Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Petição pública a favor das comunidades da Jureia

RECADO URGENTE DE UM CAIÇARA DA JUREIA


As comunidades da juréia podem ser expulsas a qualquer momento de seus territórios 
Ajudem assinando essa petição publica e divulgando-a em suas redes de contatos por favor  !

segue abaixo o link da petição:
Feliz natal e um ano novo com muita paz, saúde e sucesso.

Abraço.
Dauro Marcos do Prado
Caiçara da Juréia

NOVO OLHAR SOBRE O UNIVERSO



Frei Betto     A visão que temos do mundo  interfere em nossa visão de Deus, assim como o modo como entendemos Deus  influi em nossa visão da vida e do mundo. Ao longo de 1.000 anos predominou,  no Ocidente, a cosmovisão de Ptolomeu, que considerava a Terra centro do  Universo. Isso favoreceu a hegemonia espiritual, cultural e econômica da  Igreja, encarada pela fé como imagem da Jerusalém celestial.
     Com o  advento da Idade Moderna, graças à nova cosmovisão de Copérnico, logo  completada por Galileu e Newton, constatou-se que a Terra é apenas um pequeno  planeta. Qual mulata de escola de samba, dança em torno da própria cintura (24  horas, dia e noite) e do mestre-sala, o Sol (365 dias, um ano). O paradigma da  fé deu lugar à razão, a religião à ciência, Deus ao ser humano. Passou-se da  visão geocêntrica à heliocêntrica, da teocêntrica à  antropocêntrica.
     Agora, a modernidade cede lugar à pós-modernidade.  Mais uma vez, a nossa visão do Universo sofre radicais mudanças. Newton cede  lugar a Einstein, e o advento da astrofísica e da física quântica nos obriga  a encarar o Universo de modo diferente e, portanto, também a ideia de  Deus.
      Se na Idade Média Deus habitava “lá em cima” e, na Idade  Moderna, “aqui embaixo”, dentro do coração humano, agora conhecemos melhor o  que o apóstolo Paulo quis dizer ao afirmar: "Ele não está longe de cada um de  nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dentre os poetas  de vocês disseram: 'Somos da raça do próprio Deus'" (Atos dos Apóstolos  17, 27-28).
     A física quântica, que penetra a intimidade do átomo e  descreve a dança das partículas subatômicas, nos ensina que toda a matéria, em todo o Universo, não passa de energia  condensada. No interior do átomo, a nossa lógica cartesiana não funciona, pois  ali predomina o princípio da indeterminação, ou seja, não se pode  prever com exatidão o movimento das partículas subatômicas. Essa  imprevisibilidade só predomina em duas instâncias do Universo: no interior do  átomo e na liberdade humana.
     Em que a física quântica modifica nossa  visão do Universo? Ela nos livra dos conceitos de Newton, de que o Universo é  um grande relógio montado pelo divino Relojoeiro e cujo funcionamento pode ser  bem conhecido estudando cada uma de suas peças. A física quântica ensina que  não há o sujeito observador (o ser humano) frente ao objeto observado (o  Universo). Tudo está intimamente interligado. O bater de asas de uma borboleta  no Japão desencadeia uma tempestade na América do Sul... Nosso modo de  examinar as partículas que se movem no interior do átomo interfere no percurso  delas...
     Tudo que existe coexiste, subsiste, pré-existe, e há uma  inseparável interação entre o ser humano e a natureza. O que fazemos à Terra  provoca uma reação da parte dela. Não estamos acima dela, somos parte e  resultado dela; ela é Pacha Mama ou, como diziam os antigos gregos,  Gaia, um ser vivo. Deveríamos manter com ela uma relação inteligente de  sustentabilidade.
     Esse novo paradigma científico nos permite contemplar  o Universo com novos olhos. Nem tudo é Deus, mas Deus se revela em tudo. Nossa  visão religiosa é agora panenteísta. Não confundir com panteísta. O panteísmo  diz que todas as coisas são Deus. O panenteísmo, que Deus está em todas as  coisas. “Nele vivemos, nos movemos e existimos”, como disse Paulo. E Jesus nos  ensina que Deus é amor, essa energia que atrai todas as coisas, desde as  moléculas que estruturam uma pedra às pessoas que comungam um projeto de  vida.
     Como dizia Teilhard de Chardin, no amor tudo converge, de  átomos, moléculas e células que formam os tecidos e órgãos do nosso corpo às  galáxias que se aglomeram múltiplas nesta nossa Casa Comum que chamamos, não  de Pluriverso, mas de Universo.

Frei Betto é escritor, autor, em  parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de “Conversa sobre a fé e a  ciência” (Agir), entre outros livros. 
http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br) 

Cultura digital reúne espírito colaborativo em festival


      Realizadores, produtores e ativistas que atuam nas redes digitais estarão reunidos, de amanhã (2) a domingo (4), no Festival Cultura Digital.Br, que acontecerá no Rio de Janeiro (RJ). É a terceira edição do evento, que desta vez reunirá 130 atividades como oficinas, mostras, palestras e debates sobre os temas inseridos nas redes digitais. Tudo isso seguindo a filosofia do ciberespaço: o compartilhamento. Gilberto Gil participa da abertura.


      Uma grande parte do que acontecerá foi selecionada a partir de uma chamada pública, que recebeu 358 inscrições de experiências do Brasil e de outros continentes. Segundo Rodrigo Savazoni, diretor-geral do Festival, com o número de projetos inscritos daria para fazer três semanas de encontro. “Isso mostra o vigor e a força desse circuito alternativo de conhecimento”, diz Savazoni. “É impressionante, é uma explosão de experiências cada vez mais fortes e mais autônomas.”
      As duas primeiras edições, em 2009 e 2010, foram chamadas de fórum. No ano passado, 3,5 mil pessoas circularam pelo espaço, em São Paulo. A novidade deste ano é que, além da troca de experiências, vai oferecer laboratórios experimentais, onde os participantes poderão programar em software livre. Também estão programados debates sobre cultura digital, política e arte. 
      Movimentos recentes que surgiram na internet, como o Ocupar Wall Street e a Primavera Árabe, também farão parte desse universo do Festival, no debate sobre como “a cultura digital altera as noções de tempo e espaço e possibilita mudanças velozes nesse mundo ligado e interconectado, em que tod@s são protagonistas”.
Abertura
      Acontecerá uma cerimônia de abertura, às 19h da sexta-feira (2), no Odeon Petrobras (Praça Floriano, 7, Centro), que contará com a presença do músico e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, que dará uma palestra. Às 20h, Yochai Benkler, professor de direito na Universidade de Harvard e co-diretor do Berkman Center for Internet and Society, apresenta a palestra “Do software livre e Wikipedia para os sistemas humanos cooperativos”, que será mediada por Gil. Depois, haverá um debate com o público, no melhor clima participativo do encontro. 
      O músico Gilberto Gil foi eleito o embaixador desta edição. Segundo os organizadores do encontro, a escolha se deve por sua gestão como ministro do governo Lula (2003-2008), que levou a cultura digital a Brasília para o Ministério da Cultura, pautando assuntos importantes como direitos autorais em tempos de compartilhamento.
Encerramento
      O show “A nova revolução do frevo” vai encerrar o evento no MAM do Rio, misturando o maestro pernambucano Spok, da Spok Frevo Orquestra, instrumentistas, o sertanejo Josildo Sá, o músico potiguar Jarbas Jácome e o Movimento Multiplicidade Imagem Som Inusitados. O espetáculo é um exemplo do que significa a cultura digital hoje, que a partir de novas formas de conhecimento acontece um compartilhamento que dá origem a algo novo.
Onde e como
      O festival acontecerá no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio e no espaço Odeon Petrobras. A entrada é gratuita e o acesso às atividades será feito por ordem de chegada até a capacidade máxima dos espaços.
      Mais informações na página do evento CulturaDigital.Br
 Nossa fonte: Vermelho


