Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Diretora geral da UNESCO diz que Rio+20 será marco na história



A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova, disse nesta  que a Conferência Rio+20, programada para ocorrer entre 13 e 22 de junho, no Rio de Janeiro, será um marco histórico mundial. A diretora-geral acrescentou ainda que o resultado da Rio+20 será de grande “importância” para o meio ambiente global nos próximos dez anos. As informações são da Unesco.

Rio+20
A A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse que a falta de diálogo entre políticos é responsável pelo degradamento ambiental
–Rio+20 deve ser lembrada como um marco histórico. É o início de uma transição global verde. Essa é a visão da Unesco que orienta nosso trabalho no desenvolvimento de ações nas áreas de educação, ciências, cultura, informação e comunicação para um futuro mais sustentável–, disse Bokova.
Segundo a diretora-geral, a conferência oferecerá ao mundo a “oportunidade única” de avançar na construção de uma agenda global para o desenvolvimento sustentável. De acordo com Irina Bokova, todos devem se esforçar na elaboração das propostas e na execução das ações – países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Bokova disse ainda que a falta de diálogo entre os líderes políticos e gestores contribui para acentuar a “grave degradação dos recursos naturais do mundo”.
Pelo menos cem presidentes da República e primeiros-ministros são esperados na Rio+20, além de 50 mil credenciados. Os demais números referentes às pessoas que trabalharão no evento – direta e indiretamente – e visitantes ainda estão sendo calculados.
A Rio+20 ocorre duas décadas depois de outra conferência que marcou época, a Rio 92. O objetivo agora é definir um modelo internacional para os próximos 20 anos com base na preservação do meio ambiente, mas com o foco na melhoria da condição de vida a partir da erradicação da pobreza, por meio de programas sociais, da economia verde e do desenvolvimento sustentável para uma governança mundial.
A conferência conta com o apoio e o comando da Organização das Nações Unidas (ONU). O secretário-geral do encontro é o diplomata chinês Sha Zukang. Porém, a presidenta da conferência é Dilma Rousseff.
Nossa font:CdB

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

STF que soltou Daniel Dantas nega Habeas Corpus para José Rainha

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, indeferiu nesta segunda-feira (16) pedido de liminar para Habeas Corpus em favor de José Rainha e de dois outros militantes da reforma agrária que atuam no estado de São Paulo.

Os três estão presos numa decisão política e em favor do latifúndio, tomada por um juiz federal de Presidente Prudente. Pelos “crimes” apontados, percebesse bem qual o entendimento do magistrado sobre a luta pela reforma agrária.

O mais impressionante na decisão expedida pelo presidente do STF é que ele se fundamenta, para impedir a soltura dos militantes, em um precedente de negação de Habeas Corpus relatado pelo ministro Gilmar Mendes. Sim, ele mesmo, o Gilmar Dantas que mandou soltar Daniel Dantas duas vezes e o médico estuprador Roger Abdelmassih, que imediatamente fugiu do Brasil.

Peluso se reportou à decisão do juiz de Presidente Prudente, segundo o qual, mesmo após sua prisão, José Rainha e Antonio Carlos teriam ameaçado uma testemunha. Não levou em conta o argumento da defesa de que a suposta ameaça foi sustentada por uma denúncia anônima.

Dois pesos...
Ou seja, para manter José Rainha preso, vale uma denúncia anônima de ameaça à testemunha. Mas para soltar Daniel Dantas, não vale uma mala com dois milhões de reais, entregue numa tentativa de suborno, filmada e exibida para milhões de pessoas no Jornal Nacional. 

A cada decisão do Supremo, comprovasse que aquele Tribunal é o retrato mais fiel de como ainda é injusto o Brasil. E cada vez mais descobrimos como são sábias as palavras da ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, que afirmou que existem “muitos bandidos de toga”. 

De Brasília, Kerison Lopes

Nossa fonte:Vermelho

"A vida quer é coragem - A trajetória de Dilma Rousseff, a primeira presidenta do Brasil"


"A vida quer é coragem - A trajetória de Dilma Rousseff, a primeira presidenta do Brasil", escrito pelo jornalista Ricardo Batista Amaral e publicado pela Editora Sextante.

De estupros e outros crimes faz-se a Rede Globo


Por André Cintra

     Aos 31 anos, o modelo Daniel Echaniz alcançou a fama. Para chegar lá, não precisou de 15 minutos. Bastaram-lhe sete. Poderia ter brilhado em tradicionais passarelas da moda ou em milionários anúncios publicitários. Foi virar celebridade num dos programas televisivos de maior audiência no Brasil – o “Big Brother Brasil 12”.


