Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O antipetismo em nome de um moralismo de fancaria

A direita se vale do moralismo da elite financeira que sonega impostos e suborna funcionários públicos

A tarefa prioritária, ingente e agônica da esquerda e dos liberais progressistas é esmagar o ovo da serpente antes que a peçonha contamine por completo o corpo social, costurando as bases de um Estado reacionário, conservador, autoritário e, ninguém se engane, protofascista. Assim se vem modificando o caráter da sociedade brasileira, aos poucos mas sistematicamente.
Ele se manifesta sob as mais variadas facetas, no Parlamento e na vida social.
O antipetismo em nome de um moralismo de fancaria  – esse que a imprensa e os partidos de oposição destilam – é apenas uma só de suas máscaras, como o moralismo é apenas um disfarce. Pois tudo, fatos e criações, são, tão-só o instrumento de uma tentativa, em marcha desde 2013, ou antes, de implantação, entre nós, de uma clima de violência que lembra (pelos efeitos psicossociais) o  fascismo italiano e o nazismo alemão em suas infâncias, envenenando as entranhas de suas sociedades.
Não caminham, ainda, pelas ruas, os camisas pretas, os grupos paramilitares quebrando lojas de judeus e espancando homossexuais, prostitutas, negros e comunistas, mas celerados conspurcam velórios e atacam o Instituto Lula. Ontem, nos anos da ascensão integralista brasileira, os camisas verdes das hordas de Plínio Salgado desfilavam impunes até a tentativa de assassinar o presidente Vargas em um putsch covarde que lembrava e imitava a primeira tentativa hitlerista de tomada do poder (levante de Munique, 1924) pelo golpe de força. 
Nos idos brasileiros da repressão militar, grupos de aloprados depredaram no Rio de Janeiro o Teatro Opinião e em São Paulo invadiram  o Teatro Ruth Escobar durante montagem de “Roda Viva”? Nos estertores do terrorismo praticaram atentados contra a OAB e a Câmara Municipal do Rio de Janeiro e tentaram o felizmente frustrado massacre do Riocentro. São sempre os mesmos, variam os países, variam as datas e os pretextos mas a ideologia do ódio e a covardia na ação são as mesmas. 
Agora, súcias de ululantes bem nutridos, vestidos ou não com a camisa da seleção canarinha, tentam, em todo o país, mediante o amedrontamento físico, interditar, em um hospital da grã-finagem paulistana, nas ruas, nos bares, nos aviões, nos aeroportos, a livre circulação de homens de bem como, Guido Mantega, João Pedro Stédile e, de último, o ministro Patrus Ananias.
Tudo isso está na crônica jornalística. Mesmo em seus momentos mais acres de disputa política, a direita brasileira jamais havia ousado tanto e jamais nossas esquerdas haviam recuado tanto, e jamais os liberais foram tão omissos.
Os primeiros sinais foram dados na abertura dos Jogos Pan-americanos, no Rio de Janeiro (2007), e replicados em Brasília na abertura da Copa das Confederações em 2013. A esquerda não quis ver nem ouvir, fez-se de morta, como se as vaias e as agressões – primeiro a Lula, depois a Dilma – não lhes dissessem respeito e, assim, silente e inerte permaneceu sem qualquer tentativa de compreender as jornadas de 2013 – prenúncio as dificuldades de 2014, que assistiu atônita.

O moralismo da elite financeira que sonega impostos e suborna funcionários públicos sempre foi a chave para a conquista da classe média. Dele sempre se valeu a direita, no Brasil e em todo o mundo.
Assim foi entre nós nos idos de 1954 quando a classe média, majoritariamente, e setores liberais da sociedade, populares e mesmo o movimento estudantil, e mesmo setores da esquerda e comunistas sob a liderança de Pestes, abraçaram  o cantochão da direita  que a todos mobilizou no pedido de renúncia de Getúlio Vargas, quando o alvo, encoberto pela denúncia de  um ‘mar de lama’ que jamais existiu, era a política nacionalista do ditador feito presidente democrata. A história não se repete, mas há pontos de contato entre dois momentos históricos tão distintos.
Getúlio também levara a cabo uma campanha presidencial levantando as teses progressistas do nacionalismo e do trabalhismo, mas, para executa-las, montara um ministério  reacionário. Era a sua forma de compor com as elites, especialmente paulistas, que  sempre lhe foram hostis. Era a velha ilusão da conciliação de classes, que conquistaria Lula tantos anos passados.
Não deu certo com Getúlio como não daria certo com Lula e não está dando certo com Dilma. Atacado pela direita, inconformada com a aliança do trabalhismo com o nacionalismo, viu-se Vargas em 1954  sem o apoio das massas trabalhistas. Essas só foram às ruas – e foram como turba, sem vanguarda – depois do suicídio. E, aí, nada mais havia a ser feito.
Naquela altura como hoje, e como nos preparativos de 1964, a imprensa brasileira, igualmente monolítica e igualmente de forma quase unânime, servia à saturnal dos ódios que envenenava a opinião publica e deixava aturdido o povo, mesmo os trabalhadores – então como agora desassistidos ideologicamente por seus partidos e organizações.
Uma vez mais o governo de centro-esquerda se vê no cume de uma campanha de descrédito presidida pela imprensa, uma vez mais a partir da cantilena moralista. Uma vez mais o governo de centro-esquerda se vê desprotegido no Congresso, onde dominam ora uma oposição ensandecida, ora uma base parlamentar movida a negócios e negociatas e negocinhos a cada votação.
Para não dizer que a história se repete, lembremos que os postos antes ocupados por Carlos Lacerda, Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro e outros de igual calibre é exercido hoje por Paulinho da Força, Jair Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Eduardo Cunha – o que apenas diz que o aviltamento da linguagem e dos procedimentos alcançou o mais baixo nível da República.
Uma vez mais, agora como em 1954, as grandes massas não afluem em defesa de seu governo.
Uma vez mais a moralidade é um mero biombo dos grandes interesses em jogo.
Pois o que está em jogo não é a moralização dos costumes – e quem é contra? – nem é só a tentativa de assalto  ao mandato legítimo da presidente Dilma. Não é só a destruição do PT e dos demais partidos de esquerda, inclusive daqueles que ainda hoje pensam que passarão incólumes. Não é apenas a destruição de Lula, ainda a maior liderança popular deste país depois de Vargas.
O que está em jogo são os interesses dos trabalhadores, da economia e da soberania nacionais, de defesa  ainda mais difícil após eventual derrocada do atual governo. Adiada – até quando ? – a hipótese do impeachment clássico, a oposição põe em prática um novo projeto de golpe, contra o qual nem a base parlamentar do governo – heterogênea e frágil –,  nem muito menos sua articulação política parecem preparadas para enfrentar.
Trata-se da tática de impedir o governo de governar, e contra essa artimanha nem mesmo as últimas negociações ministeriais – penosas, rasteiras, pedestres e nada republicanas – se mostraram eficientes.  E enquanto o governo não governa e se desgasta perante a opinião pública, a direita governa, desfazendo, no Congresso ordinário, as grandes conquistas da Constituição de 1988.
A direita, sob a batuta de Eduardo Cunha, faz sua parte, e dessa desconstituição conservadora fazem parte o  fim do desarmamento, o fim da demarcação das terras indígenas (fim dos índios?), o fim dos direitos sexuais das mulheres, e a quase legalização do estupro,  o fim da pós-graduação pública gratuita.
A destruição do governo Dilma levará de roldão a política de prioridade nas compras estatais aos produtos e bens nacionais, levando consigo, de saída, a indústria naval brasileira. Levará de roldão os projetos sociais, como o Minha casa, Minha vida; o Luz para Todos; como o Bolsa Família. Mudará a política de reajuste do salário-mínimo e, fundamentalmente, a política de transferência de renda.
Será a renúncia ao pré-sal (já caminha o projeto José Serra), será o fim de uma política externa autônoma, com a aliança subserviente e submissa aos interesses dos EUA, será o fim do Mercosul e a retomada da Alca, nossa recolonização, será um torpedo contra os BRICS e uma ameaça às experiências de governos independentes na América do Sul. (
Por isso, certa está  a Frente Brasil Popular por entender que os erros da atual política econômica – agravados pela crise ética que assolou os governos do PT –  não podem servir de argumento para a omissão na defesa do mandato da presidente Dilma, ou, dito por outras palavras, nem a defesa do mandato inviabiliza a crítica à política econômica, nem a crítica à politica econômica inviabiliza a defesa do mandato.
Ao contrário, a  defesa do mandato deve ser feita de par com o combate à política recessiva e esse combate deve ter em vista a reaglutinação das forças progressistas de esquerda, com objetivo claro, deter a reação. Para isso é preciso construir uma nova correlação de forças.
Fonte: Carta Capital

