Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

PERFIL DO CORRUPTO


Frei Betto


       Manifestações públicas em várias cidades exigem o fim do voto secreto no Congresso; o direito de o CNJ investigar e punir juízes; a vigência da Ficha Limpa nas eleições de 2012; e o combate à corrupção na política.      

Por que há tanta corrupção no Brasil? Temos leis, sistema judiciário, polícias e mídia atenta. Prevalece, entretanto, a impunidade – a mãe dos corruptos. Você conhece um notório corrupto brasileiro? Foi processado e está na cadeia?      

O corrupto não se admite como tal. Esperto, age movido pela ambição de dinheiro. Não é propriamente um ladrão. Antes, trata-se de um requintado chantagista, desses de conversa frouxa, sorriso amável, salamaleques gentis. Anzol sem isca peixe não belisca.  
    
O corrupto não se expõe; extorque. Considera a comissão um direito; a porcentagem, pagamento por serviços; o desvio, forma de apropriar-se do que lhe pertence; o caixa dois, investimento eleitoral. Bobos aqueles que fazem tráfico de influência sem tirar proveito.      

Há vários tipos de corruptos. O corrupto oficial se vale da função pública para extrair vantagens a si, à família e aos amigos. Troca a placa do carro, embarca a mulher com passagem custeada pelo erário, usa cartão de crédito debitável no orçamento do Estado, faz gastos e obriga o contribuinte a pagar. Considera natural o superfaturamento, a ausência de licitação, a concorrência com cartas marcadas.   
   
Sua lógica é corrupta: "Se não aproveito, outro sai no lucro em meu lugar". Seu único temor é ser apanhado em flagrante. Não se envergonha de se olhar no espelho, apenas teme ver o nome estampado nos jornais e a cara na TV.       

O corrupto não tem escrúpulo em dar ou receber caixas de uísque no Natal, presentes caros de fornecedores ou patrocinar férias de juízes. Afrouxam-no com agrados e, assim, ele relaxa a burocracia que retém as verbas públicas.      Há o corrupto privado. Jamais menciona quantias, tão somente insinua. É o rei da metáfora. Nunca é direto. Fala em circunlóquios, seguro de que o interlocutor sabe ler nas entrelinhas.     

O corrupto “franciscano” pratica o toma lá, dá cá. Seu lema: "quem não chora, não mama". Não ostenta riquezas, não viaja ao exterior, faz-se de pobretão para melhor encobrir a maracutaia. É o primeiro a indignar-se quando o assunto é a corrupção.      


O corrupto exibido gasta o que não ganha, constrói mansões, enche o pasto de bois, convencido de que puxa-saquismo é amizade e sorriso cúmplice, cegueira.       

O corrupto cúmplice assiste ao vídeo da deputada embolsando propina escusa e ainda finge não acreditar no que vê. E a absolve para, mais tarde, ser também absolvido.      

O corrupto previdente fica de olho na Copa do Mundo, em 2014, e nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Sabe que os jogos Pan-americanos no Rio, em 2007, orçados em R$ 800 milhões, consumiram R$ 4 bilhões.      

O corrupto não sorri, agrada; não cumprimenta, estende a mão; não elogia, incensa; não possui valores, apenas saldo bancário. De tal modo se corrompe que nem mais percebe que é um corrupto. Julga-se um negocista bem-sucedido.      

Melífluo, o corrupto é cheio de dedos, encosta-se nos honestos para se lhe aproveitar a sombra, trata os subalternos com uma dureza que o faz parecer o mais íntegro dos seres humanos.
Enquanto os corruptos brasileiros não vão para a cadeia, ao menos nós, eleitores, ano que vem podemos impedi-los de serem eleitos para funções públicas.

Frei Betto é escritor ne assessor de movimentos sociais, autor do romance “Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br) 

CONVITE: Documentário "Percepção de risco, a descoberta de um novo olhar"



PROJETO EDUCACINE AMBIENTAL
“PERCEPÇÃO DE RISCO, A DESCOBERTA DE UM NOVO OLHAR”
Dia 21 de NOVEMBRO, às 14h, na UMAPAZ
O período de chuvas está se aproximando e trazendo preocupação para a defesa civil br asileira, por conta das dramáticas catástrofes climáticas que vitimam milhares de pessoas em dezenas de cidades. As inundações e os deslizamentos revelam as contradições entre ao nosso modelo de urbanização e a natureza, e convidam para uma mudança de postura de todos, em todos os setores da assim chamada sociedade de risco.
Pensando nesta temática a UMAPAZ realizou recentemente o seminário “Riscos ambientais urbanos: percepção, mitigação e adaptação”, atividade inserida dentro das diretrizes para ações de combate aos efeitos das mudanças climáticas.
Dando continuidade a estas reflexões, a UMAPAZ convida para assistir e debater o documentário “PERCEPÇÃO DE RISCO, A DESCOBERTA DE UM NOVO OLHAR”, que tem como tema as mudanças climáticas, a vulnerabilidade e a prevenção a desastres climáticos e suas conseqüências. O encontro acontece dia 21 de novem br o das 14h às 17h.
Trata-se de uma produção da Defesa Civil do estado de Santa Catarina em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas so br e Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina. O documentário agrega entrevistas com pesquisadores, jornalistas, mem br os da defesa civil, ambientalistas, antropólogos e cidadãos, proporcionando múltiplas visões so br e os fenômenos climáticos e seu enfrentamento.
É destacada a necessidade de um novo olhar para a formação de uma nova percepção de mundo e para a constituição de uma cidadania ativa, frente ao desafio atual e constante na busca de soluções para os efeitos da mudança climática.
Ficha técnica:
Título: Percepção de risco, a descoberta de um novo olhar.
Gênero: documentário
Duração: 77 minutos
Direção e produção: Sandra Alves e Vera Longo – Companhia Artes Cabeça ao Vento.
Público alvo: interessados em geral.
Faixa etária: livre.
Essa atividade faz parte do projeto EducaCine Ambiental, que acontece mensalmente na UMAPAZ, trazendo filmes e documentários com temáticas socioambientais, visando proporcionar conhecimentos e espaço de debates para o desenvolvimento de uma postura reflexiva e ativa frente aos desafios contemporâneos.
Serviço: Projeto EducaCine Ambiental
Dia e Horário: 21 de novem br o(segunda-feira), das 14h às 17h
Local: UMAPAZ – Av. IV Centenário, 1268 – portão 7A, Parque Ibirapuera. Tel. 5572-1004
Coordenação: Valério Igor Victorino e Nadime Boueri Netto Costa
Não é necessário inscrição. Pede-se chegar com 15 minutos de antecedência

