Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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sexta-feira, 9 de março de 2012

Chanceler cubano denuncia a “crônica de uma exclusão anunciada”

     “Os Estados Unidos, com seu desprezo e arrogância ofende a dignidade da Pátria Grande de Bolívar, da Nossa América de Martí”, manifestou nesta quinta-feira (8) o chanceler cubano Bruno Rodríguez ao referir-se à política de exclusão que o governo estadunidense impõe à participação da ilha caribenha na próxima Cúpula das Américas que será realizada em Cartagena em abril.
     Um dia antes, em Havana, o presidente colombiano Juan Manuel Santos anunciou que Cuba não será convidada ao encontro interamericano por não ter conseguido um consenso.
     “Não teve nenhuma surpresa; foi a crônica de uma exclusão anunciada. Com um enorme desrespeito pela Colômbia, pela América Latina e Caribe, os porta-vozes estadunidenses desde o primeiro dia decretaram a exclusão”, sublinhou Rodríguez após agradecer os votos de Bogotá ara que esta situação não se repita.
     A exclusão, qualificada como “inaceitável e injustificável” é parte de “uma política de bloqueio econômico, político e midiático”, acrescentou o chanceler.
     Reforçou a posição “unânime e firme” dos países membros da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) de exigir o fim do bloqueio dos Estados Unidos e da marginalização da ilha de qualquer mecanismo onde a América Latina e o Caribe estejam presentes.
   Fonte: AVN
  Tradução: da Redação do Vermelho

quinta-feira, 8 de março de 2012

Pelo direito de decidir, católicas divulgam editorial


A organização Católicas pelo Direito de Decidir publicou nesta quarta-feira (8), um editorial por ocasião do 8 de Março, em que comenta a foto do cardeal Jozef Glemp “experimentando” uma arma pesada. A imagem "expõe a hipocrisia e as verdadeiras razões do Vaticano: controle sobre o corpo e a sexualidade das mulheres", diz um trecho do documento (abaixo reproduzido).


cardeal com arma
Foto expõe representante da Igreja Católica e a própria instituição / fonte: desconhecida

O seu corpo é um campo de batalha! 


Para defender a vida de milhares de mulheres que sofrem com as danosas consequências de uma criminalização indevida, o movimento feminista reivindica a legalização do aborto no Brasil. A proibição do procedimento, como constantemente noticiado e corroborado por pesquisas, tem afetado de forma brutal as mulheres, atingindo mais as pobres, as negras, as jovens – aquelas que já são cruelmente oneradas com injustiças diversas.

Os segmentos da sociedade que são contrários à legalização do aborto – como alguns setores religiosos, especialmente cristãos conservadores –, fazem uma cruzada violenta (e nada santa!) contra a modificação da lei. Entre esses, a poderosa voz da Igreja católica se sobressai. Não é para menos, afinal é a única instituição religiosa que se confunde com um Estado e que, inclusive, tem assento na Organização das Nações Unidas – uma estranha mistura de fé e luta por poder terreno que causa espanto.

Um dos principais argumentos da Igreja católica contra o direito ao aborto se centra na defesa da vida. Obviamente, nunca se trata da defesa da vida das mulheres, já que, por princípio, elas são sempre tidas como pecadoras, impuras, e por isso merecem castigo! A vida deve ser preservada a qualquer custo, clamam. E vislumbram o inferno repleto de pessoas favoráveis a que as mulheres possam decidir sobre seu corpo e salvar sua própria vida.

A Campanha da Fraternidade deste ano, com um tema de altíssima relevância social – acesso à saúde pública pelos mais necessitados –, vem com o lema: Que a saúde se difunda sobre a terra (cf. Eclo 38,8). Na apresentação do texto base da CF, lê-se: “É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas.” Concordamos. E perguntamo-nos perplexas: o que aconteceu ao cardeal que empunhava – aparentemente com intimidade e regozijo! – uma arma pesada? A fotografia do cardeal com “sua” arma, que já circula há algum tempo na internet, é reveladora.

Revela, na verdade, uma retórica vazia e falsa de defesa da vida. Revela a intimidade de um cardeal paramentado com um artifício bélico. Revela o compromisso do Vaticano (que também vem enfrentando escorregadiamente acusações de escândalos financeiros) com a hipocrisia e a dupla moral. Afinal, se o santo cardeal cometeu um “deslize”, quem viu uma bronca pública ou uma explicação oficial? No entanto, a condenação das mulheres é reiterada publicamente a todo o momento.

Aliás, também nos cabe perguntar por que motivo a grande mídia brasileira não repercute de forma expressiva as notícias que envolvem a Igreja católica, como esta foto do cardeal e o suposto escândalo nas finanças vaticanas, assim como silenciou por dois anos sobre o acordo do Brasil com a Santa Sé. Parece que a explosiva mistura fé-poder tem suas mil ramificações em plagas insuspeitas! E quem ganha com isso? Certamente não são as mulheres!

É por isso que uma simples foto é tão reveladora. Ela evidencia que a defesa intransigente e artificial da vida do feto desde a concepção é apenas mais uma das falácias utilizadas para dominar mentes e corpos. É mais uma hipocrisia que se joga sob o tapete, com a pose ostensiva de guardiães da vida, da moral e do “bem”. E, por causa da disputa pelo controle do corpo e da sexualidade das mulheres, vale tudo e faz-se tudo o que mais se condena. 

