Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade
Clic sobre o livro (download gratuito). LEIA E DÊ SUA OPINIÃO

sábado, 7 de maio de 2011

Sobre a minha “morte”



Paulo Fonteles Filho.

   Ontem, 5 de maio, circulou pelas redes sociais que teriam me assassinado em um bar, junto à minha mulher, em Belém.
   A coisa foi tão contundente que jornalistas, amigos, foram até a casa de minha mãe, no bairro do Telégrafo, confirmar se eu havia mesmo sido morto. Houve ligações para o Ciop e até o Secretário de Segurança Pública do Pará, Luís Fernandes, fora acordado de madrugada para confirmar o ocorrido.
   E a notícia parece que continua circulando. O Vítor Haôr, jornalista marabaense acaba de me ligar neste momento, às 13:42, perguntando se a macabra notícia era verdadeira. Falei com ele e disse que estava bem, e vivíssimo da silva.
   Na alta madrugada, quando dormia candidamente ao lado de minha mulher, irmãos e primos quase derrubaram a porta de meu apartamento e ao me avistarem, sonolento, disseram que eu tinha morrido. Quase morri mesmo, de susto.
   O ocorrido poderia render boas gargalhadas, no futuro, se tal acontecimento não fosse de tanto mau-gosto e se a repercussão não tivesse chegado a tão longe: amigos em Macapá e até na distante Porto Alegre já estavam velando-nos.
   Acontece que toda essa "papagaiada" tem endereço certo: continuar intimidando-nos.
Não apenas a mim, mas, sobretudo, o trabalho desenvolvido para desnudar os acontecimentos violentos praticados pelas forças de repressão da ditadura militar no combate ao movimento guerrilheiro do Araguaia.
   Ontem, no dia de minha "morte", passei toda a manhã e parte da tarde testemunhando num processo interno da Abin-Pa. Tal processo versa, dentre outras coisas, sobre possíveis ocultações de cadáveres de desaparecidos políticos e destruição de documentos da ditadura por servidores da Abin-Pa. Tais servidores, Magno José Borges e Armando Souza Dias, são ex-militares, foram do Doi-Codi e atuaram na repressão à Guerrilha do Araguaia. Nos autos do processo quatro servidores da agência confirmam que ambos foram do famigerado Doi-Codi.
   Um ex-mateiro daqueles sertões disse-me, à quinze dias atrás, que um tal de Capitão Magno, esse o nome verdadeiro, era quem cortava cabeças e mãos e estas eram enviadas à Belém, nos idos dos anos 70.   Cabe dizer que Magno José Borges atualmente é vice-superintendente da Abin-Pa.

Essas denúncias não são novas.

Em 2001, como Vereador de Belém, fui a tribuna da Câmara Municipal tratar do assunto.

Em 2008, o ?Diário do Pará?, através do jornalista Ismael Machado fez longa reportagem sobre o caso. Neste mesmo ano, representei ao Ministério Público Federal sobre a questão da Abin-Pa. Está tudo postado em meu blog sobre a chamada ?A luta entre o velho e o novo na Abin?, em fevereiro deste ano de 2011.

Lá no Sul do Pará, em São Domingos do Araguaia, meus companheiros também foram acordados com a minha ?morte?. Fico sabendo, através de contato telefônico, que no último sábado, 30 de Abril, houve uma reunião de ex-soldados que estão abrindo o que sabem sobre a guerrilha com o representante da direção nacional do PC do B, como eu, no Grupo de Trabalho Tocantins, Sezostrys Alves da Costa em Marabá. E que no dia da reunião, uma caminhonete de vidro fumê, novamente, andou rondando a casa deste companheiro em atitude suspeita.

Sezostrys diz, ainda, que mais pessoas estariam recebendo telefonemas anônimos.

O fato é que mais de dez pessoas estão sob ameaças das viúvas da ditadura militar.

Acontece que desde junho do ano passado temos denunciado a questão.

Tais ameaças já foram informadas ao Ministério da Defesa, ao Ministério da Justiça, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, através da Comissão de Mortos e Desaparecidos e à Policia Federal. Isso sem falar que a própria OAB nacional, onde fizemos reunião semana passada, também informada sobre tais acontecimentos.

A imprensa paraense e nacional já tratou de repercutir o assunto e o PCdoB já fez até nota pedindo providências.

O problema é que até agora nada aconteceu para apurar as coisas, nada, absolutamente nada.

O que causa espécie é que estamos participando de uma investigação federal, no estado democrático de direito, ?por dentro? das instituições republicanas e as mesmas instituições, que dizem defender radicalmente à abertura dos arquivos e o achamento dos despojos de desaparecidos políticos, nada fazem para proteger-nos e, por fim, desbaratar os últimos bastiões da repressão política do país.

Se alguma coisa nos acontecer à responsabilidade deve ser, também, imputada à manifesta letargia com que o aparato estatal brasileiro têm tratado as denúncias, que há muito temos feito, sobre as ameaças aos trabalhos de descortinar nossos anos-de-chumbo.   




