Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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domingo, 3 de julho de 2011

São de esquerda os novos governos de nossa Latino América?


Terezinha Vicente 
(Fonte: www.ciranda.net)

Começa hoje à noite, no Rio de Janeiro, seminário promovido pelas Fundações Perseu Abramo (PT) e Mauricio Grabois (PC do B), que pretende fazer um balanço e analisar perspectivas para os governos de esquerda e progressistas na AL e Caribe.

As fotos são da Marcha da Liberdade, em São Paulo, 19 de junho último.

Refletindo sobre o tema, é inevitável a pergunta: “o que é esquerda hoje?”. Lembrei-me da definição que ouvi uma vez de um intelectual (economista, se não me engano), que não é tido como de esquerda, e da qual gostei muito, passando a utilizar. Na definição que ele apresentou, ser de esquerda implica desafiar a ordem e a lei, em nome da justiça. A direita, ao contrário, para manter as leis e a ordem (que ela mesma dita, comprando mandatos parlamentares e jurídicos nas democracias “representativas”), não se importa de cometer injustiças, explorar as pessoas, relegá-las, deseducá-las, mal alimentar, destruir, matar!

Potencializados os efeitos do capitalismo moderno com o neoliberalismo, a valorização do consumo e do individualismo, do “vencer”, tornar-se “celebridade”, insuflados fortemente pela mídia de massa desde o século XX, até entrarmos neste auge da mercantilização da vida. A ampliação desses valores para o ter, em detrimento do ser, faz aumentar também as depressões, drogadições, baixa auto estima, sofrimentos mentais os mais diversos; perspectiva de vida melhor, nenhuma. E há alguma perspectiva de vida? Já há muitos que se perguntam isso, diante da obsessiva destruição do planeta, exploração de tudo e todos, que não cessa mesmo frente aos gritos da natureza e aos gritos de cada vez mais pessoas do bem.

Nossos governos de “esquerda” latino-americanos estão desafiando a ordem em nome da justiça? Nossos governos estão empenhados em modificar as leis para que haja igualdade social e efetiva participação política da sociedade? Em nossos países, e posso falar melhor pelo Brasil (claro), os movimentos sociais vem sendo criminalizados cotidianamente, lideranças fortes são ameaçadas, algumas assassinadas, e a liberdade de expressão não é direito da grande maioria da população, organizada ou não. Quanto mais independentes do governo forem os movimentos sociais, sobretudo os considerados “perigosos”, aqueles cujas reivindicações mexem com estruturas estratégicas, como os latifúndios da terra e os latifúndios midiáticos, mais criminalizados serão.
Aprofundar o democrático popular
Estas lutas não viram praticamente avanço algum nos últimos anos de governo democrático popular. Ao contrário, nas últimas semanas vimos novas mortes de lideranças do povo, o recrudescimento da repressão e criminalização de movimentos sociais em todas as regiões do país. Destaco a região norte, onde pude estar nos dois últimos anos, e ver o quão pouco vale a vida por ali. Seja pela superexploração de extrativistas, agricultores, pescadores, mulheres, seja pela perseguição e ameaças freqüentes às lideranças e assessorias jurídicas dos movimentos com representatividade e profundidade na luta. Quantos já morreram? Quantos assassinos estão impunes?

Os instrumentos da democracia participativa, que poderiam aprofundar a apropriação do público por todos e todas, tem sido utilizados para cooptação de lideranças, assim como o parlamento já faz há muito tempo, desde sempre, acho. Lembremos que a democracia começou na Grécia antiga, já excluindo os escravos (feitos assim pela guerra), os estrangeiros, além das mulheres, restritas ao espaço privado, é claro! Não quero me estender a falar sobre a não participação das mulheres e a não valorização dos seus pontos de vista, pois isso daria outro artigo. Quero apenas resumir alguns princípios que as mulheres defendem hoje, e defenderam desde sempre, valores que estão sendo apropriados e reivindicados pelas novas gerações.
As feministas, gostamos de organizações horizontais, de preferência circulares como a nossa Terra redonda, onde seja mais igual a participação de todas as pessoas em todas as tarefas. Agora que as mulheres fazem parte expressivamente do mercado de trabalho e de consumo (em apenas meio século de ocupação de lugares na vida pública) e começam a ser respeitadas, elas continuam incluindo a alimentação e a arte, os cuidados com o corpo e com o espírito, em sua atuação e seu desenvolvimento político. Nós mulheres, defendemos, desde sempre no correr da História, a paz e a segurança alimentar, os direitos fundamentais de qualquer ser humano, à moradia, à saúde, à educação e à comunicação.

