Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade
Clic sobre o livro (download gratuito). LEIA E DÊ SUA OPINIÃO

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental

Riscos do uso de agrotóxicos são destaque 

Raquel Júnia - Escola Politécnica de Sáude Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)


O modelo de agricultura baseado no agronegócio, com grande concentração de terras e uso massivo de agrotóxicos, foi um dos temas que mais norteou as discussões do I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental (I SIBSA).  O evento foi realizado de 6 a 10 de dezembro em Belém do Pará, e reuniu, além de pesquisadores, também militantes de movimentos sociais e trabalhadores da área de saúde e meio ambiente. Ao final do encontro, os participantes aprovaram uma moção que vai contra o uso de agrotóxicos na agricultura e cobra a mudança do modelo de cultivo para uma plataforma agroecológica. Outra moção , também aprovada durante o encontro, questiona o processo de revisão da portaria 518/2004 do Ministério da Saúde sobre os procedimentos relativos ao controle e vigilância da água para consumo humano. A moção critica a tentativa de modificação do limite máximo de determinado agrotóxico na água potável e a falta de diálogo com os vários setores ligados à saúde ambiental durante o processo.
 "O tema de agrotóxicos foi um dos  mais prestigiados do Simpósio, as pessoas procuravam as oficinas e as mesas que tratavam do tema. Isso é também um reflexo da realidade, já que somos o país que mais consome agrotóxicos no mundo", avalia o professor do departamento de saúde coletiva da Universidade de Brasília (Unb) Fernando Carneiro, que também faz parte do GT de Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), um dos organizadores do evento. Além do GT saúde e ambiente, também organizaram o Simpósio o Instituto Evandro Chagas e a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, com o apoio da Fundação Oswaldo Cruz. "O Simpósio uniu pesquisadores, professores, organizações sociais e demais militantes da saúde ambiental, o que fez com que saíssem de lá contribuições muito ricas", destaca o professor da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Alexandre Pessoa, que participou do encontro, junto com outros quatro representantes da Escola: Maurico Monken, André Burigo, Gladys Miyashiro 

Agrotóxico e saúde

 "Os pesquisadores, profissionais e demais militantes da saúde ambiental, presentes neste simpósio, reafirmam o compromisso e a responsabilidade em desenvolver pesquisas, tecnologias, formar quadros, prestar apoio aos órgãos e instituições compromissadas com a promoção da saúde da sociedade brasileira, e com os movimentos sociais no sentido de proteger a saúde e o meio ambiente na promoção de territórios livres dos agrotóxicos, e fomentar a transição agroecológica para a produção e consumo saudável e sustentável", afirma a moção ‘Contra o uso dos agrotóxicos e pela vida', aprovada durante o Simpósio.
Para Alexandre Pessoa, o simpósio mostrou que a academia e os movimentos sociais estão acompanhando sistematicamente os agravos à saúde coletiva decorrentes do uso de venenos. Ele lembra que cerca de 50 trabalhos apresentados traziam como tema os riscos dessa prática à saúde humana e aos ecossistemas. "Ficou claro lá que são o latifúndio e o agronegócio que têm a ganhar com o agrotóxico e que, portanto, temos que isolá-los. O pequeno agricultor só tem a perder e é papel da política pública promover uma saúde ambiental livre dos venenos", afirma o professor.
Tanto em 2008 quanto em 2009, o Brasil foi o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Em um hectare de soja, por exemplo, chega-se a usar 10 litros de agrotóxico. No total, no ano passado, o país consumiu 920 milhões de litros. Os dados são apresentados pelo professor do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) Wanderlei Pignati, um dos palestrantes do Simpósio. "Isso vai levar uma série de prejuízos para a população, como intoxicações agudas, e o grande problema que fica menos visível, que são as intoxicações crônicas - que podem, por exemplo, provocar câncer. Vários agrotóxicos usados aqui no Brasil são cancerígenos e proibidos na União Europeia. Há outros também que causam má formação do feto, permitidos aqui e também proibidos na União Europeia, e ainda outros que causam desregulação endócrina, distúrbios psiquiátricos e neurológicos", alerta.
A moção contra o uso de agrotóxicos pede também que a Abrasco apóie a ‘Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida', que já conta com apoio de outras sociedades científicas, como Associação Latinoamericana de Sociologia Rural.

Glifosato na água

A portaria 518/2004 do Ministério da Saúde regulamenta quais e que quantidades de substâncias podem estar na água para consumo humano. Entre esses elementos, está o agrotóxico glifosato, mais conhecido como Roundup, nome comercial usado pela empresa Monsanto para comercializar o produto. De acordo com o professor Pignati, o glifosato é o agrotóxico mais consumido no Brasil, responsável por 40% da comercialização. Atualmente, na portaria 518 está especificado que a água para consumo humano pode conter até 500 microgramas (ug/L) desse elemento por litro. Entretanto, durante o processo de revisão da portaria, que está em curso, foi feita uma proposta de se elevar esse valor para 900 microgramas por litro (ug/L). A moção aprovada durante o Simpósio questiona a iniciativa. "Iniciado em 2009, o processo de revisão da referida portaria desembocou numa aprovação da minuta, pelo grupo de trabalho ministerial, que, durante as atividades do I SIBSA, concluiu pela possibilidade de permissão de substâncias anteriormente proibidas, como algicidas, bem como pela ampliação dos limites já estabelecidos, a exemplo do glifosato que, de 500 ug/L, passaria a 900 ug/L, na contramão dos princípios da precaução que norteiam a práxis da Saúde Ambiental", afirma o texto.  
A moção pede ainda que seja ampliado o prazo da consulta pública para revisão da portaria e também que "seja criada uma comissão de diálogos envolvendo movimentos sociais, academia e órgãos do SUS que atuam na temática, para que seja avaliada e complementada a minuta produzida pelo GT". Para Pignati, o histórico das portarias de potabilidade da água no Brasil revela o quanto a legislação foi "legalizando a poluição". "Quando se analisam as três portarias sobre potabilidade da água feitas no país, a primeira - portaria nº 56/1977 -, a segunda - nº36/1990 - e a terceira - nº 51/2004, é possível ver a legalização da poluição e aonde chegamos com isso. A primeira portaria diz que pode ter na água para consumo humano dez metais pesados, nada de solventes, 12 agrotóxicos e nenhum produto de desinfecção doméstica, com exceção do cloro. Já na segunda portaria, editada 13 anos depois, os metais pesados passaram para 11, os solventes para sete, os agrotóxicos para 13 e os produtos de desinfecção passaram para dois. E na última portaria, os metais pesados já passaram para 13, os solventes para 13, os agrotóxicos para 22, e os produtos de desinfecção para seis. Então, vão poluindo, aumentando o uso de agrotóxico, de metais, de solventes, de desinfetantes e isso começa a ser permitido na água. Hoje,  em um litro de água que nós estamos bebendo, pode-se ter esse volume todo de coisas. Então, é preciso fazer uma discussão no Brasil e no mundo sobre que tipo de água nós queremos. Será que isso é mesmo água?", questiona.  