11ºColóquio Internacional de Direito Humano


Ativistas acreditam que o mundo vive tensão entre modelo de desenvolvimento e direitos humanos

modelo
Manifestantes são contra o modelo de desenvolvimento previsto para Belo Monte
A escolha por um modelo desenvolvimentista e a recusa em estruturá-lo sob as bases dos direitos humanos tem tensionado a economia e a sociedade de muitos países. O modelo de planejamento econômico e social cresce às custas do respeito e do direito das pessoas, sugerem ativistas que participaram do 11º Colóquio Internacional de Direito Humanos, na sexta-feira, na capital paulista.
– Se o desenvolvimento vem ao custo de alguns terem vida decente e outros viverem em condições desumanas, isso não é desenvolvimento. Não pelo menos o que valha a pena –destacou David Bilchitz, diretor do Instituto Sul-Africano para Avanço Constitucional, Público, Direitos Humanos e Direito Internacional (Saifac).
Para Tamaryn Nelson, pesquisadora da Anistia Internacional para a América Latina, até mesmo os chamados governos de esquerda optaram por um tipo de política desenvolvimentista que, inevitavelmente, leva a conflitos sociais. Ela cita os projetos extrativistas, incluindo grandes empreendimentos financiados por governos e empresas privadas, como os principais motivos, atualmente, que levam os defensores dos direitos humanos a protestarem.
– A Bolívia passou por isso. O anúncio da construção de uma grande estrada, inclusive financiada pelo Brasil, numa reserva indígena, fez com que os bolivianos protestassem contra o presidente. Evo Morales chegou a dizer que jamais abriria as fronteiras de seu país a empresas privadas. E não foi isso o que se viu – argumentou a representante da Anistia Internacional.
Ela considera que há uma dificuldade muito grande em protestar a favor de uma causa, pois os propósitos contrários, como a lentidão de processos jurídicos e mesmo a marginalização da comunidade envolvida e dos atores sociais, fazem com que a única saída sejam os próprios protestos.
Tamaryn exemplifica com um caso ocorrido na Guatemala, onde uma comunidade entrou com processo contra uma empresa mineradora reivindicando seus direitos. Entretanto, a justiça guatemalteca permitiu que a própria empresa tivesse o papel de um segundo promotor, ou seja, eles mesmos acabam sendo o segundo acusador do processo e, como era de se esperar, a favor de si próprio, fazendo com que a comunidade não tivesse outra forma de agir, senão protestar.
– É preciso documentar o protesto inteiro, Mostrando que não houve diálogo e que os mecanismos não protegem os defensores dos direitos humanos – ressalta a pesquisadora.
Ela afirmou ainda sobre a necessidade de usar os meios de comunicação a favor dos movimentos sociais, pois “eles adoram falar sobre isso (os protestos)”, completa Tamaryn.
Belo Monte
Para Leonardo Sakamoto, jornalista e responsável pela ONG Repórter Brasil, com o crescimento econômico do Brasil, o governo tem mandado os movimentos socais “passearem”, ignorando suas reivindicações. O jornalista ressalta que mesmo com a pressão da sociedade, por meio dos movimentos, o governo optou por não comparecer a uma audiência convocada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), organismo ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), para que fosse explicada a ausência de medidas cautelares que seriam necessárias para que se concedesse a autorização da usina.
Os motivos da decisão da comissão relacionam-se a demandas de comunidades indígenas da região e à falta de consultas públicas com as comunidades afetadas. A comissão questionou o estudo e o relatório de impacto ambiental aprovados provisoriamente pelos órgãos competentes para a obra.
Tamaryn e Sakamoto levantaram a questão de que “muitas outras Belo Monte” poderão ser feitas pelo governo e, possivelmente, a Amazônia virará “um grande canteiro de obras”, segundo os palestrantes. Por outro lado, o governo brasileiro vê nas hidrelétricas a saída para suprir a necessidade de energia do país e também há argumentação de não poder abrir mão do potencial energético a partir de uma matriz que não envolve queima de combustíveis (como termelétricas), nem produz resíduo tóxico (como as nucleares).
Nossa fonte: Correio do Brasil