     O porém é que, para Daniel, a fama veio pelo avesso. Pesa contra o modelo a acusação de ter estuprado a estudante Monique Amin, de 23 anos, em meio a uma madrugada de bebedeiras, de sábado para domingo passado, num dos ambientes do reality-show da TV Globo. Daniel teria molestado uma desacordada Monique por 25 minutos, dos quais apenas sete foram transmitidos ao vivo para assinantes do pay-per-view do “BBB”. Uma gravação em vídeo já está em poder da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
     A cena do suposto estupro foi vista por centenas de milhares de pessoas em sites de compartilhamento de vídeos e repercutiu até na imprensa internacional. Alvo de crescente execração pública nas redes sociais, Daniel foi eliminado do reality- show nesta segunda-feira (17), “devido a um grave comportamento inadequado”, conforme a nota oficial da Globo.
     A situação de Daniel Echaniz é complicada, para dizer o mínimo. Seu destino está nas mãos de Monique — que, ao sair do “BBB”, poderá se submeter a exame de corpo de delito e formalizar uma denúncia contra o modelo. Aberto o inquérito, Daniel correrá o risco de ser preso, com reclusão de oito a 15 anos. É uma reviravolta impensável para um sujeito que, duas semanas atrás, mal desconfiava que seria um dos escolhidos para disputar o prêmio de R$ 1,5 milhão do programa.
    Recorrentes baixarias
    Difícil é prever se a Globo sairá incólume do caso. Não que, nos quase 47 anos de história da emissora carioca, esse novo episódio pareça raio em céu azul. Criada à margem da lei em 1965 — e consolidada à base de inúmeros escândalos, alguns conhecidos, outros acobertados —, a Globo nunca considerou a ética uma moeda de livre circulação em seu território. Muito pelo contrário.
     Historicamente, o dia a dia na emissora sempre foi povoado, como diria o filósofo, por artimanhas tais quais “o engano, o lisonjear, mentir e ludibriar, o falar-por-trás-das-costas, o representar, o viver em glória do empréstimo, o mascarar-se, a convenção dissimulante, o jogo teatral diante de outros e diante de si mesmo”. Com o “BBB”, ano após ano, “essa arte do disfarce chega a seu ápice”.
     Que o diga a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Uma única edição do Big Brother — a décima, exibida de agosto de 2009 a abril de 2010 — fez chegar à comissão nada menos que 227 denúncias de “desrespeito à dignidade humana, apelo sexual, exposição de pessoas ao ridículo e nudez”. Na visão da Globo, a perda de audiência e de credibilidade era compensada com faturamentos recordes.
     A carta branca para a baixaria se incrementou na 11ª edição, no primeiro trimestre de 2011. Antes mesmo de o programa começar, o diretor-geral do reality show, J.B. Oliveira, o Boninho, já anunciava uma série de mudanças para “esquentar” a atração. “Nada é proibido no BBB, pode fazer o que quiser. Esse ano... liberado! vai valer tudo, até porrada”, escreveu ele no “Twitter”, prometendo ainda álcool à vontade: “Vai ser power... chega de bebida de criança. Acabou o ICE no BBB, esse ano TUDO vai ser diferente”.
    “Circo de débeis mentais”
     Não é nenhum exagero apontar que o episódio do estupro decorre dessa inacreditável escalada de permissividade. “Para ser bem franco, eu achava que iria haver um assassinato no ‘BBB’, antes de acontecer um estupro. Desde muito tempo que o critério de seleção para o programa tem sido a demência intelectual, o comportamento antissocial, o perfil violento e a falta de caráter, tudo isso potencializado em festas regadas a enormes quantidades de álcool”, sintetizou o jornalista-blogueiro Leandro Fortes.
     “Que tenha aparecido um idiota para estuprar uma mulher quase em coma alcoólico não chega a ser exatamente uma surpresa, portanto”, emenda. Suas críticas se dirigem especialmente ao jornalista Pedro Bial, chamado por Leandro de “mestre-de-cerimônias desse circo de débeis mentais montado pela TV Globo”.
     Qualquer mestre-de-cerimônias, como se sabe, tem limitada autonomia para fugir do script. Pode-se topar o (digamos assim) “desafio profissional” por inúmeras razões — mas não consta que Pedro Bial demonstre algum tipo de repúdio às aberrações do “BBB”. No caso do suposto “estupro”, o comportamento de Bial seguiu à risca a máxima da americana Janet Malcolm: “Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável”.
      Na noite de domingo, em sua primeira aparição depois da polêmica — e da repercussão do caso nas redes sociais —, o apresentador do BBB se limitou a reduzir tudo a um chavão: “O amor é lindo”. Horas antes, a pedido do departamento jurídico da Globo, o vídeo do suposto estupro foi apagado na página do “BBB” na internet e em sites como o “YouTube”. Boninho chegou a dizer que “não rolou” crime e que “eles (Daniel e Monique) supostamente transaram”. Artistas globais que criticaram Daniel ou o programa foram igualmente censurados.
     Os "limites"     Já se sabe, a esta hora, que a “operação abafa” da Globo fracassou rotundamente. Graças ao corajoso delegado Antonio Ricardo, uma diligência policial foi ao estúdio do Projac, no Rio, para ouvir Daniel e Monique, por “suspeita de abuso sexual”. A Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, pediu que o Ministério Público do Rio de Janeiro tomasse “providências cabíveis” na apuração do caso, em consideração às “demandas encaminhadas por cidadãs de várias cidades brasileiras”.
      O fato é que a expulsão de Daniel do “BBB” ocorreu apenas quando a Globo se viu prestes a ser indiciada por “crime de omissão” — o que poderia tirar o programa do ar. Depois de abrir as portas do Projac para a polícia e cortar até o áudio do reality-show, a emissora se deu conta de que uma crise de credibilidade também estava em curso.
      Só então Bial esqueceu que “o amor é lindo” e falou em “violação do regulamento”, enquanto Boninho finalmente admitiu que Daniel “passou dos limites do relacionamento com as pessoas” e que “o comportamento dele foi excessivo”. Para todos os efeitos, o crime e a e Globo estão, mais uma vez, de mãos dadas.
     Na zona das sombras, a emissora da família Marinho prometeu colaborar “ao máximo” com a investigação e arcar com os custos judiciais do agora ex-BBB Daniel. Falta combinar quem prestará assistência à suposta vítima, Monique Amin, a quem a Globo não teve nem sequer a dignidade de mostrar a íntegra das polêmicas imagens. E falta, sobretudo, reconhecer que violar regras, ultrapassar limites e cometer excessos são práticas consagradas, há pelo menos 47 anos, pela própria Globo.