Basta de hipocrisia!
Entretanto, num mundo tão desenvolvido e avançado cientificamente, a maioria da humanidade (os pobres) come veneno industrializado ou "agrotoxicado" (quando come), e gasta seu mirrado e suado salário com a aparência, com drogas para emagrecer ou para esquecer, como o álcool e a cultura de massa. Sobretudo os jovens, os diferentes, todos aqueles que não concordam com o modo de vida imposto pelo capital e o patriarcado.
Um mundo muito melhor, e possível, é com o que sonham os jovens conscientes, que começam a manifestar-se nas grandes metrópoles, alcançando já muitas cidades brasileiras. As manifestações têm sido por liberdades democráticas, por participação nas decisões do país, pelo “direito de pensar” e pelo direito de comunicar seus pensamentos e opiniões. A luta é pela diversidade, pelo direito a existência do diferente. A Marcha da Liberdade em São Paulo, ocorrida há alguns dias, deu destaque a duas reivindicações de legalização, da maconha e do aborto. Por que não se discute amplamente isto? São terrenos onde a hipocrisia, com aparência de “ordem”, do “certo” a ser feito, reina absoluta, enchendo de dinheiro bolsos corruptos.

Ora, os “maconheiros” querem apenas o direito de plantar, sem agrotóxico ou qualquer outra mistura, o seu “chá”. Vi muitas demandas da periferia por isso, defendendo que maconha é “remédio” para os pobres, e eu entendo isso frente ao estresse do vencer e do ter , imposto pelo sistema econômico-político. Concordo, porque a periferia não tem grana, como as madames, os “playboys”, alguns artistas ou esportistas famosos, executivos e quetais, para gastar com suplementos alimentares, anfetaminas, anti-depressivos, boas bebidas e bons cigarros. Isso, sem falar nas roupas da moda, sapatos, celulares, carros e viagens, que fazem as pessoas "valerem" mais.
As mulheres pobres da periferia não têm grana para resolver uma gravidez indesejada em boas clínicas, ou até no exterior, como fazem as filhas da nossa burguesia, ou da classe média que segue seus valores, aspirando ainda um dia chegar lá. E quantas pobres não tem sua vida estagnada por um filho fora de hora, e quantos filhos não desejados, não amados e queridos vão engrossar os índices de violência e exclusão. Da mesma forma, a repressão a manifestações de amor e carinho entre homossexuais, sejam homens ou mulheres, a proibição de adotar e amar crianças que não tem lar, é incompreensível. Ou a discriminação devido a cor da pele, à origem, à religião ou não religião, são intoleráveis para quem deseja uma Terra onde se viva em harmonia e em busca da felicidade.
Por isso, as “Marchas da Liberdade” tem expressado palavras de ordem as mais diversas, e reunido tantos diferentes numa luta comum. Por todo o Brasil, gritam as reivindicações contra o machismo, o racismo, a homofobia e lesbofobia, contra as mudanças do código florestal, em defesa do meio ambiente, da educação e da cultura, pelos referendos democráticos, contra a guerra e o imperialismo, pelo Estado laico, pelo direito à comunicação. Sem ligação com partidos políticos ou grandes estruturas organizativas, há muitos que tem contra essas marchas o argumento de que elas só alcançam os jovens da classe média, bem alimentados e educados. Infelizmente, apenas estes têm noção da coisa pública e de seus direitos democráticos; os jovens da periferia estão oprimidos pela condição de inferioridade e desconhecem direitos. Até quando?


sábado, 2 de julho de 2011

Trabalhador e Direitos Sociais: o ataque final

Reajustamento, desregulação, privatizações, despedimentos e encerramentos nos Estados Unidos
Norberto Emmerich (1)

Uma das vias através das quais o capitalismo procura superar a actual crise é a da destruição de direitos sociais. Este artigo contém importante informação acerca da violência dessa ofensiva de classe nos EUA.