Práxis  

O I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental contou com a participação de cerca de mil participantes, que afirmaram na carta final do evento - a carta de Belém - o compromisso com uma ciência cidadã, na qual se valorizem os processos coletivos de produção de conhecimento. Para André Burigo, também presente no evento, ainda que essa consciência precise avançar, muitos pesquisadores do campo da saúde ambiental têm apresentado um compromisso com esses princípios. "Foi manifestado durante o Simpósio que o papel do cientista comprometido com a agenda da saúde ambiental é o de fazer uma ciência que contribua para dar visibilidade às populações que não têm voz e têm sofrido os grandes impactos desse modelo de desenvolvimento econômico -, principalmente comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, assentamentos da reforma agrária", comenta.
Para o professor Fernando Carneiro, um grande desafio é fazer com que os pesquisadores se aproximem mais da análise da realidade de vida das pessoas. "Ao mesmo tempo em que no campo da saúde ambiental há estudos que privilegiam uma terminologia clássica muito ligada a uma toxicologia dura, que tem seu papel e sua importância, muitas vezes esses estudos não conseguem desnudar as injustiças ambientais, as desigualdades. As abordagens são muito reducionistas e não é feita uma análise mais integrada de como se dá o trabalho das pessoas, onde elas vivem e quais são suas culturas", diz.
Um exemplo de como a ciência pode estar próxima e contribuir para solucionar os problemas das populações foi exposto durante o simpósio. A professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Raquel Rigotto, também membro do GT de Saúde e Ambiente da Abrasco, contou a experiência do núcleo de pesquisa Tramas - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a sustentabilidade - coordenado por ela. Há cerca de quatro anos, o grupo acompanha os problemas da população da região do baixo Jaguaribe, no Ceará. A professora explica que o campo de pesquisa é uma região de expansão recente da fruticultura irrigada para exportação, baseada na monocultura e no modelo químico-dependente, com padrão muito forte de exploração da força de trabalho e de degradação ambiental. "Quando chegamos lá, a comunidade do Tomé nos falou de um problema que era a pulverização aérea de agrotóxicos, especificamente no cultivo da banana, com fungicidas que são muito tóxicos e persistentes no meio ambiente. E essa pulverização atingia também as comunidades, já que as empresas foram instaladas justamente onde já havia muitas comunidades há muitos anos. Eles fizeram relatos de que as roupas que eles lavavam ficavam com cheiro de veneno no varal, que galinhas morriam e crianças passavam mal. E como estávamos fazendo um modelo de pesquisa que tenta dialogar com as comunidades e respeitar os saberes e as necessidades de conhecimento delas, nós incorporamos a pulverização aérea em nosso estudo e fizemos um acompanhamento dela durante dois anos", relata.
O acompanhamento foi feito durante os anos de 2008 e 2009, e durante esse período o grupo conseguiu informações que confirmaram as preocupações da comunidade. Amostras de água foram colhidas e, nelas, verificadas contaminação pelo mesmo veneno pulverizado e também por outras substâncias. A professora conta que os dados foram apresentados em um seminário na Universidade Estadual do Ceará no município sede da região, Limoeiro do norte. "As comunidades se mobilizaram muito para conseguir proibir a pulverização e, em novembro de 2009, uma lei municipal da Câmara de Vereadores de Limoeiro do Norte proibiu a pulverização aérea. Essa proibição tem uma importância muito grande porque a União Europeia também tinha proibido há dez meses a pulverização aérea", detalha.
Diante da lei municipal, as empresas reagiram fortemente dizendo que isso inviabilizaria a continuidade do cultivo no local.  Na ocasião, uma audiência pública foi realizada na Câmara de Vereadores, quando diversas organizações e movimentos sociais referendaram a necessidade da proibição da pulverização e novos dados da pesquisa foram apresentados. "As empresas também tiveram voz e falaram que elas teriam um prejuízo de R$ 22 milhões caso a pulverização não fosse realizada. E nós questionamos o que são R$ 22 milhões para investidores diante da saúde de uma enorme população. Foi um momento de muito embate, um auditório com mais de 300 pessoas, durante sete horas", lembra Raquel. Poucos dias depois, em uma sessão realizada, segundo Raquel, "às escondidas", a Câmara de Vereadores de Limoeiro revogou a lei anterior e a pulverização aérea voltou a ser permitida na região. Atualmente o movimento social segue mobilizado e todos os dias 21, data em que José Maria - um dos ativistas do movimento organizado contra a pulverização, que foi assassinado -, a população faz manifestações.  "Nós apresentamos isso no Simpósio, como grupo de pesquisa que busca ter uma prática científica comprometida com os processos históricos em curso nos locais onde a pesquisa está inserida. Aí existe todo um cuidado que vai desde a forma como nós definimos o objeto de estudo, como compomos a equipe de pesquisa, como definimos progressivamente, dinamicamente a metodologia de estudos, podendo inserir aí essas preocupações, esses saberes trazidos pelas comunidades, pelos sujeitos atingidos pelo problema que está sendo estudado", aponta Raquel.
A professora explica que outra preocupação é criar um processo de comunicação que também busque, mesmo antes da finalização da investigação, beneficiar o sujeito da pesquisa com alguns resultados, ainda que parciais, como recomenda o código de ética de pesquisa em saúde, em resolução do Conselho Nacional de Saúde. "Percebemos o quanto essa pesquisa foi enriquecida por estabelecer uma relação profunda de confiança, de respeito e de troca com os movimentos sociais e com as comunidades locais. Isso mostra uma possibilidade de acesso ao real vivido muito maior do que quando a pesquisa se coloca de forma distanciada", observa. A apresentação da experiência do núcleo Tramas durante o Simpósio foi aplaudida de pé. "Isso significou muito para nós. Estamos buscando, de uma forma muito humilde, tímida, dar passos no sentido de uma práxis e no sentido do que temos conversado nos ambientes acadêmicos sobre a ecologia dos saberes, a interdisciplinaridade. E se estamos ousando fazer isso, muitas vezes com muita insegurança, nós recebemos neste simpósio um referendo da comunidade acadêmica e científica de que este caminho é válido, é relevante e que é importante continuar tentando", destaca.

__._,_.___

sábado, 8 de janeiro de 2011

SOS ABELHAS


Agrotóxico extermina as protetoras de nossa cadeia alimentar 

    
Caros amigos,
          Assine a petição
As abelhas estão morrendo em todo o mundo, colocando em perigo a nossa cadeia alimentar. Os cientistas culpam os agrotóxicos e quatro governos europeus já os proibiram. Se conseguirmos que os EUA e a União Europeia se unam à proibição, outros governos ao redor do mundo poderão seguir o exemplo e salvar da extinção milhares de abelhas. Assine a petição e encaminhe este apelo urgente:

Sign the petition
Silenciosamente, bilhões de abelhas estão morrendo, colocando toda a nossa cadeia alimentar em perigo. Abelhas não fazem apenas mel, elas são uma força de trabalho gigante e humilde, polinizando 90% das plantas que produzimos.

Vários estudos científicos mencionam um tipo de agrotóxico que contribui para o extermínio das abelhas. Em quatro países Europeus que baniram estes produtos, a população de abelhas já está se recuperando. Mas empresas químicas poderosas estão fazendo um lobby pesado para continuar vendendo estes venenos. A única maneira de salvar as abelhas é pressionar os EUA e a União Europeia para eles aderirem à proibição destes produto letais - esta ação é fundamental e terá um efeito dominó no resto do mundo.

Não temos tempo a perder - o debate sobre o que fazer está esquentando. Não se trata apenas de salvar as abelhas, mas de uma questão de sobrevivência. Vamos gerar um zumbido global gigante de apelo à UE e aos EUA para proibir estes produtos letais e salvar as nossas abelhas e os nossos alimentos. Assine a petição de emergência agora, envie-a para todo mundo, nós a entregaremos aos governantes responsáveis:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

As abelhas são vitais para a vida na Terra - a cada ano elas polinizam plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, poderíamos acabar sem frutos, legumes, nozes, óleos e algodão.

Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante a nível global das populações de abelhas - algumas espécies de abelhas estão extintas e outras chegaram a 4% da população no passado. Cientistas vêm lutando para obter respostas. Alguns estudos afirmam que o declínio pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo doenças, perda de habitat e utilização de produtos químicos tóxicos. Mas um importante estudo independente recente produziu evidências fortes culpando os agrotóxicos neonicotinóides. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, a Bayer, baniram alguns destes produtos que matam abelhas. Porém, enquanto isto, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o mundo inteiro.