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cuidado com as informações sem cuidado da grande mídia


Ministério da Saúde não recomenda uso doméstico de inseticidas no combate à dengue
Aplicação desses produtos só deve ser feita pelas equipes de vigilância treinadas para o manuseio seguro destes produtos
O uso de inseticidas do tipo aerossol (grupo piretróides) como estratégia de combate à dengue em domicílios residenciais não é recomendado pelo Ministério da Saúde. Em nota técnica, a Secretaria de Vigilância em Saúde alerta que utilização inadequada e indiscriminada destes produtos poderá causar graves consequências no meio ambiente e interferir na eficácia dos programas de controle da dengue, tornando o mosquito ainda mais resistente ao inseticida.
“Apenas orientamos o uso de inseticidas quando há comprovação da transmissão de dengue, evidenciada por critérios epidemiológicos”, observa o Secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. Ele explica que este tipo de aplicação, no entanto, só pode ser realizada por meio de equipamentos específicos de nebulização costais motorizados ou montados em veículos, conhecidos como fumacê.
O secretário alerta, ainda, que a aplicação desses produtos no controle da dengue só deve ser feita pelas equipesde vigilância das secretarias estaduais e municipais de Saúde, que são treinadas para o manuseio seguro destes produtos.  Esta orientações, segundo Jarbas Barbosa, está em consonância com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Na nota, o Ministério da Saúde cita a estratégia adotada pelos moradores da cidade de Foz de Iguaçu (PR), que foram orientados a usar estes produtos, para enfrentamento da doença. ”A estratégia do município de Foz de Iguaçu de distribuição de inseticidas para a população é desprovida de qualquer evidência científica de que funcione para evitar surtos de dengue, não sendo, portanto, recomendada pelo Ministério da Saúde”, afirma a nota.
Por outro lado, Ministério da Saúde considera como mais eficazes para a prevenção e controle da dengue as medidas de eliminação física dos criadouros do mosquito transmissor da doença, como a vedação de caixas d’água, desobstrução de calhas, entre outros. 

Baianos reforçam valores da estética afro na cultura brasileira

      A mesa redonda com apresentação do bloco Male Debalê marcou o último dia de celebração do Novembro Negro em Lauro de Freitas-BA, nesta quarta-feira (30), no Centro de Referência da Cultura Afrobrasileira. A Roda de Diálogos reforçou o significado dos penteados afro para a cultura brasileira.

     Para a palestrante Bárbara Dias, as trançadeiras têm que ser reconhecidas como profissionais, assim como as cabeleireiras. “Além de arte na cabeça das pessoas, o que fazemos é significar a afirmação de nossa identidade”, definiu a pesquisadora e esteticista.
     Segundo Eriosvaldo Meneses, superintendente de Promoção da Igualdade Racial, o município consegue se destacar das outras cidades no estado em virtude de suas políticas que resgatam o valor do povo negro. “Nunca houve uma gestão que conversasse tanto com as lideranças negras e desse tanto espaço para mudar essa realidade em Lauro de Freitas”, frisou. Menezes citou como exemplo o CD “O canto do Joanes”, que conta a história da resistência negra interpretada por grupos culturais do município, inclusive o levante nas terras de Santo Amaro de Ipitanga que originou a revolta dos Malês, em 1814.
     De acordo com o historiador e filósofo Antônio Cosme, para contextualizar o sentimento do povo negro no Brasil é necessário fazer uma revisão histórica, “passando pelas leis que foram importadas de Portugal e instituíram a desumanização do negro por causa de suas características biológicas. Após a abolição, veio a proibição e marginalização de sua cultura, além da formação de estereótipos de beleza do qual os negros com ‘cabelo ruim’ e ‘nariz chato’, não faziam parte. Um processo de educação formal e informal ajudou a consolidar este estigma que lutamos para nos livrar. Muita gente critica as políticas de reparação, mas só depois de analisar e compreender esse processo histórico de violência é que se deve ter propriedade para falar”, ressaltou.
     A palestrante Negra Jhô, trançadeira mais popular do Brasil, contou que sofreu descriminação desde pequena. “Quando era criança, minha madrasta me chamava de macaca e passava meus cabelos a ferro. Aquilo destruía minha auto-estima. Para esquecer minhas dores interiores, costumava pegar minhas irmãs colocar no colo e trançar seus cabelos com sisal ou palha-da-costa. Mas sempre soube que minha estrela um dia ia brilhar; hoje tenho esse reconhecimento e sou uma referência de luta e resistência para meus filhos”. Contudo, Jhô comenta que às vezes é mais bem tratada por brancos que por negro. “Essa cultura ‘denegrida’ está tão introjetada em nossa consciência, que quando brancos vêm gentilmente pra tirar foto comigo lá no Pelô e fazem festa, ao invés de sentir orgulho, os comentários são de que eu só quero aparecer”, lamentou.
     Após o debate, foram apresentadas músicas, poemas e outras obras que resignificam o valor do negro na sociedade, como o documentário “Espelho, espelho meu: uma abordagem sobre representações afro-estéticas no período juvenil”, produzido por Jaqueline Barreto. O fechamento teve a apresentação cultural do grupo Male Debalê.