--


Bin Laden e a última aventura do Super Homem


Ariel Dorfman(1) Fonte:Carta Maior

   Para entender por que agora, justamente agora, nesta data entre todas as outras possíveis, decidiu-se realizar o “justiçamento” de Bin Laden, talvez seja necessário vincular sua morte repentina e desejada com dois acontecimentos aparentemente desconectados que surgiram na semana passada.
   O primeiro, que causou entre os fanáticos da guerra entre o bem e o mal quase tanta consternação como o assassinato do funesto e lúgubre chefe da Al Qaeda, ainda que menos júbilo, foi o anúncio do Super Homem (na história n° 900 do aniversário que celebra suas peripécias) de que pensava ir às Nações Unidas para renunciar à cidadania norteamericana. O Homem de Aço que, desde sua primeira aparição inaugural na revista Action, em junho de 1938, veste-se com as cores da bandeira estadunidense e age em nome dos valores norteamericanos, chegou a essa decisão tão drástica depois de sofrer críticas do encarregado de segurança do governo estadunidense (um homem negro parecido com Colin Powell) por ter voado até Teerã para demonstrar, durante 24 horas, sua solidariedade com os manifestantes da Revolução Verde que protestavam contra o despotismo de Ahmadinejad e seus partidários.
   O governo do Irã (na história em quadrinhos, é claro, já que duvido que os aiatolás reais se dediquem a ler dissimuladamente as aventuras de Superman) denunciou esse ato – por silencioso que fosse e motivado pela não violência – como uma ingerência do Grande Satã em seus assuntos internos, quase como uma declaração de guerra. Os autocratas do Irã me desagradam muito, mas não se objetar sua lógica de aceitar as palavras do próprio Homem de Aço que encarna há décadas o conjunto “truth, justice and the American way” (verdade, justiça e o modo americano de vida). De modo que o Super Homem, para poder agir daqui em diante para além das fronteiras nacionais e os interesses circunstanciais de qualquer Estado, se viu obrigado a estabelecer sua independência frente a seu país adotivo. Porque, de fato, o Super Homem não nasceu nos Estados Unidos, mas sim no planeta Krypton, chegando bebê (sem passar por aduanas nem imigração) ao Kansas em uma pequena nave espacial, sendo acolhido neste território, no centro dos EUA, pelos Kent, fazendeiros que personificam precisamente o “american way”. Era Ka-El. Virou Clark Kent.
   É difícil exagerar a indignação com que este ato audacioso de renunciar à cidadania, esta “bofetada” do Superman, foi recebida pelo povo norteamericano. Eu li blogueiros defendendo seriamente que o novo campeão do internacionalismo fosse deportado para seu planeta de origem (como se fosse um mexicano ilegal), e já circula um abaixo assinado para que os executivos da Time Warner (donos da empresa que comercializa o Super Homem) forcem os autores da história a se retratar. Além disso, vários comentaristas conservadores viram esse insulto do super herói como a prova definitiva da decadência do país mais poderoso da terra: até o ídolo que representa mais universalmente nosso modo de vida está nos dando as costas!
  Não sei se o presidente Obama segue atentamente as aventuras do Super Homem (sabe-se que é um fã do Homem Aranha, de cuja origem nova-iorquina não cabem dúvidas), mas alguém deve ter chamado a sua atenção sobre a perda de prestígio que significa a deserção de um tal titã. O que acontece, por exemplo, se o Homem de Aço, guia dos despossuídos, decide fechar Guantánamo ou usar seus olhos de raios X para liberar alguns Super Wikileaks, agora que já deve lealdade à bandeira norteamericana? O que acontece se ele se põe a serviço de uma potência como a China? – ainda que, pensando bem, não haja muita Verdade ou Justiça neste país, de modo que ele seguramente não aceitaria esse tipo de aliança. Em todo o caso, os conselheiros de Obama devem ter lhe explicado que a defecção de Super Homem deveria ser tratada como uma imensa crise cultural e ideológica que inclusive poderia custar a reeleição ao presidente, uma vez que os republicanos já cozinhavam planos para acusá-lo de ter “perdido” o Super Homem (como ocorreu com Cuba ou Vietnã).
   A resposta de Obama foi genial: ao matar Bin Laden, provava que os EUA não necessitava de um homem musculoso que voa e atravessa paredes para defender-se dos terroristas, pois, para isso, tem helicópteros e tropas especiais como os Seals, computadores e armas – como que não – de aço. Um modo de restaurar a confiança nacional que estava machucada e que dificilmente poderia tolerar outro menosprezo à sua auréola.
   É claro que, antes de poder realizar aquela operação no Paquistão, Obama tinha que acertar outro assunto, um problema que o rondava há vários anos. Como iria apresentar-se perante o mundo e anunciar o assassinato de Bin Laden em nome dos Estados Unidos se uma insólita porcentagem de seu próprio povo duvidada que seu presidente era, de fato, norteamericano? Como criar o contraste com o trânsfuga Super Homem se Obama mesmo era acusado de ter nascido no estrangeiro, no Quênia, que, como se sabe, está muito mais longe do Kansas do que o planeta Krypton, por mais que os três lugares compartilhem a kafkiana letra K?
   Isso levou Obama a divulgar, há alguns dias, sua certidão de nascimento, tapando a boca daqueles que o apontavam como um “alien” (alheio, estrangeiro, mas também extraterrestre, outro significativo paralelo entre o presidente e o super herói). Por certo que um conjunto de seus concidadãos segue acreditando que Obama não nasceu em território norteamericano. Insistem que o documento foi flasificado, que o hospital foi subornado e que a mãe (nascida originalmente nada mais nada menos que no Kansas) trouxe o menino de contrabando para o Wawaí, porque sabia que, dali a quarenta e tantos anos, aquele menino mulato seria presidente. Creio que a única maneira desses recalcitrantes aceitarem que Obama nasceu nos EUA seria ele branquear inteiramente a cara e toda a pele. Aí ele já não seria mais um “alien”.
Mas, para a maioria de seus compatriotas, Obama conseguiu em uma semana uma verdadeira e tripla proeza. Ao provar que era um presidente legítimo, pode, armado de seu certificado de nascimento e também do exército mais poderoso do globo, eliminar o sinistro inimigo número um dos Estados Unidos. E sem precisar da intervenção do Super Homem.
   E agora?
  Agora, proponho uma façanha de verdade: já que a razão pela qual Bush invadiu o Afeganistão era o apoio que os talibãs ofereciam a Bin Laden, não chegou o momento de retirar todas as forças norte-americanas desse país de montanhas e guerrilhas?
   Estou seguro que o Super Homem, em parceria com as Nações Unidas e esgrimindo seu novo passaporte cosmopolita e global, ficaria feliz em ajudar no transporte rápido das tropas. Seria bonito vermos isso nas próximas aventuras do Homem de Aço, seria alentador que Obama e o Superman – ambos com suas origens no Kansas, ambos menosprezados por serem “estrangeiros” – colaborassem para criar pelo menos um pequeno oásis de paz no mundo onde infelizmente escasseiam hoje tanto a verdade como a justiça.

(1) Ariel Dorfman é escritor. Seu romance mais recente é “Americanos: Los passos de Murieta”.

Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, 3 de maio de 2011

MOÇÃO CONTRA O USO DOS AGROTÓXICOS E PELA VIDA*


Apresentada no
V Congresso Brasileiro de Ciências Humanas e Sociais em Saúde

 O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, sendo que grande parte desses produtos já foram banidos por outros países. A liberação comercial desses agrotóxicos implica em contaminação dos ecossistemas, das matrizes hídricas, e atmosférica, produzindo sérios problemas para a saúde no campo e nas cidades. Entidades nacionais como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional vem alertando a Presidência da República sobre essa questão. É urgente e necessário um maior controle, por parte do Estado Brasileiro, no registro de agrotóxicos e ao mesmo tempo dos produtos que não são permitidos no país.
 Estudos do campo da Saúde Coletiva evidenciam que o nível e a extensão do uso dos agrotóxicos no Brasil está comprometendo a qualidade dos alimentos e da água para o consumo humano. Neste contexto é importante destacar que o direito a alimentação e nutrição adequada, de acordo com a emenda constitucional 64/2010, está sendo violado. As práticas de pulverização aérea desses biocidas contaminam grandes extensões para além das áreas de aplicação, impactando toda a biodiversidade do entorno, incluindo as águas de chuva.
 Um caso recente e emblemático, sobre o papel da saúde coletiva para evidenciar esses impactos, foi o estudo sobre contaminação de leite materno com agrotóxicos no Mato Grosso. Os pesquisadores Wanderlei Pignati e Danielly Cristina Palma, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso, conduziram uma importante pesquisa, com impacto na midia nacional. Infelizmente, esses sanitaristas vem sofrendo pressões de toda a ordem em função da gravidade de seus achados. Isso remete a necessidade de uma reflexão no âmbito da ABRASCO voltadas para a criação de mecanismos que garatam proteção a cientistas que estão sendo ameaçados por grupos de interesses comerciais, nesse caso o agronegócio.
 A bancada ruralista e as corporações transnacionais, responsáveis pelo agronegócio e pela indução e ampliação do pacote tecnológico agrotóxicos-transgênicos-fertilizantes também fazem pressão constante sobre os órgãos reguladores no sentido de flexibilizar a legislação.
 A Via Campesina lançou com as organizações sociais, academia e instituições de pesquisa, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida no dia 7 de abril de 2011 – Dia Mundial da Saúde. A ABRASCO foi convocada para aderir a essa Campanha, conforme moção aprovada no I Simposio Brasileiro de Saúde Ambiental, realizado em Belem/PA, em dezembro de 2010.
 Finalmente, a ABRASCO, reunida em seu V Congresso de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, vem alertar a população e as autoridades públicas responsáveis para a necessidade de medidas emergenciais:
 1.                 Proibir a pulverização aérea de agrotóxicos, tendo em vista a grande e acelerada expansão desta forma de aplicação de venenos, especialmente em áreas de monocultivos, expondo territórios e populações cada vez maiores à contaminação com produtos tóxicos. Estas operações, de questionável e improvável controle da deriva acidental e técnica, vêm sendo realizadas a partir de legislação frágil e precariamente fiscalizada, que fere o direito constitucional ao meio ambiente sadio, e têm resultado em graves impactos sobre a saúde humana e dos ecossistemas em geral, inclusive na produção de chuva contaminada com agrotóxicos e na contaminação de aqüíferos.
 2.                 Suspender as isenções de ICMS, PIS/PASEP, COFINS e IPI concedidas aos agrotóxicos (respectivamente, através do Convênio nº 100/97, Decreto nº 5.195/2004 e Decreto 6.006/2006), tendo em vista seu caráter de estímulo ao consumo de produtos concebidos para serem tóxicos biocidas, que se reflete certamente na colocação do Brasil como maior consumidor mundial de agrotóxicos nos últimos 3 anos; e a externalização para a sociedade dos custos impostos pelas medidas de assistência e reparação de danos, além da recuperação de compartimentos ambientais degradados e contaminados.
3.                 Elaborar e implementar um conjunto de Políticas Públicas que viabilizem a superação do sistema do agronegócio e a transição para o sistema da Agroecologia, inclusive no que diz respeito ao financiamento, revertendo e resgatando a enorme dívida social e ambiental induzida por políticas que, desde os anos 1970, impõem o financiamento e a compra de agrotóxicos. Tais políticas devem ser construídas em contexto participativo, a partir dos saberes acumulados nas diversificadas experiências em curso da agricultura familiar camponesa no Brasil e seus atores.
__._,_.___

Código Florestal



Principais pontos da conjuntura e do texto  sobre a última proposta apresentada por Aldo Rebelo
3 de maio de 2011
Luiz Zarref, do MST/Via Campesina,

·         Deputado Aldo Rebelo foi obrigado a recuar em quase todos os pontos que propôs inicialmente. Mantém apenas o discurso ideológico, para sustentar que os ruralistas obterão uma vitória. Mas na realidade o governo o colocou em uma situação bastante delicada, pois os ruralistas estão muito insatisfeitos com o texto que será levado para votação;
·         O governo demorou muito a entrar no tema, o que impediu um debate amplo com a sociedade. Só tem alguns avanços no texto defendido no governo porque os movimentos sociais anteciparam as negociações, já que o tema aparece na pautas de lutas desde início de 2009. Mas muitas coisas ficarão de fora, como a criação de um programa consistente de recuperação ambiental, pagamento de serviços ambientais e de fomento à produção sustentável agroflorestal;
·         Nesse último período apareceu o lobby das papeleiras, que conseguiram colocar algumas coisas no texto defendido pelo governo;
·         Os principais pontos agora são:
o    Retirada da Reserva Legal nas propriedades até 04 módulos fiscais, o vai prejudicar os camponeses a longo prazo, pois terão suas propriedades comprometidas pela erosão, escassez de água, perda da fertilidade etc, mas beneficia chacareiros que não usam as áreas para produção;
o    Todas as áreas médias e grandes terão como “bônus” quatro módulos fiscais sem necessidade de Reserva Legal. A área para cálculo da RL será contada apenas após o quarto módulo;
o    Liberação para plantio de espécies lenhosas (como eucalipto e pinus) nas encostas, topos de morros e bordas de chapadas;
o    As reservas legais poderão ter até 50% de suas áreas com espécies exóticas, ou seja, aqui mais uma vez aparece a pauta das papeleiras e das empresas de biodiesel vindo da palma africana;
o    Uma série de benefícios foram criados para os latifundiários desmatadores. Para os que simplesmente fizerem o cadastro ambiental, o que não quer dizer que a recuperação seja realizada. Poderão receber crédito mais facilitado, com juros menores, terão prioridade em programas governamentais e poderão deduzir do imposto de renda os investimentos em recuperação. Juntando todas as maldades, eles poderão plantar eucalipto, receber crédito subsidiado, receber pagamentos por serviços ambientais e ainda deduzir do imposto de renda!
o    Por último, a RL poderá ser recomposta em qualquer parte do bioma. Juntando aos elementos anteriores, é possível se imaginar a engenharia que está por trás disso! Além dos impactos já previstos, como expulsão de agricultores, que venderão suas terras baratas para RLs de latifúndios, e os latifúndios improdutivos, que poderão ser considerados RLs em recomposição.
o    É bem provável que o Aldo tenha articulado os ruralistas para fazerem emendas no texto, em plenário. Por isso a mobilização é fundamental nessa reta final, bem como a posição e articulação do governo.

RESUMO:
1.    AGRICULTURA FAMILIAR
AVANÇO:  A inclusão do conceito de agricultura familiar é um avanço
PROBLEMA:  a manutenção do conceito de pequena propriedade é um atraso.
Do jeito que está na nova redação, não há diferença de quem produz sob um modelo familiar daquele que só usa sua propriedade para lazer de fim-de-semana, ou mesmo de um latifúndio divido em várias matrículas, isentando-se de restrições da lei. 
2.    ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APPS)
AVANÇO: é um avanço que mantenhamos os mesmos moldes estabelecidos no atual código
PROBLEMA: ainda precisamos alterar as benesses que a proposta dá ao agronegócio, como a possibilidade de recompor somente metade das APPs em beira de rios com até 10 metros de largura  e o cultivo de lenhosas, como eucalipto nas APPs de topografia. 
3.    RESERVA LEGAL (Reserva Ambiental)
PROBLEMA 1 :  Não podemos liberar a recomposição para culturas lenhosas exóticas. Isso é o mesmo que qualificar o plantio comercial de eucalipto como reserva ambiental.
As conseqüências da monocultura de eucalipto, como já sabemos, são danosas ao meio ambiente: secam os rios, empobrece o solo, além de ser responsável, muitas vezes, pela remoção de comunidades indígenas, quilombolas e de trabalhadores rurais.
PROBLEMA 2: A possibilidade de recomposição de Reserva Legal em qualquer parte do bioma é outro absurdo que precisamos combater veementemente.
Ora, com esta redação, se um proprietário rural tem propriedade devastada em São Paulo, na Mata Atlântica, poderá comprar terras do Rio Grande do Sul até o Ceará para recompor Reserva Legal.
Isso pode promover uma escalada de compras das terras dos camponeses para servirem de reserva legal de fazendas.
Sem falar dos latifúndios abandonados que deveriam ser destinados à Reforma Agrária,  e que, com este texto, podem se transformar em reserva legal!
A recomposição de Reserva Legal tem que ser na mesma microbacia hidrográfica.
4.    SUBSÍDIOS E FINANCIAMENTO
PROBLEMA: Não podemos compensar a grande agricultura com financiamento a juros subsidiados, desconto em imposto de renda, dentre outros benefícios.
Isso é o mesmo que lucrar duas vezes: ganha com desmatamento e ganha para cumprir a lei.
Os incentivos econômicos devem ser voltados para o estímulo da pequena agricultura familiar e camponesa, ou seja, para quem produz alimentos e precisa do meio ambiente preservado não só para o seu sustento, mas para a sua vivência.