Este debate está esquentando a medida que novos estudos confirmam a dimensão do problema. Se conseguirmos que os governantes europeus e dos EUA assumam medidas, outros países seguirão o exemplo. Não vai ser fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o produto da Bayer é "altamente tóxico" e representa um "grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)".

Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência da Bayer sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais peritos - apicultores e agricultores - querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos, a não ser que hajam evidências sólidas comprovando que eles são seguros. Vamos apoiá-los agora. Assine a petição abaixo e, em seguida, encaminhe este alerta:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

Não podemos mais deixar a nossa cadeia alimentar delicada nas mãos de pesquisas patrocinadas por empresas químicas e os legisladores que eles pagam. Proibir este agrotóxico é um caminho necessário para um mundo mais seguro tanto para nós quanto para as outras espécies com as quais nos preocupamos e que dependem de nós.

Com esperança,

Alex, Alice, Iain, David e todos da Avaaz

Leia mais:

Itália proibe agrotóxicos neonicotinóides associados à morte de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/09/22/italia-proibe-agrotoxicos-neonicotinoides-associados-a-morte-de-abelhas/

O desaparecimento das abelhas melíferas:
http://www.naturoverda.com.br/site/?p=180

Alemanha proíbe oito pesticidas neonicotinóides em razão da morte maciça de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/08/30/alemanha-proibe-oito-pesticidas-neonicotinoides-em-razao-da-morte-macica-de-abelhas/

Campos silenciosos:
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/campos_silenciosos_imprimir.html

--------------

http://www.avaaz.org/act/open/898755726.gif
Apoie a comunidade da Avaaz! Nós somos totalmente sustentados por doações de indivíduos, não aceitamos financiamento de governos ou empresas. Nossa equipe dedicada garante que até as menores doações sejam bem aproveitadas -- clique para doar
 




    


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Para compreender o nosso mundo

Capitalismo: o que é isso?
 (Fonte: O Berro <vanderleycaixe@revistaoberro.com.br> )

As duas referências mais importantes para a compreensão do mundo contemporâneo são o capitalismo e o imperialismo. 

A natureza das sociedades contemporâneas é capitalista. Estão assentadas na separação entre o capital e a força de trabalho, com aquela explorando  esta, para a acumulação de capital. Isto é, os trabalhadores dispõem apenas de sua capacidade de trabalho, produzir riqueza, sem os meios para poder materializá-la. Tem, assim, que se submeter a vender sua força de trabalho aos que possuem esses meios - os capitalistas - que podem viver explorando o trabalho alheio e enriquecendo-se com essa exploração. 
Para que fosse possível, o capitalismo precisou que os meios de produção - na sua origem, basicamente a terra - e a força de trabalho pudessem ser compradas e vendidas. Daí a luta inicial pela transformação da terra em mercadoria, livrando-a do tipo de propriedade feudal e o fim da escravidão, para que a força de trabalho pudesse ser comprada. Foram essas condições iniciais - junto com a exploração das colônias - que constituíram o chamado processo de acumulação originária do capitalismo, que gerou as condições que tornaram possível sua existência e sua multiplicação a partir do processo de acumulação de capital.

O capitalismo busca a produção e a comercialização de riquezas orientada pelo lucro e não pela necessidade das pessoas. Isto é, o capitalista dirige seus investimentos não conforme o que as pessoas precisam, o que falta na sociedade, mas pela busca do que dá mais lucro. 
O capitalista remunera o trabalhador pelo que ele precisa para sobreviver - o mínimo indispensável à sobrevivência -, mas retira da sua força de trabalho o que ele consegue, isto é, conforme sua produtividade, que não está relacionada com o salário pago, que atende àquele critério da reprodução simples da força de trabalho, para que o trabalhador continue em condições de produzir riqueza para o capitalista. Vai se acumulando assim um montante de riquezas não-remuneradas pelo capitalista ao trabalhador - que Marx chama de mais valia ou mais valor - e que vai permitindo ao capitalista acumular riquezas - sob a forma de dinheiro ou de terras ou de fábricas ou sob outra forma que lhe permite acumular cada vez mais capital -, enquanto o trabalhador - que produz todas as riquezas que existem - apenas sobrevive. 

O capitalista acumula riqueza pelo que o trabalhador produz e não é remunerado. Ela vem, portanto, do gasto no pagamento de salários, que traz embutida a mais valia. Mas o capitalista, para produzir riquezas, tem que investir também em outros itens, como fábricas, máquinas, tecnologia entre outros. Este gasto tende a aumentar cada vez mais proporcionalmente ao que ele gasta em salários, pelo peso que as máquinas e tecnologias vão adquirindo cada vez mais, até para poder produzir em escala cada vez mais ampla e diminuir relativamente o custo de cada produto. Assim, o capitalista ganha na massa de produtos, porque em cada mercadoria produzida há sempre proporcionalmente menos peso da força de trabalho e, portanto, da mais valia - que é o que lhe permite acumular capital. 
Por isso o capitalista está sempre buscando ampliar sua produção, para ganhar na competição, pela escala de produção e porque ganha na massa de mercadorias produzidas. Dai vem o caráter sempre expansivo do capitalismo, seu dinamismo, mobilizado pela busca incessante de lucros. 
Mas essa tendência expansiva do capitalismo não é linear, porque o que é produzido precisa ser consumido para que o capitalista receba mais dinheiro e possa reinvestir uma parte, consumir outra, e dar sequência ao processo de acumulação de capital. Porém, como remunera os trabalhadores pelo mínimo indispensável à sobrevivência, a produção tende a expandir-se mais do que a capacidade de consumo da sociedade - concentrada nas camadas mais ricas, insuficiente para dar conta do ritmo de expansão da produção. 
Por isso o capitalismo tem nas crises - de superprodução ou de subconsumo, como se queira chamá-las - um mecanismo essencial. O desequilíbrio entre a oferta e a procura é a expressão, na superfície, das contradições profundas do capitalismo, da sua incapacidade de gerar demanda correspondente à expansão da oferta. 

As crises revelam a essência da irracionalidade do capitalismo: porque há excesso de produção ou falta de consumo, se destroem mercadorias e empregos, se fecham empresas, agudizando os problemas. Até que o mercado "se depura", derrotando os que competiam em piores condições - tanto empresas, como trabalhadores - e se retoma o ciclo expansivo, mesmo se de um patamar mais baixo, até que se reproduzam as contradições e se chegue a uma nova crise. 

Esses mecanismos ajudam a entender o outro fenômeno central de referência no mundo contemporâneo - o imperialismo - que abordaremos em um próximo texto.

Fonte: O Berro <vanderleycaixe@revistaoberro.com.br>

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Novas estórias dos cachorros de Dona Pandá

Novelinha em capítulos (continuação)


Capítulo 5

Eram 23:30h quando Dona Pandá ouviu o ganido de Bia, como se tivesse recebido uma pedrada. Abandonou o livro na mesinha de cabeceira e correu para ver o que era. Chegou na garagem, onde encontrou a cadela e seu companheiro que chegava esbaforido, com a língua de fora pelo esforço da corrida.
Bei se encontrava no portão de entrada da chácara, distante da casa.  Os dois foram diretos para um determinado lugar perto  da cerca que separa o terreno  ao meio.

