Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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sábado, 8 de dezembro de 2012

Dona Pandá vai às Alterosas III




Após o almoço oferecido pela sobrinha, Dona Pandá e a mana aniversariante foram para o Catita. Como a viajante havia prometido, vai mostrar com belas imagens o lugar de que já falara antes de sua ida às Alterosas.  Assim,  a postagem sobre o Catita está sendo reeditada com as fotos.


Dona Pandá está de novo com as malas prontas. Desta vez vai para as Alterosas comemorar o aniversário de sua irmã. Em mais uma demonstração de sua sabedoria, a aniversariante - que é sagitário - decidiu fazer a festa no Parque Inhotim, em Brumadinho, cercanias de Belô.

A mana sábia mora em um belo sítio, chamado Catita. Este nome é uma extensão do apelido carinhoso que seu companheiro lhe deu.

Na realidade, o sítio se chama Catita II. Houve o Catita I que ficava em uma região inóspita, povoada por amigos do alheio. Cansados de alimentar mesas, camas e outras cositas más de gente, cujas caras desconheciam, o casal vendeu o I e comprou o II.

Este se localiza em um condomínio chamado “Vale do Ouro” e fica às margens da BR 140, aquela que leva quem gosta de estrada de Belo Horizonte a Brasília. O lugar é aprazível – é pena que é fechado, seguro para quem está dentro – e o sítio, lindo, à imagem e semelhança da dona.



Dona Pandá confessa desavegonhosamente sua inveja pelos talentos da mana.Talentos múltiplos, mas a inveja é principalmente direcionada à estética. A mana sábia é cultuadora do belo, com extrema competência.



O Catita é todo um jardim com vários temas-recantos (seria recantos-temas?). Agora, é a época dos flamboaiãs que ficam trazendo e mostrando, durante todo o dia, o pôr-do-sol nas suas flores flamantes. Enquanto o mortal se embebeda com as cores, num pequeno desvio, os olhos alimentam a gula com as também bonitas, mas, sobretudo, deliciosas lichias que já estão anunciando as festas. O mortal dá um passo em direção aos outros flamboaiãs, seus olhos descuidadamente se abaixam um bocadinho e lá estão, ao pé da maravilha flambante, as orquídeas, tão lindas quanto tudo ao redor.





A composição dos recantos-temas mostra a sensibilidade da moradora. De um lado, o pomar generoso que privilegia o gosto de cada um. Dona Pandá recolhe as grapefruits para degustá-las com sal, como uma entrada tentadora e difícil de encontrar. A grande maioria das visitas prefere as negrinhas e dulcíssimas jabuticabas.
Dona Pandá está assumindo sua dificuldade de descrever a criação da mana, mas promete relatar com poucas palavras e mais imagens sua visita ao Catita.

Promessa cumprida com prazer.

Crédito das fotos: Mila Lemos Cintra


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Dona Pandá vai às Alterosas II


Almoço com quem vai chegar

                                   À Milza, Gabi e Guto

Depois de uma noite repousante na Sossego, Dona Pandá ganhou uma carona do cunhado até a rodoviária de Lagoa Santa, onde pegou o ônibus para Belo Horizonte. Lá, o motorista do táxi, como de hábito, pediu o destino da passageira que prontamente lhe respondeu: - Santa Efigênia.
- Pois não, senhora. Em que rua de Santa Efigênia?
-Dona Pandá se atrapalhava com o celular que, como é de hábito, lhe mostrava uma gentil mensagem na tela, sem dar conta de sua principal função, fazer um telefonema. O motorista:
- Senhora, em que rua a senhora vai? – E o celular dizia: - Dê dois toques para desbloquear. – Os dedos da aflita passageira obedeciam e a ligação, neca de pitibiriba. O motorista insistia na pergunta, enquanto Dona Pandá tentava chegar a um acordo com o celular, consciente de que aquela ligação precisava ser feita urgentemente, pois o carro corria pela ruas milagrosamente desertas de Belo Horizonte.
Ela só podia repetir:  - Já lhe digo...
– Estamos chegando a Santa Efigência...
- Espera aí, estou conseguindo a ligação. – E no telefone: - Já estou no táxi, qual o seu endereço? – Do outro lado da linha, a irmã que trocou de apartamento e Dona Pandá não sabia o novo endereço:
- Fala para o motorista ir até a Contorno...- Dona Pandá repetia em voz alta para o motorista que já levantava a voz:
- Já saímos da av. Contorno, qual a rua? – O telefone achando que precisava mostrar que não era um simples telefone, começou a chamar a atenção com ruídos diferentes e novas mensagens de tela, enquanto Dona Pandá, desconsolada, informava:
- Parece que a ligação caiu. – O motorista tirou o seu celular do painel e perguntou:
 – Qual é o número? – Ele, desconfiado da possibilidade de sua passageira conseguir usar um telefone celular, discou ele próprio e, em seguida, lhe passou o aparelho, dizendo:
 - Pronto, agora, é só falar. Diga para ela dar o nome da rua, eu estou na praça há 20 anos, sei chegar a qualquer lugar de Santa Efigência. – Dona Pandá se sentindo absolutamente imbecilizada, pegou o telefone e ouviu a irmã dizer:
- Já estou em frente ao prédio, esperando. - E e a passageira repete em voz alta:
- Ela já está em frente ao prédio. – E o motorista:
 - Pelo amor de deus, qual é a rua? – Dona Pandá que já estava com real dificuldade de raciocínio, repete:
 - Qual é a rua?
- Tenente... – O ágil motorista completa:
 - Já sei e o número?
- O celular, que funcionara tão prontamente, solidarizou-se com o aparelho paulista e desligou, deixando as falas para o ar e a passageira olhando incrédula aquele objeto mais estranho em sua mão. 
Toca, então, o seu próprio celular e a passageira aflitíssima, sem se preocupar em identificar a chamada, grita:
- O número do prédio? - Uma voz desconhecida responde:
- Vai gritar no ouvido da vovozinha! Quero falar com o Afrânio. – Dona Pandá com um suspiro consegue desligar e dizer baixinho:
- Era engano!
- Qual é o número? - Continua insistindo o perplexo motorista - Estamos na rua Tenente ... – - Qual é o número? – Então, a passageira, dando um pulo no banco e mostrando com todo o seu braço para frente:
- É ela, é minha irmã.
- Aquela que está abanando os braços com um pedaço de pano levantado? E os dois soltam, em uníssono, um prolongado e alto suspiro. 
Ao descer do carro, Dona Pandá ficou entre a delícia do abraço da mana e sua bronca por não ter se comunicada antes de pegar o táxi. Rindo, afinal, as duas abrem a porta do elevador e... a grande surpresa, lá estava a sobrinha e, na barrigona, quem vai chegar . Toda gentil conta que está preparando o almoço e uma pequena reunião – o pai de quem vai chegar  e a avó – a terceira irmã de Dona Pandá.
Só um pequeno parênteses: a avó - que é médica - colocou na internet todas as "fotos", com complicadas legendas, tiradas nas seções de ultrassom. Ela conseguia ver as parecenças do pezinho da neta com o seu. 

