Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Salve, meu anjo da guarda!


 Martinho da Vila 


    No horóscopo chinês, sou do signo de Tigre, e no ocidental, de Aquário. Na religião afro, todos têm um orixá de cabeça, um de costa e um de frente. Para saber qual é o seu santo protetor, caríssimo leitor, terás que submeter-se a um jogo de búzios. Convém consultar três babalorixás ou ialorixás para confirmar. No judaísmo e no catolicismo, todos têm um anjo da guarda e um arcanjo. Fazendo o exercício do livro dos anjos é possível saber qual nos protege.

     Dona Ivone Lara me disse que tenho de me lembrar sempre do meu anjo da guarda para ele não esquecer de mim. Disse também que quem tem um protetor forte sai ileso das situações mais embaraçosas e não entra em fria. Meu santo-forte é poderoso e já me livrou de muitas situações difíceis — como podem observar em três ocasiões que vou citar, que poderiam me deixar mal, mas eu fiquei numa boa.
     Na primeira, quando era sargento do Exército, ia viajar para o Oriente Médio e, na última hora, fui cortado do Batalhão Suez. Fiquei chateado, mas depois feliz porque, com o corte, escapei de sofrer com a Guerra dos Seis Dias. Na segunda, na hora do embarque, fui transferido do voo do avião da Varig que caiu em Orly e todos os passageiros morreram. Na terceira, escapei de ser vítima do humor sarcástico de algum cronista sensacionalista, vejam só: pretendia fazer uma escolinha de futebol lá na terra do Arouca, que joga pelo Santos do Neymar, e ia inscrever o Instituto Cultural Martinho da Vila no programa Segundo Tempo da Secretaria Nacional de Esporte Educacional, com o objetivo de formar outros Aroucas em Duas Barras. Como o ICMV vai passar por uma reforma e está com as atividades suspensas, pensando bem, achei melhor esperar a conclusão das obras da sede e, depois de retomada as atividades, batalhar pela escolinha.
     Creio que foi um anjo que me guiou para tal decisão porque, mesmo se eu tivesse conseguido o patrocínio, o campo não estaria pronto e um comentarista político maldoso poderia soltar o verbo pra cima de mim, possivelmente assim: “Sambista filiado ao PCdoB, amigo do Orlando Silva, que já fez festa de aniversário para o ministro em sua residência na Barra e que já o hospedou em sua fazenda, recebeu dinheiro do Programa Segundo Tempo do Ministério dos Esportes e não fez nada”.
     É… meu santo é mesmo forte. Meu anjo da guarda está sempre de plantão, e meu arcanjo não dorme. O comentário seria uma calúnia, pecado que deveria ser classificado como capital, mas eu nem iria me amofinar e permaneceria com o meu sorriso aberto porque está escrito: “Não dê ouvidos às intrigas e calúnias; só a árvore que produz frutos é que se vê apedrejada, para deixá-los cair. À árvore estéril ninguém dá importância e a calúnia pode ser uma honra para quem a recebe”. Continuo sorrindo porque o correto Aldo Rebelo assumiu a pasta, mas fiquei triste com a queda do ministro Orlando Silva. 

Nossa fonte: Vermelho

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

“Passamos da fase dos slogans simpáticos dos fóruns sociais”

Carta Maior entrevista o filósofo francês Daniel Bensaid


De passagem pelo Brasil, filósofo francês concede entrevista exclusiva à Carta Maior, na qual analisa a crise financeira, comenta as situações dos EUA e da Europa e aponta os desafios para a esquerda construir uma alternativa ao modelo atual.