                                BIA

Bia pôs o focinho no chão e cheirando, cheirando foi andando pela chácara, levando Dona Pandá desentendida atrás, com o Bei lhe trançando as pernas a cada passo, mal lhe dando espaço para andar. Depois de algum tempo e de quase cobrir toda a chácara, tropeçando em  paus, pedras e sabe-se lá o que mais, enxergando apenas o que a luz da lanterna, percebeu que estava na hora de ela dar o comando de volta à casa. Com certa dificuldade para convencer Bia a desistir da caçada e Bei a lhe permitir andar com mais rapidez, voltaram. Dona Pandá conseguiu, não sem grande esforço,  deixá-los em suas respectivas camas, na varanda, ao lado da porta. Com o sono tendo passado ao largo, retomou sua leitura, mas o mistério com suas perguntas martelava sua cabeça. O que fez Bia ganir, Bei chegar com tanta pressa, como se viesse em socorro da companheira, e o passeio noturno tão esquisito?  E o Bei dando voltas a seu redor, quase a impedindo de andar?  Por fim, lamentando não entender ainda a língua canina, caiu no sono.

Na manhã seguinte, um belo dia com o Sol chamando e os passarinhos fazendo coro, Dona Pandá estava tomando seu café, numa bancada da cozinha, cuja vista dá exatamente para aquele lugar para onde os cachorros haviam ido, perto da cerca. Distraída procurava com os olhos os pássaros que cantavam e descobriu um buraco, uma grande meia lua, na cerca. Correu para lá e percebeu que a tela havia sido cortada por um instrumento tipo alicate e por mãos fortes. Um humano nada amigo havia tentado entrar,  Bia lhe sentiu o cheiro e recebeu uma pedrada. O ladrão deve ter  tentado afugentá-la, mas a valente guadiã, ao contrário, foi para cima do invasor que se viu obrigado a recuar, enquanto Bei e Dona Pandá apareciam como reforço ao trabalho da Bia. Somente depois que o buraco foi fechado, os cachorros voltaram ao comportamento normal. Eles que adoram explorar novos cheiros em novos lugares, ficaram plantados vigiando o buraco e resistindo ao chamamento de novas aventuras externas.    




Nosso futuro próximo

Perspectivas econômicas para 2011

ESCRITO POR GUILHERME C. DELGADO(1)   
04-JAN-2011

A convenção que vai se formando - dos círculos oficiais a alguns mercados organizados - é a de que o próximo quadriênio do governo Dilma será uma espécie de ‘canteiro de obras’. Investimentos volumosos em infra-estrutura urbana preparatórios à Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, combinados com outra massa de investimentos nos setores de energia elétrica (duas maiores hidroelétricas mundiais em construção) e petróleo (programa de investimentos e parcerias da Petrobrás), capitaneados pelo setor público, puxariam o setor privado a também investir.
Também faz parte de uma espécie de acordo ou pacto implícito estatal-privado expandir as exportações de "commodities" agrícolas e minerais, possivelmente no mesmo ritmo desta primeira década, quando as exportações de Produtos Básicos cresceram muito à frente da exportação de Produtos Manufaturados, caracterizando já no final da década um claro processo de "primarização" das exportações e relativa "desindustrialização" do nosso comércio exportador. 
A convenção ou pacto de interesses classistas a que me refiro somente não é dominante nos chamados mercados organizados, porque o segmento financeiro reluta e resiste a mudanças de políticas monetária e cambial, que são imprescindíveis à plena estruturação desse processo de expansão econômica. 
Por outro lado, esses dois vetores de demanda efetiva - investimento público (em infra-estrutura e energia) e exportação privada de "commodities" - dependem fortemente de condições externas favoráveis, do mesmo ritmo de crescimento da demanda externa de "commodities" da década passada e da aderência do mercado externo de capitais às demandas por financiamento dos investimentos programados. Mas mesmo que imaginemos satisfeitas tais condições, o que podemos esperar desse estilo de crescimento é a confirmação da aposta de uma estratégia de crescimento puramente assentada na modernização técnica. 
O sistema econômico se expande, aumenta a produtividade do trabalho mediante investimento em infra-estrutura; a demanda efetiva é planejada em setores que têm capacidade de arrasto. Mas o nó górdio desse estilo de crescimento é a reprodução de dois dilemas clássicos do subdesenvolvimento, tão bem teorizados por Celso Furtado: maior dependência externa, maior desigualdade na repartição do excedente econômico, materializado em renda e riqueza sociais ultraconcentradas. Isto tudo significa mais miséria e violência urbana e rural como padrão de civilização, calcado na desigualdade, que infelizmente grande parte da nossa elite econômica e cultural se acostumou a considerar "natural". 
Mas no ambiente político e econômico do governo Dilma comparece um terceiro importante protagonista do crescimento, a respeito do qual ainda não há consenso na aliança política que ganhou as eleições sobre como tratá-lo: a chamada ‘classe C’, consumidora de bens-salário; trabalhadora assalariada; portadora de direitos sociais, mas que também é produtora atual e potencial de bens e serviços no segmento da chamada economia familiar ou do micro-empreendimento. 
Com tantas e diferenciadas caracterizações, esse amplo arranjo de formações sociais tem em comum um traço relevante: depende de políticas públicas permanentes, voltadas à igualdade social, para consolidar sua participação na distribuição da renda. 
Essa ‘classe C’, medida pela PNAD na faixa de meio até dois salários mínimos de renda per capita familiar, já representa mais de metade das famílias e, para se manter e elevar sua presença no espectro da distribuição de renda, precisaria contar com uma estratégia explícita de redistribuição do excedente econômico, gerado a partir dos ganhos de produtividade a que nos referimos anteriormente. 
Deve-se assinalar a contradição latente, presente na economia política desse novo governo que ora se inicia. A convenção ou acordo para o crescimento, malgrado algumas resistências, é para um clássico processo de "modernização conservadora" - rural e urbana. 
Mas a base político-eleitoral que elegeu Dilma será expelida do processo distributivo se não houver estratégia redistributiva claramente delineada, não apenas nas políticas sociais clássicas, como também nas políticas de fomento econômico. A conseqüência política disso seria uma enorme frustração, com implicações certamente perversas para o mínimo de coesão social. 
Finalmente, deve-se assinalar que o governo Dilma, assim como os dois governos Lula que ela continuará, herda as crises latentes da economia mundial, cuja incidência e freqüência histórica têm se acelerado, década a década, nos últimos 30 anos. 
Tais crises são sempre um campo antinômico de riscos e oportunidades para vencermos as dificuldades tradicionais da nossa dependência e desigualdade social. No passado, ofereceram, pela expansão do mercado interno, uma via de escape à estagnação. Terá chegado a hora do paradigma da igualdade? 
  
(1)Guilherme Costa Delgado é doutor em economia pela UNICAMP e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz.



quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Cumplicidade perigosa

O papel dos bancos predadores

Adriano Benayon * -

A grande mídia é extremamente aberta às versões idílicas e fantasiosas da realidade, veiculadas por gente ligada aos concentradores da finança, os quais acionam os cordéis das marionetes aboletadas no Banco Central e demais órgãos com poder sobre a moeda e o crédito. Não é para menos, haja vista, por exemplo, as matérias pagas, com dezenas de páginas inteiras, dos balanços dos grandes bancos, a cada trimestre.

2. Exemplificativo da associação entre eles e a grande mídia é a publicação mensal, pela Folha SP, de artigos do presidente do notório banco estrangeiro Santander, patrocinador das palestras de FHC. O Santander recebeu deste, em 2000, a doação do BANESPA, o maior banco estadual do mundo, com extensa rede de agências por São Paulo e todo o Brasil. Essa doação fez parte do maior festival do Mundo de benesses escandalosas para o capital estrangeiro, as "privatizações".

3.  Comparados a essas operações, os casos de corrupção a que a mídia costuma dar ênfase, assemelham-se a meras travessuras de crianças. Nas privatizações, o Estado (União, Estados e municípios) alienou patrimônios inestimáveis e, ainda, gastou, para isso, centenas de bilhões de reais em subsídios e outras vantagens. Os preços dos leilões da privatização, além de ridículos em relação aos patrimônios alienados, não foram senão uma cortina de fumaça para ocultar a realidade de que os preços foram negativos.