A gentil e linda sobrinha com quem vai chegar na barrigona
Dona  Pandá teve, pois, outra deliciosa recepção, além de ver quase toda a família e comer gostosamente, conheceu o novo apartamento da mana e o quarto já  preparado de quem  vai chegar.
O motivo escolhido para o quarto é coruja, o que imediatamente levou Dona Pandá a perguntar se a sobrinha-neta, que vai morar naquele lindo espaço, está predestinada a ser filósofa.
A família está na grande espera que deverá ser para as vésperas do natal, ou quem sabe se irá coincidir com o aniversário do ansioso papai. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dona Pandá vai às Alterosas I


 Visita à Sossego
               Para Mila e Gilbert que me levaram a revisitar Lagoa Santa

Dona Pandá está ansiosa para contar sua última viagem e, como prometeu, quer falar pouco – esta escrivinhadora está desafiando o leitor para uma aposta, nossa contadora de estórias não vai conseguir ficar de boca fechada – e mostrar mais, colocando muitas fotos. Estas são de autoria da maninha caçula que gentilmente as gravou num pen drive. Dona Pandá já saiu daqui com a intenção de explorar os dotes fotográficos da mana, pois lá chegando logo deu um jeitinho de passar o pen drive vazio para ser preenchido pelas paisagens mineiras.
Dona Pandá fez sua primeira parada justo na Sossego, casa da mana-fotógrafa, seu maridão e os seus cachorrinhos Petit e Bela. A Sossego fica em Lagoa Santa e aí vai um pouco do que é essa cidade simpática da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo o site da Prefeitura, a cidade encontra-se a 800 metros de altitude,
possui 231,9 km² de área e uma população de 54 526 habitantes (IBGE/2010).
Está localizada a 35 km de Belo Horizonte, 776 km de Brasília, 553 km do Rio 
de Janeiro e 641 km de São Paulo. É uma região calcária situada na Bacia
Média do Rio das Velhas, formada por Planaltos com relevos pouco acentuados,
clima tropical e temperatura média anual de 22º.

Felipe Rodrigues, um tropeiro, chegou a Lagoa das Congonhas do Sabarabuçu
sofrendo com eczemas na sua perna, parece que era a direita. Sentou-se à 
beira da água e começou a lavar suas partes dolorosas e, surpreso, sentiu
grande alívio. Acampou ali mesmo, onde ficou alguns dias se lavando na Lagoa. Rapidamente obteve a cicatrização daquelas incômodas feridas. Isto foi no ano de 1733, quando, fazendo justiça àquelas águas, passou a chamar o lugar de Lagoa
Santa
A notícia da cura milagrosa logo se espalhou pelos arredores e o pequeno
arraial passou a receber peregrinos em busca da cura para seus males. 
A perenidade da lagoa é atestada pelos relatos dos naturalistas viajantes,
desde o século XVII. Sua profundidade não ultrapassa três metros, sendo que,
a aproximadamente 40 metros de sua base, encontra-se um aqüífero que
contribui para a sua existência. É também, em grande parte, alimentada por
águas pluviais. Seu formato é triangular e, no período das cheias, seu 
vertedouro lança suas águas no Rio das Velhas, através do Córrego do
Bebedouro.
A criação da freguesia (para os pouco afeitos à nossa história, o amigo Aurélio
nos informa: povoação, sob o aspecto eclesiástico, sempre a primeira a aparecer
era uma pessoa com batina, pedindo grana para a construção de uma capela,
que, depois sobe de posto e de tamanho, virando igreja) de Lagoa Santa se deu
em 1823, quando se separou da de Santo Antônio de Roças Grandes.
A padroeira Nossa Senhora da Saúde é culpada de uma festa onde todos da
cidade e cercanias se divertem,  no dia 15 de agosto. Nessa ocasião tocam as
bandas e os grupos de congados e folia de reis dançam pelas ruas alegres da
cidade. Uma das bandas, a Santa Cecília, foi criada por Peter Lund, o
naturalista dinamarquês que colocou Lagoa Santa em relevante lugar no
cenário científico mundial.
Peter Wilhelm Lund, em sua segunda visita ao Brasil, foi parar em Lagoa Santa,
onde se deixou fascinar pelas riquezas geológicas, paleontológicas e 
arqueológicas da região e acabou descobrindo inúmeras cavernas (dizem que
mais de 800). Lund era acompanhado de seu assistente e ilustrador Peter
Andreas Brandt que o ajudou a identificar rico material paleontológico, além 
de remanescentes esqueletais humanos. A partir desses achados foram 
identificados mais de 100 gêneros e 149 espécies de animais, sendo 19 gêneros
e 32 espécies extintas. Entre as lapas, grutas e cavernas exploradas a mais
importante se localiza na Lagoa do Sumidouro.


Dona Pandá resolveu, pela sua importância, citar aqui, um trecho que
encontrou no site da Prefeitura da cidade. Fica, pois, o leitor informado de que
o que está em itálico é dessa fonte.
Na maior parte do tempo, essa gruta (da L. do Sumidouro) fica alagada, 
tornando impossível qualquer tipo de exploração em seu interior. Ainda assim, 
durante eventos de seca intensa que ocorrem a cada 30 anos, o nível freático
fica tão baixo que é possível entrar nela. Em 1842 e 1843, durante um desses
grandes períodos de seca, Lund e Brandt escavaram os depósitos subterrâneos

da gruta do Sumidouro, que eles já desconfiavam serem muito antigos.
Neles, encontraram ossos humanos de muitos indivíduos associados a ossos de
animais extintos, convencendo-se da antiguidade temporal do homem 
americano. Foi nessa mistura de espécies extintas e ainda vivas que 
apareceram os restos enigmáticos do cavalo e do homem, todos no mesmo 
estado de decomposição, de modo a não deixar nenhuma dúvida sobre a 
coexistência desses seres, cujos restos foram enterrados juntos. Portanto, mais de
três décadas antes que a comunidade norte-americana sequer começasse a 
cogitar a existência do Homem Glacial americano, e mais de meio século antes
que as primeiras evidências nesse sentido fossem geradas, Peter Wilhelm Lund 
já estava convencido de que os primeiros americanos eram tão antigos que 
haviam convivido com os grandes animais extintos.

Lagoa Santa tornou-se município, em 1938. Dona Pandá recomenda um passeio
especial à Gruta da Lapinha, um lugar bonito inserido em uma paisagem linda.

Sem muito entusiasmo, Dona Pandá registra que é nessa bela e acolhedora
cidade que colocaram o maior aeroporto de Minas Gerais, o Tancredo Neves.

Voltemos à hospitaleira casa Sossego, onde Dona Pandá se deliciou com um 
bom vinho e o maravilhoso queijo da Canastra. O mais interessante e
agradável da Sossego, além de seus moradores, é o quintal-pomar-jardim. 
O casal é um verdadeiro aproveitador de espaço, veja pelas fotos.

     Calçada em frente à Sossego

   Uma vista do quintal


   O outro lado do quintal: jabuticabeira e algumas ervas (citronela, alecrim...) 


  A horta na frente do quintal (olha o cacho de bananas!)


                Varanda lateral


   Detalhe do jardim: amores perfeitos

Para finalizar, uma preciosidade: a flor que só abre durante uma única noite.

  A Rainha da Noite

Crédito das fotos: Mila Lemos Cintra
   

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A guerra contra a esquerda no Brasil


Lincoln Secco
(no blog Viomundo)

Os recentes atos públicos contra o julgamento político a que foram submetidos dirigentes petistas como José Dirceu e José Genoíno levaram setores da grande imprensa a tentar pautar o Partido dos Trabalhadores e o próprio governo Dilma, sugerindo que não lhes interessaria a defesa de réus condenados, pois eles pertenceriam ao passado.
Todavia a esquerda, e não só a do PT, felizmente tem outra avaliação. A judicialização da política e a politização da justiça aprofundam a repressão seletiva contra os movimentos sociais, restaurando práticas superadas na história do Brasil. A esdrúxula interpretação que o STF concedeu à assim chamada teoria do domínio do fato poderá e provavelmente será usada contra o MST, o movimento estudantil, os sindicalistas, etc.