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quatro Mitos da Nossa Mente

Por Bernardo Staut

    Um dos sistemas conhecidos mais complexos do nosso organismo, a massa de 1,5 quilos entre suas orelhas ainda tem muitos mistérios a serem resolvidos. Veja agora alguns dos mitos sobre nosso cérebro e suas explicações.
     1 - Usamos apenas 10% da nossa capacidade mental
Sempre ouvimos a história de que usamos um décimo da nossa massa cinzenta. Você nunca pensou o que seria possível com os outro 90% ativados?  Mas saiba que você já usa muito mais do que 10%. Estudos comprovam, através de tomografias cerebrais, que mesmo algo simples como cerrar os punhos usa um vasto número de células cerebrais. Do planejamento da ação até a contração de cada músculo dos dedos e da palma da mão existe um longo caminho, percorrido em frações de segundo.
     "Imagens mostram que há pouquíssimas partes do cérebro que não podem ser ativadas", comenta o Prof. Sophie Scott, da College University, em Londres.
     2 - Direita x Esquerda
O cérebro tem seu trabalho dividido em duas partes: o que acontece no hemisfério esquerdo e no direito. "Há muitas diferenças entre os dois lados do cérebro," afirma o Prof. Scott. Mas com certeza elas não são tão grandes como as pessoas costumam dizer.
     Alguns livros, cursos de autoajuda empresarial e supostos especialistas nos fazem pensar que os dois lados são quase duas entidades separadas. O direito seria a fonte da intuição e criatividade e o esquerdo da lógica e racionalidade. Portanto, se você é mais racional usa mais o esquerdo, e se é mais artístico o direito.
     A teoria comum é de que se treinarmos para usar ambos os lados podemos atingir potenciais melhores. Mas Scott afirma que as diferenças individuais não tem relação com os balanços de poder entre os hemisférios.
     "Algumas pessoas tem uma imaginação visual poderosa. Alguns têm uma imaginação auditiva forte. Há muitas diferenças em como recebemos e processamos as informações". Mas simplificar essas diferenças em lados opostos não tem base no que os cientistas sabem sobre o funcionamento do cérebro. "Isso também sugere que você poderia estar usando um lado mais do que o outro, e não é assim que isso funciona", comenta o professor.
      Os dois lados comunicam-se um com outro e trabalham complexamente através de uma cadeia de cabos neurais, conhecida na ciência como "corpo caloso". Ao contrário do mito, os dois lados do nosso cérebro são complementares e conjuntos.
     3 - Lunáticos: lua cheia aumenta comportamentos anormais
Em várias lendas e tradições, a lua cheia é associada com insanidade e acontecimentos inesperados. Até um personagem surgiu nessa época: o lobisomem. Mas no mundo real, quando psicólogos e estudiosos tentaram achar uma conexão com o comportamento e o cérebro humano, eles falharam.
     Eventos como assaltos, prisões, suicídios, problemas psiquiátricos, envenenamento e todo outro tipo de problema não parecem ter relação com nosso satélite. "A maioria dos estudos - e existem vários - não encontraram associações entre a fase lunar e comportamentos estranhos", afirma Eric Chudler, compilador desse tipo de pesquisa.
     A maioria dos que acreditam nessa relação trabalham como policiais ou em hospitais. Mas Chudler sugere que isso acontece por culpa das lendas, que os faz prestar mais atenção em acontecimentos nessa fase lunar.
     4 - Ouvir Mozart faz você mais inteligente
Esqueça "estudar". Basta colocar Mozart no som que você está pronto para uma prova. Mas a coisa não é bem assim.
     O compositor clássico Amadeus Mozart deu fruto a uma das ideias mais divulgadas dos anos 90. Ela ganhou até nome: o efeito Mozart.
     As pessoas acreditavam que tocar Mozart para crianças ajudaria o cérebro a se desenvolver, e consequentemente as faria mais inteligentes. Mas, diferente dos outros mitos, esse até que possui um pouco de verdade.
     A proliferação começou com um artigo científico na publicação Nature, de 1993. A pesquisa descrevia um experimento de uma universidade da Califórnia, onde estudantes fizeram uma série de testes de lógica espacial.
     Aqueles que ouviram uma peça para piano de Mozart antes do teste se saíram melhor do que os que ficaram em silêncio ou com música de relaxamento. Porém, o efeito da sonata desapareceu em aproximadamente 15 minutos.
      Graças à mídia, essa observação interessante tornou-se uma teoria para o desenvolvimento de crianças prodígio.
      O mercado logo entrou no jogo, e vendeu CDs do compositor divulgando-o como um formador de gênios. Nos Estados Unidos, em 1998, o estado da Geórgia entregava álbuns de Mozart para as novas mães.
     Alguns passaram a teorizar que as estruturas musicais em Mozart tinham uma influência biológica especial que ampliava as conexões cerebrais. Mas, em estudos posteriores, a verdade acabou se tornando mais palpável: foi provado que qualquer música estimulante, tocada antes de uma série de testes cerebrais, torna nosso cérebro mais alerta e entusiasmado. Portanto, não pense que é um gênio se ouviu música e foi bem em um teste. Sua performance também deve um pouco ao compositor.[BBC]

Nossa fonte; O Berro

Vejam algo muito inteligente:

Piratas de Galochas: teatro na Ocupação Prestes Maia
Juliana Machado

Uma tripulação de piratas comediantes apresenta peça de teatro na Ocupação Prestes Maia, todos os finais de semana de novembro, grátis
Estreou no último final de semana a comédia “Piratas de Galochas”, inspirada e elaborada na Ocupação Prestes Maia, no bairro da Luz, em São Paulo. Liderados pelo Capitão Willie William Will o’Well, uma tripulação de piratas funda, em uma ilha desabitada, a Federação Pirata de Providence, que é ameaçada pela Coroa Inglesa por conta do aumento vertiginoso de bucaneiros.

A construção desta comédia de piratas é fruto de um processo que começou em Janeiro de 2011. Durante o ano, os artistas ensaiaram na ocupação, entraram no cotidiano do lugar. A dramaturgia da peça foi toda escrita de maneira a dialogar com as questões enfrentadas pelos movimentos de moradia. Todos os ensaios foram abertos, e no segundo semestre foram realizadas apresentações especiais de trechos da peça para que os moradores pudessem fazer críticas e sugestões.

“Piratas de Galochas” cria um intercâmbio entre a pirataria e o Movimento de Ocupação, dialogando com o espaço. As mesmas questões que os moradores da ocupação enfrentam são vivenciadas pelos personagens. Nas palavras do capitão Barba Molhada: “A polícia coage o pirata rebelde-justiceiro-das-próprias-mãos porque alega abuso e roubo dos piratas das leis e das riquezas, essa polícia que sustenta o rótulo e a existência dos piratas ricos(…). Não somos mais parte desse mundo e para esses sequer existimos como realidade, como prática. Bruxas, vampiros, feiticeiros e gigantes, abracemo-nos! Bebamos no bar dos banidos do mundo real!”

