Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O complexo do beija-mão



     O colunista da Folha Sergio Malbergier sugeriu que a presidenta Dilma estaria substituindo o “complexo de vira-lata” pelo de “poodle”, ao fazer exigências à União Européia na cúpula do G-20. Na verdade, a crítica do jornalista é um perfeito exemplar de outro complexo tipicamente brasileiro, o "do beija-mão", ideologicamente de direita e que assola a vida nacional desde os tempos coloniais.

     Berlim - Muito se tem falado recentemente sobre o “complexo de vira-lata”, metáfora do sentimento brasileiro criada por Nelson Rodrigues, para se referir à política externa brasileira. Hoje, de maneira deselegante, o colunista da Folha Sergio Malbergier sugeriu que a presidenta Dilma Rousseff poderia estar substituindo este complexo pelo de “poodle”, ao fazer exigências à União Européia perante a cúpula do G-20.
     A esquerda acusa a direita de “complexo de vira-lata” por esta querer que o Brasil se diminua perante as potências ocidentais. A direita acusa a esquerda do mesmo, e o governo brasileiro, por achar que ambos defendem um “terceiro-mundismo mofado”. Para mim, a razão nestas acusações fica com a esquerda, não com a direita, pelo fato de que, entre ambos os argumentos, coloca-se um outro complexo, que assola a direita em matéria de política externa, que é o "complexo do beija-mão".
     O complexo do beija-mão é algo que assola a vida brasileira desde os tempos coloniais, e que consiste em pensar que o que se consegue na vida não se deve aos próprios méritos, mas sim ao favor dos poderosos. É um capítulo interessante da ideologia do favor, que tanto governou e nos governa ainda.
     Para esse complexo, é um absurdo o Brasil se mostrar ostensivamente independente das potências ocidentais, a ponto de criticar algumas delas em público, como no caso do G-20, em que a presidenta Dilma vai cobrar medidas mais duradouras e anti-recessivas da bancada européia. É também absurdo o Brasil não se alinhar costumeiramente aos Estados Unidos. Por quê? Porque assim perderemos o beneplácito dos poderosos, e não teremos as vantagens comerciais que poderíamos ter. Como se o mundo comercial de hoje fosse regido por esses favores do beija cá dá lá.
     Mas não só isso. Devemos adular também os pequenos emergentes. Para esse complexo, o Brasil errou redondamente ao não se alinhar ao neogoverno da Líbia, porque agora, nas prebendas que serão distribuídas como botim depois do bárbaro linchamento de Gadafi (que deveria ter sido julgado em Haia), não teremos parte alguma. Como se as potências bombardeiras deixassem algum espaço espontâneo para quem beijasse as mãos suas ou de seus apaniguados. A diplomacia brasileira – e nisso acerta – aposta em outra coisa, na multilateralidade de sua abordagem da cena internacional, tanto do ponto de vista comercial como do político. 
     Porque assim é o mundo contemporâneo: multilateral, não mais bi nem unipolar. É claro que existem considerações de natureza ética na política internacional. Apoiar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre uma “no-fly zone” na Líbia que vai servir na verdade para bombardear um dos lados da questão em detrimento de outro, inclusive para matar o líder desse lado em questão, não é ético. Além disso, não é pragmático: o Brasil perderia o perfil que vem laboriosamente construindo num mundo multi-lateral que inclui, além do Ocidente em crise monetária, fiscal, econômica e política, os BRICS, o G-20, a América Latina, a África subsaariana, o Oriente Médio, para dizer o mínimo e o máximo.
     Tudo isso remonta a dizer que o mundo íntimo da nossa direita é completamente anacrônico. Ele não consegue visualizar a estatura que o Brasil atingiu na cena internacional. Também não consegue visualizar a própria cena internacional, que é bem mais complexa do que um jogo de mocinho e bandido ou de gato e rato.
      Uma última observação. Toda a ironia tem dois gumes, a gente sabe. É bom lembrar que na época em que Nelson Rodrigues criou a metáfora do “complexo de vira-lata” o modelo ideal de cachorro era o pastor alemão, de triste memória (o modelo ideal, não o cachorro que, deixado a seu instinto, é de índole boa e pacífica). 
Fotos: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República 
Nossa Fonte: Carta Maior

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Para nossa reflexão

Fidel Castro: A Reunião do G20


Nesta quinta-feira (3) começa a reunião do G20, quer dizer, a dos países mais desenvolvidos e ricos do planeta: Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Grã Bretanha, França, Itália, e a União Europeia como entidade a parte com direito a participar.

Fidel Castro Ruz, (Cuba Debate)