     RIO DE JANEIRO - No Brasil para uma série de palestras que acompanham o lançamento de um de seus livros - Os Irredutíveis, teoremas de resistência para o tempo presente (Ed. Boitempo) - o cientista político e filósofo francês Daniel Bensaïd, em entrevista exclusiva à Carta Maior, analisa a crise financeira global e seus possíveis desdobramentos. Durante a conversa, que aconteceu antes da palestra realizada segunda-feira (3) na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Bensaïd apontou as contradições dos líderes europeus de direita que falam em um “novo acordo de Bretton Woods” e afirmou - ainda sem saber o resultado das eleições - que a liderança dos Estados Unidos sofre um declínio irreversível e que a hegemonia norte-americana só se sustenta atualmente graças ao poderio militar e político do país.
     Renomado teórico trotskista, Bensaïd fez também duras críticas à social-democracia européia e apontou a falta de um projeto de esquerda na Europa. O francês afirma não conhecer muito bem a situação da América Latina, mas acredita que os governos de esquerda da região podem constituir uma alternativa local à crise. Ele afirma também que chegou a hora de dizer qual “outro mundo possível” realmente queremos. Leia abaixo a entrevista de Daniel Bensaïd, que dará palestras hoje (5) em Porto Alegre (Memorial Rio Grande do Sul, 19h), amanhã (6) em São Paulo (PUC, 19h) e no sábado (8) em Ouro Preto (Casa da Ópera, 9h30):
     Carta Maior – Quais são suas impressões, em linhas gerais, sobre a atual crise financeira mundial? Estamos diante de uma crise terminal do sistema capitalista?
     Daniel Bensaïd – O capitalismo não vai acabar sozinho. Esta é uma crise histórica, e não somente uma crise ordinária, como o capitalismo conheceu a cada dez ou quinze anos. Essa crise era também previsível, porque é impossível exigir_ como fazem os acionistas _ um retorno sobre seus investimentos da ordem de quinze por cento ao ano frente a um crescimento que em média, no caso dos países desenvolvidos, é de dois ou três por cento ao ano. Alguns dizem que a crise financeira pode chegar à economia real, o que é uma fórmula um pouco absurda porque as finanças fazem parte da economia, elas não são irreais, efetivamente. Por trás dessa crise financeira já havia uma crise de produção. Ao menos para os países europeus - eu não conheço as estatísticas sobre o Brasil - a divisão do valor agregado entre salário e trabalho se deslocou dez por cento em favor do capital, ou seja, do ganho do capital em detrimento do trabalho, o que provoca uma crise incontrolável. Para continuar a vender - porque se existe o produto é preciso vendê-lo - houve um aumento totalmente louco do crédito, e não somente do crédito hipotecário imobiliário nos Estados Unidos. Também aumentou o crédito ao consumo, o crédito às empresas, etc. A crise, desse ponto de vista, era previsível. 
     Por outro lado, ela não é simplesmente uma fatalidade, é o resultado de decisões políticas que se acumularam por vinte anos, porque a desregulamentação das bolsas, a livre circulação de capitais, o desenvolvimento dos ganhos do capital não fiscalizados, tudo isso foi precedido por uma série de medidas legislativas tomadas pelos diferentes parlamentos na Inglaterra, na França, na Alemanha, etc. No que concerne à Europa, isso foi sistematizado pelos diferentes tratados da União Européia, de Maastrich em 1992 até o Tratado de Lisboa no ano passado, que codificaram o livre mercado europeu. Portanto, essa era uma crise previsível e ela é muito grave porque é globalizada, esse é seu caráter inédito. Mas, por trás de tudo isso, eu creio que o capitalismo poderá se restabelecer, ele já resistiu a outras crises. O problema é saber a qual preço e quem vai pagar o preço, pois essa é, afinal de contas, uma crise mais profunda. No jargão marxista, podemos dizer que a lei do valor atualmente funciona muito mal. Hoje, não podemos medir pelo tempo do relógio um trabalho social muito complexo, que cada vez mais mobiliza conhecimento acumulado, como não podemos tampouco medir a crise ecológica pela flutuação das bolsas de valores.
     CM – A crise ambiental, com o problema do aquecimento global, torna a crise financeira ainda mais grave. Estamos vivendo uma crise da humanidade?
     DB – Sim, e a crise ambiental não é um problema qualquer. Quando pensamos nas conseqüências, que virão durante séculos ou talvez milhares de anos, da estocagem de lixo nuclear, da destruição das florestas, da poluição dos oceanos e, agora, das mudanças climáticas, vemos que todos esses problemas não poderão ser controlados simplesmente pelos mecanismos do mercado que, por definição, são mecanismos que arbitram no curto prazo ou de maneira instantânea. Está no centro do que chamamos de organização social a prática de medir toda riqueza, toda relação social, e mesmo a relação da sociedade humana com a natureza, pelo único critério do tempo de trabalho abstrato.
     CM – Os países da Europa tomaram a dianteira contra a crise com medidas protecionistas e forte presença do Estado. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que os países devem caminhar para um novo Bretton Woods. Como o senhor analisa a posição européia?
     DB – Existe uma contradição em uma crise como esta. Como a globalização esta aí e é, em parte, irreversível, todo mundo hoje, e mesmo os antigos liberais fanáticos de outrora, pensa que é preciso estabelecer uma regulação e novas regras do jogo. Todo mundo fala de uma regulação em escala mundial, um novo Bretton Woods, ou ao menos em escala continental como, se pegarmos o exemplo da Europa, a criação do Fundo Soberano Europeu. Estas são as intenções. Ao mesmo tempo, dentro de uma crise grave como esta, cada um tenta jogar de forma solitária, e nós observamos desde o início da crise interesses diferentes como, por exemplo, na Alemanha e na Irlanda, que quiseram proteger seus próprios capitais e seus próprios bancos. 
     É cedo demais para dizer quem vai levar a melhor ou se haverá uma espécie de solidariedade entre capitalistas suficientemente forte para criar mecanismos de controle da crise e de solução para os nossos problemas. Ou ainda, ao contrário, se vamos assistir a um agravamento muito forte da concorrência intercapitalista, interimperialista ou entre os grandes blocos. Uma crise como a atual cria também tendências centrífugas muito fortes.
     CM – O senhor acredita que esta crise consolida o declínio dos Estados Unidos como potência hegemônica mundial?
     DB – Do ponto de vista econômico, o declínio do império americano começou há muito tempo. Os EUA é o país mais endividado do mundo, que continua a desempenhar um papel hegemônico, em grande parte, por causa do seu poderio militar, que representa 60% dos armamentos e das despesas com armamentos em todo o mundo. E, atualmente, existe um efeito perverso, pois a dívida americana havia sido neutralizada pelo deslocamento de capitais dos países produtores de petróleo e da China aos EUA sob forma de Obrigações do Tesouro, ou seja, em dólares. Se esse capitais se retiram, eles fazem o dólar cair e os EUA perdem de todo jeito. Portanto, do ponto de vista econômico, existe uma espécie de mecanismo que deixa os EUA na condição de refém. Enquanto os EUA mantiver a hegemonia militar, o cenário atual poderá durar, mas a gente vê muito bem hoje, e via mesmo antes da crise, que o euro - ou mesmo o yen, mas, sobretudo o euro - pode se tornar a moeda de reserva no lugar do dólar, que ainda guarda seu papel de moeda de troca internacional muito mais por causa da potência política e militar estadunidense do que por causa da solidez da economia dos Estados Unidos. Por isso, eu creio que hoje o declínio dos EUA é irreversível.
      CM – Qual sua avaliação sobre o posicionamento da esquerda frente à crise financeira? O senhor acredita que os governos de esquerda da América Latina podem ter papel importante na busca de soluções para a crise?
     DB – Eu não conheço muito bem o contexto da América Latina. Eu não sei qual vai ser, por exemplo, a capacidade da Venezuela se o preço do petróleo continuar a cair, portanto é mesmo possível que os efeitos da crise sejam mais duros para paises como a Bolívia ou a Venezuela do que para o Brasil, que tem uma exportação mais diversificada. Eu penso que a crise se fará sentir também no Brasil, mas talvez menos forte. Agora, se a reação à crise vai começar a partir de um pólo bolivariano ou a partir da tentativa do Banco do Sul para se tornar autônomo em relação ao dólar, se vai ser criada uma solidariedade energética e alimentar entre os países da América Latina, se isso tudo vai avançar ou não, a questão está aqui e a resposta está aqui. Eu não tenho resposta.
     CM – E na Europa, existe um projeto da esquerda?
     DB – A social-democracia, que é a maior força de esquerda na Europa, vem destruindo metodicamente nos últimos vinte anos os mecanismos do Estado-providência e do Estado de Bem Estar Social.Atualmente, diante da brutalidade da crise, vemos dirigentes do Partido Socialista na França falarem novamente de nacionalização. O que fez Sarkozy não foi em hipótese alguma a nacionalização dos bancos. O que ele fez foi dar aos bancos a segurança do Estado sem nem mesmo solicitar o direito a voto nos conselhos de administração, foi meramente um socorro aos bancos. 
     Certas vozes de esquerda pedem o relançamento de uma política de aumento dos salários, mas isso exigiria uma política séria em escala européia, porque existe o desafio de fazer em nível europeu o contrário do que fizeram os partidos socialistas nos governos nacionais nos últimos vinte anos, ou seja, reconstruir os serviços públicos europeus, harmonizar a fiscalização européia, desenvolver uma fiscalização fortemente progressiva e retomar o poder de compra. Isso significa destruir todos os tratados sobre os quais foi construída a União Européia desde 1992. Eu não acredito que exista nem a vontade política de fazer isso nem a força social para fazer. Por uma razão, pois, através do processo que atravessou, a social-democracia européia perdeu muito do seu apoio popular. Por outro lado, ela se integrou muito fortemente ao topo, às empresas privadas e às finanças globalizadas. O símbolo disso é a presença de dois social-democratas franceses como homens de confiança do capital à frente da OMC (Dominique Strauss-Khan) e do FMI (Pascal Lamy). Isso resume um pouco a situação.
     CM – O economista François Chesnais afirma que esta crise é a primeira etapa de um processo muito longo e que não sabemos como ele vai acabar. O senhor sempre foi um crítico contumaz tanto do capitalismo e da globalização financeira quanto dos regimes socialistas constituídos sob a ótica stalinista. O senhor acredita que a humanidade está preparada para construir uma terceira via?
      DB – A terceira via não passa nem pela gestão estatal e burocrática que faliu nos países do Leste da Europa, notadamente na União Soviética, nem pelo liberalismo. Muita gente diz hoje em dia que a crise não foi causada pelo capitalismo em si, mas pelos excessos e abusos cometidos. Não, a crise foi causada fundamentalmente pela própria lógica do capitalismo. Eu acredito que passamos da fase dos slogans simpáticos dos fóruns sociais. Se um outro mundo é possível, chegou a hora de dizer qual. Nós saímos de um século que terminou, sob o meu ponto de vista, com uma derrota histórica das esperanças de emancipação. Nós entramos no século XXI com muito menos ilusão do que nossos ancestrais entraram no século XX, sobretudo os socialistas, que acreditavam no fim das guerras e da exploração.
     O problema atual é que estamos no início de uma longa reconstrução, mas, ao mesmo tempo, numa corrida contra o relógio, mais do que nunca, pois vivemos uma crise de destruição não somente social, mas também ecológica. Para mim, há somente uma alternativa: opor à concorrência e à lógica do todos contra todos uma lógica do bem comum, dos serviços públicos e da solidariedade. Podemos chamar isso de socialismo, comunismo ou democracia autogestionária. É preciso tentar. Se nós não tentarmos mudar o mundo, ele vai nos esmagar.
   