Nossa fonte: Vermelho

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Redução da Pobreza e Segurança Alimentar: as verdadeiras lições do Brasil


Reetika Khera*
Recentemente passei uma semana no Brasil estudando seu reconhecido programa de transferência de renda – Bolsa Família. O Bolsa Família é visto como um programa bem-sucedido de combate à pobreza e também como um programa de segurança alimentar. Meu interesse no tema deriva de impulso recente, a propósito de um programa semelhante na Índia que substituiu o PDS (“Sistema de Distribuição Pública” local). A 4ª Conferência Nacional do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi uma ótima oportunidade para conhecer alguns dos envolvidos na formulação de políticas públicas e me informar sobre sua implementação. Além disso, visitei dois municípios para conversar com as administrações locais e também com alguns beneficiários dos programas de governo. Neste breve artigo, relato o que vi e o que se pode aprender com o Brasil.
Brasil e Índia são muito diferentes
Durante minha breve visita fiquei mais impressionado com o quão diferentes são o Brasil e a Índia. Sendo eu proveniente da Índia, tive dificuldade em acreditar que o Brasil ainda consta como um país em desenvolvimento. Isso me levou a comparar os dados dos dois países. Em 1990, o PIB per capita anual brasileiro foi cinco vezes maior do que o da Índia – e é agora cerca de três vezes maior. A Tabela 1mostra que, mesmo há 20 anos, o Brasil estava à frente da Índia em vários indicadores de desenvolvimento, posição que se consolidou ao longo das últimas duas décadas.
Pobreza no Brasil tem sido o problema de uma pequena minoria da população. Em um artigo que compara Brasil, China e Índia, Martin Ravallion calcula que em 1981 menos de um quinto (17,6%) da população estava em "extrema pobreza" (ou seja, viviam com menos de US$ 1,25 por dia). Essa proporção caiu para menos de 10% até 2005. Na Índia, por outro lado, até 42% viviam em extrema pobreza – ou seja: em 2005, o nível de extrema pobreza na Índia era maior do que os dados brasileiros de 25 anos atrás.
Indo além da renda e da pobreza, o Brasil tem uma infraestrutura de serviços públicos muito bem desenvolvida. Uma proporção muito pequena (menos de 15%) da população do Brasil está nas áreas rurais. Há de se considerar que a definição de "rural" é diferente nos dois países, sendo improvável estabelecer uma “ponte” que forneça boa comparação – de acordo com o censo de 2011, quase 70% da população da Índia ainda vive em aldeias. A comparação de indicadores de outros dados de infraestruturas é ainda mais reveladora: quase todos os domicílios no Brasil possuem acesso à eletricidade e a saneamento básico (ver Tabela 1). Eu não experimentei quaisquer cortes de energia durante a minha visita.
Além disso, grande parte do Brasil é administrada através de uma rede viva de municípios, que são órgãos funcionais dotados de infraestrutura administrativa adequada, incluindo pessoal, prédios, móveis, computadores, etc. (Além disso, o alcance de instituições bancárias também é altamente desenvolvido no Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada pelo IPEA, 60% dos adultos no Brasil possuem conta bancária. Em comparação, apenas 5% das aldeias na Índia possuem uma agência bancária local).
É importante ter em mente essas diferenças básicas entre a Índia e o Brasil quando se pensa em programas de alimentação e de nutrição ou, genericamente, quando se pensa em políticas de combate à pobreza. No Brasil, essas questões ganharam destaque quando Lula chegou ao poder em 2003 – a fome, a pobreza e a desnutrição afligiam menos de um décimo dos brasileiros. Em 2003, o governo Lula enfatizou o fato de que o Brasil era um país com uma desigualdade intolerável. O problema da privação estava concentrado em um segmento tão pequeno da população, que tendia a ser ignorado. Seu governo procurou colocar os holofotes sobre esse segmento com o propósito de eliminar tal privação.
Na Índia, por outro lado, os problemas de pobreza, de falta de saúde, de subnutrição e de analfabetismo permanecem difundidos – e, talvez, por serem tão difundidos, são tolerados por todos.
Previdência Social no Brasil
Apesar de o problema ter uma dimensão diferente, há de se considerar que as conquistas do Brasil nos últimos 10 anos têm sido louváveis. De fato, chegar aos grupos mais carentes tende a ser a parte mais difícil da batalha contra a pobreza e contra a fome. O Brasil pôs em prática uma estratégia bem-sucedida para completar a etapa mais difícil desta viagem. Esta seção descreve alguns aspectos dessa estratégia bem-sucedida do Brasil.
Sempre que eu mencionei o meu interesse no Bolsa Família em minhas discussões, a primeira coisa que as pessoas me disseram foi que Bolsa Família foi apenas uma dentre uma série de intervenções do governo. Como Ísis Ferreira, que trabalha no Ministério do Desenvolvimento Social, disse: "Fome Zero é uma estratégia e Bolsa Família é um programa que está inserido nessa estratégia". Na verdade, saúde, acesso à água e salário mínimo mais elevado são vistos como essenciais para alcançar segurança alimentar e nutricional.
Em geral, o alcance e a qualidade dos serviços básicos são bastante elevados no Brasil. Como a Tabela 1 indica, o Brasil gasta quase 10% do seu PIB em educação e saúde. Gastos públicos da Índia em saúde e despesas com saúde “empalidecem” se comparados, parcamente superando os 5% do PIB. Os níveis mais elevados de despesas médicas são visíveis – em Formosa (GO), visitamos um centro de saúde pública que serve uma população de 4.000 pessoas e possui 13 profissionais de saúde de campo, além de um médico geral, uma enfermeira e um dentista. Da mesma forma, o acesso à escolaridade é impressionante – para uma população total de 100.000 pessoas o distrito tem cerca de 60 escolas do governo.
O Brasil possui uma rede muito extensa de programas de proteção social. Há grande diversidade de programas de governo: um programa de "cesta de alimentos" (fornecimento de alimentos frescos); uma rede de restaurantes populares (que fornecem refeições muito nutritivas a R$ 1,00 por refeição), um programa de "banco de alimentos" (que compra produtos perecíveis de agricultores), um programa para a erradicação do trabalho infantil (não apenas para as crianças trabalhadoras, mas também para as crianças vulneráveis ao trabalho infantil); um programa de habitação popular; abrigos de jovens que tiveram suas casas danificadas e até mesmo um programa de "entretenimento" para idosos. Os municípios também parecem desempenhar um papel na formação de cooperativas e no desenvolvimento de programas de treinamentos e de preparação laboral (como cabeleireiros, manicures etc.) para beneficiários do Bolsa Família.
Além disso, muitos desses programas agora são direitos – há uma lei para o sistema único de saúde (1990), uma lei sobre a assistência social (1993), uma renda básica para garantir direitos de cidadania (2004), e, claro, a lei de segurança alimentar e nutricional (2006), além do programa de merenda escolar, promulgada em 2009.
O que parece ser realmente especial sobre a batalha do Brasil contra a pobreza e a privação é a abordagem e atenção a cada pessoa necessitada sob um "zelo intensivo". Em 2003, o Brasil apresentou o Cadastro Único, um registro que permite que as pessoas avancem etapas e se inscrevam em diversos programas de governo. As pessoas preenchem, em órgãos municipais, um detalhado formulário de 10 páginas que auxilia a administração "diagnosticar" problemas e a fazer uma prescrição personalizada para cada família. Algumas famílias só podem exigir o apoio ao rendimento por meio da Bolsa Família, outras podem precisar de assistência alimentar; crianças de famílias que parecem em uma posição muito vulnerável podem ter seus filhos matriculados para o programa de erradicação do trabalho infantil, por meio do qual o governo não apenas garante que a criança não abandone a escola, mas ainda que essa criança desenvolva competên cias. A abordagem do "zelo intensivo" foi possível por duas razões: 1) é centrada nas camadas mais desfavorecidas da população e 2) o regime de Lula desde 2003, veio com a vontade política necessária para lidar com o problema.
Transferência de renda por meio do Bolsa Família
Nesse contexto mais amplo de intervenções sociais, não era fácil dizer se o programa Bolsa Família foi a intervenção mais importante. Embora certamente possua o maior orçamento (0,5% do PIB em 2006), é amplamente visto como a intervenção de maior sucesso.
A ajuda do Bolsa Família é baseada em renda auto-declarada. O Bolsa Família é supostamente dado a qualquer pessoa cuja renda per capita seja inferior a R$ 140,00 mensais. Sabe-se que as pessoas do setor informal possuem rendimentos variáveis e incertos, de modo que há períodos em que os seus rendimentos excedem a linha de corte do Bolsa Família e há períodos em que a família não ganha nada. O Brasil possui um grande setor formal (aproximadamente 60% da economia) e, quando as pessoas entram em emprego no setor formal, precisam se candidatar por um número de segurança social. O banco de dados do Cadastro Único é periodicamente cruzados com o banco de dados de quem possui emprego formal, de modo que as pessoas não-elegíveis deixam de receber transferências de renda do Bolsa Família.
Bolsa Família é um programa de transferência de renda bem-sucedido, que inclui um componente de transferência incondicional de renda, bem como uma transferência condicional, vinculada ao atendimento e à imunização das crianças. Inicialmente, os benefícios foram fornecidos para até três filhos, este limite já foi relaxado e os benefícios são dados para até cinco crianças. Uma vez que a frequência escolar e a vacinação são quase universais, as condições são facilmente alcançadas na maioria dos casos. Quando não estão, medidas corretivas supostamente são tomadas – a interrupção das transferências é o "último recurso".
A popularidade do programa Bolsa Família ficou clara na minha entrevista com Hilma, uma estudante da 8ª série, atualmente beneficiária do Bolsa Família. Ela vive em Formosa (GO), a 80 quilômetros de Brasília. Seu marido é motorista de caminhão com uma renda incerta. Quando eu lhe perguntei qual era a maior diferença em sua vida como resultado do dinheiro do Bolsa Família, ela respondeu que era a autonomia financeira em relação a seu marido. Antes, quando ela queria comprar coisas para as crianças (ela possui três filhas), precisava "implorar" a ele por dinheiro. Agora, ela está livre dessa dependência do dinheiro do marido. Sua mãe era beneficiária do programa enquanto Hilma estava crescendo, então ela está acostumada a tal assistência. Quando ela começou a receber o dinheiro, gastou tudo em alimentação. Ela ficou com a impressão de que não foram autorizados outros usos. Então ela pediu à prefeitura local e foi informada de que poderia gastar o dinheiro como ela gosta. Ela agora gasta parte da renda para comprar leite e outros alimentos, roupas e material escolar para suas meninas e, o mais importante, ao longo dos anos ela adquiriu um fogão, uma geladeira e um conjunto de sofás.
Tendo emergido de um longo período de ditadura, o Brasil não perdeu tempo ao focar nos mais pobres. Uma forte e abrangente estrutura jurídica, a prioridade política para a questão, os recursos financeiros adequados e a mobilização popular contribuíram para realizações impressionantes do Brasil neste campo nas últimas duas décadas. A promulgação de uma abrangente e eficaz Lei Nacional de Segurança Alimentar será um passo importante para erradicar o flagelo da fome, subnutrição e da pobreza na Índia.
 
