aqui)
Trecho do texto: Não se sabe, mas as fontes de Veja que presenciaram os eventos mais de perto contam que, a certa altura…
Nota: A “fonte” não citada é o ex-sargento Idalberto Matias, o Dadá, funcionário de Carlinhos Cachoeira, apresentado a Luiz Lanzetta como especialista em varreduras.
Capítulo 2 – Revista Veja Edição de julho de 2010
Trecho de entrevista com o ex-delegado Onézimo de Souza, que sustentou (e depois voltou atrás) a história de que queriam contratá-lo para grampear Serra:
O senhor foi apontado como chefe de um grupo contratado para espionar adversários e petistas rivais?
Fui convidado numa reunião da qual participaram o Lanzetta, o Amaury [Ribeiro], o Benedito [de Oliveira, responsável pela parte financeira] e outro colega meu, mas o negócio não se concretizou.
Nota: O outro colega do delegado-araponga, que Veja não menciona em nenhuma das reportagens sobre o caso, é o ex-sargento Idalberto Matias, o Dadá, capanga de Cachoeira e contato do bicheiro com a revista Veja (o outro contato é Jairo Martins, o policial associado a Policarpo Jr.).
Luiz Nassif é jornalista, editor do sítio Luiz Nassif Online.

Matérias Relacionadas:
  1. Luís Nassif: As capas médicas da revista Veja
  2. Luis Nassif: A mídia, o jornalismo brasiliense e o caso Cachoeira
  3. Luis Nassif: Mais peças do quebra-cabeças Civita-Cachoeira
  4. Deputado afirma que revista Veja financiou atividades ilegais de Cachoeira
  5. Veja e Cachoeira: tudo a ver

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O brasileiro ainda não descobriu o prazer de ler


TALVEZ A DESCOBERTA MAIS CHOCANTE DA PESQUISA RETRATOS DA LEITURA NO BRASIL, DIVULGADA HÁ DUAS SEMANAS, SEJA O FATO DE QUE 76% DOS ENTREVISTADOS NUNCA PISARAM NUMA BIBLIOTECA

      O Instituto Pró-Livro divulgou há duas semanas a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita em 2011. O objetivo foi levantar o perfil do leitor e do não leitor brasileiro, as preferências e as barreiras à penetração da leitura no país. É um retrato bastante completo dos hábitos de leitura dos brasileiros. A surpresa foi que andamos para trás.
      Nada inesperado, para um país em que a televisão tem a preferência de 85% dos entrevistados, ao responderem “o que gostam de fazer em seu tempo livre”. Se alguém esperava que a maioria dos respondentes fosse optar por descansar (51%), sair com amigos (34%) ou praticar esportes (23%), errou. O hábito de ler agrada apenas a 28% da amostra.
      Talvez a descoberta mais chocante da pesquisa seja o fato de que 76% dos entrevistados, numa amostra de 5.012 pessoas, em 315 municípios, nunca pisaram numa biblioteca, embora 71% tenham afirmado que existe esse tipo de ambiente e o acesso é fácil. Para eles, a biblioteca é um lugar para “estudar”. Somente 8% dos brasileiros vão à biblioteca regularmente. 17% vão de vez em quando. Ou seja, quase nunca. Só 16% sabem que a biblioteca existe "para emprestar livros”.
       Não foi coincidência, mas para comemorar o Dia Mundial do Livro, o Ministério da Cultura anunciou investimentos de R$ 374 milhões no Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) para 2012. Dentro do plano, o programa Democratização de Acesso, de construção e modernização de bibliotecas, deve receber a maior fatia de investimentos, R$ 254,6 milhões. Só para ampliação e atualização de acervos de bibliotecas serão investidos R$ 37 milhões.
"Gostamos sempre de sair um pouco de nós mesmos, de viajar, quando lemos". (Marcel Proust)
      Mas por que o brasileiro não frequenta as cerca de 1.000 bibliotecas existenes no país? A maioria alega falta de tempo como o principal empecilho a frequentar uma biblioteca. 12% acreditam que é um lugar para “lazer”. A pesquisa ainda mostrou que a maior parte dos brasileiros que vai à biblioteca está na vida escolar (64%), utilizando os espaços nas escolas ou universidades.
      Interessante não aparecer na pesquisa a alegação de não frequentar, porque não existe biblioteca, até porque, entre países do mesmo nível de desenvolvimento, o Brasil seja um dos que possui o menor índice de bibliotecas e livrarias por habitante.
      Para a presidente do IPL, Karine Pansa, os dados colhidos pelo Ibope Inteligência mostram que o desafio, em geral, não é mais possibilitar o acesso ao equipamento, mas fazer com que as pessoas o utilizem. "O maior desafio é transformar as bibliotecas em locais agradáveis, onde as pessoas gostem de estar, com prazer. Não só para estudar." Ninguém vai atrás de um produto, no caso o livro, para o qual não foi estimulado pelos pais, professores, amigos.
      Quando a pesquisa pergunta aos entrevistados que já cultivam o hábito de ler, quem foram seus “influenciadores”, o professor desponta primeiro com 45% das indicações, seguido da mãe, com 43%. Ou seja, o hábito da leitura começa em casa e se consolida na escola. Filhos de pais leitores têm muito mais probabilidade de também serem leitores na idade adulta.
"Onde se queimam livros cedo ou tarde se queimam homens". (Heinrich Heine)
      As mulheres lêem mais do que os homens e, assim como o número de leitores caiu de 55 milhões em 2007, para 50 milhões na pesquisa 2011, a média de livros lidos pelos chamados “leitores” caiu também de 4,7 em 2007 para 4,0 em 2011. Isso poderia indicar que a internet e outras atividades audiovisuais estão seduzindo mais a juventude do que a leitura. A média dos livros lidos também caiu, de 2,07 em 2007, para 1,85 livro por ano, em 2011. Uma média baixíssima para os padrões internacionais. Esse é um fenômeno que ocorre em todas as regiões do país.
      A pesquisa do Instituto Pró-Livro deveria ser apresentada e discutida em reuniões em todos os estabelecimentos de ensino do Brasil. Tanto superiores quanto de nível médio e fundamental. Se professores e alunos tomassem conhecimento dos detalhes, poderiam sugerir ideias para estimular a leitura no ambiente escolar e em casa. Descobririam onde estão as falhas.
      Mais do que recursos, que são extremamente importantes, talvez esteja faltando no Brasil uma cultura da leitura. E vemos muito pouca colaboração dos meios de comunicação audiovisuais, principalmente a televisão. Os jornais, que foram tão importantes no passado para estimular a leitura, com suplementos literários emblemáticos, hoje preferem suplementos de gastronomia, de tecnologia, de esportes, de turismo. E os literários ficaram na história.
"Sempre imaginei que o Paraíso será uma espécie de biblioteca". (Jorge Luis Borges)
      Por que o brasileiro não gosta de ler? Ou por que universitários, até em cursos de pós-graduação querem que os professores forneçam os links da internet de todos os textos para leitura, em vez de irem atrás das publicações? Preferem tirar cópias de capítulos de livros, atividade ilegal, do que comprá-los ou utilizar exemplares disponíveis nas bibliotecas.
      Talvez porque pais e professores estejam falhando, desde os primeiros momentos em que a criança começa a descobrir o mundo das letras. Se os professores e os pais não leem, nem se preocupam em facilitar o acesso das crianças aos livros, como irão estimulá-las para um hábito que está sendo atropelado pelos apelos e seduções tecnológicas do computador e dos smartphones?
Quem tiver interesse em ler ou discutir a pesquisa do Instituto Pró-Livro, o relatório completo está disponível aqui.
Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/cultura (vale a pena visitar) 