O complexo do beija-mão



     O colunista da Folha Sergio Malbergier sugeriu que a presidenta Dilma estaria substituindo o “complexo de vira-lata” pelo de “poodle”, ao fazer exigências à União Européia na cúpula do G-20. Na verdade, a crítica do jornalista é um perfeito exemplar de outro complexo tipicamente brasileiro, o "do beija-mão", ideologicamente de direita e que assola a vida nacional desde os tempos coloniais.

     Berlim - Muito se tem falado recentemente sobre o “complexo de vira-lata”, metáfora do sentimento brasileiro criada por Nelson Rodrigues, para se referir à política externa brasileira. Hoje, de maneira deselegante, o colunista da Folha Sergio Malbergier sugeriu que a presidenta Dilma Rousseff poderia estar substituindo este complexo pelo de “poodle”, ao fazer exigências à União Européia perante a cúpula do G-20.
     A esquerda acusa a direita de “complexo de vira-lata” por esta querer que o Brasil se diminua perante as potências ocidentais. A direita acusa a esquerda do mesmo, e o governo brasileiro, por achar que ambos defendem um “terceiro-mundismo mofado”. Para mim, a razão nestas acusações fica com a esquerda, não com a direita, pelo fato de que, entre ambos os argumentos, coloca-se um outro complexo, que assola a direita em matéria de política externa, que é o "complexo do beija-mão".
     O complexo do beija-mão é algo que assola a vida brasileira desde os tempos coloniais, e que consiste em pensar que o que se consegue na vida não se deve aos próprios méritos, mas sim ao favor dos poderosos. É um capítulo interessante da ideologia do favor, que tanto governou e nos governa ainda.
     Para esse complexo, é um absurdo o Brasil se mostrar ostensivamente independente das potências ocidentais, a ponto de criticar algumas delas em público, como no caso do G-20, em que a presidenta Dilma vai cobrar medidas mais duradouras e anti-recessivas da bancada européia. É também absurdo o Brasil não se alinhar costumeiramente aos Estados Unidos. Por quê? Porque assim perderemos o beneplácito dos poderosos, e não teremos as vantagens comerciais que poderíamos ter. Como se o mundo comercial de hoje fosse regido por esses favores do beija cá dá lá.
     Mas não só isso. Devemos adular também os pequenos emergentes. Para esse complexo, o Brasil errou redondamente ao não se alinhar ao neogoverno da Líbia, porque agora, nas prebendas que serão distribuídas como botim depois do bárbaro linchamento de Gadafi (que deveria ter sido julgado em Haia), não teremos parte alguma. Como se as potências bombardeiras deixassem algum espaço espontâneo para quem beijasse as mãos suas ou de seus apaniguados. A diplomacia brasileira – e nisso acerta – aposta em outra coisa, na multilateralidade de sua abordagem da cena internacional, tanto do ponto de vista comercial como do político. 
     Porque assim é o mundo contemporâneo: multilateral, não mais bi nem unipolar. É claro que existem considerações de natureza ética na política internacional. Apoiar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre uma “no-fly zone” na Líbia que vai servir na verdade para bombardear um dos lados da questão em detrimento de outro, inclusive para matar o líder desse lado em questão, não é ético. Além disso, não é pragmático: o Brasil perderia o perfil que vem laboriosamente construindo num mundo multi-lateral que inclui, além do Ocidente em crise monetária, fiscal, econômica e política, os BRICS, o G-20, a América Latina, a África subsaariana, o Oriente Médio, para dizer o mínimo e o máximo.
     Tudo isso remonta a dizer que o mundo íntimo da nossa direita é completamente anacrônico. Ele não consegue visualizar a estatura que o Brasil atingiu na cena internacional. Também não consegue visualizar a própria cena internacional, que é bem mais complexa do que um jogo de mocinho e bandido ou de gato e rato.
      Uma última observação. Toda a ironia tem dois gumes, a gente sabe. É bom lembrar que na época em que Nelson Rodrigues criou a metáfora do “complexo de vira-lata” o modelo ideal de cachorro era o pastor alemão, de triste memória (o modelo ideal, não o cachorro que, deixado a seu instinto, é de índole boa e pacífica). 
Fotos: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República 
Nossa Fonte: Carta Maior

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Para nossa reflexão

Fidel Castro: A Reunião do G20


Nesta quinta-feira (3) começa a reunião do G20, quer dizer, a dos países mais desenvolvidos e ricos do planeta: Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Grã Bretanha, França, Itália, e a União Europeia como entidade a parte com direito a participar.

Fidel Castro Ruz, (Cuba Debate)