Como mulheres católicas, incluímos, entre as estruturas de morte que devem ser transformadas, uma das principais causas de mortalidade materna em nosso país: a criminalização do aborto! A maternidade não pode mais deixar de ser um direito prazeroso para ser uma obrigação mortal! O corpo das mulheres é um campo de batalha. Entre mortas e feridas, sempre estão negras, pobres e jovens.

Fonte: Católicas Pelo Direito de Decidir
 
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quarta-feira, 7 de março de 2012

No mês da mulher, trabalhadoras rurais fazem ocupações pelo país

A Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas 2012, que teve início na semana passada, já soma 12 ações em sete estados. Na Bahia, uma área da empresa Stora Enso foi ocupada. Em São Paulo, já ocorreram atividades em Iaras e Promissão. Em Goiás, as mulheres realizaram manifestações diante da Embrapa.

No Rio Grande do Norte, houve trancamento de rodovia. No Rio Grande do Sul, pedágios foram liberados. No Pará, a sede do Incra foi ocupada. E no Ceará, 400 mulheres da cidade se juntaram a 400 mulheres do campo durante os protestos.

Veja a integra do texto sobre essas ocupações no mês da mulher:


Feira orgânica com produtos da Reforma Agrária

Dias 9,10 e 11 de Março
Sexta dia 9 a partir das 18 horas
Sábado e domingo partir das 14 às 22  horas
Rua 13 de Maio 540 Bixiga- Bela Vista - São Paulo


Produtos Beneficiados
Vinho 
Jurupinga 
Licor de uva 
Licor de hortelã 
Licor de folha de figo 
Molho de pimenta
Mel 
Pólen
Pão integralGeléia de uva 
Doce de goiaba

Produtos in natura

Milho verde 
Limão cravo 
Banana 
Mandioca 
Abobrinha 
Alface 
Cheiro verde 
Repolho 
Quiabo 


PRODUTO DA FARMÁCIA VIVA
Xampu
Condicionador
Sabonete líquido
Creme hidratante anti celulite
Creme esfoliante para os pés
Creme hidratante para o rosto
Pomada  milagrosa
Pomada  calvinex
Pomada  própolis 


Outros produtos


Agenda - MST
Chinelo do MST
Bonés
Camisetas

terça-feira, 6 de março de 2012

Garcia Márquez faz 85 anos e leitores ganham obra digital


O escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez comemora o seu aniversário de 85 anos bem vividos nesta terça-feira (6), mas são os seus leitores que ganharão o "maior presente". A obra "Cem Anos de Solidão" (Cien Años de Soledad), considerada uma das mais importantes da literatura latino-americana, ganhou sua versão digital.



