Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

E o artista vai "onde o povo está"


Diego Rivera ensinou que a arte é para o povo


Diego Rivera, um dos maiores artistas plásticos mexicanos, especializado na prática do muralismo, faria 125 anos nesta quinta (8) se estivesse vivo. Ele nasceu em 8 de dezembro de 1886, na cidade de Guanajuato, no México.



 
Rivera estudou na Academia de Bellas Artes de San Carlos, na Cidade do México. Em seguida, transferiu-se para a Europa, onde ficou entre 1907 e 1921. Nesse período, entrou em contato com artistas como Pablo Picasso, Salvador Dalí, Juan Miró e o arquiteto Antonio Gaudí, o que foi determinante para definir o rumo de sua arte.

Ao lado de outros artistas, Rivera foi um dos criadores do movimento muralista mexicano, que propunha o resgate e o registro da história do país no período pré-colombiano. A pintura era feita sobre um muro, em sua face exterior, ou em um painel exposto constantemente. O mural possibilitou uma arte pública e coletiva, que rompia com o individualismo da pintura de cavalete. 

Rivera considerava a pintura de telas, por exemplo, arte da burguesia, já que muitas vezes ficam restritas a coleções particulares. O pintor produziu, assim, uma obra que tem as proporções de um monumento, não só na sua forma, mas principalmente no seu teor. 

No total, ele ilustrou mais de 2 mil quadros, 5 mil desenhos e cerca de 4 mil metros quadrados de pintura mural. Contestador e critico. Sua arte sempre foi carregada de ideais. Contavam o cotidiano da vida no México, apresentando aspectos históricos, políticos e sociais do povo mexicano. 

A militância política de Rivera era outro aspecto importante de sua vida. Comunista, sua ideologia transparece com clareza entre os temas de sua obra. Sua produção cultural transmite uma interpretação da história mexicana marcada pela denúncia dos ricos e poderosos, com fortes imagens de índios oprimidos e explorados pelo violento colonizador apoiado na Igreja Católica. O artista era ateu e chegou a pintar obras com frases do tipo "Deus não existe", entre outras que causavam polemica na sociedade da época.

Rivera foi casado com a também artista plástica Frida Khalo.

Nossa fonte: Vermelho

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ranking da Anvisa aponta alimentos contaminados por agrotóxicos

Universidade mexicana receberá arquivos sobre Che Guevara

O escritor mexicano Paco Ignacio Taibo II, conhecido por ter escrito uma biografia de Ernesto "Che" Guevara (1928-1967), anunciou que irá doar sua coleção de documentos sobre o guerrilheiro à Universidade Nacional Autônoma da Cidade do México (UACM).


      O arquivo bibliográfico, que é formado por livros e documentações que foram colecionados pelo autor mexicano durante as últimas cinco décadas, fará parte do acervo do Centro Acadêmico da Memória da Nossa América (CAMeNa). 
      Segundo o escritor, o arquivo também conta com livros de diversos autores sobre a Revolução Cubana, Fidel Castro, a presença dos revolucionários no México, entre outros temas, além de recortes de jornais da Guatemala e de Cuba. 
      Taibo II explicou que a decisão foi tomada dois anos atrás, após publicar a última versão, corrigida e ampliada, da biografia do guerrilheiro argentino. Ele ainda disse desejar que sua coleção possa ser útil "a outros jovens e pesquisadores".

Fonte: Ansa     Nossa fonte: Vermelho

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Banda Larga: audiência pública


A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática promove nestas terça e quarta-feiras a audiência pública para discutir a implantação do Programa Nacional deBanda Larga (PNBL). Também conhecido comoBrasil Conectado, o programa foi criado pelo Decreto 7.175, de 12 de maio de 2010, que lista as ações para ampliar a rede de banda larga no país.
Por meio do programa, o governo prevê a implantação de uma rede de telecomunicações nacional, disponível para qualquer prestadora que queira oferecer o serviço de acesso em banda larga.
A previsão é que a banda larga de 1 Mbps chegue a cerca de 35 milhões de domicílios até 2014, a um preço de R$ 35. Hoje, o serviço está disponível em 10,2 milhões de domicílios, a um custo médio de R$ 96.
O governo também pretende elaborar medidas para desonerar tributos, assegurar a qualidade dos serviços de internet e estimular a competição entre as empresas do setor.
Audiência
A audiência foi sugerida pelo deputado Newton Lima (PT-SP), que é relator da subcomissão especial criada para acompanhar as ações do PNBL; e pelo deputado Ruy Carneiro (PSDB-PB), que é presidente da subcomissão. O grupo foi formado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.
Para o deputado Newton Lima, é preciso discutir o sistema de banda larga que está sendo implantando no País. “O uso da internet pode contribuir fortemente para a redução das desigualdades sociais e regionais”, disse.
Foram convidados para o debate de terça-feira:
- o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez;
- o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Batista de Rezende;
- o presidente da Telebrás, Caio Cezar Bonilha Rodrigues;
- o conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) Demi Getschko;
- o diretor-geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Nelson Simões.
Para o debate de quarta-feira, foram convidados:
- o coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Schröder;
- o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), João Luiz Martins;
- o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Eduardo Levy;
- a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Veridiana Alimonti;
- o presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), Fernando Carvalho.
A audiência terá início às 14h30, na terça-feira; e às 10h30, na quarta-feira. Nos dois dias, os debates ocorrerão no Plenário 13.
Nossa fonte: Correio do Brasil