É impossível calar diante de mais um desastre induzido como o de Mariana.

 Lou-Ann Kleppa

O texto abaixo, publicado originalmente no site Amazônia Real, é de Lou-Ann Kleppa, doutora em Linguística e professora da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Ela dirigiu o documentário “Entre a Cheia e o Vazio”, sobre a relação da cheia do rio Madeira de 2014 e as usinas hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau. Sobre o documentário, saiba mais clicando neste link.
Em outubro de 2005, eu e mais dois companheiros de caminhada fizemos um trecho da Estrada Real, em Minas Gerais: saímos de Diamantina e dez dias depois chegamos em Ouro Preto, numa época em que a Estrada Real ainda não era muito conhecida – nem mesmo pelos moradores das cidades pelas quais passamos. Bento Rodrigues está viva em nossa memória, entre outros motivos, porque dormimos na igreja, porque as casas se organizavam em torno de um campo (de futebol?), porque comemos no restaurante da Sandra, único comércio da cidade,  frequentado por figuras peculiares como por exemplo um garimpeiro cuja cor de pele se misturava com a cor do couro que vestia e que falava no “orinho” que calculava encontrar.
O pai da Sandra tinha sido tropeiro e nos disse que a Estrada Real não era a estrada pela qual tínhamos chegado; o Caminho dos Diamantes tinha sido engolido pelo mato na altura de Bento Rodrigues.
Agora foi a lama que engoliu Bento Rodrigues. Dia 05 de novembro de 2015 duas barragens de rejeitos de mineração, Fundão e Santarém, ambas da Samarco, se romperam. A previsão é que essa cheia de lama, saída de Mariana em Minas Gerais, alcance o oceano, no Espírito Santo, cinco dias depois, seguindo pelo Rio Doce.
As primeiras informações veiculadas pela mídia corporativa, alimentada por notas emitidas pela empresa responsável, a Samarco – da qual a Vale (do Rio Doce) detém 50% das ações – foram que a lama não é tóxica (bom, trata-se de resíduos de mineração: como pode não ser tóxica?) e que a provável causa foram abalos sísmicos da ordem de 2 pontos na escala Richter.
Os sismólogos convocados pela imprensa dizem que os abalos sísmicos são fenômenos naturais. Pois há estudos conduzidos por engenheiros que provam que barragens (tanto represas de hidrelétricas como represas de resíduos de mineração), por exercerem pressão sobre o solo e subsolo, provocam abalos sísmicos.
Onde antes havia a pressão da atmosfera ou de um rio, se instala a pressão exercida pela água da represa, o concreto e ferragem da barragem. O texto mais didático e cheio de exemplos de casos de terremotos provocados por barragens – e suas consequências – é de Oswaldo Sevá (e pode ser acessado aqui. )
Logo no início do texto, Sevá alerta que barragens são obras sujeitas à deterioração: entopem, colapsam, se rompem. Por isso o controle, por órgãos públicos e não beneficiados pelo lucro das empresas de energia ou mineração, deveria ser exemplar. A pedido do Ministério Público de Minas Gerais, na ocasião em que a Samarco pedia a revalidação da sua Licença de Operação, foi feito um laudo, em 2013, apontando para riscos de rompimento da barragem Fundão.
No ano de 2014, apesar do laudo, a Samarco aumentou a sua produção, acumulando 15% a mais de rejeitos de mineração na barragem Fundão. Não há notícias de que a represa tenha sido remodelada para suportar esse incremento. Em junho de 2015 foram expedidas a Licença Prévia e a Licença de Instalação para a unificação de Fundão e Germano, outra barragem da Samarco.
Trocando em miúdos: em 2013, um laudo apontava riscos de rompimento de barragem; no ano seguinte, o acúmulo de rejeitos nesta barragem aumentou; no ano seguinte, estudos de impacto ambiental atestam que a barragem apresenta “totais condições de segurança”.
Assim como na cheia histórica do rio Madeira em 2014, quando as barragens de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, foram acusadas de serem corresponsáveis pelo desastre social e ambiental, o nexo causal entre a barragem e a tragédia não é simples. Para as empresas (ESBR/Suez e SAE/Odebrecht), a causa do problema era uma só: a chuva. Do mesmo modo, a Samarco afirma que os abalos sísmicos (ignorando que a própria barragem possa ter causado os tremores) são a causa do rompimento das barragens.
Em ambos os cenários, causas naturais e externas ao empreendimento isentam as empresas de qualquer responsabilidade. Mas quando se analisa o processo de licenciamento de Jirau, Santo Antônio, Fundão e tantas outras barragens, como por exemplo Teles Pires, percebe-se que quem faz os estudos de impacto ambiental são entidades contratadas pelos consórcios. Uma das causas da cheia do Madeira e do rompimento das barragens em Mariana é o planejamento anulado pela regra da exploração máxima em tempo mínimo.
Todo o processo de estudos de impacto, licenciamento e monitoramento ambiental é encarado pelas grandes empresas como uma mera formalidade. O comprometimento da vida de centenas de milhares de pessoas e do meio ambiente de regiões inteiras por tempo indeterminado, é o resultado dessa cegueira ética.
O Brasil de Fato está cobrindo o desastre in loco e periodicamente posta notícias diretamente de Mariana. Segundo o jornal, “o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) possui documentos com indícios de vazamento em mais de 240 pontos de infiltração na barragem que se rompeu.” Ou seja, mesmo que as chuvas de janeiro na Bolívia tenham sido atípicas, houve uma sobrecheia no reservatório e as empresas não operaram no limite de segurança, segurando água. Mesmo que tremores tenham sido registrados em Mariana, a estrutura da barragem já estava fragilizada e o volume de rejeitos acumulados foi aumentado em 2014. As causas do desastre podem ser retraçadas até o planejamento da barragem.
As consequências do desastre igualmente são paralelas. Assim como a Defesa Civil e poder local transformaram os ribeirinhos do Madeira cujas casas e terras foram alagadas em espectadores, a população de Bento Rodrigues foi impedida de salvar pessoas, animais e pertences. O trabalho de resgate foi feito pelo ar, não por terra – e as autoridades insistem que a lama não é tóxica. Campanhas de arrecadação de alimentos, água mineral, roupas e colchões desoneram o Estado e as empresas responsáveis de prestar assistência a quem perdeu o chão. Não se fala em indenizações: Dilma autorizou o saque do FGTS, de modo que quem perdeu tudo possa pagar por tudo que lhe foi tomado.
Talvez alguém se pergunte por que há tanto investimento em energia e mineração e por que o senso comum acha que ambos estão a serviço do progresso do país. A imensa maioria da energia produzida nos rios brasileiros serve à indústria eletro-intensiva (que prioritariamente produz alumínio para exportação). A imensa maioria dos minérios extraídos nas montanhas brasileiras é exportada. A população perde seus rios e montanhas – e o acesso à água.
A Samarco, por exemplo, possui 3 minerodutos paralelos que levam polpa de ferro de Mariana (MG) a Anchieta (ES), gastando 4,39 metros cúbicos de água por hora. Essa água toda, retirada dos rios de Minas Gerais – estado que atualmente está com níveis de umidade relativa do ar alarmantes – conduz o minério e é descartada no mar.
O Código de Mineração está em debate. Assim como o novo Código Florestal permite mais desmatamento e devastação, o novo Código de Mineração pode comprometer o acesso à água e ao território por parte de populações indígenas, quilombolas e tradicionais. É preciso aprender com os erros e com as catástrofes induzidas.
Encerro com uma citação de Sevá, que, se entre nós estivesse, estaria indignado e inconformado com mais esta tentativa de naturalização de um desastre social e ambiental induzido: “Vários acidentes em barragens brasileiras, bastante comentados nas localidades onde ocorreram, foram abafados pelas empresas e pela imprensa a seu serviço, logo sendo retirados da pauta da chamada “mídia”, e pior, poucos acidentes foram estudados nas teses universitárias. Mas, o fato é que fazemos parte da lista de países que apresentam frequência razoável e boa variedade de situações de risco.” (SEVÁ, 2011, p. 17)
Fonte: DCM - 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O poder de “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, hoje