     Esses são os baluartes fundamentais da Otan, mais seus aliados Japão, Coreia do Sul, Austrália e Turquia em seu duplo aspecto de país em desenvolvimento e membro da Otan, assim como Arábia Saudita – um gigantesco depósito de petróleo nas mãos das transnacionais do Ocidente, que extraem dali 9,4 milhões de barris diários, cujo valor ao preço atual chega a US$ 1 bilhão por dia – em um lado da mesa, e, no outro, um grupo de países com crescente peso econômico e político, que de fato se convertem, pelo número de seus habitantes e seus recursos naturais, em uma expressão dos interesses da maioria de nosso sofrido e saqueado mundo: a República Popular da China, a Federação Russa, Índia, Indonésia, África do Sul, Brasil, Argentina e México.
    Espanha, também aliada da Otan, é apenas “país convidado”.
     Trata-se de uma reunião entre os grandes produtores de maquinários e artigos industriais e os grandes administradores de matérias-primas, que ao longo de meio milênio depois da conquista, foram colônias europeias e no último século os abasteceram de produtos agrícolas, minerais e recursos energéticos, vítimas de um desumano intercâmbio desigual.
     Colonização e barbárie      Este obscuro período da história vem ocorrendo desde que os descendentes das tribos bárbaras que povoaram a Europa, “descobriram” e conquistaram este hemisfério armados com espadas, catapultas e arcabuzes.
     “Os descobridores”, que foram objeto de apologia pelo chamado mundo ocidental – como se no continente não vivesse uma parte da humanidade há 40 mil anos –, alimentavam o propósito de buscar uma rota mais curta para o comércio com a China.
     Na China, que possuía antecedentes por meio dos comerciantes de seda e outros valiosos produtos desejados pela aristocracia e a nascente burguesia europeia, encontraram uma fabulosa civilização detentora de uma linguagem escrita, arte refinada, agricultura, metais, pólvora e avançados princípios de organização política e militar, incluídos exércitos com dezenas ou talvez centenas de milhares de soldados de cavalaria.
      Eles estavam a ponto de naufragar quando, nas proximidades de Cuba, encontraram terra. Pouco depois [Cristóvão] Colombo tomou posse de nossa ilha em nome do rei da Espanha. Poderia ter feito isso se realmente chegasse à China, como era seu propósito? Seu erro custou a este hemisfério dezenas de milhares de vidas, que se perderam como consequência da repartição da América, em virtude de uma bula papal entre dois reinos da península Ibérica, nos constantes conflitos de sua nobreza medieval.
      A conquista e a busca de ouro e prata custaram, como afirmava o genial pintor indígena Oswaldo Guayasamín, 70 milhões de vidas aos que habitavam o hemisfério, berço de importantes civilizações.
     A África negra também pode falar do que significou aquela conquista para milhões de seus filhos, arrancados e vendidos como escravos neste hemisfério.
     Uma minoria no controle     A oligarquia multimilionária, cujos chefes de Estado ou governo se reunirão em Cannes com os representantes de quase 6 bilhões de habitantes, que aspiram a uma existência digna para seus povos, deveria meditar sobre estas realidades.
     Aqueles países pretendem monopolizar as tecnologias e os mercados por meio das patentes, dos bancos, dos meios mais modernos e caros de transporte, o domínio cibernético dos processos produtivos complexos, o controle das comunicações e dos meios massivos de informação para enganar o mundo.
     Agora que os habitantes do planeta somam 7 bilhões, os Estados que representam apenas uma de cada sete pessoas, as quais, a julgar pelos protestos massivos na Europa e nos Estados Unidos, não estão muito felizes, colocam em risco a sobrevivência de nossa espécie.
     Poderia alguém esquecer que os Estados Unidos foram o país que impediu o Acordo de Kyoto quando se dispunha de um pouco mais de tempo para impedir uma catástrofe com a mudança climática que está sendo produzida a olhos vistos?
    Cúpula Ibero-americana    Nos dias 28 e 29 do mês de outubro último, ocorreu outra reunião de chefes de Estado e governo que integram a Comunidade de Países Ibero-americanos. Entre as calamidades que tiveram que suportar os povos de fala espanhola e portuguesa, está o fato de ser a região do mundo com mais desigualdade na distribuição das riquezas.
     O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, viajou da reunião da ONU em Nova York onde falou sobre o bloqueio imposto a Cuba pelos EUA, para a capital do Paraguai, onde a reunião Ibero-americana ocorreu. Ali foram ditas coisas de grande interesse com relação à crise que sacode a Comunidade Europeia.
     O novo primeiro-ministro de Portugal externou sua amargura com a União Europeia, quando afirmou que esta ficou exaurida e sem fundos com o resgate de magnitude recorde destinado à Grécia. Poderia enfrentar uma crise em Portugal, mas cairia em bancarrota, impossibilitada de socorrer a Itália, a sétima economia mundial, o que arrastaria a França, em cujos bancos se acumula a maior parte da dívida italiana.
     Os líderes ibéricos duvidam que o compromisso assumido com a Grécia seja cumprido e do não cumprimento, preveem uma crise mais prolongada que a de 1929.
     Governança mundial     Na manhã da quarta-feira (2) os veículos informavam as duras consequências das chuvas nunca vistas na Tailândia, o maior exportador de arroz, cujas vendas se reduziram de 25 milhões de toneladas a 19.
     No entanto, notícias de que a China aumentou para quase 5 milhões de toneladas a produção de cobre metálico, surtiu efeitos consideráveis.
     Por outro lado, enquanto os Estados Unidos conservam intacto o poder de veto no Fundo Monetário Internacional, à China é negado nesse organismo o simples direito de aprovar o yuan como moeda conversível. Quanto tempo durará essa tirania?
      É através desse cristal que devemos analisar cada palavra que se pronuncie na cúpula do G-20.

Tradução: da Redação do Vermelho, Vanessa Silva


Artesanato do Brasil e do mundo encanta brasilienses


Os brasilienses aproveitaram a folga do feriado de Finados para visitar o 4º Salão Internacional do Artesanato, que começou nesta quarta (2) e vai até o próximo domingo (6). Em 80 estandes, o público encontra peças de artesãos de 20 estados e do Distrito Federal e de 17 países.



Nas primeiras três horas de início da feira, havia pouco movimento e as barracas mais procuradas eram a da Índia, com vários tapetes típicos, e a da Rússia, com lenços e inúmeros exemplares de Matrioshka, a tradicional boneca russa. Há estandes também com produtos da Turquia, Indonésia e do Senegal.

Nos cinco dias, os organizadores esperam faturamento de R$ 10 milhões em vendas tanto para pessoas físicas como para grandes lojas de decoração do país. São esperados 100 mil visitantes ao salão. A programação do evento inclui apresentações de grupos musicais e realização de oficinas, como gastronomia.

A feira está montada no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, no centro de Brasília. Das 11 horas às 16 horas, a entrada é de graça. Depois desse horário, será cobrada entrada de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada).

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Defesa de inclusão e de combate à pobreza marca Brasil na Rio+20


      No último dia do prazo, governo envia à ONU propostas para a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável que sediará em junho de 2012. Posições de todos os países serão negociadas a partir de janeiro, para elaboração de proposta de declaração política final da Rio+20. Conferência tentará influenciar futuro, mas sem obrigar signatários a seguir orientações.


André Barrocal
 BRASÍLIA – A comunidade internacional deu o primeiro passo para fechar a declaração política que sairá daqui a sete meses da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece em junho de 2012, no Rio de Janeiro. Nesta terça feira (01), vence o prazo para que os países mandem suas propostas iniciais à Organização das Nações Unidas (ONU). 
As posições domésticas serão diluídas ao longo de quatro reuniões da ONU preparatórias da Rio+20, programadas para janeiro, fevereiro, março e maio. Nelas, os negociadores vão perseguir o máximo de consenso possível para incluir na proposta de declaração que os líderes mundiais vão discutir, modificar, chancelar – ou, possibilidade improvável, rejeitar.

O documento brasileiro, já enviado à ONU, está marcado por duas certezas do governo. Primeira: desenvolvimento sustentável exige erradicação da pobreza e inclusão social - ou seja, melhorar as condições de vida das pessoas ajuda a preservar o planeta. Segunda: o debate energético é estratégico – desenvolvimento requer energia, e como gerá-la precisar ser uma preocupação central.

