Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Lula e Hollande lançam o "anti-consenso de Washington"


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/lula-e-hollande-lancam-o-anti-consenso-de-washington

Autor: Luis Nassif

É um desses paradoxos da história. Enquanto é achincalhado em seu próprio país, em Paris, junto com o presidente francês François Hollande, Lula lança o que será considerado, provavelmente, o mais importante manifesto sobre a governança global desde o "Consenso de Washington", que marcou a vida das nações nas últimas décadas. É o 'anti-consenso de Washington", que deverá servir de base para a reaglutinação da social democracia em nível global.

Mesmo antes da queda do Muro de Berlim, a social democracia estava em crise profunda, desarticulada, sem princípios de ação.

Ontem, em Paris, no “Fórum pelo Progresso Social, o crescimento como saída para a crise”, o Instituto Lula e a Fundação Jean Jaurès, do Partido Socialista francês soltaram documento conjunto para a primeira convocação de fundações políticas e institutos progressistas do mundo inteiro, visando propor uma nova governança global.

Com o manifesto, Lula e François Hollande passam a encabeçar a primeira iniciativa mundial, visando criar um contraponto de governança global ao “consenso de Washington” – que forneceu as bases para o modelo neoliberal que se tornou praticamente hegemônico nas últimas décadas.

Os termos do documento provavelmente marcarão a história da globalização com o mesmo impacto provocado pelo “ Consenso de Washington” no início dos anos 90.

O documento é objetivo, ao afirmar que “a globalização divide ao invés de unir”. Diz que a crise internacional agrava a concorrência entre países e sociedades e atinge principalmente os mais vulneráveis.

A crise afeta todos os países, adia decisões contra o aquecimento global. A falta de uma ação planejada, continua, pode levar a um ponto de não-retorno.

O manifesto propõe uma nova governança global, que minimize os conflitos que permita que “cada nação realize o modelo de sociedade que escolheu”. E os poderes públicos “devem garantir que todos tenham oportunidades de desenvolver suas capacidades individuais”.

Depois, chama a atenção para as mudanças estruturais que estão ocorrendo:

“Mas um novo mundo está em gestação para responder aos desafios sociais, ambientais e políticos da globalização. A sociedade civil mundial se tornou uma realidade tangível. Políticas públicas inovadoras e outros modos de governar surgem em todos os continentes, particularmente nos países emergentes e em desenvolvimento. As instâncias multilaterais também estão se reconfigurando. A constituição do G20 reflete a mudança dos equilíbrios mundiais, mas seu impacto ainda limitado ilustra a dificuldade dos governos de chegarem a um acordo e de agir de forma concreta”.

E termina com uma conclamação histórica:

“Fazemos uma conclamação em defesa da confiança na capacidade humana de se reinventar e do poder criador de nossa sociedade-mundo, para sair definitivamente da crise e construir as bases de um futuro harmonioso que possa ser compartilhado por todos”.


DECLARAÇÃO CONJUNTA DA FUNDAÇÃO JEAN JAURÈS E DO INSTITUTO LULA
A globalização é um imenso desafio com o qual se confronta a humanidade.

Ela tem um poder formidável de mudança para todas as sociedades: a mudança econômica, com a intensificação das trocas; a mudança cultural, pois essas trocas possibilitam a circulação de ideias e a transformação das práticas culturais e de costumes; a mudança política, já que a emergência de preocupações partilhadas exige uma vontade comum de agir e de superar conjuntamente as dificuldades.

No entanto, a globalização, da forma que ocorre atualmente, está longe de satisfazer as aspirações que legitimamente suscita.

A crise econômica internacional agrava a concorrência entre os países e as sociedades. Ela atinge os mais vulneráveis, particularmente os trabalhadores e os jovens. Ela afeta a todos os países, os que estão em recessão e os que estão em crescimento. Ela conduz governos a adiar as decisões necessárias para prevenir o aquecimento global, sendo que a exaustão e a degradação dos recursos naturais corre o risco de atingir um ponto de não-retorno devido à falta de uma ação planejada de forma conjunta.

Sejamos claros: hoje, a globalização divide ao invés de unir.

Isoladas, as políticas de austeridade mostraram seus limites para encontrar a saída da crise. A retomada ainda não esta garantida, ao mesmo tempo em que os direitos econômicos e sociais estão ameaçados. É imprescindível que sejam adotadas políticas de crescimento. Somente assim a globalização poderá garantir o respeito à coesão social e ao meio ambiente.

Uma nova governança é necessária para, de um lado, regular os conflitos entre as nações e garantir a paz e, de outro, permitir que cada nação realize o modelo de sociedade que escolheu. Os poderes públicos devem garantir que todos tenham oportunidades de desenvolver suas capacidades individuais. Devem também trabalhar em prol da perenidade do meio ambiente para as gerações futuras.

Mas um novo mundo está em gestação para responder aos desafios sociais, ambientais e políticos da globalização. A sociedade civil mundial se tornou uma realidade tangível. Políticas públicas inovadoras e outros modos de governar surgem em todos os continentes, particularmente nos países emergentes e em desenvolvimento. As instâncias multilaterais também estão se reconfigurando. A constituição do G20 reflete a mudança dos equilíbrios mundiais, mas seu impacto ainda limitado ilustra a dificuldade dos governos de chegarem a um acordo e de agir de forma concreta.

As respostas às questões colocadas pela globalização não se afirmarão espontaneamente. Elas se construirão pelo diálogo, pelo debate das opiniões dos estudiosos e pela mobilização dos atores e dos povos, no sentido mais amplo.

É por isso que, a partir deste fórum que se reuniu em Paris nos dias 11 e 12 de dezembro, lançamos um chamado para as outras fundações políticas e institutos progressistas do mundo inteiro: vamos constituir a iniciativa “Fundações pelo Progresso Social”. Fiéis à nossa vocação e à nossa missão, vamos nos reunir periodicamente para debater, escutar, propor. Vamos fazer emergir convergências e consensos; vamos nos unir para ter uma influência nos destinos do mundo.

Os riscos que atualmente ameaçam a humanidade são grandes demais para nos focarmos apenas em uma gestão de curto prazo destes problemas.

Fazemos uma conclamação em defesa da confiança na capacidade humana de se reinventar e do poder criador de nossa sociedade-mundo, para sair definitivamente da crise e construir as bases de um futuro harmonioso que possa ser compartilhado por todos.