Trata-se de uma inflexão que se põe na contramão do avanço democrático conquistado pelo país desde o fim da ditadura militar.

Entre nós, também a democracia passou a ser vista como um valor universal e se tornou cada dia mais difícil julgar os opositores segundo critérios assumidamente políticos. Como também se faz mais difícil manter políticas econômicas de gerenciamento de crises contra os trabalhadores por governos eleitos regularmente. Na arena militar tornou-se contraproducente defender guerras de agressão e de conquista dirigidas por “Estados Democráticos”.

Para contornar essas dificuldades, a primeira “solução” encontrada consiste em ver a economia como se fosse uma organização natural. Assim, as eleições se limitariam à escolha de gestores com maior ou menor sensibilidade social. A gestão da economia deveria ser encaminhada por técnicos e por funcionários de bancos centrais “independentes”.

A segunda saída dentro da “democracia” levou à retomada do conceito de guerra justa, praticada supostamente em nome de valores universais. As guerras contra Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria e Palestina foram “justificadas” a partir dessa doutrina.

A terceira, e que mais nos interessa no momento, consiste na tentativa de transformar demandas sociais e políticas em questões similares à da justiça comum. Trata-se de um retrocesso, até mesmo em relação ao velho presidente Washington Luiz, que explicitava o caráter repressivo de seu governo admitindo que a questão social era caso de polícia. Mas é também um retrocesso perante as práticas da própria ditadura militar a qual distinguia presos políticos e comuns.

Cabe reconhecer que se trata, por outro lado, de um avanço da sofisticação das formas de dominação. Assim como a economia é naturalizada e a guerra é “humanizada”, a ação política é limitada e penalizada pelo ordenamento jurídico que se justifica em nome de um suposto conteúdo “ético”.

Que o PT e o atual governo tenham se iludido acerca da correspondência necessária dessas manifestações com a atual fase de desenvolvimento do capitalismo não nos deve surpreender. Eles fazem parte do sistema no qual se colocam como polo antitético interno. A atual crise revela mais uma vez que o capital e seus governos buscam conter a queda da taxa média de lucro através da destruição de direitos duramente conquistados pelos trabalhadores. Claro, em nome da racionalidade econômica, da democracia e do Direito.

Afinal, ninguém pode reclamar da taxa de juros, posto que ela é um preço que se autodefine no mercado como qualquer outro. Ninguém deve se insurgir contra as agressões imperialistas, já que elas são intervenções humanitárias. E quem vai se levantar para defender “criminosos comuns”?

Que um julgamento seja um “marco histórico” justamente com dirigentes do PT no banco dos réus; que ministros do STF, numa simbiose estranha com os meios de comunicação, tenham cobertura televisiva de celebridades; que racistas contumazes tenham recentemente descoberto num negro um herói de ocasião; que o cerne da tese do procurador-geral da República seja comprovadamente falsa; que os crimes eleitorais de alguns dos acusados (graves em si mesmos) tenham se transformado “em maior atentado à República”; que o ex-ministro José Dirceu, contra quem não se encontrou prova alguma, seja o mais gravemente apenado de todos os deputados julgados; tudo isso seria cômico se não fosse apenas o anúncio de uma guerra de extermínio contra a esquerda.

A maioria do eleitorado rejeitou o uso político de escândalos e literalmente votou contra o STF. Que juízes em nome de leis casuísticas possam cassar mandatos populares de pessoas eleitas pelo povo é um exercício de autoritarismo inédito em nosso país. A atual configuração da lei eleitoral procura tutelar o eleitor, considerando-o inapto para exercer seu democrático direito à livre escolha de seus representantes. Parte-se do primado “iluminista” de que os eleitores estão mergulhados nas trevas e não conhecem o passado e as ações dos candidatos. Mas, em nome de que princípio um juiz se arvora o direito de cassar a vontade popular?

É evidente que toda justiça corresponde à ideologia dominante, mas ela deve repelir a violação de ritos processuais que garantem a sua aparente neutralidade. A politização explícita da justiça cobrará o seu preço porque a história não para. Chegará o momento de limitar o mandato dos juízes e exigir sua escolha mediante eleições diretas. Que se comportem como políticos é mais do que normal. Mas não que sejam ditadores vitalícios.

Cuidado com as notícias, se você é honesto!

Dilma, Dirceu e Lula são alvo de notícias falsas na mídia conservadora 


Dirceu é foco de ataques na mídia conservadora

Diante da série de derrotas nas urnas, da perda diária de leitores para os meios alternativos de comunicação e pressionados pelas obrigações cada vez maiores das despesas e custos fixos com os quais precisam arcar, em um mercado publicitário abalado pela crise econômica mundial, jornais, rádios e canais de televisão pertencentes aos grupos empresariais ligados à direita, no Brasil, levantam o tom contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta Dilma Rousseff e o ex-ministro JoséDirceu, em novas e seguidas tentativas de desgastar a imagem pública dos principais líderes de esquerda no país. A rotina de investigações da Polícia Federal e os consequentes encerramentos de inquéritos, a exemplo daOperação Porto Seguro, transformam-se em espetáculos mediáticos nos quais Lula, Dilma e José Dirceu são imediatamente citados, sem nenhuma prova, nenhuma evidência de culpa.

A velha estratégia de manchetar o assunto no qual envolvem seus desafetos, lhes atribuir a tarefa de provar serem inocentes e, uma vez provada a inocência, consignar apenas um registro de rodapé tem sido uma constante nos últimos anos, mesmo sem resultados favoráveis à mídia conservadora. Em um texto encaminhado ao Correio do Brasil, José Dirceu registra este fato: “Encerradas as investigações, denunciados os responsáveis e finalizados os inquéritos, comprovou-se que eu nunca tive ligações com nada disso”.

“Encerrados a ‘temporada’ e o sucesso midiático do escândalo, silenciam quanto ao fato de nada ter se provado contra mim”, acrescentou o ex-ministro.

Ao contrário do que a imprensa conservadora se apressou em divulgar, nos últimos dias, também não existe qualquer registro de troca de telefonemas entre a ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa Noronha, e o ex-presidente Lula. A notícia, divulgada com estardalhaço nos maiores jornais do país, nas TVs e rádios de propriedade dos grandes grupos de comunicação, simplesmente é falsa. Quem garante é a procuradora da República Suzana Fairbanks, responsável pelas investigações que culminaram naOperação Porto Seguro – em que Noronha foi indiciada por suspeita de tráfico de influência e corrupção passiva. Os jornais mantidos pela direita no país chegaram a afirmar que foram centenas de telefonemas.

– Conversa dela com o Lula não existe. Nem conversa, nem áudio e nem e-mail. Se tivesse, nós já não estaríamos mais com a investigação aqui. Eu não sei de onde saiu isso, porque nunca tive acesso (a tal informação). Vocês podem virar de ponta cabeça o inquérito, em toda a investigação – afirmou a procuradora a jornalistas.

Sobre o ex-ministro José Dirceu, Fairbanks garante que, apesar de ele ter sido citado nos e-mails de Rosemary, também não há qualquer indício de sua participação no esquema.

– Não tem uma relação direta dele de sociedade ou de eventual lucro – pontuou.

A PF e a Procuradoria têm 600 páginas com conteúdo da investigação sobre a ex-chefe de gabinete, que foi exonerada do cargo, na segunda-feira. A PF recolheu e fez cópia da memória de computadores e documentos de Noronha, tanto de sua sala, no escritório da Presidência, como de sua casa. De acordo com a procuradora, Noronha, devido à posição que ocupava, tinha acesso a pessoas com “os cargos mais altos” e “vendia sua influência”. Ela teria conseguido a nomeação, em maio de 2010, do diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira, e do diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Rubens Carlos Vieira. Os irmãos são acusados de chefiar a quadrilha.