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SUCOS SAUDÁVEIS

           SUCO ANTICELULITE
           Indicação: o pepino hidrata, pois é rico em água. Também é desintoxicante e, com a ajuda da beterraba,
           que auxilia a circulação sangüínea, colabora para varrer as toxinas das células. O resultado é uma pele mais uniforme.
           Já a maçã facilita a digestão e a cenoura contribui para o bom funcionamento do intestino.
           Ingredientes: 1/2 pepino, 1 beterraba, 1/2 maçã, 4 cenouras
           Modo de preparo: Passe todos os ingredientes na centrífuga. Enfeite com um palito de cenoura.
           SUCO EMAGRECEDOR
           Indicação: a maçã e a cenoura ajudam na digestão. A beterraba auxilia a circulação do sangue.
           E as algas contribuem para inibir a fome, estimulando a saciedade.
           Ingredientes: 1 punhado peq. de algas secas, 1 beterraba, 1/2 maçã, 4 cenouras
           Modo de preparo: Centrifugue todos os alimentos, menos a alga, que deve ser batida com o suco no liquidificador.
           Enfeite o copo com um pedaço de maçã.
           SUCO ANTIACNE
           Indicação: é antiinflamatório e desintoxicante, colaborando para limpar a pele. A lima é rica em antioxidante (vitamina C)
           e a couve facilita o funcionamento do intestino.
           Ingredientes: 1 folha grande de couve, 3 maçãs verdes, 1 rodela de lima.
           Modo de preparo: Na centrífuga, passe as maçãs e a couve. Enfeite o copo com a rodela de lima.
           SUCO ANTIDEPRESSÃO
           Indicação: a beterraba e o espinafre auxiliam a circulação do sangue, o que estimula as funções cerebrais e acalma os nervos.
           O espinafre ainda estimula os movimentos peristálticos do intestino, regularizando-os. A maçã e a cenoura facilitam a digestão.
           Ingredientes: 3 beterrabas, 1 punhado de espinafre, 4 cenouras, 1/2 maçã, 1 punhado de salsa
           Modo de preparo: Passe todos os ingredientes na centrífuga, menos a salsa. Acrescente-a ao suco já pronto, misturando com uma colher. Enfeite com um ramo de salsa.
           SUCO ANTIENVELHECIMENTO
           Indicação: a couve-de-bruxelas, a cebolinha e o brócolis são riquíssimos em antioxidantes, que combatem os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento precoce. E também colaboram para recuperar as células, dando mais viço à pele. A cenoura e a beterraba, ricas em fibras, auxiliam o trato intestinal.
           Ingredientes: 4 cenouras, 1/2 beterraba, 3 folhas de beterraba, 1 florete de brócolis, 3 couves-de-bruxelas, 2 cebolinhasm
           Modo de preparo: Passe todos os alimentos na centrífuga. Enfeite com um palito de beterraba.
           SUCO ANTIENXAQUECA
           Indicação: o alho auxilia a digestão e colabora para eliminar toxinas. Rico em sódio, o aipo hidrata, ajuda a acalmar e diminui a dor porque colabora com a circulação sangüínea. Já a salsa auxilia a digestão.
           Ingredientes: 4 cenouras, 1 dente de alho, 2 talos de aipo, 1 punhado de salsa
           Modo de preparo: Centrifugue todos os ingredientes. Só a salsa deve ser acrescentada por último, sendo misturada com a colher. Enfeite com um ramo de salsa.
           SUCO ANTIESTRESSE
           Indicação: a pêra é rica em fibras e ajuda a hidratar. Enquanto o lêvedo de cerveja e a banana estimulam o bem-estar.
           O morango é calmante.
           Ingredientes: 2 copos de água, 10 morangos, 1/2 pêra rígida, 1 banana madura, 1 colher (sopa) de lêvedo de cerveja
           Modo de preparo: No liqüidificador, bata as frutas com água. Por último, acrescente o lêvedo de cerveja, misturando com a colher. Enfeite com um morango.
           SUCO ANTIFADIGA
           Indicação: O salsão e a erva-doce estimulam o poder de transporte de oxigênio na corrente sangüínea, proporcionando uma onda instantânea e prolongada de energia. A cenoura, rica em fibra, auxilia a digestão e o funcionamento do intestino.
           Ingredientes: 4 cenouras, 1 ramo de salsão, 2 ramos de erva-doce
           Modo de preparo: Centrifugue a cenoura e, no liqüidificador, bata o suco com o salsão e a erva-doce. Enfeite com um ramo de erva-doce.
           SUCO DIGESTIVO
           Indicação: a maçã, a uva e o kiwi, ricos em fibras, favorecem a digestão e estimulam o funcionamento do intestino.
           Ingredientes: 1 kiwi firme, 1 maçã verde, 1 cacho pequeno de uvas, 1 rodela de kiwi
           Modo de preparo: Passe todas as frutas na centrífuga e enfeite o copo com a rodela de kiwi.
           SUCO ANTIINSÔNIA
           Indicação: a maçã e a salsa são sedativos naturais, calmantes e eficazes no controle da insônia.
           Ingredientes: 3 folhas de couve, 4 cenouras, 1/2 maçã, 1 punhado de salsa
           Modo de preparo: Centrifugue a couve, as cenouras e a maçã. No suco já preparado, acrescente a salsa, mexendo com a colher.
           SUCO PARA A CÓLICA MENSTRUAL
           Indicação: o louro ajuda a diminuir os sintomas da menstruação. O abacaxi e o gengibre são diuréticos, ajudam a diminuir a retenção de líquidos e estimulam o funcionamento do intestino, diminuindo as cólicas. E a maçã, rica em fibra, também colabora para o trato intestinal.
           Ingredientes: 3 fatias de abacaxi, 1/2 maçã, 1 fatia fina de gengibre, 1 folha de louro
           Modo de preparo: Passe todos os ingredientes na centrífuga e, por último, bata o suco no liqüidificador junto com o louro. Enfeite com um pedacinho de casca de abacaxi.
           SUCO DIURÉTICO
           Indicação: a laranja funciona como diurético. A uva e a melancia são ricas em fibra, o que ajuda a eliminar as toxinas através das fezes e da urina.
           Ingredientes: 1 laranja sem casca, 1 cacho médio de uvas verdes, 2 fatias de melancia, 1 raminho de hortelã
           Modo de preparo: Na centrífuga, passe a laranja, as uvas e a melancia. Enfeite o copo com a hortelã.
           SUCO PARA A BELEZA DA PELE
           Indicação: o brócolis é um antioxidante, que combate os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento precoce da pele. A cenoura e a beterraba, ambos ricos em fibra, facilitam o funcionamento intestinal, o que, indiretamente, deixa a pele mais bonita.
           Ingredientes: 4 cenouras, 1 florete de brócolis, 1/2 beterraba
           Modo de preparo: Na centrífuga, passe todos os alimentos. Enfeite com um florete de brócolis.
     Consultoria:
     livros Sucos Para A Vida, de Cherie Calbom e Maureen Keane, editora Ática; e As Vitaminas do Futuro, de Wilson Camargo, editora Mauad.
           TIRE SUAS DÚVIDAS
           Quanto beber de água?
           Oito copos por dia garantem que as reservas de líquido do organismo fiquem em ordem.
           Água com gás dá celulite?
           Não, mas colabora para aumentar os gases em pessoas com tendência à flatulência.
           Chá também hidrata?
           Sim. A vedete atual é o chá verde. Entre outros benefícios, auxilia no emagrecimento e é rico em antioxidantes, que ajudam a combater o envelhecimento precoce. Se puder, evite os chás escuros, como o preto e o mate, porque são ricos em cafeína. Em contrapartida, invista nas ervas que têm efeito terapêutico. Por exemplo, os calmantes camomila e cidreira.
           E refrigerante, pode?
           Não é uma boa pedida porque a formulação inclui muita química, sem contar que é ultracalórico (cada copo tem cerca de 80 kcal!). As versões diet são magrinhas, algumas com menos de 2 kcal, mas não fornecem qualquer tipo de nutriente.
           E o álcool?
           Se não quiser ganhar peso, mantenha distância. Afinal, cada mililitro tem 9 kcal. Mas uma opção saudável é o vinho tinto, que aumenta o HDL (bom colesterol). Mas não abuse, pois uma taça é o suficiente para garantir a boa saúde do coração