Comissão Convida FHC e Gurgel para depor


FHC deporá sobre a “Lista de Furnas”?

Por Altamiro Borges


FHC precisa definir se irá ou não aceitar o convite do Congresso
A Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional aprovou hoje à tarde um “convite” para que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso preste esclarecimentos sobre a temida “Lista de Furnas” – documento que circulou em 2005 e que revelou suposto esquema de desvio de recursos da estatal de energia para vários caciques tucanos. Ela também decidiu “convidar” o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para explicar os “vazamentos” da operação Porto Seguro da Polícia Federal.

A iniciativa de “convidar” o ex-presidente FHCpartiu do deputado Jilmar Tatto, líder do PT na Câmara Federal. Conforme justificou no seu requerimento, o pedido visa esclarecer as “informações contraditórias sobre documento relativo a doações a agentes políticos que teriam sido levadas a efeito por Furnas”. Já o “convite” para o procurador-geral foi feito pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) e tem como objetivo investigar as estranhas relações entre o Ministério Público e os órgãos de inteligência.

O temor da mídia demotucana

De imediato, os convites geraram a ira da mídia demotucana – que adora defender a “transparência”, mas apenas para os seus inimigos políticos. AFolha online atacou “a manobra articulada” pela base governista e garantiu, indignada, que o “requerimento relativo a Fernando Henrique, de autoria de Tatto, tem conotação explicitamente política”. Ela também condenou o fato da mesma comissão ter rejeitado a convocação dos ministros Luís Inácio Adams (AGU), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e de Rosemary Noronha.

Na mesma linha editorial, que até parece combinada, o sítio do jornal O Globo também criticou a não convocação de Adams, Gleisi e Rosemary e apresentou os “convites” para FHC e Gurgel como retaliação política. Para isto, o diário da famiglia Marinho destacou uma frase do petista Jilmar Tatto: “Se eles querem guerra, vão ter”. Ao final da matéria, o próprio jornal reassaltou que “como são convites e não convocações, nem Fernando Henrique, nem Gurgel precisam comparecer”.

Blogueiro ou advogado dos tucanos?

Mais explícito, o blogueiro Josias de Souza, que até parece advogado dos tucanos, tentou desqualificar a convocação. “FHC terá de se explicar sobre um papelucho chamado de ‘Lista de Furnas’. Uma peça que associa nomes de políticos, na maioria tucanos, a pseudo-desvios praticados na estatal elétrica. O líder petista sabe que a lista é falsa como nota de três reais… No passado, o petismo se dizia capaz de matar e morrer pela defesa de uns tantos valores. Hoje, o líder do PT desce ao front de mãos dadas com Collor”.

Caso o “convite” seja para valer – e não uma mera manobra pragmática – e o ex-presidente FHC não consiga escapar do depoimento, o debate sobre a Lista de Furnas poderá revelar muitos podres que os demotucanos sempre esconderam, com a inestimável ajuda da mídia. Em agosto último, o Ministério Público Federal confirmou a autenticidade da “lista”, conforme registrou na ocasião o jornalista Amaury Ribeiro, autor do livro A privataria tucana – o best-seller que também foi vetado pela mídia tucana.

O “mensalão” dos tucanos

Amaury Ribeiro afirma que teve acesso ao documento, que revela que a Furnas superfaturou contratos para repassar dinheiro a cerca de 150 políticos durante a campanha eleitoral de 2002. Os principais beneficiários seriam candidatos do PSDB e do DEM, entre eles o mineiro Aécio Neves e o paulista Geraldo Alckmin. A lista, que os tucanos juravam não existir e que a mídia sempre evitou apurar, teria sido escrita pelo próprio ex-presidente e ex-diretor de planejamento da empresa, Dimas Toledo.

Para a procuradora Andrea Bayão Ferreira, do Rio de Janeiro, hoje não há mais dúvidas sobre a existência do documento. Um laudo do Instituto Nacional de Criminalística da PF confirmou a sua autenticidade. Trechos que já vazaram pela internet apontam a seguinte distribuição dos recursos desviados: José Serra, R$ 7 milhões; Geraldo Alckmin, R$ 9,3 milhões; Aécio Neves, R$ 5,5 milhões; Gilberto Kassab, R$ 100 mil; e Eduardo Azeredo, o mesmo que chefiou o chamado mensalão tucano de Minas Gerais, R$ 550 mil.
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Nossa fonte: Correio do Brasil

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

CONVITE: O Brasil em debate



Data e horário: 17/12/2012 (segunda-feira), 18h30.

Local: Sindicato dos Engenheiros, Rua Genebra, 25 (próximo a Câmara Municipal de São Paulo)

Debatedores: Fernando Morais (mediador - jornalista e escritor); Paulo Moreira Leite (jornalista - Revista Época); Zé de Abreu (ator); Prof. Dr. Claudio José Langroiva Pereira (Direito / PUC-SP) e Raimundo Pereira (jornalista - Retratos do Brasil)

Organizadores: Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, Brasil de Fato, Brasil Atual, Revista Fórum, Carta Maior e AlterCOM (Associação Brasileira de Empreendedores de Comunicação).

Artigo didático para saber o que estamos vivendo


Para entender o xadrez da política
Autor: Luis Nassif


Vamos entender o xadrez político atual.

Há um jogo em que o objetivo maior é capturar o rei – a Presidência da República. O ponto central da estratégia consiste em destruir a principal peça do xadrez adversário: o mito Lula.

Na fase inicial – quando explodiu o “mensalão” – havia um arco restrito e confuso, formado pela velha mídia e pelo PSDB e uma estratégia difusa, que consistia em “sangrar” o adversário e aguardar os resultados nas eleições presidenciais seguintes.

A tática falhou em 2006 e 2010, apesar da ficha falsa de Dilma, do consultor respeitado que havia acabado de sair da cadeia, dos 200 mil dólares em um envelope gigante entrando no Palácio do Planalto, das FARCs invadindo o Brasil e todo aquele arsenal utilizado nas duas eleições.

A partir da saída de Lula da presidência, tentou-se uma segunda tática: a de construir um mito anti-Lula. À falta de candidatos, apostou-se em Dilma Rousseff, com seu perfil de classe média intelectualizada, preocupações de gestora, discrição etc. Imaginava-se que caísse no canto de sereia em que se jogaram tantas criaturas contra o criador.