“Vamos discutir modelo de desenvolvimento, não é uma conferência sobre meio ambiente ou crise econômica”, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Entre as propostas brasileiras, está a criação de uma espécie de 'bolsa verde global', pela qual os países garantiriam, aos miseráveis, renda mínima, segurança alimentar, moradia digna e acesso à água. Também defende-se usar compras públicas e crédito bancário para induzir práticas mais amigáveis ao meio ambiente por parte das empresas.
 

O Brasil propõe ainda uma abertura maior, dos órgãos mundiais multilaterais, ao setor privado, como movimentos sociais, entidades sem fins lucrativos e empresários. Limitar as discussões ao mundo oficial deixaria de lado agentes que muitas vezes são responsáveis por implementar certas decisões políticas.
 

O governo está pleiteando, junto à ONU, que, entre a última reunião preparatória da Rio+20 (30 de maio) e o primeiro dia da Conferência (4 de junho), haja uma mesa redonda com o setor privado, para que a proposta de declaração passe por eles, antes de chegar aos líderes. “Essa é uma proposta inovadora que dá uma nova dinâmica ao multilateralismo”, afirmou Izabella Teixeira.

Qualquer que seja o resultado final da Rio+20, nenhum país estará obrigado a segui-lo. A conferência terá caratér político, de definir objetivos e diretrizes. “O que não quer dizer que não haverá consequências práticas. Ao contrário. Ao focar na ação, e não na legislação, há oportunidade de êxitos maiores”, disse o subsecretário geral de Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, principal diplomata brasileiro a negociar a Rio+20.

As posições políticas definidas na Conferência poderão ser usadas, por exemplo, para pressionar fóruns internacionais formais a adotar medidas naquela direção. Ou para influenciar decisões de instituições como o Banco Mundial. Ou, mesmo, para que os governos tenham um instrumento para respaldar decisões internas.

Apesar de ter intersecção com questões ambientais, o governo diz que é bom lembrar que a Rio+20 não deve ser encarada como tábua de salvação para problemas discutidos há muito tempo em outros fóruns, como a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP), cuja edição 17 será realizada entre o fim de novembro e o início de dezembro, na cidade de Durban, na África do Sul.
 

“[Mas]
 A Rio+20 pode gerar entendimentos políticos que levem a passos importantes para resolver o problema do clima”, afirmou Figueiredo.

O ministério das Relações Exteriores já expediu os convites a todos os chefes de Estado ou governo do mundo para que venham participar da Rio+20. As confirmações têm sido feitas de forma reservada e ainda não podem ser reveladas, segundo o embaixador. Dilma Rousseff também tem aproveitado encontros internacionais para, de viva voz, chamar o interlocutor.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, seus congêneres estão fazendo um "grande esforço" para convencer os chefes a vir. Em janeiro, ela irá aos Estados Unidos, reunir-se com a ministra de lá e reforçar o lobby pela presença do presidente Barack Obama, cujo país, pelo peso, sempre tem destaque em conferências globais.


Fonte: Carta Maior

O unilateralismo dos EUA afronta o mundo e ameaça a ONU


   Os palestinos conquistaram uma grande vitória diplomática com o reconhecimento da Palestina como membro pleno da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Mas o fato não agradou os EUA, que reagiram com irritação anunciando a suspensão do repasse de US$ 60 milhões à organização que seria realizado em novembro.

     A conduta arrogante do império, temperada por boa dose de cinismo, revela a forma enviesada e egoísta com que Washington avalia as Organizações das Nações Unidas (ONU) e o conceito muito singular que cultiva acerca do multilateralismo. 

    Crescente isolamento     A admissão da Palestina foi aprovada na segunda (31) pela Conferência Geral da Unesco por 107 votos a favor, 52 abstenções e apenas 14 votos contra. Brasil, China, Índia, França, Espanha, Rússia, Venezuela e África do Sul, entre outros, apoiaram a justa demanda palestina. 
     O resultado, um forte pronunciamento das nações contra a opressão imposta aos palestinos pelos sionistas, é mais um sinal do crescente isolamento dos Estados Unidos e de Israel na comunidade das nações. Em resposta, a maior potência imperialista do mundo afronta abertamente a autoridade da ONU e recorre ao boicote financeiro com o declarado objetivo de sabotar a Unesco.

     Aversão ao multilateralismo

     Tudo isto mostra a aversão do império ao autêntico multilateralismo, que em Washington só é concebido, retoricamente, como um acessório da política estadunidense, ou seja, só vale quando serve aos objetivos obscuros da Casa Branca, como ocorreu recentemente com a resolução do Conselho de Segurança da ONU que abriu caminho à intervenção da Otan na Líbia. Nessas ocasiões, os EUA se servem cinicamente do manto da ONU para encobrir seus crimes e falam de cara limpa em nome da “comunidade das nações”.
     Quando a ONU se opõe aos planos do império, como ocorreu em relação à guerra contra o Iraque em 2003 (justificada por falsos objetivos, como também ocorreu no caso líbio) é declarada “irrelevante” e desprezada. O gesto que se repete agora tem o mesmo caráter imperialista avesso ao autêntico multilateralismo ansiado e reclamado pela maioria das nações.

     Ofensiva sionista
     Estimulado pela arrogância estadunidense, Israel anunciou a intensificação da ocupação de território palestino, com a construção de 2.000 residências em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, além de suspender a transferência de recursos à Autoridade Palestina. Resoluções da ONU não valem para Israel ao menos enquanto o Estado racista continuar sob a proteção do guarda-chuva norte-americano para praticar impunemente atrocidades e oprimindo a nação palestina. 
     O império, por sua vez, não abriu mão do projeto de um “novo Oriente Médio” esboçado por Bush e segue com provocações baratas contra o Irã e a Síria preparando o caminho para novas guerras. A paz no Oriente Médio, ansiada pelos povos da região e de todo o mundo, não parece possível antes da derrota do imperialismo e o estabelecimento de uma nova ordem internacional. 
    Fonte: Vermelho

domingo, 30 de outubro de 2011

Nelson Cavaquinho, o “profeta dos desenganos”


 

O compositor completaria 100 anos no dia 29. Ele, que deixou nosso convívio há 25 anos, permanece com sua obra na vida dos brasileiros com seu canto vívido que registra os anseios e experiências do povo mais humilde.