Fonte: Fundação Maurício Grabois

PAUTA 2012


Frei Betto


     Tudo indica que não teremos pela frente um ano fácil. A crise do capitalismo, que não é apenas financeira, mas estrutural, começa a afetar as economias emergentes, inclusive a do Brasil. Nada indica que os países da zona do euro vão deter a corrosão de suas economias e manter a mesma moeda.     

    Se a China, os EUA e a União Europeia reduzirem suas importações, o PIB brasileiro, que já chega ao patamar de R$ 4 trilhões (= US$ 2,5 trilhões) cairá junto com o crescimento do país. O governo Dilma dará tratos à bola para aquecer o mercado interno, segurar a inflação e favorecer o crédito. Tomara que consiga. Mas tudo indica que nessa viagem rumo ao desenvolvimento o Brasil enfrentará sérias turbulências.      
     Os próximos meses terão, como pauta prioritária, as eleições municipais de outubro. De novo, muita baixaria vai rolar... O importante é o eleitor não torcer o nariz para o processo eleitoral. Lembre-se: quem tem nojo de política é governado por quem não tem.      
      Deixo uma sugestão: faça uma lista de 10 prioridades que você e sua comunidade (associação, sindicato, ONG etc) consideram urgentes ao seu município. Tire cópias. Toda vez que um candidato a prefeito ou vereador vier pedir voto, pergunte, sem mostrar a lista, se concorda com os 10 pontos. Se disser que sim, apresente a lista e exija que ele assine. Se não assinar, alerte os eleitores.      
     Para que os candidatos se comprometam com metas e prazos, consulte as propostas da Rede Nossa São Paulo:www.nossasaopaulo.org.br     
     Outro assunto que dominará o ano são as obras da COPA. Haja esforço para que terminem antes de a bola rolar e haja fiscalização para evitar (ou ao menos reduzir) a corrupção via superfaturamento!      
    Entre 4 e 6 de junho, o Brasil sediará o megaevento ambiental conhecido como Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável) – vinte anos após a Eco 92, que reuniu líderes mundiais, inclusive Fidel Castro. A proposta de realização deste evento foi de Lula, em 2007.      A Eco 92 rendeu frutos importantes, como a Agenda 21, a Carta da Terra, e as convenções do Clima e da Biodiversidade.      
     A diplomacia brasileira terá de fazer muito esforço para trazer à Cidade Maravilhosa ao menos meia dúzia de chefes de Estado do G8, os países que governam o planeta. Isso porque o G8 está cada vez menos interessado em preservação ambiental, e mais em tirar suas nações da recessão.    
      Paralela à Rio+20 haverá a Cúpula dos Povos, que reunirá ONGs e empresas, universidades e associações, enfim, segmentos da sociedade civil interessados na questão ambiental.     
      E atenção: o Calendário Maia termina em 2012. Há quem encare isso como anúncio do fim do mundo! Há quem afirme ser o início de novo ciclo cósmico! Não se afobe. Faça de 2012 o fim de tudo isso que reduz sua qualidade de vida e o início do que pode melhorá-la. Garanto que você terá um feliz ano novo!


Frei Betto é escritor, autor do romance “Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto. 
Copyright 2012 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br) 


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Chile: os 55 anos de morte de Gabriela Mistral


A escritora chilena concebeu sua obra em íntima relação com a luta pela popularização do ensino e contra a burguesia conservadora de seu país. Ao mesmo tempo esse sistema de ensino é ainda hoje atacado pela mesma burguesia chilena que hipocritamente ergue monumentos, museus e honrarias vazias a Gabriela Mistral 