Não colou. Dilma é dotada de uma lealdade pessoal acima de qualquer tentação.

Vejam a íntegra deste elucidativo artigo em: www.advivo.com.br/luisnassif

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Debate sobre mídia

Veja no link abaixo a matéria "Debate sobre a mídia se intensifica com força nas redes sociais"

http://correiodobrasil.com.br/debate-sobre-a-midia-se-intensifica-com-forca-nas-redes-sociais/557179/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20121211 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Frente Parlamentar de Agroecologia, uma esperança


http://organicosbrasil.wordpress.com/2012/12/05/esta-deputada-federal-e-a-coordenadora-da-inedita-frente-parlamentar-de-agroecologia-no-congresso-nacional/

Esta deputada federal é a coordenadora da inédita Frente Parlamentar de Agroecologia no Congresso Nacional



Se a cidade onde as pessoas nascem imprime nelas algum traço de personalidade específica, não foi o caso da deputada federal Luci Choinacki, do PT de Santa Catarina. Ela nasceu em Descanso, município do extremo-oeste catarinense. De família de agricultores, como acontece com praticamente 90% dos habitantes daquela região, descanso é palavra quase riscada do dicionário desta deputada federal já no seu quarto mandato.

De membro de várias comissões permanentes na Câmara dos Deputados, como as Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Seguridade Social e Família; de Turismo e Desporto; de Reforma Política e de Igualdade de Direitos Trabalhistas, só para citar algumas, além de alguns livros publicados, e, é claro, da vida de uma parlamentar atuante (recebeu, por duas vezes, em seu Estado natal, o diploma “Melhor Desempenho Parlamentar”), a deputada Luci Choinacki resolveu recentemente se candidatar a nova e empolgante função – nota-se no brilho dos olhos, quando ela aborda o tema. Ela é a coordenadora da Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da Agroecologia e Produção Orgânica, lançada em agosto na Câmara dos Deputados, em Brasília, DF.

De uma agricultora que viveu, quando menina, a chegada do pacote tecnológico da Revolução Verde às lavouras do oeste catarinense e, ainda bem nova, recusava-se a aplicar veneno nas plantas para “defendê-las” das pragas – “Nunca apliquei nem uma gota de agrotóxico nas plantações, sempre me recusei”, conta, orgulhosa, demonstrando um feeling precoce de que boa coisa aquilo não era –, Luci Choinacki propõe-se agora a continuar o trabalho em prol de uma agricultura limpa em outro campo, o legislativo.

E orgulha-se de, no dia do lançamento da Frente de Agroecologia, 8 de agosto, em Brasília, o alto escalão do governo federal ter comparecido. “Estiveram presentes a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, além do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas”, destaca Luci, acrescentando que “não é de praxe ministros comparecerem ao lançamento de frentes parlamentares no Congresso”, diz a veterana deputada, que comunica que a frente tem o apoio também do ministro Gilberto Carvalho, titular da Secretaria-Geral da Presidência, e do Ministério da Saúde. “Sinal de que o governo federal está sensibilizado com a importância de mudarmos o perfil da nossa agricultura, em prol da saúde da população”, continua Luci.

A Frente de Agroecologia já tem a adesão, pelas contas da coordenadora-deputada, de mais de 200 parlamentares, de todos os partidos, incluindo também senadores. “A frente tem o propósito de ser um ponto de apoio para políticas públicas em favor de uma agricultura limpa”, explica ela, acrescentando que é necessário reverter este pensamento dominante, de que só o agronegócio empresarial, com a agricultura convencional e seu pacote transgênicos-agrotóxicos-adubos químicos, pode alimentar o planeta. “Vamos reunir pessoas, aglutinar ideias e principalmente experiências para mostrar que é viável a instituição da agroecologia como forma de produção”, esclarece. Para quem quiser colaborar, o e-mail da deputada édep.lucichoinacki@camara.leg.br.

“Outro dia conversava com um produtor rural e ele me resumiu a situação da seguinte maneira: ‘Ser agricultor convencional é fácil, porque você vai lá, compra praticamente uma receita de como produzir. Já vem tudo pronto no pacote. É só colocar em prática. Já com a agricultura orgânica, é mais difícil, porque o produtor é obrigado a pensar, a observar o solo, as plantas, o clima, tirar deduções a partir daí, experimentar mais, errar mais. É um processo de longo prazo. Por isso muitos desistem’”, conta a deputada. “Mas para a gente nada é impossível”, acredita ela, que comunica também que não pretende “bater de frente” com o agronegócio, que tem forte lobby no Congresso Nacional, por intermédio da Frente Parlamentar do Agronegócio, presidida pela senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “Nossa política não é brigar com ninguém, e sim entrar com o argumento da saúde, que não há como não concordar. Todo mundo, seja ruralista ou ambientalista, quer mais saúde.”

Como medida prática para a frente recém-lançada, Luci Choinacki comunica que no fim de março deve ocorrer um grande seminário sobre agroecologia no Congresso Nacional, promovido pela frente. “É uma maneira de dar visibilidade ao assunto no Parlamento e já demarcar território”, esclarece. “Além disso, fazer a confirmação de que existe uma outra forma de produção, que cuida da saúde de quem planta e de quem consome”, diz. “Afinal, saúde não se compra na farmácia”, finaliza. Nem descanso.

Fonte: Susana Prizendt
Coordenadora do Comitê Paulista da Campanha
Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

domingo, 9 de dezembro de 2012

Dona Pandá vai às Alterosas IV – INHOTIM

A mana sagitariana escolheu, como já foi contado, comemorar seu aniversário no Parque Inhotim e lá fomos nós: as quatro irmãs, o marido de uma delas, o casal pais de quem vai chegar e um primo agregadíssimo e seu namorado, portanto formamos um grupo de nove pessoas (quase 10) que fomos transportados por três carros.