4. Vejamos o que diz o presidente do Santander em artigo na Folha SP, de 05.12.2010, intitulado o "O Papel dos Bancos": "De forma simplificada, cabem aos bancos três importantes papéis na sociedade: 1) proteger e rentabilizar a poupança dos indivíduos e das empresas; 2) financiar o consumo e o investimento; 3) prover serviços de pagamento e de recebimento."

5. Na realidade, os bancos fazem estas coisas com o dinheiro dos outros: a primeira é receber dos clientes depósitos à vista, sobre os quais não pagam juros, e ganhar juros do Banco Central, sobre o percentual dos depósitos recolhidos a essa instituição.

6. A segunda é aplicar em títulos do Tesouro e fazer empréstimos a empresas ou a pessoas físicas com a parte dos depósitos não recolhida ao BACEN. Nos empréstimos e financiamentos às empresas cevam-se com juros a taxas equivalentes, em média, a pelo menos três vezes o valor decorrente da taxa SELIC, de 13% aa., que auferem nos títulos do Tesouro.

7. Essa, cerca de 7% aa., descontada a inflação, é de longe a mais alta praticada em todo o Planeta, sem que haja razão válida alguma que o justifique. Nos empréstimos e financiamentos a pessoas físicas as taxas vão de quatro a doze vezes os 13 pontos percentuais da SELIC (52% a 156%), e até mais que isso nos cartões de crédito.

8. As vítimas com renda regular, como salários, são saqueadas através de taxas de juros não tão altas, embora ainda de usura, na modalidade que teve enorme expansão nos últimos anos, o crédito consignado, que propicia aos agiotas não ter qualquer risco, recebendo as prestações descontadas em folha.  Chamam isso de democratização do crédito, um modo de extorquir dinheiro de forma massificada.

9. A terceira atividade destina-se aos clientes de maior renda, a quem são oferecidas aplicações em títulos e em fundos de investimentos, que remuneram as poupanças, mas evidentemente proporcionado aos bancos taxas e comissões nada desprezíveis.

10. Outro papel dos bancos, segundo o presidente do Santander, seria "financiar o consumo e o investimento".  Nessa "tarefa" obtêm lucros desmedidos, porque, como explicado nos itens anteriores, os bancos "trabalham" com dinheiro que não lhes pertence, em geral nada pagando para dispor dele, e obtêm lucros fabulosos através dos juros. 

11. Não admira que os lucros dos bancos no Brasil cresçam a taxas vertiginosas desde o início dos oito anos do governo radicalmente entreguista de FHC e, ainda mais, nos oito anos de Lula. Em 2009, os três maiores bancos (BB, Itaú e Bradesco) somaram lucros oficiais de quase R$ 30 bilhões, cifra que será superada em 2010.

12. Com o dinheiro dos depositantes, do qual os bancos podem emprestar e aplicar um múltiplo, os bancos criam moeda e crédito. Que privilégio, que concessão! Eles têm uma patente que permite fabricar dinheiro, simplesmente lançando em seus livros (computadores) depósitos nas contas dos mutuários dos empréstimos. Esses mutuários, ao contrário, têm que ralar, têm que produzir para pagar ao banco as amortizações e os juros, e esse dinheiro se torna dinheiro do banco.

13. Não bastasse isso, praticam também o "dollar carry-trade", que consiste em converter em reais os dólares captados a juros negativos i.e., a taxas inferiores à depreciação dessa moeda fajuta, a fim de mamar com as altíssimas taxas de juros praticadas no Brasil. Os dólares estão sendo emitidos, sem limite algum, aos trilhões, pelo FED, para ser dados aos grandes bancos e para adquirir destes os títulos podres (derivativos mal lastreados), salvando-os das consequências de suas jogadas fracassadas. 

14. No caso específico do Santander, este chegou a remeter a paraísos fiscais, em 2009, lucros obtidos no Brasil de  US$ 2 bilhões, para cobrir rombos de operações especulativas em mercados financeiros do exterior. Em 2009, 20% dos lucros mundiais do Santander, de quase 9 bilhões de euros, vieram do Brasil, graças à privatização, que lhe faz até hoje faturar alto com a rede do BANESPA, herdada mais do que de graça.

15. Como partícipe destacado dos bancos fraudadores que geraram o colapso financeiro mundial, cuja primeira grande crise se deu em 2007/2008, o Santander é um dos mais encalacrados, por exemplo, com as bolhas imobiliárias da Espanha, do Reino Unido e outras. Assim, muitos estão rejeitando seus títulos.

16. Milhares de clientes do Chile queixam-se de dinheiro sumido em suas contas. Milhares na Espanha sofrem devido a práticas fraudulentas nas hipotecas. No Brasil, são também vultosas as reclamações sobre os serviços do Santander, mas a mídia o omite. Intencionalmente, o banco sobrecarrega o Judiciário, onde as demandas se arrastam por 10 a 20 anos. Enquanto a Justiça brasileira determina 1% a.m.  de multa, mais correção, os bancos emprestam a 10% ao mês, no cheque especial, o que teriam de indenizar. No Santander, um dos que abusam dessa prática, seu sucessor herdará montanhas de indenizações a pagar.

17. O presidente desse banco diz que empresta para consumo e investimentos, mas quais são esses investimentos? - Operações financeiras alavancadas em: derivativos, como credit default swaps (CDS) e mortgage-backed securities (MBS);  manipulações nos mercados de commodities,  opções,  títulos e ações; apostas em índices de juros, taxas de câmbio etc.

18. No Brasil, emprestaram a consumidores, financiaram a aquisição de  bens de consumo durável, criando uma bolha que tende a estourar, porquanto a combinação de taxas de juros abusivas e de superexposição (excesso de despesas financiadas em relação à capacidade de pagamento dos devedores) gerou altíssimos níveis de inadimplência.

19. Com a recessão econômica os tomadores dos empréstimos sofrem decréscimo de renda ou, no melhor dos casos, não têm crescimento de renda suficiente para fazer face às despesas com juros e amortizações. Quando isso ganha vulto, dá-se o estouro das bolhas.

20. Quanto ao financiamento a atividades produtivas, houve algum, mas foi marginal em relação ao realizado por bancos públicos: BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Nossa Caixa.

21. Mundialmente, onde está a eficiência dos grandes bancos privados, se não para faturar somas inconcebíveis em operações especulativas e até fraudulentas, que depois geraram rombos imensos?  Os rombos levaram os bancos centrais e os governos dos EUA e de países europeus e ao Banco Central Europeu, submetidos àqueles bancos, a emitir dezenas de trilhões de dólares para evitar que eles afundassem com seus ativos podres.

22. O Santander é um braço do grupo britânico Inter-Alpha,  cujos ganhos dependem cada vez mais das taxas de juros usurárias com que o Banco Central do Brasil favorece os bancos, e a sangria sofrida pelos brasileiros pode atingir dimensões ilimitadas, por estar esse   banco, além de outros, em vários países, com ativos podres em montante muito superior ao  seu capital. 

23. Além disso, deve haver um limite para a emissão de trilhões de euros, para socorrer bancos nessa situação, criada pela irresponsabilidade, desonestidade e incompetência dele, após terem causado prejuízos incomensuráveis à maioria da população dos países em que operam, os quais só tendem a aumentar.

24. Com efeito, tanto na Europa como nos EUA os orçamentos públicos já estão com déficits de tal monta, e as emissões já foram de tal ordem, que os títulos públicos já se encontram desacreditados, e não há mais como realizar novas operações de socorro (bail-out) em favor dos bancos privados sem causar a desordem e a desestruturação total das economias nacionais.