Por Antonio Ateu


     Gabriela Mistral foi a maior poetisa do Chile e uma das mais importantes da América Latina. Ela militou ao longo de toda a vida nos movimentos de democratização do ensino, dentro e fora de seu país e lutou pelo acesso à cultura para a população pobre. Ela tornou-se desse modo, uma das mais destacadas intelectuais ligadas a esse movimento democrático. Como defensora dos direitos das mulheres, Mistral tornou-se também uma importante precursora do moderno movimento feminista e ocupou também destacados cargos administrativos no governo chileno.
     A escritora nasceu 1889, em Vicuña, e seu nome de nascimento é Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga. Foi apenas quando começou a se tornar conhecida entre os meios literários chilenos que, após usar diversos pseudônimos, ela adotou o pseudônimo Gabriela Mistral, nome criado da combinação dos nomes de dois grandes poetas, os favoritos da escritora; o italiano Gabriele D'Annunzio e o francês Frédéric Mistral, ambos ligados a movimentos nacionalistas em seus países.
     Ela foi criada desde a infância na região dos Andes, na pequena vila de Montegrande. Sua mãe, Petronila Alcayaga, era costureira, e tanto seu pai, Juan Gerónimo, quanto sua irmã mais velha, Emelina Molina, eram professores locais. Juan Gerónimo abandonou a família e a cidade quando Gabriela tinha ainda três anos, de modo que, mais tarde, foi Emelina quem lhe alfabetizou. Seu pai era poeta amador, e, anos mais tarde, Mistral contaria que as poesias dele foram as primeiras que leu na vida e logo despertaram nela sua paixão pela poesia.
     Aos 15 anos, Gabriela já trabalhava para complementar a renda familiar. Ela havia se mudado para o litoral, trabalhando como professora auxiliar em Compañia Baja.
     É nessa idade que ela publica seus primeiros poemas em jornais da região como El Coquimbo: Diario Radical eLa Voz de Elqui. Eram os poemas Ensoñaciones, Carta Íntima e Al Junto Mar.
     Em 1906 se envolveu com Romelio Ureta, um operário ferroviário. A relação entre os dois teria uma importância substancial na vida da poetisa, e foi um grande choque para ela o suicídio de Ureta em 1909.
      Até então o tema da morte já estava presente em sua obra, mas a partir de 1909, Gabriela Mistral passaria encarar de uma forma mais ampla e profunda esse problema, vindo a escrever alguns dos melhores poemas sobre a morte na tradição das letras modernas na América Latina.
     Seu nome tornou-se conhecido nos meios literários chilenos a partir de 1914, quando ela ganhou um prêmio pela obra Sonetos de la Muerte, poema inspirado no suicídio de Ureta. Foi também nessa ocasião que ela começou a publicar assinando com seu pseudônimo, Gabriela Mistral.
     Ela trabalhou como professora ao longo de toda a década de 1910. Após destacar-se como educadora em quatro diferentes instituições, em 1918 Gabriela foi indicada pelo então ministro da Educação, Pedro Aguirre Cerda, para coordenar um Liceu em Punta Arenas. Em 1921 ela venceu uma nova disputa, agora para coordenar o Liceu de Santiago, a mais importante escola para garotas do Chile.
     Ela permaneceu no cargo, porém, apenas um ano, e em 1922 abandou seu país para se estabelecer no México. Ela trabalhou ali próxima do governo, junto ao ministro da Educação mexicano, José Vasconcelos. Com ele Mistral tomou parte em seu grande projeto de reforma educacional que criava o primeiro sistema nacional de ensino do México.
     Ela escrevia ativamente nesses anos, publicando em 1922, o livro de poemas Desolación, e pouco mais tardeLecturas para Mujeres, uma obra de grande importância influenciada pela Revolução Mexicana, onde ela desenvolvia em prosa e verso uma visão do futuro do continente latino-americano.
     Ela permanece dois anos no México e depois parte para uma série de viagens pelos Estados Unidos e Europa. Na Espanha publica o livro Ternura, formado principalmente por versos que tinham como tema os sofrimentos das crianças espanholas.
     Gabriela Mistral encerraria sua atividade como professora em 1925, momento em que passa a dedicar-se exclusivamente à política, dando palestras e conferências sobre os problemas do sistema de ensino latino-americano e apresentando propostas para solucioná-lo.
     O processo de cooptação da escritora pelo imperialismo vê-se no convite que ela recebe em finais de 1925 para ingressar na Cooperação Intelectual da Liga das Nações representando a América Latina. Ela parte aí para a França e nunca mais volta a morar no Chile. Em 1932 ela é nomeada cônsul, e atua ao longos anos em Nápoles, Lisboa, Madri, Nice, Los Angeles, Nova Iorque, Petrópolis, Santa Barbara, Veracruz e Rapallo.
     Além de suas palestras e conferências, nesses anos Mistral publicou também dezenas de artigos em diferentes periódicos internacionais falando sobre problemas relacionados à educação, mas também sobre literatura.
     Em 1938 Gabriela Mistral publicou em Buenos Aires a coletânea poética Tala, e o dinheiro das vendas do livro foi destinado a um fundo às vítimas da Guerra Civil Espanhola.
     Sua primeira antologia poética viria em 1941, e pouco mais tarde, em 1945, ela é indicada ao Prêmio Nobel de Literatura, e torna-se a primeira escritora latino-americana a receber a nomeação.
     O período mais produtivo da atividade da poetisa, porém, já havia passado. Mistral publicaria seu livro seguinte apenas em 1954, Lagar, cujos poemas voltavam-se novamente para o tema da perda e da morte, motivados pelo suicídio de um sobrinho de Mistral, em 1943, com apenas 17 anos.
     Desde a década de 1940 a escritora descobrira sofrer de um câncer no pâncreas. Ela passou o resto da vida tratando-se do câncer em uma época em que ainda não existia um tratamento confiável para doença. Mistral viria a morrer desse câncer em janeiro de 1957.
      Em seu testamento, Mistral destinou tudo o que possuía às crianças pobres de Montegrande, o povoado onde passara boa parte de sua infância.
      Atualmente Mistral é reconhecida no Chile como a maior poetisa nacional, onde existem monumentos em sua homenagem, ruas e museus que levam seu nome. Um trem de metrô procura manter sua memória, com fotos dentro do vagão, e sua imagem foi impressa na nota de cinco mil pesos. Apesar de todas as honrarias, essa é obviamente uma atitude demagógica da burguesia chilena, já que a poesia da grande escritora foi formada a partir da luta pela democratização – a qual o governo é ainda hoje totalmente contra. Se estivesse viva, Mistral certamente estaria do outro lado das barricadas, lutando ao lado dos estudantes em defesa do ensino público de qualidade contra a política de destruição das universidades que é a atual política da burguesia chilena.