 Índia   
Brasil     

1990               2009               1990               2009               
PIB per capita (em dólares)                                                    
1.29023.25015.04010.140
População rural em 2011 (%)1
 69,7 13,1
Domicílios com energia elétrica (%)2
Água potável canalizada2
Saneamento básico2
Sem instalações sanitárias

 
 
18
 

68
42
39
55
 

69

98,9
73
48
11
Taxa de alfabetização (%), idade 15-24
Feminino
Masculino
 
49,3
73,5
 
74
88
 
 
99
97
Média de anos de escolaridade234.43,87,2
Taxa de mortalidade infantil577505018
Proporção de crianças imunizadas (%)
(crianças menores de 3 anos)
 4473 (1996) 
Subnutrição
Abaixo do peso
Atrofia
 
 
46
38
 
6 (1996)
10 (1996)
2
Despesa pública (% do PIB) em
Educação1
Saúde1
 
 
3,1
1,1
 
 
5,1
3,5
 
Fontes:
1 Indicadores do Desenvolvimento Mundial 2009 (online);
2 Relatório de Desenvolvimento Humano 2010;
3 Nações Unidas (2010). Perspectivas da População Mundial: Revisão 2008. Nova Iorque;
4 Relatório de Desenvolvimento Humano 1990
5 Grupo inter-agências para a Estimativa da Mortalidade Infantil
8 Sistema de Informações Estatísticas da OMS
 
* Reetika Khera possui PhD em economia pela Escola de Economia de Delhi (Índia). Ela luta pelos direitos das pessoas pobres nas periferias do país, é associada ao GB Pant Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Allahabad. Ela é professora-visitante do Centro para a Economia do Desenvolvimento, da Escola de Economia de Economia de Delhi. Atualmente, está lecionando no Instituto Indiano de Tecnologia Delhi.

Dom Casmurro de Machado de Assis ganha versão em quadrinhos


      Um dos maiores clássicos escritos por Machado de Assis, que conta com inúmeras traduções em vários idiomas e adaptações no cinema e na TV, ganha agora sua versão em quadrinhos. A Editora Nemo lançaDom Casmurro de Machado de Assis, uma adaptação de Wellington Srbek e José Aguiar.