25. Finalmente, o terceiro dos papéis salientados pelo presidente do Santander: prestar serviços aos clientes. Ora, no Brasil, com o beneplácito do Banco Central, que trabalha em favor deles e contra a sociedade brasileira, os bancos cobram taxas e tarifas de tal monta por tais "serviços", que todas as suas despesas para funcionar são cobertas  pela receita dessas taxas e tarifas, e ainda sobra muito dinheiro. Assim,  os ganhos monumentais das operações financeiras não sofrem qualquer diminuição decorrente do custeio da máquina administrativa, mas, ao contrário, são aumentados com a diferença entre a receita das tarifas e as despesas operacionais. 
(Publicado em A Nova Democracia, nº 73, janeiro de 2011 repassado por O Berro) 
  
* Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de "Globalização versus Desenvolvimento",   editora Escrituras. abenayon@brturbo.com.br

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vale Cultura

Ana de Hollanda: “Acabar com a fome de cultura”

A nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda, assumiu nesta segunda-feira (3) a pasta, na cerimônia de posse mais animada da Esplanada dos Ministérios. Recebida por grupos de cultura popular, na entrada do Museu da República, Ana arriscou passos de samba de roda e coco, dança típica do Maranhão.

Ana disse que sua gestão será de “continuidade e avanços” e se comprometeu a manter programas criados nos últimos anos, como os Pontos de Cultura e os projetos do Mais Cultura. “A minha gestão jamais será sinônimo de abandono do que foi ou do que está sendo feito. Não quero a casa arrumada pela metade, as coisas se desfazendo pelo caminho, a pintura deixada no cavalete por falta de tinta”.

A nova ministra disse que a ascensão social conquistada durante o governo do ex-presidente Lula tem que ser complementada pelo acesso à cultura e informação, na gestão da presidenta Dilma Rousseff. “ É preciso ampliar a capacidade de consumo cultural dessa multidão de brasileiros que está ascendendo. Até aqui, essas pessoas têm consumido mais eletrodomésticos que cultura”, avaliou.

Ana aproveitou a presença de parlamentares na cerimônia de posse e pediu apoio do Congresso Nacional para aprovar, ainda no primeiro semestre, o projeto de lei que cria o Vale Cultura. “Temos que incrementar a cesta do trabalhador com a inclusão da cultura. Fazer o casamento da ascensão cultural e social, para acabar com a fome de cultura que ainda reina no nosso país”.

A nova ministra destacou que o ministério ganhou importância política nos últimos anos e disse que, nos próximos quatro anos, a pasta vai estar integrada às demais áreas do governo. “O Ministério da Cultura na gestão Dilma Rousseff não será uma senhora excêntrica nem um estranho no ninho”.

Paulistana, irmã do cantor Chico Buarque, a nova ministra da Cultura é cantora, compositora, já foi secretária de Cultura da cidade de São Paulo e de Osasco, além de gestora da Funarte e do Museu da Imagem e do Som.

No discurso de transmissão do cargo, o ex-ministro Juca Ferreira listou programas e iniciativas do ministério, se emocionou ao se despedir dos colegas de governo e foi aplaudido de pé.
Fonte: Vermelho

Bons Hábitos para a Saúde



OS ALIMENTOS "TOP-FIVE" CAUSADORES DE CÂNCER:

1. Cachorros quentes
Porque têm alto teor em nitratos. A "Câncer Preventivo Coalition" adverte que as crianças não devem comer mais de 2 salsichas por mês.

2. Carnes processadas e toucinho
Também contêm altos níveis de nitrato de sódio como as salsichas, assim como também no toucinho e outras carnes processadas aumentam o risco de doenças do coração. A gordura saturada do toucinho também é um grande colaborador na geração de câncer.

3. Donés (Donutts)
Os donés são duplamente causadores de câncer. Primeiro porque são elaboradas com flúor, açúcar refinado e óleo hidrogenado, depois são FRITOS a altas temperaturas. Os donéssão o primeiro "alimento" de todos os que podes comer que elevará altamente o teu risco de gerar câncer.

4. Batatas fritas
Assim como os donutts, as batatas fritas são elaboradas com óleos hidrogenados e cozinhadas depois a altas temperaturas. Também contêm acrylamidas que se geram durante o processo de cozedura a altas temperaturas. Deveriam chamar-se batatas de câncer em vez de batatas fritas

5. Biscoitos e bolachas
São geralmente elaborados com flúor e açúcar. Até as que em suas etiquetas são orgulhosamente apresentadas como livres de gorduras transgénicas geralmente contêm ainda, só que em quantidades menores.

HÁBITOS QUE PREJUDICAM O CÉREBRO
(matam neurônios)

1. Não tomar o café da manhã
A pessoa que não toma o pequeno-almoço tem baixo nível de açúcar no sangue. Isto gera uma quantidade insuficiente de nutrientes ao cérebro causando a sua degeneração paulatinamente.

2.Comer demais
Isto causa o endurecimento das artérias do cérebro, causando também baixa capacidade mental.

3. Fumar
Causa a diminuição do tamanho cerebral e promove também a doença de Alzheimer.

4. Consumir altas quantidades de açúcar
O alto consumo de açúcar interrompe a absorção de proteínas e outros nutrientes causando má nutrição e pode interferir no desenvolvimento do cérebro.

5. Contaminação do ar
O cérebro é o maior consumidor de oxigênio do corpo. Inalar ar contaminado diminui a sua oxigenação provocando uma diminuição da eficiência cerebral.

6. Dormir pouco
O dormir permite ao cérebro descansar. A falta de sono por períodos prolongados acelera a perda de células do cérebro

7. Dormir com a cabeça coberta
Dormir com a cabeça coberta aumenta a concentração de dióxido de carbono e diminui o oxigênio causando efeitos adversos ao nosso cérebro.

8. Fazer o cérebro trabalhar quando estamos doentes
Trabalhar e estudar quando estás doente, além da dificuldade do cérebro para responder nesse estado, prejudica-o.

9. Falta de estimulação
Pensar é a melhor maneira de estimular o nosso cérebro e não fazê-lo provoca que o cérebro diminua o seu tamanho e portanto a sua capacidade.

10.Pratica a conversação inteligente
Conversas profundas ou intelectuais promovem a eficiência cerebral

Causas principais que prejudicam o fígado

1. Dormir tarde e despertar tarde
2. Não urinar pela manhã
3. Comer demasiado
4. Pular o café da manhã
5. Consumir muitos medicamentos
6. Consumir conservantes, colorantes, adoçantes artificiais
7. Consumir óleos de cozinha não saudáveis. Reduz o mais possível o consumo de alimentos fritos mesmo quando utilizes azeites benéficos. Não consumas alimentos fritos quando estiveres cansado ou doente a menos que sejas muito magro, mas se puderes, evita-o.
8. Consumir alimentos demasiado cozidos sobrecarrega o fígado.
Os vegetais devem ser comidos crus ou pouco cozidos. Se consomes vegetais fritos deves fazê-lo de uma só vez, ou seja, não deves guardá-los para consumo posterior.
Devemos seguir estes conselhos sem que signifique maior gasto.Só temos que adotar um estilo de vida mais saudável e melhorar os nossos hábitos alimentares. Manter bons hábitos de alimentação e exercício é muito positivo para que o nosso organismo absorva o que necessita e elimine os químicos no seu "horário".

Fonte: Carta O Berro ... repassem

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo

    Repassando, como fizemos  tantas vezes                                                                                        

 (Fonte: Carta O Berro)

  Já que o ano foi fatiado,

   como disse Carlos Drummond de Andrade

  "............