     A novidade foi anunciada pela agente literária do escritor, Carmen Balcells. Ela também lembrou que este é um ano representativo para "Gabo", já que, além de completar 85 anos, comemorará 60 anos da publicação de seu primeiro conto "A terceira resignação"; 30 anos da entrega do Prêmio Nobel, concedido a ele em 1982; e dez anos do lançamento de seu livro de memórias "Viver para contá-las".
     O romance "Cem Anos de Solidão" já pode ser lido em diferentes plataformas e livrarias digitais da América Latina, Estados Unidos e Europa, incluindo versão para dispositivos móveis. Inicialmente, a publicação digital só está disponível em espanhol. 
     A primeira edição de "Cem Anos de Solidão" saiu em maio de 1967 e, desde então, o livro foi traduzido para 35 idiomas já vendeu milhões de exemplares em todo o mundo. Misturando fantasia e realidade, a obra conta a história de sete gerações da família Buendía no povoado fictício de Macondo, situado em algum lugar da costa colombiana entre os séculos 19 e o 20.
     "Cem Anos de Solidão" é o quarto trabalho de Garcia Márquez em publicação eletrônica. Já ganharam versão digital "Relato de Náufrago", "Todas os Contos" e "Viver para Contar". 
     A agente do escritor afirmou que "faz muito tempo que tenho o contrato assinado por Gabo [apelido do escritor] para que 'Cem anos de solidão' seja publicado em formato digital mas eu disse que esse momento, com a confluência de datas, veio de bandeja, ou seja, agora é o momento exato". Ela acrescentou que García Márquez está "um pouco abatido" e que seu olhar tem sido de "nostalgia". 
     Homenagem
     Além do lançamento da publicação digital, o aniversário do escritor, que nasceu no dia 6 de março de 1927 na cidade colombiana de Aracataca, será comemorado nas redes sociais. Membros da Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI), que foi fundada pelo escritor, criaram a página no Facebook "Celebrando o 85º aniversário de Gabriel Garcia Marquez - um espaço para compartilhar as lições de uma vida comprometida com a excelência em jornalismo". Quem desejar parabenizar o escritor, basta acessar a página e deixar o seu recado.
     Histórico
     García Márquez nasceu em Aracataca (Colômbia), e foi criado na casa de seus avós maternos, que iriam influenciar o futuro literato com as histórias que contavam. O avô, coronel Nicolas Márquez, veterano da guerra civil colombiana (que se estendeu de 1899-1902), narrava-lhe suas aventuras militares, e a avó, Tranquilina Iguarán, relatava fábulas e lendas que transmitiam sua visão mágica e supersticiosa da realidade.
      García Márquez, ou simplesmente Gabo, completou os primeiros estudos em Barranquilla e Zipaquirá, onde teve um professor de literatura, Carlos Julia Calderón Hermida, que desempenhou papel marcante em sua decisão de se tornar um escritor e a quem dedicaria seu romance "O Enterro do Diabo" (1955). Por insistência dos pais, Márquez chegou a iniciar o curso de direito na Universidade Nacional, em Bogotá, mas logo enveredou para o jornalismo, assumindo uma coluna diária no recém-fundado jornal "El Universal". Nunca se graduou.
     Nessa época, final da década de 1940, publicou seus primeiros contos, "La Tercera Resignación" e "Eva Está Dentro de su Gato". Consagrou-se na carreira jornalística ao ingressar na redação de "El Espectador", onde se tornou o primeiro crítico de cinema do jornalismo colombiano e depois um brilhante cronista e repórter, que exerceu influência na vida cultural do país. Em 1955, viajou para a Europa como correspondente do jornal, após a publicação de uma extensa reportagem, "Relato de um Náufrago", que desagradou ao governo do general Roja Pinillas.
     No final dos anos 50, de volta às Américas, trabalhou em Caracas (Venezuela), em Cuba, onde passou seis meses, e em Nova York, dirigindo a agência de notícias cubana Prensa Latina. Em 1960, García Márquez mudou-se para a Cidade do México e começou a escrever roteiros para cinema. No ano seguinte, publicou "Ninguém Escreve ao Coronel" e, em 1962, "O Veneno da Madrugada", que ganhou o Prêmio Esso de Romance, na Colômbia.
      Em 1966, segundo depoimento do escritor mexicano Carlos Fuentes, quando voltava do balneário de Acapulco para a Cidade do México, García Márquez teve o momento de inspiração para escrever o romance que ruminava há mais de uma década. Largou o emprego, deixando o sustento da casa e dos dois filhos a cargo da mulher, Mercedes Barcha. Isolou-se pelos próximos 18 meses, trabalhando diariamente por mais de oito horas. No ano seguinte, publicou aquele que seria sua obra mais conhecida, "Cem Anos de Solidão" (1967) - unanimemente uma obra-prima da literatura em língua espanhola.
     Com o sucesso, mudou-se para Barcelona, Espanha, onde permaneceu até 1975, passando temporadas em Bogotá, México, Cartagena (Colômbia) e Havana. Em 1981, voltou para a Colômbia. Acusado pelo governo de colaborar com a guerrilha, exilou-se no México. Nesse período, publicou novos romances, livros de contos e antologias de sua produção jornalística e de ficção.
     Em 1982, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Segundo se soube posteriormente, a premiação foi disputada com o escritor inglês Graham Greene e o alemão Günther Grass. Diante da Academia Sueca e de quatrocentos convidados, pronunciou o discurso "A Solidão da América Latina", questionando os estereótipos com que os latino-americanos eram vistos na Europa e a falta de atenção dos países ricos ao continente.
     O escritor retornou ao jornalismo em 1999, quando passou a dirigir a revista "Cambio". Em 2002, publicou "Viver Para Contá-la", primeiro volume de sua autobiografia. Entre outras obras de destaque, García Márquez é o autor de "Crônica de uma Morte Anunciada" (1981), "O Amor nos Tempos do Cólera" (1985), "O General em Seu Labirinto" (1989) e "Notícias de um Seqüestro" (1996). O último romance que publicou, em 2004, intitula-se "Memórias de Minhas Putas Tristes".
     Alguns de seus textos foram adaptados para o cinema, como "Eréndira", de 1983, estrelado por Cláudia Ohana e dirigido por Ruy Guerra, e "O Amor nos Tempos do Cólera", de 2007, dirigido pelo inglês Mike Newell, e com a participação de Fernanda Montenegro.

Nossa fonte: Vermelho


305 Livros grátis


(Isso vale a pena repassar)
 
Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente: ·Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
· escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
· Ler obras de Machado de Assis
 Ou a Divina Comédia;
· ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
· e muito mais...

O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso,basta acessar o site: 

Só de literatura portuguesa são 732 obras! 

Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura

www.dominiopublico.gov.br

Lançamento do livro "Uma vida de Lutas - Renée France de Carvalho"


     Em 10 de fevereiro, um dia após o centenário do nascimento de Apolônio de Carvalho, a Editora Fundação Perseu Abramo lança "Uma vida de lutas - Renée France de Carvalho", obra que retrata a história de resistências à opressão que Renée viveu, em especial ao lado de Apolônio de Carvalho - importante figura da história nacional recente, por seu ativismo político e afronto à ditadura, bem como em sua participação na fundação do PT -, e com quem Renée compartilhou 62 anos de vida, convicções e lutas.
     Com prefácio assinado por Luiz Inácio Lula da Silva, o livro detalha as mais importantes passagens de Renée, membro ativo da Resistência francesa ao nazismo, nascida na Marselha de 1925. Ainda sem a maioridade, mas já com a bravura destemida de militante, Renée cooperou com os guerrilheiros da Resistência ao nazismo, e aos 11 anos se viu colhendo dinheiro, nas ruas da cidade, em assistência aos operários da greve de 1936.
      Sempre à frente com uma visão analítica acerca do mundo, Renée sentiu na pele a inquietação por perceber a separação real entre os ideais de igualdade e a dura realidade que, o tempo todo, lhe saltara à vista. Fosse na Europa da Frente Popular ou no Brasil de 1947, ano de sua chega ao país, Renée mantivera firme sua análise crítica imortal - vista constantemente no livro, que também retrata a mulher doce, apaixonada e protagonista de uma das mais belas histórias de amor vividas em meio às lutas pela revolução. Com Apolônio, Renée viveu a ditadura, a clandestinidade, o exílio e a satisfação de vivenciar, com ele, o nascimento do Partido dos Trabalhadores (PT).
      Lula corrobora a importância histórica e social da obra, em seu prefácio. "A narrativa sobre sua vida se converte, aqui, numa peça muito preciosa de formação política, resgate histórico, educação para a cidadania. Vale também como profunda reflexão sobre as dificuldades especiais da mulher na luta política, neste momento em que o país possui, pela primeira vez, uma mulher conduzindo os destinos da República. A vida de Renée é uma empolgante história de coragem. Muito mais que isso: é a história de outra mulher vencedora."
      "Uma vida de lutas - Renée France de Carvalho", produzido sob a organização de Marly Vianna, René Louis de Carvalho e Ramón Peña Castro, terá o seu lançamento dia 10/02 - sexta-feira - a partir das 18h, no Centro de Eventos Brasil 21 - SHS, Quadra 6 Lote 1 Conjunto A - Bloco C - Brasília-DF 
Informações (11) 5571-4299 ramal 143editoravendas@fpabramo.org.br

segunda-feira, 5 de março de 2012

A Privataria Tucana & o Silêncio dos INdecentes


O vídeo A Privataria Tucana & O Silêncio dos INdecentes basea-se no livro "A Privataria Tucana", de Amauri Ribeiro Jr., e no filme "O Silêncio dos Inocentes". O vídeo acaba por revelar  o silêncio profundamente revelador que a grande mídia faz em torno do livro. Resta saber se o silêncio permanecerá com a abertura da CPI da Privataria no Congresso Nacional.
 Veja o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=pUsVY3_PiDM&feature=player_embedded



http://www.youtube.com/watch?v=pUsVY3_PiDM&feature=player_embedded

Jornalistas? Que jornalistas?


O tenente coronel Daniel L. Davis tem rigor moral: depois de um giro de 15 mil quilômetros por muitas províncias do Afeganistão que durou 12 meses, publicou no Armed Forces Journal - único meio estadunidense de informação independente sobre questões militares - um artigo cuja primeira conclusão é taxativa.


Por Juan Gelman



“O que vi não concorda com as róseas declarações oficiais de chefes das forças armadas dos Estados Unidos sobre as condições reinantes no terreno” (Ver aqui).

O texto foi divulgado on line e se intitula “Verdades, mentiras e Afeganistão. De como os líderes militares nos decepcionaram”. Davis detalhou o conceito em uma entrevista concedida ao New York Times (Ver aqui) e em um longo documento publicado em Rolling Stone (Ver aqui).

O tenente coronel entrevistou 250 efetivos próprios, de soldados a comandantes de divisão, membros do exército e polícia afegãos, cidadãos e camponeses. Os altos comandos declaram diante do Congresso que se está ganhando a guerra graças ao aumento do número de tropas e a que o treinamento de forças locais avança com solidez, mas Davis afirma: “Comprovei a ausência de êxitos virtualmente em todos os níveis, os soldados nacionais negociam com os talibãs… estes dominam boa parte do território”. E pergunta: “Quantos estadunidenses mais devem morrer em nome de uma missão sem êxito e depois de mais de sete anos de considerações otimistas de nossos altos comandos no Afeganistão? Ninguém espera que nossos líderes tenham sempre um bom plano, mas o que esperamos – e os homens que lutam e morrem o merecem – é que nos digam a verdade sobre o que está ocorrendo”.

Davis toca em um ponto central: analisa por que esse triunfalismo passa desapercebido para a população. “Há diversas razões - diz-, mas talvez nenhuma seja mais substancial que o papel desempenhado pelos meios de comunicação mais importantes neste país… tem sido uma deficiência de todos eles em qualquer categoria: redes de noticias, noticiarios a cabo, revistas e jornais.” Não é uma casualidade. Aos jornalistas que não seguem a linha do Pentágono é negado o acesso à informação. Para obtê-la devem entender-se com os militares e isso tem um preço, diz Davis, a integração dos meios de comunicação com a máquina da guerra psicológica do Pentágono, não só voltada para o exterior, mas sobretudo, à opinião pública estadunidense.