Fonte: Blog do Nassif

sábado, 14 de janeiro de 2012

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2012


Frei Betto

Porto Alegre abrigará, de 24 a 29 deste mês de  janeiro, o FSM (Fórum Social Mundial) centrado no tema “Crise capitalista –  justiça social e ambiental”. O evento é uma das atividades preparatórias da  Cúpula dos Povos da Rio+20, que se reunirá na Cidade Maravilhosa entre 20 e 21  de junho de 2012.
O FSM se realiza no momento em que vários povos se  movimentam por liberdade e democracia, como ocorre no mundo árabe. No  Ocidente, a crise do capitalismo suscita o movimento Ocupem Wall Street. As  duas manifestações têm em comum clareza quanto ao que não se quer, sem,  no entanto, apresentar propostas alternativas viáveis. 
No último 15 de outubro, houve mobilizações em quase 1  mil cidades de 82 países! No mundo andino, povos indígenas questionam o modelo  capitalista de desenvolvimento e resgatam os valores do bem viver - sumak  kawsay. 
Como resultado da incompetência de um  sistema que prioriza a acumulação privada da riqueza em detrimento dos  direitos humanos, sociais e ambientais, o capitalismo conhece, agora, nova  crise. Diante dela, a reação dos donos do poder é o samba de uma nota só:  austeridade, cortes, aumento de impostos e desemprego, flexibilização das leis  trabalhistas, congelamento de salários. 
Salvam-se os bancos e dane-se a população. Mais  miséria à vista; jovens sem perspectiva de futuro, condenados à droga e ao  crime; fluxos migratórios desordenados.
Do lado da esperança, e após três décadas de  globocolonização neoliberal, as manifestações sinalizam valores positivos como  a empatia pelo sofrimento alheio, a solidariedade, a defesa da igualdade, a  busca de justiça, o reconhecimento da diversidade e a preservação ambiental.  Sem esse universo ético não há esperança de se construir um outro mundo  possível.
É preciso reinventar a convivência  humana. E, da parte dos donos do poder, não há nenhuma proposta fora da  preocupação de não refrear a roleta do cassino global. A crise ambiental é  ignorada pela ONU, pelos governos dos EUA e da União Europeia, e nada garante  que a Rio+20 conseguirá reunir, como na Eco-92, chefes de Estado dos países do  G8.
Mercantiliza-se a vida, destroem-se os  ecossistemas, reduz-se rapidamente a biodiversidade. Em todo o planeta,  acentuam-se os empreendimentos extrativistas, sem nenhuma preocupação com seus  impactos sociais e ambientais. Áreas fundiárias são descaradamente  transnacionalizadas em países do Terceiro Mundo. 
Em Belém 2009 e Dakar 2011, o FSM deu passos  significativos na busca de alternativas ao desenvolvimentismo e ao consumismo,  tendo em vista a preservação ambiental. Agora, a luta social é oxigenada pela  busca de democracia e soberania nos países árabes, e as amplas manifestações,  na Europa e nos EUA, contra a lógica necrófila do neoliberalismo.  
Se outro mundo é possível, isso se dará a  partir da convergência de todas essas mobilizações, da sincronia entre todos  que lutam pela preservação ambiental, do diálogo entre as forças sociais e  políticas convencidas de que dentro do capitalismo não há salvação para o  futuro da humanidade.
O FSM de Porto Alegre 2012 deverá ser o ponto de  encontro de sujeitos políticos capazes de apontar uma saída para a crise e as  bases de construção de um novo modelo civilizatório, no qual predomine a  globalização da solidariedade. E dele poderão brotar propostas temáticas para  abastecer aqueles que, em junho, se encontrarão na Cúpula dos Povos  (Rio+20).
A dinâmica do FSM 2012 será à base de  grupos temáticos, de modo a acolher experiências e contribuições dos  participantes em torno de quatro eixos transversais: 1. Fundamentos éticos e  filosóficos: subjetividade, dominação e emancipação; 2. Direitos humanos,  povos, territórios e defesa da Mãe-Terra; 3. Produção, distribuição e consumo:  acesso à riqueza, bens comuns e economia de transição; 4. Sujeitos políticos,  arquitetura de poder e democracia.
Mais informações: http://www.fstematico2012.org.br/index.php?link=48; www.dialogos2012.org  ;  grupostematicosfst@gmail.com;  fstematico2012@gmail.com

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com  Marcelo Barros, de “O amor fecunda o Universo – ecologia e espiritualidade”  (Agir), entre outros livros.http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
Copyright 2012 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br) 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Câmara avaliará financiamento de mídia alternativa

    A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática instalou subcomissão especial para analisar formas de financiamento de mídias alternativas - como blogs e rádios comunitárias. A deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), que sugeriu a criação do grupo e será relatora da subcomissão, afirma que a ideia é analisar propostas para a viabilidade econômica de diversas formas alternativas de comunicação. Segundo ela, o próprio conceito de mídia alternativa será objeto de discussão na subcomissão.


     Para a deputada, é preciso estimular a sociedade civil organizada a construir espaços de produção de informação, com a divulgação de conteúdos mais próximos de suas realidades e independentes da chamada grande mídia.
     O ponto de partida da relatora serão as diretrizes para o financiamento da mídia alternativa elaboradas pelos participantes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro de 2009. A parlamentar explica ainda que já existem projetos de lei em tramitação na Casa tratando do assunto, que serão elencados e estudados. 