– Eles sabiam que ela tinha acesso a gente privilegiada dentro do governo. Tanto que se utilizava desse cargo, e aí é que está o crime, para fazer contatos de interesse deles. Agendamento de reunião com políticos, nomeação deles nas agências reguladoras. Ela ficava lá, pegando no pé do pessoal do alto escalão, porque tinha essa proximidade, tinha proximidade física. Ela debate muito com eles, ‘vou falar com fulano, vou falar com sicrano’. Mas eu não sei exatamente com quem ela conseguiu isso (as nomeações). O fato é que estava tentando e ela estava veementemente trabalhando nisso – disse a procuradora.

O “pagamento” pelas nomeações, segundo a procuradora, era feito com dinheiro para cirurgias e novas nomeações, agora realizadas pelos irmãos Vieira, supostamente em benefício de Noronha ou pessoas ligadas a ela. Nenhuma das pessoas beneficiadas também guardam qualquer proximidade com Lula, Dilma e Dirceu.

Irmãos Valente

O alvo principal da operação são os irmãos Paulo, Rubens e Marcelo Valente, acusados de comandar um esquema criminoso infiltrado dentro de órgãos federais.

– A documentação dos autos é muito característica. Eles não param de cometer crimes, a polícia até usa essa expressão quando pede as prisões. O fundamento é: eles simplesmente não param de cometer crimes. E foi o que a gente percebeu. É o tempo inteiro, é o modus operandideles, está na vida deles, eles só fazem isso o tempo inteiro – disse a procuradora, na noite passada.

Os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA); Rubens Carlos Vieira, ex-diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); e Marcelo Rodrigues Vieira, empresário, foram presos na última sexta-feira, acusados de formação de quadrilha. Segundo a procuradora, eles vendiam pareceres a grupos empresariais para os mais diversos fins.

– O processo do Tribunal de Contas da União que gerou toda essa investigação era a concessão de áreas no terminal do Porto de Santos que não tinham sido licitadas – disse.

A investigação da Operação Porto Seguro começou com um inquérito civil público para a apuração de improbidade administrativa. O ex-auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Cyonil da Cunha Borges de Faria Júnior revelou ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal que lhe foram oferecidos R$ 300 mil para que elaborasse um parecer técnico a fim de beneficiar um grupo empresarial do setor portuário que atua no Porto de Santos, a empresa Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi), em um contrato com a Companhia Docas de São Paulo (Codesp).

– Ele (Cyonil) é um corrupto que sofreu um golpe, porque recebeu um calote do pagamento, não pagaram tudo e ele resolveu denunciar o esquema. Eram R$ 300 mil (o prometido) e ele recebeu R$ 100 mil, e ficou cobrando os outros R$ 200 mil – destacou.

Dirceu citado

Indignado com a citação de seu nome como suspeito em um esquema do qual não há a menor evidência capaz de ligá-lo aos crimes investigados na Operação Porto Seguro, o ex-ministro José Dirceu apontou a mídia conservadora como origem das notícias falsas. “Por várias vezes em anos recentes, a imprensa (ligada à direita) vinculou-me a escândalos que, depois de concluídas as investigações, denunciados os responsáveis e finalizados os inquéritos, comprovou-se que eu nada tinha a ver com tais episódios. Meu nome nem sequer figurou como testemunha nestes processos”, desabafa.

“Foi assim pelo menos seis vezes: nos casos Celso Daniel; MSI-Corinthians; Eletronet; Operação Satiagraha; Carlos Alberto Bejani, ex-prefeito de Juiz de Fora (MG), do PTB; e Alberto Mourão, ex-prefeito de Praia Grande (SP), do PSDB. Em alguns desses casos – como Bejani, Eletronet e Satiagraha –, meu nome foi parar no noticiário das TVs. Repito: encerradas as investigações, denunciados os responsáveis e finalizados os inquéritos, comprovou-se que eu nunca tive ligações com nada disso”, acrescentou o ex-ministro.

“Agora, a história se repete. A partir de declarações de Cyonil Borges, ex-auditor do TCU sob investigação da Polícia Federal na Operação Porto Seguro, que apura denúncias relacionadas a Paulo Vieira (ex-diretor da Agência Nacional de Águas-ANA), de novo sou envolvido. Gratuitamente. Irresponsavelmente, como das outras vezes. As investigações ainda estão em curso e meu nome já é escandalosamente noticiado como relacionado ao caso. Não custa recordar que Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, fez o mesmo: acusou-me de beneficiário de esquema de corrupção que teria havido em Santo André. Quando o processei por calúnia, ele afirmou em juízo que ouvira de terceiros que eu era o destinatário de recursos financeiros ilegais para campanhas eleitorais do PT”, pontuou José Dirceu.

Ainda segundo o líder petista, “Francisco Daniel retratou-se, de forma cabal e indiscutível na Justiça. Mas isso praticamente não foi noticiado pela imprensa. E continua sem ser noticiado quando a mídia com frequência volta ao caso Celso Daniel. Ela repete a acusação que me foi feita por Francisco, sem registrar – ou fazendo-o sem o menor destaque – que ele se retratou. Assim foi em todos os demais casos que lembrei. Envolvem meu nome no noticiário com o maior estardalhaço, mas encerrados a “temporada” e o sucesso midiático do escândalo, silenciam quanto ao fato de nada ter se provado contra mim – pelo contrário, as investigações terem concluído que eu não tive o menor envolvimento com o caso em pauta”.
Nossa fonte: Correio do Brasil.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Lygia Fagundes Telles: “Ele me estendeu a mão”

Lygia Fagundes Telles, amiga de Carlos Drummond de Andrade, conta mais sobre quem foi o escritor. “Drummond é uma lição de vida, através de seus versos ele ensina. É como uma luz que se acende. Quando eu o conheci não era tão famoso assim. Ele foi muito importante na minha vida, mas não era tão famoso assim”.



A escritora revela ainda que teve apoio de Drummond no começo de sua carreira. “Ele percebeu que eu era uma jovem sozinha, sem dinheiro, com ambições, escrevendo, e ele então foi afetuoso, foi ouvinte. Ele fez a terapia que eu jamais teria dinheiro para pagar. Ele me aceitou, me estendeu a mão”.

Onde está o Carlos Drummond de Andrade? Leia a lista dos mais vendidos! “Infelizmente a coisa não vai bem, continua não indo bem”, questiona a escritora sobre o que vem sendo produzido nos últimos anos.

Confira imagens do documentário ‘A Partilha da Poesia’, de 2002, que conta com a participação do próprio Drummond, e tem poemas narrados por ele. O filme também tem depoimentos de Lygia Fagundes Telles. Na época, a escritora lamentava a situação dos escritores brasileiros, pela falta de leitores.




Fonte: Cultura Retrô

domingo, 25 de novembro de 2012

"A UNE desempenha um papel fundamental",

 diz Ariano Suassuna
Do alto dos seus 85 anos, com mais de 60 só de carreira, um dos mais conhecidos defensores da cultura popular brasileira, Ariano Suassuna, se reuniu com a coordenação do CUCA da UNE (União Nacional dos Estudantes) para falar rapidamente sobre o processo atual do Brasil e o tema do maior evento estudantil da América Latina, que acontecerá entre os dias 22 e 26 de janeiro de 2013, em Recife e Olinda.