Alimentação Saudável

Nutricionista lista os 10 piores alimentos para sua saúde

  Postado por Eduardo Sejanes Cezimbra
Fonte: O Berro
Que atire a primeira pedra quem não se rende a um fast food, salgadinho ou cachorro-quente e depois fica preocupado com as calorias que ingeriu. Mas o que pouca gente sabe é que os perigos desses alimentos vão muito além da questão estética e podem ser um risco para a saúde. Para esclarecer esses problemas, a nutricionista Michelle Schoffro Cook listou os dez piores alimentos de todos os tempos.
10º lugar: Sorvete
Apesar de existirem versões mais saudáveis que os tradicionais sorvetes industrializados, a nutricionista adverte que esse alimento geralmente possui altos níveis de açúcar e gorduras trans, além de corantes e saborizantes artificiais, muitos dos quais possuem neurotoxinas - substâncias químicas que podem causar danos no cérebro e no sistema nervoso.
9º lugar: Salgadinho de milho
De acordo com Michelle, desde o surgimento dos alimentos transgênicos a maior parte do milho que comemos é um "Frankenfood", ou "comida Frankenstein". Ela aponta que esse alimento por causar flutuação dos níveis de açúcar no sangue, levando a mudanças no humor, ganho de peso, irritabilidade, entre outros sintomas. Além disso, a maior parte desses salgadinhos é frita em óleo, que vira ranço e está ligado a processos inflamatórios.
8º lugar: Pizza
Michelle destaca que nem todas as pizzas são ruins para a saúde, mas a maioria das que são vendidas congeladas em supermercados está cheia de condicionadores de massa artificiais e conservantes. Feitas farinha branca, essas pizzas são absorvidas pelo organismo e transformadas em açúcar puro, causando aumento de peso e desequilíbrio dos níveis de glicose no sangue.
7º lugar: Batata frita
Batatas fritas contêm não apenas gorduras trans, que já foram relacionadas a uma longa lista de doenças, como também uma das mais potentes substâncias cancerígenas presentes em alimentos: a acrilamida, que é formada quando batatas brancas são aquecidas em altas temperaturas. Além disso, a maioria dos óleos utilizados para fritar as batatas se torna rançosa na presença do oxigênio ou em altas temperaturas, gerando alimentos que podem causar inflamações no corpo e agravar problemas cardíacos, câncer e artrite.
6 lugar: Salgadinhos de batata
Além de causarem todos os danos das batatas fritas comuns e não trazerem nenhum benefício nutricional, esses salgadinhos contêm níveis mais altos de acrilamida, que também é cancerígena.
5º lugar: Bacon
Segundo a nutricionista, o consumo diário de carnes processadas, como bacon, pode aumentar o risco de doenças cardíacas em 42% e de diabetes em 19%. Um estudo da Universidade de Columbia descobriu ainda que comer 14 porções de bacon por mês pode danificar a função pulmonar e aumentar o risco de doenças ligadas ao órgão.
4º lugar: Cachorro-quente
Michelle cita um estudo da Universidade do Havaí, que mostrou que o consumo de cachorros-quentes e outras carnes processadas pode aumentar o risco de câncer de pâncreas em 67%. Um ingrediente encontrado tanto no cachorro-quente quanto no bacon é o nitrito de sódio, uma substância cancerígena relacionada a doenças como leucemia em crianças e tumores cerebrais em bebes. Outros estudos apontam que a substância pode desencadear câncer colorretal.
3º lugar: Donuts (Rosquinhas)
Entre 35% e 40% da composição dos donuts é de gorduras trans, "o pior tipo de gordura que você pode ingerir", alerta a nutricionista. Essa substância está relacionada a doenças cardíacas e cerebrais, além de câncer. Para completar, esses alimentos são repletos de açúcar, condicionadores de massa artificiais e aditivos alimentares, e contém, em média, 300 calorias cada.
2º lugar: Refrigerante
Michelle conta que, de acordo com uma pesquisa do Dr. Joseph Mercola, "uma lata de refrigerante possui em média 10 colheres de chá de açúcar, 150 calorias, entre 30 e 55 mg de cafeína, além de estar repleta de corantes artificiais e sulfitos". "Somente isso já deveria fazer você repensar seu consumo de refrigerantes", diz a nutricionista.
Além disso, essa bebida é extremamente ácida, sendo necessários 30 copos de água para neutralizar essa acidez, que pode ser muito perigosa para os rins. Para completar, ela informa que os ossos funcionam como uma reserva de minerais, como o cálcio, que são despejados no sangue para ajudar a neutralizar a acidez causada pelo refrigerante, enfraquecendo os ossos e podendo levar a doenças como osteoporose, obesidade, cáries e doenças cardíacas.
1º lugar: Refrigerante Diet
"Refrigerante Diet é a minha escolha para o Pior Alimento de Todos os Tempos", diz Michelle. Segundo a nutricionista, além de possuir todos os problemas dos refrigerantes tradicionais, as versões diet contêm aspartame, que agora é chamado de AminoSweet. De acordo com uma pesquisa de Lynne Melcombe, essa substância está relacionada a uma lista de doenças, como ataques de ansiedade, compulsão alimentar e por açúcar, defeitos de nascimento, cegueira, tumores cerebrais, dor torácica, depressão, tonturas, epilepsia, fadiga, dores de cabeça e enxaquecas, perda auditiva, palpitações cardíacas, hiperatividade, insônia, dor nas articulações, dificuldade de aprendizagem, TPM, cãibras musculares, problemas reprodutivos e até mesmo a morte.
"Os efeitos do aspartame podem ser confundidos com a doença de Alzheimer, síndrome de fadiga crônica, epilepsia, vírus de Epstein-Barr, doença de Huntington, hipotireoidismo, doença de Lou Gehrig, síndrome de Lyme, doença de Ménière, esclerose múltipla, e pós-pólio. É por isso que eu dou ao Refrigerante Diet o prêmio de Pior Alimento de Todos os Tempos", conclui.