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 Veja o artigo em: 
http://gilsonsampaio.blogspot.com/2011/06/trabalhador-e-direitos-sociais-o-ataque.html


(1) Nossa Fonte: O Berro

Coragem, presidenta Dilma!

(Reprodução do artigo de Messias Pontes publicado em Vermelho)


Messias Pontes *

A crise profunda do capitalismo está atingindo em cheio, agora, os chamados países centrais, porém os periféricos não estão livres das suas nefastas consequências. Uns serão mais afetados que outros, dependendo da maneira como cada governo reagirá. Para surpresa e espanto, governos progressistas como os de Portugal e Espanha estão embarcando na nau neoliberal, fato que só tem agravado a vida da população, notadamente da juventude que enfrenta o maior desemprego e não consegue ver uma luz no fim do túnel.

O resultado é que esses países estão caminhando celeremente para a direita, num retrocesso nunca visto. As últimas eleições demonstraram isso. A bola da vez é a Grécia que enfrenta crescentes protestos das massas trabalhadoras e, principalmente, da juventude que não aceitam pagar a conta. As imposições dos organismos internacionais, como o FMI e o Banco Central europeu, estão empurrando a Grécia para a mais profunda recessão. O resultado é que a direita, cada vez mais, ganha força, ao contrário da América Latina que tem vivido um período de vitórias progressistas.


É imprescindível que a presidenta Dilma Rousseff saiba tirar lições deixadas pelo presidente Lula quando do estouro da “bolha imobiliária” nos Estados Unidos, em 2008. Naquele período, o presidente Lula orientou os brasileiros a não deixarem de consumir, com responsabilidade. Foi o suficiente para o demotucanato e sua velha mídia conservadora, venal e golpista “caírem de pau” em cima do presidente Lula, numa campanha suja, chamando-o de irresponsável.

A orientação do presidente Lula mostrou-se correta, tanto que a indústria passou a produzir mais, o comércio a vender mais ainda, e o número de empregos formais disparou. Lula dizia que aquela crise era um tsunami lá fora, mas aqui seria uma marolinha. Os neoliberais protestaram, gritaram, espernearam, mas tiveram de engolir a seco o êxito da política adotada por Lula. O resultado é que o Brasil cresceu 7,5% em 2010, ficando atrás apenas da China e da Índia. O resultado não foi melhor porque o Governo Lula manteve alguns preceitos neoliberais como a alta dos juros e uma política cambial que retira dos produtos nacionais a competitividade no exterior.

A presidenta Dilma precisa saber tirar lições da experiência vivida pelo Brasil no auge da última crise do capitalismo, não aceitando o receituário neoliberal que setores do seu governo continuam impondo. O então ministro Antonio Palocci era um dos arautos dessa política nefasta, sob a alegativa de manter a inflação sob controle. É importante lembrar que foi com a saída de Palocci do governo que o Brasil começou a crescer de maneira mais acelerada.

O Brasil não pode retroceder, porém está correndo o risco de isso acontecer, já que as pressões dos neoliberais incrustados no governo têm surtido algum efeito. A tragédia causada pelas privatizações levadas a cabo pelos neoliberais tucano-pefelistas ainda pode se repetir, embora em menor escala. Contudo, o anúncio de privatização de estradas, portos e aeroportos e os contínuos cortes dos gastos públicos acenderam o sinal amarelo. Isto sem falar nos constantes aumentos das taxas de juros, apesar da inflação ter iniciado uma curva descendente, e do descontrole de entrada de capitais especulativos e também da temerária política cambial que está causando tremendos prejuízos às empresas nacionais, notadamente ao setor industrial.