Por Marcos Aurélio Ruy*

     Nelson Cavaquinho foi o homenageado por sua escola do coração, a Mangueira, no carnaval deste ano pelo centenário de seu nascimento. O enredo “O filho fiel, sempre Mangueira” traduziu na avenida a trajetória de um dos maiores sambistas do país, representante da chamada velha guarda da Mangueira.
      Para muitos ele era o “profeta dos desenganos”, das desilusões amorosas, das angústias da vida, devido aos seus sambas com certa dose de pessimismo, Nelson Antônio da Silva nasceu no dia 29 de outubro de 1911 e ganhou o apelido de Nelson Cavaquinho por tocar esse instrumento nas rodas de choro que frequentava na juventude. O apelido permaneceu mesmo após ele trocar o cavaquinho pelo violão.
       Seu pai era músico da banda da Polícia Militar carioca e ele próprio tornou-se policial fazendo rondas noturnas a cavalo pela cidade. Dessa maneira estabeleceu contato com músicos boêmios como Cartola e Carlos Cachaça entre outros. E adotou a Mangueira como usa escola de samba, aderiu ao ritmo brasileiro, à boemia e evidente largou o trabalho na PM. 
      Arte e vida
      “Totalmente desapegado de bens materiais, vendeu grande parte de sua produção, ou pagou dívidas dando parcerias a desconhecidos”, diz Arley Pereira em “A história da música popular brasileira por seus autores e intérpretes”, relatando uma prática comum dos sambistas da época em vender seus trabalhos ou vender parcerias para terem um dinheiro mais rápido nas mãos, muitos fizeram isso. Essa atitude de Nelson acabou por barrar suas parcerias com o grande Cartola, que não aceitava vender seus trabalhos. Para não haver rompimento entre eles decidiram não trabalhar juntos para manter a amizade. Segundo Arley, “a melhor fase de seu trabalho surge quando se une com Guilherme Brito” e complementa que Nelson “jamais conseguiu (nem pretendeu) ganhar mais que o necessário para sobreviver”.
       Nelson Cavaquinho eternizou canções na memória dos brasileiros como “A flor e o espinho”, “Rugas”, “Folhas Secas”, “Quando eu me chamar saudade”, “Eu e as flores”, Juízo final”, entre as mais de 400 canções que deixou. Sua primeira canção gravada foi “Não faça vontade a ela”, em 1939. Porém, apenas quando foi descoberto por Cyro Monteiro, anos mais tarde, é que Nelson se destacaria no meio artístico. Seu primeiro disco só apareceu em 1970 com o nome “Depoimento de poeta”.
      Suas obras sempre tiveram um toque fortemente religioso, como em “Juízo Final”, onde diz: “O sol há de brilhar mais uma vez/A luz há de chegar aos corações/Do mal será queimada a semente/O amor será eterno novamente”. Como se vê em raro momento poético e otimista desse grande músico-poeta com uma crença num futuro promissor, pois ele diz na música “Quero ter olhos pra ver/A maldade desaparecer”. Usa de uma figura bíblica, o juízo final, e faz uma concatenação positiva de futuro. Já em “A flor e o espinho” canta: “Espinho não machuca a flor / Só errei quando juntei minh’alma a sua/O sol não pode viver perto da lua”. 
      O grande compositor morreu em 18 de fevereiro de 1986, aos 74 anos, de enfisema pulmonar. Foi gravado por Cyro Monteiro, Clara Nunes, Beth Carvalho, Chico Buarque, Cazuza, Maria Bethânia, Elizeth Cardoso, entre muitos outros grandes intérpretes. Nelson Cavaquinho enobrece a cultura brasileira com suas músicas autênticas e delicadas contando a vida do morro e a sua própria através de amores e desamores, através da vida. A obra desse grande artista nacional merece destaque em seu centenário e em toda a vida cultural brasileira.
     Embora não fale explicitamente de política ou questões sociais, sua obra cantou a vida dos morros, da periferia, do pobre, enfim a vida e inquietações dos brasileiros.

Nossa fonte: VERMELHO

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"Um Gato em Paris”: Brincando no telhado


Cloves Geraldo *


Dupla francesa Alain Gagnol/Jean-Loup Felicioli usa desenho animado para projetar problemas da sociedade moderna e lembra comédia maluca dos anos 10 e 20.