O edifício Prestes Maia, abandonado há mais de 20 anos e com uma dívida de IPTU que ultrapassa os R$ 5 milhões, foi ocupado (pela segunda vez) em 04 de outubro de 2010, por mais de 200 famílias de sem-teto, que reivindicam a desapropriação pela prefeitura e sua destinação para moradia de interesse social. É a maior ocupação vertical da América Latina, autogerida pelo Movimento Sem Teto do Centro – MSTC.
Mas não é só de moradia que vive a Prestes Maia: no espaço comum do 9º andar, há um Núcleo Cultural frequentado principalmente pelas crianças e adolescentes da ocupação. Durante o ano aconteceram oficinas de mediação de leitura e teatro (coordenadas por integrantes do Coletivo de Galochas), sessões de cineclube (organizadas pelo núcleo cultural da Ocupação São João), oficinas de capoeira (coordenadas por um morador da Prestes Maia), a apresentação de palhaços dos Doutores de Alegria e a festa de um ano de ocupação.

Para o Coletivo de Galochas, “o Núcleo Cultural é um desejo e uma prática conjunta do MSTC, do Coletivo de Galochas e do Núcleo Cultural da Ocupação São João. O intuito é que ele continue acontecendo, e que seja cada vez mais vivo.”
http://www.youtube.com/watch?v=bPJd...
Serviço: Onde: Av. Prestes Maia, 911 – Centro – 9º andar do bloco (estação Luz do Metrô) Quando: Sábados e domingos às 20h, de 05 a 26 de novembro Ingressos: Grátis. Retirada às 19h30 na portaria Acesso: não há acesso para deficientes nem elevador no local; venha agasalhado e com sapatos confortáveis Atenção: Em caso de reintegração de posse, não haverá espetáculo.
Ficha técnica:
Direção: Tchello Gasparini Assistência de direção: Marina XistoDramaturgia: Rafael Presto Atores: Daniel Lopes, Diego Chavo, Felipe Bittencourt, Gabriel Hernandes, Ighor Walace, Jéssica Paes, Laís Trovarelli, Marina Xisto e Nina Hotimsky Figurinos: Thaís Vaz Iluminação: Pedro PepAssistência de iluminação: Celso Celso Orientação: António Araújo e Sérgio de Carvalho
Nossa fonte: Ciranda Brasil (www.ciranda.net)

domingo, 13 de novembro de 2011

José Graziano: Justiça social para regular a saída da crise


A crise mundial exige respostas rápidas para recuperar a demanda e linhas de ação para substituir a desordem financeira por um ciclo de expansão, regulado pela justiça social. 

José Graziano da Silva*,na agência IPS


      Coordenar a transição de um ciclo de desenvolvimento para outro é uma das equações políticas mais difíceis da vida de uma sociedade. Lançada em janeiro de 2003 com o programa Fome Zero, a política de segurança alimentar do Brasil cumpriu esse papel ao unir sob um amplo guarda-chuva de ações (com ênfase na atenção urgente à fome) a recuperação do poder de compra do salário mínimo e a criação de empregos.
     Ampliar o poder aquisitivo das famílias mais pobres, especialmente de seu gasto alimentar, mediante a transferência condicionada de renda e, de forma simultânea, promover reformas favoráveis à sua inserção produtiva foi o amálgama geral do programa. Essa combinação contribuiu para desarmar resistências, que não devem ser descuidadas ao se inaugurar um novo ciclo, obteve os resultados rápidos que a emergência social exigia, e alcançou legitimidade política em diferentes camadas da população.
     O governo pôde, então, tomar iniciativas de caráter mais estrutural, dando autonomia progressiva às políticas setoriais, como o fomento à agricultura familiar, que fortaleceram as linhas de passagem para uma nova dinâmica de crescimento inclusivo. A coerência desta trajetória é exemplificada em alguns números: entre 2003 e 2010, a desnutrição infantil caiu 61%, o crédito para a agricultura familiar cresceu oito vezes e a renda das famílias do campo aumentou três vezes mais do que a média nacional, enquanto a pobreza rural diminuiu em 15%.
     O que faz da experiência brasileira um marco inspirador não é apenas a abrangência e a rapidez dos resultados, mas é, sobretudo, a revelação de interações virtuosas entre o combate à fome e as novas dinâmicas de crescimento. Um exemplo é a demanda cativa anual de R$ 1 bilhão criada para a agricultura familiar pela obrigatoriedade de compra de produtores locais de um terço dos alimentos para a merenda escolar. Políticas como esta podem ser adaptadas à realidade de outros países, reproduzindo seu impulso emancipador nas comunidades locais, com importantes consequências para a segurança alimentar de toda a sociedade.
     A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e o governo brasileiro já compartilham com outros países da América Latina e do Caribe a experiência de compra de produtos da pequena agricultura para abastecer a merenda escolar. O Brasil não reinventou a roda na luta contra a fome. Contudo, ampliou sua capacidade de flexibilização ao articular programas de sucesso dentro e fora do país. Bebeu principalmente da fonte do New Deal, que ajudou os Estados Unidos e o mundo a superarem a grande depressão da década de 1930 ao priorizar a recuperação da demanda.
     O êxito brasileiro comprova que a ação do Estado continua sendo uma força importante para redefinir a matriz do crescimento na transição de um ciclo econômico para outro. A recriação em 2003 do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) constituiu um fórum de renegociação dessa nova hegemonia democrática. Ao longo do processo foram executadas mudanças estruturais de dimensões históricas.
     Esse conjunto de ações devolveu ao mercado interno de massa um papel central que permitiu ao país sustentar seu crescimento, em meio à contração do comércio e do emprego mundial. Hoje podemos dizer aquilo que na década de 1990 era um anátema: a sociedade só controla seu desenvolvimento quando é capaz de regulá-lo com políticas públicas articuladas de forma democrática por um Estado indutor, em parceria com uma sociedade civil organizada e a participação ativa da iniciativa privada.
     É isto que o Brasil continua fazendo, como demonstra a 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que acontecerá entre 7 e 10 deste mês, em Salvador, capital do estado da Bahia, com uma participação prevista de mais de dois mil delegados de todo o país e mais de cem internacionais. Entre eles estão a Frente Parlamentar Contra a Fome para a América Latina e o Caribe, que trabalha a favor de orçamentos indispensáveis para a segurança alimentar.
     Incorporar um leque ecumênico de forças à luta contra a fome é o que também faz a FAO com a reforma e ampliação do Comitê de Segurança    Alimentar Mundial, congênere global do Consea. Construir segurança alimentar no âmbito mundial pode ajudar a superar uma crise econômica para a qual não existe, precisamente, uma agenda capaz de pôr fim ao círculo vicioso e paralisante de consumidores que não compram, fábricas que não produzem e bancos que não emprestam.
     Quase 80% da humanidade vivem hoje com menos de US$ 10 por dia e destinam a maior parte dessa renda à alimentação. Cerca de 70% das pessoas do mundo que sofrem desnutrição vivem junto à terra, sem dela poderem extrair produtos e renda suficientes para garantir nem mesmo sua sobrevivência. Para a porção majoritária do planeta, portanto, a manifestação mais palpável da crise é o impacto da turbulência financeira nas flutuações abruptas que ela impõe na produção, na oferta e nos preços dos alimentos.
      A crise mundial exige respostas rápidas que propiciem a recuperação da demanda e agendas de consenso que estabeleçam linhas de ação para substituir a desordem financeira por um ciclo de expansão, regulado pela justiça social. A luta contra a fome pode ser um dos pilares dessa travessia.