Os neoliberais apostam todas as suas fichas no retrocesso e sonham em ver a presidenta Dilma se transformando num José Maria Zapatero de saia. Foi por fazer uma concessão aqui e mais uma concessão ali que Zapatero levou o Partido Socialista da Espanha a uma fragorosa derrota nas últimas eleições. É preciso enfrentar esse quadro com determinação.

Coragem, presidenta Dilma!



* Diretor de comunicação da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará, e membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará e do Comitê Estadual do PCdoB.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

UBE premia Aziz Ab'Saber

Aziz Ab’Saber receberá o Trofeu Juca Pato 2010

O grande mestre das Ciências da Terra enriquece a galeria dos laureados de um dos mais tradicionais prêmios brasileiros
http://www.ube.org.br/noticia-detalhe.asp?ID=341 
Imagem ilustrativa
A União Brasileira de Escritores (UBE) encerrou no dia 30 de junho as inscrições do Prêmio Intelectual do Ano com a indicação do professor Aziz Ab’Saber para receber o Troféu Juca Pato 2010. Quarenta e um (41) associados da UBE, entre eles, Cláudio Willer, Fábio Lucas, Frei Betto, Levi Bucalem Ferrari, Marisa Lajolo e Antonio Candido – vencedor do prêmio de 2007, foram os proponentes de sua candidatura, que acabou sendo única.  "Convidamos as dez seccionais e os nove núcleos da UBE a indicar candidatos. Mas o nome de Aziz Ab'Saber é tão digno dessa homenagem que todos decidiram apoiar a indicação da UBE nacional, que é a de São Paulo. Um sinal do acerto da nossa escolha”, comemorou o jornalista e escritor Joaquim Maria Botelho, presidente da entidade. O Troféu Juca Pato Premio Intelectual do Ano  2010 será entregue na solenidade de encerramento do Congresso Brasileiro de Escritores que a UBE vai realizar, de 12 a 15 de novembro, em Ribeirão Preto.
O laureado
Em 2012 o Juca Pato comemora 50 anos. O prêmio- que tem o apoio da TV Cultura - foi criado em 1962 por iniciativa do escritor Marcos Rey (1925/1999) como homenagem a intelectual ou personalidade pública que, no ano anterior, tenha publicado livro de repercussão nacional e contribuído para o desenvolvimento e o prestígio do pais.
No ano passado, foi publicado o livro "A obra de Aziz Nacib Ab’Saber", organizada por May Christine Modenesi-Gauttiere, Andréa Bartorelli, Virginio Mantesso-Neto, Celso Dal Ré Carneiro, Matias B. De Andrade Lima Lisboa, pela editora Beca-BALL Edições, com vários dos seus mais importantes escritos na área ambiental e política. Aziz Ab’Saber publicou também “Leituras indispensáveis 2”, pela Ateliê Editorial, coletânea de 15 textos que esboçam um panorama multifacetado do planeta e debatem várias questões importantes e atuais, do aquecimento global à cultura indígena.
Filho de pai libanês e mãe brasileira, Aziz Nacib Ab’Saber é paulista de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, onde nasceu em 24 de outubro de 1924. Geógrafo, é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, foi presidente do SBPC. Concebeu teorias e projetos inovadores relativos à geografia brasileira, contribuindo para a compreensão e preservação do nosso meio ambiente. Ganhou, em 1998, o Prêmio Santista, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto, oferecido pelo CNPq e o Prêmio Internacional de Ecologia. Em 2001, recebeu o Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente.
Aziz Ab'Sáber receberá o troféu Juca Pato das mãos de Lygia Fagundes Telles, ganhadora do último Prêmio Intelectual do Ano.