        “Um Gato em Paris”, da dupla francesa Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli, mescla aventura, comédia e belas sequências de perseguição, para encantar o espectador empanturrado de violência gratuita e filmes pretensamente inteligentes. E, além disto, é um desenho animado que foge ao padrão animal fala e dança, repetindo mofado antropomorfismo. Em seus 62 minutos, mais voltados para adolescentes e adultos, mergulha-os num clima dos anos 50, quando tudo parecia cor-de-rosa, mas na verdade a Guerra Fria colocava o planeta à beira de um confronto nuclear.
       Seus heróis são o gato Dino e o ladrão de jóias, Nico, que equilibram a rispidez dada pelo vilão Vitor Costa à história. A dupla rouba apartamentos e escapa pelos telhados, numa velocidade vertiginosa, sem as brutalidades dos filmes policiais estadunidenses e imitadores. Enquanto Costa, parecendo ressuscitar de uma dessas produções, exala com seus comparsas sinistra maldade. Os contrapontos a ambos são a garotinha Zoé, na casa de quem vive Dino, e sua mãe Jeanne, delegada de polícia, disposta a se vingar de Costa. Mas o filme é mesmo de Zoé, Dino e Nico.
       São eles que contribuem para a narrativa adquirir o tom de aventura, de humor, amizade e credibilidade. Zoé é a garotinha indefesa, carente, devido à atividade da mãe. Dino é o gato misterioso, cujas escapadas à noite, sempre rendem presentes à amiga. Até lhe trazer o que impulsiona a ação. Então, a dupla Gagnol/Felicioli divide a narrativa em três fios: a da relação Zoé/Dino, a da luta de Costa para roubar a escultura Colosso de Nairóbi e a da perseguição que lhe empreende Jeanne. Às vezes, eles se entrelaçam com o quarto fio, no qual se enovelam Dino, Nico, Zoé e Jeanne, sem perder a simplicidade narrativa.
      O que conta em “Um Gato em Paris” não é apenas a clareza da história, mas a forma como a dupla Gagnol/Felicioli a desenvolve. Usa a linguagem cinematográfica em sua inteireza, mudando ângulos de câmera, pondo o espectador com contato com os personagens, numa liberdade que o gênero lhe permite. Principalmente nas perseguições e fugas pelos telhados de Paris. Há panorâmicas, com profundidade de campo, numa Paris sem torres ou espigões e cálida luz, que situam a grandiosidade do espaço e a pequenez dos personagens.
Método de Nico é 
puro romantismo
       De repente, está-se nas rocambolescas ações de Arséne Lupin, do Cary Grant de “Ladrão de Casaca” ou nas estripulias nada nostálgicas do ítalo-brasileiro Gino Amleto Meneghetti (Pisa/Itália, 1878/São Paulo, 1976). A dupla Gagnol/Felicioli não perde a chance de retornar às comédias malucas, de perseguições infindas por telhados e muros. É como se Nico e Costa se encarnassem em Dino. Puro malabarismo. Tira o filme do falso realismo dos desenhos animados atuais e volta-se para o cinema puramente visual dos anos 10 e 20. Recurso pouco usado hoje.
       Estas sequências dão certo romantismo ao filme, pois o método de Nico e de seu fiel parceiro Dino é de pura habilidade, sem uso da força. Algo que se perdeu, também nesse tipo de filme. Contrapõe-se à crueza das ações e da linguagem pesada de Costa. Este dá a narrativa o tom bélico atual, da ameaça, da violência a qualquer custo. Chega a ser assustador, quando surge como polvo para amedrontar Jeanne, ou quando numa sequência à Tarantino, desanda numa falação sobre sanduíche, que acaba em agressão ao comparsa ao volante. Encarna o triunfo através do medo.
       Entre Costa e Jeanne há, por certo, mais que ajuste de contas. Ele é o perigo que ameaça não só a ela e a filha, mas toda Paris. Porém, como se trata de filme voltado para adolescentes ou mais do que isto, a dupla Gagnol/Felicioli transforma Costa e seus cúmplices em trapalhões. É preciso rir dos pretensos “senhores do crime”, com seus humores funéreos. Quando eles enfrentam Nico, além da comédia maluca, vê-se o cérebro vencendo a violência e a lei se impondo. Otimista, sem dúvida.
      No entanto, a dupla Gagnol/Felicioli não deixa de trabalhar a relação Dino/Zoé, sendo o gato o companheiro a amenizar a solidão da garota, e a relação Zoé/Jeanne, por esta não ter tempo para filha e estar interessada em resolver a pendência entre ela e Costa. Para a menina, Dino é só o gato que lhe traz presentes, a mãe uma mulher atarefada. O papel da mulher atual surge numa afirmação de sua dupla função, a de mãe e a de profissional. E no meio a filha que espera dela tudo, até ser heroína.
     Não se pode deixar de ver nesta caracterização o retrato das relações sociais de hoje, quando a ameaça brota da violência urbana. Mesmo num desenho animado “despretensioso”, isto é verdadeiro. Mostra uma garota órfã, tendo como companhia um gato, parceiro de um ladrão de residências. A visão da dupla Gagnol/Felicioli é de que dá para tratar deste tema num gênero tido como inadequado para isto. E de maneira quase subliminar. É necessário.
 “Um Gato em Paris”. (“Une vie de chat”). Desenho animado/aventura. Bélgica/França/Holanda/Suíça. 2010. 62 minutos. Roteiro: Alain Gagnol. Grafismo: Jean-Loup Felicioli. Diálogos: Jacques-Rémy Gired. Música: Serge Besset. Imagem: Izu Troin.  Direção: Alain Gagnol/ Jean-Loup Felicioli.

* Jornalista e cineasta, dirigiu os documentários "TerraMãe", "O Mestre do Cidadão" e "Paulão, lider popular". Escreveu novelas infantis,  "Os Grilos" e "Também os Galos não Cantam".
* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
Nossa fonte:Vermelho

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DO CAPITAL AO SOCIAL

Frei Betto

     O economista Raul Velloso, especialista em contas  públicas, calcula que, em 2010, através de programas sociais, o governo  federal repassou a 31,8 milhões de brasileiros - a maioria, pobres - R$ 114  bilhões. Ao incluir programas de transferência de renda de menor escala, o  montante chega a R$ 116 bilhões.
     Este valor é mais que o dobro de todo o investimento  feito pelo governo no mesmo ano - R$ 44,6 bilhões, incluindo construção de  estradas e obras de infraestrutura.
     Os R$ 116 bilhões foram destinados à rede de proteção  social, que abarca aposentadoria rural, seguro-desemprego, Bolsa Família,  abono salarial, Renda Mensal Vitalícia (RMV) e Benefício de Prestação  Continuada (BPC). Esses programas abocanharam 3,1% do  PIB.
      A RMV, criada em 1974, era um benefício  previdenciário destinado a maiores de 70 anos ou inválidos, definitivamente  incapacitados para o trabalho, que não exerciam atividades remuneradas, nem  obtinham rendimento superior a 60% do valor do salário mínimo. Também não  poderiam ser mantidos por pessoas de quem dependiam, nem dispunham de outro  meio de prover o próprio sustento.
      Em janeiro de  1996, a RMV foi extinta ao entrar em vigor a concessão do BPC. Hoje, a RMV é  mantida apenas para quem já era beneficiário até 96. Já o BPC é pago a idosos  e portadores de deficiências comprovadamente desprovidos de recursos  mínimos.
     
Há quem opine  que o governo federal “gasta” demais com programas sociais, prejudicando o  investimento. Ora, como afirma Lula, quando o governo canaliza recursos para  empresas e bancos, isso é considerado “investimento”; quando destina aos  pobres, é “gasto”...
     O Brasil, por muitas décadas, foi considerado campeão  mundial de desigualdade social. Hoje, graças à rede de proteção social, o  desenho da pirâmide (ricos na ponta estreita e pobres na ampla base) deu lugar  ao losango (cintura proeminente graças à redução do número de ricos e  miseráveis, e aumento da classe média).
     Segundo o Ipea, entre 2003 e 2009, 28 milhões de  brasileiros deixaram a miséria. Resultado do aumento anual do salário mínimo e  da redução do desemprego, somados ao Bolsa Família, às aposentadorias e ao  BPC.
     A lógica capitalista considera  investimento o que multiplica o lucro da iniciativa privada, e não o que  qualifica o capital humano. Essa lógica gera, em nosso mercado de trabalho, a  disparidade entre oferta de empregos e mão de obra qualificada. Devido à baixa  qualidade de nossa educação, hoje o Brasil importa profissionais para funções  especializadas.
     Se o nosso país resiste à crise financeira que, desde  2008, penaliza o hemisfério Norte, isso se deve ao fato de haver mais dinheiro  em circulação. Aqueceu-se o mercado interno.
     Há queixa de que os nossos aeroportos estão  superlotados, com filas intermináveis. É verdade. Se o queixoso mudasse o  foco, reconheceria que nossa população dispõe, hoje, de mais recursos para  utilizar transporte aéreo, o que até pouco tempo era privilégio da  elite.
     Há, contudo, 16,2 milhões de brasileiros  ainda na miséria. O que representa enorme desafio para o governo Dilma. Minha  esperança é que o programa “Brasil sem miséria” venha resgatar propostas do  Fome Zero abandonadas com o advento do Bolsa Família, como a reforma  agrária.
      Não basta promover distribuição de renda  e facilitar o consumo dos mais pobres. É preciso erradicar as causas da  pobreza, e isso significa mexer nas estruturas arcaicas que ainda perduram em  nosso país, como a fundiária, a política, a tributária, e os sistema de  educação e saúde.