      Dom Casmurro se destaca por sua engenhosidade na construção de cada elemento da narrativa. Utilizando-se de uma linguagem digressiva, em flashbacks, Machado de Assis criou uma espécie de livro de memórias ficcional, cujo narrador protagonista, Bentinho, tem a intenção de “atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência”. E assim convencer o leitor do adultério cometido por sua esposa, Capitu.
      O roteirista Wellington Srbek consegue preservar toda a riqueza do texto machadiano, reunindo os 148 capítulos curtos que integram a obra original em 20 partes, que resgatam tanto o enredo como a riqueza da linguagem culta machadiana, repleta de ironias e metáforas. O realismo que caracteriza a obra é também transposto nos traços dos desenhos em preto e branco de José Aguiar, que trazem dois estilos para diferenciar a narração feita por Casmurro dos fatos que ele narra. A HQ conserva o estilo machadiano, com as ações sendo relatadas conforme surgem na memória e na vontade personagem-narrador.
       Fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis demonstra todo seu talento ao centrar a narrativa em elementos psicológicos, revelando o mundo interior de seus personagens, investigando a alma humana, trazendo à tona contradições e problemáticas. Sua versão em quadrinhos logra com sucesso o mesmo intento, proporcionando ainda elementos imagéticos que enriquecem a leitura do texto clássico. 

Sobre o autor
      Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 1839, é considerado o maior dos escritores brasileiros. Um apaixonado pela literatura e observador atento da vida social, suas obras têm o caráter atemporal de verdadeiros retratos da alma humana. Com a força de seu texto irônico e sua narrativa cativante, os clássicos machadianos vencem o tempo, renovando-se a cada leitura.

Sobre o roteirista 
      Wellington Srbek nasceu em Belo Horizonte em 1974, é formado em História, mestre e doutor em Educação pela UFMG. Pesquisador e professor de quadrinhos, recebeu os principais prêmios nacionais como roteirista e editor de HQs. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão o álbum Estórias Gerais e série Solar.

Sobre o desenhista 
      José Aguiar nasceu em Curitiba em 1975, é arte-educador formado pela FAP, roteirista, ilustrador e editor, premiado com o troféu HQ Mix. Entre suas obras destacam-se Folheteen, Vigor Mortis Comics e Quadrinhofilia, além de dois volumes de Ernie Adams e da coletânea Un Jour de Mai, publicados na França.

Nossa fonte: Vermelho
Nossa fonte

A esquerda europeia e a crise da dívida

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A COPA (NÃO) É NOSSA


Frei Betto
Para bem funcionar, um país precisa  de  regras. Se carece de leis e de quem zele por elas, vale a anarquia.  O Brasil  possui mais leis que população. Em princípio, nenhuma delas  pode contrariar a  lei maior – a Constituição. Só em princípio. Na  prática, e na Copa, a teoria é  outra.

Diante do megaevento da  bola, tudo se enrola. A legislação corre  o risco de ser escanteada e,  se acontecer, empresas associadas à Fifa ficarão  isentas de pagar  impostos.

A lei da responsabilidade fiscal, que  limita o  endividamento, será flexibilizada para facilitar as obras destinadas  à  Copa e às Olimpíadas. Como enfatiza o professor Carlos Vainer, especialista   em planejamento urbano, um município poderá se endividar para  construir um  estádio. Não para efetuar obras de saneamento...

A  Fifa é um cassino.  Num cassino, muitos jogam, poucos ganham. Quem  jamais perde é o dono do  cassino. Assim funciona a Fifa, que se  interessa mais por lucro que por  esporte. Por isso desembarcou no  Brasil com a sua tropa de choque para obrigar  o governo a esquecer  leis e costumes.

A Fifa quer proibir, durante a  Copa, a  comercialização de qualquer produto num raio de 2 km em torno dos   estádios. Excetos mercadorias vendidas pelas empresas associadas a  ela. Fica  entendido: comércio local, portas fechadas. Camelôs e  ambulantes, polícia  neles!

Abram alas á Fifa! Cerca de 170 mil  pessoas serão removidas de  suas moradias para que se construam os  estádios. E quem garante que serão  devidamente indenizadas?

A  Fifa quer o povão longe da Copa. Ele que se  contente em acompanhá-la  pela TV. Entrar nos estádios será privilégio da  elite, dos  estrangeiros e dos que tiverem cacife para comprar ingressos em  mãos  de cambistas. Aliás, boa parte dos ingressos será vendida antecipadamente   na Europa.

A Fifa quer impedir o direito à meia-entrada.  Estudantes e  idosos, fora! E nada de entrar nos estádios com as  empadas da vovó ou a  merenda dietética recomendada por seu médico. Até  água será proibido.

Todos serão revistados na entrada. Só uma  empresa de fast food  poderá vender seus produtos nos estádios.  E a proibição de bebidas alcoólicas  nos estádios, que vigora hoje no  Brasil, será quebrada em prol da marca de uma  cerveja made in  usa.

Comenta o prestigioso jornal Le Monde   Diplomatique: “A recepção de um megaevento esportivo como esse  autoriza  também megaviolação de direitos, megaendividamento público e   megairregularidades.”

A Fifa quer, simplesmente, suspender,  durante a  Copa, a vigência do Estatuto do Torcedor, do Estatuto do  Idoso e do Código de  Defesa do Consumidor. Todas essas propostas  ilegais estão contidas no Projeto  de lei  2.330
/2011, que se  encontra no Congresso. Caso não  seja aprovado, o Planalto poderá  efetivá-las via medidas provisórias.

Se você fizer uma  camiseta com os dizeres “Copa 2014”, cuidado. A Fifa  já solicitou ao  Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) o registro  de mais  de mil itens, entre os quais o numeral “2014”.

(Não) durmam   com um barulho deste: a Fifa quer instituir tribunais de exceção  durante a  Copa. Sanções relacionadas à venda de produtos, uso de  ingressos e  publicidade. No projeto de lei acima citado, o artigo 37  permite criar  juizados especiais, varas, turmas e câmaras  especializadas para causas  vinculadas aos eventos. Uma Justiça  paralela!

Na África do Sul, foram  criados 56 Tribunais  Especiais da Copa. O furto de uma máquina fotográfica  mereceu 15 anos  de prisão! E mais: se houver danos ou prejuízo à Fifa, a culpa  e o  ônus são da União. Ou seja, o Estado brasileiro passa a ser o fiador da   FIFA em seus negócios particulares.

É hora de as torcidas  organizadas e  os movimentos sociais porem a bola no chão e chutar em  gol. Pressionar o  Congresso e impedir a aprovação da lei que deixa a  legislação brasileira no  banco de reservas. Caso contrário, o torcedor  brasileiro vai ter que se  resignar a torcer pela  TV.