Vamos votar a favor das nossas florestas


A Revista Globo Rural está fazendo uma enquete sobre o Código Florestal. Nela é perguntado se a Presidenta deve vetar parcial, vetar total ou sancionar o novo Código Florestas dos ruralistas.

Ontem, estávamos ganhando com 67% dos votos, mas hoje a CNA e os ruralistas resolveram participar ativamente da enquete.  Não vamos deixar os destruidores de florestas vencerem essa votação.  Entrem agora e votem no #VETATUDODILMA:

http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EQ15824-18070,00.html
 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Água, Dilma!


Jaime Sautchuk *
      Mais uma vez, em 512 anos, tem gente querendo contemporizar com o latifúndio. Antigo ou modernoso, esse modelo na atividade agropecuária é a maior praga do campo no Brasil, eterno símbolo do atraso econômico e social, por mais que apresente resultados em cifrões, pois está descolada dos anseios e necessidades do povo. 
      O novo Código Florestal, aprovado aos trancos e barrancos pelo Congresso Nacional e no aguardo de sanção (ou veto) da presidente Dilma Rousseff, trata, em verdade, da questão da água. Começa por deletar pendências do passado e aponta para um futuro tenebroso.
      A chamada bancada ruralista da Câmara fez passar Código que, além de difuso e cheio de lacunas, anistia produtores que já vinham violando as normas que protegem os cursos d’água a céu aberto e os lençóis subterrâneos. E fixa normas genéricas sobre conservação e uso dos recursos hídricos nacionais para o futuro.
... ... ... ...
           E muitos casos o conflito se dá por barramento de córregos para fins diversos, em especial para irrigação. É comum um irrigante secar ribeirões que passariam por propriedades à jusante. Para quem não sabe, um único pivô, com haste de 250m, pode movimentar água suficiente para abastecer uma cidade com 5.000 habitantes.
... ... ...
       A geofísica muda de região para região, onde o próprio manejo da água requer técnicas diferenciadas, mas isto é ignorado pelo Código proposto. O documento fala de algumas diferenças na área a ser preservada nas margens dos cursos entre Amazônia, Sudeste e coisas assim. Mas não vai fundo na questão, deixando de fora biomas fundamentais como a Caatinga e o Cerrado.
... ... ...
      E agora vêm os latifundiários, que nunca deram a mínima para o futuro do país, tentar passar goela abaixo da nação um Código Florestal que, além de ajudar a perenizar as injustiças sociais, ainda ameaça a água de que ainda dispomos.
      Por isso, o movimento “Veta, Dilma!”, que ganha corpo no país inteiro, quer dizer que o Brasil está, em verdade, pedindo água.
Vejam a íntegra do artigo em:
:http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=4702&id_coluna=91
* Trabalhou nos principais órgãos da imprensa, Estado de SP, Globo, Folha de S.Paulo e Veja. E na imprensa de resistência, Opinião e Movimento. Atuou na BBC de Londres, dirigiu duas emissoras da RBS

Mobilizações de maio serão decisivas,



dizem Negri e Cocco

"No curto prazo, o mês de maio já se apresenta como um momento decisivo para sabermos se vamos poder contar com uma possível nova fase constituinte de lutas, depois daquela que conhecemos no ano passado. Muito depende de como o Primeiro de Maio organizado pelos “occupy” nos EUA e a mobilização global dos dias 12 e 15 de maio acontecerão. A grande questão é saber se o 15M e as redes sindicais conseguirão se encontrar num terreno não corporativo", defendem Antonio Negri e Giuseppe Cocco em entrevista concedida na Espanha, onde ocorrerá esta semana o Seminário Internacional Crise da Representação e os Desafios da Democracia no Século XXI.

Madri - No momento em que o movimento de contestação popular democrática 15M, também chamado de movimento dos indignados, completa um ano, o Governo do Estado do RS vai até a Espanha para apresentar seu sistema de participação cidadã. O Seminário Internacional Crise da Representação e os Desafios da Democracia no século XXI vai reunir pensadores, ativistas, representantes de sindicatos e governos para analisar experiências e soluções encontradas em várias partes do mundo, nos dias 4 e 5 de maio, na sede da Comissão Europeia, em Madri.

Nesta entrevista, Antonio Negri e Giuseppe Cocco traçam um panorama das mudanças provocadas por movimentos como o 15M, a crise da democracia nos países europeus e o papel que os países do sul podem desempenhar na busca por novos modelos de democracia, com novos canais e espaços de participação popular.

Antonio Negri, filósofo italiano, é professor titular aposentado da Universidade de Pádua (Itália) e professor de filosofia do Colégio Internacional de Paris (França). Entre outras obras, escreveu, em parceria com Michael Hardt, os livros "Império" e "Multidão". Giuseppe Cocco, cientista político, doutor em história social pela Universidade de Paris, é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre outras obras, escreveu, com Antonio Negri, o livro "Glob(AL): Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada".

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Dia que Durou 21 Anos

       Extraordinário Documentário que revela minuciosamente a participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como "Top Secret" são expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte desse documentário, narrado pelo jornalista Flávio Tavares.
       O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo Tavares.
       Tempo do vídeo: Uma hora e treze minutos

       clique no link : http://www.youtube.com/watch?v=0cY_khg-yLw    "TOP SECRET" - A Conspiração contra o Brasil
Fonte: O Berro

Salve o nosso dia!