Frei Betto é escritor, autor de “Sinfonia Universal –  a cosmovisão de Teilhard de Chardin” (Vozes), entre outros  livros. http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)


Encontro Mundial de Blogueiros


Encontro mundial debate papel da blogosfera a partir desta quinta

    A partir desta quinta (27), acontece em Foz do Iguaçu (PR) o 1º Encontro Mundial de Blogueiros, que reunirá comunicadores e demais interessados nas mídias alternativas para uma extensa programação de debates, com diversos convidados internacionais. O evento segue até o sábado (29) e vai discutir “O papel da blogosfera na construção da democracia”, a partir da constatação de que as novas mídias absorveram grande parte da audiência da imprensa tradicional. 
     Participarão de debates no encontro personalidades como Ignácio Ramonet, criador do Le Monde Diplomatique e autor do livro “A explosão do jornalismo”; Kristinn Hrafnsson, porta-voz do WikiLeaks; Luis Nassif, jornalista e blogueiro; Jesse Chacón, ex-ministro das Comunicações da Venezuela, Pascual Serrano, fundador de um dos maiores sites de esquerda da Europa, o Rebelión, entre outros.
      Jornalista da Carta Capital, Leandro Fortes, comenta que a blogosfera cumpre um papel reestruturante no consumo de informação. “Por meio dos blogs e redes sociais, tornou-se possível estabelecer um contraponto crítico à hegemonia da grande mídia, seu pensamento único e seus interesses privados”, afirma, complementando: “essas ferramentas virtuais estabeleceram novos parâmetros de mobilização social e uma nova dinâmica de relacionamento entre pessoas e instituições”. Fortes participa do painel que discute as experiências brasileiras, no sábado (29), às 14h.
      Já Maria Inês Nassif, da Carta Maior, dirige o painel de experiências brasileiras e diz que o evento representa, além da troca de experiências, a articulação de canais que se oponham à concentração de informação nas mãos das grandes empresas. “Minha expectativa é que esse encontro promova um salto de qualidade na discussão da democratização da informação via blogosfera e aponte caminhos para romper com a hegemonia dos grandes grupos de comunicação”, diz Nassif.
      Pepe Escobar, jornalista e colunista do Asia Times Online, compõe a mesa que debate as experiências asiáticas e africanas, na sexta-feira (28), às 16h. Para Escobar, os blogueiros levam vantagem em relação aos grandes veículos por poderem postar em menor quantidade, mas com maior capacidade analítica. “Creio que o grande desafio da blogosfera é conquistar credibilidade suficiente para que o público entenda que a melhor informação nem sempre é a que vem da mídia corporativa”, afirma.
     Iroel Sánchez Espinosa, jornalista cubano que escreve no CubaDebate e no blog La pupila insomne, integrará a mesa que discute a situação da América Latina, no sábado (29), às 9h. Para ele, a blogosfera está dando voz aos que são silenciados há muito tempo pela grande imprensa. “Os blogs e as redes sociais vem se articulando junto aos movimentos sociais organizados, e isso tem colocado um desafio para os que desejam a continuidade de uma ordem social que se revela cada vez mais injusta”, afirma.
      O evento é promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e pela Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom), com patrocínio da Itaipu Binacional e da Sanepar. Já colocando em prática a defesa da democratização da comunicação, o encontro será transmitido em tempo real pela internet através do site oficial no endereço www.blogueirosdomundo.com.br/ao-vivo.
      Assim, internautas do mundo todo que não conseguiram estar presentes no encontro poderão acompanhar a programação e interagir com os participantes através do Twitter e do Facebook. No primeiro a forma de manter contato é através da hashtag #blogmundofoz e pelo Facebook basta curtir a página oficial e se manter atualizado.
      Esta integração já é marca registrada do encontro de blogueiros. O 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas que aconteceu em março deste ano mobilizou mais de 30 mil internautas em todo o mundo durante os três dias de transmissão. A hashtag do evento ficou em primeiro lugar no Tranding Topics Brasil do Twitter por dois dias e até o presidente do Peru, Ollanta Humala, enviou uma saudação aos blogueiros através de seu perfil pessoal no Twitter.
      Além disso, os principais palestrantes serão entrevistados em coletiva, as entrevistas serão gravadas e disponibilizadas no canal do Clickfoz no Youtube. O resultado dos dois dias de intenso debate será transformado em uma carta com as resoluções e também em um livro, patrocinado pela Petrobrás.
Programação:
27 de outubro – quinta-feira14 horas - credenciamento
19 horas - abertura oficial do evento com coquetel e iluminação da barragem de Itaipu – Mirante Central da usina
28 de outubro – sexta-feira
9 horas – Debate: “O papel das novas mídias”
- Ignácio Ramonet – criador do Le Monde Diplomatique e autor do livro “A explosão do jornalismo”;
- Kristinn Hrafnsson – porta-voz do WikiLeaks;
- Dênis de Moraes – autor do livro “Mutações do visível: da comunicação de massa à comunicação em rede”;
- Luis Nassif – jornalista e blogueiro;
* Mesa dirigida por Natalia Vianna (Agência Pública) e Tatiane Pires (blogueira do RS)
14 horas – Painel: “Experiências nos EUA e Europa”
- Pascual Serrano – blogueiro e fundador do sítio Rebelión (Espanha);
- Andrés Thomas Conteris - fundador do Democracy Now em Espanhol (EUA);
- Henrique Palma – criador do blog “A perdre La raison” (França) ;
- Jillian York – blogueira, colunista do Huffington Post, Guardian e da TV Al Jazeera (EUA);
* Mesa dirigida por Renata Mielli (Barão de Itararé) e Altino Machado (blogueiro do Acre);
16 horas – Painel: “Experiências na Ásia e África”.
- Ahmed Bahgat – blogueiro e ativista digital na “revolta do mundo árabe” (Egito);
- Atanu Dey – blogueira da Índia e especialista em Tecnologia da Informação (Índia);
- Pepe Escobar – jornalista e colunista do sítio Ásia Times Online (Japão);
- Mar-Jordan Degadjor – blogueiro e diretor da ONG África para o Futuro (Gana);
* Mesa dirigida por Renato Rovai (Altercom) e Sérgio Telles (blogueiro do Rio de Janeiro);
Dia 29 de outubro – sábado:
9 horas – Painel: “Experiências na América Latina”.
- Iroel Sánchez – blogueiro da página La Pupila Insomne e do sítio CubaDebate (Cuba);
- Osvaldo Leon – editor sítio da Agência Latinoamericana de Informação – Alai (Equador);
- Martin Becerra – professor universitário e blogueiro (Argentina);
- Jesse Freeston – blogueiro e ativista dos direitos humanos (Honduras);
* Luis Navarro (Editor do jornal La Jornada – México)
* Martin Granovsky (Editor Especial do jornal Página 12 – Argentina)
* Mesa dirigida por Sérgio Bertoni (blogueiro do Paraná) e Cido Araújo (blogueiro de São Paulo);
14 horas – Painel: “As experiências no Brasil”
- Leandro Fortes – jornalista da revista CartaCapital, blogueiro e da comissão nacional do BlogProg;
- Esmael Moraes – criador do blog do Esmael.
- Conceição Oliveira – criadora do blog Maria Frô e tuiteira.
- Bob Fernandes – editor do sitio Terra Magazine [*];
* Mesa dirigida por Maria Inês Nassif (Carta Maior) e Daniel Bezerra (blogueiro do Ceará);
16 horas – Debate: A luta pela liberdade de expressão e pela democratização da comunicação.
– Paulo Bernardo – ministro das Comunicações do Brasil [*];
- Jesse Chacón – ex-ministro das Comunicações da Venezuela;
- Damian Loreti – integrante da comissão que elaborou a Ley de Medios na Argentina;
- Blanca Josales – ministra das Comunicações do Peru;
* Mesa dirigida por Julieta Palmeira (associação de novas mídias da Bahia) e Tica Moreno (blogueiras feministas);
18 horas – Ato de encerramento.
- Aprovação da Carta de Foz do Iguaçu (propostas e organização).