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Estou nas asas do feminismo desde que fui à Boca Chica, na República Dominicana, para o 12º Encontro Internacional Mulher e Saúde (20 a 23.10), que reuniu 175 mulheres de 40 países da América Latina e do Norte, África, Ásia, Caribe e Europa. Esses encontros são realizados há exatos 40 anos (1975), dos quais compareci a quatro.

Por Fátima Oliveira (OTempo)

Os grandes debates focaram no fundamentalismo religioso como inimigo das mulheres no mundo, cujos tentáculos com ares laicos se encontram, inclusive, na esquerda patriarcal – bem explicitada pelo governo brasileiro sob o comando do PT desde 2003 que, apesar de grandes avanços na moldagem de políticas públicas de saúde, retrocedeu ao famigerado ideário da concepção de mulher-mala: programa materno-infantil, numa inolvidável submissão ao “leilão de ovários” do Vaticano/Santa Sé e do neopentecostalismo vulgar!

Há muita luta a ser “lutada” no mundo para que a saúde da mulher seja concretizada e legada às gerações futuras como um direito. Acompanhamos de Boca Chica mais um ataque de fundamentalismo e da misoginia da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que admitiu o Projeto de Lei 5.069/2013, do deputado Eduardo Cunha (21.10.2015), que dificulta o acesso ao aborto legal para vítimas de estupro! Como destaca Alyson Freire: “é um Malleus Maleficarum” (Martelo das Bruxas) – infame manual inquisidor do final de 1.487! O Encontro emitiu uma declaração repudiando o retrocesso do Brasil quanto aos direitos reprodutivos das mulheres, um atentado ao Estado laico!

Na noite de 25 de outubro, sem desfazer a mala da viagem, li um tuíte de Dilma Rousseff ? @dilmabr: A redação teve como tema “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. #Enem2015#CombateÀViolênciaContraAMulher. Fucei rapidamente na web e li sobre a celeuma que se formava, centrada na introdução do tema. Respondi: Não tenha dúvida presidente: o título da redação do Enem2015 foi o maior gesto do seu governo contra a opressão de gênero”. Um gesto aparentemente pequeno, mas de grandiosidade incomensurável, levando o tema a 7.746.057 pessoas inscritas no exame!

O fundamentalismo religioso de extração neopentecostal disse o esperado, que era uma “doutrinação”, num chamado à guerrilha virtual, cujo vandalismo atingiu o verbete da filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) na Wikipédia, chegando à Câmara Municipal de Campinas (SP), que, no último dia 28, aprovou moção de repúdio ao Ministério da Educação contra a presença de Simone de Beauvoir como aporte ao tema da redação do Enem: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”.

A farmacêutica cearense que ficou paraplégica depois que o marido tentou assassiná-la com um tiro, Maria da Penha, que dá nome à lei, disse: “Fiquei feliz, o tema realmente está na boca do povo agora. Plantou uma semente… Num futuro próximo, estudantes que ontem fizeram o Enem vão ser os profissionais que vão atender os casos previstos na Lei Maria da Penha (2006)”.
“O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, é um ícone feminista e sua publicação, em 1949, foi um ato de coragem ímpar porque “A premissa do livro é a de que a mulher não é o ‘segundo sexo’ ou o ‘outro’ por razões naturais e imutáveis, mas por uma série de processos sociais e históricos” (resenha do livro no blog O Poderoso Resumão).

Em “Sessenta anos de O Segundo Sexo, Leda Tenório da Motta destaca que o mais importante da obra “É a dimensão filosófica do Outro. A mulher é o Outro do homem… ‘Para o aldeão, todas as pessoas que não participam da aldeia são Outros suspeitos’, como escreve Beauvoir”.

Leia a matéria completa em: O poder de “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, hoje - Geledés http://www.geledes.org.br/o-poder-de-o-segundo-sexo-de-simone-de-beauvoir-hoje/#ixzz3qZhCQ4a2
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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O rebaixamento do QI

Editorial da Carta Capital
(Aqui reproduzido pela importância. Leiam a Carta Capital, fonte confiável da verdade)
Além de política, econômica e social, a crise é a da inteligência
por Mino Carta 

  Proclama a manchete da Folha de S.Paulo de sexta-feira 16: “Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula”. Texto a justificar o título, retumbante na primeira página, relata que, segundo o lobista Fernando Soares, o Baiano, o dinheiro foi entregue por ele a um amigo de Lula para ser levado à mulher de um dos filhos do ex-presidente, de fato dotado de quatro noras. O tal amigo, apontado como intermediário da operação, nega.