A antiga encarregada de relações públicas do Pentágono, Victoria Clark, dirigiu no início de 2002 um programa de analistas militares de pronta execução: contratou 75 oficiais aposentados que apareciam nos noticiários das rádios e canais de televisão ou escreviam colunas de opinião para ir criando um clima favorável à guerra com o Iraque que a Casa Branca preparava (www.sourcewatch.com, 8/3/11). O Pentágono dava a linha em reuniões semanais e os meios de comunicação os apresentavam como especialistas e verdadeiros jornalistas, dando-lhes espaço para a propaganda bélica como se fossem observadores objetivos.

O programa continuou depois da ocupação do Iraque “para fomentar lealdades ideológicas e militares e também uma dinâmica financeira poderosa: a maioria dos analistas tem laços com as empresas contratantes envolvidas nas políticas de guerra que eles devem comentar”. O programa cessou quando o jornalista David Barstow investigou o assunto e o divulgou (Ver aqui).

“Tudo isto obriga a fazer a pergunta: que tipo de objetividade e análise honesta o público estadunidense recebeu por parte dos meios de comunicação mais importantes durante esse período?” - assinala Davis e cita um manual do exército sobre as chamadas “operações informativas” do Pentágono (Ver aqui) no qual se indica: “A importância de dominar o espectro da informação explica o objetivo de converter (essas operações) em uma competição militar central, no mesmo nível das operações por ar, mar e terra e as operações especiais”.

Estão crescendo as vozes que pedem nos meios de comunicação uma intervenção militar no Irã. Um colunista do Wall Street Journal postula que um presidente “capacitado para o cargo” deve “ordenar às forças armadas dos EUA que ataquem e destruam as instalações do programa nuclear iraniano” (Ver aqui), outro afirma na revista Foreign Affairs que “chegou a hora de atacar o Irã” (Ver aqui) e tudo tem o cheiro da proximidade de uma arremetida militar contra Teerã, como foi o caso do Iraque.

Parece que o Pentágono “está educando” com certo êxito a opinião pública local: uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center este mês revela que 58 por cento dos estadunidenses estão de acordo em terminar com as pretensões nucleares iranianas, inclusive mediante uma ação militar (Ver aqui). Entretanto, os 16 organismos de Inteligência dos EUA avaliaram em 2007, e o reiteraram em 2011, que o programa nuclear do Irã não possui até o momento dimensões militares.

Fonte: Cubadebate
Traduzido pela Redação do Vermelho que é a nossa fonte


domingo, 4 de março de 2012

A Comissão da Verdade e os brasileiros


Urariano Mota* 


A mais recente indisciplina de militares reformados contra a Comissão da Verdade, em manifesto onde tentam intimidar com as palavras "a aprovação da Comissão da Verdade foi um ato inconsequente, de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo" acende na gente duas observações.



Na primeira delas, chama a atenção que se dirigem mais aos colegas de farda, na ativa, que aos de fora dos quartéis. O que vale dizer, os generais e coronéis reformados clamam por uma quartelada, por um novo golpe de “31 de março”, mais conhecido adiante por revolução de primeiro de abril.

Isso é claro porque em mais de um ponto escrevem – ou gritam, à sua maneira de escrever – que não reconhecem autoridade no atual Ministro da Defesa, nas Ministras de Direitos Humanos e de Política para as Mulheres. E, por extensão, desconhecem o poder legítimo da Presidenta Dilma.

Na segunda observação, notamos que eles - os amotinados no manifesto – fazem uma chamada geral, à Nação, aos colegas armados, gritam falar em nome de todos, mas falam em seus próprios, exclusivos e antigos interesses. A saber, quem assim reclama contra a Comissão da Verdade, teme a justiça e a punição por crimes e acobertamento de homicídios cometidos.

Leiam a íntegra do artigo em:


*Urariano Mota é jornalista e escritor.

Fonte: Direto da Redação de Vermelho

Governos cortam na carne dos pobres para favorecer os ricos



Nos últimos meses, os Bancos Centrais de todo o mundo bateram todos os recordes em quantias de dinheiro fornecidas ao sistema financeiro global, composto em sua maioria por bancos privados.


Os métodos são vários, desde drásticos cortes das taxas de juros, compra de ativos de risco, até a concessão de empréstimos baratos.

Nos últimos três anos e meio, os Bancos Centrais dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão e dos 17 países do euro desembolsaram cifras astronômicas com essa finalidade, cerca de 9 trilhões de dólares.

Há quem diga que o fluxo de dinheiro tenha tornado mais provável um aumento da inflação. Os analistas apontam como evidência a alta dos preços do petróleo, dos alimentos, do ouro e outras matérias primas. Advertem ademais que a disponibilidade de dinheiro poderia fazer com que os investidores façam subir os preços das ações a níveis perigosos.

Igualmente, indica-se que a crise levou os Bancos Centrais a aceitar investimentos de alto risco dos quais os bancos queriam desfazer-se. O problema é que os bancos centrais devem eventualmente tirar esses ativos de suas contabilidades. E isso traz riscos.

Uma nova rodada de empréstimos de baixo custo feira durante a semana pasada pelo Bancoo Central Europeu aos bancos é a mais recente injeção de capitais. O Banco Central Europeu emitiu 712 bilhões de dólares em empréstimos a 800 bancos em dezembro.