     Esses são os baluartes fundamentais da Otan, mais seus aliados Japão, Coreia do Sul, Austrália e Turquia em seu duplo aspecto de país em desenvolvimento e membro da Otan, assim como Arábia Saudita – um gigantesco depósito de petróleo nas mãos das transnacionais do Ocidente, que extraem dali 9,4 milhões de barris diários, cujo valor ao preço atual chega a US$ 1 bilhão por dia – em um lado da mesa, e, no outro, um grupo de países com crescente peso econômico e político, que de fato se convertem, pelo número de seus habitantes e seus recursos naturais, em uma expressão dos interesses da maioria de nosso sofrido e saqueado mundo: a República Popular da China, a Federação Russa, Índia, Indonésia, África do Sul, Brasil, Argentina e México.
    Espanha, também aliada da Otan, é apenas “país convidado”.
     Trata-se de uma reunião entre os grandes produtores de maquinários e artigos industriais e os grandes administradores de matérias-primas, que ao longo de meio milênio depois da conquista, foram colônias europeias e no último século os abasteceram de produtos agrícolas, minerais e recursos energéticos, vítimas de um desumano intercâmbio desigual.
     Colonização e barbárie      Este obscuro período da história vem ocorrendo desde que os descendentes das tribos bárbaras que povoaram a Europa, “descobriram” e conquistaram este hemisfério armados com espadas, catapultas e arcabuzes.
     “Os descobridores”, que foram objeto de apologia pelo chamado mundo ocidental – como se no continente não vivesse uma parte da humanidade há 40 mil anos –, alimentavam o propósito de buscar uma rota mais curta para o comércio com a China.
     Na China, que possuía antecedentes por meio dos comerciantes de seda e outros valiosos produtos desejados pela aristocracia e a nascente burguesia europeia, encontraram uma fabulosa civilização detentora de uma linguagem escrita, arte refinada, agricultura, metais, pólvora e avançados princípios de organização política e militar, incluídos exércitos com dezenas ou talvez centenas de milhares de soldados de cavalaria.
      Eles estavam a ponto de naufragar quando, nas proximidades de Cuba, encontraram terra. Pouco depois [Cristóvão] Colombo tomou posse de nossa ilha em nome do rei da Espanha. Poderia ter feito isso se realmente chegasse à China, como era seu propósito? Seu erro custou a este hemisfério dezenas de milhares de vidas, que se perderam como consequência da repartição da América, em virtude de uma bula papal entre dois reinos da península Ibérica, nos constantes conflitos de sua nobreza medieval.
      A conquista e a busca de ouro e prata custaram, como afirmava o genial pintor indígena Oswaldo Guayasamín, 70 milhões de vidas aos que habitavam o hemisfério, berço de importantes civilizações.
     A África negra também pode falar do que significou aquela conquista para milhões de seus filhos, arrancados e vendidos como escravos neste hemisfério.
     Uma minoria no controle     A oligarquia multimilionária, cujos chefes de Estado ou governo se reunirão em Cannes com os representantes de quase 6 bilhões de habitantes, que aspiram a uma existência digna para seus povos, deveria meditar sobre estas realidades.
     Aqueles países pretendem monopolizar as tecnologias e os mercados por meio das patentes, dos bancos, dos meios mais modernos e caros de transporte, o domínio cibernético dos processos produtivos complexos, o controle das comunicações e dos meios massivos de informação para enganar o mundo.
     Agora que os habitantes do planeta somam 7 bilhões, os Estados que representam apenas uma de cada sete pessoas, as quais, a julgar pelos protestos massivos na Europa e nos Estados Unidos, não estão muito felizes, colocam em risco a sobrevivência de nossa espécie.
     Poderia alguém esquecer que os Estados Unidos foram o país que impediu o Acordo de Kyoto quando se dispunha de um pouco mais de tempo para impedir uma catástrofe com a mudança climática que está sendo produzida a olhos vistos?
    Cúpula Ibero-americana    Nos dias 28 e 29 do mês de outubro último, ocorreu outra reunião de chefes de Estado e governo que integram a Comunidade de Países Ibero-americanos. Entre as calamidades que tiveram que suportar os povos de fala espanhola e portuguesa, está o fato de ser a região do mundo com mais desigualdade na distribuição das riquezas.
     O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, viajou da reunião da ONU em Nova York onde falou sobre o bloqueio imposto a Cuba pelos EUA, para a capital do Paraguai, onde a reunião Ibero-americana ocorreu. Ali foram ditas coisas de grande interesse com relação à crise que sacode a Comunidade Europeia.
     O novo primeiro-ministro de Portugal externou sua amargura com a União Europeia, quando afirmou que esta ficou exaurida e sem fundos com o resgate de magnitude recorde destinado à Grécia. Poderia enfrentar uma crise em Portugal, mas cairia em bancarrota, impossibilitada de socorrer a Itália, a sétima economia mundial, o que arrastaria a França, em cujos bancos se acumula a maior parte da dívida italiana.
     Os líderes ibéricos duvidam que o compromisso assumido com a Grécia seja cumprido e do não cumprimento, preveem uma crise mais prolongada que a de 1929.
     Governança mundial     Na manhã da quarta-feira (2) os veículos informavam as duras consequências das chuvas nunca vistas na Tailândia, o maior exportador de arroz, cujas vendas se reduziram de 25 milhões de toneladas a 19.
     No entanto, notícias de que a China aumentou para quase 5 milhões de toneladas a produção de cobre metálico, surtiu efeitos consideráveis.
     Por outro lado, enquanto os Estados Unidos conservam intacto o poder de veto no Fundo Monetário Internacional, à China é negado nesse organismo o simples direito de aprovar o yuan como moeda conversível. Quanto tempo durará essa tirania?
      É através desse cristal que devemos analisar cada palavra que se pronuncie na cúpula do G-20.

Tradução: da Redação do Vermelho, Vanessa Silva


Artesanato do Brasil e do mundo encanta brasilienses


Os brasilienses aproveitaram a folga do feriado de Finados para visitar o 4º Salão Internacional do Artesanato, que começou nesta quarta (2) e vai até o próximo domingo (6). Em 80 estandes, o público encontra peças de artesãos de 20 estados e do Distrito Federal e de 17 países.



Nas primeiras três horas de início da feira, havia pouco movimento e as barracas mais procuradas eram a da Índia, com vários tapetes típicos, e a da Rússia, com lenços e inúmeros exemplares de Matrioshka, a tradicional boneca russa. Há estandes também com produtos da Turquia, Indonésia e do Senegal.

Nos cinco dias, os organizadores esperam faturamento de R$ 10 milhões em vendas tanto para pessoas físicas como para grandes lojas de decoração do país. São esperados 100 mil visitantes ao salão. A programação do evento inclui apresentações de grupos musicais e realização de oficinas, como gastronomia.

A feira está montada no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, no centro de Brasília. Das 11 horas às 16 horas, a entrada é de graça. Depois desse horário, será cobrada entrada de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada).

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Defesa de inclusão e de combate à pobreza marca Brasil na Rio+20


      No último dia do prazo, governo envia à ONU propostas para a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável que sediará em junho de 2012. Posições de todos os países serão negociadas a partir de janeiro, para elaboração de proposta de declaração política final da Rio+20. Conferência tentará influenciar futuro, mas sem obrigar signatários a seguir orientações.


André Barrocal
 BRASÍLIA – A comunidade internacional deu o primeiro passo para fechar a declaração política que sairá daqui a sete meses da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece em junho de 2012, no Rio de Janeiro. Nesta terça feira (01), vence o prazo para que os países mandem suas propostas iniciais à Organização das Nações Unidas (ONU). 
As posições domésticas serão diluídas ao longo de quatro reuniões da ONU preparatórias da Rio+20, programadas para janeiro, fevereiro, março e maio. Nelas, os negociadores vão perseguir o máximo de consenso possível para incluir na proposta de declaração que os líderes mundiais vão discutir, modificar, chancelar – ou, possibilidade improvável, rejeitar.

O documento brasileiro, já enviado à ONU, está marcado por duas certezas do governo. Primeira: desenvolvimento sustentável exige erradicação da pobreza e inclusão social - ou seja, melhorar as condições de vida das pessoas ajuda a preservar o planeta. Segunda: o debate energético é estratégico – desenvolvimento requer energia, e como gerá-la precisar ser uma preocupação central.