Quando os trabalhadores tivermos consciência da nossa força, o capital será domado!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Esclarecimento sobre os transgênicos

Carta Aberta à Sociedade Contra a Matéria Falaciosa da Folha de São Paulo Sobre os Transgênicos


Consideramos um desreipeito, como leitores do jornal e como ambientalistas atuantes no setor, nos depararmos com uma matéria tão absurda e parcial como a que presenciamos na Folha de SP de quinta feira, dia 29 de abril de 2012.
Na citada matéria, o diretor mundial de uma empresa poderosa, como única fonte ouvida, afirma que as organizações que atuam no campo da agroecologia hoje já não combatem os sistemas (compostos por sementes transgênicas e fortes agrotóxicos) comercializados por ela, reconhecendo que é preciso abrir espaço de diálogo em função do cenário atual, em que água e desmatamentos são pontos problemáticos para a garantia de alimentos a todos.
Nós, integrantes da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, bem como as pessoas e as organizações que trabalham diariamente para que as grandes multinacionais como a referida empresa não destruam a possibilidade de termos um mínimo equilíbrio socioambiental no país, solicitamos o direito de sermos ouvidos e de ressaltar nosso profundo repúdio às declarações falaciosas do senhor Hugh Grant.
Por mais que tente cooptar o movimento socioambientalista, patrocinando supostos "eventos voltados para a promoção da ecologia" e gastando uma fortuna com propaganda e com advogados para processar quem ousa questionar seus produtos, a tal empresa não conseguirá jamais impedir que constatemos que baseia-se num sistema que visa exclusivamente seu próprio lucro e concentração de poder, impondo um ônus terrível aos trabalhadores, à sociedade como um todo e à própria composição biológica do planeta.
Inúmeras pesquisas e fatos demostram que, além de gerar impactos negativos e perigosos nos locais em que são usadas, as sementes transgênicas da empresa, associadas aos venenos que também produz e comercializa, possuem uma produtividade menor do que a alcançada pela produção agroecológica.
Abaixo há uma lista de fontes de informação para comprovar o que nós afirmamos acima, é somente uma pequena amostra (dentro de um conjunto incrivelmente vasto e de origens confiáveis e diversificadas) de matérias existentes sobre o assunto. 
Não aos organismos geneticamente modificados, eles são desnecessários e extremamente perigosos!

Att.
Comitê Paulista da Campanha
Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Seu deputado é contra ou a favor das florestas brasileiras?



Código Florestal: lista de quem votou pró ou contra 

Em síntese, quem votou não, disse não às florestas brasileiras, à diversidade e à melhoria da qualidade de vida e das condições existenciais!