Reforma agrária é garantia de segurança alimentar, avalia especialista


 Maria Mello do Página do Sinpaf

   A biodiversidade e a soberania alimentar mundiais estão ameaçadas, em escala crescente, pelo modelo agrícola originado nos EUA que se baseia em elevados índices de produtivismo, na homogeneidade genética e no uso intensivo de recursos naturais
   A leitura é do ex-presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), Gerson Teixeira, que discutiu o movimento sindical e as políticas públicas para a pesquisa e desenvolvimento agropecuário na tarde desta quarta-feira (28), durante o 10º Congresso do SINPAF.
Teixeira iniciou sua exposição a partir da análise do processo deexpansão ocorrido com a revolução na agricultura ao longo dos séculos 19 e 20, fortemente marcado pela concentração geográfica da oferta agrícola e de alimentos.
   No Brasil, essa cartilha – a da chamada “Revolução Verde” - foiseguida à risca: a modernização da agricultura iniciada nas décadas de 60 e 70 dobrou, até meados dos anos 90, a participação do país na produção mundial bruta do setor. O especialista avalia, porém, que a queda do crescimento demográfico nos últimos anos contribuiu para que o Brasil atingisse esse patamar falsamente positivo, já que, mesmo produzindo mais, o protecionismo agrícola internacional mantém o país no posto de mero exportador de commodities em detrimento de produtos agrícolas.

Causa é efeito: agricultura sob ameaça de crise sistêmica
A atual tendência de declínio da rentabilidade da agricultura produtivista, decorrente do aumento dos custos e da queda dos preços agrícolas, pôde ser observada de forma mais contundente a partir de meados dos anos 90 e, segundo Teixeira, tem causas na natureza excedentária do modelo vigente. Já a elevação dos custos é reflexo, para o assessor, da concentração, por parte de quatro empresasamericanas, de 80% do mercado mundial de sementes e de 75% dos produtos químicos.
   Por que não há, então, colapso aparente na “fazenda” brasileira? Deacordo com Teixeira, a garantia de subsídios crescentes, benefícios fiscais, o preço baixo da terra, os passivos ambientais, a permanente repactuação de dívidas e a precarização do trabalho no campo, entre outros fatores, garantem no Brasil a competitividade do agronegócio.

Aumento da demanda por alimentos x estagnação da produtividade
“A impressão que se tem é de que vamos nos deparar com severasrestrições a esse padrão de agricultura. Há riscos contundentes à segurança alimentar num futuro de médio prazo”, avalia Teixeira. Este cenário se agrava com a demanda crescente por alimentos, decorrente principalmente da urbanização na China e Índia. Segundo dados da FAO, em 2050, a demanda de alimentos será 70% maior, e a procura por carnes aumentará em 100% em 25 anos.
   As mudanças climáticas, provocadas e também afetadas pelo modelo produtivista (o uso de agrotóxicos, por exemplo, é responsável por emissões de gases prejudiciais e deve continuar crescendo 2,3% ao ano) também se inserem nas previsões negativas para a agricultura no futuro.
   “Num cenário mais otimista, o IPCC estima em pelo menos 1/3 a queda de produtividade com o aquecimento global”, afirma.

Nova matriz tecnológica é desafio para a pesquisa
Agricultura diversificada, em menor escala, com menos química e eficiente economicamente. Este é o desafio posto para o futuro da agricultura “verdadeiramente inteligente”. Para evitar a falência frente à necessidade premente de expansão agrícola, será preciso incluir outros países no rol da produção e romper com o modelo vigente, diz o assessor. “A agricultura familiar e camponesa tem possibilidade de novo e arrojado protagonismo na economia agrícola mundial. Reforma agrária não é mais necessidade por democracia ou disputa de poder, é imposição para a segurança alimentar do futuro”.
   Teixeira atribui aos trabalhadores das empresas de pesquisa agropecuária papel central no processo de transformação da referência da matriz tecnológica para o campo: “Na Embrapa, não se percebe movimento nessa direção de mudança do padrão dominante de pesquisa. 20% das pesquisas são associadas à Monsanto e a agricultura familiar fica na franja desse processo. Transformar esse cenário é tarefa dos pesquisadores e da sociedade brasileira em geral”, conclui.

Distribuição de alimentos
   Para lançar a Campanha Salarial 2011 da categoria e defender mais investimento público na agricultura familiar agroecológica e o fortalecimento das estatais do setor, cerca de 800 trabalhadores da Embrapa, Codevasf, Pesagro, Emepa, Emparn e distritos de irrigação de todas as regiões do país distribuíram à população, nesta quinta (28/04), em frente ao Ministério da Agricultura, em Brasília, oito toneladas de frutas produzidas sem agrotóxicos, além de sementes de mudas frutíferas típicas do Cerrado. Apresentações musicais de forró e moda de viola animaram o ato ao longo da manhã.
Ao todo, foram distribuídos seis mil sacos de laranja Pokan na atividade, promovida pelo SINPAF dentro da programação do seu 10º Congresso. O evento teve início nesta terça (28) e será encerrado no sábado (31), e debate o plano de lutas do sindicato para os próximos três anos e sua inserção nas instâncias de discussão das políticas públicas para o setor.
   “Nós queremos mostrar que é possível ter outra agricultura no Brasil, agricultura que promova um ambiente saudável, consumo saudável, população saudável, e que o Sindicato dos Trabalhadores da Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário irá cobrar das autoridades brasileiras políticas públicas para que essa agricultura seja efetivada”, afirmou Vicente Almeida, presidente do sindicato.
   Entre os principais temas discutidos pelos cerca de 300 delegados, estão a saúde no trabalho, combate ao uso de agrotóxicos na produção de alimentos e a necessidade de ampliação das discussões sobre a reforma no Código Florestal Brasileiro (Lei 4.771/65).
 ,_.___

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Envelhecer, o Espelho e o Prazer

Melinda entrou no banheiro privativo da sala que ocupava na grande empresa MEZAM e se deparou com o grande espelho sobre a pia, bem de frente à porta. A imagem refletida é de uma sexagenária e ela levou um susto. O rosto, com seu contorno comprometido, tem um queixo quadrado pela flacidez, quase não aparecem rugas ou bolsas sob os olhos que ainda são brilhantes, exprimindo sua inteligência e energia. Seu corpo, magro, com cintura bem marcada, busto insignificante, pernas bem delineadas e lisas, os quadris proporcionais e bunda caída, não mostra uma idade tão definida, assusta menos que o rosto.

Melinda  acabara de sair de uma reunião com seus executivos onde demonstrara, como sempre, uma energia vigorosa, em ritmo difícil de ser acompanhado por todos. Elmo, um engenheiro com a experiência dos seus 51 anos, ficava meio tonto ao tentar acompanhá-la no raciocínio e sobretudo nas decisões. Ela  abria um assunto, dissertava sobre ele, recomendava métodos e atividades a ele relacionados, questionava, franqueava a palavra e passava para o seguinte que tinha o mesmo tratamento. 