Alto e bom som, como não poderia deixar de ser, o Estadão também na sexta trombeteia: “Baiano diz que amigo de Lula acertou propina de US$ 5 mi”. De novo em cena aquele prestativo amigo, esclarece o texto, capaz de precipitar a manchete, para entregar a grana ao já ilustre Nestor Cerveró e mais dois funcionários da Petrobras.

Nem o Washington Post manifestou tamanha empolgação ao colher as provas do envolvimento de Nixon no Watergate. Pergunto aos meus estupefactos botões em que país dito democrático e civilizado confusas delações premiadas de um lobista, obviamente a carecerem de prova, seriam apresentadas pelos principais jornais com o destaque que lhes foi conferido pelos jornalões paulistas? Respondem em uníssono: Brazil, zil, zil. Algo me preocupa, nesta e outras situações similares, a saber a imediata credulidade de quem lê, pronto a repetir quanto leu qual fosse a sacrossanta verdade.

Há quem observe: contássemos com outra mídia, a opinião pública brasileira seria bem menos enganável. À parte o fato de que tenho dúvidas em relação à expressão opinião pública, em um país de 204 milhões de habitantes onde a Folha de S.Paulo se orgulha de alcançar 20 milhões, graças a cálculos baseados no fator multiplicador. Mas, no fundo, não é este o motivo da minha preocupação. A atual diz respeito, de fato, ao quociente de inteligência (nem ouso falar no espírito crítico) do leitor.

O momento do Brasil dos graúdos, devastado pela insensatez e movido a ódio de classe, favorece o triunfo da sandice e a impossibilidade de um debate justo, honesto, equilibrado. Inteligente. Por exemplo. Em um rompante de coerência, o PT se manifesta contra a política econômica do ministro Levy, e a mídia nativa, como sempre fiel do pensamento único, clama contra o engodo.

Ou, por outra, avisa: não se deixem enganar, isto é jogo de cena. Pelo comedido emprego de neurônios, não seria difícil entender que a sinceridade petista, no caso, bate de frente com os propósitos da presidenta. Não há, é solar, o estratagema das cartas marcadas.

Na moldura, se estabelece uma preciosa informação prestada por Fernando Henrique Cardoso em seu livro de memórias. Mereceria, esta sim, muito mais destaque do que lhe foi oferecido pelos jornalões de quarta 21: em 1996, quando presidente, o príncipe dos sociólogos teve sua atenção chamada para a corrupção reinante na Petrobras e deixou de intervir. Invoco a ajuda dos meus perplexos botões: “Mas a Petrobras não era governo também na época de FHC? Ou muito me engano?”

Esta, sim, é incoerência, dizem. Como assim? Recorrem a Justiniano: quem cala consente. Donde, concluo, seria o caso de dar à confissão do presidente tucano o peso devido, do tamanho de um deslize gravíssimo, de uma indiferença criminosa. Seria, retrucam, mas FHC tem poltrona cativa, adamascada, na casa-grande, e a reverência inoxidável da mídia nativa. Sei, sei, resmungo, mas ele também, ao confessar, não nos brinda com uma prova de esperteza. Pode tudo, no entanto.

Susto enorme levei, na manhã da quarta 21, ao tropeçar na manchete do Estadão. Ao vê-la de longe imaginei a eclosão da guerra mundial. Em toda a largura da primeira página, e em duas linhas. Ao lê-la, respirei aliviado, falava de uma das habituais delações destinadas a incentivar a crença no envolvimento de Lula em algum, qualquer, negócio escuso. Tentativa patética, se não estivéssemos no Brazil, zil, zil, ambiente cada vez mais propício ao rebaixamento progressivo do QI.

Nos últimos dias, me peguei diante de duas plateias bastante distintas. Em um debate sobre o excelente livro de Paulo Henrique Amorim, O Quarto Poder, Uma Outra História, em companhia de Laura Capriglione e do próprio autor.

Outra oportunidade tive ao receber o Prêmio Especial Vlado Herzog, que me honra e me comove, mesmo porque aquele assassínio cometido na masmorra do DOI-Codi é perfeito símbolo da violência de uma ditadura feroz e insana, ditadura antes civil que militar, porque nascida nas dependências da casa-grande, de onde saiu a convocação da caserna para a execução do serviço sujo.

Na primeira plateia, falava-se em democratização da mídia. Na outra, em liberdade de imprensa ameaçada. Pontos de vista opostos, ambos equivocados, conforme meus botões, embora o segundo seja ou hipócrita ou francamente néscio. Aqui a plateia acredita que liberdade se completa por si só, sem o corolário da igualdade, de sorte a se tornar, graças a tal ausência, na liberdade dos senhores de contar a história a seu talante.

Quanto à democratização da mídia, não sei o que exatamente significa. Bastaria aplicar por meio de leis específicas o que a Constituição determina com toda clareza contra o monopólio e o oligopólio. Sosseguem, leões: nosso Congresso nunca dará qualquer passo neste rumo. A democracia implica naturalmente uma mídia democrática. Precisaríamos é democratizar o Brasil.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Dilma e as entrelinhas (1)


Por Valter Pomar
É importante assistir ao firme discurso feito pela presidenta Dilma Rousseff na
abertura do 12º Congresso da CUT.

O discurso pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=

TplKFPe-0lo&feature=youtu.be

Todo apoio à presidenta Dilma contra o golpismo. E folgo em vê-la firme e
decidida.

Entretanto, para que nosso combate ao golpismo tenha maiores chances de
êxito, dizemos à presidenta: mude imediatamente a política econômica.
Evidentemente, a presidenta tem outra visão.
Ela considera que o ajuste conduzido pelos ministros Levy & Barbosa
é necessário para o reequilíbrio fiscal, depois do que viria a transição para um
novo ciclo de desenvolvimento.

Na minha opinião, a presidenta está equivocada, por dois motivos principais.
Este ajuste não está provocando, nem vai provocar equilíbrio, entre outros
motivos devido à política de juros e a queda na arrecadação.
E o desgaste político causado por este ajuste ajuda as forças golpistas,
agora e/ou em 2018.
Portanto, o reequilíbrio das contas & um novo ciclo de desenvolvimento pretendidos pela presidenta estão no plano das boas intenções.

Isto posto, o que mais me chamou a atenção no discurso da presidenta Dilma
não foi sua (previsível) opinião sobre a política econômica.
O que mais chamou minha atenção foi o que ela disse acerca de quatro outros
assuntos, emitindo opiniões que ajudam a entender por qual motivo estamos
(nós e a presidenta) na situação atual.

1

Logo no início do discurso, a presidenta explica que no combate aos efeitos
da crise internacional chegamos a um limite orçamentário.

Em certo sentido, é verdade.
Mas por qual motivo, desde 2006 e até agora, mesmo nos momentos em que
estávamos melhor do ponto de vista econômico e político, não fizemos
reformas estruturais que permitissem ampliar os tais “limites orçamentários”?

Verdade seja dita, quando ainda não era oficialmente candidata, a então
ministra Dilma Rousseff já nos informara sua opinião acerca da reforma
tributária (e também da reforma agrária).