*José Graziano da Silva é Diretor-geral eleito da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), cargo que assumirá em janeiro de 2012.

Nossa Fonte: Vermelho.

sábado, 12 de novembro de 2011

“O Palhaço”, uma nova cara para o cinema brasileiro


Filme de Selton Mello mostra que pode ser regional, falar do país, e universal. Corrobora também a tese de que o cinema nacional encontrou o caminho para atingir o grande público.

Por Marcos Aurélio Ruy (*)

      A comédia “O Palhaço”, dirigida e protagonizada por Selton Mello, tem humor leve, inteligente, que não desfaz de ninguém. O tema – o circo – é uma alegoria para falar de nossas vicissitudes, onde caricatura o brasileiro e brinca com essa temática ao ir fundo nas questões com referência aos filmes muito populares de Mazzaropi e de Os Trapalhões pra fazer rir e refletir sobre o povo em que nos transformamos, mas com clareza para mostrar que a história nos fez assim. Como cinema é principalmente imagem ressalta-se a fotografia de Adrian Teijido, um dos pontos fortes da película.
      A força da imagem aliada a um roteiro bem amarrado e conexo transforma o filme numa bela pintura que tem tudo para despontar como um dos grandes filmes já produzidos no país. E pelo que se nota atingir bilheteria pra alçá-lo entre os mais vistos. É essa junção de fazer cinema com inteligência e ternura, almejando o grande público, que o transforma em novidade alvissareira. Há a influência do Cinema Novo – movimento que revolucionou o cinema nacional nos anos 1950 e 60 -, em cujo teor desponta a vontade de refletir o país ao mostrar Minas Gerais, terra do diretor, ressaltando que somos um povo único.
        A veia cômica transborda em simplicidade e alegoria, com um toque de “Bye Bye Brasil” (1979) de Cacá Diegues, mostrando que temos história e vislumbrando a possibilidade de mudança; remonta também à interiorização do país, como em “2 filhos de Francisco” (2005), de Breno Silveira.
      Regional e universal      Mas a obra reflete sobre o brasileiro em que estamos nos transformando com as mudanças dos últimos anos. É o caipira matreiro que vende um mapa da Venezuela como se fosse da região, o policial que vai averiguar o alvará de funcionamento do circo e, na inexistência deste, pede ingressos para não cumprir com a exigência. É o delegado que para não manter a trupe circense detida ao se envolverem em polêmica num bar pede propina pois, afinal, não pode estar em casa para desfrutar a presença de seu gato.
        Numa fala esporádica um personagem conversa com o palhaço Puro Sangue (o imperdível Paulo José), pai do protagonista (Selton). O personagem conta a história de seu pai, que vendeu a fazenda para ingleses e perdeu tudo e, em consequência, ele virou dono de um bar de estrada. E fala: “o gato bebe leite, o rato come queijo e a gente faz o que sabe”. Num diálogo com o palhaço Pangaré (Selton) Puro Sangue repete a frase para tentar convencer o filho, que estava disposto a testar novas possibilidades na vida, a permanecer no circo. O que de fato acontece. Pangaré percebe que realmente a sua vocação é ser palhaço e, voltando ao circo, diz ao pai: “o gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço”.
       O circo é apresentado na tela grande como uma alegoria do país, mas também como uma demonstração de resistência cultural à opressão massiva de uma indústria ávida de grandes lucros. Com a valorização exacerbada do que vem de fora em detrimento da cultura nacional com suas representações populares. Por isso o palhaço Pangaré aparece triste no filme e num diálogo pergunta: “quem via me fazer rir?”, não por uma pura crise existencial, mas criticando o niilismo de boa parte das produções cinematográficas e apresenta uma esperança, aliás, o nome do circo. Para dizer que agora o país tem esperança, assim como o circo administrado por Pangaré.
       “O Palhaço” mostra que o país ainda tem muitos problemas a resolver. Mostra a necessidade de aprofundar o entendimento da vida do país pelo interior adentro como na música de Milton Nascimento e Fernando Brant “Notícias do Brasil”, que diz: “Ficar de frente para o mar/De costas pro Brasil/Não vai fazer deste lugar um bom país”. Enfim, um filme para ser assistido por todos os brasileiros.