O encontro se deu em meio à primeira Festa Literária Internacional das Upps (Flupp), no Morro dos Prazeres, Rio de Janeiro, na quarta-feira (14). Durante o bate-papo, Suassuna falou sobre política, cultura popular e sobre a 8ª Bienal da UNE, que, neste ano, aborda um tema que se encaixa como luva em sua trajetória: “A volta da Asa Branca”, em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga.

Paraibano, formado em direito e filosofia, Ariano Suassuna é dramaturgo, romancista e poeta. Lecionou durante 32 anos na Universidade Federal de Pernambuco e, em 1999, assumiu a cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras.

“Luiz Gonzaga é um artista popular brasileiro que desempenhou um papel fundamental na renovação da música popular e merece ser reconhecido pela importância da sua cultura”, justificou o “pai” de Chicó e João Grilo, personagens de sua mais célebre obra, o Auto da Compadecida.

Nesta entrevista, o criador de histórias que têm o Nordeste como inspiração, falou como se sente feliz com as comemorações do centenário do nosso sanfoneiro e discorreu sobre a importância da Bienal da UNE para o país. Confira:

Site da UNE: Como recebeu o convite para participar de um evento numa comunidade carioca que acaba de passar por um processo de pacificação?
Ariano Suassuna: É a primeira vez que piso em uma favela carioca. Pela primeira vez, estão vendo, reconhecendo, que nas favelas tem gente ordeira, trabalhadora e que é vítima do crime como todo mundo. Isso me deixa feliz, pois de certa forma estamos libertando o povo brasileiro. Mas, não sou idiota, essa libertação deve ir adiante. Eu não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas, amargos. Eu me considero um realista esperançoso. Sou um homem da esperança. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo.

Site da UNE: Como você vê a cultura popular dessas comunidades, principalmente a linguagem popular, sendo você um poeta?
AS: Tem uma coisa que eu quero dizer a respeito da linguagem popular. Eu não concordo com esses escritores que, procurando reproduzir a linguagem popular, deformam a linguagem popular. A linguagem escrita é uma convenção. Por trás dessa deformação existe um preconceito terrível contra o povo. Eu não pronuncio, por exemplo, cadeira, mas falo “cadera”, como todo nordestino. Agora, se precisar escrever aí escrevo cadeira. Eu acho que a transposição literária da linguagem popular tem de alcançar o espírito na linguagem e não a leitura.

Site da UNE: Como você tem observado as comemorações em torno do centenário de nascimento de Luiz Gonzaga?
AS: Muito satisfeito. Luiz Gonzaga é um artista popular brasileiro que desempenhou um papel fundamental na renovação da música popular e merece ser reconhecido pela importância da sua cultura.

Site da UNE: O tema da 8ª Bienal é “A Volta da Asa Branca”, por significar o reverso, acompanhado nos últimos anos, da migração dos nordestinos para os seus estados de origem. Como o senhor avalia esse tema?
AS: Fico muito contente. Se a gente ama o país como um todo, o lugar da gente é a melhor expressão do país para nós.

Site da UNE: Qual a sua opinião da UNE fazer dessa Bienal uma homenagem a Luiz Gonzaga?
AS: É muito bom. É pertinente. Vocês estão prestando mais uma vez uma homenagem a Luiz Gonzaga, que passa a ser uma coisa simbólica, uma coisa do povo, do nordeste pro seu lugar de origem. A UNE desempenha um papel fundamental.

Fonte: Site da UNE

Entenda como Dilma está acabando com a miséria no Brasil

No programa Entrevista Record Atualidade, a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome, faz um balanço impressionante do programa Brasil sem Miséria -- que a Presidenta Dilma lançou no Dia das Mães -- que permite prever que o Governo Dilma cumprirá a meta de erradicar a miséria absoluta ate 2014. Acompanhe a entrevista feita pelo blogueiro Paulo Henrique Amorim. Vídeo no site:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=29&id_noticia=199164

Segundo a ministra, 687 mil famílias extremamente pobres, antes “invisíveis”, foram localizadas pelo que o Ministério chama de “busca ativa” e incorporadas ao sistema do Bolsa Família.

Com o Brasil sem Miséria e o Brasil Carinhoso, programa para crianças até seis anos, o orçamento total do Bolsa Família chegou em 2012 a R$ 20 bilhões.
O que significa a ninharia de 0,46% do PIB.
Ou seja, o mais invejado programa de intervenção na luta contra a miséria tem, ainda por cima, essa virtude: gasta pouco.
E gasta bem.
Para cada R$ 1,00 investido no conjunto do Bolsa Família -- mostra a Ministra – R$ 1,44 voltam para a economia sob a forma de consumo.
Qual o impacto do Bolsa Família sobre a redistribuição da renda? -- Perguntou o ansioso blogueiro.
Lançado em maio de 2012, o Brasil Carinhoso – que atende 2,7 milhões de crianças que eram miseráveis – já reduziu em 40% a extrema pobreza em crianças até seis anos.
A simples administração de Vitamina A reduziu a mortalidade em 25%.
A renda dos 10% mais pobres no Brasil cresce como a da China, disse Campello.
E um em cada quatro brasileiros está no Bolsa Família.
E como se dá a “porta de saída”? A transição do Bolsa Família para o mercado de trabalho?
A Ministra Campello explicou que uma das saídas mais amplas é o Pronatec, com cursos profissionalizantes no sistema Senai.
Do total, 229 mil pessoas do Bolsa Família frequentam hoje cursos no Pronatec.
No interior, no semi-árido do Nordeste, tem sido fundamental o programa que construiu 111 mil cisternas.
O programa exige que 30% da merenda escolar seja de produtos da própria região.
O que beneficia a agricultura familiar de 129 mil famílias.
Sendo que 114 mil já se beneficiaram com o programa Luz para Todos.

Qual é maior inovação do Bolsa Família?
A Ministra explica que é o Cadastro Único.
São as informações sobre os dezessete milhões de famílias que fazem parte do Bolsa Família (e recebem, na media, R$ 134 por mês), ao longo dos oito anos de existência do programa.
A virtude do Cadastro, a Ministra explica, é que simples, universal e vai direto para a conta da mulher.

Quanto mais simples, funciona melhor.
E todos os estudiosos estrangeiros que tentam copiar a tecnologia do Bolsa Família desejam, sobretudo, replicar o Cadastro.
Os dados do cadastro superpostos aos mapas do Brasil do IBGE é que permitem localizar os “invisíveis” e incorporá-los aos serviços do Bolsa Família.
A meta é erradicar a miséria no Brasil até o fim do governo Dilma.
Já que, diz a Presidenta Dilma, país desenvolvido não tem miséria.

Fonte: Paulo Henrique Amorim

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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A importância do relatório da CPMI para a própria mídia


Luís Nassif

Jornalista econômico e editor do site www.advivo.com.br/luisnassif


No final dos anos 90 escrevi um conjunto de colunas na Folha, sobre os desvios e abusos da cobertura jornalística.

Na Abril, Roberto Civita xerocou e enviou para diretores de redação de diversas publicaçòes. No Estadão, Ruy Mesquita encaminhou cópias para o diretor de Redação Aluizio Maranhão. Na RBS ocorreu o mesmo processo. Na Folha, além do espaço que me davam, havia a figura do ombudsman e do Painel do Leitor permitindo algum contraponto.

Por trás desse interesse, a preocupação com um projeto de lei de um deputado federal de São José do Rio Preto – e, se não me engano, de Ibrahim abi-Ackel – definindo de forma mais rigorosa punições contra abusos de mídia.