Dona Pandá pondera que falar do Inhotim é temerário, pois a bibliografia já é extensa, com textos de especialistas, há vídeos lindos e o site é bem completo. Resolveu, então, não entrar nessa competição, pois ela tem certa dificuldade de perder e a concorrência, neste caso, é imbatível. Optou por mostrar algumas belas e competentes fotos. O objetivo desta postagem parece, embora não confesso, ser o de motivar o leitor a ir pessoalmente verificar essa beleza toda.
O lugar possui a beleza natural e a arte humana. Em dado espaço a natureza sobrepuja o talento do homem que, em outros momentos é sobrepujado. A harmonia em todo o parque nunca se desfaz. A manutenção é impecável, assim como o treinamento das pessoas que ali trabalham, mostram uma energia própria de quem absorve o ambiente em que está inserido. Também a tecnologia é competentemente utilizada, com é o caso do Som da Terra.  



O visitante vai andando admirando o belo natural e se deparando com a criação humana.



No entanto, há algo muito intrigante que lá aconteceu e Dona Pandá quer socializar com uma provocação: quem souber explicar o fato que se pronuncie.
O pai das quatro irmãs se foi há dois anos. Ele gostava de pagar as contas, mesmo nos momentos quando seu próprio rendimento era o menor da família, estava sempre disposto a abrir a carteira. Um velho hábito de quem algum dia pode isto fazer. Dona Pandá não se lembra de nenhuma despedida em que ele não lhe perguntou se estava precisando de dinheiro. Ele se foi, deixou uma casa que foi vendida e todos seus objetos cuidadosamente examinados e escolhidos. Cada pessoa a ele ligada ficou com alguma lembrança.



Na hora do almoço, todos à grande mesa redonda verificando o cardápio com a assessoria daqueles que já conheciam as opções, quando a mana – a avó de quem vai chegar – mostrou uma carteira velhinha de documentos, que havia sido do pai. Contou que, na véspera, tinha novamente aberto uma gaveta e lá estava  a carteira já esquecida. Pegou-a e foi tirando os documentos – cartões de banco, do convênio médico e outros semelhantes - quando percebeu, pela primeira vez, apesar de já ter examinado a carteira em outras ocasiões, um dinheiro, algumas notas não muito novas. Guardou tudo como estava e trouxe para saber se alguma das irmãs havia lá colocado o tal dinheiro. Nenhuma havia feito aquela poupança. O garçom chegou para anotar os pedidos e a carteira foi momentaneamente esquecida. No momento de pagar a conta, como sempre acontece nessa família, todos queriam pagar. De um lado, a aniversariante queria oferecer o almoço para todos, de outro lado, todos queriam oferecer o almoço para a aniversariante. Alguém, então, disse:
- Pague com o dinheiro do Papai. – Todos acharam ótima a ideia. Pegaram a tal carteira, contaram, então, as notas e ... a soma coincidiu com a da conta do almoço.

  Para instigar, você leitor, algumas imagens, cuja escolha foi muito difícil, sendo mesmo o melhor ir até lá.








Crédito das fotos: Mila Lemos Cintra

sábado, 8 de dezembro de 2012

Dona Pandá vai às Alterosas III




Após o almoço oferecido pela sobrinha, Dona Pandá e a mana aniversariante foram para o Catita. Como a viajante havia prometido, vai mostrar com belas imagens o lugar de que já falara antes de sua ida às Alterosas.  Assim,  a postagem sobre o Catita está sendo reeditada com as fotos.


Dona Pandá está de novo com as malas prontas. Desta vez vai para as Alterosas comemorar o aniversário de sua irmã. Em mais uma demonstração de sua sabedoria, a aniversariante - que é sagitário - decidiu fazer a festa no Parque Inhotim, em Brumadinho, cercanias de Belô.

A mana sábia mora em um belo sítio, chamado Catita. Este nome é uma extensão do apelido carinhoso que seu companheiro lhe deu.

Na realidade, o sítio se chama Catita II. Houve o Catita I que ficava em uma região inóspita, povoada por amigos do alheio. Cansados de alimentar mesas, camas e outras cositas más de gente, cujas caras desconheciam, o casal vendeu o I e comprou o II.

Este se localiza em um condomínio chamado “Vale do Ouro” e fica às margens da BR 140, aquela que leva quem gosta de estrada de Belo Horizonte a Brasília. O lugar é aprazível – é pena que é fechado, seguro para quem está dentro – e o sítio, lindo, à imagem e semelhança da dona.



Dona Pandá confessa desavegonhosamente sua inveja pelos talentos da mana.Talentos múltiplos, mas a inveja é principalmente direcionada à estética. A mana sábia é cultuadora do belo, com extrema competência.



O Catita é todo um jardim com vários temas-recantos (seria recantos-temas?). Agora, é a época dos flamboaiãs que ficam trazendo e mostrando, durante todo o dia, o pôr-do-sol nas suas flores flamantes. Enquanto o mortal se embebeda com as cores, num pequeno desvio, os olhos alimentam a gula com as também bonitas, mas, sobretudo, deliciosas lichias que já estão anunciando as festas. O mortal dá um passo em direção aos outros flamboaiãs, seus olhos descuidadamente se abaixam um bocadinho e lá estão, ao pé da maravilha flambante, as orquídeas, tão lindas quanto tudo ao redor.





A composição dos recantos-temas mostra a sensibilidade da moradora. De um lado, o pomar generoso que privilegia o gosto de cada um. Dona Pandá recolhe as grapefruits para degustá-las com sal, como uma entrada tentadora e difícil de encontrar. A grande maioria das visitas prefere as negrinhas e dulcíssimas jabuticabas.
Dona Pandá está assumindo sua dificuldade de descrever a criação da mana, mas promete relatar com poucas palavras e mais imagens sua visita ao Catita.

Promessa cumprida com prazer.