O susto foi devido a essa contradição: sua força interior e a imagem do espelho. Melinda se sentia mais jovem, com sua energia, que muitos dos seus colaboradores, alguns nascidos 20 anos após ela. O espelho mostrava o que as pessoas viam e por isso a tratavam como a uma idosa. Ela, na sua própria imagem interior, percebia-se cheia de vida, motivada para grandes batalhas das quais não fugia. Entretanto, alguns acontecimentos a levaram a se aposentar e trocar sua atividade principal. Foi realizar um sonho bem antigo, escrever ficção. Mudou-se para um lugar tranquilo, no campo e passou a curtir, com maior liberdade, coisas quase esquecidas. Seu visual também se transformou. Se antes, era uma executiva, vestindo-se e se comportando como tal, agora, era livre para escolher apenas o que lhe proporcionasse bem-estar. Abolir a tintura dos cabelos foi uma das suas conquistas. Há tempos já usava um corte curto, o que facilitou a transição, o momento mais desconfortável quando a tintura grita pelo retoque. O exercício da liberdade se deu a conhecer em pequenas-grandes decisões, uma delícia!

A cabeça grisalha foi um susto para muita gente e explicitou mais ainda a contradição entre o interior de Melinda e sua imagem externa. Uma das primeiras experiências demonstradoras do preconceito contra as mulheres de cabeças brancas – os homens grisalhos são charmosos e as mulheres, velhas – foi numa loja de Belo Horizonte. Entraram Melinda e sua irmã, Margarida, mais nova apenas três anos. A comerciária se referiu à Melinda como a mãe de Margarida. A gafe foi cometida porque sua autora não se deu ao trabalho de olhar para a mulher de cabeça branca, apenas viu seu prateado. Esse tipo de tratamento é constante em 99,9% dos lugares. Além da contradição já mencionada entre o sentimento de uma mulher inteligente, ativa, cheia de energia e de planos para sua vida e, do outro lado, seu espelho, há a reação do coletivo. A sensação, sentida pela mulher madura diante do tratamento recebido por parte da imensa maioria das pessoas de nossa sociedade, é desconforto, tristeza. Chega à mulher – ao homem também, mas com atenuantes - como se sua vida estivesse com o prazo vencido. É encarada como “já era”. Este fato corrobora muitíssimo para intensificar a contradição interna, já só por si difícil, tétrica.

Ainda há um terceiro fator. Na medida em que os anos passam, o corpo, mesmo aquele, cuja energia podia ser considerada forte – como é o caso de nossa Melinda – vai perdendo a força, a deterioração vai aparecendo em múltiplas formas. O interior - a cabeça com seus pensamentos e criatividade, os sentimentos com sua capacidade de se apaixonar - não acompanha. Seu ritmo é outro. Esse descompasso é dolorido e aí está o perigo de uma depressão e suas graves consequências. A atividade prazerosa – toda pessoa tem pelo menos uma - é a salvação, disto não há dúvidas.

Existem aí, pelo menos, dois perigos: um se refere à incapacidade de a própria pessoa batalhar para exercê-la ou por ignorância, desmotivação ou outro motivo qualquer  e o outro, de os familiares e amigos, até por cuidados, impedir direta ou indiretamente. No primeiro, pode estar, por exemplo, a necessidade de substituir uma atividade prazerosa, porém, já inviável, por outra, às vezes, ainda desconhecida. Então, será necessário força de vontade, motivação e até uma certa dose de aventura – experimentar o novo -, mas o que importa é achar o prazer.
  


CNPq faz 60 anos pensando em crescimento ao formar cientistas

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) comemora nesta quarta (27) 60 anos de fundação, tendo como perspectiva a necessidade de atender à demanda de crescimento econômico ao apoiar e fomentar a formação de cientistas, técnicos e, especialmente, engenheiros.

“Não há como o país avançar para a quinta posição entre as economias do planeta se não provermos educação básica de qualidade e, em particular, em matemática e ciências”, avaliou o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, que é professor do Instituto de Física de São Carlos (SP).
O Brasil ocupa hoje a oitava posição em valor nominal do Produto Interno Bruto (PIB), segundo classificação do Fundo Monetário Internacional (FMI), e tem, de acordo com o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), um déficit anual de formação de 20 mil novos engenheiros.

O temor do apagão de mão de obra qualificada levou o CNPq a elaborar um programa para dobrar a formação de engenheiros em cinco anos. Segundo Oliva, a proposta está sendo formatada e visa a garantir a permanência dos alunos nos cursos de engenharia e evitar a evasão. Além do Confea, participam da elaboração do programa a Associação Brasileira de Engenharia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Além de mais engenheiros, o desenvolvimento econômico vai exigir mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O Plano de Ação Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional prevê que o investimento salte do atual índice de 1,13% do PIB para 1,9%, até 2014. Nos Estados Unidos, o gasto com P&D é cerca de 2,7% do PIB e na China, 1,5% do PIB. O Brasil é o 12º no ranking de produção científica e produz cerca de 3% do conhecimento científico no mundo, sendo que um quarto dessa produção é na área de saúde.
O aumento do investimento em P&D vai depender do setor público e mais ainda da iniciativa privada, conforme analisa o presidente do CNPq. O plano de ação estabelece que as empresas invistam 1% do PIB (mais do que o dobro do percentual atual, 0,48%) e o Estado passe dos atuais 0,65% para 0,9% do PIB.

De acordo com Oliva, a expectativa é que o Plano de Ação C,T & I tenha suas metas atingidas também por empresas de setores em que o Brasil é competitivo (como o aeroespacial, o de produção de energia, o agronegócio e a mineração), com a instalação de unidades de P&D de grandes companhias estrangeiras (como as americanas GE, IBM e a chinesa Foxconn) e de empresas da cadeia produtiva da exploração de petróleo na camada pré-sal.
No setor público, o desafio é driblar os efeitos do contingenciamento do Orçamento da União de 2011, que atingiu o Ministério de Ciência e Tecnologia e as agências vinculadas, entre elas o CNPq. Cerca de 25% dos recursos de investimento do CNPq estão bloqueados. O ministério não informou o valor absoluto.
Segundo Oliva, o corte não afetou o pagamento de pesquisas em andamento e nem os programas de bolsa regulares. Nesses programas, há mais de 14 mil pesquisadores de produtividade em pesquisa financiados, cerca de 20 mil bolsistas de mestrado e doutorado e 7 mil bolsistas apoiados nas diferentes modalidades de fomento tecnológico.
O corte pesou sobre os editais temáticos adicionais dos 17 fundos setoriais, como, por exemplo, a qualificação e formação de pessoas para a área de tecnologia da informação e produção de energia alternativa renovável. “O mais importante, nesse momento, é que a gente cumpra os compromissos assumidos em anos anteriores”, disse o presidente do CNPq.
O CNPq foi instalado no dia 17 de abril, mas a cerimônia de comemoração dos 60 anos ocorrerá amanhã (27), em Brasília, no Teatro Nacional Cláudio Santoro. Na ocasião, serão entregues o título de pesquisador emérito e a menção especial de agradecimento a cientistas que contribuíram para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Os funcionários com mais de 25 anos de casa serão homenageados. A 25 ª edição do Prêmio Jovem Cientista será lançada na cerimônia.