“Vamos discutir modelo de desenvolvimento, não é uma conferência sobre meio ambiente ou crise econômica”, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Entre as propostas brasileiras, está a criação de uma espécie de 'bolsa verde global', pela qual os países garantiriam, aos miseráveis, renda mínima, segurança alimentar, moradia digna e acesso à água. Também defende-se usar compras públicas e crédito bancário para induzir práticas mais amigáveis ao meio ambiente por parte das empresas.
 

O Brasil propõe ainda uma abertura maior, dos órgãos mundiais multilaterais, ao setor privado, como movimentos sociais, entidades sem fins lucrativos e empresários. Limitar as discussões ao mundo oficial deixaria de lado agentes que muitas vezes são responsáveis por implementar certas decisões políticas.
 

O governo está pleiteando, junto à ONU, que, entre a última reunião preparatória da Rio+20 (30 de maio) e o primeiro dia da Conferência (4 de junho), haja uma mesa redonda com o setor privado, para que a proposta de declaração passe por eles, antes de chegar aos líderes. “Essa é uma proposta inovadora que dá uma nova dinâmica ao multilateralismo”, afirmou Izabella Teixeira.

Qualquer que seja o resultado final da Rio+20, nenhum país estará obrigado a segui-lo. A conferência terá caratér político, de definir objetivos e diretrizes. “O que não quer dizer que não haverá consequências práticas. Ao contrário. Ao focar na ação, e não na legislação, há oportunidade de êxitos maiores”, disse o subsecretário geral de Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, principal diplomata brasileiro a negociar a Rio+20.

As posições políticas definidas na Conferência poderão ser usadas, por exemplo, para pressionar fóruns internacionais formais a adotar medidas naquela direção. Ou para influenciar decisões de instituições como o Banco Mundial. Ou, mesmo, para que os governos tenham um instrumento para respaldar decisões internas.

Apesar de ter intersecção com questões ambientais, o governo diz que é bom lembrar que a Rio+20 não deve ser encarada como tábua de salvação para problemas discutidos há muito tempo em outros fóruns, como a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP), cuja edição 17 será realizada entre o fim de novembro e o início de dezembro, na cidade de Durban, na África do Sul.
 

“[Mas]
 A Rio+20 pode gerar entendimentos políticos que levem a passos importantes para resolver o problema do clima”, afirmou Figueiredo.

O ministério das Relações Exteriores já expediu os convites a todos os chefes de Estado ou governo do mundo para que venham participar da Rio+20. As confirmações têm sido feitas de forma reservada e ainda não podem ser reveladas, segundo o embaixador. Dilma Rousseff também tem aproveitado encontros internacionais para, de viva voz, chamar o interlocutor.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, seus congêneres estão fazendo um "grande esforço" para convencer os chefes a vir. Em janeiro, ela irá aos Estados Unidos, reunir-se com a ministra de lá e reforçar o lobby pela presença do presidente Barack Obama, cujo país, pelo peso, sempre tem destaque em conferências globais.


Fonte: Carta Maior

O unilateralismo dos EUA afronta o mundo e ameaça a ONU


   Os palestinos conquistaram uma grande vitória diplomática com o reconhecimento da Palestina como membro pleno da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Mas o fato não agradou os EUA, que reagiram com irritação anunciando a suspensão do repasse de US$ 60 milhões à organização que seria realizado em novembro.

     A conduta arrogante do império, temperada por boa dose de cinismo, revela a forma enviesada e egoísta com que Washington avalia as Organizações das Nações Unidas (ONU) e o conceito muito singular que cultiva acerca do multilateralismo. 

    Crescente isolamento     A admissão da Palestina foi aprovada na segunda (31) pela Conferência Geral da Unesco por 107 votos a favor, 52 abstenções e apenas 14 votos contra. Brasil, China, Índia, França, Espanha, Rússia, Venezuela e África do Sul, entre outros, apoiaram a justa demanda palestina. 
     O resultado, um forte pronunciamento das nações contra a opressão imposta aos palestinos pelos sionistas, é mais um sinal do crescente isolamento dos Estados Unidos e de Israel na comunidade das nações. Em resposta, a maior potência imperialista do mundo afronta abertamente a autoridade da ONU e recorre ao boicote financeiro com o declarado objetivo de sabotar a Unesco.

     Aversão ao multilateralismo

     Tudo isto mostra a aversão do império ao autêntico multilateralismo, que em Washington só é concebido, retoricamente, como um acessório da política estadunidense, ou seja, só vale quando serve aos objetivos obscuros da Casa Branca, como ocorreu recentemente com a resolução do Conselho de Segurança da ONU que abriu caminho à intervenção da Otan na Líbia. Nessas ocasiões, os EUA se servem cinicamente do manto da ONU para encobrir seus crimes e falam de cara limpa em nome da “comunidade das nações”.
     Quando a ONU se opõe aos planos do império, como ocorreu em relação à guerra contra o Iraque em 2003 (justificada por falsos objetivos, como também ocorreu no caso líbio) é declarada “irrelevante” e desprezada. O gesto que se repete agora tem o mesmo caráter imperialista avesso ao autêntico multilateralismo ansiado e reclamado pela maioria das nações.

     Ofensiva sionista
     Estimulado pela arrogância estadunidense, Israel anunciou a intensificação da ocupação de território palestino, com a construção de 2.000 residências em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, além de suspender a transferência de recursos à Autoridade Palestina. Resoluções da ONU não valem para Israel ao menos enquanto o Estado racista continuar sob a proteção do guarda-chuva norte-americano para praticar impunemente atrocidades e oprimindo a nação palestina. 
     O império, por sua vez, não abriu mão do projeto de um “novo Oriente Médio” esboçado por Bush e segue com provocações baratas contra o Irã e a Síria preparando o caminho para novas guerras. A paz no Oriente Médio, ansiada pelos povos da região e de todo o mundo, não parece possível antes da derrota do imperialismo e o estabelecimento de uma nova ordem internacional. 
    Fonte: Vermelho

domingo, 30 de outubro de 2011

Nelson Cavaquinho, o “profeta dos desenganos”


 

O compositor completaria 100 anos no dia 29. Ele, que deixou nosso convívio há 25 anos, permanece com sua obra na vida dos brasileiros com seu canto vívido que registra os anseios e experiências do povo mais humilde.