  Não precisa
  fazer lista de boas intenções
  para arquivá-las na gaveta.
  Não precisa chorar arrependido
  pelas besteiras consumidas
  nem parvamente acreditar
  que por decreto de esperança
  a partir de janeiro as coisas mudem
  e seja tudo claridade, recompensa,
  justiça entre os homens e as nações,
  liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
  direitos respeitados, começando
  pelo direito augusto de viver.
   ................................................... 
  Para ganhar um Ano Novo
  que mereça este nome,
  você, meu caro, tem de merecê-lo,
  tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
  mas tente, experimente, consciente."


  Feliz Ano Novo!



  Eu desejo para todos vocês a Paz que desejo ao sofrido povo palestino, hoje, neste novo ano, esmagado, destroçado pelos nazi-sionista-israelenses que ocupam o poder no estado norte-americano-israelita;
  Eu desejo para todos vocês a fartura e a saciedade de comida e de viver , que desejo ao povo africano do Quênia, Zimbawe, Etiópia e outros, hoje, neste ano novo, novamente esmagado pela cobiça dos EEUU. França Alemanha e Inglaterra, no roubo de suas riquezas naturais;
  Eu desejo a vocês a liberdade e a segurança de vida em uma pátria livre, que desejo ao povo do Afeganistão e Iraque, hoje, neste ano novo, mais uma vez , destruído e encarcerado pelas tropas norte-americanas, inglesas e dos seus aliados;
  Eu tenho a certeza de que ninguém pode viver feliz enquanto outros seres humanos sofrem.  Por isso, neste novo ano, eu lhes desejo a renovação da esperança de dias melhores para todos os povos; de janelas abertas para a luz do sol para todos;a alegria de poder ajudar, solidarizar, amar o outro, desde que você se ame;
  Faça do ano novo o novo.
  Faça da utopia os votos de realidade; do egoísmo a doação;
  do acanhado a generosidade;
  da escuridão a claridade para os olhos, hoje, cegos (a cegueira da nossa alienação);
  do preconceito apenas o conceito;
  abrace a vida que está em você e no outro.
  Não se envergonhe de demonstrar carinho; não tema sonhar.
  Construa caminhos neste Novo Ano.
  São os votos da Carta O Berro para todas (os) amigas (os), listeiras (os), companheiras (os),
  nessa literatura diferencial que os grandes "jornalões" não publicam.  Quisemos ser uma oportuna espectativa para a reflexão do contraditório, seja na política, na poesia, na prosa, na informação, na reprodução de dados e fatos,
  para que você tenha sempre um parâmetro , evitando os comuns da repetição dos jornais nacionais, abrindo espaço para que a verdade seja a sua consciência;
  que estejamos unidos pela justiça, pela igualdade de oportunidades, pelo respeito ao próximo, na solidariedade, na luta pela páz, soberânia, no Brasil, na América Latina e no Mundo..
  Feliz Ano Novo,
  De Novo.  
  Vanderley Caixe.
PS: Faço minhas as palavras do Vanderley
Mírian

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Marketing infalível X passividade dos consumidores

Nutricionista guarda Mc Lanche Feliz por um ano.
 (Fonte: O Berro.........repassem)
 Veja o poder dos conservantes...
  
            Uma reportagem publicada no final de março deste ano pelo jornal britânico Daily Mail deixou seus leitores de boca aberta. Uma nutricionista americana resolveu fazer um teste para constatar se a comida do McDonald's possui conservantes em excesso. O resultado foi assustador. 
            Durante um ano, Joann Bruso guardou um "Mc Lanche Feliz", um kit composto por sanduíche, refrigerante e batata frita, que acompanham um brinquedo e é vendido para as crianças. "A comida normal tem que se decompor, cheirar mal... Entretanto, o lanche e as batatas não estragaram e isso mostra que as crianças não estão comendo de forma saudável", declarou. 
            De acordo com a reportagem, Joann deixou o lanche e as batatas descobertos, em cima de uma prateleira em sua casa, no estado americano de Colorado, para checar o que aconteceria. Durante um ano, nenhuma mosca sequer chegou perto do sanduíche. "Eu deixava a janela aberta mas as moscas e outros insetos simplesmente ignoravam o 'Mc Lanche Feliz'". 
            "A comida é decomposta dentro do nosso organismo, que se aproveita dos nutrientes dela para transformá-los em combustível", explica Joann. "Nossas crianças crescem de forma saudável quando comem comida de verdade". 
            A nutricionista ainda explica que se o "Mc Lanche Feliz" foi ignorado por bactérias e micróbios que não fizeram a decomposição, isso significa que o corpo da criança também não consegue digerir esse tipo de comida de forma adequada. 
            Segundo dados apresentados pelo Daily Mail, pesquisas recentes afirmam que o pão da McDonald's possui uma série de conservantes como propionato de sódio. Já o pickles utilizado pela rede de fast-food leva benzoato de sódio. 
            As batatas fritas, que Joann descreveu como estando "douradas mesmo um ano depois", contém conservantes como ácido cítrico e pirofosfato de ácido de sódio, que mantém sua coloração.  

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ceci, a bela que também digita

Dona Pandá conta quem é Ceci

Sou Pandá, Dona Pandá, a chacareira de Guaré, aquela conselheira dos urbanos que querem comprar uma chácara. Agora que me identifiquei, vou apresentar a Cecília, Ceci para os mais ou menos íntimos. Mais ou menos porque, como estão  fora do meus campos visual e auditivo, não tenho acesso a eles, afinal Ceci é apenas minha secretária. Sem eu lhe dar muito espaço, ela já me adjetiva como velhinha qualquer coisa, imaginem se eu lhe der alguma trela.
Falemos dela, enquanto está tirando um cochilo. Chegou bocejando, tropeçando e escondendo o mal humor de quem aproveitou a noite e não conseguiu negociar com o relógio. Ele foi cruel e nossa jovenzinha, tão coitadinha, saiu da balada diretamente para o seu suplício maior, que sou eu, a que lhe passa tarefas terríveis, como digitar os meus textos.
No nosso dia a dia, Ceci é bem humorada. Fisicamente, trata-se de uma garota de fechar o trânsito (se ela estivesse fazendo seu trabalho, ou seja, digitando, já iria logo dizer que a expressão "fechar o trânsito" é caduquice). Teria razão, pois atualmente o trânsito vive fechado. Como podem ver, minha secretária discute comigo até quando está ausente! Como eu estava tentando dizer, ela é bem apessoada, loirinha, olhinhos verdes, mede 1,60m e seu peso, embora seja segredo de estado, deve estar beirando os 55kg.
Tem algumas qualidades incríveis: gosta e sabe negociar (ai de mim...), tem iniciativas perigosas a toda hora, nada a assusta. Justifica o seu não-assustar-se com o fato de me aguentar. Diz que se não pode ter medo de mim, o que poderia ser mais assustador? Consequentemente, é uma moça corajosa, possui alta capacidade de assimilação desde que o assunto lhe interesse. Além de me aporrinhar, seu esporte preferido é o patim. Bota um par de patins nos pés e acha que é a dona do mundo. Só falta, agora, nos convencer disto, o que, aliás, falta pouco, pois os rapazes agem como se o Universo fosse a bola que gira ao redor da bela. Ceci. Ficam olhando, de boca aberta, esperando algum lenço para enxugar a baba. Ceci acha muito natural os marmanjos ficarem enlouquecidos ao se perderem em seu olhar, acompanhado daquele sorriso meio irônico, maldoso, ingênuo e que os diabinhos traduzem como querem, meio convidativo. Ela nega este último predicado, defendendo-se com a couraça da sua indiferença.Minha doce secretária tem pimenta na língua. Farei qualquer coisa para morrer sua amiga! Numa belo dia, ela chega  falando que o prefeito da Pauliceia Desvairada, não se conformando em ser o alcaide da cidade e não ser reconhecido, resolveu superar a própria em desvario, ficou oficialmente desvairadíssimo. Querem saber os desmandos que ele anda fazendo? Visitem o blog  http://www.feirinhadateodoro.blogspot.com   Lá ficarão por dentro disso e de muito mais.