A questão é: se quando estamos fortes não tentamos fazer reformas, se
quando estamos fracos não podemos fazer reformas, então não faremos
reformas nunca.

E sem reformas estruturais, a nossa capacidade de melhorar a vida do povo
estará sempre limitada não apenas pelo orçamento, mas pelo conjunto de
“circunstâncias” estruturais que caracterizam o capitalismo brasileiro.

Aceita esta limitação, nos converteremos em administradores, cuja rebeldia
é dada pela elasticidade tolerada pela própria ordem das coisas, maior em
algumas conjunturas, menor em outras.

2

Em todo o seu discurso, a presidenta Dilma fez um duro ataque contra o
golpismo e um ataque direto ao falso moralismo de Eduardo Cunha, sem citar
seu nome nem partido, o PMDB.
Igualmente, condenou as tenebrosas “ditadura”, salvo engano omitindo o
termo “militar”.

Ela está correta no que diz sobre a oposição, mas causa espécie a ausência de
qualquer referência à postura do grande capital e ao oligopólio da mídia.
Coube ao plenário do Congresso da CUT, para quem a presidenta Dilma
discursava, lembrar que “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

O golpismo não é um fenômeno conjuntural, nem limitado a oposição
partidária. Oposição que tem pecados muito maiores do que os de votar
contra medidas que “eles próprios aprovaram no passado”, até porque
algumas destas medidas são agora propostas por quem igualmente votou
contra elas no passado.

A própria presidenta, ao falar que o golpe não é contra ela, mas contra o que ela representa, dá a pista: a classe dominante brasileira não tem compromisso com a democracia.
Mas se é assim, fica a questão: nós fizemos tudo o que poderia ter sido feito,
desde 2003, para ampliar a democracia?

E neste momento, estamos fazendo tudo o que deve e pode ser feito contra
os que instrumentalizam e partidarizam a ação da Justiça, do Ministério
Público, da Polícia Federal e das concessões públicas de Rádio e TV?

3

A presidenta fez um duro ataque contra o ódio e a intolerância da oposição.
Ela tem toda razão e poderia ter dito muito mais, até porque é pessoalmente
vítima cotidiana de agressões.

Mas ela não está certa ao dizer que este ódio é contraditório com os “valores fundamentais” de nosso país, que seria formado por “etnias diferentes”,
“tolerante em relação as pessoas” etc.

Como já disse um petista que infelizmente não está mais entre nós, é um mito
falar em democracia racial. Analogamente, é um mito qualquer visão que oculte
o fato de que nosso país também é marcado por brutais desigualdades,
atravessado por uma violência sistêmica e profundos preconceitos.

Violência e preconceito que tem endereço, CIC e RG: a classe dominante e
seus mimetizadores entre os setores médios.

Assim, da mesma forma que a presidenta disse que “nenhum trabalhador deve
baixar a guarda”, também caberia dizer que nenhum governante ou parlamentar
do campo popular deve baixar a guarda.

O que significa dizer que é preciso, sim, fazer guerra política contra o ódio e a intolerância, que não serão derrotadas com bons modos.

4

A presidenta Dilma, depois de tudo o que aconteceu em 2013 e 2014, insiste
em comemorar a criação de “uma das maiores classes médias do mundo”,
dizendo ainda que esta “população que passou a consumir que passou a
ter direitos, acesso a serviços” constitui a “maior riqueza” do Brasil.

A presidenta pode e deve comemorar cada ampliação do bem-estar e da
capacidade de consumo do povo. E muito ainda deve ser feito, para que o povo
viva com dignidade.Mas quem constitui a maior riqueza de nosso país é nossa
classe trabalhadora.
Foram milhões de trabalhadores e de trabalhadoras que melhoraram de vida
graças aos governos Lula e Dilma.

Dizer a estas pessoas que elas, porque melhoraram de vida, converteram-se
em “classe média” é, para além de qualquer debate sociológico, um erro
político gravíssimo. Erro que ajuda a entender grande parte dos problemas
que vivemos hoje, pois na prática houve uma disjuntiva entre ampliar a
classe média através do consumo versus organizar e politizar a classe
trabalhadora.

O discurso da presidenta Dilma no Concut foi muito importante.
Estamos juntos na luta contra o golpismo, pela manutenção e ampliação
das liberdades democráticas.

E a melhor maneira de defender as liberdades democráticas, a legalidade e o
governo Dilma, é mudar a política econômica de ajuste fiscal recessivo e
neoliberal.
Qualquer outra maneira pode conduzir a vitórias, mas serão de Pirro.

(1) Esta coluna de Valter Pomar foi escrita alguns dias antes de
Dilma rejeitar o apelo de Rui Falcão, presidente do PT, e do ex-presidente Lula. A força do texto está nas entrelinhas


Valter Pomar, foi jornalista no Brasil Agora e na revista Teoria e Debate e Linha Direta antigas publicações ligadas do PT, ex-dirigente da Secretaria Internacional das Relações Internacionais do PT, doutor em História Econômica, derrotado nas eleições para a direção nacional do PT. Atualmente é secretário-executivo do Foro de São Paulo.

Fonte: Correio do Brasil/Direto da Redação que é um fórum de debates editado
pelo jornalista Rui Martins

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Sociedade Grisalha




Durante esse mês, eu, iniciando o ápice da minha jovialidade física e mental, percebi alguns fios de cabelo brancos, mais do que eu costumava encontrar, quando eventualmente empenhava-me a manter a hegemonia castanha nos meus cabelos.
Não considero preocupante a situação – do ponto de vista estético ou biológico; apesar de ser um pouco estranha. Conversei com algumas pessoas e a conclusão me permitiu apreciar a ocasião sem stress.

Com a mão, afasto os meus cabelos e reflito que bandido bom é bandido morto. Contanto que não seja eu quando bebo e saio por aí dirigindo, porque apesar de ser crime, isso não me faz criminoso. Portanto, a máxima vale,desde que o bandido seja negro, pobre e… Bem não precisa muito mais do que isso, no final da história, todos sabemos o destino do nosso protagonista, e sorrimos vendo a justiça sendo feita, enquanto nasce mais cabelo branco.

Sobre o aborto, não é à toa que é crime, deve continuar sendo, afinal de contas, protege a vida e os bons costumes. Longe de mim, desejar mal a alguém, mas só permitiria (o aborto) se fosse com aquela prima rica e famosa, tudo para preservar a reputação da família. Mas essas faveladas que não tem responsabilidade, comigo não têm vez, se fizer, vai ter que criar. Mais fios brancos.

Sem querer falar muito sobre maconha, que isso não é coisa de Deus, mas eu nem sei o porquê de discutirem sobre a sua descriminalização. Droga é coisa de vagabundo, que precisa de uma substância ilícita para fugir das responsabilidades. A exceção é a turma dos brothers que, volta e meia, queimam um pra dar uma relaxada, mas aí tudo bem porque é tudo gente boa. E os cabelos brancos seguem povoando.