SAIBAM QUEM ESTÁ DO LADO DE QUEM
Depois de anos tramitando no Congresso Nacional, deputados aprovam com louvor novo texto que modifica principal lei florestal do Brasil. O texto menos ruim do Senado foi rejeitado por 274 deputados, enquanto a seu favor votaram 184.Isso significa que foi aprovado o relatório Piau, que flexibiliza ainda mais o Código Florestal.
Entenda o “sim” e o “não”
A votação teve uma pegadinha. Os deputados que votaram “sim” desejavam a manutenção do texto aprovado pelo Senado, apoiado pelo governo e que garantia faixas mínimas de proteção e recomposição florestal. Os deputados que votaram “não” votaram pelo relatório do deputado Paulo Piau, que anulou essas obrigações.
Ganharam por 90 votos e reformaram a principal lei florestal brasileira.
Resultado da votação
Sim: 184
Não: 274
Abstenção: 2
Total da Votação: 460
Art. 17: 1
Total Quorum: 461
> DEM
> Abelardo Lupion PR Não
> Alexandre Leite SP Não
> Antonio Carlos Magalhães Neto BA Não
> Augusto Coutinho PE Não
> Claudio Cajado BA Não
> Davi Alcolumbre AP Não
> Efraim Filho PB Não
> Eli Correa Filho SP Não
> Fábio Souto BA Não
> Felipe Maia RN Não
> Jairo Ataide MG Não
> João Bittar MG Não
> Jorge Tadeu Mudalen SP Não
> Júlio Campos MT Não
> Lira Maia PA Não
> Luiz Carlos Setim PR Não
> Mandetta MS Não
> Mendonça Filho PE Não
> Mendonça Prado SE Sim
> Onyx Lorenzoni RS Não
> Pauderney Avelino AM Não
> Paulo Cesar Quartiero RR Não
> Professora Dorinha Seabra Rezende TO Não
> Rodrigo Maia RJ Sim
> Ronaldo Caiado GO Não
> Vitor Penido MG Não
> Total DEM: 26
> PCdoB
> Alice Portugal BA Sim
> Assis Melo RS Não
> Chico Lopes CE Não
> Daniel Almeida BA Sim
> Delegado Protógenes SP Sim
> Evandro Milhomen AP Não
> Jandira Feghali RJ Sim
> Jô Moraes MG Sim
> João Ananias CE Não
> Luciana Santos PE Não
> Manuela D`ávila RS Sim
> Osmar Júnior PI Não
> Total PCdoB: 12
> PDT
> André Figueiredo CE Não
> Ângelo Agnolin TO Não
> Brizola Neto RJ Sim
> Dr. Jorge Silva ES Não
> Enio Bacci RS Sim
> Felix Mendonça Júnior BA Não
> Flávia Morais GO Não
> Giovani Cherini RS Não
> Giovanni Queiroz PA Não
> João Dado SP Não
> Manato ES Não
> Marcelo Matos RJ Sim
> Marcos Medrado BA Não
> Marcos Rogério RO Não
> Miro Teixeira RJ Sim
> Oziel Oliveira BA Não
> Paulo Pereira da Silva SP Não
> Reguffe DF Sim
> Salvador Zimbaldi SP Não
> Sebastião Bala Rocha AP Sim
> Sueli Vidigal ES Não
> Vieira da Cunha RS Sim
> Wolney Queiroz PE Não
> Zé Silva MG Não
> Total PDT: 24
> PHS
> José Humberto MG Não
> Total PHS: 1
> PMDB
> Adrian RJ Não
> Alberto Filho MA Não
> Alceu Moreira RS Não
> Alexandre Santos RJ Não
> Antônio Andrade MG Não
> Arthur Oliveira Maia BA Não
> Asdrubal Bentes PA Não
> Benjamin Maranhão PB Não
> Carlos Bezerra MT Não
> Celso Maldaner SC Não
> Danilo Forte CE Não
> Darcísio Perondi RS Não
> Edinho Araújo SP Não
> Edinho Bez SC Não
> Edio Lopes RR Não
> Edson Ezequiel RJ Não
> Eduardo Cunha RJ Não
> Elcione Barbalho PA Sim
> Eliseu Padilha RS Não
> Fabio Trad MS Não
> Fátima Pelaes AP Não
> Fernando Jordão RJ Não
> Flaviano Melo AC Não
> Francisco Escórcio MA Não
> Gabriel Chalita SP Não
> Genecias Noronha CE Não
> Gera Arruda CE Não
> Geraldo Resende MS Sim
> Giroto MS Não
> Henrique Eduardo Alves RN Não
> Hermes Parcianello PR Não
> Hugo Motta PB Não
> Íris de Araújo GO Não
> João Arruda PR Não
> João Magalhães MG Não
> Joaquim Beltrão AL Não
> José Priante PA Não
> Júnior Coimbra TO Não
> Leandro Vilela GO Não
> Lelo Coimbra ES Não
> Leonardo Picciani RJ Não
> Leonardo Quintão MG Não
> Lucio Vieira Lima BA Não
> Luiz Pitiman DF Não
> Manoel Junior PB Não
> Marçal Filho MS Não
> Marcelo Castro PI Não
> Marinha Raupp RO Não
> Marllos Sampaio PI Não
> Mauro Benevides CE Não
> Mauro Lopes MG Não
> Mauro Mariani SC Não
> Natan Donadon RO Não
> Newton Cardoso MG Não
> Nilda Gondim PB Não
> Odílio Balbinotti PR Não
> Osmar Serraglio PR Não
> Osmar Terra RS Não
> Paulo Piau MG Não
> Pedro Chaves GO Não
> Pedro Novais MA Não
> Professor Setimo MA Não
> Raul Henry PE Sim
> Renan Filho AL Não
> Rogério Peninha Mendonça SC Não
> Ronaldo Benedet SC Não
> Rose de Freitas ES Não
> Sandro Mabel GO Não
> Saraiva Felipe MG Não
> Teresa Surita RR Não
> Valdir Colatto SC Não
> Washington Reis RJ Não
> Wilson Filho PB Não
> Wladimir Costa PA Não
> Total PMDB: 74
> PMN
> Jaqueline Roriz DF Não
> Total PMN: 1
> PP
> Afonso Hamm RS Não
> Aline Corrêa SP Sim
> Arthur Lira AL Sim
> Beto Mansur SP Não
> Carlos Magno RO Não
> Cida Borghetti PR Não
> Dilceu Sperafico PR Não
> Dimas Fabiano MG Não
> Eduardo da Fonte PE Sim
> Esperidião Amin SC Não
> Gladson Cameli AC Não
> Iracema Portella PI Sim
> Jair Bolsonaro RJ Não
> Jeronimo Goergen RS Não
> João Pizzolatti SC Não
> José Linhares CE Não
> Lázaro Botelho TO Não
> Luis Carlos Heinze RS Não
> Luiz Argôlo BA Não
> Luiz Fernando Faria MG Não
> Márcio Reinaldo Moreira MG Não
> Mário Negromonte BA Não
> Missionário José Olimpio SP Não
> Nelson Meurer PR Não
> Paulo Maluf SP Não
> Pedro Henry MT Não
> Rebecca Garcia AM Sim
> Renato Molling RS Não
> Roberto Britto BA Sim
> Roberto Teixeira PE Não
> Sandes Júnior GO Não
> Simão Sessim RJ Sim
> Toninho Pinheiro MG Não
> Vilson Covatti RS Não
> Waldir Maranhão MA Sim
> Total PP: 35
> PPS
> Arnaldo Jardim SP Não
> Arnaldo Jordy PA Sim
> Augusto Carvalho DF Sim
> Carmen Zanotto SC Não
> Dimas Ramalho SP Sim
> Roberto Freire SP Sim
> Rubens Bueno PR Sim
> Sandro Alex PR Não
> Stepan Nercessian RJ Sim
> Total PPS: 9
> PR
> Aelton Freitas MG Não
> Anderson Ferreira PE Não
> Anthony Garotinho RJ Abstenção
> Aracely de Paula MG Não
> Bernardo Santana de Vasconcellos MG Não
> Davi Alves Silva Júnior MA Não
> Dr. Adilson Soares RJ Não
> Francisco Floriano RJ Não
> Giacobo PR Não
> Inocêncio Oliveira PE Não
> Izalci DF Não
> João Carlos Bacelar BA Não
> Lúcio Vale PA Não
> Maurício Quintella Lessa AL Não
> Maurício Trindade BA Não
> Milton Monti SP Não
> Neilton Mulim RJ Sim
> Paulo Feijó RJ Não
> Paulo Freire SP Não
> Tiririca SP Não
> Valdemar Costa Neto SP Não
> Vicente Arruda CE Não
> Vinicius Gurgel AP Não
> Wellington Fagundes MT Não
> Wellington Roberto PB Não
> Zoinho RJ Não
> Total PR: 26
> PRB
> Acelino Popó BA Sim
> Antonio Bulhões SP Sim
> Cleber Verde MA Sim
> George Hilton MG Sim