Frei Betto é escritor, autor de “A  arte de semear  estrelas” (Rocco), entre outros livros.
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Os 10 melhores medicamentos caseiros

Por Bernardo Staut
Às vezes, nos entupir de remédios não parece uma boa ideia. Remédios caseiros, geralmente mais naturais, podem ser tão eficazes quanto, senão mais. Mas cuidado: se estiver doente, é sempre bom consultar um médico antes de tomar qualquer medicamento. Confira algumas soluções caseiras:

10 - Canja
Para tratar: resfriado comum
Servida há anos para crianças afetadas pelo tempo, a canja de galinha é um remédio comum nas estações frias. Para alguns, ela não apenas esquenta, mas também é responsável por reduzir a atividade dos glóbulos brancos, responsáveis por causar os sintomas respiratórios de um resfriado.
9 - Óleo de cravo
Para tratar: dor de dente
Óleo de cravo é uma ótima fonte de eugenol, um antibactericida natural e medicamento popular para dor de dente. Geralmente é administrado colocando poucas gotas em um quarto de uma colher de chá de azeite de oliva. Aplica-se então um algodão umedecido com a mistura no local dolorido.
Mas existem alguns riscos. Óleo de cravo não diluído em contato com a boca pode causar queimaduras, danos no tecido ou nos nervos, e dor, com doses altas podendo causar vômitos, garganta dolorida, dificuldades de respiração e até problemas no fígado. O óleo também não deve ser usado em peles machucadas.
8 - Bicabornato de Sódio
Para tratar: desarranjo estomacal
Comumente usado na cozinha, o bicarbonato de sódio é o ingrediente principal na maioria dos antiácidos. Ele funciona através de uma reação com o excesso de suco gástrico, tornando o pH do estômago mais neutro. Uma colher de chá dissolvida em um copo de água resulta em uma maneira fácil e barata de ajudar sua digestão. Só o gosto é que não é tão bom.
7 - Leite integral
Para tratar: bolhas de herpes
A herpes não pode ser curada, mas há muitas maneiras simples de acelerar a recuperação da pele machucada. Um modo popular e simples é tomar leite integral, que contém monocaprina. Ela reduz a atividade do vírus e o leite promove a recuperação das áreas afetadas.
6 - Mel
Para tratar: garganta dolorida
Essa pelo menos tem gosto bom. Consumido sozinho ou como ingrediente de um chá com limão e gengibre, o mel foi comprovado cientificamente como sendo tão efetivo quanto os xaropes de marca.
5 - Vinagre
Para tratar: queimaduras de sol
Melhor seria se você tivesse usado guarda-sol e protetor solar, mas há algumas formas de diminuir os efeitos da exposição prolongada ao sol. Surpreendentemente, aplicar vinagre, puro ou diluído, na pele com um borrifador pode aliviar as dores. Cobrir a área queimada durante a noite com uma toalha também ajuda a refrescar. O único problema é o cheiro do vinagre.
4 - Silver tape
Para tratar: verrugas
Outro produto do dia-a-dia que tem provas científicas para sustentar seu poder de cura é a silver tape, que pode ser usada para remover verrugas. Apesar de levar cerca de 28 dias para curar o problema, em um estudo a fita resolveu completamente as verrugas de 85% dos casos estudados, em oposição a 60% resolvidos com crioterapia.
3 - Base de unhas
Para tratar: picadas de insetos
Usada para formar uma camada protetora em volta da área picada, a base de unhas é conhecida por prevenir a irritação, permitindo que o corpo cure a ferida sem que você fique toda hora coçando.
2- Talco
Para tratar: cabelos oleosos
Na bagunçada vida moderna, às vezes não há tempo nem para um banho. Enquanto um perfume pode mascarar o cheiro ruim, talco pode ser usado para esconder o cabelo oleoso. Apenas uma colher de chá espalhada pelo cabelo com um pente ou mãos e seu penteado vai ficar muito melhor.
1 - Azeite de oliva
Para tratar: dor de ouvido
Azeite de oliva morno é usado por muitos pais com crianças pequenas para combater o desconforto de uma dor de ouvido. Acredita-se que o azeite morno alivia a inflamação, diminuindo as dores causadas por muco, que bloqueia o sistema usado para equalizar a pressão interna do ouvido.

Nossa fonte: O Berro

domingo, 27 de novembro de 2011

DIMENSÃO HOLÍSTICA DA ÉTICA

Frei Betto



  Sócrates foi condenado à morte por heresia, como Jesus. Acusaram-no de pregar novos deuses aos jovens. Tal iluminação não lhe abriu os olhos diante do céu, e sim da Terra. Percebeu não poder deduzir do Olimpo uma ética para os humanos. Os deuses do Olimpo podiam explicar a origem das coisas, mas não ditar normas de conduta.

A mitologia, repleta de exemplos nada edificantes, obrigou os gregos a buscar na razão os princípios normativos de nossa boa convivência social. A promiscuidade reinante no Olimpo, objeto de crença, não convinha traduzir-se em atitudes; assim, a razão conquistou autonomia frente à religião. Em busca de valores capazes de normatizar a convivência humana, Sócrates apontou a nossa caixa de Pandora: a razão.

Se a moral não decorre dos deuses, então somos nós, seres racionais, que devemos erigi-la. Em Antígona, peça de Sófocles, em nome de razões de Estado, Creonte proibiu Antígona de sepultar seu irmão Polinice. Ela se recusou a obedecer “leis não escritas imutáveis, que não datam de hoje nem de ontem, que ninguém sabe quando apareceram”. Foi a afirmação da consciência sobre a lei, da cidadania sobre o Estado.

Para Sócrates, a ética exige normas constantes e imutáveis. Não pode ficar na dependência da diversidade de opiniões. Platão trouxe luzes ensinando-nos a discernir realidade e ilusão.  Em República, lembrou que para Trasímaco a ética de uma sociedade reflete os interesses de quem ali detém o poder. Conceito retomado por Marx e aplicado à ideologia.

O que é o poder? É o direito concedido a um indivíduo ou conquistado por um partido ou classe social de impor a sua vontade aos demais.

Aristóteles nos arrancou do solipsismo ao associar felicidade e política. Mais tarde, Santo Tomás de Aquino, inspirado em Aristóteles, nos deu as primícias de uma ética política, priorizando o bem comum e valorizando a soberania popular e a consciência individual como reduto indevassável.

Maquiavel, na contramão, destituiu a política de toda ética, reduzindo-a ao mero jogo de poder, onde os fins justificam os meios.