O projeto arrefeceu e, com ele, arrefeceu a intenção da mídia de praticar um jornalismo mais responsável.

De lá para cá, o jornalismo investigativo foi piorando e enveredando por caminhos que, muitas vezes, ultrapassaram os limites da legalidade. Especialmente depois dos episódios Veja-Opportunity e Veja-Cachoeira.

Criou-se um círculo vicioso do qual a própria mídia se tornou prisioneira.

Nos últimos anos, o padrão de jornalismo investigativo no país foi dominado ou por vazamentos de autoridades (MPF, PF, TCU etc), o que é legítimo, ou pelo relacionamento mais promíscuo com criminosos e lobistas – casos do “consultor que acabara de sair da cadeia, invasão do hotel de José Dirceu, as capas da Veja sobre maluquices (como propinas de R$ 200 mil sendo levadas ao Planalto em envelopes), grampos obtidos de maneira criminosa etc.

Esse movimento acabou gerando uma competição degradante, que vitimou até profissionais sérios da mídia. É o caso de Eumano Silva, excelente profissional da revista Época, flagrado em conversas com pessoas ligadas a Cachoeira. Por que se envolveu com Cachoeira? Porque criou-se uma competição com a escandalização desenfreada da Veja que acabou pressionando profissionais sérios a seguirem modelos de atuação de diversos inescrupulosos que invadiram a profissão.

O indiciamento de Policarpo Jr não significa sua condenação nem a da revista. Vai-se abrir um inquérito onde todas as partes serão ouvidas e todos poderão se defender. Mas – importante – permitirá uma freada de arrumação para a própria mídia e uma discussão séria, em um ambiente neutro, sobre os limites da cobertura jornalística.

A competição espúria

Ainda no final dos anos 90, escrevi um artigo sobre o fim do projeto Folha – como tal, entendida aquela simplificação de tratar todo funcionário público como preguiçoso, todo usineiro como caloteiro, todo banqueiro como ganancioso, todo movimento social como baderneiro.

Chegou-se a montar um seminário interno, na própria Folha, para analisar a nova etapa, inclusive frente às novas mídia que cresciam. No fim, preponderou a visão medrosa: e se pararmos com nosso modelo atual e o Globo (que começava a crescer) ocupar o espaço? Minha resposta é que seria ótimo, porque era um espaço sem futuro.

Mas abrir mão de uma posição que deu a liderança, até aquele momento, por um novo estilo, exige coragem e determinação. E os veículos de mídia são extremamente conservadores e refratários a mudanças, com medo de perder a clientela, mesmo que declinante.

O indiciamento de Policarpo será a pausa para esse momento de reflexão da própria mídia. O caso será analisado pelo Ministério Público Federal e pela Justiça – poderes teoricamente neutros. A discussão abrirá espaço para uma revisão dos métodos atuais e para um revigoramento da liberdade de imprensa, porque, daqui para frente, calçada em princípios legitimadores, não nesse vale-tudo atual.

Nenhum procurador, de ofício, tomará a iniciativa de agir. Nenhum Ministro de tribunal ousará, porque iniciativas individuais são alvejadas com ataques pessoais que intimidam qualquer um. Daí a importância de uma ação institucional, que se inicie no Congresso, passe pelo MPF e pelos tribunais. Até para comprovar que não existem intocáveis no país.

Se a CPMI recuar, perder-se-á uma oportunidade única de melhorar o ambiente jornalístico e legitimar a ação da mídia.

No final dos anos 90 escrevi um conjunto de colunas na Folha, sobre os desvios e abusos da cobertura jornalística.

Na Abril, Roberto Civita xerocou e enviou para diretores de redação de diversas publicaçòes. No Estadão, Ruy Mesquita encaminhou cópias para o diretor de Redação Aluizio Maranhão. Na RBS ocorreu o mesmo processo. Na Folha, além do espaço que me davam, havia a figura do ombudsman e do Painel do Leitor permitindo algum contraponto.

Por trás desse interesse, a preocupação com um projeto de lei de um deputado federal de São José do Rio Preto – e, se não me engano, de Ibrahim abi-Ackel – definindo de forma mais rigorosa punições contra abusos de mídia.

O projeto arrefeceu e, com ele, arrefeceu a intenção da mídia de praticar um jornalismo mais responsável.

De lá para cá, o jornalismo investigativo foi piorando e enveredando por caminhos que, muitas vezes, ultrapassaram os limites da legalidade. Especialmente depois dos episódios Veja-Opportunity e Veja-Cachoeira.

Criou-se um círculo vicioso do qual a própria mídia se tornou prisioneira.

Nos últimos anos, o padrão de jornalismo investigativo no país foi dominado ou por vazamentos de autoridades (MPF, PF, TCU etc), o que é legítimo, ou pelo relacionamento mais promíscuo com criminosos e lobistas – casos do “consultor que acabara de sair da cadeia, invasão do hotel de José Dirceu, as capas da Veja sobre maluquices (como propinas de R$ 200 mil sendo levadas ao Planalto em envelopes), grampos obtidos de maneira criminosa etc.

Esse movimento acabou gerando uma competição degradante, que vitimou até profissionais sérios da mídia. É o caso de Eumano Silva, excelente profissional da revista Época, flagrado em conversas com pessoas ligadas a Cachoeira. Por que se envolveu com Cachoeira? Porque criou-se uma competição com a escandalização desenfreada da Veja que acabou pressionando profissionais sérios a seguirem modelos de atuação de diversos inescrupulosos que invadiram a profissão.

O indiciamento de Policarpo Jr não significa sua condenação nem a da revista. Vai-se abrir um inquérito onde todas as partes serão ouvidas e todos poderão se defender. Mas – importante – permitirá uma freada de arrumação para a própria mídia e uma discussão séria, em um ambiente neutro, sobre os limites da cobertura jornalística.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Dona Pandá vai ao Catita


 Dona Pandá está de novo com as malas prontas. Desta vez vai para as Alterosas comemorar o aniversário de sua irmã. Em mais uma demonstração de sua sabedoria,  a aniversariante - que é sagitário - decidiu fazer a festa no Parque Inhotim, em Brumadinho, cercanias de Belô.

A mana sábia mora em um belo sítio, chamado Catita. Este nome é uma extensão do apelido carinhoso que seu companheiro lhe deu.

Na realidade, o sítio se chama Catita II. Houve o Catita I que ficava em uma região inóspita, povoada por  amigos do alheio. Cansados de  alimentar mesas, camas e outras cositas más de gente, cujas caras desconheciam, o casal vendeu o I e comprou o II.

Este se localiza em um condomínio chamado “Vale do Ouro” e fica às margens da BR 140, aquela que leva quem gosta de estrada de Belo Horizonte a Brasília. O lugar é aprazível – é pena que é fechado, seguro para quem está dentro – e o sítio, lindo, à imagem e semelhança da dona.

Dona Pandá confessa desavegonhosamente  sua inveja pelos talentos da mana.Talentos múltiplos, mas a inveja é principalmente direcionada à estética. A mana sábia é cultuadora do belo, com extrema competência.

O Catita é todo um jardim com vários temas-recantos  (seria recantos-temas?). Agora, é a época dos flamboaiãs que ficam trazendo e mostrando, durante todo o dia, o pôr-do-sol  nas suas flores flamantes. Enquanto o mortal se embebeda com as cores, num pequeno desvio, os olhos alimentam a gula com as também bonitas, mas, sobretudo, deliciosas lichias que já estão anunciando as festas.  O mortal dá um passo em direção aos outros flamboaiãs, seus olhos descuidadamente se abaixam um bocadinho e lá estão, ao pé da maravilha flambante, as orquídeas, tão lindas quanto tudo ao redor.