> Heleno Silva SE Sim
> Jhonatan de Jesus RR Sim
> Márcio Marinho BA Sim
> Otoniel Lima SP Sim
> Vilalba PE Sim
> Vitor Paulo RJ Sim
> Total PRB: 10
> PRP
> Jânio Natal BA Não
> Total PRP: 1
> PSB
> Abelardo Camarinha SP Não
> Alexandre Roso RS Não
> Antonio Balhmann CE Não
> Ariosto Holanda CE Sim
> Audifax ES Sim
> Domingos Neto CE Não
> Dr. Ubiali SP Sim
> Fernando Coelho Filho PE Sim
> Givaldo Carimbão AL Sim
> Glauber Braga RJ Sim
> Janete Capiberibe AP Sim
> Jonas Donizette SP Sim
> José Stédile RS Sim
> Júlio Delgado MG Sim
> Keiko Ota SP Sim
> Laurez Moreira TO Não
> Leopoldo Meyer PR Sim
> Luiz Noé RS Sim
> Luiza Erundina SP Sim
> Mauro Nazif RO Não
> Paulo Foletto ES Sim
> Romário RJ Não
> Sandra Rosado RN Não
> Severino Ninho PE Sim
> Valtenir Pereira MT Não
> Total PSB: 25
> PSC
> Andre Moura SE Não
> Antônia Lúcia AC Não
> Carlos Eduardo Cadoca PE Não
> Costa Ferreira MA Não
> Deley RJ Abstenção
> Edmar Arruda PR Não
> Hugo Leal RJ Sim
> Lauriete ES Não
> Leonardo Gadelha PB Não
> Mário de Oliveira MG Não
> Nelson Padovani PR Não
> Pastor Marco Feliciano SP Não
> Ratinho Junior PR Não
> Zequinha Marinho PA Não
> Total PSC: 14
> PSD
> Ademir Camilo MG Não
> Armando Vergílio GO Não
> Arolde de Oliveira RJ Não
> Átila Lins AM Não
> Carlos Souza AM Não
> César Halum TO Não
> Danrlei De Deus Hinterholz RS Não
> Diego Andrade MG Não
> Dr. Paulo César RJ Sim
> Edson Pimenta BA Não
> Eleuses Paiva SP Não
> Eliene Lima MT Não
> Fábio Faria RN Não
> Felipe Bornier RJ Sim
> Fernando Torres BA Não
> Francisco Araújo RR Não
> Geraldo Thadeu MG Não
> Guilherme Campos SP Não
> Guilherme Mussi SP Sim
> Hélio Santos MA Não
> Heuler Cruvinel GO Não
> Homero Pereira MT Não
> Hugo Napoleão PI Não
> Irajá Abreu TO Não
> Jefferson Campos SP Não
> Jorge Boeira SC Não
> José Carlos Araújo BA Não
> José Nunes BA Não
> Júlio Cesar PI Não
> Junji Abe SP Não
> Liliam Sá RJ Sim
> Manoel Salviano CE Não
> Moreira Mendes RO Não
> Nice Lobão MA Não
> Onofre Santo Agostini SC Não
> Paulo Magalhães BA Não
> Raul Lima RR Não
> Reinhold Stephanes PR Não
> Ricardo Izar SP Sim
> Roberto Santiago SP Sim
> Sérgio Brito BA Não
> Silas Câmara AM Sim
> Walter Tosta MG Sim
> Total PSD: 43
> PSDB
> Alberto Mourão SP Sim
> Alfredo Kaefer PR Não
> Andreia Zito RJ Sim
> Antonio Carlos Mendes Thame SP Não
> Antonio Imbassahy BA Sim
> Berinho Bantim RR Não
> Bonifácio de Andrada MG Não
> Bruno Araújo PE Não
> Carlos Alberto Leréia GO Não
> Carlos Brandão MA Não
> Carlos Sampaio SP Sim
> Cesar Colnago ES Sim
> Domingos Sávio MG Não
> Duarte Nogueira SP Não
> Dudimar Paxiúba PA Não
> Eduardo Barbosa MG Sim
> Emanuel Fernandes SP Sim
> Fernando Francischini PR Não
> João Campos GO Não
> Jorginho Mello SC Não
> Jutahy Junior BA Sim
> Leonardo Vilela GO Não
> Luiz Carlos AP Não
> Luiz Fernando Machado SP Sim
> Luiz Nishimori PR Não
> Mara Gabrilli SP Sim
> Marcio Bittar AC Não
> Marco Tebaldi SC Não
> Marcus Pestana MG Sim
> Nelson Marchezan Junior RS Não
> Nilson Leitão MT Não
> Otavio Leite RJ Sim
> Paulo Abi-Ackel MG Não
> Raimundo Gomes de Matos CE Não
> Reinaldo Azambuja MS Não
> Ricardo Tripoli SP Sim
> Rodrigo de Castro MG Sim
> Rogério Marinho RN Não
> Romero Rodrigues PB Sim
> Rui Palmeira AL Sim
> Ruy Carneiro PB Sim
> Sergio Guerra PE Não
> Vanderlei Macris SP Sim
> Vaz de Lima SP Sim
> Walter Feldman SP Sim
> Wandenkolk Gonçalves PA Não
> William Dib SP Sim
> Zenaldo Coutinho PA Sim
> Total PSDB: 48
> PSL
> Dr. Grilo MG Sim
> Total PSL: 1
> PSOL
> Chico Alencar RJ Sim
> Ivan Valente SP Sim
> Jean Wyllys RJ Sim
> Total PSOL: 3
> PT
> Afonso Florence BA Sim
> Alessandro Molon RJ Sim
> Amauri Teixeira BA Sim
> André Vargas PR Sim
> Angelo Vanhoni PR Sim
> Antônio Carlos Biffi MS Sim
> Arlindo Chinaglia SP Sim
> Artur Bruno CE Sim
> Assis Carvalho PI Sim
> Assis do Couto PR Sim
> Benedita da Silva RJ Sim
> Beto Faro PA Sim
> Bohn Gass RS Sim
> Cândido Vaccarezza SP Sim
> Carlinhos Almeida SP Sim
> Carlos Zarattini SP Sim
> Chico D`Angelo RJ Sim
> Cláudio Puty PA Sim
> Dalva Figueiredo AP Sim
> Décio Lima SC Sim
> Devanir Ribeiro SP Sim
> Domingos Dutra MA Sim
> Dr. Rosinha PR Sim
> Edson Santos RJ Sim
> Erika Kokay DF Sim
> Eudes Xavier CE Sim
> Fátima Bezerra RN Sim
> Fernando Ferro PE Sim
> Fernando Marroni RS Sim
> Francisco Praciano AM Sim
> Gabriel Guimarães MG Sim
> Geraldo Simões BA Sim
> Henrique Fontana RS Sim
> Iriny Lopes ES Sim
> Jesus Rodrigues PI Sim
> Jilmar Tatto SP Sim
> João Paulo Lima PE Sim
> João Paulo Cunha SP Sim
> José Airton CE Sim
> José De Filippi SP Sim
> José Guimarães CE Sim
> José Mentor SP Sim
> Josias Gomes BA Sim
> Leonardo Monteiro MG Sim
> Luci Choinacki SC Sim
> Luiz Alberto BA Sim
> Luiz Couto PB Sim
> Luiz Sérgio RJ Sim
> Márcio Macêdo SE Sim
> Marco Maia RS Art. 17
> Marcon RS Sim
> Marina Santanna GO Sim
> Miguel Corrêa MG Sim
> Miriquinho Batista PA Sim
> Nazareno Fonteles PI Sim
> Nelson Pellegrino BA Sim
> Newton Lima SP Sim
> Odair Cunha MG Sim
> Padre João MG Sim
> Padre Ton RO Sim
> Paulo Ferreira RS Sim
> Paulo Pimenta RS Sim
> Paulo Teixeira SP Sim
> Pedro Eugênio PE Sim
> Pedro Uczai SC Sim
> Policarpo DF Sim
> Reginaldo Lopes MG Sim
> Ricardo Berzoini SP Sim
> Rogério Carvalho SE Sim
> Ronaldo Zulke RS Sim
> Rubens Otoni GO Sim
> Sibá Machado AC Sim
> Taumaturgo Lima AC Sim
> Valmir Assunção BA Sim
> Vander Loubet MS Não
> Vanderlei Siraque SP Sim
> Vicente Candido SP Sim
> Vicentinho SP Sim
> Waldenor Pereira BA Sim
> Zé Geraldo PA Sim
> Total PT: 80
> PTB
> Alex Canziani PR Não
> Antonio Brito BA Não
> Arnaldo Faria de Sá SP Não
> Arnon Bezerra CE Não
> Celia Rocha AL Não
> Jorge Corte Real PE Não
> José Augusto Maia PE Sim
> Josué Bengtson PA Não
> Magda Mofatto GO Não
> Nelson Marquezelli SP Não
> Nilton Capixaba RO Não
> Ronaldo Nogueira RS Não
> Sérgio Moraes RS Não
> Silvio Costa PE Não
> Walney Rocha RJ Não
> Total PTB: 15
> PTC
> Edivaldo Holanda Junior MA Sim
> Total PTC: 1
> PTdoB
> Lourival Mendes MA Não
> Luis Tibé MG Não
> Rosinha da Adefal AL Sim
> Total PTdoB: 3
> PV
> Alfredo Sirkis RJ Sim
> Antônio Roberto MG Sim
> Dr. Aluizio RJ Sim
> Henrique Afonso AC Sim
> Paulo Wagner RN Sim
> Penna SP Sim
> Roberto de Lucena SP Sim
> Rosane Ferreira PR Sim
> Sarney Filho MA Sim
> Total PV: 9