Para Kant, a grandeza do ser humano não reside na técnica, em subjugar a natureza, e sim na ética, na capacidade de se autodeterminar a partir da própria liberdade. Há em nós um senso inato do dever e não deixamos de fazer algo por ser pecado, e sim por ser injusto. E nossa ética individual deve se complementar pela ética social, já que não somos um rebanho de indivíduos, mas uma sociedade que exige, à boa convivência, normas e leis e, sobretudo, cooperação de uns com os outros.

Hegel e Marx acentuaram que a nossa liberdade é sempre condicionada, relacional, pois consiste numa construção de comunhões, com a natureza e os nossos semelhantes. Porém, a injustiça torna alguns dessemelhantes.

Nas águas da ética judaico-cristã, Marx ressaltou a irredutível dignidade de cada ser humano e, portanto, o direito à igualdade de oportunidades. Em outras palavras, somos tanto mais livres quanto mais construímos instituições que promovam a felicidade de todos.

A filosofia moderna fez uma distinção aparentemente avançada e que, de fato, abriu novo campo de tensão ao frisar que, respeitada a lei, cada um é dono de seu nariz. A privacidade como reino da liberdade total. O problema desse enunciado é que desloca a ética da responsabilidade social (cada um deve preocupar-se com todos) para os direitos individuais (cada um que cuide de si).

Essa distinção ameaça a ética de ceder ao subjetivismo egocêntrico. Tenho direitos, prescritos numa Declaração Universal, mas e os deveres? Que obrigações tenho para com a sociedade em que vivo? O que tenho a ver com o faminto, o excluído e o meio ambiente?

Daí a importância do conceito de cidadania. Os indivíduos são diferentes e numa sociedade desigual são tratados segundo sua importância na escala social. Já o cidadão, pobre ou rico, é um ser dotado de direitos invioláveis, e está sujeito à lei como todos os demais.

O capitalismo associa liberdade ao dinheiro, ou seja, ao consumo. A pessoa se sente livre enquanto satisfaz seus desejos de consumo e, através da técnica e da ciência, domina a natureza. A visão analítica não se pergunta pelo significado desse consumismo e pelo sentido desse domínio.

Agora, a humanidade desperta para os efeitos nefastos de seu modo de subjugar a natureza: o aquecimento global faz soar o alarme de um novo dilúvio que, desta vez, não virá pelas águas, e sim pelo fogo, sem chances de uma nova Arca de Noé.

A recente consciência ecológica nos amplia a noção de ethos. A  casa é todo o Universo. Lembrem-se: não falamos de Pluriverso, mas de Universo. Há uma íntima relação entre todos os seres visíveis e invisíveis, do macro ao micro, das partículas elementares aos vulcões. Tudo nos diz respeito e toda a natureza possui a sua racionalidade imanente.

Segundo Teilhard de Chardin, o princípio da ética é o respeito a todo o criado para que desperte suas potencialidades. Assim, faz sentido falar agora da dimensão holística da ética.

O ponto de partida da ética foi assinalado por Sócrates: a polis, a cidade. A vida é sempre processo pessoal e social. Porém, a ótica neoliberal diz que cada um deve se contentar com o seu mundinho.

Mas fica a pergunta de Walter Benjamin: o que dizer a milhões de vítimas de nosso egoísmo?

Frei Betto é escritor, autor  de “Sinfonia universal – a cosmovisão de Teilhard de Chardin”  (Vozes), entre outros livros.
http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Centrais apoiam distribuição dos lucros do FGTS


A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e a Força Sindical apoiam o estudo no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de distribuir o lucro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) entre os trabalhadores que possuem contas abertas.
Além de apoiar a medida, a CTB ressalta que o repasse é um direito do trabalhador, já que os recursos do FGTS são utilizados para diversas finalidades obras públicas, aquisição de imóveis, emprestados com juros praticados no mercado.
“Há tempos somos críticos e reclamamos da baixa remuneração do Fundo de Garantia. É uma das piores remunerações do mundo, ficando abaixo da inflação”, declarou o secretário-geral da CTB, Pascoal Carneiro, ao Vermelho.
O presidente da entidade, Wagner Gomes, lembrou que é preciso assegurar o direito do trabalhador poder aplicar os recursos retirados aonde quiser.
“É uma medida importante, que deve ser pensada em conjunto, entre trabalhadores, governo e empresas. Mas é importante assegurar liberdade aos cotistas do Fundo (trabalhadores)”, reforçou Wagner.
A Força Sindical disse, em nota oficial, que vai propor uma mesa de negociação envolvendo representantes das centrais, empresários e governo para a elaboração de um projeto de consenso visando a rapidez na aprovação de um Projeto de Lei no Congresso Nacional.
Em 2010, o FGTS teve lucro de R$ 5,4 bilhões. Caso seja aprovada, poderá até dobrar a atual remuneração, que é de 3% de juros mais a variação da Taxa de Referência (TR) no ano.
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) apoiou, em pronunciamento no plenário, nesta quarta-feira (23), a intenção do governo federal de estudar uma distribuição mais vantajosa do rendimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aos trabalhadores participantes.
Marta tem um projeto, apresentado há cerca de dois meses, que garante aos trabalhadores a real condição de cotistas do fundo, uma vez que se tornam beneficiários de pelo menos 50% do lucro obtido com as aplicações.
Nossa fonte:Vermelho

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Arte e Cultura Popular


A 9ª edição do Seminário Temático de Arte e Cultura Popular acontece no Rio de Janeiro

Seminários Temáticos de Arte e Cultura Popular
O 9º Seminários Temáticos de Arte e Cultura Popular tem como tema Cultura e Arte Popular no Estado do Rio de Janeiro
Com apoio do MinC, Museu Casa do Pontal realizará seminário nesta segunda-feira , no Rio de Janeiro.
Nesta segunda-feira e no dia 2 de dezembro, o Museu Casa do Pontal realizará a 9ª edição dos Seminários Temáticos de Arte e Cultura Popular, com o tema Cultura e Arte Popular no Estado do Rio de Janeiro. O evento tem o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). A iniciativa é resultado de parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro e privilegiará questões relacionadas ao universo da arte e da cultura popular fluminense.
Durante o seminário serão realizadas palestras, abertas ao público em geral, e oficinas culturais direcionadas a educadores e gestores socioculturais, além de uma visita comentada ao acervo do Museu. As palestras serão ministradas pelo antropólogo Daniel Bitter, professor da Universidade Federal Fluminense e integrante da Associação Cultural Caburé; pelo artista Manoel Batista; e pela psicóloga e atriz Numa Ciro, doutora em Ciência da Literatura e coordenadora da Universidade das Quebradas, um projeto itinerante também coordenado pela professora Heloísa Buarque de Hollanda.
A antropóloga e diretora do Museu Casa do Pontal, Ângela Mascelani, será a responsável pela visita ao acervo do Museu e abordará mais especificamente a obra do artista fluminense Adalton Lopes. As oficinas serão ministradas pelo Grupo Cultural Jongo da Serrinha e pela atriz e arte-educadora Juliana Prado, coordenadora do programa Educacional e Social do Museu.
O Museu Casa do Pontal está situado na Estrada do Pontal, 3295, Recreio dos Bandeirantes – RJ.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui ou pelo email producao@museucasadopontal.com.br
A programação completa está no site http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/11/Cultura-e-Arte-Popular-1.jpg