Da Redação, com Barão de Itararé

Nossa fonte: Vermelho

Em busca de uma praça Tahrir universal contra o capitalismo



     No fundo, esse é o sonho de todos: uma praça Tahrir Universal contra o capitalismo, pela democracia participativa, um retorno aos valores e à moral fundadores. Por isso resistem a tudo: à ironia, à indiferença, ao cinismo, à estupidez, à ignorância, à fome, ao frio outonal de Londres, a estas palavras. São poetas. E como todos os poetas não vivem envoltos em sonhos senão na nudez da realidade. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Londres.

     A crueza brumosa e úmida do outono não os dissuadiu. Apenas terminou a marcha mundial dos indignados de 15 de outubro, os indignados ingleses seguiram ou exemplo de Nova York e Madri. As 150 barracas nas que se instalaram na parte externa da Catedral San Pablo de Londres suscitam olhares de ironia dos elegantes transeuntes que circulam por esta zona da capital inglesa. San Pablo é a ante-sala ao coração da “City”, ao antro das finanças mundiais contra as quais os membros do Occupy London Stock Echange se manifestam. 
      ”Com o passar dos dias fomos nos organizando. Faz frio, muita gente nos olha com ironia mas também há muita solidariedade de outros passeantes”, relata Danielle Allen, uma professora de 25 anos, sem trabalho, que descobre pela primeira vez a ação social em plena rua.”Capitalisme is crisis”, diz uma bandeirola desfraldada na explanada da catedral. O quadro é insólito: cavalheiros famélicos, trajados como lordes caminham entre as barracas do acampamento com ar de atravessar um jardim. Os jovens que montaram as barracas obtiveram uma vitória, por mais passageira que fosse. Com a benção do Reverendo Giles Frases transformaram este centro mundial das finanças em sua moradia sem que, até agora, a polícia os forçasse a partir. Instalaram banheiros móveis, uma “barraca cozinha”, uma “barraca enfermaria”, outra que funciona como um jardim de infância e uma onde se realizam oficinas de todo tipo. 
     Odiados e odiadores se cruzam às vezes com interesse, outras com uma indiferença de seres invisíveis. À hora do almoço, muitos dos empregados da City se detêm para ler as mensagens das bandeirolas e alguns estabelecem diálogos com eles. ”Me parecem simpáticos, porque são combativos, mas não estou de acordo com eles. As finanças produzem riquezas para todos. As bandeirolas são divertidas, mas refletem um mundo imaginário”, diz um dos eminentes habitantes da City. Está vestido segundo a última moda: traje impecável, mas sem gravata. O sonho era ocupar o London Stock Echange, isto é, a bolsa. 
     Spyro Van Leemen, um dos representantes do movimento OLSX, Occupy London Stock Echange, assegura que ninguém os moverá dali: ”nós vamos ficar todo o tempo que faça falta para que o governo entenda e se decida a mudar a ordem das coisas”. O jovem tem, como os outros, uma convicção inquebrantável e um montão de causas que convergem em uma: a reparação das injustiças, começando pelas que provoca o impune sistema financeiro. As conversões entre os ocupantes traduzem suas preocupações, perfeitamente refletidas nas bandeirolas e grafittis: a democracia, a justiça, o excremencial sistema financeiro, a corrupção, as mãos manchadas dos políticos, o desemprego, o preço alucinante dos alugueis, o fim da ocupação dos territórios palestinos. 
     Não são nem marxistas, nem revolucionários, nem comunistas, nem anarquistas, nem de extrema esquerda. ”Somos do partido da solidariedade mundial”, diz Andrew, um rapaz de 25 anos que trabalha três dias por semana em um depósito de Londres e vem ao acampamento nos dias livres. Andrew é membro do outro movimento que organiza a ocupação da esplanada da catedral, Uncut, cuja meta é protestar contra a massa de recortes nos gastos públicos decretada pelo governo do Primeiro Ministro David Cameron. Spyro Van Leemen –27 anos- explica aos demais que o que estão vivendo são os “primeiros passos de uma grande mudança planetária que terminará por democratizar o sistema financeiro”. 
      Sean e John, outros dois jovens que vem dos subúrbios de Londres, contam que não se trata de desencadear uma revolução “e sim de forçar desde a sociedade para que se instaure uma regulamentação financeira constatável”. Sean comenta com ironia: ”os banqueiros e os traders se outorgam bônus e recompensas por milhões e milhões de dólares e deixam a nós a pior parte: políticas de austeridade, recessão, sacrifícios”. Em volta deles o vento agita as bandeirolas com as mensagens já universais:”Salven a la gente, no a los bancos”. O sinos soam e os jovens dançam. 
     O Reverendo Giles Frases fez um pacto com os acampados para que se afastem das escadarias e à policia pediu que não rondassem os arredores da catedral anglicana. O cordão policial se formou um pouco mais longe, no Square Paternoster, por onde se ingressa à bolsa de Londres. O reverendo Frases simpatiza em silêncio com esta juventude que se instalou nas portas de seu reino de forma pacífica e fazendo sacrifícios. Mas com o passar dos dias as coisas se complicaram. As 70 barracas do início se tornaram agora mais de 150. A visita da Catedral é paga, mas a presença dos indignados afugenta os turistas e curiosos. O acampamento é uma atração maior que a própria catedral e as pessoas não entram. A Catedral emitiu um comunicado indicando que “talvez tenha chegado a hora de que as barracas se levantem”. 