Não vamos aceitar a crueldade contra os animais

Encontro de mulheres produtoras no Sertão do Pajeú


Rio+20 é tema de discussão desse Encontro


Entre os dias 02 e 04 de maio, a Casa da Mulher do Nordeste realiza no Sertão do Pajeú um encontro para discutir a “crise climática” e seus impactos sobre as mulheres, tema que será discutido na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece no Rio de Janeiro em Junho de 2012. Está previsto a participação de 80 mulheres agricultoras e artesãs de Recife e Região Metropolitana, Sertão do Pajeú e do Nordeste.


A programação abre com a mesa sobre Incidência em Políticas Públicas: Rio + 20, com a presença de Nara Correa, do Comitê Pernambucano para o Rio+20, Dilce Feitosa, ativista do movimento ambientalista, e Gabriela Monteiro, assessora do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste.  No segundo dia, as mulheres do projeto Tecendo um Nordeste Solidário apresentam experiências interessantes no campo ambiental e produtivo no chamado “Carrossel de experiências”, momento em que são socializadas ações dos grupos de produção para um desenvolvimento social e sustentável. No mesmo dia, debatem com Lia Beltrão, da aliança Empreendedora, sobre Gestão Produtiva e Sustentabilidade.


O evento promete ser um espaço de reflexão e de socialização de práticas por um modelo de desenvolvimento sustentável, com o objetivo de fortalecer a participação das mulheres no processo preparatório da Rio+20.

Sobre a Rio+20 - De 21 a 23 de Junho, o Rio de Janeiro será sede da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a chamada Rio+20. O evento celebrará os 20 anos da ECO92, considerada até hoje a mais importante conferência ambiental mundial por ter incorporado os desafios ambientais e climáticos na agenda política global e ter consagrado o conceito de desenvolvimento sustentável.  Entre os temas que estão na pauta oficial estão: a economia verde no contexto de erradicação da pobreza; a governança ambiental global, e uma avaliação dos ciclos de Conferências da ONU nos anos 90.  Em paralelo a Rio+20 acontece a Cúpula dos Povos que reunirá movimentos sociais e organizações da sociedade civil organizada, na realização de um espaço plural de denúncia das causas estruturais da crise global e das novas formas de reprodução do capital.

Serviço:
Seminário Incidência em Políticas Públicas: Rio + 20.
Dias: 02 a 04 de maio
Hora: 9h
Local: Hotel de Brotas – Afogados da Ingazeira, Pernambuco.

 Contato:
Assessoria de Comunicação da Casa da Mulher do Nordeste
Emanuela Castro , Pingos nos Is - Comunicação e Sistematização
(81) 9193.2315

sábado, 28 de abril de 2012

Código Florestal: VETA, DILMA


Ruralistas dão motivos para Dilma vetar mudanças no Código Florestal

Rompendo acordo com governo, ruralistas lideram aprovação do Código Florestal na Câmara, ampliando retrocessos do texto elaborado no Senado. A presidenta Dilma ainda não se manifestou, mas possui uma lista de motivos para utilizar sua prerrogativa de veto: o rompimento do acordo por parte dos ruralistas, seus compromissos de campanha de não aprovar nada que aumente o desmatamento e promova a anistia de desmatadores e a pressão internacional às vésperas da Rio+20. A reportagem é de Vinicius Mansur.

Brasília - Por 274 votos a favor, 189 contrários e 2 abstenções, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (25), o relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) que modifica o Código Florestal, impondo sérios retrocessos à legislação ambiental brasileira.

O resultado foi uma derrota para o governo federal que defendia a aprovação na íntegra do texto definido pelo Senado, no final do ano passado, ao qual considerava fruto de um acordo com os representantes do agronegócio no parlamento. Reiteradas falas do governo anunciaram que o texto dos senadores não era o ideal, mas o possível de ser alcançado pela mediação dos interesses presentes no Congresso Nacional. 

A bancada ruralista na Câmara, entretanto, manteve-se fiel apenas ao seu programa e incorporou mais de vinte alterações ao texto do Senado, que já representava um retrocesso na legislação ambiental para organizações sociais diversas, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Via Campesina, ONGs como Greenpeace, SOS Mata Atlântica e Instituto Socioambiental, entre outras.