Veja bem, não há nada de errado em ter cabelos brancos, independentemente da idade, se há alguma disfunção genética que motive esse fenômeno, ou se eles surgem apenas pela casualidade. Todos nós temos, tivemos ou vamos ter cabelos brancos…

Há quem os cubra com tinta – para disfarçar a idade, na maioria dos casos. Mas como todo disfarce, o mistério se limita apenas à aparência. Tem aqueles que preferem ir arrancando, aos poucos, os fios que vão aparecendo, mas há de convir, que chega um momento que, de tanto arrancar, perde-se todos os cabelos e junto com eles o que há de mais essencial na subjetividade do indivíduo.

Imagino que o ideal não é tentar esconder os cabelos (quando brancos), pois são naturais às pessoas. O que se deve fazer é reconhecê-los, com toda a sua humanidade, sem deixar que a mentalidade do coletivo seja contaminada por preconceitos, hipocritamente, arcaicos e egoístas.

Enviado por Christian Dottes Teixeira via Guest Post para o Portal Geledés
Leia a matéria completa em: Sociedade Grisalha - Geledés http://www.geledes.org.br/sociedade-grisalha/#ixzz3pE4V0hIF

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O fato do dia foi um não fato: o ‘acordo’ entre o governo e Cunha.

 Paulo Nogueira  (Diário do Centro do Mundo)

Vale tudo contra ele
Vale tudo contra ele
E o fato do dia foi um não fato.
A mídia em bloco, e numa típica atitude de manada, noticiou que o governo queria fazer um acordo com Eduardo Cunha.
Em troca de ele rejeitar qualquer pedido de impeachment, o governo o salvaria da cassação.

Vi nas redes sociais, logo cedo, pessoas de esquerda indignadas com esse acordo.
Fui ler um dos textos sobre a alegada negociação. Alguém postou no Facebook o artigo do Estadão e foi ali que me inteirei do assunto.
Logo pensei.
Quem é a fonte? Não havia. Era off. O acordo seria obra de Lula.

Mas um momento: Lula não fala com a imprensa. Hoje, Lula, com muita razão, processa a imprensa.
Lula com certeza não falou aos jornais. E ninguém do seu círculo íntimo também, até porque a posição de Lula no caso era desmoralizadora.

Então, numa leitura cuidadosa, você percebia que era coisa de alguém que nada tinha a ver com Lula.

Duas hipóteses: o próprio Eduardo Cunha. Ou a oposição, notadamente Aécio ou Serra, maus caracteres que não hesitam em usar a mídia amiga para atacar adversários com sacanagens.
O acordo não resistiu a cinco minutos de minha leitura.

A quem duvidar, deixei os pontos acima expostos na página do psolista Gilberto Maringoni, onde li a notícia do acordo.

Poucas horas depois, veio o desmentido. Rui Falcão lembrou que quem busca sociedade com Cunha é a oposição golpista.

E antes que viesse o esclarecimento: que sentido teria para o governo procurar Cunha num momento em que ele está morto, esmagado por provas acachapantes que só poderão terminar em prisão?

Uma coisa é negociar com um homem como Cunha em situação de força. Depois você vomita, mas pode resolver alguns problemas.
Outra coisa é você negociar com um homem como Cunha quando ele está tecnicamente no cemitério.

Mas mesmo assim a mídia não hesitou em dar, e sem ressalvas, o acordo.
É um episódio que conta muito sobre a qualidade lastimável do jornalismo que se faz hoje no país.

Estive muitos anos em redações, e sei como a coisa funciona.

O objetivo agora é pegar Lula. E então os repórteres vão atrás de qualquer coisa contra Lula. Até um boato que simplesmente não faz sentido, como este.

Em tempos normais, um erro desta natureza custaria um ou vários empregos. Mas hoje você pode errar quanto quiser – desde que seja contra Lula. (Ou Dilma e o PT, aliás.)

É a miséria do jornalismo nacional.
Daqui a pouco, sequer a data vai estar certa nos jornais, tantas são as mentiras que eles publicam na defesa de seus próprios interesses políticos e econômicos.

Escrevi, algum tempo atrás, sobre o velho slogan da Folha, “um jornal a serviço do Brasil”.
Não. O certo é: “um jornal a serviço de si mesmo”.
O mesmo se aplica a todos os jornais – e revistas etc etc – brasileiros.

Você tem que ler com extremo cuidado os jornais, ou vai sair por aí falando bobagens como esta do acordo entre o governo e Cunha.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Sobre o Autor O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo

“Não colocamos um prato de comida em nossas mesas, mas um cálice de veneno”,

afirma dirigente do MST

Em entrevista, Carla Guindani, do setor de produção do MST, traz o debate político em torno da 1° Feira Nacional da Reforma Agrária.

Por Maura Silva (da página do MST)

A 1° Feira Nacional da Reforma Agrária, que acontece entre 22 e 25 de outubro no Parque da Água Branca em São Paulo, tem o objetivo de fortalecer a relação entre campo e cidade, oferecendo para população o acesso a alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos, ao mesmo tempo em que favorece a agricultura camponesa, hoje responsável por cerca de 70% da produção de alimentos no país, segundo dados do IBGE (Confira o evento da Feira no Facebook).

Em entrevista, Carla Guindani, do setor de produção do MST, relaciona a Reforma Agrária como mote para a produção de alimentos saudáveis no país.

Para ela, num cenário em que a Reforma Agrária está parada, “é importante, por meio da feira, trazer essa pauta à população brasileira e os resultados que a Reforma Agrária proporciona”.

Guindani também afirma que a falta de investimentos no setor evidencia a escolha do governo federal pela indústria do agronegócio, que tem como meta apenas o lucro.

“Os assentamentos de Reforma Agrária tem toda a condição de atender a demanda massiva de produção de alimentos saudáveis, caso o Estado fomentasse. O que fica claro para nós é que essa é uma opção política do governo de não apoiar a Reforma Agrária e apoiar os agroquímicos, o latifúndio e o agronegócio”, ressalta.

Confira a entrevista:
Alguns dos produtos que terão na Feira Nacional da Reforma Agrária.
Além da comercialização dos produtos, quais os objetivos da feira?

A feira é um instrumento de diálogo com a sociedade. O objetivo é debater com a cidade o papel da soberania alimentar, da produção saudável e diversidade de alimentos. Uma produção socialmente justa e ambientalmente sustentável, que leva em consideração quem produz.


Com a paralisia da Reforma Agrária é importante colocar em pauta para a população brasileira, através da feira, os resultados que a Reforma Agrária proporciona. Uma feira realizada na cidade de São Paulo trazendo agricultores de 23 estados mais o Distrito Federal, mais de 800 produtos, uma mostra de cultura camponesa e uma mostra de culinária da terra são instrumentos importantes da produção que vem deste setor. É um momento de troca e aproximação: a cidade conhecendo o que o campo produz e este, por sua vez, entendendo qual o potencial consumidor desta cidade.

E qual a importância de ser realizada na cidade de São Paulo?

São Paulo é a maior cidade do Brasil, é o local onde o debate campo cidade é mais evidente. Aqui é onde os dois modelos em disputa - o modelo do agronegócio e da agricultura camponesa -, estão mais visíveis.

E fazer essa feira no Parque da Água Branca, espaço que já é conhecido na capital paulista pela cultura aos orgânicos, é também um espaço de diálogo com o público consumidor.