Fonte: Agência Brasil

Nossa homenagem ao mestre


Nelson Werneck Sodré: os cem anos do historiador marxista
Sua obra e ação intelectual tiveram enorme influência no debate sobre os rumos do Brasil, principalmente nas décadas de 1950 e 1960. Seu centenário é também a festa dos marxistas brasileiros.
José Carlos Ruy
Um dos maiores entre os intelectuais e historiadores marxistas brasileiros completaria cem anos de idade hoje, 27 de abril: Nelson Werneck Sodré, que foi militar (passou para a reserva do Exército em 1961 como general de brigada), mas se tornou notável como escritor, pesquisador e professor.Nelson Werneck Sodré é um desses autores com os quais não é necessário concordar com suas teses para reconhecer sua importância: ela se impõe pelo volume da obra (registrada em nada menos que 58 livros), na enorme abrangência de seus interesses, na inovação com que tratou os temas e na descoberta de novas fontes documentais para a historiografia, novos enfoques para sua compreensão e de uma forma inovadora de compreender o passado.
São livros de enorme interesse científico. Mas eles estiveram, substancialmente, ligados a outra linha de interesses: a busca de uma intervenção concreta na luta para resolver os problemas brasileiros e influir nas forças sociais empenhadas nessa tarefa
Foi a partir destas exigências que Nelson Werneck Sodré examinou o passado brasileiro, seja como professor de história militar na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (da qual foi desligado em 1951 devido às suas posições políticas alinhadas com o Partido Comunista do Brasil), seja como dirigente do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), um órgão de estudos avançados subordinado ao Ministério da Educação e Cultura, seja como intelectual marxista que teve grande influência no debate programático do PCB nas décadas de 1950 e 1960.
Foi um dos formuladores do nacional-desenvolvimentismo que, naqueles anos, teve influência decisiva na política comunista e que recomendava a aliança dos trabalhadores com o setor que, então, era conhecido como “burguesia nacional”, em busca do desenvolvimento brasileiro. O golpe militar de 1964 desfez as ilusões no sucesso de uma aliança desse tipo, principalmente porque a enorme maioria daquela “burguesia nacional” aderiu ao novo regime.
Se esta é uma limitação política de suas formulações, ela ficou no passado e deve ser lembrada como parte dos percalços de um intelectual que não fugiu às tarefas de seu tempo. Mais permanente e valiosa foi sua participação no debate sobre a formação histórica da sociedade brasileira e a natureza da revolução em nosso país.
A partir das indicações marxistas mais avançadas da época, ele procurou adaptar o esquema de cinco modos de produção sucessivos (então hegemônico entre os marxistas) para o estudo de nosso passado: o comunismo primitivo, o escravismo, o feudalismo, o capitalismo e, depois, o socialismo. Hoje, mais de meio século depois, e em virtude dos ganhos historiográficos (o avanço na pesquisa do passado brasileiro) e teóricos (a superação daquele esquema de cinco estágios), é fácil apontar limitações em suas formulações.
São as desventuras da ciência. Entretanto, é preciso advertir que aquelas formulações contribuíram para o avanço no conhecimento do passado colonial e que, ao vislumbrar – a partir da compreensão marxista então mais aceita – que são as relações de produção que prevalecem na definição de um modo de produção, e não as relações de distribuição, que foram a ênfase da outra corrente da historiografia marxista brasileiro filiada às ideias de Caio Prado Junior.
Ao enfatizar as relações de produção, Nelson Werneck Sodré identificou um passado feudal em nosso país, identificou a importância da escravidão na organização do trabalho e da produção e abriu, assim, as perspectivas mais corretas, do ponto de vista marxista, de análise da sociedade brasileira.
A extensão da obra de Nelson Werneck Sodré decorre também dessa inquietação. Ele investigou as formas de pensar, a literatura, o jornalismo; estudou as classes sociais e a formação do povo. Seu primeiro escrito publicado foi um conto, na revista O Cruzeiro, em 1929. Nunca mais parou, e escreveu até deixar de viver, em 1998 – foram quase setenta anos de atividade literária e científica para entender o Brasil em profundidade. Comunista e patriota, lutou pelo progresso social e pela soberania nacional mesmo nas condições mais adversas, como a ditadura militar de 1964 ou o período de hegemonia neoliberal na década de 1990. Aliás, o objetivo de seu último livro, A Farsa do Neoliberalismo, de 1995, está expresso no próprio título: a desmontagem teórica desse sistema que, naquele ano, passava a controlar a presidência da República com a posse de Fernando Henrique Cardoso.
Foi um gigante cuja obra só pode ser criticada porque, pelo mero fato de existir, foi fator de impulso ao conhecimento histórico. Ajudou os brasileiros a conhecerem melhor a si próprios e a seu país. No seu centenário, a festa é também de todos os marxistas brasileiros.

Algumas obras de Nelson Werneck Sodré
História da Literatura Brasileira. Seus Fundamentos Econômicos (1938), Panorama do Segundo Império (1939),Oeste. Ensaio sobre a Grande Propriedade Pastoril 1941), Orientação do Pensamento Brasileiro (1942),Síntese do Desenvolvimento Literário no Brasil (1943),Formação da Sociedade Brasileira (1944),O Que se Deve Ler para Conhecer o Brasil (1945),Nabuco e o Pan-americanismo (1949),Martírio e Glória do Alferes Tiradentes (1952),O Tratado de Methuen (1957),As Classes Sociais no Brasil (1957),Introdução à Revolução Brasileira (1958),Narrativas Militares (1959),Raízes Históricas do Nacionalismo Brasileiro (1959),Revisão de Euclides da Cunha (1959),
A Ideologia do Colonialismo (1961),Formação Histórica do Brasil (1962),Quem é o Povo no Brasil? (1962),Quem Matou Kennedy (1963),História da Burguesia Brasileira (1964),História Nova do Brasil (1964), em coautoria;História Militar do Brasil (1965),
O Naturalismo no Brasil (1965),Ofício de Escritor (1965),As Razões da independência (1965),História da Imprensa no Brasil (1966),Memórias de um Soldado (1967),Fundamentos da Estética Marxista (1968), organizador,Fundamentos da Economia Marxista (1968), organizador,Fundamentos do Materialismo Histórico (1968), organizador,Fundamentos do Materialismo Dialético (1968), organizador,
Síntese de História da Cultura Brasileira (1970),Memórias de um Escritor (1970),
Brasil. Radiografia de um Modelo (1974),Introdução à Geografia (1976),A Verdade sobre o ISEB (1978),Oscar Niemeyer (1978),A Coluna Prestes (1978),Vida e Morte da Ditadura (1984),Contribuição à História do PCB (1985),História e Materialismo Histórico no Brasil (1985),O Tenentismo (1985),História da História Nova (1986),
A Intentona Comunista de 35 (1987),O Governo Militar Secreto (1987),Literatura e História no Brasil Contemporâneo (1987),Em Defesa da Cultura (1988),Educação Social e Económica do Brasil (1988),A Marcha para o Nazismo (1989),A República. Uma Visão Histórica (1990),Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil (1990),
A Luta pela Cultura (1990),O Fascismo Cotidiano (1990),A Ofensiva Reacionária (1992),História Nova do Brasil (1993),A Fúria de Calibã (1994),A Farsa do Neoliberalismo (1995).
 Fonte: Vermelho

domingo, 1 de maio de 2011

Mais uma vez o interesse econômico


Documentos revelam ligações entre petrolíferas e guerra no Iraque
As mentiras de Tony Blair se rivalizam com as de George Bush. Documentos do governo revelam que foram discutidos planos de exploração das reservas de petróleo do Iraque entre ministros do governo britânico e as maiores companhias petrolíferas mundiais no ano anterior ao da invasão do Iraque, em que a Grã-Bretanha desempenhou papel de destaque. 
Paul Bignell