Fonte: Cubadebate

sábado, 3 de março de 2012

Cora, Leila e o Poeta


Donas de palavras poderosas, que mudaram seus mundos, tanto Leila Diniz quanto Cora Coralina declararam aos quatro ventos e sem censura suas descobertas íntimas da alma feminina. Nenhuma das duas respeitava regras de gramática, que dirá as sociais. Transgressoras, foram redimidas pela liberdade que conquistaram para as mulheres e pelo lirismo que inspiraram em poetas, como Drummond.


Por Christiane Marcondes


Cada uma no seu tempo, com estilos diferentes, foi além do que a própria geração definia como fronteira. Cora é de 1889, uma autêntica dama do século 19 que fugiu da cidade natal para se casar com um desquitado. Leila, de 1945, tornou-se a verdadeira garota de Ipanema aos 18, sempre de biquíni e pés descalços na areia quente. 

Leila Diniz nasceu "atriz nas águas" da primeira cena de Todas as mulheres do mundo, filme dirigido pelo então ex-marido Domingos de Oliveira em 1966. 

Cora Coralina nasceu "escritora das pedras", que são invocadas em um poema seu do mesmo nome. Foi batizada pelos pais como Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nome comprido que trocou aos 50, em 1939, pelo ritmado pseudônimo. Com ele lançou-se como uma das mais notáveis poetas brasileiras do século 20.


Cora Coralina quando ainda era a Aninha

Em 1965, com 76 anos, Cora Coralina publicou o primeiro livro, embora escrevesse desde os 14. No mesmo ano, Leila Diniz bateu a porta da cobertura onde morava com Domingos e saiu do casamento curto de dois anos. 

Em 1969, Leila Diniz era a “mocinha” das novelas da Globo, mas deu uma entrevista cheia de  palavrões para o Pasquim e foi vetada no meio artístico, perdeu o emprego. Dançou, no bom sentido, para sobreviver. E com divas da música como Dalva de Oliveira. 

Diniz tinha a inteligência e humor para tornar-se próxima de grandes talentos, como Cacilda Becker, com quem fez uma peça antes de deixar oficialmente a profissão de professora, aos 19, e Manuel Bandeira, que a seguia pela noite em improváveis desvios da sua rotina de vida.

Em 1971, tornou-se a primeira mulher a exibir barriga de grávida na praia, um ato histórico em favor da emancipação feminina. Leila é dinossaura na grande arte, hoje tão festejada, dos midiáticos.



Leila Diniz grávida, posando para foto de revista

Cora Coralina nunca freqüentou manchetes de jornal, não com esse tipo de apelo, mas também foi pioneira entre as donzelas, rompendo paradigmas. Em 1984, torna-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, como intelectual do ano de 1983. 

Leila tornou-se mãe de Janaína aos 26 e, um ano depois, em 1972, morta de saudade apressou sua volta de uma viagem de trabalho. O avião caiu poucos minutos antes de pousar em Nova Deli, uma das escalas do vôo. Com esse desfecho trágico sua vida imediatamente foi recontada. De profana, fez-se sagrada. Leila viveu intensamente no tempo curto de um suspiro.



Cora igualmente intensa viveu com renovado fôlego 96 anos, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos, foi doceira para sobreviver e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora "Honoris Causa" pela Universidade Federal de Goiás. No dia 10 de abril de 1985, faleceu em Goiânia.

Separadas por 56 anos de idade, Cora e Leila, nas suas lutas, desafios e perdas, não se deixaram rotular e tiveram pelo menos um admirador ilustre em comum, Carlos Drummond de Andrade. Que nunca deixou passar despercebidas as mulheres incomuns da arte e da vida. Com vocês, a prosa poética e epistolar do grande mestre dos versos...


Para Leila

“Leila Diniz – sobre as convenções esfarinhadas mas recalcitrantes, sobre as hipocrisias seculares e medulares: o riso aberto, a linguagem desimpedida, a festa matinal do corpo, a revelação da vida.
Leila Diniz – o nome acetinado de cartão postal, o sobrenome de cristal tinindo e partindo-se, como se parte, mil estilhas cintilantes, o avião no espaço – para sempre.
Para sempre – o ritmo da alegria, samba carioca, no imprevisto da professorinha ensinando a crianças, a adultos, ao povo todo, a arte de ser sem esconder o ser.
Leila para sempre Diniz, feliz na lembrança gravada: moça que sem discurso nem requerimento soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão.”


Todas as mulheres do mundo


Para Cora

"Minha querida amiga Cora Coralina: seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia (...)" 
Das pedras, por Cora Coralina

Nossa fonte: Vermelho

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dilma critica “tsunami monetário” promovido por países desenvolvidos





Para a presidenta, a injeção irresponsável de dinheiro na economia mundial prejudica países emergentes, como o Brasil, tornando suas indústrias menos competitivas. Dilma Rousseff prometeu a criação de novos mecanismos para impedir o que classificou como “canibalização dos mercados emergentes”. Segundo Dilma, só os países da comunidade européia despejaram no mercado internacional, até hoje, US$ 4,7 trilhões de dólares, o que considerou uma política monetária “absolutamente inconseqüente”

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff criticou, nesta quinta (1), a política cambial adotada pelos países desenvolvidos que, para tentar driblar a crise em que estão metidos, injetam dinheiro na economia mundial de forma irresponsável.