É o momento de pautarmos as diferenças entre a produção saudável de alimentos, a produção orgânica e a produção fetichizada de alimentos pautada pelo agronegócio. Afinal, as pessoas precisam saber o que colocam em suas mesas.

Sem falar na ideia do abastecimento dos mercados locais...

A ideia de produção dentro do MST é o abastecimento do mercado local. Você produz e vende para arredores, assim não existe desperdício, não existe adição de nenhum tipo de conservante químico para os alimentos durarem.

Clique aqui para ver a programação completa da Feira

Esse processo de produção e de fortalecimento dos mercados locais é um dos nichos de atuação do Movimento. O fato de conseguirmos reunir numa feira em São Paulo toda produção do MST é dar espaço e visibilidade a essa produção que é invisibilizada pela grande imprensa. Não é todo mundo, por exemplo, que sabe que hoje a maior produção de arroz orgânico da América Latina pertence aos assentamentos da Reforma Agrária.

Quais são as maiores dificuldades enfrentadas na produção dos assentamentos da Reforma Agrária?

As condições de produção sofrem com a falta de incentivo do governo, nós não temos fomento, assistência técnica, incentivo, os investimentos nos assentamentos são precários. As cooperativas que conseguiram acessar algum tipo de recursos se estruturaram e organizaram uma cadeia produtiva. E, hoje, são industrializadas.

Os assentamentos de Reforma Agrária são produtivos porque as famílias que ali moram estão imbuídas de produzir seu auto sustento e, consequentemente, repassar aquela produção para a sociedade como um todo.
Se tivéssemos incentivo do governo federal com linhas de crédito de assistência técnica, agroindustrialização, de formação, conscientização nas escolas, se o governo federal investisse nessa gama de políticas públicas para o campo, teríamos condições de fazer isso numa escala ainda maior, e todas as mesas do país teriam receberiam uma alimentação saudável e de qualidade.

E o que evidencia essa situação?

Alimentação saudável, sem uso de agrotóxicos, valorizando a agricultura camponesa, revalorizando o campo. Os assentamentos de Reforma Agrária tem toda a condição de atender a demanda massiva de produção de alimentos saudáveis, caso o Estado fomentasse.

O que fica claro para nós é que essa é uma opção política do governo de não apoiar a Reforma Agrária e apoiar as agroquímicos, o latifúndio e o agronegócio. Não colocamos um prato de comida em nossas mesas, mas um cálice de veneno. É isso que queremos barrar, esse é o debate que precisa ser feito com a sociedade, a maior consumidora e afetada por esse sistema.

A população precisa saber que existe outra alternativa, que é a agricultura familiar. E esse é o principal mote da feira, atrelar a Reforma Agrária à produção de alimentos saudáveis.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Veracidade e reconhecimento Sobre o documento “Por Um Brasil Justo e Democrático”