    Os documentos, revelados pela primeira vez, levantam novas questões sobre o envolvimento da Grã-Bretanha na guerra, as quais dividiram o governo de Tony Blair e que apenas foi votado após as alegações de que Saddam Hussein tinha armas de destruição massiva.
Minutas de uma série de encontros entre ministros e executivos de petrolíferas contradizem a negação de interesse das companhias petrolíferas e de governos ocidentais da altura.
    Os documentos não foram apresentados como prova no inquérito Chilcot em curso sobre o envolvimento do Reino Unido na guerra do Iraque. Em março de 2003, pouco antes de a Grã-Bretanha entrar em guerra, a Shell denunciou as informações sobre conversações na Downing Street relativamente ao petróleo do Iraque como “altamente inexactas”. A BP negou que tivesse qualquer “interesse estratégico” no Iraque, enquanto Tony Blair se referiu à “teoria da conspiração do petróleo” como “completamente absurda”. Porém, documentos de outubro e novembro do ano anterior traçam um quadro bem diferente.
Cinco meses antes da invasão do Iraque em 2003, a baronesa Symons, então ministra do Comércio, disse à BP que o governo pensava que deveria ser concedida às empresas de energia britânicas uma parte das enormes reservas de petróleo e gás, como recompensa pelo empenho militar de Tony Blair nos planos americanos pela alteração do regime.  
    Os documentos mostram que Lady Symons concordou em fazer lobby junto do governo Bush a favor da BP, visto que a petrolífera temia ser “eliminada” dos acordos que Washington calmamente estabelecia entre os governos americano, francês e russo e as respectivas empresas de energia.
As minutas de um encontro com a BP, a Shell e a BG (anteriormente British Gas) a 31 de Outubro de 2002 referem: “A baronesa Symons concordou que seria difícil justificar que as companhias britânicas no Iraque perdessem dessa forma, quando o Reino Unido tinha sido ele próprio um claro apoiador do governo dos EUA ao longo da crise.”
    O ministro prometeu então “dar conta às companhias, antes do Natal” relativamente aos esforços empreendidos.
    O Foreign Office convidou a BP a 6 de novembro de 2002 para falar sobre as oportunidades no Iraque “após a mudança do regime”. As minutas referem: “O Iraque é o grande futuro no petróleo. A BP está desesperada para entrar e ansiosa que os acordos políticos possam recusar-lhe essa oportunidade.”
Depois de outro encontro, em Outubro de 2002, o diretor do departamento do Médio Oriente no Foreign Office, Edward Chaplin, referiu: “A Shell e a BP não podiam tolerar não tomarem parte ativa no Iraque tendo em vista seu futuro a longo prazo… Estamos determinados a obter uma fatia aceitável da ação para as companhias do Reino Unido em um Iraque pós-Saddam.” Enquanto a BP insistia em público que “não tinha interesse estratégico” no Iraque, dizia ao Foreign Office que o Iraque era “mais importante do que tudo o que temos visto desde há muito”.
    A BP estava preocupada com possibilidade de Washington permitir que o contato já existente entre a TotalFinaElf e Saddam Hussein se mantivesse após a invasão, o que faria do conglomerado francês a maior companhia petrolífera do mundo. A BP disse ao governo que pretendia assumir “riscos elevados” a fim de obter uma parte das reservas do Iraque, as segundas maiores do mundo.
    Mais de mil documentos foram obtidos em cinco anos pelo especialista em petróleo Greg Muttitt. Eles revelam que houve nos fins de 2002 pelo menos cinco reuniões entre civis, ministros e a BP e a Shell.
    Os contratos há 20 anos assinados na sequência da invasão foram os maiores na história da indústria do petróleo. Cobriram metade das reservas do Iraque – 60 mil milhões de barris de petróleo, comprados por companhias como a BP e a CNPC (China National Petroleum Company).
    Na semana passada, o Iraque elevou a produção de petróleo ao nível mais elevado da última década, 2,7 milhões de barris por dia, valor especialmente importante neste momento dada a volatilidade da região e a queda da produção líbia. Muitos dos opositores da guerra suspeitaram que uma das principais ambições de Washington na invasão do Iraque foi garantir uma fonte de petróleo barata e abundante.
   Muttitt, cujo livro “Fuel on Fire” é publicado na próxima semana, disse: “Antes da guerra, o governo insistiu longamente que não tinha qualquer interesse no petróleo do Iraque. Estes documentos fornecem a prova de que essa pretensão é mentira”.
    "Vemos que o petróleo constituía de fato uma das mais importantes considerações estratégicas do governo e que houve acordo secreto com companhias petrolíferas para lhes dar acesso a esse prêmio enorme.”
    Lady Simons, de 59 anos, ocupou posteriormente o posto de consultora num banco comercial britânico que lucrou com os contratos de reconstrução do Iraque pós-guerra. No mês passado, ligou-se como consultora não-remunerada ao National Economic Development Board da Líbia depois de o Coronel Gaddafi começar a disparar contra os dissidentes. A BP e a Shell recusaram comentar.

Não era pelo petróleo? O que foi dito antes da invasão
* Memorandum do Foreign Office, 13 de novembro de 2002, a seguir à reunião com a BP: “O Iraque é o grande futuro no petróleo. A BP está desesperada para entrar e ansiosa que os acordos políticos não lhe neguem a oportunidade de competir. O potencial a longo prazo é enorme…”

* Tony Blair, 6 de fevereiro de 2003: “Deixem-me falar do assunto do petróleo porque… honestamente, a teoria da conspiração do petróleo é uma das mais absurdas quando a analisamos. O fato é que, se o petróleo do Iraque fosse a nossa preocupação, posso dizer que podíamos provavelmente chegar amanhã a um acordo com Saddam em relação ao petróleo. Não é o petróleo que é a questão, são as armas…”

* BP, 12 de março de 2003: “Não temos qualquer interesse estratégico no Iraque. Se quem quer que chegue ao poder quiser envolvimento ocidental depois da guerra, caso haja guerra, o que sempre dissemos é que deverá ser a um mesmo nível de competitividade. Não forçamos de nenhuma forma o nosso envolvimento.”

* Lord Browne, então diretor executivo da BP, 12 de março de 2003: “Não é, nem na minha opinião, nem na da BP, uma guerra de petróleo. O Iraque é um produtor importante, mas deve decidir o que fazer com o seu património e o seu petróleo.”

* Shell, 12 de março de 2003, afirmou que as informações sobre ter discutido oportunidades para o petróleo com a Downing Street eram “altamente inexatas”, acrescentado: “Nunca procuramos encontros com funcionários do governo britânico sobre a questão do Iraque. O assunto só surgiu durante as conversas nos encontros normais que temos de vez em quando com funcionários… Nunca pedimos ‘contratos’.”

Fonte: ODiário.info - publicado originalmente no Independent.