Nossa fonte:O Berro

domingo, 4 de dezembro de 2011

SALVE SÓCRATES, GRANDE JOGADOR E CIDADÃO


Dilma lança nota exaltando Sócrates no futebol e na política


     A presidenta Dilma Rousseff disse neste domingo (4) que o ex-jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira, Sócrates, foi um gênio do futebol e campeão em cidadania. Em nota, divulgada no site da Presidência da República, a presidenta afirmou que o Brasil “perde um de seus filhos mais queridos, o doutor Sócrates”.

         “Nos campos, com seu talento e seus toques sofisticados, foi um gênio do futebol, a ponto de ser considerado o melhor jogador sul-americano de 1983, e ser escolhido pela Fifa [Federação Internacional de Futebol], em 2004, como um dos 125 melhores jogadores vivos da história. Como jogador do Corinthians, deu muitas alegrias à torcida”, lembrou a presidenta.
     Na nota, Dilma Rousseff diz ainda que, além de ter sido ídolo do futebol, Sócrates foi um campeão da cidadania. “Fora dos campos, nunca se omitiu. Foi um brasileiro atuante politicamente, preocupado com o seu povo e o seu país. Procurando o bem-estar de seus companheiros, ajudou a implantar um sistema democrático no clube em que atuava, o Corinthians, com a Democracia Corintiana. 
     Participou também ativamente da campanha pelas Diretas Já! e de outros momentos importantes da redemocratização do país.”
     “Lamento a perda de um grande brasileiro e envio meu abraço solidário a seus
parentes, amigos e admiradores”, concluiu a presidente.


Nossa fonte: Vermelho

sábado, 3 de dezembro de 2011

44 Anos sem Che Guevara


De Ernestito ao homem do século

Em 1933, no pequeno município de Alta Garcia, província de Córdoba na Argentina, Carlos “Calica” Ferrer Zorrilla de 4 anos foi apresentado por seus pais a um amigo de 5 que marcaria para sempre a sua vida, e mais tarde a história de toda humanidade: Ernesto Guevara de La Serna, ou apenas Ernestito como era chamado.



Como dizia um amigo em comum, Guevara e Calica foram reunidos pelo bacilo de Koch, que provoca asma. No ano de 1932, a família Guevara mudou- se para a região serrana em busca de alívio para o problema respiratório do pequeno Ernesto.


Che aparece com um curativo que cobria uma recente 
estilingada na testa (Calica está ao lado) / Foto: Reprodução
Em seu livro “De Ernesto a Che” – A segunda e última viagem de Guevara pela América Latina, Calica conta que não se lembra quando conheceu o amigo. “Com certeza deve ter sido em um dos típicos aniversários infantis a que nossas mães nos devem ter arrastado, depois de lavados, engomados e emperiquitados como era costume naquele tempo. Com certeza, devem ter dito a Guevara: ‘Venha, você vai conhecer o filho do doutor Ferrer, o médico que o atendeu; quem sabe se tornam amigos’”.


Na conservadora e provinciana cidade de Alta Garcia, além da asma, os Guevara e os Ferrer tornaram-se próximos por compartilharem visões progressistas sobre diferentes assuntos e simpatizar ideologicamente com o socialismo clássico. Um exemplo das posições que compartilhavam, estava relacionada à situação da Espanha na década de 1930. Ambas as famílias declaravam apoio incondicional à nova República que havia se instalado no país, que logo se explodiria em uma guerra civil e por, consequência, na ditadura fascista de Francisco Franco.


A viagem, a segunda pelo continente de Ernesto, acabaria transformando o amigo de Calica no Comandante Che Guevara. “Mas quando viajamos, Ernesto não sabe que vai chegar a ser Che, isso é uma coisa que é preciso ter cuidado para não super dimensioná-lo. Para não tirá-lo da realidade. Che é um homem de carne e osso. E quando era criança, adolescente e jovem fez as travessuras que faz qualquer ser humano”.


Ernesto e Calica, na Bolívia, durante a viagem pela América Latina / Foto: Reprodução


O escritor acompanhou de perto as transformações do amigo. “Pude conhecê- lo intimamente. Haver estado viajando com ele por muitas horas, ombro a ombro, e comentar e conversar. Acompanhar e entender. O importante é que Che, por ser muito inteligente, foi captando o que ia acontecendo e foi armando um plano em sua mente. Ele percebeu que pelo caminho convencional não conseguiria nada e que era o momento das armas. A América Latina, quando nós estávamos viajando, era um lugar de ditadores: Somoza, Papa Doc, Trujillo, Batista... Era gente que os norte-americanos manipulavam fácil, e assim quando manipulavam um homem, comandavam um país. Ernesto foi desenvolvendo até conhecer Fidel. E depois de Fidel, sim, Ernesto se torna Che”.


Na formação de Che, Calica destaca uma pessoa importante. “Eu digo que a sua melhor preparação política é a partir do momento em que ele conhece a sua primeira mulher, Hilda Gadea. Uma mulher que era intelectualmente muito preparada, que realmente o colocou no marxismo. A partir daí, Ernesto passa a perceber qual pode ser a forma de encarar as coisas para começar o que tinha de ser feito imediatamente: reunir doze tipos para fazer uma revolução”.

Ecos

Quarenta e quatro anos depois de sua morte, ainda parece impossível dimensionar o personagem histórico Ernesto “Che” Guevara. Calica cita um outro amigo pessoal de Guevara, o ex-ministro cubano Orlando Borrego, para ajudar a sintetizar a falta de proporção. “A biografia de Che ainda não está escrita. Todas as boas verdades vão se somando pra que ela seja escrita. É Fantástico imaginar que a vida de um homem de 39 anos, depois de tantas coisas escritas, ainda não se pode condensar o que foi”.

Na visão do amigo, quando triunfa a revolução, Che se consolida como a figura forte, jovem e revolucionária. “É importante destacar a idade que tinha. Aos 32 anos era o primeiro comandante. Depois foi Ministro. Instituiu fábricas, colégios, foi educador. Foi embaixador itinerante da revolução”.

Uma outra definição lembrada por Calica é a do comandante cubano. “Em poucas palavras, Fidel Castro definiu Che como um personagem que soube despertar uma chama de insurgência e de justiça dos latino-americanos e que depois se recorre a outras lugares”.

Carne, osso e mito

Calica carrega consigo as duas visões de Che, uma de seu amigo e a outra do mito. “É uma questão de evolução de um amigo que cresce, que cresce, que cresce. E que mesmo depois de morto se engrandece ainda mais. Por um lado, me sinto feliz que assim seja. Dei-me conta que seu exemplo e sua morte tiveram um destino útil para humanidade.”

Para Calica, mesmo os seus opositores, em sua maioria e de alguma forma, respeitam o revolucionário. “Das pessoas, digamos mais indiferentes, em geral pelo menos reconhecem em Che um homem muito valente, que deu sua vida por um ideal. Já os que fazem uma crítica implacável como a que sai da cabeça de Mário Vargas Llosa, que por exemplo vai ao jornal mais conservador da Argentina, La Nación, e publica disparates ridículos, creio que estes não tenham efeito. É tão contundente o peso de Che, que para seus detratores não há muitos argumentos”.

Além de escritor, Calica se dedica a estudar e divulgar a memória do herói da Revolução Cubana. Por alguns anos, durante as décadas de 1970,1980 e 1990, a imagem de Che esteve “apagada” em seu país de origem. Calica explica que anos de ditadura seguido de anos do governo Carlos Menem foram fundamentais para este quase lapso de memória “Primeiro uma ditadura. Depois o medo que ela deixou de a qualquer momento um milico se levantar e novamente assassinar mais 30 mil pessoas. Então as pessoas não falavam muito de Che. Por fim, é preciso entender que os 10 anos de [Carlos] Menem, se não foram tão trágicos, foram tão ruins quanto a ditadura. Vendeu-se e privatizou-se tudo. Não era um ambiente propício para pensar que Che poderia ter mais homenagens.”
 
Apesar das ditaduras e dos governos liberais, Calica entende que na América Latina de hoje a luta do revolucionário continua tendo reflexos. “Por exemplo, quando falei com Che sobre ir à Bolívia disse: ‘Não! Bolívia, não’. Porque ali observei um indígena manso, castigado. E ele pensou o contrário. E a prova está que, pela primeira vez na história da Bolívia, à frente está um indígena de esquerda. Que pode não ser o ideal, mas que é parte de todo um processo que está ocorrendo na América. Incluindo Venezuela, Equador...”.

Das tantas produções, “Diários de Motocicleta” de Walter Salles e “Che” partes 1 e 2 de Steven Soderbergh são citados por Calica como bons filmes a respeito do amigo. No entanto, ele diz que não são poucas as vezes que escuta, lê e vê bobagens. “Tenho escutado cada mentira, que muitas vezes tenho que intervir.”

Com orgulho e saudade, Calica fala do amigo. Mas se perguntado sobre uma autobiografia sua ele responde “Veja bem, se você conhecesse um amigo de Karl Marx, iria querer saber sobre Marx. Não sobre o seu amigo”.

ServiçoDe Ernesto a Che - A segunda e última viagem de Guevara pela América Latina
Autor: Carlos "Calica" Ferrer
Editora: Planeta 
Páginas: 238

Fonte: Brasil de Fato

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Petição pública a favor das comunidades da Jureia

RECADO URGENTE DE UM CAIÇARA DA JUREIA


As comunidades da juréia podem ser expulsas a qualquer momento de seus territórios 
Ajudem assinando essa petição publica e divulgando-a em suas redes de contatos por favor  !

segue abaixo o link da petição:
Feliz natal e um ano novo com muita paz, saúde e sucesso.

Abraço.
Dauro Marcos do Prado
Caiçara da Juréia

NOVO OLHAR SOBRE O UNIVERSO



Frei Betto     A visão que temos do mundo  interfere em nossa visão de Deus, assim como o modo como entendemos Deus  influi em nossa visão da vida e do mundo. Ao longo de 1.000 anos predominou,  no Ocidente, a cosmovisão de Ptolomeu, que considerava a Terra centro do  Universo. Isso favoreceu a hegemonia espiritual, cultural e econômica da  Igreja, encarada pela fé como imagem da Jerusalém celestial.
     Com o  advento da Idade Moderna, graças à nova cosmovisão de Copérnico, logo  completada por Galileu e Newton, constatou-se que a Terra é apenas um pequeno  planeta. Qual mulata de escola de samba, dança em torno da própria cintura (24  horas, dia e noite) e do mestre-sala, o Sol (365 dias, um ano). O paradigma da  fé deu lugar à razão, a religião à ciência, Deus ao ser humano. Passou-se da  visão geocêntrica à heliocêntrica, da teocêntrica à  antropocêntrica.
     Agora, a modernidade cede lugar à pós-modernidade.  Mais uma vez, a nossa visão do Universo sofre radicais mudanças. Newton cede  lugar a Einstein, e o advento da astrofísica e da física quântica nos obriga  a encarar o Universo de modo diferente e, portanto, também a ideia de  Deus.
      Se na Idade Média Deus habitava “lá em cima” e, na Idade  Moderna, “aqui embaixo”, dentro do coração humano, agora conhecemos melhor o  que o apóstolo Paulo quis dizer ao afirmar: "Ele não está longe de cada um de  nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dentre os poetas  de vocês disseram: 'Somos da raça do próprio Deus'" (Atos dos Apóstolos  17, 27-28).
     A física quântica, que penetra a intimidade do átomo e  descreve a dança das partículas subatômicas, nos ensina que toda a matéria, em todo o Universo, não passa de energia  condensada. No interior do átomo, a nossa lógica cartesiana não funciona, pois  ali predomina o princípio da indeterminação, ou seja, não se pode  prever com exatidão o movimento das partículas subatômicas. Essa  imprevisibilidade só predomina em duas instâncias do Universo: no interior do  átomo e na liberdade humana.
     Em que a física quântica modifica nossa  visão do Universo? Ela nos livra dos conceitos de Newton, de que o Universo é  um grande relógio montado pelo divino Relojoeiro e cujo funcionamento pode ser  bem conhecido estudando cada uma de suas peças. A física quântica ensina que  não há o sujeito observador (o ser humano) frente ao objeto observado (o  Universo). Tudo está intimamente interligado. O bater de asas de uma borboleta  no Japão desencadeia uma tempestade na América do Sul... Nosso modo de  examinar as partículas que se movem no interior do átomo interfere no percurso  delas...
     Tudo que existe coexiste, subsiste, pré-existe, e há uma  inseparável interação entre o ser humano e a natureza. O que fazemos à Terra  provoca uma reação da parte dela. Não estamos acima dela, somos parte e  resultado dela; ela é Pacha Mama ou, como diziam os antigos gregos,  Gaia, um ser vivo. Deveríamos manter com ela uma relação inteligente de  sustentabilidade.
     Esse novo paradigma científico nos permite contemplar  o Universo com novos olhos. Nem tudo é Deus, mas Deus se revela em tudo. Nossa  visão religiosa é agora panenteísta. Não confundir com panteísta. O panteísmo  diz que todas as coisas são Deus. O panenteísmo, que Deus está em todas as  coisas. “Nele vivemos, nos movemos e existimos”, como disse Paulo. E Jesus nos  ensina que Deus é amor, essa energia que atrai todas as coisas, desde as  moléculas que estruturam uma pedra às pessoas que comungam um projeto de  vida.
     Como dizia Teilhard de Chardin, no amor tudo converge, de  átomos, moléculas e células que formam os tecidos e órgãos do nosso corpo às  galáxias que se aglomeram múltiplas nesta nossa Casa Comum que chamamos, não  de Pluriverso, mas de Universo.

Frei Betto é escritor, autor, em  parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de “Conversa sobre a fé e a  ciência” (Agir), entre outros livros. 
http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br) 

Cultura digital reúne espírito colaborativo em festival


      Realizadores, produtores e ativistas que atuam nas redes digitais estarão reunidos, de amanhã (2) a domingo (4), no Festival Cultura Digital.Br, que acontecerá no Rio de Janeiro (RJ). É a terceira edição do evento, que desta vez reunirá 130 atividades como oficinas, mostras, palestras e debates sobre os temas inseridos nas redes digitais. Tudo isso seguindo a filosofia do ciberespaço: o compartilhamento. Gilberto Gil participa da abertura.


      Uma grande parte do que acontecerá foi selecionada a partir de uma chamada pública, que recebeu 358 inscrições de experiências do Brasil e de outros continentes. Segundo Rodrigo Savazoni, diretor-geral do Festival, com o número de projetos inscritos daria para fazer três semanas de encontro. “Isso mostra o vigor e a força desse circuito alternativo de conhecimento”, diz Savazoni. “É impressionante, é uma explosão de experiências cada vez mais fortes e mais autônomas.”
      As duas primeiras edições, em 2009 e 2010, foram chamadas de fórum. No ano passado, 3,5 mil pessoas circularam pelo espaço, em São Paulo. A novidade deste ano é que, além da troca de experiências, vai oferecer laboratórios experimentais, onde os participantes poderão programar em software livre. Também estão programados debates sobre cultura digital, política e arte. 
      Movimentos recentes que surgiram na internet, como o Ocupar Wall Street e a Primavera Árabe, também farão parte desse universo do Festival, no debate sobre como “a cultura digital altera as noções de tempo e espaço e possibilita mudanças velozes nesse mundo ligado e interconectado, em que tod@s são protagonistas”.
Abertura
      Acontecerá uma cerimônia de abertura, às 19h da sexta-feira (2), no Odeon Petrobras (Praça Floriano, 7, Centro), que contará com a presença do músico e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, que dará uma palestra. Às 20h, Yochai Benkler, professor de direito na Universidade de Harvard e co-diretor do Berkman Center for Internet and Society, apresenta a palestra “Do software livre e Wikipedia para os sistemas humanos cooperativos”, que será mediada por Gil. Depois, haverá um debate com o público, no melhor clima participativo do encontro. 
      O músico Gilberto Gil foi eleito o embaixador desta edição. Segundo os organizadores do encontro, a escolha se deve por sua gestão como ministro do governo Lula (2003-2008), que levou a cultura digital a Brasília para o Ministério da Cultura, pautando assuntos importantes como direitos autorais em tempos de compartilhamento.
Encerramento
      O show “A nova revolução do frevo” vai encerrar o evento no MAM do Rio, misturando o maestro pernambucano Spok, da Spok Frevo Orquestra, instrumentistas, o sertanejo Josildo Sá, o músico potiguar Jarbas Jácome e o Movimento Multiplicidade Imagem Som Inusitados. O espetáculo é um exemplo do que significa a cultura digital hoje, que a partir de novas formas de conhecimento acontece um compartilhamento que dá origem a algo novo.
Onde e como
      O festival acontecerá no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio e no espaço Odeon Petrobras. A entrada é gratuita e o acesso às atividades será feito por ordem de chegada até a capacidade máxima dos espaços.
      Mais informações na página do evento CulturaDigital.Br
 Nossa fonte: Vermelho


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cuidado com as informações sem cuidado da grande mídia


Ministério da Saúde não recomenda uso doméstico de inseticidas no combate à dengue
Aplicação desses produtos só deve ser feita pelas equipes de vigilância treinadas para o manuseio seguro destes produtos
O uso de inseticidas do tipo aerossol (grupo piretróides) como estratégia de combate à dengue em domicílios residenciais não é recomendado pelo Ministério da Saúde. Em nota técnica, a Secretaria de Vigilância em Saúde alerta que utilização inadequada e indiscriminada destes produtos poderá causar graves consequências no meio ambiente e interferir na eficácia dos programas de controle da dengue, tornando o mosquito ainda mais resistente ao inseticida.
“Apenas orientamos o uso de inseticidas quando há comprovação da transmissão de dengue, evidenciada por critérios epidemiológicos”, observa o Secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. Ele explica que este tipo de aplicação, no entanto, só pode ser realizada por meio de equipamentos específicos de nebulização costais motorizados ou montados em veículos, conhecidos como fumacê.
O secretário alerta, ainda, que a aplicação desses produtos no controle da dengue só deve ser feita pelas equipesde vigilância das secretarias estaduais e municipais de Saúde, que são treinadas para o manuseio seguro destes produtos.  Esta orientações, segundo Jarbas Barbosa, está em consonância com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Na nota, o Ministério da Saúde cita a estratégia adotada pelos moradores da cidade de Foz de Iguaçu (PR), que foram orientados a usar estes produtos, para enfrentamento da doença. ”A estratégia do município de Foz de Iguaçu de distribuição de inseticidas para a população é desprovida de qualquer evidência científica de que funcione para evitar surtos de dengue, não sendo, portanto, recomendada pelo Ministério da Saúde”, afirma a nota.
Por outro lado, Ministério da Saúde considera como mais eficazes para a prevenção e controle da dengue as medidas de eliminação física dos criadouros do mosquito transmissor da doença, como a vedação de caixas d’água, desobstrução de calhas, entre outros. 

Baianos reforçam valores da estética afro na cultura brasileira

      A mesa redonda com apresentação do bloco Male Debalê marcou o último dia de celebração do Novembro Negro em Lauro de Freitas-BA, nesta quarta-feira (30), no Centro de Referência da Cultura Afrobrasileira. A Roda de Diálogos reforçou o significado dos penteados afro para a cultura brasileira.

     Para a palestrante Bárbara Dias, as trançadeiras têm que ser reconhecidas como profissionais, assim como as cabeleireiras. “Além de arte na cabeça das pessoas, o que fazemos é significar a afirmação de nossa identidade”, definiu a pesquisadora e esteticista.
     Segundo Eriosvaldo Meneses, superintendente de Promoção da Igualdade Racial, o município consegue se destacar das outras cidades no estado em virtude de suas políticas que resgatam o valor do povo negro. “Nunca houve uma gestão que conversasse tanto com as lideranças negras e desse tanto espaço para mudar essa realidade em Lauro de Freitas”, frisou. Menezes citou como exemplo o CD “O canto do Joanes”, que conta a história da resistência negra interpretada por grupos culturais do município, inclusive o levante nas terras de Santo Amaro de Ipitanga que originou a revolta dos Malês, em 1814.
     De acordo com o historiador e filósofo Antônio Cosme, para contextualizar o sentimento do povo negro no Brasil é necessário fazer uma revisão histórica, “passando pelas leis que foram importadas de Portugal e instituíram a desumanização do negro por causa de suas características biológicas. Após a abolição, veio a proibição e marginalização de sua cultura, além da formação de estereótipos de beleza do qual os negros com ‘cabelo ruim’ e ‘nariz chato’, não faziam parte. Um processo de educação formal e informal ajudou a consolidar este estigma que lutamos para nos livrar. Muita gente critica as políticas de reparação, mas só depois de analisar e compreender esse processo histórico de violência é que se deve ter propriedade para falar”, ressaltou.
     A palestrante Negra Jhô, trançadeira mais popular do Brasil, contou que sofreu descriminação desde pequena. “Quando era criança, minha madrasta me chamava de macaca e passava meus cabelos a ferro. Aquilo destruía minha auto-estima. Para esquecer minhas dores interiores, costumava pegar minhas irmãs colocar no colo e trançar seus cabelos com sisal ou palha-da-costa. Mas sempre soube que minha estrela um dia ia brilhar; hoje tenho esse reconhecimento e sou uma referência de luta e resistência para meus filhos”. Contudo, Jhô comenta que às vezes é mais bem tratada por brancos que por negro. “Essa cultura ‘denegrida’ está tão introjetada em nossa consciência, que quando brancos vêm gentilmente pra tirar foto comigo lá no Pelô e fazem festa, ao invés de sentir orgulho, os comentários são de que eu só quero aparecer”, lamentou.
     Após o debate, foram apresentadas músicas, poemas e outras obras que resignificam o valor do negro na sociedade, como o documentário “Espelho, espelho meu: uma abordagem sobre representações afro-estéticas no período juvenil”, produzido por Jaqueline Barreto. O fechamento teve a apresentação cultural do grupo Male Debalê.

Nossa fonte: Vermelho

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Redução da Pobreza e Segurança Alimentar: as verdadeiras lições do Brasil


Reetika Khera*
Recentemente passei uma semana no Brasil estudando seu reconhecido programa de transferência de renda – Bolsa Família. O Bolsa Família é visto como um programa bem-sucedido de combate à pobreza e também como um programa de segurança alimentar. Meu interesse no tema deriva de impulso recente, a propósito de um programa semelhante na Índia que substituiu o PDS (“Sistema de Distribuição Pública” local). A 4ª Conferência Nacional do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi uma ótima oportunidade para conhecer alguns dos envolvidos na formulação de políticas públicas e me informar sobre sua implementação. Além disso, visitei dois municípios para conversar com as administrações locais e também com alguns beneficiários dos programas de governo. Neste breve artigo, relato o que vi e o que se pode aprender com o Brasil.
Brasil e Índia são muito diferentes
Durante minha breve visita fiquei mais impressionado com o quão diferentes são o Brasil e a Índia. Sendo eu proveniente da Índia, tive dificuldade em acreditar que o Brasil ainda consta como um país em desenvolvimento. Isso me levou a comparar os dados dos dois países. Em 1990, o PIB per capita anual brasileiro foi cinco vezes maior do que o da Índia – e é agora cerca de três vezes maior. A Tabela 1mostra que, mesmo há 20 anos, o Brasil estava à frente da Índia em vários indicadores de desenvolvimento, posição que se consolidou ao longo das últimas duas décadas.
Pobreza no Brasil tem sido o problema de uma pequena minoria da população. Em um artigo que compara Brasil, China e Índia, Martin Ravallion calcula que em 1981 menos de um quinto (17,6%) da população estava em "extrema pobreza" (ou seja, viviam com menos de US$ 1,25 por dia). Essa proporção caiu para menos de 10% até 2005. Na Índia, por outro lado, até 42% viviam em extrema pobreza – ou seja: em 2005, o nível de extrema pobreza na Índia era maior do que os dados brasileiros de 25 anos atrás.
Indo além da renda e da pobreza, o Brasil tem uma infraestrutura de serviços públicos muito bem desenvolvida. Uma proporção muito pequena (menos de 15%) da população do Brasil está nas áreas rurais. Há de se considerar que a definição de "rural" é diferente nos dois países, sendo improvável estabelecer uma “ponte” que forneça boa comparação – de acordo com o censo de 2011, quase 70% da população da Índia ainda vive em aldeias. A comparação de indicadores de outros dados de infraestruturas é ainda mais reveladora: quase todos os domicílios no Brasil possuem acesso à eletricidade e a saneamento básico (ver Tabela 1). Eu não experimentei quaisquer cortes de energia durante a minha visita.
Além disso, grande parte do Brasil é administrada através de uma rede viva de municípios, que são órgãos funcionais dotados de infraestrutura administrativa adequada, incluindo pessoal, prédios, móveis, computadores, etc. (Além disso, o alcance de instituições bancárias também é altamente desenvolvido no Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada pelo IPEA, 60% dos adultos no Brasil possuem conta bancária. Em comparação, apenas 5% das aldeias na Índia possuem uma agência bancária local).
É importante ter em mente essas diferenças básicas entre a Índia e o Brasil quando se pensa em programas de alimentação e de nutrição ou, genericamente, quando se pensa em políticas de combate à pobreza. No Brasil, essas questões ganharam destaque quando Lula chegou ao poder em 2003 – a fome, a pobreza e a desnutrição afligiam menos de um décimo dos brasileiros. Em 2003, o governo Lula enfatizou o fato de que o Brasil era um país com uma desigualdade intolerável. O problema da privação estava concentrado em um segmento tão pequeno da população, que tendia a ser ignorado. Seu governo procurou colocar os holofotes sobre esse segmento com o propósito de eliminar tal privação.
Na Índia, por outro lado, os problemas de pobreza, de falta de saúde, de subnutrição e de analfabetismo permanecem difundidos – e, talvez, por serem tão difundidos, são tolerados por todos.
Previdência Social no Brasil
Apesar de o problema ter uma dimensão diferente, há de se considerar que as conquistas do Brasil nos últimos 10 anos têm sido louváveis. De fato, chegar aos grupos mais carentes tende a ser a parte mais difícil da batalha contra a pobreza e contra a fome. O Brasil pôs em prática uma estratégia bem-sucedida para completar a etapa mais difícil desta viagem. Esta seção descreve alguns aspectos dessa estratégia bem-sucedida do Brasil.
Sempre que eu mencionei o meu interesse no Bolsa Família em minhas discussões, a primeira coisa que as pessoas me disseram foi que Bolsa Família foi apenas uma dentre uma série de intervenções do governo. Como Ísis Ferreira, que trabalha no Ministério do Desenvolvimento Social, disse: "Fome Zero é uma estratégia e Bolsa Família é um programa que está inserido nessa estratégia". Na verdade, saúde, acesso à água e salário mínimo mais elevado são vistos como essenciais para alcançar segurança alimentar e nutricional.
Em geral, o alcance e a qualidade dos serviços básicos são bastante elevados no Brasil. Como a Tabela 1 indica, o Brasil gasta quase 10% do seu PIB em educação e saúde. Gastos públicos da Índia em saúde e despesas com saúde “empalidecem” se comparados, parcamente superando os 5% do PIB. Os níveis mais elevados de despesas médicas são visíveis – em Formosa (GO), visitamos um centro de saúde pública que serve uma população de 4.000 pessoas e possui 13 profissionais de saúde de campo, além de um médico geral, uma enfermeira e um dentista. Da mesma forma, o acesso à escolaridade é impressionante – para uma população total de 100.000 pessoas o distrito tem cerca de 60 escolas do governo.
O Brasil possui uma rede muito extensa de programas de proteção social. Há grande diversidade de programas de governo: um programa de "cesta de alimentos" (fornecimento de alimentos frescos); uma rede de restaurantes populares (que fornecem refeições muito nutritivas a R$ 1,00 por refeição), um programa de "banco de alimentos" (que compra produtos perecíveis de agricultores), um programa para a erradicação do trabalho infantil (não apenas para as crianças trabalhadoras, mas também para as crianças vulneráveis ao trabalho infantil); um programa de habitação popular; abrigos de jovens que tiveram suas casas danificadas e até mesmo um programa de "entretenimento" para idosos. Os municípios também parecem desempenhar um papel na formação de cooperativas e no desenvolvimento de programas de treinamentos e de preparação laboral (como cabeleireiros, manicures etc.) para beneficiários do Bolsa Família.
Além disso, muitos desses programas agora são direitos – há uma lei para o sistema único de saúde (1990), uma lei sobre a assistência social (1993), uma renda básica para garantir direitos de cidadania (2004), e, claro, a lei de segurança alimentar e nutricional (2006), além do programa de merenda escolar, promulgada em 2009.
O que parece ser realmente especial sobre a batalha do Brasil contra a pobreza e a privação é a abordagem e atenção a cada pessoa necessitada sob um "zelo intensivo". Em 2003, o Brasil apresentou o Cadastro Único, um registro que permite que as pessoas avancem etapas e se inscrevam em diversos programas de governo. As pessoas preenchem, em órgãos municipais, um detalhado formulário de 10 páginas que auxilia a administração "diagnosticar" problemas e a fazer uma prescrição personalizada para cada família. Algumas famílias só podem exigir o apoio ao rendimento por meio da Bolsa Família, outras podem precisar de assistência alimentar; crianças de famílias que parecem em uma posição muito vulnerável podem ter seus filhos matriculados para o programa de erradicação do trabalho infantil, por meio do qual o governo não apenas garante que a criança não abandone a escola, mas ainda que essa criança desenvolva competên cias. A abordagem do "zelo intensivo" foi possível por duas razões: 1) é centrada nas camadas mais desfavorecidas da população e 2) o regime de Lula desde 2003, veio com a vontade política necessária para lidar com o problema.
Transferência de renda por meio do Bolsa Família
Nesse contexto mais amplo de intervenções sociais, não era fácil dizer se o programa Bolsa Família foi a intervenção mais importante. Embora certamente possua o maior orçamento (0,5% do PIB em 2006), é amplamente visto como a intervenção de maior sucesso.
A ajuda do Bolsa Família é baseada em renda auto-declarada. O Bolsa Família é supostamente dado a qualquer pessoa cuja renda per capita seja inferior a R$ 140,00 mensais. Sabe-se que as pessoas do setor informal possuem rendimentos variáveis e incertos, de modo que há períodos em que os seus rendimentos excedem a linha de corte do Bolsa Família e há períodos em que a família não ganha nada. O Brasil possui um grande setor formal (aproximadamente 60% da economia) e, quando as pessoas entram em emprego no setor formal, precisam se candidatar por um número de segurança social. O banco de dados do Cadastro Único é periodicamente cruzados com o banco de dados de quem possui emprego formal, de modo que as pessoas não-elegíveis deixam de receber transferências de renda do Bolsa Família.
Bolsa Família é um programa de transferência de renda bem-sucedido, que inclui um componente de transferência incondicional de renda, bem como uma transferência condicional, vinculada ao atendimento e à imunização das crianças. Inicialmente, os benefícios foram fornecidos para até três filhos, este limite já foi relaxado e os benefícios são dados para até cinco crianças. Uma vez que a frequência escolar e a vacinação são quase universais, as condições são facilmente alcançadas na maioria dos casos. Quando não estão, medidas corretivas supostamente são tomadas – a interrupção das transferências é o "último recurso".
A popularidade do programa Bolsa Família ficou clara na minha entrevista com Hilma, uma estudante da 8ª série, atualmente beneficiária do Bolsa Família. Ela vive em Formosa (GO), a 80 quilômetros de Brasília. Seu marido é motorista de caminhão com uma renda incerta. Quando eu lhe perguntei qual era a maior diferença em sua vida como resultado do dinheiro do Bolsa Família, ela respondeu que era a autonomia financeira em relação a seu marido. Antes, quando ela queria comprar coisas para as crianças (ela possui três filhas), precisava "implorar" a ele por dinheiro. Agora, ela está livre dessa dependência do dinheiro do marido. Sua mãe era beneficiária do programa enquanto Hilma estava crescendo, então ela está acostumada a tal assistência. Quando ela começou a receber o dinheiro, gastou tudo em alimentação. Ela ficou com a impressão de que não foram autorizados outros usos. Então ela pediu à prefeitura local e foi informada de que poderia gastar o dinheiro como ela gosta. Ela agora gasta parte da renda para comprar leite e outros alimentos, roupas e material escolar para suas meninas e, o mais importante, ao longo dos anos ela adquiriu um fogão, uma geladeira e um conjunto de sofás.
Tendo emergido de um longo período de ditadura, o Brasil não perdeu tempo ao focar nos mais pobres. Uma forte e abrangente estrutura jurídica, a prioridade política para a questão, os recursos financeiros adequados e a mobilização popular contribuíram para realizações impressionantes do Brasil neste campo nas últimas duas décadas. A promulgação de uma abrangente e eficaz Lei Nacional de Segurança Alimentar será um passo importante para erradicar o flagelo da fome, subnutrição e da pobreza na Índia.
 
 Índia   
Brasil     

1990               2009               1990               2009               
PIB per capita (em dólares)                                                    
1.29023.25015.04010.140
População rural em 2011 (%)1
 69,7 13,1
Domicílios com energia elétrica (%)2
Água potável canalizada2
Saneamento básico2
Sem instalações sanitárias

 
 
18
 

68
42
39
55
 

69

98,9
73
48
11
Taxa de alfabetização (%), idade 15-24
Feminino
Masculino
 
49,3
73,5
 
74
88
 
 
99
97
Média de anos de escolaridade234.43,87,2
Taxa de mortalidade infantil577505018
Proporção de crianças imunizadas (%)
(crianças menores de 3 anos)
 4473 (1996) 
Subnutrição
Abaixo do peso
Atrofia
 
 
46
38
 
6 (1996)
10 (1996)
2
Despesa pública (% do PIB) em
Educação1
Saúde1
 
 
3,1
1,1
 
 
5,1
3,5
 
Fontes:
1 Indicadores do Desenvolvimento Mundial 2009 (online);
2 Relatório de Desenvolvimento Humano 2010;
3 Nações Unidas (2010). Perspectivas da População Mundial: Revisão 2008. Nova Iorque;
4 Relatório de Desenvolvimento Humano 1990
5 Grupo inter-agências para a Estimativa da Mortalidade Infantil
8 Sistema de Informações Estatísticas da OMS
 
* Reetika Khera possui PhD em economia pela Escola de Economia de Delhi (Índia). Ela luta pelos direitos das pessoas pobres nas periferias do país, é associada ao GB Pant Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Allahabad. Ela é professora-visitante do Centro para a Economia do Desenvolvimento, da Escola de Economia de Economia de Delhi. Atualmente, está lecionando no Instituto Indiano de Tecnologia Delhi.