Curso: SEMEADOR DE ESTRELAS

http://www.institutoipesa.blogspot.com/

Teles comprometem-se a com banda larga a R$ 35 a partir de outubro

Fonte: Carta Maior
Empresas de telefonia fixa assumem compromisso com governo de vender acesso à internet com um megabite de velocidade a 35 reais a partir de outubro. Acordo, que será assinado por Telefônica, Oi, CTBC e Sercomtel com ministério das Comunicações, resulta do Plano Nacional de Banda Larga e não exclui Telebrás. Novo plano de universalização de serviços fixará metas para que teles vendam internet veloz em número crescente de municípios.
      BRASÍLIA – Quatro empresas de telefonia fixa que cobrem a maior parte do Brasil comprometeram-se com o governo, nesta quinta-feira (30/06), a vender à população acesso à internet rápida por 35 reais mensais de outubro em diante. Pelo acordo, as empresas terão de oferecer banda larga de pelo menos um megabite em número crescente de municípios nos próximos anos.
     O compromisso é resultado do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), lançado pelo governo no ano passado com três objetivos: massificar o acesso à internet no país, torná-la mais rápida e barater os preços cobrados pelas teles privadas.
     Pelo plano, a Telebrás foi reativada para alugar seus cabos, a um custo mais baixo do que as teles, a provedor privado que tope vender ao usuário final acesso à internet veloz por 35 reais por mês. O novo acordo não elimina a atuação da Telebrás, segundo o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. A estatal entrará quando houver lacuna privada numa determinada região.
     Foi esta hipótese de concorrência estatal colocada na mesa que fez, na avaliação do ministério, as teles privadas assumirem, por escrito, o compromisso de contribuir para concretizar aquilo que o governo imaginou ao conceber o PNBL: haverá internet rápida a 35 reais mensais.
     O termo de compromisso seria assinado pelos presidentes das empresas Telefônica, Oi, CTBC e Sercomtel na noite desta quinta-feira, com o ministro, depois de longas reuniões durante a semana. “Foi uma grande vitória”, disse Bernardo, na entrevista em que o acordo foi anunciado.
     Segundo um técnico do governo que participou das reuniões, o governo teve de “endurecer” as negociações com as empresas, para convencê-las a assinar um “termo de compromisso” e a aceitar metas de disseminação da banda larga no país.
     Na negociação, o governo impôs a inclusão do fornecimento crescente de banda larga mais barata, em um novo decreto que estabecele obrigações de prestação de serviços que as teles têm de cumprir. Essas obrigações são fixadas e revistas a cada cinco anos, em um Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU), instituído por decreto do presidente da República.
     O novo PMGU seria assinado ainda nesta quinta-feira (30/06) pela presidenta Dilma Rousseff, segundo Paulo Bernardo, para publicação no Diário Oficial da União do dia seguinte.
     O decreto vai substituir metas de universalização de serviços que o governo considera menos estratégicos do que banda larga. Por exemplo: oferta de orelhões em lugares distantes. No lugar de algumas destas metas, as teles estão forçadas a trabalhar para massificar banda larga no país. Há previsão de multa por descumprimento.
     De acordo com o ministro, as metas de fornecimento de banda larga que as empresas terão de cumprir ano a ano serão divulgadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
     Nas próximas semanas, disse Bernardo, a Anatel decidirá sobre regras de controle de qualidade da internet oferecida no Brasil que as teles terão de seguir. Elas terão de entregar ao usuário final uma velocidade mais próxima da velocidade teórica. Hoje, entregam bem menos.
     Pelo compromisso das teles com o governo, o pacote de internet a 35 reais terá de ser oferecido independentemente de a pessoa ter telefone fixo. Não poderá haver venda casada. Se não houver na região do usuário condições de oferecer banda larga por cabo, a empresa terá de providenciar internet móvel, por meio de um modem. Mas aí o custo com o modem será do usuário.
     Pesquisa divulgada pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic) na última terça-feira (28/06) mostra que, no fim de 2010, apenas 27% das residências brasileiras tinham acesso à internet.
     O mesmo levantamento apontou que mais da metade dos usuários com acesso à internet trabalha com menos de um megabite de velocidade. E que a principal causa da falta de acesso pelos outros 76% dos domicílios é o preço.
     De acordo com Paulo Bernardo, o compromisso assumido pelas teles e o PNBL vão mudar este cenário, ainda que a velocidade de um megabite seja baixa para padrões internacionais, e o valor de 35 reais não seja exatamente barato para o brasileiro. “Até 2014, chegaremos provavelmente com mais velocidade e menor preço”, declarou.