     Políticas públicas

     Para Luciana, o caminho para a formulação de uma política pública para as mídias alternativas deve incluir não só o uso de verbas de publicidade governamental, como também o acesso a recursos públicos, como o Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) e o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), constituídos por meio de contribuições de empresas privadas de comunicação.
     A deputada acredita também ser necessário fortalecer linhas de financiamento de produção de conteúdo e especialmente de difusão de conteúdo, hoje já existentes no âmbito do Ministério da Cultura.
     A previsão da relatora é apresentar relatório até o final do primeiro semestre de 2012. A subcomissão será presidida pelo deputado Júlio Campos (DEM-MT).
    Fonte: Rede Brasil Atual

Os preparativos para o Fórum Social Temático em Porto Alegre

     Nascedouro dos Fóruns Sociais Mundiais (FSMs) – que foram por quase dez anos o grande espaço de articulação da sociedade civil global – Porto Alegre viverá, entre 24 e 29 de janeiro, um evento similar, embora sem a mesma relevância. Chama-se Fórum Social Temático. 


Por Antonio Martins, em Outras Palavras


    Debaterá “Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental”. Vai se desdobrar em atividades inscritas pelos próprios participantes e num conjunto de reuniões preparatórias para a “Cúpula dos Povos” – um encontro autônomo na Rio+20, em junho, paralelo à reunião dos chefes de Estado.
      Em Porto Alegre, haverá vasta atividade cultural. Ao longo dos seis dias, a cidade receberá Fito Paez, Gilberto Gil, Lecy Brandão, MVBill, Manu Chao, Gogol Bordelli (os dois últimos, a confirmar) e dezenas de outros artistas. Na agenda de debates, desponta “Conexões Globais 2.0”. A Casa de Cultura Mário Quintana será o centro de debates sobre nova cultura política, crise financeira, pós-capitalismo, bens comuns, conhecimento compartilhado. Intervirão ao vivo, via internet, ativistas de movimentos como a Primavera Árabe, Indignados, Occupy.
     Desde 2005, o Fórum Social Mundial ocorre apenas bianualmente. Nos anos pares do calendário, há, ao invés de um grande encontro de convergência, eventos menores, espalhados pelo mundo. Infelizmente, eles têm rareado. O FSM não foi capaz, até o momento, de estabelecer diálogo efetivo com as ações transformadoras que surgiram depois dele, em parte inspiradas em sua ideia de autonomia política. Na hora das redes sociais, sua comunicação é arcaica e centralizada.
     Talvez o evento do final do mês seja uma oportunidade para sacudir a poeira. Em Porto Alegre, há quem proponha que a cidade volte a sediar, a partir de 2013, o que já foi o grande encontro mundial das alternativas

Nossa fonte: Vermelho

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Campanha contra os agrotóxicos agora tem site


Está no ar o site da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que busca equacionar problemas urgentes provocados pela uso e manejo inadequados dos venenos químicos para lavouras. O endereço é http://www.contraosagrotoxicos.org/


A campanha tem apoio de várias entidades, entre elas a Comissão Pastoral da Terra (CPT), MST, Via Campesina, Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MBA), Assembleia Popular e outras.

O site reúne reportagens, pesquisas e notícias além de trazer um documentário sobre o tema (assista abaixo). De acordo com dados publicados no site, o brasileiro consome até 5,2 litros de agrotóxico por ano, sendo o campeão mundial no uso dessas substâncias.

Entre os objetivos da campanha estão o de conscientizar a sociedade sobre a ameaça que os agrotóxicos representam; criar formas de restringir o uso de venenos e incentivar mudança do atual modelo agrícola para um modelo agroecológico.

"Os ingredientes ativos presentes nos agrotóxicos podem causar esterilidade masculina, formação de cataratas, evidências de mutagenicidade, reações alérgicas, distúrbios neurológicos, respiratórios, cardíacos, pulmonares, no sistema imunológico e no sistema endócrino, ou seja, na produção de hormônios, desenvolvimento de câncer, dentre outros agravos à saúde. O uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transformando em um problema de saúde pública e preservação da natureza", diz o site.

Com Caros Amigos

A Universidade não precisa de polícia

Contracepção seria ação mais barata contra aquecimento global, afirma estudo


Pesquisa britânica diz que custo seria um quinto do estimado para transição rumo a energias verdes.