A expectativa destas organizações é de que a presidenta Dilma Roussef vete as mudanças para proteger o Código Florestal. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse na terça-feira (24) que a presidenta vetaria o texto, caso ele fosse aprovado com as alterações propostas por Piau. 

De tudo que foi apresentado pelo relator, apenas uma proposta não vingou. Mas, por força do regimento interno e não da vontade de Piau ou da maioria do plenário. A proposta que retirava a necessidade de recomposição de 15 metros da mata ciliar de rios com até 10 metros de largura foi recusada por se tratar de um texto já aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado nos turnos anteriores de tramitação.

A presidenta Dilma ainda não se manifestou, mas possui uma lista de motivos para utilizar sua prerrogativa de veto: o rompimento do acordo por parte dos ruralistas, seus compromissos de campanha de não aprovar nada que aumente o desmatamento e promova a anistia de desmatadores e a pressão internacional às vésperas da Rio+20.

Gozando de popularidade recorde, tendo em mãos um projeto cuja antipatia da população é comprovada por pesquisas de opinião e contando com apoio de setores expressivos da imprensa, de movimentos e organizações sociais, da ciência e da religião, a presidenta tem um amplo ambiente favorável para enfrentar a decisão de numerosos deputados e o desgaste político que dele pode ser oriundo.

Paulo Piau chegou a desafiar o governo no primeiro dia de votação. "Se vetar, nós derrubamos o veto", disse, acompanhado pelo líder do PMDB e futuro presidente da Câmara em 2013, Henrique Eduardo Alves (RN).

A Constituição permite à Dilma vetar dispositivos - artigos, incisos ou alíneas – inteiros, e não partes deles, ou o texto completo. Para tal, ela terá 48 horas, contadas a partir do recebimento do projeto aprovado na Câmara, para comunicar o presidente do Congresso Nacional, o senador José Sarney (PMDB-AP), justificando as razões do veto. A decisão presidencial poderá ser derrubada pela maioria absoluta, metade mais um, de cada Casa, ou seja, por 257 deputados e 41 senadores. E aí reside o maior perigo para o governo em caso de veto. Na Câmara, os ruralistas comprovaram que sua proposta é majoritária. Restaria saber como se comportariam os senadores neste novo cenário. A apreciação de vetos presidenciais são realizadas por meio de voto secreto.

Mudanças 
Entre as novas mudanças aprovadas no Código Florestal está a retirada da obrigação de divulgar na internet os dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro cartográfico dos imóveis rurais que facilita o monitoramento das produções agropecuárias e a fiscalização de desmatamentos. Assim como excluíram o artigo que exigia a adesão de produtores ao CAR em até cinco anos para o acesso ao crédito agrícola.

O Ibama não poderá bloquear a emissão de documento de controle de origem da madeira de estados não integrados a um sistema nacional de dados.
Os estados da Amazônia Legal com mais de 65% do território ocupado por unidades de conservação pública ou terras indígenas poderão diminuir a reserva legal em propriedades em até 50%.

Foi derrubada a obrigatoriedade de recompor 30 metros de mata em torno de olhos nascentes de água nas áreas de preservação permanente ocupadas por atividades rurais consolidadas até 22 de julho de 2008. Foi retirada ainda do texto a regra de recomposição de vegetação nativa em imóveis de agricultura familiar e naqueles com até quatro módulos em torno de rios com mais de 10 metros de largura.

Também foi retirada a definição de pousio, período sem uso do solo para sua recuperação, que permitia a interrupção de, no máximo, cinco anos de até 25% da área produtiva da propriedade. Com isso, áreas ilegalmente desmatadas há mais de uma década, mas hoje com florestas em recuperação serão automaticamente consideradas como produtivas e, assim, poderão ser legalmente desmatadas. Como também retirou-se o conceito de área abandonada, prejudica-se a reforma agrária, pois já não haverá terras subutilizadas por especuladores, mas apenas áreas “em descanso”.

Também foi retirado do texto a necessidade de os planos diretores dos municípios, ou suas leis de uso do solo, observarem os limites gerais de áreas de preservação permanente (APPs) em torno de rios, lagos e outras formações sujeitas a proteção em áreas urbanas e regiões metropolitanas. Também foi aprovado o destaque que não considera apicuns e salgados como APP.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Um Instituto que faz falta

Onde está nosso Instituto Machado de Assis (sem diminuir outros escritores)? Não existe. Consta que depende de uma quezília entre o Itamaraty e o Ministério da Cultura, sobre quem seria o pai e a mãe da idéia. Enquanto isso, o Brasil carece de uma política orgânica promotora de sua cultura e de sua língua.

Li, entre comovido e entusiasmado, a palestra da presidenta Dilma Roussef aos formandos do Instituto Rio Branco, nesta página. Comovido: nossa presidenta, resgatada da nossa história de ditaduras insondáveis, dirige-se ao nosso corpo diplomático. Entusiasmado: ela, vinda desse passado sofrido e sofrível, dirige-se ao futuro da nossa diplomacia.
Mas...
Faltou algo.
A presidenta, com toda razão, afirmou que era necessário ter engenheiros, físicos e matemáticos entre os diplomatas. Certeiro. Talvez tenha até esquecido os químicos, os biólogos, e outros cientistas das exatas e das ciências da vida.
Mas e a vida cultural?
A diplomacia brasileira – sou testemunha disso – é das mais brilhantes e reconhecidas internacionalmente, pela formação e pelo desempenho. Mas o esforço da representação internacional pela cultura brasileira ainda deixa a desejar. E eu vivo numa cidade – Berlim – em que a presença cultural da Embaixada Brasileira é amplamente reconhecida e festejada.
Então onde deixa a desejar?
Não vejo um esforço sistemático para promover a cultura brasileira, nem nossa língua, nem nossa já reconhecida presença cultural no mundo.
Em termos de hegemonia internacional, cultura é peça fundamental no jogo de poder e presença. Olhem os Estados Unidos e a China: o primeiro, decadente, a segunda, emergente. Mas há um fator cultural inamovível. Para o bem e para o mal, ninguém quer ser como a China, a não ser os chineses (e com todo o direito); mas os Estados Unidos seguem sendo um modelo de “way of life”. Como eu disse, para o bem e para o mal.
Trocando em miúdos e em graúdos, num mundo em que a Europa afunda em crise – em particular a península Ibérica – olho para ela e fico com inveja dos Institutos Camões e Cervantes.
Onde está nosso Instituto Machado de Assis (sem diminuir outros escritores)? Não existe. Consta que depende de uma quezília entre o Itamaraty e o Ministério da Cultura, sobre quem seria o pai e a mãe da idéia. Enquanto isso, o Brasil carece de uma política orgânica promotora de sua cultura e de sua língua. E num momento em que estudantes pela Europa inteira querem estudar o português do Brasil, cada vez mais.
Tudo bem: louvemos os futuros engenheiros, matemáticos, físicos e vizinhos dessas áreas “exáticas”, que desejadamente se tornarão diplomatas. Mas não esqueçamos do quanto a diplomacia brasileira deve a Martins Pena, Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Aluísio Azevedo, Raul Bopp, Erico Verissimo, Guimarães Rosa, Viana Moog e outros e outras.
Não é uma forma de saudosismo.
É também uma forma de pensar o futuro.
Machado de Assis nunca viajou ao exterior. Está na hora dele empreender essa viagem, sob a forma de seu instituto.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sobre a corrupção