Crédito das fotos: Mila Lemos Cintra


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Dona Pandá vai às Alterosas II


Almoço com quem vai chegar

                                   À Milza, Gabi e Guto

Depois de uma noite repousante na Sossego, Dona Pandá ganhou uma carona do cunhado até a rodoviária de Lagoa Santa, onde pegou o ônibus para Belo Horizonte. Lá, o motorista do táxi, como de hábito, pediu o destino da passageira que prontamente lhe respondeu: - Santa Efigênia.
- Pois não, senhora. Em que rua de Santa Efigênia?
-Dona Pandá se atrapalhava com o celular que, como é de hábito, lhe mostrava uma gentil mensagem na tela, sem dar conta de sua principal função, fazer um telefonema. O motorista:
- Senhora, em que rua a senhora vai? – E o celular dizia: - Dê dois toques para desbloquear. – Os dedos da aflita passageira obedeciam e a ligação, neca de pitibiriba. O motorista insistia na pergunta, enquanto Dona Pandá tentava chegar a um acordo com o celular, consciente de que aquela ligação precisava ser feita urgentemente, pois o carro corria pela ruas milagrosamente desertas de Belo Horizonte.
Ela só podia repetir:  - Já lhe digo...
– Estamos chegando a Santa Efigência...
- Espera aí, estou conseguindo a ligação. – E no telefone: - Já estou no táxi, qual o seu endereço? – Do outro lado da linha, a irmã que trocou de apartamento e Dona Pandá não sabia o novo endereço:
- Fala para o motorista ir até a Contorno...- Dona Pandá repetia em voz alta para o motorista que já levantava a voz:
- Já saímos da av. Contorno, qual a rua? – O telefone achando que precisava mostrar que não era um simples telefone, começou a chamar a atenção com ruídos diferentes e novas mensagens de tela, enquanto Dona Pandá, desconsolada, informava:
- Parece que a ligação caiu. – O motorista tirou o seu celular do painel e perguntou:
 – Qual é o número? – Ele, desconfiado da possibilidade de sua passageira conseguir usar um telefone celular, discou ele próprio e, em seguida, lhe passou o aparelho, dizendo:
 - Pronto, agora, é só falar. Diga para ela dar o nome da rua, eu estou na praça há 20 anos, sei chegar a qualquer lugar de Santa Efigência. – Dona Pandá se sentindo absolutamente imbecilizada, pegou o telefone e ouviu a irmã dizer:
- Já estou em frente ao prédio, esperando. - E e a passageira repete em voz alta:
- Ela já está em frente ao prédio. – E o motorista:
 - Pelo amor de deus, qual é a rua? – Dona Pandá que já estava com real dificuldade de raciocínio, repete:
 - Qual é a rua?
- Tenente... – O ágil motorista completa:
 - Já sei e o número?
- O celular, que funcionara tão prontamente, solidarizou-se com o aparelho paulista e desligou, deixando as falas para o ar e a passageira olhando incrédula aquele objeto mais estranho em sua mão. 
Toca, então, o seu próprio celular e a passageira aflitíssima, sem se preocupar em identificar a chamada, grita:
- O número do prédio? - Uma voz desconhecida responde:
- Vai gritar no ouvido da vovozinha! Quero falar com o Afrânio. – Dona Pandá com um suspiro consegue desligar e dizer baixinho:
- Era engano!
- Qual é o número? - Continua insistindo o perplexo motorista - Estamos na rua Tenente ... – - Qual é o número? – Então, a passageira, dando um pulo no banco e mostrando com todo o seu braço para frente:
- É ela, é minha irmã.
- Aquela que está abanando os braços com um pedaço de pano levantado? E os dois soltam, em uníssono, um prolongado e alto suspiro. 
Ao descer do carro, Dona Pandá ficou entre a delícia do abraço da mana e sua bronca por não ter se comunicada antes de pegar o táxi. Rindo, afinal, as duas abrem a porta do elevador e... a grande surpresa, lá estava a sobrinha e, na barrigona, quem vai chegar . Toda gentil conta que está preparando o almoço e uma pequena reunião – o pai de quem vai chegar  e a avó – a terceira irmã de Dona Pandá.
Só um pequeno parênteses: a avó - que é médica - colocou na internet todas as "fotos", com complicadas legendas, tiradas nas seções de ultrassom. Ela conseguia ver as parecenças do pezinho da neta com o seu. 

A gentil e linda sobrinha com quem vai chegar na barrigona
Dona  Pandá teve, pois, outra deliciosa recepção, além de ver quase toda a família e comer gostosamente, conheceu o novo apartamento da mana e o quarto já  preparado de quem  vai chegar.
O motivo escolhido para o quarto é coruja, o que imediatamente levou Dona Pandá a perguntar se a sobrinha-neta, que vai morar naquele lindo espaço, está predestinada a ser filósofa.
A família está na grande espera que deverá ser para as vésperas do natal, ou quem sabe se irá coincidir com o aniversário do ansioso papai. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dona Pandá vai às Alterosas I


 Visita à Sossego
               Para Mila e Gilbert que me levaram a revisitar Lagoa Santa

Dona Pandá está ansiosa para contar sua última viagem e, como prometeu, quer falar pouco – esta escrivinhadora está desafiando o leitor para uma aposta, nossa contadora de estórias não vai conseguir ficar de boca fechada – e mostrar mais, colocando muitas fotos. Estas são de autoria da maninha caçula que gentilmente as gravou num pen drive. Dona Pandá já saiu daqui com a intenção de explorar os dotes fotográficos da mana, pois lá chegando logo deu um jeitinho de passar o pen drive vazio para ser preenchido pelas paisagens mineiras.
Dona Pandá fez sua primeira parada justo na Sossego, casa da mana-fotógrafa, seu maridão e os seus cachorrinhos Petit e Bela. A Sossego fica em Lagoa Santa e aí vai um pouco do que é essa cidade simpática da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo o site da Prefeitura, a cidade encontra-se a 800 metros de altitude,
possui 231,9 km² de área e uma população de 54 526 habitantes (IBGE/2010).
Está localizada a 35 km de Belo Horizonte, 776 km de Brasília, 553 km do Rio 
de Janeiro e 641 km de São Paulo. É uma região calcária situada na Bacia
Média do Rio das Velhas, formada por Planaltos com relevos pouco acentuados,
clima tropical e temperatura média anual de 22º.