Por Marcos Aurélio Ruy*

     Nelson Cavaquinho foi o homenageado por sua escola do coração, a Mangueira, no carnaval deste ano pelo centenário de seu nascimento. O enredo “O filho fiel, sempre Mangueira” traduziu na avenida a trajetória de um dos maiores sambistas do país, representante da chamada velha guarda da Mangueira.
      Para muitos ele era o “profeta dos desenganos”, das desilusões amorosas, das angústias da vida, devido aos seus sambas com certa dose de pessimismo, Nelson Antônio da Silva nasceu no dia 29 de outubro de 1911 e ganhou o apelido de Nelson Cavaquinho por tocar esse instrumento nas rodas de choro que frequentava na juventude. O apelido permaneceu mesmo após ele trocar o cavaquinho pelo violão.
       Seu pai era músico da banda da Polícia Militar carioca e ele próprio tornou-se policial fazendo rondas noturnas a cavalo pela cidade. Dessa maneira estabeleceu contato com músicos boêmios como Cartola e Carlos Cachaça entre outros. E adotou a Mangueira como usa escola de samba, aderiu ao ritmo brasileiro, à boemia e evidente largou o trabalho na PM. 
      Arte e vida
      “Totalmente desapegado de bens materiais, vendeu grande parte de sua produção, ou pagou dívidas dando parcerias a desconhecidos”, diz Arley Pereira em “A história da música popular brasileira por seus autores e intérpretes”, relatando uma prática comum dos sambistas da época em vender seus trabalhos ou vender parcerias para terem um dinheiro mais rápido nas mãos, muitos fizeram isso. Essa atitude de Nelson acabou por barrar suas parcerias com o grande Cartola, que não aceitava vender seus trabalhos. Para não haver rompimento entre eles decidiram não trabalhar juntos para manter a amizade. Segundo Arley, “a melhor fase de seu trabalho surge quando se une com Guilherme Brito” e complementa que Nelson “jamais conseguiu (nem pretendeu) ganhar mais que o necessário para sobreviver”.
       Nelson Cavaquinho eternizou canções na memória dos brasileiros como “A flor e o espinho”, “Rugas”, “Folhas Secas”, “Quando eu me chamar saudade”, “Eu e as flores”, Juízo final”, entre as mais de 400 canções que deixou. Sua primeira canção gravada foi “Não faça vontade a ela”, em 1939. Porém, apenas quando foi descoberto por Cyro Monteiro, anos mais tarde, é que Nelson se destacaria no meio artístico. Seu primeiro disco só apareceu em 1970 com o nome “Depoimento de poeta”.
      Suas obras sempre tiveram um toque fortemente religioso, como em “Juízo Final”, onde diz: “O sol há de brilhar mais uma vez/A luz há de chegar aos corações/Do mal será queimada a semente/O amor será eterno novamente”. Como se vê em raro momento poético e otimista desse grande músico-poeta com uma crença num futuro promissor, pois ele diz na música “Quero ter olhos pra ver/A maldade desaparecer”. Usa de uma figura bíblica, o juízo final, e faz uma concatenação positiva de futuro. Já em “A flor e o espinho” canta: “Espinho não machuca a flor / Só errei quando juntei minh’alma a sua/O sol não pode viver perto da lua”. 
      O grande compositor morreu em 18 de fevereiro de 1986, aos 74 anos, de enfisema pulmonar. Foi gravado por Cyro Monteiro, Clara Nunes, Beth Carvalho, Chico Buarque, Cazuza, Maria Bethânia, Elizeth Cardoso, entre muitos outros grandes intérpretes. Nelson Cavaquinho enobrece a cultura brasileira com suas músicas autênticas e delicadas contando a vida do morro e a sua própria através de amores e desamores, através da vida. A obra desse grande artista nacional merece destaque em seu centenário e em toda a vida cultural brasileira.
     Embora não fale explicitamente de política ou questões sociais, sua obra cantou a vida dos morros, da periferia, do pobre, enfim a vida e inquietações dos brasileiros.

Nossa fonte: VERMELHO

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"Um Gato em Paris”: Brincando no telhado


Cloves Geraldo *


Dupla francesa Alain Gagnol/Jean-Loup Felicioli usa desenho animado para projetar problemas da sociedade moderna e lembra comédia maluca dos anos 10 e 20.


        “Um Gato em Paris”, da dupla francesa Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli, mescla aventura, comédia e belas sequências de perseguição, para encantar o espectador empanturrado de violência gratuita e filmes pretensamente inteligentes. E, além disto, é um desenho animado que foge ao padrão animal fala e dança, repetindo mofado antropomorfismo. Em seus 62 minutos, mais voltados para adolescentes e adultos, mergulha-os num clima dos anos 50, quando tudo parecia cor-de-rosa, mas na verdade a Guerra Fria colocava o planeta à beira de um confronto nuclear.
       Seus heróis são o gato Dino e o ladrão de jóias, Nico, que equilibram a rispidez dada pelo vilão Vitor Costa à história. A dupla rouba apartamentos e escapa pelos telhados, numa velocidade vertiginosa, sem as brutalidades dos filmes policiais estadunidenses e imitadores. Enquanto Costa, parecendo ressuscitar de uma dessas produções, exala com seus comparsas sinistra maldade. Os contrapontos a ambos são a garotinha Zoé, na casa de quem vive Dino, e sua mãe Jeanne, delegada de polícia, disposta a se vingar de Costa. Mas o filme é mesmo de Zoé, Dino e Nico.
       São eles que contribuem para a narrativa adquirir o tom de aventura, de humor, amizade e credibilidade. Zoé é a garotinha indefesa, carente, devido à atividade da mãe. Dino é o gato misterioso, cujas escapadas à noite, sempre rendem presentes à amiga. Até lhe trazer o que impulsiona a ação. Então, a dupla Gagnol/Felicioli divide a narrativa em três fios: a da relação Zoé/Dino, a da luta de Costa para roubar a escultura Colosso de Nairóbi e a da perseguição que lhe empreende Jeanne. Às vezes, eles se entrelaçam com o quarto fio, no qual se enovelam Dino, Nico, Zoé e Jeanne, sem perder a simplicidade narrativa.
      O que conta em “Um Gato em Paris” não é apenas a clareza da história, mas a forma como a dupla Gagnol/Felicioli a desenvolve. Usa a linguagem cinematográfica em sua inteireza, mudando ângulos de câmera, pondo o espectador com contato com os personagens, numa liberdade que o gênero lhe permite. Principalmente nas perseguições e fugas pelos telhados de Paris. Há panorâmicas, com profundidade de campo, numa Paris sem torres ou espigões e cálida luz, que situam a grandiosidade do espaço e a pequenez dos personagens.
Método de Nico é 
puro romantismo
       De repente, está-se nas rocambolescas ações de Arséne Lupin, do Cary Grant de “Ladrão de Casaca” ou nas estripulias nada nostálgicas do ítalo-brasileiro Gino Amleto Meneghetti (Pisa/Itália, 1878/São Paulo, 1976). A dupla Gagnol/Felicioli não perde a chance de retornar às comédias malucas, de perseguições infindas por telhados e muros. É como se Nico e Costa se encarnassem em Dino. Puro malabarismo. Tira o filme do falso realismo dos desenhos animados atuais e volta-se para o cinema puramente visual dos anos 10 e 20. Recurso pouco usado hoje.
       Estas sequências dão certo romantismo ao filme, pois o método de Nico e de seu fiel parceiro Dino é de pura habilidade, sem uso da força. Algo que se perdeu, também nesse tipo de filme. Contrapõe-se à crueza das ações e da linguagem pesada de Costa. Este dá a narrativa o tom bélico atual, da ameaça, da violência a qualquer custo. Chega a ser assustador, quando surge como polvo para amedrontar Jeanne, ou quando numa sequência à Tarantino, desanda numa falação sobre sanduíche, que acaba em agressão ao comparsa ao volante. Encarna o triunfo através do medo.
       Entre Costa e Jeanne há, por certo, mais que ajuste de contas. Ele é o perigo que ameaça não só a ela e a filha, mas toda Paris. Porém, como se trata de filme voltado para adolescentes ou mais do que isto, a dupla Gagnol/Felicioli transforma Costa e seus cúmplices em trapalhões. É preciso rir dos pretensos “senhores do crime”, com seus humores funéreos. Quando eles enfrentam Nico, além da comédia maluca, vê-se o cérebro vencendo a violência e a lei se impondo. Otimista, sem dúvida.
      No entanto, a dupla Gagnol/Felicioli não deixa de trabalhar a relação Dino/Zoé, sendo o gato o companheiro a amenizar a solidão da garota, e a relação Zoé/Jeanne, por esta não ter tempo para filha e estar interessada em resolver a pendência entre ela e Costa. Para a menina, Dino é só o gato que lhe traz presentes, a mãe uma mulher atarefada. O papel da mulher atual surge numa afirmação de sua dupla função, a de mãe e a de profissional. E no meio a filha que espera dela tudo, até ser heroína.
     Não se pode deixar de ver nesta caracterização o retrato das relações sociais de hoje, quando a ameaça brota da violência urbana. Mesmo num desenho animado “despretensioso”, isto é verdadeiro. Mostra uma garota órfã, tendo como companhia um gato, parceiro de um ladrão de residências. A visão da dupla Gagnol/Felicioli é de que dá para tratar deste tema num gênero tido como inadequado para isto. E de maneira quase subliminar. É necessário.
 “Um Gato em Paris”. (“Une vie de chat”). Desenho animado/aventura. Bélgica/França/Holanda/Suíça. 2010. 62 minutos. Roteiro: Alain Gagnol. Grafismo: Jean-Loup Felicioli. Diálogos: Jacques-Rémy Gired. Música: Serge Besset. Imagem: Izu Troin.  Direção: Alain Gagnol/ Jean-Loup Felicioli.