Da BBC

     O controle de natalidade seria a forma mais barata de se reduzir emissões de carbono no futuro - exigindo quase um quinto dos custos de uma transição para tecnologias "verdes" -, segundo o relatório Fewer Emitters, Lower Emissions, Less Cost ("Menos Emissores, emissões mais baixas, custo menor", em tradução livre), da London School of Economics.
      O estudo foi encomendado pela organização não-governamental britânica Optimum Population Trust (OPT), que defende a estabilização e redução gradual da população mundial e deve ser distribuído às delegações que participarão da reunião das Nações Unidas (ONU) sobre oclima de 7 a 18 de dezembro, em Copenhague.
     'Há 10 mil novos emissores de carbono por hora, 1,5 milhão por dia, 80 milhões por ano'
     O presidente da OPT, Roger Martin, disse à BBC Brasil que as conclusões do estudo justificam a inclusão do assunto controle de natalidade nas discussões da ONU sobre mudança climática. Atualmente, o assunto nem sequer entra na agenda de negociações.
      "A questão da população está circulando há tempos. Todos (os negociadores) estão conscientes, na hora do café, nos bastidores, de que é impossível ter uma redução radical nas emissões de carbono acompanhada de um aumento radical no número de emissores", afirmou.
     'Tabu irracional'
     Para o ex-diplomata britânico, um dos fundadores da ONG que reúne ainda personalidades como o naturalista Richard Attenborough e o cientista James Lovelock, entre outros, o assunto só não é discutido oficialmente porque é "tabu".
      Segundo a ONU, cerca de 40% dos casos de gravidez no mundo são indesejados
"Por motivos de um tabu totalmente irracional, isso nunca é mencionado, nunca é abordado e, por isso, há 10 mil novos emissores de carbono por hora, 1,5 milhão por dia, 80 milhões por ano."
      Martin reconhece que os maiores emissores são os moradores de países ricos, que "têm de reduzir o seu consumo per capita", mas afirma que tanto ricos quanto pobres precisam atacar de frente o problema populacional.
      O documento é uma análise da relação custo/benefício entre investimentos em métodos contraceptivos para incentivar o planejamento familiar. De acordo com a ONU, cerca de 40% dos casos de gravidez no mundo são indesejados.
      Partindo dessa premissa, o estudo da OPT calcula que até 2050, 34 gigatoneladas (bilhões de toneladas) de emissões de dióxido de carbono (CO2) deixariam de ser emitidas no planeta, o equivalente a quase seis anos de emissões atuais dos Estados Unidos e 60 anos das emissões britânicas.
      Preço por tonelada
      Na análise de custos, chegou-se à conclusão de que cada US$ 7 investidos em controle de natalidade nos próximos 40 anos, reduziriam as emissões globais de CO2 em mais de uma tonelada.
      Cada US$ 7 investidos em controle de natalidade nos próximos 40 anos reduziriam as emissões globais de CO2 em mais de uma tonelada
      A pesquisa compara a esse valor o preço calculado por um estudo recente da consultoria McKinsey sobre o custo da transição para uma chamada economia de baixo carbono, ou seja, baseada em fontes de energia de baixas emissões, estimado em US$ 32 por tonelada (em 2020).
      Neste cálculo entram todos custos de implantação de fontes sustentáveis como turbinas eólicas, painéis solares, energia geotérmica, carros elétricos e híbridos, instalação de equipamentos para sequestro e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês) em usinas termoelétricas a carvão e biocombustíveis.
      Já o cálculo do estudo da OPT considera apenas o investimento necessário para atender a demanda não atendida de cerca de 200 milhões de mulheres que engravidam indesejadamente todo o ano.
      O relatório cita um levantamento da ONU, que afirma que se essas mulheres tivessem acesso a métodos de contracepção, o número de partos no mundo cairia 72%, o que reduziria as expectativas de população mundial em 2050 em meio bilhão de pessoas.
      Com isso, destaca a OPT, seriam vividos 12 bilhões de "anos-pessoa" (consumo de uma pessoa durante um ano) a menos, reduzindo a estimativa das projeções atuais de 338 bilhões para 326 bilhões de anos-pessoa.

Contra Guantânamo, ativistas cobrem Estátua da Liberdade em Paris


Militantes da Anistia Internacional cobriram nesta terça-feira (9) com uma lona de cor laranja a réplica da Estátua da Liberdade em Paris para exigir o fechamento da prisão de Guantânamo, aberta há 10 anos pelos Estados Unidos.


Ativistas da Anistia Internacional cobriram a estátua da Liberdade 
para protestar contra a prisão de Guantánamo / Foto: AFP

"Há 10 anos os Estados Unidos burlam os direitos humanos. Esta ação simboliza o fato de os Estados Unidos darem as costas à justiça, aos direitos humanos, à liberdade", declarou Geneviève Garrigos, presidente da Anistia Internacional França.

"Nós exigimos o fechamento de Guantânamo, assim como investigações sobre os autores deste sistema e destas violações que podem ficar sem punição: detenções arbitrárias, detenções ilimitadas sem processo, uso da tortura, transferências de prisioneiros de forma totalmente ilegal", insistiu, antes de recordar que o presidente norte-americano Barack Obama se comprometeu a fechar o local.

Nossa fonte: Vermelho

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Por dentro do cérebro

Parte da entrevista dada pelo neurocirurgião Dr Paulo Niemeyer Filho à revista PODER


PODER: O que fazer para melhorar o cérebro?
PN: Vc. tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, reclamando de tudo, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter alegria. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.
PODER: Cabeça tem a ver com alma?
PN: Eu acredito que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo. Isto comprova que os sentimentos se originam no cérebro e não no coração.
PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?
PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.
PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?
PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.
PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?
PN: Todo exagero.
Na bebida, nas drogas, na comida, no mau humor, nas reclamações da vida, nos sonhos, na arrogância,etc.
O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra.
É muito difícil um cérebro muito bom num corpo muito maltratado, e vice-versa.
PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?
PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente que te faz infeliz. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.
PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?
PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem mentalmente ,com saúde, e bom aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha.
PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?
PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.
Você acredita em Deus?
PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vai até a família e diz:
"Ele está salvo".
Aí, a família olha pra você e diz:
"Graças a Deus!".
Então, a gente acredita que não fomos apenas nós, que existe algo mais independente de religião.