Felipe Rodrigues, um tropeiro, chegou a Lagoa das Congonhas do Sabarabuçu
sofrendo com eczemas na sua perna, parece que era a direita. Sentou-se à 
beira da água e começou a lavar suas partes dolorosas e, surpreso, sentiu
grande alívio. Acampou ali mesmo, onde ficou alguns dias se lavando na Lagoa. Rapidamente obteve a cicatrização daquelas incômodas feridas. Isto foi no ano de 1733, quando, fazendo justiça àquelas águas, passou a chamar o lugar de Lagoa
Santa
A notícia da cura milagrosa logo se espalhou pelos arredores e o pequeno
arraial passou a receber peregrinos em busca da cura para seus males. 
A perenidade da lagoa é atestada pelos relatos dos naturalistas viajantes,
desde o século XVII. Sua profundidade não ultrapassa três metros, sendo que,
a aproximadamente 40 metros de sua base, encontra-se um aqüífero que
contribui para a sua existência. É também, em grande parte, alimentada por
águas pluviais. Seu formato é triangular e, no período das cheias, seu 
vertedouro lança suas águas no Rio das Velhas, através do Córrego do
Bebedouro.
A criação da freguesia (para os pouco afeitos à nossa história, o amigo Aurélio
nos informa: povoação, sob o aspecto eclesiástico, sempre a primeira a aparecer
era uma pessoa com batina, pedindo grana para a construção de uma capela,
que, depois sobe de posto e de tamanho, virando igreja) de Lagoa Santa se deu
em 1823, quando se separou da de Santo Antônio de Roças Grandes.
A padroeira Nossa Senhora da Saúde é culpada de uma festa onde todos da
cidade e cercanias se divertem,  no dia 15 de agosto. Nessa ocasião tocam as
bandas e os grupos de congados e folia de reis dançam pelas ruas alegres da
cidade. Uma das bandas, a Santa Cecília, foi criada por Peter Lund, o
naturalista dinamarquês que colocou Lagoa Santa em relevante lugar no
cenário científico mundial.
Peter Wilhelm Lund, em sua segunda visita ao Brasil, foi parar em Lagoa Santa,
onde se deixou fascinar pelas riquezas geológicas, paleontológicas e 
arqueológicas da região e acabou descobrindo inúmeras cavernas (dizem que
mais de 800). Lund era acompanhado de seu assistente e ilustrador Peter
Andreas Brandt que o ajudou a identificar rico material paleontológico, além 
de remanescentes esqueletais humanos. A partir desses achados foram 
identificados mais de 100 gêneros e 149 espécies de animais, sendo 19 gêneros
e 32 espécies extintas. Entre as lapas, grutas e cavernas exploradas a mais
importante se localiza na Lagoa do Sumidouro.


Dona Pandá resolveu, pela sua importância, citar aqui, um trecho que
encontrou no site da Prefeitura da cidade. Fica, pois, o leitor informado de que
o que está em itálico é dessa fonte.
Na maior parte do tempo, essa gruta (da L. do Sumidouro) fica alagada, 
tornando impossível qualquer tipo de exploração em seu interior. Ainda assim, 
durante eventos de seca intensa que ocorrem a cada 30 anos, o nível freático
fica tão baixo que é possível entrar nela. Em 1842 e 1843, durante um desses
grandes períodos de seca, Lund e Brandt escavaram os depósitos subterrâneos

da gruta do Sumidouro, que eles já desconfiavam serem muito antigos.
Neles, encontraram ossos humanos de muitos indivíduos associados a ossos de
animais extintos, convencendo-se da antiguidade temporal do homem 
americano. Foi nessa mistura de espécies extintas e ainda vivas que 
apareceram os restos enigmáticos do cavalo e do homem, todos no mesmo 
estado de decomposição, de modo a não deixar nenhuma dúvida sobre a 
coexistência desses seres, cujos restos foram enterrados juntos. Portanto, mais de
três décadas antes que a comunidade norte-americana sequer começasse a 
cogitar a existência do Homem Glacial americano, e mais de meio século antes
que as primeiras evidências nesse sentido fossem geradas, Peter Wilhelm Lund 
já estava convencido de que os primeiros americanos eram tão antigos que 
haviam convivido com os grandes animais extintos.

Lagoa Santa tornou-se município, em 1938. Dona Pandá recomenda um passeio
especial à Gruta da Lapinha, um lugar bonito inserido em uma paisagem linda.

Sem muito entusiasmo, Dona Pandá registra que é nessa bela e acolhedora
cidade que colocaram o maior aeroporto de Minas Gerais, o Tancredo Neves.

Voltemos à hospitaleira casa Sossego, onde Dona Pandá se deliciou com um 
bom vinho e o maravilhoso queijo da Canastra. O mais interessante e
agradável da Sossego, além de seus moradores, é o quintal-pomar-jardim. 
O casal é um verdadeiro aproveitador de espaço, veja pelas fotos.

     Calçada em frente à Sossego

   Uma vista do quintal


   O outro lado do quintal: jabuticabeira e algumas ervas (citronela, alecrim...) 


  A horta na frente do quintal (olha o cacho de bananas!)


                Varanda lateral


   Detalhe do jardim: amores perfeitos

Para finalizar, uma preciosidade: a flor que só abre durante uma única noite.

  A Rainha da Noite

Crédito das fotos: Mila Lemos Cintra
   

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A guerra contra a esquerda no Brasil


Lincoln Secco
(no blog Viomundo)

Os recentes atos públicos contra o julgamento político a que foram submetidos dirigentes petistas como José Dirceu e José Genoíno levaram setores da grande imprensa a tentar pautar o Partido dos Trabalhadores e o próprio governo Dilma, sugerindo que não lhes interessaria a defesa de réus condenados, pois eles pertenceriam ao passado.
Todavia a esquerda, e não só a do PT, felizmente tem outra avaliação. A judicialização da política e a politização da justiça aprofundam a repressão seletiva contra os movimentos sociais, restaurando práticas superadas na história do Brasil. A esdrúxula interpretação que o STF concedeu à assim chamada teoria do domínio do fato poderá e provavelmente será usada contra o MST, o movimento estudantil, os sindicalistas, etc.

Trata-se de uma inflexão que se põe na contramão do avanço democrático conquistado pelo país desde o fim da ditadura militar.

Entre nós, também a democracia passou a ser vista como um valor universal e se tornou cada dia mais difícil julgar os opositores segundo critérios assumidamente políticos. Como também se faz mais difícil manter políticas econômicas de gerenciamento de crises contra os trabalhadores por governos eleitos regularmente. Na arena militar tornou-se contraproducente defender guerras de agressão e de conquista dirigidas por “Estados Democráticos”.

Para contornar essas dificuldades, a primeira “solução” encontrada consiste em ver a economia como se fosse uma organização natural. Assim, as eleições se limitariam à escolha de gestores com maior ou menor sensibilidade social. A gestão da economia deveria ser encaminhada por técnicos e por funcionários de bancos centrais “independentes”.