Para a presidenta, a alta emissão de moeda, nos moldes que vem sendo praticada por países da Europa e pelo Japão, provoca o que ela chamou de “tsunami monetário” nos mercados emergentes, como é o caso do Brasil, prejudicando a competitividade das indústrias nacionais.

“Nós vamos continuar desenvolvendo este país, defendendo a sua indústria e impedindo que os métodos de saída da crise dos países desenvolvidos impliquem na canibalização dos mercados emergentes”, afirmou.

Segundo Dilma, só os países da comunidade européia despejaram no mercado internacional, até hoje, US$ 4,7 trilhões de dólares, o que ela disse considerar uma política monetária “absolutamente inconseqüente” do ponto de vista do que ela produz sobre os mercados internacionais.

E, ao discursar para os empresários e sindicalistas que participavam de uma cerimônia no Palácio do Planalto, prometeu providências, que poderão resultar em novos ajustes na política cambial brasileira. “Nós teremos que criar outros mecanismos de combate aos processos que vão ser desencadeados por esses US$ 4,7 trilhões”, afirmou.

A presidenta, entretanto, descartou a possibilidade de adotar uma política que provoque a desvalorização do real. Ela garantiu que o Brasil irá continuar apostando no crescimento econômico associado à redução da pobreza e ao combate à desigualdade.

“Hoje as condições de concorrência são adversas, não porque a indústria brasileira não seja produtiva, não porque o trabalhador brasileiro não seja produtivo, mas porque tem uma guerra cambial, baseada numa política monetária expansionista, que cria condições desiguais de competição”, justificou.

Ela disse também ter consciência de que, para que o Brasil continue a crescer com bases sociais, será preciso acelerar a economia. “Nós estamos trabalhando para que a taxa de investimentos no Brasil cresça e ultrapasse, pela primeira vez na década, os 20% do PIB”.

Para a presidenta, se o país quisesse apenas criar mais empregos, era só conseguir que a taxa do Produto Interno Bruto (PIB) fosse maior do que a taxa de crescimento da população. “Mas não é isso que nem os trabalhadores, nem os empresários e, muito menos, o governo quer. Nós queremos também que a distribuição de riquezas no Brasil se dê de forma constante. E aí, sim, nós seremos uma sociedade desenvolvida”.

As críticas da presidenta aos países desenvolvidos foram muito bem recebidas pelos sindicalistas que, momentos antes, cobraram, reiteradamente, a redução imediata dos juros e a taxação do capital especulativo.

“Nós precisamos discutir a crise da desindustrialização, que é grave, é rápida e nós precisamos dar respostas. As indústrias estão passando dificuldades e os trabalhadores estão perdendo seus empregos. Por que não taxar os especuladores internacionais que vêm aqui só ganhar dinheiro?”, questionou o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, também defendeu a taxação do capital especulativo e cobrou, ainda, a redução dos juros. “Nós precisamos cuidar do câmbio para garantir que os recursos venham para o país, mas para a geração de empregos e crescimento, e não para a especulação financeira”.

Segundo ele, as máquinas dos bancos centrais dos países europeus estão rodando dinheiro sem parar. “Com as altas taxas de juros praticadas no Brasil, é aqui que eles vão querer despejar esse dinheiro todo, desestabilizando nossa economia”
Nossa fonte: Carta Maior

Mais uma da SKY


Jandira reage a campanha da SKY contra lei do audiovisual


A presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), reagiu indignada à campanha da empresa SKY que promove uma campanha contra a Lei do Audiovisual. "A campanha promovida pela Sky é francamente uma disputa por reserva de mercado, camuflada pelo argumento da intervenção estatal no direito de opção do cidadão à programação", afirma a deputada.


Leia a íntegra da nota divulgada pela parlamentar: 

Tive conhecimento da Campanha que a empresa SKY está promovendo contra a Lei 12.485/11, novo marco regulatório para o setor de audiovisual. Considero que não há porque alegar inconstitucionalidade ou ilegalidades em uma lei que tramitou no Congresso Nacional por mais de quatro anos, sendo três anos na Câmara e mais de um ano no Senado Federal. Passou pela Comissão de Constituição e Justiça nas duas Casas. Foi amplamente debatida, em cinco audiências públicas com participação dos vários setores sociais interessados no tema.

O novo Marco Regulatório do Setor Audiovisual é um avanço que a sociedade brasileira obteve, garantindo espaços de exibição para manifestações da cultura brasileira e da produção nacional em espaços públicos concedidos para teletransmissões, conforme dispõe o artigo 21 da constituição, Inciso XI, onde se define como competência da União “explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais”. 

A campanha promovida pela Sky é francamente uma disputa por reserva de mercado, camuflada pelo argumento da intervenção estatal no direito de opção do cidadão à programação. A lei não impede que seja ofertada programação estrangeira, mas conforme citei, garante espaço para as manifestações culturais brasileiras. Na prática, três horas e meia por semana de veiculação de conteúdo nacional. Cabe às empresas dos canais pagos se adequarem, mantendo sua grande atual, mas ampliando o espaço para a produção nacional. 