Vejam o trailer de "O Palhaço" no site:
 http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=168498&id_secao=11
Nossa fonte: Vermelho
*Marcos Aurélio Ruy é colaborador do Vermelho

Salve Chico



“Cálice” volta à cena: o rap de Criolo e Chico Buarque


Criolo Doido surgiu na cena paulista em 1989, de família vinda do Ceará. Hoje é rapper famoso, do tipo que fecha casa de show no Rio de Janeiro, templo de funkeiros. Sem entrar em detalhes sobre a sua escalada musical, importante dizer que ele detectou e letrou o que todo mundo já sabe: “Não existe amor em SP”.

Por Christiane Marcondes*


    Mesmo assim, com seu jeito “manero” o compositor foi conquistando seguidores e se consagrou para além dos fãs do rap quando fez, de improviso e nitidamente muito emocionado, uma versão para a música “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil. 
     O vídeo foi para o Youtube e chegou até o velho Chico, que não tem nada de velho, anda acelerando com os motores ligados a mil e explorando a internet com mais avidez do que os primeiros astronautas que desembarcaram na lua.
     Com este pique, o Chico retomou uma turnê musical pelo país, após cinco anos fora dos palcos, e deslumbrou seu fiel “eleitorado” quando abriu o primeiro show da série, em Belo Horizonte, cantando o rap que o Criolo Doido fez para “Cálice”.
     Sabe-se que Chico tirou do repertório ao vivo essa música e “Apesar de você” há muito tempo, por serem muito ligadas ao período da ditadura. Mas não causa espanto ele finalmente retomar o cálice, desta vez servido pelo Criolo Doido, que teve a sacada de que a música está atualizadíssima com os novos tempos, de PM em universidade, de imprensa manipuladora ou censurada, de indignados e indignos. Viva Chico, salve Criolo, o que parecia quase impossível virou uma parceria de trazer lágrimas aos olhos. Confiram o diálogo musical da dupla.
     O Cálice do Criolo    

     Criolo Doido teve influências de MPB, samba e jovem guarda na composição de seu primeiro álbum lançado em  2006 e com tiragem esgotada em três semanas. Em 2009,  comemorou vinte anos de carreira com o lançamento de um DVD gravado ao vivo na ''Rinha dos Mc's'' e o lançamento de seu segundo álbum com influências da sonoridade turca, francesa e jamaicana. Foi indicado em 2007 a ''Artista do Ano '' e a ''Revelação do ano'' pelo "HUTUZ'' maior premiação de hip hop no Brasil. Em 2008, recebeu o prêmio de ''Música do ano'' e de ''Personalidade do Ano'' na quarta ediçao da premiação ''O Rap é Compromisso" em São Paulo. Fundador da Rinha dos Mc's, evento que abriga em suas atividades semanais shows, batalhas de Freestyle, exposições de graffiti e fotografia.
* Da Redação do Vermelho.
Vejam os vídeos de Criolo e de Chico no site: 
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=168523&id_secao=11

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional



Leia a íntegra da DECLARAÇÃO

PELO DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E SAUDÁVEL
no site:
http://www4.planalto.gov.br/consea/consea/noticias/declaracao-politica-de-san

USP: as botas da PM mutilam a democracia


     “Aqui estes beleguins de tropa militar não entram, porque entrar na Universidade só através de vestibular” – estas palavras de Pedro Calmon, que era reitor quando a Universidade de Brasília foi ocupada pela Polícia Militar em agosto de 1968, não estavam relegadas ao recanto da triste memória da ditadura militar onde deveriam estar. Na São Paulo do governador tucano Geraldo Alckmin e do reitor João Grandino Rodas, da USP, elas estão vivas. Aqueles mandatários são os responsáveis pela atual reencenação daquele drama antidemocrático que chegou ao absurdo de conduzir, num ônibus improvisado, 73 estudantes presos depois da reintegração de posse da madrugada do dia 8.


      A ocupação da reitoria e a movimentação estudantil – que vem, na etapa atual, desde o dia 28 de outubro – provocou debates acesos e a imprensa do capital, em seu vergonhoso papel de enxovalhar para desclassificar e criminalizar o movimento social, enfatizou os aspectos secundários do movimento, descrevendo seus protagonistas como um bando de moças e rapazes privilegiados e irresponsáveis.
       Não são, e os objetivos dos estudantes são claros e voltados para a melhoria das condições de educação na universidade e para a restauração da autonomia universitária violada pela presença da PM no campus.
      A democratização da universidade está sob grave ameaça. A autonomia universitária, um princípio democrático que resultou de lutas intensas do movimento estudantil e de toda a sociedade, não pode sobreviver sob as botas de soldados que ocupam aquele espaço que, por princípio, deveria ser livre.
      A reitoria da USP e o governo tucano do estado de São Paulo cometeram um grave erro ao assinar em setembro passado o convênio com a Polícia Militar que militarizou a segurança da universidade sob o pretexto sempre invocado, e amedrontador para a classe média, de combater o consumo de drogas.
      A segurança universitária é responsabilidade da reitoria e não pode ser militarizada, não se admitindo sequer a presença da polícia civil no espaço acadêmico. É simbólico, deste ponto de vista, que a própria Academia de Polícia, um instituto da universidade, fique próximo ao portão, como a admitir a presença estranha da polícia naquele local.
      Faz muitos anos que a USP enfrenta uma situação grave. Aos problemas propriamente pedagógicos se acrescentam outros, com destaque para a insegurança no campus. Há relatos de violências de todo tipo, incluindo estupros e até mesmo assassinatos.
      O efeito da maneira tucana de enfrentar estes problemas é, invariavelmente, seu agravamento. Os estudantes reclamam da segurança terceirizada (que substituiu o aparato próprio da universidade, mais adequado para enfrentar problemas internos), da falta de iluminação no campus e da falta de regularidade e qualidade no transporte coletivo fornecido pela universidade. Além disso, medidas tomadas por reitores de viés tucano amesquinharam as relações da universidade com a comunidade que vive a seu redor, e com a cidade em geral, encerrando-a numa tosca e ultrapassada torre de marfim.
     A nostalgia da ditadura militar traduzida pela presença da Polícia Militar no espaço universitário tem outro resultado perverso, que é a criminalização do movimento social. O Brasil não está mais nos tempos de Ibiúna para trancar estudantes num ônibus da polícia. A solução para as demandas do movimento social, numa situação democrática, exige negociação, muita negociação, e a adoção de medidas capazes de atendê-las. As botas da PM não servem para isso; elas maculam a democracia, além de revelar o saudosismo ditatorial do tucanato.
     Tem razão, neste sentido, o presidente da União Nacional dos Estudantes, Daniel Iliescu, quando exige o fim da presença da Polícia Militar na USP e a reconstrução da segurança universitária própria. E quando condena com vigor o convênio da USP com a PM: “Este convênio é antidemocrático” pois fere a autonomia universitária e compromete a liberdade da comunidade acadêmica, disse.