A segunda saída dentro da “democracia” levou à retomada do conceito de guerra justa, praticada supostamente em nome de valores universais. As guerras contra Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria e Palestina foram “justificadas” a partir dessa doutrina.

A terceira, e que mais nos interessa no momento, consiste na tentativa de transformar demandas sociais e políticas em questões similares à da justiça comum. Trata-se de um retrocesso, até mesmo em relação ao velho presidente Washington Luiz, que explicitava o caráter repressivo de seu governo admitindo que a questão social era caso de polícia. Mas é também um retrocesso perante as práticas da própria ditadura militar a qual distinguia presos políticos e comuns.

Cabe reconhecer que se trata, por outro lado, de um avanço da sofisticação das formas de dominação. Assim como a economia é naturalizada e a guerra é “humanizada”, a ação política é limitada e penalizada pelo ordenamento jurídico que se justifica em nome de um suposto conteúdo “ético”.

Que o PT e o atual governo tenham se iludido acerca da correspondência necessária dessas manifestações com a atual fase de desenvolvimento do capitalismo não nos deve surpreender. Eles fazem parte do sistema no qual se colocam como polo antitético interno. A atual crise revela mais uma vez que o capital e seus governos buscam conter a queda da taxa média de lucro através da destruição de direitos duramente conquistados pelos trabalhadores. Claro, em nome da racionalidade econômica, da democracia e do Direito.

Afinal, ninguém pode reclamar da taxa de juros, posto que ela é um preço que se autodefine no mercado como qualquer outro. Ninguém deve se insurgir contra as agressões imperialistas, já que elas são intervenções humanitárias. E quem vai se levantar para defender “criminosos comuns”?

Que um julgamento seja um “marco histórico” justamente com dirigentes do PT no banco dos réus; que ministros do STF, numa simbiose estranha com os meios de comunicação, tenham cobertura televisiva de celebridades; que racistas contumazes tenham recentemente descoberto num negro um herói de ocasião; que o cerne da tese do procurador-geral da República seja comprovadamente falsa; que os crimes eleitorais de alguns dos acusados (graves em si mesmos) tenham se transformado “em maior atentado à República”; que o ex-ministro José Dirceu, contra quem não se encontrou prova alguma, seja o mais gravemente apenado de todos os deputados julgados; tudo isso seria cômico se não fosse apenas o anúncio de uma guerra de extermínio contra a esquerda.

A maioria do eleitorado rejeitou o uso político de escândalos e literalmente votou contra o STF. Que juízes em nome de leis casuísticas possam cassar mandatos populares de pessoas eleitas pelo povo é um exercício de autoritarismo inédito em nosso país. A atual configuração da lei eleitoral procura tutelar o eleitor, considerando-o inapto para exercer seu democrático direito à livre escolha de seus representantes. Parte-se do primado “iluminista” de que os eleitores estão mergulhados nas trevas e não conhecem o passado e as ações dos candidatos. Mas, em nome de que princípio um juiz se arvora o direito de cassar a vontade popular?

É evidente que toda justiça corresponde à ideologia dominante, mas ela deve repelir a violação de ritos processuais que garantem a sua aparente neutralidade. A politização explícita da justiça cobrará o seu preço porque a história não para. Chegará o momento de limitar o mandato dos juízes e exigir sua escolha mediante eleições diretas. Que se comportem como políticos é mais do que normal. Mas não que sejam ditadores vitalícios.

Cuidado com as notícias, se você é honesto!

Dilma, Dirceu e Lula são alvo de notícias falsas na mídia conservadora 


Dirceu é foco de ataques na mídia conservadora

Diante da série de derrotas nas urnas, da perda diária de leitores para os meios alternativos de comunicação e pressionados pelas obrigações cada vez maiores das despesas e custos fixos com os quais precisam arcar, em um mercado publicitário abalado pela crise econômica mundial, jornais, rádios e canais de televisão pertencentes aos grupos empresariais ligados à direita, no Brasil, levantam o tom contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta Dilma Rousseff e o ex-ministro JoséDirceu, em novas e seguidas tentativas de desgastar a imagem pública dos principais líderes de esquerda no país. A rotina de investigações da Polícia Federal e os consequentes encerramentos de inquéritos, a exemplo daOperação Porto Seguro, transformam-se em espetáculos mediáticos nos quais Lula, Dilma e José Dirceu são imediatamente citados, sem nenhuma prova, nenhuma evidência de culpa.

A velha estratégia de manchetar o assunto no qual envolvem seus desafetos, lhes atribuir a tarefa de provar serem inocentes e, uma vez provada a inocência, consignar apenas um registro de rodapé tem sido uma constante nos últimos anos, mesmo sem resultados favoráveis à mídia conservadora. Em um texto encaminhado ao Correio do Brasil, José Dirceu registra este fato: “Encerradas as investigações, denunciados os responsáveis e finalizados os inquéritos, comprovou-se que eu nunca tive ligações com nada disso”.

“Encerrados a ‘temporada’ e o sucesso midiático do escândalo, silenciam quanto ao fato de nada ter se provado contra mim”, acrescentou o ex-ministro.

Ao contrário do que a imprensa conservadora se apressou em divulgar, nos últimos dias, também não existe qualquer registro de troca de telefonemas entre a ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa Noronha, e o ex-presidente Lula. A notícia, divulgada com estardalhaço nos maiores jornais do país, nas TVs e rádios de propriedade dos grandes grupos de comunicação, simplesmente é falsa. Quem garante é a procuradora da República Suzana Fairbanks, responsável pelas investigações que culminaram naOperação Porto Seguro – em que Noronha foi indiciada por suspeita de tráfico de influência e corrupção passiva. Os jornais mantidos pela direita no país chegaram a afirmar que foram centenas de telefonemas.

– Conversa dela com o Lula não existe. Nem conversa, nem áudio e nem e-mail. Se tivesse, nós já não estaríamos mais com a investigação aqui. Eu não sei de onde saiu isso, porque nunca tive acesso (a tal informação). Vocês podem virar de ponta cabeça o inquérito, em toda a investigação – afirmou a procuradora a jornalistas.