* Jornalista e cineasta, dirigiu os documentários "TerraMãe", "O Mestre do Cidadão" e "Paulão, lider popular". Escreveu novelas infantis,  "Os Grilos" e "Também os Galos não Cantam".
* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.
Nossa fonte:Vermelho

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DO CAPITAL AO SOCIAL

Frei Betto

     O economista Raul Velloso, especialista em contas  públicas, calcula que, em 2010, através de programas sociais, o governo  federal repassou a 31,8 milhões de brasileiros - a maioria, pobres - R$ 114  bilhões. Ao incluir programas de transferência de renda de menor escala, o  montante chega a R$ 116 bilhões.
     Este valor é mais que o dobro de todo o investimento  feito pelo governo no mesmo ano - R$ 44,6 bilhões, incluindo construção de  estradas e obras de infraestrutura.
     Os R$ 116 bilhões foram destinados à rede de proteção  social, que abarca aposentadoria rural, seguro-desemprego, Bolsa Família,  abono salarial, Renda Mensal Vitalícia (RMV) e Benefício de Prestação  Continuada (BPC). Esses programas abocanharam 3,1% do  PIB.
      A RMV, criada em 1974, era um benefício  previdenciário destinado a maiores de 70 anos ou inválidos, definitivamente  incapacitados para o trabalho, que não exerciam atividades remuneradas, nem  obtinham rendimento superior a 60% do valor do salário mínimo. Também não  poderiam ser mantidos por pessoas de quem dependiam, nem dispunham de outro  meio de prover o próprio sustento.
      Em janeiro de  1996, a RMV foi extinta ao entrar em vigor a concessão do BPC. Hoje, a RMV é  mantida apenas para quem já era beneficiário até 96. Já o BPC é pago a idosos  e portadores de deficiências comprovadamente desprovidos de recursos  mínimos.
     
Há quem opine  que o governo federal “gasta” demais com programas sociais, prejudicando o  investimento. Ora, como afirma Lula, quando o governo canaliza recursos para  empresas e bancos, isso é considerado “investimento”; quando destina aos  pobres, é “gasto”...
     O Brasil, por muitas décadas, foi considerado campeão  mundial de desigualdade social. Hoje, graças à rede de proteção social, o  desenho da pirâmide (ricos na ponta estreita e pobres na ampla base) deu lugar  ao losango (cintura proeminente graças à redução do número de ricos e  miseráveis, e aumento da classe média).
     Segundo o Ipea, entre 2003 e 2009, 28 milhões de  brasileiros deixaram a miséria. Resultado do aumento anual do salário mínimo e  da redução do desemprego, somados ao Bolsa Família, às aposentadorias e ao  BPC.
     A lógica capitalista considera  investimento o que multiplica o lucro da iniciativa privada, e não o que  qualifica o capital humano. Essa lógica gera, em nosso mercado de trabalho, a  disparidade entre oferta de empregos e mão de obra qualificada. Devido à baixa  qualidade de nossa educação, hoje o Brasil importa profissionais para funções  especializadas.
     Se o nosso país resiste à crise financeira que, desde  2008, penaliza o hemisfério Norte, isso se deve ao fato de haver mais dinheiro  em circulação. Aqueceu-se o mercado interno.
     Há queixa de que os nossos aeroportos estão  superlotados, com filas intermináveis. É verdade. Se o queixoso mudasse o  foco, reconheceria que nossa população dispõe, hoje, de mais recursos para  utilizar transporte aéreo, o que até pouco tempo era privilégio da  elite.
     Há, contudo, 16,2 milhões de brasileiros  ainda na miséria. O que representa enorme desafio para o governo Dilma. Minha  esperança é que o programa “Brasil sem miséria” venha resgatar propostas do  Fome Zero abandonadas com o advento do Bolsa Família, como a reforma  agrária.
      Não basta promover distribuição de renda  e facilitar o consumo dos mais pobres. É preciso erradicar as causas da  pobreza, e isso significa mexer nas estruturas arcaicas que ainda perduram em  nosso país, como a fundiária, a política, a tributária, e os sistema de  educação e saúde.

Frei Betto é escritor, autor de “Sinfonia Universal –  a cosmovisão de Teilhard de Chardin” (Vozes), entre outros  livros. http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)