A instalação da CPI sobre a possível rede criminosa do contraventor Cachoeira abre uma extraordinária oportunidade de investigar a fundo, não só um caso concreto, mas os métodos, a cultura, a simbiose entre o sistema político, o Estado e as organizações criminosas politizadas. Estas não só interferem na pauta administrativa dos governos, mas também na pauta política dos partidos e podem mancomunar-se com órgãos de imprensa para transitar interessses econômicos e políticos. O artigo é de Tarso Genro.

Ao contrário do que torcem - e em parte patrocinam significativos setores da mídia - não está se abrindo uma crise com a instalação da CPI sobre a possível rede criminosa do contraventor Cachoeira. Abre-se, sim, uma extraordinária oportunidade de investigar a fundo, não só um caso concreto, mas os métodos, a cultura, a simbiose (às vezes espontânea e no mais das vezes deliberada), entre o sistema político, o Estado e as organizações criminosas politizadas. Estas, como já está provado, não só interferem na pauta administrativa dos governos, mas também na pauta política dos partidos e podem mancomunar-se com órgãos de imprensa para transitar, ou interesses de grupos econômicos -criminosos ou não- ou interesses dos diferentes partidos aos quais estes órgão são simpáticos.

Para que esta oportunidade seja aproveitada é necessário, porém, que a CPI tenha a predominância de parlamentares que não tenham medo. Não tenham medo de que o seu passado seja revelado - um passado complicado fragilizaria o resultado da CPI -, não tenham medo de ser achincalhados pela imprensa, pois à medida que contrariarem os interesses que ela defende serão ridicularizados por algum motivo ou atacados na sua honradez. Não tenham medo, sobretudo, de encontrar algum resíduo de envolvimento seu, na teia de interesses, manipulada pelo grupo ora apontado como criminoso.

Uma parte da esquerda, na defensiva em função do cerco a que foi submetida principalmente no primeiro governo do Presidente Lula, convenceu-se que as denúncias feitas pela imprensa não passavam de montagens para nos desgastar. Ora, é razoável supor que muitas denúncias são forjadas (em função de brigas entre empreiteiras, por exemplo, ou para desmoralizar lideranças que são importantes para os governos), mas tomar as denúncias como produto de uma conspiração é errado. É deixar de lado que o estado brasileiro, historicamente cartorial, bacharelesco, barroco nos seus procedimentos e forjado sob o patrocínio do nosso liberalismo pouco republicano, tem um sistema político-eleitoral e partidário, totalmente estimulante aos desvios de conduta e às condutas que propiciam a corrupção.

O uso que a mídia faz dos eventos de corrupção, para tentar destruir o PT e a esquerda é, na verdade, um elemento da luta política por projetos diferentes de estado e de democracia. São diferentes concepções de republicanismo que estão em jogo, entre um republicanismo elitista e “globalizado” pelo capital financeiro e um republicanismo plebeu, participativo e aberto aos movimentos dos “de baixo”. Este, considera urgente a redução das desigualdades sociais e regionais, mesmo que isso se choque contra as receitas dos FMI e do Banco Central Europeu: um republicanismo do Consenso de Washington e um republicanismo do anti-Consenso de Washington, é o que está em jogo.

O fato, porém, da corrupção ser “usada” pela mídia, nas suas campanhas anti-esquerda, não quer dizer que ela não exista, inclusive no nosso meio. Então, o que se trata, não é de "amaciar" os fatos, mas de disputar o seu “uso” - o tratamento político dos fatos - para fortalecer uma das duas principais concepções de República que caracterizam o grande embate político nacional na atualidade. O “aceite” deste embate político tem um terreno fértil na CPI, em instalação, e a esquerda brasileira poderá agora, se tiver uma estratégia unitária adequada, amalgamar um conjunto de forças em torno dos seus propósitos republicanos e democráticos.

A atual CPI, ao que tudo indica, vai se debruçar sobre um sofisticado sistema duplamente criminoso: ele promove diretamente, de um lado, a apropriação de recursos públicos para fruição de grupos privados criminosos (através da corrupção) e, de outra parte, promove a deformação ainda maior do sistema político (através de criação de agendas políticas), para cooptar pessoas, vincular mandatos ao crime e, também, certamente, financiar campanhas eleitorais. Se de tudo que está sendo publicado 50% for verdadeiro trata-se de um patamar de organização superior da corrupção, que já adquire um estatuto diferenciado. Nele, o crime e a política não apenas interferem-se, reciprocamente, mas já compõem um todo único, com alto grau de organicidade e sofisticação. 

O pior que pode acontecer é que a condução da CPI não permita investigações profundas e que seus membros, eventualmente, cortejem mais os holofotes do que a busca da verdade, ou que ocorram acordos para “flexibilizar” resultados, por realismo eleitoral. Nesta hipótese, ficarão fortalecidos aqueles que hoje estão empenhados em desgastar a esfera da política, que significa relativizar, cada vez mais, a força das instituições do estado e o sentido republicano da nossa democracia. 

Este serviço, aliás, já está sendo feito pela oposição de direita ao governo Dilma, pois já conseguiram semear a informação que o governo “está preocupado” com os resultados da CPI. A oposição demo-tucana faz isso com objetivos muitos claros: para que todos esqueçam as raízes partidárias profundas, já visíveis, neste escândalo de repercussão mundial, mas que também é uma boa oportunidade de virada republicana na democracia brasileira.

(*) Tarso Genro é governador do Estado do Rio Grande do Sul.
Fonte:Carta Maior