Sobre o ex-ministro José Dirceu, Fairbanks garante que, apesar de ele ter sido citado nos e-mails de Rosemary, também não há qualquer indício de sua participação no esquema.

– Não tem uma relação direta dele de sociedade ou de eventual lucro – pontuou.

A PF e a Procuradoria têm 600 páginas com conteúdo da investigação sobre a ex-chefe de gabinete, que foi exonerada do cargo, na segunda-feira. A PF recolheu e fez cópia da memória de computadores e documentos de Noronha, tanto de sua sala, no escritório da Presidência, como de sua casa. De acordo com a procuradora, Noronha, devido à posição que ocupava, tinha acesso a pessoas com “os cargos mais altos” e “vendia sua influência”. Ela teria conseguido a nomeação, em maio de 2010, do diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira, e do diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Rubens Carlos Vieira. Os irmãos são acusados de chefiar a quadrilha.

– Eles sabiam que ela tinha acesso a gente privilegiada dentro do governo. Tanto que se utilizava desse cargo, e aí é que está o crime, para fazer contatos de interesse deles. Agendamento de reunião com políticos, nomeação deles nas agências reguladoras. Ela ficava lá, pegando no pé do pessoal do alto escalão, porque tinha essa proximidade, tinha proximidade física. Ela debate muito com eles, ‘vou falar com fulano, vou falar com sicrano’. Mas eu não sei exatamente com quem ela conseguiu isso (as nomeações). O fato é que estava tentando e ela estava veementemente trabalhando nisso – disse a procuradora.

O “pagamento” pelas nomeações, segundo a procuradora, era feito com dinheiro para cirurgias e novas nomeações, agora realizadas pelos irmãos Vieira, supostamente em benefício de Noronha ou pessoas ligadas a ela. Nenhuma das pessoas beneficiadas também guardam qualquer proximidade com Lula, Dilma e Dirceu.

Irmãos Valente

O alvo principal da operação são os irmãos Paulo, Rubens e Marcelo Valente, acusados de comandar um esquema criminoso infiltrado dentro de órgãos federais.

– A documentação dos autos é muito característica. Eles não param de cometer crimes, a polícia até usa essa expressão quando pede as prisões. O fundamento é: eles simplesmente não param de cometer crimes. E foi o que a gente percebeu. É o tempo inteiro, é o modus operandideles, está na vida deles, eles só fazem isso o tempo inteiro – disse a procuradora, na noite passada.

Os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA); Rubens Carlos Vieira, ex-diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); e Marcelo Rodrigues Vieira, empresário, foram presos na última sexta-feira, acusados de formação de quadrilha. Segundo a procuradora, eles vendiam pareceres a grupos empresariais para os mais diversos fins.

– O processo do Tribunal de Contas da União que gerou toda essa investigação era a concessão de áreas no terminal do Porto de Santos que não tinham sido licitadas – disse.

A investigação da Operação Porto Seguro começou com um inquérito civil público para a apuração de improbidade administrativa. O ex-auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Cyonil da Cunha Borges de Faria Júnior revelou ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal que lhe foram oferecidos R$ 300 mil para que elaborasse um parecer técnico a fim de beneficiar um grupo empresarial do setor portuário que atua no Porto de Santos, a empresa Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi), em um contrato com a Companhia Docas de São Paulo (Codesp).

– Ele (Cyonil) é um corrupto que sofreu um golpe, porque recebeu um calote do pagamento, não pagaram tudo e ele resolveu denunciar o esquema. Eram R$ 300 mil (o prometido) e ele recebeu R$ 100 mil, e ficou cobrando os outros R$ 200 mil – destacou.

Dirceu citado

Indignado com a citação de seu nome como suspeito em um esquema do qual não há a menor evidência capaz de ligá-lo aos crimes investigados na Operação Porto Seguro, o ex-ministro José Dirceu apontou a mídia conservadora como origem das notícias falsas. “Por várias vezes em anos recentes, a imprensa (ligada à direita) vinculou-me a escândalos que, depois de concluídas as investigações, denunciados os responsáveis e finalizados os inquéritos, comprovou-se que eu nada tinha a ver com tais episódios. Meu nome nem sequer figurou como testemunha nestes processos”, desabafa.

“Foi assim pelo menos seis vezes: nos casos Celso Daniel; MSI-Corinthians; Eletronet; Operação Satiagraha; Carlos Alberto Bejani, ex-prefeito de Juiz de Fora (MG), do PTB; e Alberto Mourão, ex-prefeito de Praia Grande (SP), do PSDB. Em alguns desses casos – como Bejani, Eletronet e Satiagraha –, meu nome foi parar no noticiário das TVs. Repito: encerradas as investigações, denunciados os responsáveis e finalizados os inquéritos, comprovou-se que eu nunca tive ligações com nada disso”, acrescentou o ex-ministro.

“Agora, a história se repete. A partir de declarações de Cyonil Borges, ex-auditor do TCU sob investigação da Polícia Federal na Operação Porto Seguro, que apura denúncias relacionadas a Paulo Vieira (ex-diretor da Agência Nacional de Águas-ANA), de novo sou envolvido. Gratuitamente. Irresponsavelmente, como das outras vezes. As investigações ainda estão em curso e meu nome já é escandalosamente noticiado como relacionado ao caso. Não custa recordar que Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, fez o mesmo: acusou-me de beneficiário de esquema de corrupção que teria havido em Santo André. Quando o processei por calúnia, ele afirmou em juízo que ouvira de terceiros que eu era o destinatário de recursos financeiros ilegais para campanhas eleitorais do PT”, pontuou José Dirceu.

Ainda segundo o líder petista, “Francisco Daniel retratou-se, de forma cabal e indiscutível na Justiça. Mas isso praticamente não foi noticiado pela imprensa. E continua sem ser noticiado quando a mídia com frequência volta ao caso Celso Daniel. Ela repete a acusação que me foi feita por Francisco, sem registrar – ou fazendo-o sem o menor destaque – que ele se retratou. Assim foi em todos os demais casos que lembrei. Envolvem meu nome no noticiário com o maior estardalhaço, mas encerrados a “temporada” e o sucesso midiático do escândalo, silenciam quanto ao fato de nada ter se provado contra mim – pelo contrário, as investigações terem concluído que eu não tive o menor envolvimento com o caso em pauta”.
Nossa fonte: Correio do Brasil.