Fonte: Vermelho

Dez fatos que a "grande" imprensa esconde da sociedade

Fonte: Carta Maior


      As entidades que reúnem as grandes empresas de comunicação no Brasil usam e abusam da palavra "censura" para demonizar o debate sobre a regulação da mídia. No entanto, são os seus veículos que praticam diariamente a censura escondendo da população as práticas de regulação adotadas há anos em países apontados como modelos de democracia. Conheça dez dessas regras que não são mencionadas pelos veículos da chamada "grande" imprensa brasileira.

     O debate sobre regulação do setor de comunicação social no Brasil, ou regulação da mídia, como preferem alguns, está povoado por fantasmas, gosta de dizer o ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins. O fantasma da censura é o frequentador mais habitual, assombrando os setores da sociedade que defendem a regulamentação do setor, conforme foi estabelecido pela Constituição de 1988. 
     Regulamentar para quê? – indagam os que enxergam na proposta uma tentativa disfarçada de censura. A mera pergunta já é reveladora da natureza do problema. Como assim, para quê? Por que a comunicação deveria ser um território livre de regras e normas, como acontece com as demais atividades humanas? Por que a palavra “regulação” causa tanta reação entre os empresários brasileiros do setor? 
     O que pouca gente sabe, em boa parte por responsabilidade dos próprios meios de comunicação que não costumam divulgar esse tema, é que a existência de regras e normas no setor da comunicação é uma prática comum naqueles países apontados por esses empresários como modelos de democracia a serem seguidos. 
     O seminário internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias, realizado em Brasília, em novembro de 2010, reuniu representantes das agências reguladoras desses países que relataram diversos casos que, no Brasil, seriam certamente objeto de uma veemente nota da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) denunciando a tentativa de implantar a censura e o totalitarismo no Brasil. 
      Ao esconder a existências dessas regras e o modo funcionamento da mídia em outros países, essas entidades empresariais é que estão praticando censura e manifestando a visão autoritária que tem sobre o tema. O acesso à informação de qualidade é um direito. Aqui estão dez regras adotadas em outros países que os barões da mídia brasileira escondem da população:
      1. A lei inglesa prevê um padrão ético nas transmissões de rádio e TV, que é controlado a partir de uma mescla da atuação da autorregulação dos meios de comunicação ao lado da ação do órgão regulador, o Officee of communications (Ofcom). A Ofcom não monitora o trabalho dos profissionais de mídia, porém, atua se houver queixas contra determinada cobertura ou programa de entretenimento. A agência colhe a íntegra da transmissão e verifica se houve algum problema com relação ao enfoque ou se um dos lados da notícia não recebeu tratamento igual. Após a análise do material, a Ofcom pode punir a emissora com a obrigação de transmitir um direito de resposta, fazer um pedido formal de desculpas no ar ou multa.
      2. O representante da Ofcom contou o seguinte exemplo de atuação da agência: o caso de um programa de auditório com sorteios de prêmios para quem telefonasse à emissora. Uma investigação descobriu que o premiado já estava escolhido e muitos ligavam sem chance alguma de vencer. Além disso, as ligações eram cobradas de forma abusiva. A emissora foi investigada, multada e esse tipo de programação foi reduzida de forma geral em todas as outras TVs.
       3. Na Espanha, de 1978 até 2010, foram aprovadas várias leis para regular o setor audiovisual, de acordo com as necessidades que surgiam. Entre elas, a titularidade (pública ou privada); área de cobertura (se em todo o Estado espanhol ou nas comunidades autônomas, no âmbito local ou municipa); em função dos meios, das infraestruturas (cabo, o satélite, e as ondas hertzianas); ou pela tecnologia (analógica ou digital).
      4. Zelar para o pluralismo das expressões. Esta é uma das mais importantes funções do Conselho Superior para o Audiovisual (CSA) na França. O órgão é especializado no acompanhamento do conteúdo das emissões televisivas e radiofônicas, mesmo as que se utilizam de plataformas digitais. Uma das missões suplementares e mais importantes do CSA é zelar para que haja sempre uma pluralidade de discursos presentes no audiovisual francês. Para isso, o conselho conta com uma equipe de cerca de 300 pessoas, com diversos perfis, para acompanhar, analisar e propor ações, quando constatada alguma irregularidade.
      5. A equipe do CSA acompanha cada um dos canais de televisão e rádio para ver se existe um equilíbrio de posições entre diferentes partidos políticos. Um dos princípios dessa ação é observar se há igualdade de oportunidades de exposição de posições tanto por parte do grupo político majoritário quanto por parte da oposição. 
      6. A CSA é responsável também pelo cumprimento das leis que tornam obrigatórias a difusão de, pelo menos, 40% de filmes de origem francesa e 50% de origem européia; zelar pela proteção da infância e quantidade máxima de inserção de publicidade e distribuição de concessões para emissoras de rádio e TV.
       7. A regulação das comunicações em Portugal conta com duas agências: a Entidade reguladora para Comunicação Social (ERC) – cuida da qualidade do conteúdo – e a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que distribui o espectro de rádio entre as emissoras de radiodifussão e as empresas de telecomunicações. “A Anacom defende os interesses das pessoas como consumidoras e como cidadãos.
       8. Uma das funções da ERC é fazer regulamentos e diretivas, por meio de consultas públicas com a sociedade e o setor. Medidas impositivas, como obrigar que 25% das canções nas rádios sejam portuguesas, só podem ser tomadas por lei. Outra função é servir de ouvidoria da imprensa, a partir da queixa gratuita apresentada por meio de um formulário no site da entidade. As reclamações podem ser feitas por pessoas ou por meio de representações coletivas.
      9. A União Européia tem, desde março passado, novas regras para regulamentar o conteúdo audiovisual transmitido também pelos chamados sistemas não lineares, como a Internet e os aparelhos de telecomunicação móvel (aqueles em que o usuário demanda e escolhe o que quer assistir). Segundo as novas regras, esses produtos também estão sujeitos a limites quantitativos e qualitativos para os conteúdos veiculados. Antes, apenas meios lineares, como a televisão tradicional e o rádio, tinham sua utilização definida por lei.
      10. Uma das regras mais importantes adotadas recentemente pela União Europeia é a que coloca um limite de 12 minutos ou 20% de publicidade para cada hora de transmissão. Além disso, as publicidades da indústria do tabaco e farmacêutica foram totalmente banidas. A da indústria do álcool são extremamente restritas e existe, ainda, a previsão de direitos de resposta e regras de acessibilidade.
      Todas essas informações estão disponíveis ao público na página do Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias. Note-se que a relação não menciona nenhuma das regras adotadas recentemente na Argentina, que vem sendo demonizadas nos editoriais da imprensa brasileira. A omissão é proposital. As regras adotadas acima são tão ou mais "duras" que as argentinas, mas sobre elas reina o silêncio, pois vêm de países apontados como "exemplos a serem seguidos" Dificilmente, você ouvirá falar dessas regras em algum dos veículos da chamada grande imprensa brasileira. É ela, na verdade, quem pratica censura em larga escala hoje no Brasil.
  