Encontro Mundial de Blogueiros


Encontro mundial debate papel da blogosfera a partir desta quinta

    A partir desta quinta (27), acontece em Foz do Iguaçu (PR) o 1º Encontro Mundial de Blogueiros, que reunirá comunicadores e demais interessados nas mídias alternativas para uma extensa programação de debates, com diversos convidados internacionais. O evento segue até o sábado (29) e vai discutir “O papel da blogosfera na construção da democracia”, a partir da constatação de que as novas mídias absorveram grande parte da audiência da imprensa tradicional. 
     Participarão de debates no encontro personalidades como Ignácio Ramonet, criador do Le Monde Diplomatique e autor do livro “A explosão do jornalismo”; Kristinn Hrafnsson, porta-voz do WikiLeaks; Luis Nassif, jornalista e blogueiro; Jesse Chacón, ex-ministro das Comunicações da Venezuela, Pascual Serrano, fundador de um dos maiores sites de esquerda da Europa, o Rebelión, entre outros.
      Jornalista da Carta Capital, Leandro Fortes, comenta que a blogosfera cumpre um papel reestruturante no consumo de informação. “Por meio dos blogs e redes sociais, tornou-se possível estabelecer um contraponto crítico à hegemonia da grande mídia, seu pensamento único e seus interesses privados”, afirma, complementando: “essas ferramentas virtuais estabeleceram novos parâmetros de mobilização social e uma nova dinâmica de relacionamento entre pessoas e instituições”. Fortes participa do painel que discute as experiências brasileiras, no sábado (29), às 14h.
      Já Maria Inês Nassif, da Carta Maior, dirige o painel de experiências brasileiras e diz que o evento representa, além da troca de experiências, a articulação de canais que se oponham à concentração de informação nas mãos das grandes empresas. “Minha expectativa é que esse encontro promova um salto de qualidade na discussão da democratização da informação via blogosfera e aponte caminhos para romper com a hegemonia dos grandes grupos de comunicação”, diz Nassif.
      Pepe Escobar, jornalista e colunista do Asia Times Online, compõe a mesa que debate as experiências asiáticas e africanas, na sexta-feira (28), às 16h. Para Escobar, os blogueiros levam vantagem em relação aos grandes veículos por poderem postar em menor quantidade, mas com maior capacidade analítica. “Creio que o grande desafio da blogosfera é conquistar credibilidade suficiente para que o público entenda que a melhor informação nem sempre é a que vem da mídia corporativa”, afirma.
     Iroel Sánchez Espinosa, jornalista cubano que escreve no CubaDebate e no blog La pupila insomne, integrará a mesa que discute a situação da América Latina, no sábado (29), às 9h. Para ele, a blogosfera está dando voz aos que são silenciados há muito tempo pela grande imprensa. “Os blogs e as redes sociais vem se articulando junto aos movimentos sociais organizados, e isso tem colocado um desafio para os que desejam a continuidade de uma ordem social que se revela cada vez mais injusta”, afirma.
      O evento é promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e pela Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom), com patrocínio da Itaipu Binacional e da Sanepar. Já colocando em prática a defesa da democratização da comunicação, o encontro será transmitido em tempo real pela internet através do site oficial no endereço www.blogueirosdomundo.com.br/ao-vivo.
      Assim, internautas do mundo todo que não conseguiram estar presentes no encontro poderão acompanhar a programação e interagir com os participantes através do Twitter e do Facebook. No primeiro a forma de manter contato é através da hashtag #blogmundofoz e pelo Facebook basta curtir a página oficial e se manter atualizado.
      Esta integração já é marca registrada do encontro de blogueiros. O 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas que aconteceu em março deste ano mobilizou mais de 30 mil internautas em todo o mundo durante os três dias de transmissão. A hashtag do evento ficou em primeiro lugar no Tranding Topics Brasil do Twitter por dois dias e até o presidente do Peru, Ollanta Humala, enviou uma saudação aos blogueiros através de seu perfil pessoal no Twitter.
      Além disso, os principais palestrantes serão entrevistados em coletiva, as entrevistas serão gravadas e disponibilizadas no canal do Clickfoz no Youtube. O resultado dos dois dias de intenso debate será transformado em uma carta com as resoluções e também em um livro, patrocinado pela Petrobrás.
Programação:
27 de outubro – quinta-feira14 horas - credenciamento
19 horas - abertura oficial do evento com coquetel e iluminação da barragem de Itaipu – Mirante Central da usina
28 de outubro – sexta-feira
9 horas – Debate: “O papel das novas mídias”
- Ignácio Ramonet – criador do Le Monde Diplomatique e autor do livro “A explosão do jornalismo”;
- Kristinn Hrafnsson – porta-voz do WikiLeaks;
- Dênis de Moraes – autor do livro “Mutações do visível: da comunicação de massa à comunicação em rede”;
- Luis Nassif – jornalista e blogueiro;
* Mesa dirigida por Natalia Vianna (Agência Pública) e Tatiane Pires (blogueira do RS)
14 horas – Painel: “Experiências nos EUA e Europa”
- Pascual Serrano – blogueiro e fundador do sítio Rebelión (Espanha);
- Andrés Thomas Conteris - fundador do Democracy Now em Espanhol (EUA);
- Henrique Palma – criador do blog “A perdre La raison” (França) ;
- Jillian York – blogueira, colunista do Huffington Post, Guardian e da TV Al Jazeera (EUA);
* Mesa dirigida por Renata Mielli (Barão de Itararé) e Altino Machado (blogueiro do Acre);
16 horas – Painel: “Experiências na Ásia e África”.
- Ahmed Bahgat – blogueiro e ativista digital na “revolta do mundo árabe” (Egito);
- Atanu Dey – blogueira da Índia e especialista em Tecnologia da Informação (Índia);
- Pepe Escobar – jornalista e colunista do sítio Ásia Times Online (Japão);
- Mar-Jordan Degadjor – blogueiro e diretor da ONG África para o Futuro (Gana);
* Mesa dirigida por Renato Rovai (Altercom) e Sérgio Telles (blogueiro do Rio de Janeiro);
Dia 29 de outubro – sábado:
9 horas – Painel: “Experiências na América Latina”.
- Iroel Sánchez – blogueiro da página La Pupila Insomne e do sítio CubaDebate (Cuba);
- Osvaldo Leon – editor sítio da Agência Latinoamericana de Informação – Alai (Equador);
- Martin Becerra – professor universitário e blogueiro (Argentina);
- Jesse Freeston – blogueiro e ativista dos direitos humanos (Honduras);
* Luis Navarro (Editor do jornal La Jornada – México)
* Martin Granovsky (Editor Especial do jornal Página 12 – Argentina)
* Mesa dirigida por Sérgio Bertoni (blogueiro do Paraná) e Cido Araújo (blogueiro de São Paulo);
14 horas – Painel: “As experiências no Brasil”
- Leandro Fortes – jornalista da revista CartaCapital, blogueiro e da comissão nacional do BlogProg;
- Esmael Moraes – criador do blog do Esmael.
- Conceição Oliveira – criadora do blog Maria Frô e tuiteira.
- Bob Fernandes – editor do sitio Terra Magazine [*];
* Mesa dirigida por Maria Inês Nassif (Carta Maior) e Daniel Bezerra (blogueiro do Ceará);
16 horas – Debate: A luta pela liberdade de expressão e pela democratização da comunicação.
– Paulo Bernardo – ministro das Comunicações do Brasil [*];
- Jesse Chacón – ex-ministro das Comunicações da Venezuela;
- Damian Loreti – integrante da comissão que elaborou a Ley de Medios na Argentina;
- Blanca Josales – ministra das Comunicações do Peru;
* Mesa dirigida por Julieta Palmeira (associação de novas mídias da Bahia) e Tica Moreno (blogueiras feministas);
18 horas – Ato de encerramento.
- Aprovação da Carta de Foz do Iguaçu (propostas e organização).


Da Redação, com Barão de Itararé

Nossa fonte: Vermelho