Nossa fonte: O Berro

Brasil pode atender demanda mundial de alimentos


Fonte: CdB


O Brasil deverá ser nos próximos anos um dos países em desenvolvimento com melhores condições de atender à demanda de alimentos em nível mundial, disse o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto.
alimentos
A experiência do Brasil com o Fome Zero estimulou a África do Sul a desenvolver programa com nome semelhante para atender à população mais pobre
Para ele, se alinham aoBrasil com esse potencial os demais países do Brics (grupo integrado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e a África do Sul). Segundo Porto, essa expectativa baseia-se no fato de o bloco envolver 43% da população mundial e ocupar 40% das terras do planeta.
O secretário lembrou que a experiência brasileira no desenvolvimento da agricultura em clima tropical se torna importante para o Brics, que reúne países com o mesmo clima em algumas áreas. “A preocupação do bloco é com o abastecimento e a segurança alimentar em nível mundial. Nesse ponto, os países-membros estão solidários com as nações mais pobres da África, que estão vivendo escassez de alimentos por causa da seca”, disse Porto.
O secretário destacou que o Brasil, isoladamente, tem grande potencial para aumentar a oferta de alimentos não só no mercado interno, mas também para exportação e, por isso, é visto como estratégico para a alimentação do mundo nos próximos anos. A prioridade que o Brasil dá à produção de alimentos em áreas de baixo carbono, com a utilização de terras degradadas, hoje improdutivas, poupando o meio ambiente da exploração de novas áreas, é vista com simpatia por todos os países, segundo Porto.
Em sua última reunião, realizada em novembro de 2011, os países do Brics criaram cinco grupos de trabalho para compartilhar experiências e ajudar o mundo a sair da crise atual. Um desses grupos discute formas de assegurar o acesso à alimentação das camadas mais vulneráveis da população mundial. De acordo com Célio Porto, a experiência do Brasil com o Fome Zero estimulou a África do Sul a desenvolver programa com nome semelhante para atender à população mais pobre.
A escassez de alimentos em regiões pobres da África deverá ser abordada em junho deste ano, na reunião Rio+20, que será realizada no Brasil. Porto lembrou que os cinco países do Brics têm diretrizes comuns, mas planejam suas ações de forma individual. Segundo ele, o esforço do Brasil para se aproximar da África pode fazer com que outros países cooperem com nações mais pobres. “Embora o Brasil não tenha tantos recursos como os países desenvolvidos, detém experiências importantes que pode repassar para os demais.”

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Em estreia no Rio, Chico Buarque dedica show a Niemeyer


Em seu primeiro show do ano e de estreia no Rio, Chico Buarque dedicou a apresentação a Oscar Niemeyer que assistiu ao espetáculo, inteiro, na primeira fila no Vivo Rio, na noite desta quinta-feira (5). A dedicatória do show ocorreu já ao fim da apresentação e arrancou aplausos de pé do público. As luzes chegaram a se acender e um foco de luz foi “disparado” sobre o arquiteto de 104 anos.


 
 
Chico durante o show no Rio / Foto: AgNews

O show teve plateia cheia de estrelas como a atriz Fernanda Montenegro e sua filha, Fernanda Torres, além de Renata Sorrah, Andréa Beltrão, Hugo Carvana, Cacá Diegues e também parte do clã dos Buarque de Holanda, como Miúcha e a ministra da Cultura e irmã de Chico, Ana de Holanda.

Mas, o “foco” de Chico estava sentado bem à sua frente. Sua namorada, a cantora Thaís Gulin, dividiu a mesa, na frente do artista, com alguns membros da família.

Quem esperava um raro Chico falante ficou na decepção. As poucas palavras do artista foram logo na primeira música Velho Francisco, quando ele agradeceu com um “obrigado meu grande Rio” e depois somente na homenagem a Niemeyer.

Chico começou o show com 25 minutos de atraso e seguiu a risca o setlist já anunciado pelo próprio site do músico, com canções novas como Querido Diário, aquela que fala da enigmática “mulher sem orifícios”, Essa pequena, Tipo um baião, Se eu soubesse e Sem você 2.

Mas o público começou a cantar junto mesmo foi com Bastidores. Depois do refrão “cantei, cantei” a plateia não parou mesmo de cantar junto com Chico, que ouviu um “lindo!” entre uma música e outra. Sem se deixar levar pelas “cantadas” do público – em sua maioria feminino – Chico sorria e seguia com as canções, sem dar mais conversa à plateia.

Em Sou Eu e Teresa da Praia, Chico faz um dueto com seu baterista, o sambista Wilson das Neves, que estava de terno branco e sapato bicolor. Ao contrário de Chico, todo vestido de preto.

O show traz Geni e o Zepelim acompanhada de iluminação que interage com a música, dando um ritmo mais teatral à apresentação. Aliás, a iluminação, de Maneco Quinderé, e o cenário, com pinturas de Cândido Portinari, de Helio Eichbauer, fazem um espetáculo à parte.

Na penúltima música, Chico traz um Cálice incompreendido pela plateia, com letra do músico paulistano Criolo. Demorou um pouco até o público entender que “Pai, afasta de mim a biqueira, pai” substituiu “Pai, afasta de mim esse cálice, pai”.

O show terminou com Sinhá, mas Chico voltou para o bis com Futuros amantes e O Grande Circo Místico, que levou parte do público para a cabeceira do palco. Quem se aventurou em se debruçar no palco ganhou surpreendentes tapinhas nas mãos do tímido, mas já descontraído, Chico Buarque.

Fonte: R7

Nossa fonte: Vermelho