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Mostra cinematográfica em São Paulo:


Destaque para os primeiros filmes protagonizados por negros


     Produções cinematográficas de baixo orçamento e que colocaram a cultura negra em destaque a partir dos anos 1970 são o tema da mostra Tela Negra: O Cinema do Blaxpoitation, que será exibido em duas salas de cinema de São Paulo até 24 de novembro, como parte das comemorações pelo Mês da Consciência Negra no Brasil.

     A mostra teve início na última quinta-feira (3), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde permanece até 13 de novembro, seguindo depois para o Cinesesc.
      O blaxpoitation foi um movimento no cinema que possibilitou o surgimento do protagonista negro nas telas. Esse cinema marginal e ligado à música soul refletiu os sentimentos da juventude da época, a efervescência da cultura negra americana, que na década anterior acompanhou a explosão do movimento em defesa dos direitos civis dos negros, liderado por Martin Luther King e Malcolm X.
      “É uma retrospectiva dos filmes da blaxpoitation, que surgiram nos anos 1970, nos Estados Unidos, e que foi um momento em que os grandes estúdios estavam em falência. São filmes de baixo orçamento, alguns com diretores negros - todos com elenco negro - e que fizeram grande sucesso”, explicou Vik Birkbeck, curadora da mostra.
      “São filmes multicoloridos, com uma estética meio estourada. O blaxpoitation carrega não só nas cores, como também nos figurinos com os [cabelos] afro imensos e os saltos plataforma usados tanto por mulheres quanto por homens”, destacou Vik.
       Mais tarde, o blaxpoitation influenciou a moda, a cultura hip hop e até mesmo o cinema atual, principalmente os filmes assinados por Quentin Tarantino, como Pulp Fiction e Jackie Brown. “Quando ele fez Jackie Brown, em 1997, ele fez uma homenagem ao movimento”, disse.
       O primeiro filme que surgiu desse movimento foi Rififi no Harlem, de Ossie Davis, em 1970, que será exibido na mostra. “Foi um filme de baixo orçamento, que fez US$ 15 milhões na bilheteria”, citou a curadora. Outro que teve grande sucesso foi Super Fly, de Gordon Parks Jr., que desbancou O Poderoso Chefão do topo das bilheterias em 1972.
       Segundo ela, os filmes desse movimento rompem com a presença do negro no cinema apenas como coadjuvante ou em papel de empregado. O pano de fundo político e as cenas violentas influenciam, até hoje, o gênero policial no cinema. “Os filmes da blaxpoitation mostram rebeldia: tem o cafetão, o traficante, o bandido, um detetive que dá tiros a toda hora. Tem o transgressor, tem muito xingamento. É o primeiro momento em que o negro tem sensualidade [na tela]. Os filmes apresentam uma explosão de sensualidade, de linguagem e de violência”, disse a curadora.
      Um dos objetivos da mostra é promover debates sobre a influência do cinema afro-americano dos anos 1970 na construção da imagem negra internacional e no Brasil. Na noite da próxima quinta-feira (10), um debate será realizado no CCBB de São Paulo e, no dia seguinte, no CCBB do Rio de Janeiro. “Acho que no Brasil é fundamental ter essa discussão porque embora o país tenha a segunda maior população negra do mundo, atrás da Nigéria, proporcionalmente vemos poucas imagens negras. Sou inglesa e, na Inglaterra, onde a população negra é claramente minoritária, vemos mais apresentadores negros na televisão do que aqui, o que é um absurdo”, disse Vik.
      Quinze filmes serão apresentados na mostra, entre eles Jackie Brown, de Tarantino, e Shaft – O Filme, de Gordon Parks. Outro título que será apresentado é o documentário musical Wattstax, que causou furor entre a juventude black carioca e paulista na década de 70. “Era o momento do movimento soul e muita gente se identificou com isso. No Rio de Janeiro, teve filas que deram a volta no quarteirão porque muita gente queria ver esse filme”, contou.

Fonte: Agência Brasil