Também destaco, que nas disposições transitórias da Lei está estabelecido que os atuais contratos serão mantidos respeitando o princípio de não retroação da Lei, somente em sua renovação é que as empresas deverão se adaptar às novas exigências. Por fim, cabe registrar que a regulamentação da lei ainda está em andamento e, neste sentido, cabe negociação de pontos controversos. 

A Sky tem o direito democrático de demonstrar sua contrariedade com o teor da lei , no entanto, é inadmissível ver uma empresa fazer campanha se intitulando representante de usuários sem legitimidade para tal e questionando todo o processo legislativo que resultou neste marco legal, ao passar informações incorretas sobre a legitimidade e legalidade da Lei. Repudio, portanto, esta campanha difamatória e irresponsável.


Nossa fonte: Vermelho

quinta-feira, 1 de março de 2012

O voto do povo é sagrado

É com muita tristeza e constrangimento que tomo a liberdade de postar o texto abaixo e peço aos leitores que  reflitam sobre o seu conteúdo. Sou da geração que, em 1963/64, achávamos que nosso País estava a caminho da plena democracia.


Tem cara de 1964, cheiro de 1964, mas é 2012… Ou não?


Além de previsível, por estranho que pareça julgo positiva a nova insubordinação de cerca de cem chefes militares da reserva contra a comandante-em-chefe das Forças Armadas, Dilma Vana Rousseff, que, coincidentemente, é também a presidente da República Federativa do Brasil, eleita em 31 de outubro de 2010 com 55.752.529 votos, os quais contabilizaram 56,05% do total de votos válidos.

Por Eduardo Guimarães, no blog da Cidadania


Os militares da reserva – que muitos chamam de militares de pijama, mas que adotam discurso grandiloqüente e ameaçador que obriga a duvidar de que sejam só velhinhos mal-humorados – deixam ver que continuam dando tão pouco valor ao voto popular quanto davam há pouco menos de meio século, quando jogaram no lixo outros tantos milhões de votos e puseram o eleito para correr, após o que passaram a impedir que a sociedade expressasse seus desejos políticos devido a que certamente achavam que estes não seriam de seu agrado.


Como na época em que os militares aplicaram seu peculiar conceito de democracia, conceito esse que passava pela nulidade do voto popular, também temos hoje setores da imprensa falando pelos possíveis golpistas, mandando recados ameaçadores a quem a vontade dos brasileiros transmudou em comandante suprema das Forças Armadas.

Um peão que disputa com extensa fila de concorrentes o posto que Carlos Lacerda ocupou um dia, saiu recitando trecho dos Lusíadas em que a personagem de Camões recomenda “cuidado” aos portugueses, e faz isso no mesmo texto em que critica a presidente por ter exigido de cada uma das Forças Armadas que repreenda seus membros inativos e insubordinados.

Este blog vive recebendo comentários iguais. Recentemente, leitor postou que se Dilma tentar aprovar uma lei da mídia os seus amigos militares a derrubarão como derrubaram Jango Goulart. Esse tipo de comentário, neste blog, é freqüente. Alguns dos que postam essas coisas se dizem militares e dão a entender que são da reserva, apesar de que não dão seus nomes.

A diferença desses para o tal colunista é a de que este está ligadão a militares da reserva, aos amigos desses militares na política e, supõe-se – devido à grandiloqüência de suas ameaças –, também aos militares da ativa…

Nesse aspecto, julgo que esse episódio é positivo. Há, na esquerda, uma moçada que não consegue sequer cogitar a hipótese de que hoje os militares ousariam deixar os quartéis para derrubar o governo, fechar o Congresso, estabelecer a censura, prender sem mandado, torturar e assassinar como ocorreu há quase 50 anos e durante os vinte anos seguintes.

Quem está certo, este cinqüentão ultrapassado ou a garotada confiante na força da nossa democracia? Eles que se entendam com o tal colunista que todos sabem que não passa de um boneco de ventríloquo, de forma a descobrirem se a sua ameaça a Dilma é só para contentar idosos preocupados em ter que prestar contas da valentia de há meio século ou se é algo mais.

De qualquer modo, é bom que tenha ocorrido essa insubordinação. Se realmente estivermos em 2012 em vez de em 1964, esses militares terão que baixar a bola, terão que adotar o silêncio a que a opção pela caserna os obriga constitucionalmente. Do contrário… Bem, prefiro nem descrever o contrário.

Neste momento, portanto, há que saber se essas pessoas que o Estado sustenta na aposentadoria podem ou não ser enquadradas nas leis que regem a nação por questionarem a legitimidade do Poder Legislativo para aprovar a Comissão da Verdade e por policiarem as opiniões da superior hierárquica.

De uma coisa podemos estar certos: o desenlace desse episódio revelará se estivemos brincando de democracia no último quarto de século ou se ela é para valer. Se houver o risco de o voto dos brasileiros ser novamente rasgado, pelo menos já iremos escolhendo logo entre lutar ou capitular diante da ditadura até então camuflada, pois é melhor um fim terrível do que um terror sem fim.

*Eduardo Guimarães é jornalista e integra o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe)