Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

"A LA CONQUISTA DE UNA NUEVA HEGEMONÍA"

http://www.rebelion.org/docs/158421.pdf

Jacob David Blinder

MARTA HARNECKER no trabalho "A la Conquista de una nueva hegemonia" defende a possibilidade de se construir nos tempos atuais um socialismo diferente, muito distante daquele existente na extinta União Soviética e de todos que existiram no século XX. Foi o Presidente Chávez com sua audácia que o chamou Socialismo do Século XXI, reivindicando à palavra "Socialismo" os valores preconizados por Marx e Engels como "amor", "solidariedade", "igualdade" nas relações humanas e agregou o adjetivo do "Século XXI" para diferenciar o novo socialismo em construção dos erros cometidos na antiga União Soviética e nos países do Leste Europeu. 
Para que esse socialismo efetivamente exista será necessário construir uma democracia participativa e protagônica no interior dos países capitalistas e com isso obter maior capacidade de influencia dos setores populares nos assuntos de estado. 
A autora alega que o neoliberalismo está sendo o parteiro para o surgimento desse socialismo na América Latina - pois quanto mais ele marginaliza, constrange e violenta os setores populares, mais esses reagirão e partirão para a construção do socialismo. A própria dinâmica operativa dessa democracia participativa e protagônica é que criará as condições para o fortalecimento dos setores populares e esses por sua vez fortalecerão esse tipo de democracia, que incluirá a doutrinação das massas populares no novo pensamento, a escolarização crescente de toda a população e a transformação das forças armadas tradicionais geralmente repressoras em forças armadas a serviço dos setores populares.
A autora alega que o socialismo não se consolidará se existir apenas em um país isolado e propõe que haja a nível mundial uma união dos excluídos para que questionar o capitalismo realmente existente nos países, inclusive naqueles desenvolvidos e que os novos fóruns internacionais de integração que estão surgindo são importantes ferramentas para a viabilização de tal estratégia. O trabalho é muito interessante e encaminho especialmente para aqueles que tenham interesse por esse atual tema (endereço está transcrito logo a seguir) e está formatado em arquivo pdf, no idioma em espanhol e possuindo 25 páginas.

http://www.rebelion.org/docs/158421.pdf

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Conselho Indigenista Missionário esclarece “suicídio coletivo” de índios




O suicídio entre os Kaiowá e Guarani já ocorre há tempos e acomete sobretudo os jovens

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) emitiu nota para esclarecer o que está sendo disseminado nas redes sociais como “suicídio coletivo” dos índios Kaiowá e Guarani. Na verdade, a carta divulgada por eles fala em morte coletiva, já que decidiram ficar na terra e resistir à desapropriação autorizada pela Justiça Federal de Navirai, no Mato Grosso do Sul.

Nota sobre o suposto suicídio coletivo dos Kaiowá de Pyelito Kue

O Cimi entende que na carta dos indígenas Kaiowá e Guarani de Pyelito Kue, MS, não há menção alguma sobre suposto suicídio coletivo, tão difundido e comentado pela imprensa e nas redes sociais. Leiam com atenção o documento: os Kaiowá e Guarani falam em morte coletiva (o que é diferente de suicídio coletivo) no contexto da luta pela terra, ou seja, se a Justiça e os pistoleiros contratados pelos fazendeiros insistirem em tirá-los de suas terras tradicionais, estão dispostos a morrerem todos nela, sem jamais abandoná-las. Vivos não sairão do chão dos antepassados. Não se trata de suicídio coletivo! Leiam a carta, está tudo lá. É preciso desencorajar a reprodução de tais mentiras, como o que já se espalha por aí com fotos de índios enforcados e etc. Não precisamos expor de forma irresponsável um tema que muito impacta a vida dos Guarani Kaiowá.

O suicídio entre os Kaiowá e Guarani já ocorre há tempos e acomete sobretudo os jovens. Entre 2003 e 2010 foram 555 suicídios entre os Kaiowá e Guarani motivados por situações de confinamento, falta de perspectiva, violência aguda e variada, afastamento das terras tradicionais e vida em acampamentos às margens de estradas. Nenhum dos referidos suicídios ocorreu em massa, de maneira coletiva, organizada e anunciada.

Desde 1991, apenas oito terras indígenas foram homologadas para esses indígenas que compõem o segundo maior povo do país, com 43 mil indivíduos que vivem em terras diminutas. O Cimi acredita que tais números é que precisam de tamanha repercussão, não informações inverídicas que nada contribuem com a árdua e dolorosa luta desse povo resistente e abnegado pela Terra Sem Males.

Histórico

Os índios Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul (MS), Centro-Oeste brasileiro, cansados da morosidade da justiça, decidiram retomar parte do tekoha (território sagrado) Arroio Koral, localizado no município de Paranhos, em 10 de agosto deste ano. Poucas horas depois, nem bem os cerca de 400 indígenas haviam montado acampamento, pistoleiros invadiram o local levando medo e terror para homens, mulheres e crianças.

No momento do ataque, os indígenas correram e se espalharam pela mata, no entanto, passados os momentos de pânico, aos poucos os Guarani Kaiowá foram retornando para o acampamento e mesmo se sentindo inseguros e amedrontados pretendem não sair mais de lá.

O Guarani Kaiowá Dionísio Gonçalves assegura que os indígenas estão firmes na decisão de permanecer no tekoha Arroio Koral, mesmo cientes das adversidades que terão que enfrentar, já que o território sagrado reivindicado por eles fica no meio de uma fazenda.

- Nós estamos decididos a não sair mais, nós resolvemos permanecer e vamos permanecer. Podem vir com tratores, nós não vamos sair. A terra é nossa, até o Supremo Tribunal Federal já reconheceu. Se não permitirem que a gente fique é melhor mandarem caixão e cruz, pois nós vamos ficar aqui – assegurou.

A batalha pela retomada de terras indígenas não é de hoje no Mato Grosso do Sul. Neste Estado, onde se localizam os mais altos índices de assassinatos de indígenas, esta população luta há vários anos pela devolução de terras tradicionais e sagradas. Dentro deste contexto de luta já aconteceram diversos ataques como os de sexta-feira, muitos ordenados por fazendeiros insatisfeitos com a devolução das terras aos seus verdadeiros donos.

O conflito fundiário e judicial que envolve o território sagrado Arroio Koral parecia estar resolvido quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em dezembro de 2009, um decreto homologando a demarcação da terra.

No entanto, em janeiro de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF), do qual está à frente o ministro Gilmar Mendes, suspendeu a eficácia do decreto presidencial em relação às fazendas Polegar, São Judas Tadeu, Porto Domingos e Potreiro-Corá.

O processo continua em andamento, mas tem caminhado a passos muito lentos, já que ainda não foi votado por todos os ministros. Assim, fartos da morosidade da justiça brasileira, os Guarani Kaiowá decidiram fazer a retomada da terra.

Os indígenas escreveram uma carta para os ministros do Supremo Tribunal Federal e para o Governo Federal em que reivindicam o despejo dos fazendeiros que ainda estão ocupando e destruindo territórios tradicionais já demarcados e reconhecidos pelo Estado brasileiro e pela Justiça Federal e exigem a devolução imediata de todos os antigos territórios indígenas.

- Sabemos que os pistoleiros das fazendas vão matar-nos, mas mesmo assim, a nossa manifestação pacífica começa 10 de agosto de 2012. Por fim, solicitamos, com urgência, a presenças de todas as autoridades federais para registrar as nossas manifestações pacíficas, étnicas e públicas pela devolução total de nossos territórios antigos – anuncia o último trecho da carta assinada por lideranças, rezadores, mulheres pertencentes ao Povo Kaiowá e Guarani dos acampamentos e das margens de rodovias, ameaçados pelos pistoleiros das fazendas, dos territórios reocupados e das Reservas, Aldeias Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul.

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil

Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.

Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.

Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.

Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.

Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.

Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de
Navirai-MS.

Fonte: CdB

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

José Genoino Neto: Carta Aberta ao Brasil

"Eles passarão, eu passarinho." Mário Quintana

Dizem, no Brasil, que as decisões do Supremo Tribunal Federal não se
discutem, apenas são cumpridas. Devem ser assumidas, portanto, como
verdades irrefutáveis. Discordo. Reservo-me o direito de discutir, aberta e
democraticamente com todos os cidadãos do meu país, a sentença que me foi
imposta e que serei obrigado a cumprir.

Estou indignado. Uma injustiça monumental foi cometida. Não é a primeira
vez. A Corte que me condenou também deportou Olga Benário para ser
assassinada num campo de concentração nazista. A Corte que me condenou não se opôs a ditadura militar e, depois, manteve a anistia para meus
torturadores. A Corte e a justiça brasileira, que foram tão duras comigo,
já foram lenientes, em relação a muitos grandes escândalos de corrupção,
que sequer foram convenientemente investigados. A Corte que agora me
condena sem provas, já absolveu outros políticos com provas em abundância e
retarda o julgamento de outros casos anteriores ao do PT.

A Corte errou. A Corte foi, sobretudo, injusta. Condenou um inocente. Me
condenou sem provas. Com efeito, baseada na teoria do domínio funcional do
fato, que, nessas paragens de teorias mal-digeridas, se transformou na
tirania da hipótese pré-estabelecida, construiu-se uma acusação escabrosa
que pôde prescindir de evidências, testemunhas e provas.

Sem provas para me condenar basearam-se na circunstancia de eu ter sido
presidente do PT. Isso é o suficiente? É o suficiente para fazerem tabula
rasa de todo uma vida dedicada, com grande sacrifício pessoal, à causa da
democracia e a um projeto político que vem libertando o Brasil da
desigualdade e da injustiça.

Pouco importa se não houve compra de votos. A tirania da hipótese
pré-estabelecida se encarrega de “provar” o que não houve. Pouco importa se
não cuidava das questões financeiras do partido. A tirania da hipótese
pré-estabelecida se encarrega de afirmar o contrário. Pouco importa se após
mais de 40 anos de política o meu patrimônio pessoal é o de um modesto
cidadão de classe média. Esta tirania afirma contra todas as evidencias que
não posso ser probo.

Nesse julgamento, transformaram ficção em realidade. Quanto maior a posição
do sujeito na estrutura do poder, maior sua culpa. Se o indivíduo tinha uma
posição de destaque, ele tinha de ter conhecimento do suposto crime e
condições de encobrir evidências e provas. Portanto, quanto menos provas e
evidências contra ele, maior é a determinação de condená-lo. Trata-se de
uma brutal inversão dos valores básicos da justiça e de uma criminalização
da política.

Esse julgamento ocorre em meio a uma diuturna e sistemática campanha de
ódio contra o meu partido e contra um projeto político exitoso que incomoda
setores reacionários incrustados em parcelas dos meios de comunicação, do
sistema de justiça e das forças políticas que nunca aceitaram a nossa
vitória. Nessas condições, como ter um julgamento justo e isento? Como
esperar um julgamento sereno, no momento em que juízes são pautados por
comentaristas políticos?

Além de fazer coincidir matematicamente o julgamento com as eleições,
verificamos na mais alta corte de justiça do país posições de parcialidade
política e ideológica.

Mas não se enganem. Na realidade, a minha condenação é a tentativa de
condenar todo um partido, todo um projeto político que vem mudando, para
melhor, o Brasil. Sobretudo para os que mais precisam

Mas eles fracassarão. O julgamento da população sempre nos favorecerá, pois
ela sabe reconhecer quem trabalha por seus justos interesses. Ela também
sabe reconhecer a hipocrisia dos moralistas de ocasião.

Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes. Não me envergonho de
nada. Continuarei a lutar com todas as minhas forças por um Brasil melhor,
mais justo e soberano, como sempre fiz.

Essa é a história dos apaixonados pelo Brasil que decidiram, em plena
ditadura, fundar um partido que se propôs a mudar o país vencendo o medo. E conseguiram. E, para desgosto de alguns, conseguirão. Sempre.



São Paulo, 10 de outubro de 2012

José Genoino Neto

"A coragem é o que dá sentido à liberdade"


Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco? Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais. O texto é de Miruna Genoino.


Miruna Genoino
(*) Carta escrita pela filha de José Genoino.
Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado,
pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada. Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.

Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?

Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas...

Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e de amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?

E sigo...
Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na câmara dos deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?

Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas...

Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas...

Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente
ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento
cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?
Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais.

Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.

Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.

Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos leem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.

Com toda minha gratidão, amor e carinho,
Miruna Genoino
09.10.2012

domingo, 7 de outubro de 2012

Um tribunal que condena por achar que existe crime onde faltam provas


Ouvi estarrecido de uma ministra do Supremo que não achava razoável supor que o ex-ministro não soubesse do esquema de pagamentos, presumindo-se, desde logo, que os pagamentos teriam sido feitos para comprar votos e não para pagar dívidas de campanha. Ela não disse que os autos demonstram inequivocamente que Dirceu soubesse do esquema. Ela disse o que teria dito um magistrado da ditadura: que Dirceu teve a intenção de montar o esquema O artigo é de J. Carlos de Assis.
J. Carlos de Assis*

Fui um dos últimos, talvez o último jornalista a ser processado por crime de opinião nos termos da infame Lei de Segurança Nacional da ditadura, em 1983. Havia feito uma série de reportagens na “Folha de S. Paulo” vinculando uma trama financeira fraudulenta na cúpula da Capemi a personagens proeminentes do antigo SNI, Serviço Nacional de Informações. A acusação contra mim não era que houvesse mentido mas sim que, ao divulgar informações que podiam até mesmo ser verdadeiras, tinha, em hipótese, a intenção de desestabilizar o regime.

Assim era a Justiça da ditadura: julgava pela intenção imputada subjetivamente, não pelo fato. Contudo, meu processo caiu em mãos de um destemido juiz militar, Helmo Sussekind, que me deu o direito da “exceção da verdade”. A exceção da verdade é a figura jurídica que possibilita ao processado fazer a prova de que o que escreveu ou disse era a verdade, independentemente de intenção. Esse, aliás, é o fundamento que torna a liberdade de imprensa efetivamente justa. Do contrário, seria uma cobertura para a calúnia, a injúria e a difamação.

Recordo-me dessa experiência pessoal porque vejo o Supremo Tribunal Federal caminhar para um tipo de jurisprudência, no caso do chamado mensalão, em que se substitui a criteriosa apuração do fato por uma odiosa e subjetiva suposição sobre as intenções. Supõe-se, sem prova convincente, que recursos financeiros mobilizados pelo PT foram usados para comprar votos. Supõe-se, sem prova convincente, que esse esquema de compra de votos foi comandado pelo ex-chefe da Casa de Civil José Dirceu.

Até as pedras sabem que o sistema de coligações partidárias no Brasil, dada a existência de mais de 30 partidos, implica transações financeiras através de caixas um ou de caixas dois, sobretudo no que diz respeito a compra de tempo de televisão nas campanhas eleitorais. Não há nenhuma ideologia nesse processo, e os que gostariam que houvesse não conhecem a democracia real nem aqui nem em nenhuma parte do mundo. Portanto, no rescaldo das eleições, sempre há acertos financeiros a fazer por conta dos acordos anteriores independentemente do comportamento corrente das bancadas no Congresso.

O contorcionismo feito pelos procuradores e pelo relator do mensalão para demonstrar uma vinculação entre pagamentos pelo esquema de Valério e votações no Congresso é simplesmente ridículo. Não tiveram o cuidado sequer de convocar um estatístico para examinar as correlações. Se chamassem, veriam que não existem correlações significativas do ponto de vista científico. Num processo que tem mais de 60 mil páginas, era de se esperar um pouco mais de escrúpulo para quem cuida de julgar destinos humanos e de suas liberdades.

No caso de Dirceu é ainda mais fantástico. Ouvi estarrecido de uma ministra do Supremo que não achava razoável supor que o ex-ministro não soubesse do esquema de pagamentos, presumindo-se, desde logo, que os pagamentos teriam sido feitos para comprar votos (crime de corrupção ativa e passiva) e não para pagar dívidas de campanha (irregularidade eleitoral). Ela não disse que os autos demonstram inequivocamente que Dirceu soubesse do esquema. Ela disse o que teria dito um magistrado da ditadura: que Dirceu teve a intenção de montar o esquema!

Ainda há seis votos antes da decisão final. São seis votos que separam o Supremo da vergonha de ter sacrificado inocentes sob pressão da uma campanha de mídia infamante, cujo argumento mais sólido, em toda essa tragicomédia, é de que é preciso pegar os peixes grandes para saciar a sede de vingança da opinião pública em relação aos políticos. Sim, os dirigentes do PT denunciados pelo chamado mensalão são aparentemente peixes grandes. Contudo, chegaram aonde chegaram pelo voto popular no exercício da democracia. O número de votos que os pôs lá é grande demais para ter sido comprado.

Naturalmente que a manipulação da opinião pública pela mídia influi em ministros de caráter fraco. Daí o risco para a Justiça e para a democracia. Mas sempre existe uma saída. O ministro Levendowsky provou a todos nós, que acreditam na independência do Judiciário, que nem tudo está perdido. A própria transparência dos debates no STF ajudam aos mais atentos a formar essa opinião: se por um lado ela favorece o estrelismo do relator, por outro deixa clara a insuficiência da denúncia. Por exemplo, ficou mais do que demonstrado que um mensalão, tal como inicialmente “denunciado” na forma de pagamentos mensais regulares, jamais existiu, tendo-se apenas conservado o nome por vício mídiatico.

(*) Economista e professor de Economia Internacional na UEPB, autor, entre outros livros de Economia Política, do recém-lançado “A Razão de Deus”, pela editora Civilização Brasileira. Esta coluna sai também nos sites Rumos do Brasil e Brasilianas, e, ás terças, no jornal carioca Monitor Mercantil.
Nossa fonte: Carta Maior

Consenso de Brasília, modelo para armar na América Latina

Depois do neoliberalismo extremo do Consenso de Washington, que gerou mais de uma década social perdida, a América Latina experimenta exitosamente uma receita própria: o Consenso de Brasília, que conjuga economia de mercado e inclusão social. "O modelo brasileiro teve um impacto muito positivo como exemplo de que as coisas podem ser feitas de outra maneira: promovendo o crescimento sem renunciar à equidade social", diz José Rivera, secretário permanente do Sistema Econômico Latinoamericano (SELA).

Estrella Gutiérrez - IPS

Caracas (IPS) - Depois do neoliberalismo extremo do Consenso de Washington, que gerou mais de uma década social perdida, a América Latina experimenta exitosamente uma receita própria: o Consenso de Brasília, que conjuga economia de mercado e inclusão social.

Batizado por Michael Shifter, presidente do independente Diálogo Interamericano, como Consenso de Brasília, por contrapor-se ao Consenso de Washington, é conhecido também como "lulismo", em alusão ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou modelo brasileiro, e acrescenta seguidores latino-americanos entre governos de esquerda e de direita.

O secretário permanente do Sistema Econômico Latinoamericano(SELA), o mexicano José Rivera, disse a IPS: "O modelo brasileiro teve um impacto muito positivo como exemplo de que as coisas podem ser feitas de outra maneira: promovendo o crescimento sem renunciar à equidade social".

A América Latina e o Caribe, disse, "devem ter como aspiração regional estar integradas, vinculadas e unidas no objetivo comum de que se reduzam as assimetrias e se possa avançar nas grandes dívidas sociais pendentes".

Rivera considerou que para percorrer esse caminho "são positivos os exemplos, ainda mais se são próprios, de governos eficientes em abordar uma dívida social que não se consegue corrigir na região, onde um de cada três latino-americanos vivem na pobreza e cerca de 90 milhões sobrevivem com menos de um dólar por dia".

Consultado por IPS, Shifter afirmou que os traços do Consenso de Brasília "continuam intactos e vigentes", mesmo que Lula tenha deixado a Presidência do Brasil em janeiro de 2011 e o contexto internacional tenha piorado e, em consequência, o regional.

“Não mudou o modelo representado pela ênfase em três eixos: crescimento econômico, equidade social e governabilidade democrática", explica.

“Sua vigência”, acrescentou, “confirma sua propagação como guia de governança para numerosos países da região, seja qual for o ideário político de seu presidente ou presidenta. Isto contrasta com o ocaso ou "encausamento" de outras propostas mais radicais, que foi comandada pelo mandatário venezuelano Hugo Chávez na primeira década do século.

Se trata de uma visão contraposta ao pacote de medidas que os organismos financeiros internacionais e centros de poder com sede em Washington impuseram à América Latina após o estouro de suas crises de dívida soberana em 1984 e, sobretudo, durante a década de 90.

O programa de 10 pontos, síntese da ideologia neoliberal, forçou inclementes ajustes, com eliminação do déficit fiscal, reordenamento do gasto, liberalização financeira e monetária, aumentos de impostos, abertura de mercados e investimentos e massivas privatizações. Tudo para pagar a dívida e estabelecer novas bases para o crescimento econômico.

Na prática, as reformas estiveram longe de gerar crescimento, promoveram a desindustrialização regional e fizeram cair o produto interno bruto por quase uma década, balizada por várias crises financeiras nacionais, algumas de alcance global.

Mas o mais grave foi seu impacto na população. Durante a "década perdida", o gasto social se minimizou em todos seus ramos, em especial na educação, na saúde, na moradia e na assistência aos setores mais vulneráveis, enquanto também pioraram as condições trabalhistas.

A consequência foi o incremento da pobreza e da indigência, uma maior favelização das cidades e o predomínio da economia e do trabalho informal, entre outros impactos negativos.

Lula consolidou, durante seus oito anos no poder (janeiro de 2003 à janeiro de 2011), outro modelo que mantém o pilar da estabilidade macroeconômica e fiscal, a autonomia da autoridade monetária e o cambio livre, mas que acrescenta agressivas políticas industriais e de produção interna.

Além disso, adiciona-se como prioridade a inclusão social, com aumento de salários, geração de empregos formais e um alto gasto em políticas para erradicar a fome, reduzir a pobreza, melhorar a educação e a saúde e, em geral, uma maior transferência de renda à sociedade.

Como marco central, a democracia, com a ampliação de direitos e o incentivo à participação cidadã e sua organização pela base.

Shifter, cujo instituto tem sede em Washington, assegurou que a sucessora de Lula, Dilma Rousseff, "decidiu ter um menor protagonismo global que Lula, mas isso não afeta o modelo do Consenso de Brasília". Ela "tem outro estilo, outras prioridades e outro tipo de liderança", sintetizou.

Rousseff aplicou diferentes políticas para estimular a economia e amortizar o impacto da recessão econômica no Norte industrial, em especial na Europa. Preocupou-se, além disso, em reforçar os programas sociais nesse novo cenário desfavorável.

Uma recente frase sua ressalta a sua postura. "Eu, o que quero e pelo que luto é para que o Brasil se transforme na sexta potência social", afirmou sobre o fato de que seu país tenha passado a ser a sexta economia mundial e avance para a quinta posição.

Entre os países latino-americanos cujos governos têm como guia geral, com suas variáveis, o Consenso de Brasília, Shifter citou o Chile, a Colômbia, El Salvador e Uruguai. Outras administrações tomam vários elementos, enquanto "híbridos" entre o lulismo e o chavismo como é o caso da Argentina e do Paraguai, até a derrubada de seu presidente Fernando Lugo, em junho.

O estudioso deu especial relevância ao caso do presidente do Peru, Ollanta Humala, que escolheu o lulismo e não o modelo "bolivariano de Chávez", abrindo seu ocaso regional.

Também considerou notável que, na Venezuela, o candidato opositor para as eleições deste domingo, dia sete, Henrique Capriles, "sublinha que seu modelo é Lula, e seu programa o confirma".

Barro nos pés
Mas, embora o Consenso de Brasília não tenha os pés de barro, tem, sim, barro nos pés, por sua forma de desenvolvimento histórico e também, no passado imediato, pelas sequelas do Consenso de Washington.

Rivera, máximo dirigente do SELA, com sede em Caracas, destacou que as brechas sociais continuam presentes na região e "se necessita um grande e continuado esforço para consolidar a inclusão e a equidade social".

Com esse objetivo, a região tem diante de si três desafios, esboçou o chefe do organismo que congrega 28 países latino-americanos e caribenhos.

O primeiro é "crescer a taxas maiores às atuais e de maneira sustentável, porque não é saudável um comportamento irregular" e para que "os Estados possam enfrentar seus compromissos com a população", acrescentou.

O crescimento deve ser "sustentador além de sustentável ", em segundo lugar. Tem que "ir em direção a um crescimento de economia verde, porque até agora se destruiu o ambiente, se danificaram os recursos naturais e se produziu de forma ineficiente", disse.

O terceiro "é o desafio da inclusão e o de abrir espaços nos mercados internos para que a gente saia da pobreza e se incorpore à classe media", frisou.

E esta combinação de metas, refletiu, requer "em definitivo, um novo direcionamento do Estado", que elimine as ainda muito visíveis cicatrizes do Consenso de Washington.(FIM/2012)
Nossa fonte: Carta Maior

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A lição de método de Marx e o legado de Hobsbawm

Paul Valéry, no início de sua “Introdução ao Método de Leonardo da Vinci”, disse que “o que fica de um homem é o que nos leva a pensar seu nome e as obras que fazem desse nome um signo de admiração, de ódio ou de indiferença”. A obra de Eric Hobsbawm é um signo de admiração e de lições para o século XXI. Em um de seus últimos trabalhos, reafirmou sua confiança política e metodológica na obra de Marx: “o liberalismo econômico e o liberalismo político, sozinhos ou combinados, não conseguem oferecer uma solução para os problemas do século XX. Mais uma vez chegou a hora de levar Marx a sério”.

Marco Aurélio Weissheimer

Em um de seus últimos trabalhos publicados no Brasil (Como Mudar o Mundo – Marx e o Marxismo. Companhia das Letras, 2011), Eric Hobsbawm conta a seguinte história para falar da força e da atualidade do pensamento de Marx:

“No Cemitério Highgate estão sepultados dois pensadores do século XIX – Karl Marx e Herbert Spencer – e, curiosamente, da tumba de um se avista o outro. Quando ambos eram vivos, Herbert era considerado o Aristóteles da época, enquanto Karl era um sujeito que morava nas ladeiras mais baixas de Hampstead à custa do dinheiro do amigo [Engels]. Hoje ninguém sabe que Spencer está sepultado ali, enquanto peregrinos idosos, vindos do Japão e da Índia, visitam o túmulo de Karl Marx, e comunistas exilados iranianos e iraquianos fazem questão de ser enterrados à sua sombra” (Como Mudar o Mundo – Marx e o Marxismo, p. 14).

Marx foi um autor que acompanhou a vida e a obra do historiador inglês, que morreu na manhã desta segunda-feira (1º), aos 95 anos. O livro citado acima é uma coletânea de textos que Hobsbawm escreveu sobre o assunto entre 1956 e 2009, “um estudo sobre a evolução e o impacto póstumo do pensamento de Karl Marx (e de seu amigo inseparável Friedrich Engels)”, como ele próprio define. Nesta obra, o historiador defende uma tese central: “Marx é hoje, mais uma vez, e com toda justiça, um pensador para o século XXI”. Como uma das melhores formas de homenagear alguém que partiu é manter acesa a memória das obras de uma vida, cabe falar um pouco sobre essa tese que sintetiza uma parte importante das preocupações e compromissos desse historiador extraordinário.

Paradoxalmente, observou Hobsbawm, quem “redescobriu” Marx foram os capitalistas e não os socialistas. O ano de 1998 foi emblemático neste processo. Neste ano, comemorou-se o sesquicentenário do Manifesto Comunista. A data coincidiu, ironicamente, com o início de uma forte turbulência na economia internacional. Hobsbawm relata que ficou espantado quando, num almoço mais ou menos na virada do século, George Soros perguntou o que ele achava de Marx: “Por saber o quanto nossas ideias eram divergentes, preferi evitar uma discussão e dei uma resposta ambígua. Esse homem, disse Soros, descobriu uma coisa com relação ao capitalismo, há 150 anos, em que devemos prestar atenção”.

Alguns depois, em 2008, o jornal londrino Financial Times estampou em sua manchete: “Capitalismo em convulsão”. “Não podia mais haver dúvida de que Marx estava de volta aos refletores. Enquanto o capitalismo mundial estiver passando por sua mais grave crise desde o começo da década de 1930, será improvável que Marx saia de cena. Por outro lado, o Marx do século XXI será, com certeza, bem diferente do Marx do século XX”, advertiu Hobsbwam. Quais seriam essas diferenças?

O Marx do século XXI
A resposta a essa pergunta está intimamente ligada ao diagnóstico sobre quais aspectos da análise de Marx continuam válidos e relevantes. O historiador inglês destaca dois deles: (i) a análise da dinâmica global do desenvolvimento econômico capitalista e de sua capacidade de destruir tudo o que se antepuser a ele; (ii) a análise do mecanismo de crescimento capitalista, por meio da geração de contradições internas, levando a crises sucessivas e a uma crescente concentração econômica numa economia cada vez mais globalizada.

E a força dessas análises reside, em larga medida, no método empregado por Marx, um método que rejeita a ideia de modelo e procura pensar o mundo como um todo. Não se trata de um pensamento interdisciplinar no sentido convencional, assinala Hobsbwam, mas de um pensamento que integra todas as disciplinas, abordando os fenômenos sociais a partir de distintos pontos de vista: econômicos, políticos, científicos e filosóficos. “Não podemos prever as soluções dos problemas com que se defronta o mundo no século XXI, mas, quem quiser solucioná-los, deverá fazer as perguntas de Marx, mesmo que não queira aceitar as respostas dadas por seus vários discípulos”, defende o historiador.

Marx tem, pois, uma lição metodológica que é, de diferentes modos, destacada por Hobsbawm. No método de Marx, não há lugar para determinismos, dogmas ou modelos pré-concebidos que possam ser aplicados mecanicamente a qualquer momento histórico. E esses pressupostos foram assumidos também por Hobsbawm em seu trabalho como historiador. No final do artigo “Marx e o trabalhismo: o longo século” (op.cit. pp. 358-375), ele reflete sobre os fracassos do século XX, os problemas do século XXI, reafirmando sua confiança no método de análise de Marx:

“Paradoxalmente, ambos os lados têm interesse em voltar a um importante pensador cuja essência é a crítica do capitalismo e dos economistas que não perceberam aonde levaria a globalização capitalista, como ele previra em 1848. Mais uma vez é óbvio que as operações do sistema econômico devem ser analisadas tanto historicamente, como uma fase da história, e não como seu fim, quanto de forma realista, isto é, em termos não de um equilíbrio de mercado ideal, e sim de um mecanismo integrado que gera crises periódicas capazes de transformar o sistema.” (op.cit. p.375)

Para Hobsbawm, a crise atual mostra que o “mercado” não tem nenhuma resposta para o “principal problema com que se defronta o século XXI”: “o fato de que o crescimento econômico ilimitado e cada vez mais tecnológico, em busca de lucros insustentáveis, produz riqueza global, mas às custas de um fator de produção cada vez mais dispensável, o trabalho humano, e, talvez convenha acrescentar, dos recursos naturais do planeta”. O historiador conclui: “O liberalismo econômico e o liberalismo político, sozinhos ou combinados, não conseguem oferecer uma solução para os problemas do século XX. Mais uma vez chegou a hora de levar Marx a sério”.

O que fica de um homem?
Paul Valéry, no início de sua formidável “Introdução ao Método de Leonardo da Vinci” (publicado no Brasil pela editora 34), disse que “o que fica de um homem é o que nos leva a pensar seu nome e as obras que fazem desse nome um signo de admiração, de ódio ou de indiferença. Pensamos que ele pensou, e podemos reencontrar entre suas obras esse pensamento que lhe é dado por nós: podemos refazer esse pensamento à imagem do nosso”.

A longa, profícua e aguda obra de Hobsbwam está aí para que nós melhoremos o nosso próprio pensamento sobre a nossa história e, sobretudo, sobre os desafios que o presente desfia a nossa frente. Não há fim da história, o mercado não é um deus e os homens e mulheres seguem lutando para sobreviver e levar a humanidade a um patamar melhor do que o que está aí. As palavras, as reflexões e a vida de Eric Hobsbwam seguirão a nossa disposição para deixar esse caminho um pouco menos sombrio.
Fonte: Carta Maior

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Os sentidos do lulismo, reforma gradual e pacto conservador


O novo livro de André Singer, "Os sentidos do lulismo - reforma gradual e pacto conservador", resgata abordagem da sociologia política e eleitoral, e reintroduz temas clássicos para abordar as diferenças de programa entre o "lulismo" e o PT. Além disso, procura fazer uma caracterização dos oito anos de governo Lula, identificando esse período como o de um fraco reformismo, adaptado as condições da política econômica, mas com importantes rupturas com o modelo neoliberal.

Ana Paula Salviatti

São Paulo - O lançamento do mais novo livro de André Singer, "Os sentidos do Lulismo - reforma gradual e pacto conservador", dia 18 de setembro, na Universidade de São Paulo, contou com a participação dos professores Brasílio Sallum Jr. e Francisco de Oliveira, do departamento de Sociologia, Bernardo Ricupero e mediação de Cicero Araujo, ambos do departamento de Ciência Política.

Ao analisar a conjuntura política do país, Singer propõe uma diferenciação essencial entre os governos FHC e Lula. Os anos de Fernando Henrique, defende, caracterizaram-se por um governo estritamente ligado à cartilha neoliberal, enquanto os anos de governo Lula ficaram registrados pelas rupturas e recombinações feitas na contramão dessa cartilha, por meio do fomento do mercado interno, aumento do emprego, do crédito e do consumo.

Singer apresenta sua tese sobre o lulismo caracterizando-o a partir do conceito de populismo, ilustrado pelo que chamou de "Espírito de Sion". Dentro desta chave, Singer aponta as diferenças entre o programa de governo de Lula e do PT, destacadas após a publicação da Carta aos Brasileiros, de julho de 2002, em que Lula teria incorporado e submetido o Partido dos Trabalhadores. O livro de André Singer evoca conceitos clássicos, como o de classe social, para construir um dos pilares de sua argumentação em torno das políticas instituídas durante o governo lula.

O debate
Segundo Ricupero, na construção de Singer, Lula aparece como um "líder mediador de classe". Durante seu governo houve o "estabelecimento de uma nova classe média, por meio de lentas conquistas sociais sem luta de classes".

Quanto ao lulismo, Ricupero assinala que a Carta aos Brasileiros, caracterizada por André Singer como o Espírito de Sion, ao afirmar o compromisso de realização dos contratos, trouxe consigo uma aproximação com partidos como PFL e PSDB. Ricupero apontou que Lula teve um "governo que agradou ao subproletariado do nordeste e ao capital financeiro", caracterizando-se assim como um governo de "reformismo fraco, mais adaptado às circunstâncias do que pautado por transformações".

Para Ricupero, "hoje o consumo dá sinais de desgaste e o nordeste já não é o lugar tão seguro ao lulismo quanto antes".
Brasilio Salllum Jr. elogiou o resgate feito por Singer da sociologia eleitoral, dando novo fôlego ao conceito de luta de classes. “O texto rompe com os trabalhos de sociologia cultural para fazer um trabalho de sociologia política”. Para ele, faltou a exposição de que "hoje estamos diante de um Estado moderadamente liberal, onde as instituições regulam a vida política econômica, e que, assim, o lulismo estaria dentro deste quadro institucional". Na perspectiva de Sallum, "o lulismo ainda apresenta muitas continuidades com o passado institucional democrático, com demandas advindas da democratização".

Chico de Oliveira apresentou três discordâncias fundamentais em relação ao conteúdo do livro de Singer. Quanto ao uso do conceito de classe, ao uso da ideia de subproletariado e, por fim, a existência de mais pontos em comum entre os governos de FHC e Lula do que diferenças.

O uso do conceito de classes feito por Singer, disse, “apesar de ter recuperado para a sociologia política termos em desuso, o que é de uma grande importância, o faz de forma muito elástica". Segundo Chico de Oliveira, da forma como Singer expôs “classe, no final das contas, fica identificada com os números que votam de determinada forma”. Tal aplicação do conceito facilitaria, mas também enfraqueceria o argumento político, prova disso “é que este argumento não cola com a conjuntura atual, em que em São Paulo Haddad não consegue alcançar Russomano”.

O segundo ponto que Oliveira apontou é que hoje o subproletariado está em São Paulo e que no nordeste estariam os herdeiros de uma antiga miséria. Por fim, destacou, o crescimento da economia capitalista durante os anos de FHC foi de 2% e o de Lula, 3,5%, números que os aproximam mais do que os diferenciam, na interpretação de Oliveira.

Para Singer, Lula, em julho de 2002, assumiu para si o partido, na Carta aos Brasileiros. “O lulismo não é o programa original do PT, inclui temas, mas é outro projeto que tomou conta do PT,” ação que André caracteriza como espírito de Sion. “Há setores que não aderiram ao espírito de Sion, mas a direção nacional está seguindo este rumo.”

Quanto à característica de reformismo do governo Lula, Singer argumentou: “O ritmo de queda da desigualdade, segundo dados do Ipea, é compatível com o New Deal. Porém o ponto de partida é muito diferente. Os EUA e a Europa partiram de um patamar de desigualdade muito distante no nosso. O Brasil tem um acúmulo de desigualdade tão grande que mesmo esta queda com enorme ritmo de avanço fica aquém”. Singer caracterizou esse “reformismo conservador” como um “reformismo lento, em comparação com o tamanho da desigualdade. O New Deal, em comparação ideológica, foi muito mais rápido do que o nosso, um reformismo fraco.”

Sobre as diferenças entre Lula e FHC, Singer identificou “mudanças que quebram o projeto neoliberal. Uma recombinação de elementos neoliberais e outros completamente não neoliberais, como, por exemplo, essa ativação do mercado interno, aumento do crédito, aumento do consumo, aumento do emprego, indo na contramão do neoliberalismo.”

A influência eleitoral e o conceito de classe
“Estou realmente usando o conceito de forma elástica. É um conceito muito difícil de operacionalizar, não é simples fazer análises atuais sobre a condição de classe nem no Brasil, nem no mundo. A evidência que apresento para afirmar que o lulismo é uma influência eleitoral é a presidência de Dilma, 12 milhões de votos a mais do que Serra no segundo turno, sendo que 11 milhões vieram do norte e nordeste.”

Para Singer, as novidades trazidas pelo governo Lula estão “em políticas direcionadas aos setores de menor renda, e não apenas a valorização de commodities, como no governo FHC, e na aplicação de políticas de alavancagem aos setores de menor renda. Penso que, apesar de a economia hoje não estar crescendo, o governo conseguiu blindar o trabalho do problema do desemprego, que anda na casa dos 5%, o que para os economistas ainda é pleno emprego. Isso é efeito das políticas de Lula que blindaram este setor da economia ao fomentar a classe mais baixa”.
Fonte: Carta Maior

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Seminário debate sobre redesenho do mundo multipolar


No debate sobre “O Mercosul e a Unasul: Desafios para o Aprofundamento da Integração Sul-Americana” , dentro da programação do Seminário Política Externa Brasileira: Desafios em um mundo em transição, o ministro Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, afirmou que “depois do colapso do sistema bipolar e o posicionamento unipolar dos Estados Unidos, começamos a assistir o desenho de um mundo que poderíamos chamar de multipolar”.
Segundo ele, nesse mundo multipolar, o Brasil tomou a decisão de não querer ser um polo econômico-político por si só, mas, ao contrário, quer formar um polo com os outros países da América do Sul. “Daí a o surgimento e a importância da Unasul e o Mercosul”, afirmou o ministro. Ainda segundo Garcia, é necessário entendimento maior sobre as duas instituições da América do Sul que, na verdade, “são duas formas convergentes de integração regional”.

O embaixador Antônio Simões, que também participou do debate que acontece nesta terça e quarta-feira (18 e 19) na Câmara dos Deputados, em Brasília, abordou as transformações sofridas pela região e que deram fôlego para se chegar ao processo de integração, representando pela Unasul e pelo Mercosul.

“O mundo de hoje é bem diferente de 20 anos atrás. Os EUA ainda estão na ponta, mas hoje em dia o poder de intervenção deles não é mais como foi. A Europa também: a crise está instalada, o modelo está em cheque. A locomotiva do mundo não está mais nos países ricos, está no mundo emergente, e a América do Sul é um dos palcos dessa nova locomotiva”, defendeu o embaixador.

Ainda segundo Simões, “em 2030, 50% da produção mundial estará exatamente nos países emergentes”. Para os palestrantes, as alavancas dessa integração são representadas pela transformação do grande contingente populacional pobre em massa populacional com poder econômico. Além disso, vários países da América do Sul tornaram-se credores e não mais devedores de instituições financeiras internacionais.

Eles avaliam ainda que o potencial energético da região, principalmente a capacidade petrolífera de Brasil e Venezuela, comprova a importância da região em um mundo ávido por recursos energéticos. “O Brasil, por exemplo, que nos anos 80 não tinha petróleo, vai se colocar entre os 10 primeiros produtores do mundo, depois da descoberta do Pré-Sal”.

Brics e a Primavera Árabe

Na discussão do tema “O Contexto Geopolítico Internacional e os desafios à Política Externa Brasileira”, os BRICS e os desdobramentos políticos, diplomáticos e econômicos da Primavera Árabe e do Oriente Médio tomaram conta das discussões do painel.

“Hoje o que chama a atenção da comunidade internacional é esse mecanismo político diplomático que foi constituído entre Brasil, Russia, China, Índia e, mais recentemente, a África do Sul” afirmou a professora da Unifesp, Cristina Pecequilo.

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães discursou sobre a crise financeira do sistema neoliberal que levou à crise econômica mundial. “Muitos países eram citados como modelos permanentes aos países em desenvolvimento, por isso, nós, subdesenvolvidos, deveríamos adotar as mesmas políticas. Foi justamente por não ter privatizado tudo, que não seguimos no mesmo caminho dessas nações em crise. Se assim não fosse, hoje o Estado não teria mecanismos para lutar”, defendeu o embaixador.

O professor Reginaldo Mattar Nasser, da PUC de São Paulo, ofereceu explicações sobre o momento delicado em que vive o Oriente Médio, falou do grande interesse dos países ricos do G7 na região e criticou a demora da diplomacia brasileira em se posicionar. “No processo de reconhecimento da primavera árabe houve uma inaceitável demora do posicionamento da diplomacia brasileira no reconhecimento do processo. Um debate como esses nos ajuda a refletir nossas posições”, defendeu.

Da Redação de Vemelho, em Brasília
Com informações da Com. Rel. Exteriores

 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sobre Mística e Racionalismo


“Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá...”
Gilberto Gil
Para Iori
9/9/2012

Roberto Jorge Regensteiner   

Há, sim, compatibilidade entre Mística e Racionalismo.
Mística no sentido de Fé. A mesma Fé que nos permite dar um passo após o outro com a certeza de que não vamos cair. Fé como confiança de que sabemos caminhar. Fé adquirida e conquistada aos tombos, aos trancos e barrancos, a maior parte dos quais jaz esquecido no fundo da memória. Tombos esquecidos são como andaimes que ajudam na construção dos edifícios e depois são retirados quando as estruturas permitem que se sustentem de pé, por si sós.

Ao aprender a andar,
os Humanos definem (como que),
um ponto inicial,
de uma reta, de um segmento, de um percurso, de uma trajetória,
de uma história,
na qual usando o Racionalismo
e outras ferramentas
(mentais, cerebrais, sensoriais)
que a espécie humana inventou
(ou descobriu existirem na natureza,
como a lógica ou a geometria)...
E a partir da Fé
buscam no futuro
qual náufragos olhando as estrelas,
em busca de esperança,
da luz de um farol,
de um sinal
indicando a presença de Terra e Vida...
Entre o início e o fim de cada vida,
se desenrola um fio,
que se entrelaça
a outros fios.
Forma panos coloridos,
panos pendurados num varal,
como roupa lavada por mãe,
compondo caleidoscópicas formas,
re-arranjadas pelo balanço de ventos fortes.
Haverá espírito capaz de iluminar a escuridão
que existe para além do farol?
que existe para além das estrelas?
Haverá pessoa que com segura certeza
enxergue para além do que vê
a atenta sentinela que
do alto do mastro perscruta
o céu e os horizontes?
Haverá pessoa que
com científico fundamento
analise telas de telescópios,
interprete ondas e lasers, neutrinos e bósons, quarks e irks?
e descreva:
que pedaço do infinito universo é este,
que elipticamente em torno do sol vagueia pela eterna noite.
Sabemos pela História
que Grandes Navegantes
quando para a Europa retornaram
não foram bem compreendidos
(ainda que supuséssemos
que a tudo houvessem entendido
o quê – como sabemos – não é verdade).
Problemas surgem quando
Racionalismos exigem uma Fé,
que é uma Fé que não nasce da experiência,
ou do convencimento racional.
Quando o convencimento não nasce da Razão,
quando a Fé se confunde
com silêncio, com submissão,
com magia ou ilusão.
Como o crente que se aproxima ao rebanho
para saciar sua sede de água,
sua fome de comida,
a carência afetiva,
a pertença social,
afirmação identitária.
E se engana ao chamar a tudo isto de Deus.
Ou engana ao fazer de conta que nisto acredita.
Ou, se confunde e já nada mais de si sabe
e entrega ao pastor,
ao superior,
a decisão do certo ou errado,
da bronca ou do perdão,
da verdade e da mentira,
da realidade ou da ilusão.

Bienal de Arte num dia de sol quente


 Mazé Leite *

Vidro soprado. Cópia de cabeça. Fios elétricos. Aros de rodas de bicicletas. Fotografias... Pedaços de pano velho. Pedaços de pau velho. Um penico de banheiro masculino. Fotografias... Rolos de barbante pendurados. Vídeos. Salas performáticas. Cordas penduradas. Fotografias... Pedaços de madeira usada. Restos de construção. Terra. Sacos de plástico. Fotografias... Papeis canson mil-teintes enrolados na parede. Serpentinas. Portas velhas. Fotografias...
Tijolos enrolados em papel celofane. Roupas velhas. Vasos velhos. Fotografias... Sete telas em branco “pintadas” com água do mar. Arcos com velas. Trouchas de pano. Fotografias... Dois lados de uma cadeira. Rádio velho. Vídeos em salas escuras. Sucata. Caixas de madeira vagabunda. Fotografias... Trecos velhos. Usados. Roupas antigas, usadas. Vasos antigos. Desenhos de criança. Fotografias... Duas salas com pinturas abstratas. Alguns desenhos experimentais. Vídeos. Fotografias...

Por que tanta fotografia e tanto vídeo?
E o imenso acervo cultural e histórico da humanidade?
Nada. Lixo literal. Alegria dos catadores, da reciclagem.

Uma sala inteira para Artur Bispo, o bispo da Arte Contemporânea... Ai de quem se atreve a falar mal de seus cacarecos, seus agrupamentos de botões de camisa, seus copos de alumínio pregados num saco de estopa, suas imagens de alucinação! E ele nem tem culpa disso! Era um inocente, cuja percepção de mundo estava alterada. Vamos dizer em linguagem bem clara: sua visão de mundo estava embotada por uma esquizofrenia paranóica... Mas ai que medo de ser crucificada! Como assim, falar mal do Bispo???, diriam as mocinhas e moçoilos de certas faculdades de artes paulistanas... Aguardemos os comentários dos ofendidos...

Em 2010 fui a Berlim. Visitei a Bienal de Berlim. Dividida em cinco prédios diferentes em lugares diversos da cidade. O que vi aqui é o que vi lá: repetições de chavões duchampianos que devem fazer Duchamp se revolver em sua bem concreta tumba! Aliás, para ser coerente, Marcel Duchamp podia ter escolhido virar cinza, mas seu corpo deteriorou como qualquer corpo no cemitério de Rouen, na França. Bem concreta e realisticamente.
Mas voltando a Berlim: a Bienal de lá estava às moscas! Eu salvei a Bienal de Berlim 2010! Eu estava lá! Eu, uma brasileira, dei público e razão de ser à Bienal 2010 de Berlim! Não havia quase MAIS NINGUÉM!

Em compensação, FILAS na região dos museus de Berlim: na Gëmaldgalerie, no Pergamon Museum, no Staatliche Museen, e até no DDR Museen, da ex- Alemã Oriental. Na Bienal de Berlim? Estava eu em quase todos os prédios onde o evento acontecia. E um ou outro gato pingado...

Hoje – 9 de setembro – havia uma fila enorme em frente ao MASP para ver “Caravaggio eseus seguidores”. Havia uma outra fila de quatro horas (!) de espera em frente ao CCBB para ver a exposição “Impressionistas do Museu d’Orsay”....
Amigos... não tinha fila alguma para entrar na Bienal, de graça!

Numa sala onde estavam penduradas sete telas em branco me deparei com uma senhora revoltada perguntando para outra: - você entendeu? A outra, coitada, gaguejava um pouco pra provar que entendeu o que não é para ser entendido. Me meti na conversa: vão ao Masp ver Caravaggio! A senhora que estava brava balançou a cabeça concordando imediatamente comigo.

Continuei meu périplo dentro do lindo prédio de Oscar Niemeyer.
Vidro soprado. Cópia de cabeça. Fios elétricos. Aros de rodas de bicicletas. Pedaços de pano velho. Pedaços de pau velho. Um penico de banheiro masculino. Rolos de barbante pendurados. Vídeos. Salas performáticas. Cordas penduradas. Pedaços de madeira usada. Restos de construção. Terra. Sacos de plástico. Portas velhas. Sucata. Caixas de madeira vagabunda. Fotografias...

Como diria o poeta Carlos Drummond, "Devo seguir até o enjôo?"
Sem mais palavras, cada um que tire a sua conclusão... É só ver as imagens.
E ler o texto da apresentação. Sugerimos uma leitura em diálogo com dois supostos visitantes. Alguém com o texto de apresentação do folheto da Bienal nas mãos lê para outro:

- Tema: A IMINÊNCIA DAS POÉTICAS
- ah, tá, intendi...
- Não, você não entendeu, deixa eu explicar. Preciso ler para poder te explicar, peraí. Mas presta muita atenção porque isso aí que é arte contemporânea: Assim (tipo aluno de certas faculdades lendo):
- "a Iminência é entendida como aquilo que está a ponto de acontecer..."
- ah sei sei (sinal de que não tá sabendo...)
- calma, deixa eu continuar: "... como o que está suspenso..."
- suspenso, intendi... Suspenso que nem corda, que nem fio de rede elétrica...
- Por aí, mas deixa eu terminar! Você não deixa!
- ...
- "... em vias de efetivação; a poética é entendida como discurso, aquilo que se expressa, que se cala..."
- oh!
- profundo, né?
- profundo! O quê mesmo?
- (volta a ler o texto) "... que se transforma e que ganha potência comunicativa por meio da linguagem das artes." (pronto, terminei)
- E o que isso quer dizer?
- Ah, meu, sei lá! Qualquer coisa, intende?
- Intendo, intendo. Mas num intendi....
- É por aí mermo! Melhor assim: num intendê nada faiz parte...
- Beleza então....

* Artista plástica, bacharel em Letras-USP, pesquisadora de história da arte, autora do livro "As Artes Plásticas na Formação do Professor" e membro do Atelier de Arte Realista de Maurício Takiguthi.
Nossa fonte: Vermelho

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Limites da esquerda na questão ambental

Em debate realizado no Simpósio Internacional da Esquerda, na Universidade de São Paulo, palestrantes apontaram limitações atuais da esquerda na questão ambiental: indeterminação do conceito de desenvolvimento sustentável, a cosmologia dos povos indígenas, a urgência de uma nova esquerda, que diferente da esquerda tradicional, altamente produtivista, se encarregue de questionamentos mais amplos, como o que envolve o meio ambiente foram alguns dos principais temas abordados no debate.
Da Redação de Carta Maior

São Paulo - A mesa "Esquerda e o Meio Ambiente", realizada no último dia do Simpósio Internacional da Esquerda, na Universidade de São Paulo, teve a participação de Maurício Waldman, Francisco del Moral Hernández, Ana Paula Salviatti e Gilson Dantas. De pontos de vista distintos os palestrantes apontaram as limitações impostas pelo capitalismo ao meio ambiente. A indeterminação do conceito de desenvolvimento sustentável, a cosmologia dos povos indígenas, a urgência de uma nova esquerda, que diferente da esquerda tradicional, altamente produtivista, se encarregue de questionamentos mais amplos, como o que envolve o meio ambiente foram alguns dos principais temas abordados no debate.

Francisco Hernández, engenheiro elétrico e ambiental, professor e assessor, que atuou no painel de especialistas no caso da usina hidroelétrica de Belo Monte, expôs a influência dos livros marxistas que abordam a temática, como Marxismo e Ecologia do professor Jonh Bellamy Foster e compartilhou a experiência vivida junto dos grupos e movimentos organizados em torno da causa ambiental no norte do país, afetados pelo progresso destrutivo imposto pela lógica de mercado.

Maurício Waldman, pós doc pela Unicamp, apresentou sua bibliografia e atividade na área de preservação ambiental desde os anos 70. Waldman apontou as continuidades e rupturas ocorridas ao longo dos anos no Brasil e no mundo em ações pró-ambientais, assim como a limitação das condições ambientais encontradas ao longo do globo.

Ana Paula Salviatti, mestranda em história econômica pela Universidade de São Paulo, buscou traçar um paralelo entre as condições de existência dos trabalhadores e dos meios de produção no âmbito de um capitalismo financeirzado, através dos mecanismos financeiros desenvolvidos no Protocolo de Kyoto, a participação de créditos de carbono junto de ativos de petróleo em fundos de hedge altamente especulados.

Gilson Dantas, médico de formação, doutor em sociologia pela UNB e editor da revista Contra Corrente analisou as estratégias e objetivos dos movimentos Occuppy Wall Street e do movimento ecológico grego que compõe a coligação de esquerda Siriza. Em entrevista feita com representantes do movimento norte-americano, Dantas, abordou a heterogeneidade dos integrantes e as condições embrionárias positivas de um movimento contestatório de forte repercussão, não só no país como no mundo todo.

Quanto às manifestações ocorridas na Praça Syntagma, em Atenas, Dantas expôs os acordos que o movimento ambiental grego esteve disposto a fazer junto da coligação Syriza colocando mais pontos de proximidade do que de ruptura com modelos europeus de governo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Reduzir contribuição de empresas pode afetar Previdência, diz CTB

Para combater os efeitos da crise econômica global, evitar demissões e incentivar contratações de mais trabalhadores, o governo anunciou, nesta quinta-feira (13), a redução das contribuições trabalhistas para 25 setores da economia como papel e celulose, fármacos e medicamentos. Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, a principal preocupação deve ser com a Previdência Social, tendo em vista que haverá redução na arrecadação.

A Previdência é o órgão responsável pelas aposentadorias dos trabalhadores e é financiada com contribuição dos mesmos e das empresas. A medida anunciada pelo governo elimina a contribuição direta das empresas.

"A nossa principal preocupação é com a Previdência, já que quando há cortes, geralmente 40% desses recursos vêm da Previdência. E isso pode aumentar o rombo e, depois, inviabilizar as aposentadorias, que é uma questão importantíssima para o trabalhador", declarou Wagner Gomes ao programa "Ideias e Debates", da Rádio Vermelho.

Estima-se que o governo deixe de arrecadar R$ 12,83 bilhões em 2013 e R$ 14,11 bilhões em 2014. O valor será descontado dos R$ 15,2 bilhões previstos no Orçamento de 2013 para tal finalidade. Em quatro anos, o governo deixará de arrecadar cerca de R$ 60 bilhões.

Os setores que serão beneficiados com a isenção são tidos pelo governo como campeões em contratações – também estão inclusos aves, suínos e derivados, transporte rodoviário coletivo, transporte aéreo, marítimo, fluvial, forjados de aço, ferramentas, parafusos, cerâmica, pneus e câmaras de ar, manutenção e reparação de aviões, e suporte técnico de informática.

Em abril, o governo já havia isentado outros 15 setores. As empresas incluídas agora vão deixar de pagar os 20% de contribuição patronal do INSS, a partir de janeiro de 2013 e pelo menos até 2016. No lugar, vão pagar de 1% a 2% sobre o faturamento.

A medida foi divulgada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também anunciou a redução do índice de crescimento da economia brasileira previsto para este ano, para 2%. A previsão inicial era de 4,5%, já havia sido reduzida para 3% no final de agosto.

Deborah Moreira
Fonte:  Vermelho

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Caveat: o STF caminha para subverter as bases do direito positivo brasileiro

Há uma parte da opinião pública querendo ver sangue, e uma parte do Judiciário querendo saciá-la. O Supremo está subvertendo a mais sagrada regra do sistema judiciário brasileiro, a saber, a doutrina do direito objetivo que exige prévia definição legal do crime, sem maiores contorcionismos jurídicos.

J. Carlos de Assis*

Desde o século XVIII firmou-se como princípio do direito europeu continental, ao qual se filia o direito brasileiro, a máxima, inscrita em nossa Constituição, de que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. (Em latim: Nullum crimen, nulla poena sine previa lege.) O arauto desse princípio foi Cesare Beccaria, numa obra que constitui um dos pilares da era moderna, “Dos Delitos e das Penas”. Ela prenunciava uma doutrina de proteção do cidadão comum contra arbitrariedades do soberano, do Estado ou... de magistrados. A propósito, foram justamente magistrados os poucos opositores de Beccaria.

O julgamento do chamado mensalão está caminhando para uma situação na qual grande parte dos réus está destinada a ser condenada a penas sem prévia cominação legal referidas a crimes que não estão definidos como tais em leis. É que os ministros do Supremo estão se arrogando a prerrogativa de definir “por analogia”, como crimes, após o fato consumado, ações como o gerenciamento de caixa dois eleitoral que estão tradicionalmente presentes como irregularidades eleitorais em todas as eleições brasileiras, sem uma única exceção, acredito eu. Por que só agora a criminalização penal nesse caso específico?

Não falo de gestão fraudulenta de instituição financeira: isso está tipificado em lei e já faz parte do direito objetivo brasileiro. Mas dizer que houve a formação de “quadrilha” por parte dos dirigentes do PT para comprar votos de parlamentares próprios ou de partidos aliados no Congresso, chamar de peculato o recebimento de dinheiro para pagar despesas eleitorais do próprio partido ou de outros, definir ainda como peculato recebimento de pretensa vantagem sem provar que houve contrapartida, tudo isso beira o surrealismo, para não dizer a máxima arbitrariedade.

Vamos ser claros: há uma parte da opinião pública querendo ver sangue, e uma parte do Judiciário querendo saciá-la. Ela ignora as consequências dos precedentes dos julgamentos para o comportamento futuro do sistema judiciário como um todo. Não sabe que, para atender seu apetite, o Supremo, que deveria resguardar-se como guardião da serenidade, atua às vezes, e não raro, política e demagogicamente. No caso, o Supremo está subvertendo a mais sagrada regra do sistema judiciário brasileiro, a saber, a doutrina do direito objetivo que exige prévia definição legal do crime, sem maiores contorcionismos jurídicos.

Essa subversão terá consequências terríveis para o futuro jurídico brasileiro. Caímos no sistema anglo-saxão, aquele do direito consuetudinário, aquele que dá ao juiz uma imensa margem de discricionariedade em suas decisões. Quais as consequências disso? Para mim, que não sou jurista, devo usar uma linguagem comum: significa simplesmente que nas causas correntes no Judiciário haverá mais margem para os ricos culpados comprarem a sua absolvição e os pobres inocentes arcarem com o peso da lei. Mas é estranho que nenhum grande advogado ou jurista esteja chamando a atenção sobre isso: talvez tenham medo de se indispor junto ao Supremo!

Entendo que o Congresso brasileiro deva invocar suas prerrogativas e barrar essa pretensão do Supremo de, ao arrepio da cidadania, mudar as bases doutrinárias de nosso sistema jurídico. O direito objetivo, mesmo que circunstancialmente favoreça os ricos, é essencialmente uma proteção dos pobres. Se tivermos de adotar o sistema anglo-saxão, que, como dito, dá aos juízes ampla margem de arbitrariedade em suas decisões, que seja por decisão da cidadania, através de seus representantes no Congresso. Não pode ser um simples golpe do Supremo Tribunal Federal. Deve ser por um consenso mínimo na sociedade.

A propósito, já é tempo de recordar ao Supremo quem é o poder máximo na sociedade. Constitucionalmente, os três poderes são independentes e autônomos. Politicamente, porém, o Poder Judiciário e o Poder Executivo estão subordinados ao Legislativo, pelo fato de que este representa o conjunto da cidadania, da cidadania e da soberania, acima da qual não existe poder algum. Portanto, o ministro Marco Aurélio não pode atropelar a letra da Constituição dizendo que o deputado João Paulo Cunha está cassado por decisão do STF sem ter de passar pelo rito legal que estabelece a própria Carta Magna.

É preciso que o Congresso, nesse contexto de exorbitação de poderes pelo STF, tome iniciativas concretas para o restabelecimento da ordem constitucional. Afinal, há vários ministros do Supremo sobre os quais recaem pesadas suspeitas de falta de decoro. A revista Carta Capital, por exemplo, afirmou em matéria de capa que o ministro Gilmar Mendes foi beneficiário do esquema do valerioduto. Cabe investigar isso. Se confirmado, é um delito político, sem necessidade de um artigo de lei que o tipifique. E vale um processo de impeachment perante o Senado, conforme previsto na Constituição.

Na condição de cidadão livre, e conforme a lição de Bobbio, eu tenho a prerrogativa de fazer as leis através dos meus representantes políticos. Repele-me a ideia de ficar sob o jugo de leis feitas por homens – sejam reis, sejam presidentes, sejam juízes – que não têm que prestar conta a seus constituintes. Veja o abominável sistema judiciário americano e inglês: no curso da maior crise financeira de todos os tempos, devida basicamente a fraudes e desvios praticados por instituições financeiras, nem um único banqueiro ou dirigente financeiro foi preso ou condenado. Eles literalmente compram o sistema judicial e se safam. Já os pobres sofrem penas extremamente rigorosas, com poucas chances de regeneração.

Recorde-se ainda, nos Estados Unidos, a arbitrária decisão da maioria da Suprema Corte de atropelar resultados eleitorais inequívocos que davam a vitória a Gore para fazer vitorioso George Bush filho. O candidato conservador, preferido da maioria da Corte, foi beneficiário de um esquema corrupto, decisivo para o resultado nacional, montado seu próprio irmão, ninguém menos que o governador da Flórida. Estaria o cidadão comum brasileiro mais protegido com a adoção desse sistema? Fala-se descaradamente, entre advogados e juristas, que o critério para o julgamento do chamado mensalão é excepcional. Depois, voltaria tudo como antes. Se for assim estaremos no limite extremo da arbitrariedade, da demagogia e da violação dos direitos humanos.

Portanto, é necessário fazer um apelo sobretudo aos jovens que se impressionaram com a retórica da procuradoria e do relator do chamado mensalão: isso não passa de um circo para valorização pessoal de alguns atores junto à opinião pública. No fundo, é uma vergonha que o procurador e o relator estejam se prestando a esse papel de basear uma retórica tão hiperbólica em provas factuais tão frágeis ou inexistentes. Em que código, em que lei, em que regra o procedimento normal de dirigentes partidários de buscar alianças e apoio pode ser definido como ação de quadrilha? Não seria o trabalho normal deles? Ou quadrilha é quando se juntam algumas pessoas para qualquer propósito, inclusive o de condenar?

(*) Economista e professor da UEPB, presidente do Intersul, autor junto com o matemático Francisco Antonio Doria do recém-lançado “O Universo Neoliberal em Desencanto”, Ed. Civilização Brasileira. Esta coluna sai às terças também no site Rumos do Brasil e no jornal carioca Monitor Mercantil.
Nossa fonte: Carta Maior

Uma carta aberta a FHC que merece ir para os livros de história

domingo, 9 de setembro de 2012

Não há nova classe média, há uma expansão da classe trabalhadora



Durante o debate “A ascensão conservadora em São Paulo”, evento do Coletivo dos Estudantes em Defesa da Educação Pública, realizado em agosto na Faculdade de Ciências Sociais da USP, a filósofa e professora Marilena Chauí refutou o termo “nova classe média”, tão em voga na era Lula. Segundo ela, o que há é uma “expansão da classe trabalhadora”

Vejam o vídeo. Como sempre, a professora está brilhante e ainda provoca gargalhadas, ao contar um episódio do seu cotidiano.

 .http://www.youtube.com/watch?v=KrN_Lee08ow&feature=player_embeddedtheotonio-dos.html

sábado, 8 de setembro de 2012

" Oxalá a revolução bolivariana chegue ao Brasil"

Um ato emocionante que conseguiu unificar o setor progressista brasileiro em torno de uma causa: o apoio à reeleição de Hugo Chávez Frias, presidente venezuelano. Assim muitos participantes definiram o evento da campanha Brasil Está com Chávez realizado nesta quarta-feira (5) na Casa de Portugal, em São Paulo. Entusiasmado, o escritor Fernando Morais exultou: “que [o processo venezuelano] nos contamine. Oxalá a revolução bolivariana (…) chegue ao Brasil”.

Por Vanessa Silva

Movimentos e partidos sociais compuseram a mesa do ato Na atividade, que contou com mais de 200 pessoas, entre representantes de movimentos sociais, da intelectualidade e de partidos políticos, o Brasil manifestou sua solidariedade ao povo e ao governo venezuelano, que conduz a chamada revolução bolivariana no país.

A ideia da criação desta campanha surgiu durante o Fórum de São Paulo, realizado em Caracas entre 4 e 6 de julho deste ano. O grupo aprovou uma resolução final em apoio e solidariedade ao presidente Chávez, dentro do espírito da declaração do ex-presidente Lula, que, em vídeo gravado para o evento, declarou: “Chávez, a sua vitória é a nossa vitória”. Este é elo norteador das atividades da solidariedade com a Venezuela, como manifestou o representante do Fórum, Valter Pomar.

Não se trata de defender algo que está longe, que é estranho a nós, ressaltou Pomar. “A América Latina é muito importante para o futuro e o destino da esquerda mundial. O destino da América Latina passa pela integração entre nossos povos”. Segundo ele, no entanto, esse processo progressista no continente está ameaçado pela rearticulação da direita e do imperialismo. “A Venezuela tem dado mostras de que é necessária uma integração com conteúdo social diferente. Não basta uma integração formal entre países, é preciso [um processo] que signifique democracia real, poder popular, uma vida melhor para nossos povos, que tenha um horizonte de transformação social e que seja um horizonte claramente socialista”, ressaltou.

Para Pomar, a direita manipula os fatos por meio da imprensa hegemônica. Por isso, os jornais brasileiros começam a dizer que, apesar do claro favoritismo de Chávez, Capriles teria chance de ganhar, tal como visto no editorial do jornal Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (4). Fazem isso porque “sabendo que vão perder, estão tentando montar um clima para desconhecer o resultado da eleição e fazer na Venezuela o que fizeram em outros países recentemente”, disse.

Trata-se de uma eleição continental, reforçou o coordenador do MST e da Via Campesina, João Pedro Stédile. “O que está em jogo na Venezuela não é só uma eleição, mas a disputa de dois projetos, com influência em todo o continente. De um lado está Capriles, representante da direita, do capitalismo, do outro, Chávez com um projeto alternativo popular dos povos da América Latina. (…) É uma luta de classes continental, que em cada um dos nossos países toma o caráter de luta ideológica. Derrubando a direita em nossos países, estaremos contribuindo para a vitória do povo venezuelano e latino-americano nesta batalha da Venezuela”.

O perigo que corremos, sintetizou Stédile é que “se Chávez perder essa disputa, os capitalistas retomarão a ofensiva e quiçá teremos em um novo período neoconservador em toda a América Latina, como foi nos anos 1960 e 1970 com as ditaduras militares”.
Batalha travada na mídia
O escritor e intelectual Fernando Morais fez questão de comparecer ao evento. "Sou chavista. Comprometido com o processo bolivariano”. Ele avaliou a campanha que a imprensa faz contra o processo bolivariano e o presidente Hugo Chávez. Durante o lançamento de seu livro mais recente, "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", fez diversos debates em todo o país. O assunto recorrente era seu apoio à Venezuela. Então sempre lançava um desafio: se não tiver uma matéria insultuosa contra o Chávez na capa de um dos três principais jornais da Venezuela, eu sorteio meu notebook, dizia. “O notebook está até hoje na minha mochila” brincou, concluindo que não há nada “mais eloquente do que a verdade”.

Morais lembrou ainda de outro livro de sua autoria “Chatô — o Rei do Brasil”. Em determinado momento de sua vida, Francisco de Assis Chateaubriand, o Chatô, brigou com o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Antonio dos Santos Cabral, e ligou para o diretor dos seus jornais em Minas dizendo “eu descobri que Dom Cabral estuprou a irmã quando era jovem. Quero uma matéria sobre isso na capa em uma semana”. Como em uma semana não obteve o desejado, ligou de volta: “porque ainda não saiu nada?”. E o jornalista respondeu: “doutor Assis, é que descobrimos que D. Cabral não tem irmãs, é filho único”. E ele respondeu “isso não é um problema nosso, mas de D. Cabral”. E é “exatamente isso que nossa imprensa faz com a Venezuela”, ilustrou.

Para lutar contra esse monopólio, temos uma “coisa que está comendo por baixo igual cupim, que é a internet, é onde nós vamos disputar com eles. E é na internet que vamos ganhar. Temos que enfrentá-los onde podemos vencer”. Morais ressaltou que a revolução naquele país é transformadora e democrática. “Não há um preso político na Venezuela, um preso de consciência sequer. Que isso nos contamine. Oxalá que a revolução bolivariana (…) chegue aqui no Brasil”.

Integração solidária
A presidenta do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, enalteceu a unidade latina e sustentou que a garantia do projeto bolivariano da Venezuela é fundamental para assegurar a paz, a soberania e a autodeterminação dos povos: “Chávez demonstrou que era possível resgatar os recursos do povo que estavam sendo assaltados durante décadas, como o petróleo, o gás e as terras, e entregá-los ao povo, e ele fez isso, garantindo os interesses da Venezuela. O nosso destino é o destino da Venezuela, do Equador, da Bolívia. Nosso destino é um só”.

Entre os pontos abordados pelo secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu, está a diferença entre os projetos de integração para o continente. “A Venezuela propõe uma integração solidária. Não é a integração daquele Mercosul que os governos de Carlos Menen [Argentina] e Fernando Collor criaram: um Mercosul livre cambista que tinha como objetivo ser integrado posteriormente à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Mas um novo Mercosul que acaba de receber a Venezuela e vai receber o Equador, a Bolívia e todos os países da Alba e da América do Sul para fazer essa integração verdadeiramente solidária, econômica, social, política e cultural”.

De maneira poética, o presidente da União Nacional dos Estudantes, Daniel Iliescu, emocionou-se: “nossa geração pode viver um momento pelo qual outras gerações lutaram muito nos tempos da resistência. [Lutaram] para que fosse possível produzir os avanços que nosso tempo vê, um projeto que de fato afirma em cada um de nossos países a necessidade da integração política, social, econômica, cultural, simbólica e energética da América Latina. A integração latino-americana precisa crescer na consciência do nosso povo, da população brasileira, da juventude da América Latina como uma necessidade para nossos países serem mais justos, democráticos e avançados socialmente”.
E concluiu: “tenho orgulho de fazer parte de uma geração que reivindica seu passado, nossa trajetória de luta, reivindica a memória daqueles que tombaram, mas se agarra às possibilidades que o presente oferece para construir um futuro mais justo para a nossa gente. E esse futuro passa pela eleição de Chávez e é por isso que a juventude está com Chávez”.
Venezuela está com o Brasil
Encerrando o evento político, o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilian Arvelaiz, observou que a solidariedade é antes de tudo um gesto de amor: “senti um pouco do espírito do Che Guevara que dizia que a solidariedade está na ternura dos povos. E senti muito amor e muita ternura hoje neste evento”. Segundo o diplomata, quando Chávez tomou conhecimento da campanha, há um mês, quando esteve no Brasil para oficializar a entrada do país no bloco, “ficou muito emocionado e disse: ‘sabemos que temos uma grande responsabilidade frente a todos [os brasileiros]’”. Nós sabemos “que podemos contar com vocês e saibam que podem contar também com todos os venezuelanos na luta de vocês”.

O ato cultural foi mais uma mostra de que existe uma sincronia entre Brasil e Venezuela também culturalmente. Sem ensaio, o sambista Tobias da Vai Vai e a banda venezuelana Tambores Bomboyá tocaram juntos em um som que misturou pandeiros brasileiros e ritmos caribenhos.

Um grande ato
Integraram a mesa do evento os representantes do Fórum de São Paulo, Valter Pomar; do MST e Via Campesina, João Pedro Stédile; do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu; da Marcha Mundial de Mulheres, Nalu Faria; da UNE, Daniel Iliescu; do PSOL, Plinio de Arruda Sampaio; do PT, Adriano Diogo; da CTB, Nivaldo Santana; do Movimento Consulta Popular, Ricardo Gebrim; do Cebrapaz, Socorro Gomes; do Movimento de Moradia do Centro, GG; da União da Juventude Socialista, André Tokarski; o escritor e intelectual, Fernando Morais, o jornalista Max Altman, o cônsul de Cuba em São Paulo, Lázaro Méndez Cabrera, o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilian Arvelaiz, o deputado pelo PT de São Paulo, Simão Pedro e o vereador de São Paulo pelo PCdoB, Jamil Murad.

Nossa fonte: Vermelho

A Revolução em Verso

Poema Vladimir Ilitch Lenin


Vladimir Lenin, pouco antes da Revolução Russa

“Acredito que este livro, ao mesmo tempo em que se converte em um deleite para os amantes da poesia, também se converterá em um reforço dos ideais de justiça, de paz e solidariedade”.
Foi como resumiu Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois, ao falar da importância do lançamento em português do livro Vladimir Ilitch Lenin, poema de Vladimir Maiakovski, que ocorreu na noite passada, no Espaço Revista Cult, em São Paulo.

Segundo ele, a obra de Maiakovski é lida e traduzida no mundo inteiro, e a Grabois – junto com a editora Anita Garibaldi, e com a dedicação de Zoia Prestes, que traduziu o poema, e Mazé Leite, que o ilustrou – tem a felicidade de oferecer esta bela peça para a literatura brasileira.

– Conhecido como o Poeta da Revolução, Maiakovski é tido por muitos como um dos maiores poetas da língua russa, e também é conhecido como um dos fundadores da poesia moderna. Estamos felizes em poder contribuir trazendo para os brasileiros este belo poema – explicou.

Adalberto também frisou que “oferecer uma obra de Maiakovski por si já é uma grande contribuição. Mas, este livro possui uma singularidade, é um livro-poema que o autor escreveu, em 1924, por ocasião da morte de Lênin, e embora tenha sido escrito sob o impacto da morte de Lênin, não é um poema triste, é um canto de louvor a Revolução Russa de 1917 e as realizações dos trabalhadores e do povo soviético”.
Em entrevista, Zoia Prestes externou a importância da tradução da obra do russo para o português. Segundo ela, “traduzir Maiakovski foi um desafio enorme, nunca traduzi poesia, ainda mais de um autor que admiro tanto. E essa tradução traz para a literatura brasileira, além do seu valor cultural e artístico, um poema que retrata um personagem histórico, um líder de uma Revolução, que pôs no debate questões que ainda hoje estão na ordem do dia. Ou seja, este poema também contribuirá para o entendimento da história e dos desafios que ainda temos que superar”.

Jeosafá Fernandes Gonçalves, doutor em Literatura, parabenizou a iniciativa da Fundação Maurício Grabois e da Editora Anita Garibaldi.

– Acredito que a língua portuguesa ganha, se enriquece, e os leitores e leitoras amantes da literatura, da poesia, passarão a ter acesso a essa bela obra, que até então só possuía alguns trechos traduzidos – salientou.

Segundo ele, mesmo com quase 100 anos, a obra de Maiakovski é atual e nos convida a refletir sobre as questões do nosso cotidiano.

– Em seus versos ele sempre dialogou com o futuro, sempre conversou com as gerações futuras. Percebemos em sua obra uma convicção de que ela resistiria ao tempo, iria vencer o desafio do tempo – explicou Jeosafá Fernandes, que também é escritor.

Ainda durante a sua fala, Jeosafá afirmou que o livro deve ser divulgado em todo país, deve compor as bibliotecas das escolas.

– Os jovens precisam ter contato com esta literatura, que se, por um lado, tem uma riqueza poética, por outro, contribuirá para o entendimento de questões que atravessaram a história –acrescentou.

Artistas russos
Inspirada na vanguarda russa, a artista plástica Mazé Leite afirmou que ilustrar o livro, além de ser uma honra, também foi uma grande responsabilidade:

– Entendo o trabalho do ilustrador também como um tipo de tradução. E para retratar a essência do poema tive que lê-lo diversas vezes e beber em outras fontes da vanguarda russa. E sabendo que Maiakovski, além de poeta, também foi designer gráfico, pintor, dramaturgo e ator, ficou claro o desafio que estava em minhas mãos. Então o meu trabalho acaba sendo também uma homenagem aos artistas russos que influenciaram as artes em diversas partes do mundo.

Segundo ela, o poema traz, fundamentalmente, esperança, especialmente em um momento de crise.

– Falamos de um poema que fala sobre a vida. Além disso, observamos a ampliação do interesse pelas ideias marxistas, desse modo, acho que esse livro acontece em um momento bom, para que as pessoas, lendo o poema, saibam que a história é muito maior do que se possa imaginar e que o sonho não acabou – disse.

Dimensão Política
Adalberto Monteiro explica que, além de seu caráter lírico, o poema de Maiakovski é uma defesa do socialismo, que retrata a confiança no poder de realização dos trabalhadores:

– Ele foi um grande crítico do capitalismo, e o mundo hoje é sacudido por uma grande crise desse sistema. Isso retrata que o poeta teve a absoluta razão em dedicar suas energias à luta contra esse sistema. E aqueles que aspiram a construção de um mundo novo vão encontrar nessa obra, certamente, uma fonte cristalina para se revigorar das jornadas que precisam ser travadas.

Zoia Prestes concorda e ressalta que a dimensão política da obra contribuirá para fomentar o debate em torno das questões atuais.

– Penso que hoje, no início do século XXI, falar de revolução, bem como falar de Lênin e de socialismo, é muito importante para essas gerações que estão aí. E o livro se converte não só em uma grande contribuição para o debate, mas também em um reforço para o desenvolvimento dessa nova geração. Acredito que a cultura possibilita ampliar horizontes e a iniciativa da Fundação Maurício Grabois e da Editora Anita Garibaldi, em traduzir esta obra, se converte em uma ação muito importante para a ampliação destes horizontes – reforçou a tradutora.

Lênin humanizado
Com emoção, o lançamento do livro foi encerrado com a declamação de alguns trechos da obra pela atriz Ana Petta.

– Declamar esses trechos é um enorme prazer. É um texto muito bonito, que humaniza a figura de Lênin. Ao ler o poema você percebe ver retratado um Lênin simples afetuoso, muito humano –externou Ana Petta.

Segundo ela, essa tradução é um presente aos comunistas.

– Trazer esse texto para o Brasil fortalece a literatura comunista e os que defendem essa literatura. Isso só contribui para agregar às pessoas ideias que podem ajudar a construir um futuro melhor. Além disso, Maiakovski é um poeta comunista e precisa ser valorizado e lembrando sempre.

Nossa fonte: Vermelho

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Alimentos transgênicos e o perigo para a saúde

Um novo relatório divulgado, Mitos e Verdades sobre organismos geneticamente modificados, deixou bem claro sobre as evidências dos perigos para a saúde e o ambiente decorrentes dos cultivos de organismo geneticamente modificados. Excepcionalmente a iniciativa do relatório não veio de campanhas ant-alimentos Geneticamente Modificado, ONG ou de empresas como a Monsanto, mas a partir de dois engenheiros de genética que acreditam existir boas razões científicas para ser-mos cautelosos com alimentos transgênicos.

Um dos autores do relatório, o Dr. Michael Antoniou do Kings College London School of Medicine do Reino Unido, usa a engenharia genética para aplicações médicas, mas adverte o seu uso no desenvolvimento de culturas para alimentação humana e animal.

” Os cultivos transgênicos são promovidos com base em afirmações ambiciosas que eles são seguros para comer, benéfica para o ambiente, aumentam os rendimentos, reduzem a dependência de pesticidas, e pode ajudar a resolver a fome mundial. ” disse Dr Michael, e continua:

“Pesquisas mostram que as culturas geneticamente modificadas têm efeitos nocivos em animais de laboratório em ensaios de alimentação e no ambiente durante o cultivo. Eles aumentaram o uso de pesticidas e não conseguiram aumentar a produtividade. Nosso relatório conclui que existem ações mais seguras e alternativas mais eficazes para conseguir completar as necessidades alimentares do mundo. ”

Outro autor do relatório, o Dr. John Fagan, é um ex-engenheiro genético que em 1994 voltou para o National Institutes of Health, preocupado com a segurança e a ética da tecnologia, ele também fundou uma empresa que realiza testes em Alimento Geneticamente Modificado.

Dr Fagan disse: “A engenharia genética de cultivos como praticada hoje é uma tecnologia, imprecisa, e fora de moda. Pode criar toxinas inesperadas ou alérgenos em alimentos e afetar o seu valor nutricional. Os avanços recentes apontam para melhores maneiras de usar o nosso conhecimento do genoma para melhorar as culturas alimentares, que não envolvem transgênicos.”

“Mais de 75% de todas as culturas Geneticamente Modificada são projetadas para tolerar a pulverização com herbicidas. Isso levou à difusão de herbicida-resistentes e super-ervas daninhas, resultando no aumento de exposição maciça dos agricultores e das comunidades a esses produtos químicos tóxicos. Estudos epidemiológicos sugerem uma ligação entre o uso de herbicidas e defeitos congênitos e até câncer.”

“Essas descobertas desafiam fundamentalmente a utilidade e a segurança dos transgênicos, mas a indústria da biotecnologia usa sua influência para bloquear a pesquisa por cientistas independentes e usa sua máquina poderosa de relações públicas para desacreditar os cientistas independentes cujos resultados desafiam esta abordagem.”
O terceiro autor do relatório é Claire Robinson, diretora de pesquisas da Terra Open Source, ela disse: “A indústria do Geneticamente Modificado está tentando mudar a nossa oferta de alimentos de maneiras profundas e potencialmente perigoso. Todos nós precisamos nos informamos sobre o que está acontecendo e assegurar que nós e não as empresas de biotecnologia mantem o controle do nosso sistema alimentar e das sementes na agricultura.”

“Esperamos que nosso relatório irá contribuir para um entendimento mais amplo das culturas geneticamente modificadas e as alternativas sustentáveis ​​que já estão trabalhando com sucesso para os agricultores e as comunidades.”
O relatório, “Mitos e Verdades OGM, uma análise baseada em evidências das reivindicações feitas para a segurança e eficácia de culturas geneticamente modificadas”, de Michael Antoniou, Robinson Claire e John Fagan, é publicado pelo Earth Open Source ( Junho de 2012). O relatório tem 123 páginas e contém mais de 600 citações, muitas delas a partir da literatura científica revista por pares e do resto dos relatórios por cientistas, médicos, órgãos governamentais, da indústria e da mídia.

Nossa fonte: Vida Sustentável
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