     « Isso são as nossas democracias, pura aparência, falsa liberdade », diz com raiva Clem OU’Neil asssinalando o cordão policial que protege os tesouros financeiros da City. As noites são longas. O frio se gruda sem piedade. Dois rapazes de uma barraca vizinha tocam violão e cantam uma balada imperdível de John Martyn: “The early sun of London morning / Burned the darkness with unanswered Light”. As vozes são suaves, novas calorosas na manhã gelada. Os indignados londrinenses têm um inimigo mais poderoso que a polícia ou a bolsa: o frio. Por momentos o vento sopra com uma veemência já invernal. A jornada no acampamento transcorre com muitas atividades. 
     Oficinas de reflexão sobre a economia, a política ou o sistema financeiro, encontros com a imprensa e um montão de trabalhos práticos impostos pela vida em um acampamento urbano. Um dos maiores problemas que têm é a limpeza, depois vem a alimentação e melhorar o inexistente conforto. A questão da limpeza é essencial para evitar que as autoridades encontrem na sujeira um argumento para desalojar-los. O principio é inamovível: ”fazer do acampamento uma base permanente”, explica um dos porta-vozes dos indignados. 
     Estão bem organizados e se repartem nas tarefas segundo uma ordem já pactuada. Conseguir comida para tanta gente é uma façanha diária, mas os indignados não se vendem a qualquer um. Durante uma assembléia decidiram de quem iam aceitar ajuda e de quem não. Por unanimidade excluíram qualquer contribuição que venha do Mc Donalds. Ninguém parece estar em conflito. Os turistas aparecem, tiram fotos, outras pessoas vêm trazer cadeiras, cobertores, comida, alguns banqueiros, os autênticos, se detêm a falar com os rapazes. ”Me dá curiosidade, ver tanto sacrifício e saber, no fundo, que esses meninos não entendem como funciona o mundo e como são indispensáveis os bancos”, explica Peter, um analista financeiro da City que esparrama bom humor com o tom de sua voz. Claro –reconhece --há banqueiros desonestos e isso dos bônus em momentos como estes, não é uma boa idéia, é injusto, mas não por isso queimaremos um sistema que move o mundo e cria riquezas”, explica vai embora olhando seu relógio”. 
      Dan Gregory, um corretor de bolsa, é menos condescendente. ”Esta gente quer que volte o comunismo, estão loucos”, espeta bravo. É inexato. São democratas sem trabalho, excluídos, são os eleitos para alimentar o tributo da corrupção, a impunidade, a irresponsabilidade de um mundo que se destrói a si mesmo. O tempo parece ter-se detido. Isso não é Londres senão um lugar no Universo. Um lugar exposto e incompreendido. Tanta vontade, tanto empenho, tanta solidão. ”In a foreign city once again / You waved weekly in the night”, diz a canção de John Martín. ”Tenho fé assim mesmo”, reconhece Michael, um indignado de olhos que soam despertos. ”Fé de que pouco a pouco o mundo tome consciência e de que, todos juntos, sejamos capazes de pôr em movimento, em cada lugar deste planeta agonizante, uma força tão grande como a que os egípcios colocaram na Praça Tahrir”. 
       No fundo, esse é o sonho de todos: uma praça Tahrir Universal contra o capitalismo, pela democracia participativa, um retorno aos valores e à moral fundadores. Por isso resistem a tudo: à ironia, à indiferença, ao cinismo, à estupidez, à ignorância, à fome, ao frio outonal de Londres, a estas palavras. São poetas. E como todos os poetas não vivem envoltos em sonhos senão na nudez da realidade. Sob a pálida luz da manhã londrinense, nada têm de “indignados”. São, sim, seres que não se resignam a aceitar a voraz desproporção do mundo, que não caem em depressões metafísicas profundas porque não podem comprar o último modelo do iphone ou do ipad. 
Tradução: Liborio Junior
Fotos: Cris Rodrigues 
Nossa fonte: CARTA MAIOR

CONVITE: Seminário debaterá democratização da mídia




Mídia, democracia, regulação, liberdade de imprensa e de expressão: estes serão os temas centrais do seminário promovido pela Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS), Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom) e Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, no dia 3 de novembro, em Porto Alegre. O evento será na Escola Superior da Magistratura (rua Celeste Gobbato, nº 229, bairro Praia de Belas). A programação do encontro é a seguinte:
 8h30min – credenciamento
9h às 12h – Abertura e 1º Painel
Democracia e Liberdade de imprensa
Presidente de mesa: Leoberto Narciso Brancher – Conselheiro de Comunicação da AJURIS
Participantes:
Claudio Baldino Maciel – Desembargador TJRS
Paulo Henrique Amorim – Jornalista do site Conversa Afiada
Pascual Serrano – Jornalista espanhol
Breno Altmann – Jornalista e Diretor da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom)
Juremir Machado – Jornalista do Correio do Povo e Rádio Guaíba e professor da PUCRS
15h às 18h – 2º Painel e Encerramento
Regulação e Liberdade de expressão
Presidente de Mesa: Ronaldo Adi Barão Castro da Silva – Assessor da Presidência da Ajuris
Participantes:
Eugênio Facchini Neto – Desembargador do TJRS e professor da Escola Superior da Magistratura e da PUCRS
Franklin Martins – Jornalista e Ex-ministro da Comunicação Social do Governo Lula
Venício Lima – Jornalista, Sociólogo e Professor da UNB
Luiza Erundina – Deputada Federal PSB (a confirmar)
Elton Primaz – Jornalista, chefe de Redação do jornal O Sul
Bia Barbosa – Jornalista e integrante do Conselho Diretor do Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social
As inscrições podem ser feitas
neste endereço.