A pretinha brasileira fazendo sucesso

 A NOSSA JABUTICABA, HEIN? QUEM DIRIA...



            Olha aí que interessante!
            A jabuticaba, nossa pequena notável! Fruta 100% brasileira.
            É dela que vamos falar.
            Discreta no quintal de nossa casa, ela contém teores espantosos de
            substâncias protetoras do peito. Ganha até da uva, e provavelmente do vinho
            que é festejado no mundo inteiro por evitar infartos.
            Você vai conhecer agora uma revelação científica, e das boas, que acaba de
            cair do pé.

            Por Regina Pereira

            A química Daniela Brotto Terci nem estava preocupada com as coisas que se
            passam com o coração. Tudo o que ela queria, em um laboratório da
            Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, era
            encontrar na natureza pigmentos capazes de substituir os corantes
            artificiais usados na indústria alimentícia.
           E, claro, quando se fala em cores a jabuticaba chama a atenção.
            Roxa? Azulada? Cá entre nós, jabuticaba tem cor de... jabuticaba.
            Mas o que tingiria a sua casca? A cientista quase deu um pulo para trás ao
            conferir: "enormes porções de antocianinas", foi a resposta.
            Desculpe o palavrão, mas é como são chamadas aquelas substâncias que, sim,
            são pigmentos presentes nas uvas escuras e, conseqüentemente, no vinho
            tinto, apontados como grandes benfeitores das artérias.
            Daniela jamais tinha suspeitado de que havia tanta antocianina ali, na
            jabuticaba, aliás, nem ela nem ninguém.
            "Os trabalhos a respeito dessa fruta são muito escassos", tenta justificar a
            pesquisadora, que também mediu a dosagem de antocianinas da amora.
            Ironia, o fruto da videira saiu perdendo no ranking, enquanto o da
            jabuticabeira...
            Dê só uma olhada (o número representa a quantidade de miligramas das
            benditas antocianinas por grama da fruta):
            *jabuticaba: 314*
            *amora: 290*
            *uva: 227*
            As antocianinas dão o tom. 'Se um fruto tem cor arroxeada é porque elas
            estão ali', entrega a nutricionista Karla Silva, da Universidade Estadual do
            Norte Fluminense, no Rio de Janeiro.
            No reino vegetal, esse tingimento serve para atrair os pássaros.
            E isso é importante para espalhar as sementes e garantir a perpetuação da
            espécie', explica Daniela Terci, da Unicamp.
            Para a Medicina, o interesse nas antocianinas é outro. "Elas têm uma potente
            ação antioxidante", completa a pesquisadora de Campinas. Ou seja, uma vez em
            circulação, ajudam a varrer as moléculas instáveis de radicais livres. Esse
            efeito, observado em tubos de ensaio, dá uma pista para a gente compreender
            por que a incidência de tumores e problemas cardíacos é menor entre
            consumidores de alimentos ricos no pigmento.
            Ultimamente surgem estudos apontando uma nova ligação: as tais substâncias
            antioxidantes também auxiliariam a estabilizar o açúcar no sangue dos
            diabéticos.
            Se a maior concentração de antocianinas está na casca, não dá para você
            simplesmente cuspi-la. Tudo bem, engolir a capa preta também é difícil. A
            saída, sugerida pelos especialistas, é batê-la no preparo de sucos ou usá-la
            em geléias. A boa notícia é que altas temperaturas não degradam suas
            substâncias benéficas.
            Os sucos, particularmente, rendem experiências bem coloridas. A
            nutricionista Solange Brazaca, da Escola Superior de Agricultura Luiz de
            Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior paulista, dá lições que parecem
            saídas da alquimia. "Misturar a jabuticaba com o abacaxi resulta numa bebida
            azulada", ensina. "Já algumas gotas de limão deixam o suco avermelhado". As
            variações ocorrem devido a diferenças de pH e pela união de
            pigmentos ácidos.
            Mas vale lembrar a velha máxima saudável: bateu, tomou. "Luz e oxigênio
            reagem com as moléculas protetoras", diz a professora. Não é só a saúde que
            sai perdendo: o líquido fica com cor e sabor alterados.
            Aliás, no caso da jabuticaba, há outro complicador. Delicada, a fruta se
            modifica assim que é arrancada da árvore. "Como tem muito açúcar, a
            fermentação acontece no mesmo dia da colheita", conta a engenheira agrônoma
            Sarita Leonel, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu. A dica é
            guardá-la em saco plástico e na geladeira. Agora, para quem tem uma
            jabuticabeira, que privilégio!
            A professora repete o que já diziam os nossos avós: "Jabuticaba se chupa no
            pé".


            O branco tem seu valor.

            A bioquímica Edna Amante, do laboratório de frutas e hortaliças da
            Universidade Federal de Santa Catarina, destaca alguns nutrientes da parte
            branca e mais consumida da jabuticaba. "É na polpa que a gente encontra
            ferro, fósforo, vitamina C e boas doses de niacina, uma vitamina do complexo
            B que facilita a digestão e ainda nos ajuda a eliminar toxinas".


            Ufa! E não só nessa polpa, mas também na casca escura, você tem excelentes
            teores de pectina. "Essa fibra tem sido muito indicada para derrubar os
            níveis de colesterol, entre outras coisas", conta a nutricionista Karla
            Silva. A pectina, portanto, faz uma excelente dobradinha com as antocianinas
            no fruto da jabuticabeira. Daí o discurso inflamado dessa especialista, fã
            de carteirinha: "A jabuticaba deveria ser mais valorizada, consumida e
            explorada".


            Nós concordamos, e você?

            A jabuticabeira

            Nativa do Brasil, ela costuma medir entre 6 e 9 metros e é conhecida desde o
            período do descobrimento. "A espécie é encontrada de norte a sul, desde o
            Pará até o Rio Grande do Sul", diz o engenheiro agrônomo João Alexio
            Scarpare Filho, da ESALQ. Segundo ele, a palavra jabuticaba é tupi e quer
            dizer "fruto em botão".
            A invenção é esta: vinho de jabuticaba. O nome não deixa de ser uma espécie
            de licença poética, já que só pode ser denominado vinho pra valer o que
            deriva das uvas. Mas, sim, existe um fermentado feito de jabuticaba que,
            aliás, já está sendo exportado.
            "O concentrado da fruta passa um ano inteiro em barris de carvalho", conta o
            farmacêutico-bioquímico Marcos Antônio Cândido, da Vinícola Jabuticabal, em
            Hidrolândia, Goiás.
            A jabuticaba é a matéria-prima de delícias já conhecidas, como a geléia e o
            licor, e também de uma espécie de vinho. Quem provou a bebida garante: é uma
            delícia.

            Em 100 gramas ou 1 copo:
            *Calorias 51*
            *Vitamina C 12 mg*
            *Niacina 2,50 mg *
            *Ferro 1,90 mg *
            *Fósforo 14 g*

            Tire proveito da jabuticaba

            Atributos, para essa fruta tipicamente brasileira, são o que não faltam.
            Vitaminas, fibras e sais minerais aparecem nela ao montes.
            Agora, para melhorar ainda mais esse perfil nutritivo, pesquisadores da
            Universidade Estadual de Campinas descobriram que ela está cheia de
            antocianinas, substâncias que protegem o coração.
            Mais uma razão para que a jabuticaba esteja sempre em seu cardápio.


--------------------------------------------------------------------
Fonte: O Berro...repassem