A composição dos recantos-temas mostra a sensibilidade  da moradora.  De um lado, o pomar  generoso que privilegia o gosto de cada um. Dona Pandá recolhe as grapefruits para degustá-las com sal, como uma entrada tentadora e difícil de encontrar. A grande maioria das visitas prefere as negrinhas e dulcíssimas jabuticabas.

Dona Pandá está assumindo sua dificuldade de descrever a criação da mana, mas promete  relatar com poucas palavras e mais imagens sua visita ao Catita.  

Prêmio "Mulheres Negras contam sua História"


"Mulheres Negras contam sua História" é o prêmio que a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-PR), lança às 17 horas desta segunda-feira (19), dentro das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra. Com esse concurso de redações e ensaios, a SPM pretende contribuir para a produção e disseminação de conteúdos que subsidiem o fortalecimento da Política Nacional para as Mulheres, com participação e controle social.
A ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), também participa da cerimônia do lançamento do concurso. E diz que o prêmio é uma iniciativa de resgate do anonimato das mulheres negras como sujeitos na construção da história do Brasil.

As interessadas poderão participar do concurso com redações e ensaios contando a história e a vida de mulheres negras na construção do Brasil. Com a participação no prêmio, as descendentes dessas mulheres farão relatos, resgatando a memória de suas antepassadas, além de contar suas próprias histórias no enfrentamento ao racismo e à violência e da superação da discriminação. 

 Nossa fonte: Vermelho

Agreoecologia e Produção Orgânica, o bom caminho

Secretaria-Geral da Presidência da República instala Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica


http://www.secretariageral.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2012/11/19-11-2012-secretaria-geral-da-presidencia-da-republica-instala-comissao-nacional-da-politica-nacional-de-agroecologia-e-producao-organica


Com a presença dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Mendes Ribeiro (Agricultura) será instalada nesta terça-feira (20/11), a partir das 9h30, a Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. O evento acontece no auditório do anexo I do Palácio do Planalto, em Brasília.

A Comissão, cuja secretaria-executiva cabe à Secretaria-Geral, é formada por representantes de 14 órgãos e entidades do executivo federal e por 14 entidades titulares e 14 entidades suplentes representantes da sociedade civil. O colegiado tem por objetivo promover a participação da sociedade na elaboração e acompanhamento do Plano e da Política de Agroecologia.

Na programação da reunião, que acontece até as 18h, estão previstos debate com representantes de movimentos sociais; apresentação das ações da Câmara Interministerial da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – à cargo do Ministério de Desenvolvimento Agrário e a discussão, em grupos de trabalho, do conteúdo e método de construção do Plano, o funcionamento da Comissão e cronograma de trabalho.
Saiba Mais

Decreto da presidenta Dilma Rousseff instituiu em 21/08/12, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica ( PNAPO). O documento prevê a elaboração de um plano com metas e prazos a serem cumpridos pelo governo federal e determinou elementos como a concessão de crédito, seguro, assistência técnica e pesquisa para ampliar a produção de base agroecológica no Brasil.
A Política Nacional de Agroecologia foi formulada de forma participativa, com engajamento da sociedade civil. Além da incorporação das pautas de movimentos sociais, a participação da sociedade civil se deu por meio de um seminário nacional e cinco seminários regionais coordenados pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com apoio do Ministério do Meio Ambiente. As Comissões Estaduais da Produção Orgânica (CPOrg) e a Câmara Temática da Agricultura Orgânica (CTAO) também integraram o processo. Participam ainda entidades como Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), além de técnicos de vários ministérios e órgãos públicos.

Em maio deste ano, a Secretaria-Geral da Presidência da República, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, implementou o Plano de Mobilização e Participação Social para a Agroecologia. Foi promovido o encontro Diálogos Governo e Sociedade Civil para debater o conteúdo do decreto, a estrutura de governança da política e colher subsídios para o Plano. Um grupo de trabalho composto por dez ministérios e órgãos públicos, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, consolidou a proposta.
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Salve Vanderley Caixe


Vanderley Caixe, poeta e advogado dos oprimidos

O poeta e advogado Vanderley Caixe (Ribeirão Preto, SP - 6 de outubro de 1944 / Ribeirão Preto, SP, 13 de novembro de 2012) foi um lutador contra a ditadura militar e paladino dos direitos humanos e dos direitos dos trabalhadores, sobretudo rurais.



Vanderley Caixe (1944-2012)Membro da Juventude Comunista em 1960 (aos 16 anos de idade), fundou em 1966, em Ribeirão Preto (SP), com outros colegas estudantes e militantes, a FALN (Forças Armadas de Libertação Nacional), para lutar contra a ditadura militar e pelo socialismo. Preso em 1969, andou elos cárceres da ditadura até 1974. Nos cinco anos em que ficou preso, percorreu vários deles: Presídio Tiradentes, Presídio Wenceslau (onde, em 1972, liderou uma greve de fome dos presos políticos), Presídio Hipódromo, de onde foi solto em 1974.

Nesse ano foi solto e terminou o curso de direito. Trabalhou no escritório de advocacia do professor Sobral Pinto e atuou como redator nos jornais Tribuna da Imprensa e Opinião. Em 1976 mudou-se para a Paraíba onde, juntamente com o arcebispo D. José Maria Pires – Arcebispo da Paraíba – criou o primeiro Centro de Defesa dos Direitos Humanos do Brasil (ainda na época da ditadura militar). Mais tarde foi secretário geral da Associação Nacional de Advogados de Trabalhadores Rurais, advogado de presos políticos em vários países na América Latina, atuou junto à Corte Interamericana e da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Em João Pessoa (PB), ajudou a fundar o PT e foi candidato a prefeito em 1986.

Voltou a Ribeirão Preto em 1994, onde instalou o Centro de Defesa dos Direitos Humanos, Assessoria e Educação Popular, mantendo a luta ao lado dos camponeses. Torna-se assessor jurídico do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), e participou da Rede Nacional dos Advogados Populares, foi advogado dos presos políticos da América Latina, e atuou junto à Corte Internacional de Direitos Humanos e da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Retomou também a publicação do jornal O Berro, que havia sido destruído pela ditadura militar (hoje transformou-se em uma revista eletrônica).

Foi na prisão que começou a tecer seus versos, publicados em inúmeras antologias e reunidos, em 1999, no livro 19 poemas da prisão e Um canto da terra. Seus temas são épicos, com lembranças da repressão militar, da prisão e das injustiças e dos crimes que presenciou, mas também líricos, tratados com maestria.

O poeta, lutador e advogado dos oprimidos Vandrley Caixe despediu-se da vida na terça-feira, 13 de novembro de 2012.Deixou nela a marca vívida de seus versos e de sua luta.

Com informações de O Berro


Meu canto de poeta

 Vanderley Caixe

Poeta que canta,
me encanta,
me espanta.
Fala de flores,
dores, amores,
cores,
Descobre o sentimento,
revela lamento,
faz de tudo um tempo.
Faz presente,
faz passado,
embota o atrasado.

Mas o canto é mais que isso,
é o verso do universo,
das gentes alegres e sofridas,
dos trapos desta vida,
Das angústias e da cobiça,
dos bandidos adversos,
penetrando em nossos versos,
rasgando a carne humana,
com bombas de Hiroxima,
do trovão de Nagasaki.
Do urânio empobrecido,
sobre seres humanos,
em crianças, velhos, mulheres,
enfim, em gente como a gente,
gente diferente.