Nossa fonte: Correio do Brasil

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pretinho, o sobrevivente


O carro era uma caminhonete preta, eu estava ao volante, sozinha. Pelo retrovisor eu o via correndo atrás, um cachorrinho. O carro, numa descida, parecia querer parar. Meu pé não achava o acelerador, buscava o freio, meu coração fazia um barulho esquisito, meus olhos se esqueciam de ver a estrada pela frente, não largavam o retrovisor e o Pretinho corria e eu chorava por ele e por mim, impotente. Por fim, ele parou e meu pé voltou ao acelerador, meu peito segurou um coração que emudeceu jogando um grito gutural para o ar que não passava por meu pulmão. As lágrimas caíram e a caminhonete, por alguns metros, se dirigiu sem que meus olhos vissem o caminho. Eta vida desgraçada!

Pretinho é um sobrevivente. Nasceu em algum lugar, com alguns defeitos e muita capacidade de amor. Sua carinha gosta de se encostar nas minhas pernas, num pedido tão dele de carinho. Seu olhar, mostrando muita vivacidade, parece estar sorrindo. Ele quer ser feliz e batalha para isso, contra quem o rejeita. Tem o pelo bem curto, preto, com uma pincelada de branco na carinha, ajudando a imagem do sorriso. Uma perna dianteira, com o atropelamento e sem assistência, ficou torta lhe dando um andar manquitola que não o impede de correr buscando uma proteção – que não consegui lhe dar – ou um brinquedo.
Nós nos conhecemos no quintal da casa de Isa, uma amiga. Na primeira vez que o vi, estava com um pequeno machucado perto dos quadris, onde coloquei um remedinho cicatrizante. Na segunda vez, ele estava com um buraco muito feio no pescoço. Fiquei assustada com o aspecto, percebendo que não daria conta de cuidar,  peguei-o no colo e o levei à veterinária Cláudia que com toda sua competência e sensibilidade o tratou com antibiótico, cicatrizante, vacinas, vermífugo e antipulgas. Como precisava tomar o antibiótico por mais dois dias, ficou internado.
Ao retornar à casa de minha amiga, perguntei a ela se concordava em cuidar do Pretinho, ficando comigo a responsabilidade da ração e do que mais ele precisasse. Nessa casa, já havia um pequeno cão que ganharia um companheiro para suas brincadeiras. Esse cachorrinho fica na varanda da cozinha, onde as pessoas da casa passam a maior parte do tempo. Isa aquiesceu. Então, providenciei uma casinha, comedouro-bebedouro, cobertor, toalha, coleira e guia e fui buscar o meu amigo que já me reconheceu como tal. Não me deixou nenhuma dúvida. Ao me ver, veio correndo e quis subir no meu colo, maneira sua de me cumprimentar que mantém sempre que me vê. Isa colocou as coisinhas do Pretinho na varanda da frente da casa.
Moro em uma chácara que, por questão de segurança, tem um casal de cachorros grandes, territoriais e que não permitem a entrada de nenhum estranho. Por infelizes experiências, sei que não posso trazer o Pretinho, como eu gostaria tanto. Já passei horas buscando uma alternativa, porém seria um risco demasiado grande.
Começou um período de queixas. Toda vez que eu  ia visitar minha amiga – que cuida sozinha de sua mãe, uma idosa deficiente visual e auditiva, além de também não ter total  mobilidade devido a suas pernas sem forças – era recebida com alguma reclamação contra o Pretinho. Até que há dois dias atrás o ambiente ficou insustentável. Apareceu lá um terceiro cachorro que foi recebido na varanda da cozinha. Quando lá cheguei, a primeira frase que ouvi foi: - Não dou conta de cuidar de três cachorros. – Em seguida, uma descrição das traquinices do Pretinho que, na versão de minha amiga, é o líder responsável pelo grande trabalho que estava tendo.  Considerando sua situação estressante de cuidadora, percebi imediatamente que Pretinho precisava de outro lar.
Meu amigo é um cachorro de rua – no caso, de estrada, pois estamos no campo -, um buscador desesperado de um dono. Ele me escolheu e eu não posso cuidar dele, sem colocá-lo numa situação de risco. Lembrei-me que há outra casa onde ele vai muito e lá fomos, então, minha amiga e eu pedir a essa senhora para aceitar o Pretinho. Assumi com ela o mesmo compromisso de levar a ração. Fui buscar mais uma vez o cãozinho e suas coisinhas. Ele sentindo que estava sendo expulso, colocou as duas patas dianteiras nas pernas da Isa e lhe deu um olhar pidão. Cheguei a pensar que haveria uma comoção e desistência, mas me enganei. Peguei-o no meu colo e, imediatamente, ele começou a lamber minha mão, num pedido mudo e eloqüente de socorro. No carro, ele confiante parecia estar contente, querendo subir no meu ombro. Levei-o para a casa de Dona Saturnina. Pessoa muito pobre que mora num terreno com mais duas outras casas da família, mãe e irmã, além de mais três cachorros. Foram todos bastante receptivos, já conheciam o Pretinho a quem chamam de Neguinho. Depois de arrumar as coisinhas dele, pedi para colocar água no bebedouro e Dona Saturnina levantou a tampa de um grande galão de onde tirou a água e me entregou. Percebi que as casas não tinham água encanada.
O cachorro Bidu se mostrou ciumento e eu perguntei se não haveria problemas ao que alguém da casa me respondeu logo: - Não. Eles são amigos.
Acariciei o Pretinho e me despedi, informando que ficaria fora por uma semana e tão logo retornasse iria visitar o Pretinho.
Duas imagens estão na minha retina, no meu coração e na minha cabeça. O Pretinho suplicando à dona da casa para não expulsá-lo e correndo atrás do meu carro. Ele confiou em mim e eu o tirei de onde ele acreditava ser seu lar, deixei-o em outro lugar e vim embora. Coloquei toda minha energia para desejar que o novo lar do meu amigo seja um pouco mais duradouro, que ele consiga pessoas melhores. Minha impotência é, hoje, minha marca.