Vimos manifestar nosso desagrado, ante a visão deturpada que está circulando pelos veículos de comunicação, sobre a autoria do documento “Por um Brasil Justo e Democrático”.
O documento é produto de ampla reflexão desenvolvida por inúmeros acadêmicos, cientistas, intelectuais, lideranças políticas e representantes dos movimentos sociais que, preocupados com os riscos da atual política econômica e social, procuraram sistematizar caminhos alternativos para o Brasil retomar a rota do desenvolvimento com justiça social.
Para construir nossa discussão sobre o modelo de sociedade que queremos e oferecer alternativas ao debate plural e democrático de ideias, aqueles acadêmicos, cientistas, intelectuais, lideranças políticas e representantes dos movimentos sociais partiram da reflexão acumulada nos últimos anos pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, Rede Desenvolvimentista, Brasil Debate e Plataforma Política Social. Todas essas entidades participaram da organização do documento, além de outras organizações da sociedade civil, dentre as quais o Le Monde Diplomatique Brasil e o Fórum 21.
Registre-se que um bom número dos que debateram essas questões e formularam o documento “Por Um Brasil Justo e Democrático” não integra nenhuma das instituições aí listadas. Muitos vêm de várias áreas disciplinares das universidades (UNICAMP, UERJ, UFRJ, USP, UFF, UFU, FGV, UFMG, PUC e UNB, dentre outras) e instituições de pesquisa.
Assim, a participação da Fundação Perseu Abramo como uma das articuladoras desse esforço coletivo não sustenta a simplificação de se tratar tal documento como partidário, o que ele não é. Essa simplificação presta-se a interditar o debate, pela desqualificação dos atores.
Muito nos surpreende e desagrada, portanto, a intensa divulgação que veículos da mídia têm dado, não ao documento nem ao nosso trabalho, muito menos às nossas ideias, mas exclusivamente a interpretações descontextualizadas e simplórias que, em lugar de fazer avançar o debate, o comprometem.
O reducionismo 'midiático' nesse caso não é só ativa desqualificação do trabalho intelectual; é também ativo boicote ao aprimoramento da democracia brasileira. Essa nota visa a restabelecer a legitimidade do processo de trabalho, no qual confiamos como contribuição relevante para a construção democrática de um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil.
Adalberto Monteiro - Jornalista, escritor, presidente da Fundação Maurício Grabois.
Alexandre de Freitas Barbosa – Professor de História Econômica e Economia Brasileira do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP)
Aloísio Sérgio Rocha Barroso - Médico, doutorando Economia Social e do Trabalho (Unicamp). Diretor de Estudos e Pesquisas da Fundação Maurício Grabois.
Amélia Cohn - Professora aposentada da USP.
Ana Fonseca – Pesquisadora do NEPP/UNICAMP.
Ana Luiza D’Ávila Viana - Professora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Ana Luíza Matos de Oliveira - Consultora da Fundação Perseu Abramo e Brasil Debate, Doutoranda em Desenvolvimento Econômico (IE/Unicamp).
Ana Maria Costa - Doutora em Ciências da Saúde e Presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES).
André Bojikian Calixtre – Economista.
André M. Biancarelli – Professor Doutor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON) da UNICAMP e coordenador da Rede Desenvolvimentista.
Anivaldo P. Padilha – Sociólogo, Presidente do Fórum 21.
Anselmo Luis dos Santos – Professor do Instituto de Economia e pesquisador do CESIT (UNICAMP).
Antonio Corrêa de Lacerda – Professor Doutor e coordenador do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da PUC-SP.
Antonio Lassance – Cientista político.
Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira - Demógrafo IBGE
Artur Henrique da Silva Santos - Secretário de Desenvolvimento, Trabalho, Empreendedorismo e Segurança Alimentar da Prefeitura de São Paulo e Ex-presidente Nacional da Central Única dos Trabalhadores – CUT
Bruno De Conti - Professor do Instituto de Economia da Unicamp.
Carlos Antônio Brandão – Professor do IPPUR/UFRJ.
Carlos Octavio Ocké Reis – Economista do IPEA.
Carlos Salas Páez – Professor do Instituto de Economia e pesquisador do CESIT (UNICAMP).
Cristiani Vieira Machado - Pesquisadora Ensp/Fiocruz.
Denis Maracci Gimenez - Professor do Instituto de Economia da UNICAMP e pesquisador do CESIT
Denise Lobato Gentil – Professora Associada do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Eduardo Fagnani – Professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) e coordenador da rede Plataforma Política Social.
Eli Iola Gurgel Andrade - Professora Associada da Faculdade de Medicina da UFMG
Erminia Maricato – Professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e professora visitante da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Formulou a proposta do Ministério das Cidades, no qual foi ministra adjunta (2003-2005).
Eugenia T. Leone - Professora do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit).
Evilasio da Silva Salvador – Economista, professor da Universidade de Brasília (UNB).
Fabio de Sa e Silva – Bacharel (USP) e mestre (UnB) em direito, PhD em direito e politicas publicas (Northeastern University), research fellow na Harvard Law School.
Fábio Waltenberg - Universidade Federal Fluminense.
Fabrício Augusto de Oliveira - Professor da Escola de Governo do Legislativo do Estado de Minas Gerais
Fernando Sarti – Professor do Instituto de Economia da UNICAMP; Diretor Executivo da Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP (FUNCAMP); Diretor do Centro de Altos Estudos Brasil Século XXI; pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia ( NEIT; pesquisador da Rede Mercosul.
Flavio Tonelli Vaz - Assessor Técnico da Câmara dos Deputados
Francisco Menezes - Economista, pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE).
Frederico Mazzucchelli - Professor Livre Docente UNICAMP
Gastão Wagner de Sousa Campos – Professor titular do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
Gerson Gomes – Economista
Gilberto Bercovici - Professor Titular de Direito Econômico e Economia Política da Faculdade de Direito da USP.
Glauber Cardoso Carvalho - Coordenador do Centro Celso Furtado e doutorando em Economia Política Internacional da UFRJ
Guilherme C. Delgado - Pesquisador do IPEA;
Guilherme Mello – Professor do IE/UNICAMP.
Helena Maria Martins Lastres - Secretaria de Arranjos Produtivos e Inovativos e Desenvolvimento Local e Regional (BNDES) / Centro Celso Furtado.
Humberto Miranda do Nascimento – Professor e pesquisador do Centro de Estudos de Desenvolvimento Econômico do IE/UNICAMP
Jairnilson Silva Paim - Professor Titular - Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia; Pesquisador 1-B do CNPq.
João Feres Júnior - Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
João Sicsú – Professor do Instituto de Economia da UFRJ.
Joaquim Ernesto Palhares - Secretário Geral do Fórum 21
Joaquim Soriano – Diretor da Fundação Perseu Abramo.
Jorge Mattoso - Economista, professor aposentado do Instituto de Economia da Unicamp.
Jorge O. Romano. Doutor de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pela UFRRJ.
José Antônio de Freitas Sestelo - Doutorando em Saúde Coletiva na UFRJ.
Jose Antonio Moroni – Membro do colegiado de gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC).
José Carlos Braga – Professor titular do Instituto de Economia da Unicamp.
José Celso Cardoso Jr. - Economista, Técnico de Planejamento e Pesquisador do IPEA.
Jose Dari Krein – Professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit).
José Eduardo Cassiolato – IE/UFRJ e Centro de Altos Estudos Brasil Século XXI.
José Gomes Temporão - Ex-ministro da saúde
José Maurício Domingues – Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
José Noronha – Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes)
Juarez Rocha Guimarães - Professor de Ciência Política da UFMG
Juliano Musse – Economista do Dieese
Ladislau Dowbor – Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia, e professor titular da PUC-SP.
Laura Carvalho - Professora do Departamento de Economia da FEA-USP
Laura Tavares - FLACSO Brasil.
Leda Maria Paulani – Professora titular da FEA/USP
Lena Lavinas – Professora Titular de Economia do Bem-estar do Instituto de Economia da UFRJ.
Ligia Bahia - Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Lucia Cortes da Costa - Universidade Estadual de Ponta Grossa - Programa de pós-graduação em Ciências Sociais Aplicadas.
Luciana Dias de Lima - Pesquisadora Titular e Docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ)
Luciana Jaccoud – Doutora em Sociologia pela Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales (EHESS).
Luciane Udovic – Grito dos Excluídos Continental
Luis Eugenio Portela Fernandes de Souza - Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia.
Luiz Bassegio – Grito dos Excluídos Continental
Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo - Professor Titular aposentado da Unicamp e Diretor da Facamp.
Magda Barros Biavaschi - Desembargadora Aposentada do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região; Doutora em Economia Aplicada pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp; IE. Presidente do Fórum Nacional Permanente em Defesa da Preservação da Memória da Justiça do Trabalho.
Magda Lucio - Departamento de Gestão Publica da Universidade de Brasília.
Marcelo Arend - Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Marcelo Trindade Miterhof – Economista
Marcelo Zero – Sociólogo e Assessor Técnico no Senado Federal
Marcio Pochmann – Professor Titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Presidente da Fundação Perseu Abramo.
Marco Antonio Martins da Rocha - Professor Doutor Universidade Estadual de Campinas
Maria Lucia Teixeira Werneck Vianna – Professora da Universidade Federal do Rio de janeiro.
Mário Scheffer – Professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP
Maryse Farhi - Professora Doutora Instituto de Economia da Unicamp
Mayra Juruá - Economista e cientista social.
Nazareno Stanislau Affonso – Urbanista, mestre pela FAU/USP e Presidente do Instituto da Mobilidade Sustentável – RUAVIVA.
Nelson Rodrigues dos Santos - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Medicina Preventiva e Social. Presidente do Instituto de Direito Sanitário Aplicado - IDISA.
Paulo Eduardo Baltar - Professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit).
Paulo Kliass - Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental.
Pedro Paulo Zahluth Bastos - Professor livre-docente do Instituto de Economia da Unicamp
Pedro Rossi - Professor Doutor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON) da UNICAMP, pesquisador associado da Rede Desenvolvimentista e coordenador da rede Brasil Debate.
Reginaldo Moraes – Professor da Unicamp, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-Ineu) e colaborador da Fundação Perseu Abramo.
Roberto Amaral – Cientista político, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB.
Roberto Dutra Torres Junior – Professor de sociologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro-UENF.
Roberto Saturnino Braga - Engenheiro. Diretor-presidente do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento
Rodrigo Octávio Orair - Pesquisador do IPEA.
Romualdo Luiz Portela de Oliveira – Professor Titular da Faculdade de Educação da USP
Rosa Freire d’Aguiar – Jornalista e tradutora
Rosa Maria Marques – Professora titular de Economia da PUCSP
Sebastião Velasco e Cruz – Professor de Ciência Política (UNICAMP).
Selma Rocha – Historiadora.
Silvio Caccia Bava – Sociólogo, diretor do Le Monde Diplomatique Brasil.
Sonia Fleury - Doutora em Ciência Política Professora Titular da EBAPE / FGV
Sulamis Dain - Professora titular do Instituto de Medicina Social da UERJ.
Tarso Genro – Advogado, Ministro da Justiça no segundo governo Lula.
Tiago Oliveira – Economista, DIEESE.
Vanessa Petrelli Corrêa – Professora Titular do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia.
Waldir José Quadros - Professor associado do Instituto de Economia da Unicamp.
Wolfgang Leo Maar – Professor Titular da UFSCar.