É o lucro perverso buscando pelo
universo.
E, eu de um gesto,
faço aqui,
paralisado em lirismo,
faço meus versos.
Fonte: Poetas do Brasil (http://poetasdobrasil.blogspot.com.br)
Nossa fonte:Vermelho

domingo, 18 de novembro de 2012

Lançamento do livro "Seu amigo esteve aqui"


Poderosos e “poderosos” no mensalão


 PAULO MOREIRA LEITE


Num esforço para exagerar a dimensão do julgamento do Supremo, já tem gente feliz porque agora foram condenados “poderosos…”
Devagar. Você pode até estar feliz porque José Dirceu, José Genoíno e outros podem ir para a cadeia e cumprir longas penas.
Eu acho lamentável porque não vi provas suficientes.
Você pode achar que elas existiam e que tudo foi expressão da Justiça.

“Poderosos?” Vai até o Butantã ver a casa do Genoíno…

Poderosos sem aspas, no Brasil, não vão a julgamento, não sentam no Supremo e não explicam o que fazem. As maiores fortunas que atravessaram o mensalão ficaram de fora, né meus amigos. Até gente que estava em grandes corrupções ativas, com nome e sobrenome, cheque assinado, dinheiro grosso, contrato (corrupção às vezes deixa recibo) e nada.
Esses escaparam, como tinham escapado sempre, numa boa, outras vezes.
É da tradição. Quando por azar os poderosos estão no meio de um inquérito e não dá para tirá-los de lá, as provas são anuladas e todo mundo fica feliz.
É só lembrar quantas investigações foram anuladas, na maior facilidade, quando atingiam os poderosos de verdade… Ficam até em segredo de justiça, porque poderoso de verdade se protege até da maledicência… E se os poderosos insistem e tem poder mesmo, o investigador vira investigado…

Poderoso não é preso, coisa que já aconteceu com Genoíno e Dirceu.

Já viu poderoso ser torturado? Genoíno já foi.
Já viu poderoso ficar preso um ano inteiro sem julgamento sem julgamento?
Isso aconteceu com Dirceu em 1968.
Já viu poderoso viver anos na clandestinidade, sem ver pai nem mãe, perder amigos e nunca mais receber notícias deles, mortos covardemente, nem onde foram enterrados? Também aconteceu com os dois.
Já viu poderoso entregar passaporte?
Já viu foto dele com retrato em cartaz de procurados, aqueles que a ditadura colocava nos aeroportos. Será que você lembrou disso depois que mandaram incluir o nome dos réus na lista de procurados?

Poderoso? Se Dirceu fosse sem aspas, o Jefferson não teria dito o que disse. Teria se calado, de uma forma ou de outra. Teriam acertado a vida dele e tudo se resolveria sem escândalo.

Não vamos exagerar na sociologia embelezadora.
Kenneth Maxwell, historiador respeitado do Brasil colonial, compara o julgamento do mensalão ao Tribunal que julgou a inconfidência mineira. Não, a questão não é perguntar sobre Tiradentes. Mas sobre Maria I, a louca e poderosa.
Tanto lá como cá, diz Maxwell, tivemos condenações sem provas objetivas. Primeiro, a Coroa mandou todo mundo a julgamento. Depois, com uma ordem secreta, determinou que todos tivessem a vida poupada – menos Tiradentes.
Poderoso é quem faz isso.
Escolhe quem vai para a forca.
“Poderoso” pode ir para a forca, quando entra em conflito com sem aspas.

Genoíno, Dirceu e os outros eram pessoas importantes – e até muito importantes – num governo que foi capaz de abrir uma pequena brecha num sistema de poder estabelecido no país há séculos.
O poder que eles representam é o do voto. Tem duração limitada, quatro anos, é frágil, mas é o único poder para quem não tem poder de verdade e depende de uma vontade, apenas uma: a decisão soberana do povo.
Por isso queriam um julgamento na véspera da eleição, empurrando tudo para a última semana, torcendo abertamente para influenciar o eleitor, fazendo piadas sobre o PT, comparando com PCC e Comando Vermelho…
Por isso fala-se em “compra de apoio”, “compra de consciências”, “compra de eleitor…” Como se fosse assim, ir a feira e barganhar laranja por banana.
Trocando votos por sapatos, dentadura…

Tudo bem imaginar que é assim mas é bom provar.
Me diga o nome de um deputado que vendeu o voto. Um nome.
Também diga quando ele vendeu e para que.
Diga quem “jamais” teria votado no projeto x (ou y, ou z) sem receber dinheiro e aí conte quando o parlamentar x, y ou z colocou o dinheiro no bolso.
Estamos falando, meus amigos, de direito penal, aquele que coloca a pessoa na cadeia. E aí é a acusação que tem toda obrigação de provar seu ponto.

Como explica Claudio José Pereira, professor doutor na PUC de São Paulo, em direito penal você não pode transferir a responsabilidade para o acusado e obrigá-lo a provar sua inocência. Isso porque ele é inocente até prova em contrário.

O Poder é capaz de malabarismos e disfarces, mas cabe aos homens de boa fé não confundir rosto com máscara, nem plutocratas com deserdados…
Poder é o que dá medo, pressiona, é absoluto.
Passa por cima de suas próprias teorias, como o domínio do fato, cujo uso é questionado até por um de seus criadores, o que já está ficando chato

Nem Dirceu nem Genoíno falam ou falaram pelo Estado brasileiro, o equivalente da Coroa portuguesa. Podem até nomear juízes, como se viu, mas não comandam as decisões da Justiça, sequer os votos daqueles que nomearam.

Imagine se, no julgamento de um poderoso, o ministério público aparecesse com uma teoria nova de direito, que ninguém conhece, pouca gente estudou de verdade – e resolvesse com ela pedir cadeia geral e irrestrita…
Imagine se depois o relator resolvesse dividir o julgamento de modo a provar cada parte e assim evitar o debate sobre o todo, que é a ideia de mensalão, a teoria do mensalão, a existência do mensalão, que desse jeito “só poderia existir”, “está na cara”, “é tão óbvio”, e assim todos são condenados, sem que o papel de muitos não seja demonstrado, nem de forma robusta nem de forma fraca…
Imagine um revisor sendo interrompido, humilhado, acusado e insinuado…
Isso não se faz com poderosos.

Também não vamos pensar que no mensalão PSDB-MG haverá uma volta do Cipó de Aroeira, como dizia aquela música de Geraldo Vandré.
Engano.
Não se trata de uma guerra de propaganda. Do Chico Anísio dizendo: “sou…mas quem não é?”
Bobagem pensar em justiça compensatória.

Não há José Dirceu, nem José Genoíno nem tantos outros que eles simbolizam no mensalão PSDB-MG. Se houvesse, não seria o caso. Porque seria torcer pela repetição do erro.
Essa dificuldade mostra como é grave o que se faz em Brasília.
Mas não custa observar, com todo respeito que todo cidadão merece: cadê os adversários da ditadura, os guerrilheiros, os corajosos, aqueles que têm história para a gente contar para filhos e netos? Aqueles que, mesmo sem serem anjos de presépio nem freiras de convento, agora serão sacrificados, vergonhosamente porque sim, a Maria I, invisível, onipresente, assim deseja.

Sem ilusões.
Não, meus amigos. O que está acontecendo em Brasília é um julgamento único, incomparável. Os mensalões são iguais.
Mas a política é diferente.
É só perguntar o que acontecia com os brasileiros pobres nos outros governos. O que houve com o desemprego, com a distribuição de renda.
E é por isso que um deles vai ser julgado bem longe da vista de todos…
E o outro estará para sempre em nossos olhos, mesmo quando eles se fecharem.