Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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sábado, 9 de junho de 2012

Mercado de carbono não vai salvar o capitalismo, diz economista


Para Patrick Bond, professor de Economia da Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, o círculo vicioso do capitalismo, com produção como resposta para os problemas criados por ele na sociedade e no sistema financeiro, esbarrou no problema ambiental, que não é resolvido dentro dessa lógica. “Deixar apenas como um mecanismo de mercado? Deixar os banqueiros salvarem o planeta? Não! É maluquice!”, afirmou durante palestra na UFRJ.

     Rio de Janeiro - “Não! Não é possível. O mercado de carbono não vai resolver, ele está falhando”, afirmou Patrick Bond, professor de economia da universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, em resposta à pergunta se o próprio capitalismo reverteria a crise financeira e ambiental que fecundou, principal tema colocado durante sua palestra “A Economia Política do Mercado de Carbono”. A palestra foi realizada na quinta-feira (7), no XVII Encontro Nacional de Economia Política, que acontece até sexta-feira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apesar da greve nacional das instituições federais de ensino superior.
     Bond é taxativo ao descreditar os certificados negociáveis de empresas que reduziram suas emissões de gases poluentes como espaço regenarativo de mais produção, consumo e negócios. “Para mim e esse é o tipo de pergunta que devemos fazer quando queremos relativizar os problemas do capitalismo, ‘será que isso resolve o problema da produção?’. Usar a lógica de internalizar as externalidades não dá certo. O capitalismo não será bem sucedido em resolver um problema causado para o mercado com o mercado”, afirma.
     Para o economista, o círculo vicioso do capitalismo, com produção como resposta para os problemas criados por ele na sociedade e no sistema financeiro, esbarrou no problema ambiental, que não é resolvido dentro dessa lógica. “Deixar apenas como um mecanismo de mercado? Deixar os banqueiros salvarem o planeta? Não! É maluquice!”, vocifera Bond.
     Bond embasa sua oposição ao explicar que a resposta do mercado foi a “comoditização” do ambiente como a grande área de crescimento após a exaustão do ouro, da prata e da propriedade. “Recentemente uma rede internacional anunciou que tem três milhões de unidade do ambiente brasileiro para pôr no mercado mundial. O que é isso? Como se permite? Qual a ligação do Brasil com a privatização do ar?”, questiona.

Truques
     Nesse novo mercado, o economista aponta um dos mecanismos que estão criando a bolha de carbono. “É um truque técnico para limitar a poluição e permitir que as grandes corporações poluam mais. Ou se paga outras companhias que poluam menos para uma espécie de tabela de compensações, ou se faz essa compensação com árvores que seqüestrem carbono no Brasil. E aí dizem, ‘poluímos mais no hemisfério Norte porque temos plantações que tiram esse carbono do ar no Brasil’”, afirma ele.
     Citando truques, o sul-africano volta às raízes da criação do mercado de carbono. “A aposta sempre foi o ‘neoliberalismo do carbono’. Al Gore (ex-vice presidente dos Estados Unidos), em 1997, em Kyoto, disse que se a ONU aceitasse o comércio de carbono, para que as corporações continuassem a poluir, os EUA assinariam o protocolo. Foi uma chantagem. Só que depois, no Senado americano, a assinatura perdeu por 95 a 0. Ou seja, ele não assinou e impôs a lógica do mercado de carbono”.
     Para ele, esse mecanismo, ao não consertar a questão climática, acaba virando mais um custo. “E eles não fazem nada. Estão apostando que os mercados de carbono continuarão a existir. E com o Brasil e a África do Sul acordados, significa um subimperilaismo do carbono”.

Sem saída
     Bond classifica a questão central como a impossibilidade de se financiar uma transição para uma ampla economia pós-carbono com os preços e as formas que esse mercado está estipulando, que varia entre sete e 35 euros por tonelada. “o comércio não tem as pré-condições necessárias para estabelecer operações e transações líquidas, até por causa da quantidade desses certificados de emissões roubados e fraudados. Ou seja, esse mercado está minado”.
     A resposta que o economista tateia recai em uma estratégia fora desse mercado em implantação, mas em um ponto ideológico a partir da crise ambiental. “Precisamos começar a descobrir como fica o ecossocialismo, lutar contra os yuppies-verdes e os ecocapitalistas que estão por aí. A questão deve chegar não só ao pagamento da dívida ecológica, mas também à restauração ecológica”.
Fotos: Rodrigo Otávio
Nossa Fonte: Carta Maior

ONU elogia política do Brasil contra crise e critica austeridade

Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) dá razão às políticas econômicas adotadas pelo Brasil contra a crise econômica que afeta principalmente a Europa. O documento "Situação e Perspectivas Econômicas Mundiais 2012" indica que os incentivos fiscais e o aumento dos investimentos públicos, medidas adotadas pela equipe econômica de Dilma Rousseff após uma queda na produção industrial, representaram um estímulo à retomada do crescimento.
O Brasil tem um grande mecanismo de proteção que é o seu mercado interno. Mas a Europa traz oscilações, tanto diretamente pelo comércio com o Brasil, como também ao criar um clima de muita incerteza nos mercados financeiros mundiais”, afirmou o diretor do escritório no Brasil da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), Carlos Mussi, em entrevista à Rádio ONU.

O relatório divulgado na quinta-feira (7) aponta ainda que a União Europeia continua a representar a maior ameaça para a estabilidade econômica mundial, e que o agravamento da crise regional pode resultar em um novo impacto negativo para todas as nações. O documento indica que as políticas de austeridade, com corte de investimentos, de benefícios sociais e de direitos trabalhistas, representam uma via negativa para a superação do problema, tal como advertia desde o ano passado o governo brasileiro, que acreditava que a saída estava no crescimento econômico e no estímulo à criação de empregos.

A ONU prevê um crescimento médio mundial de 2,5% neste ano e de 3,1% em 2013, ligeiramente abaixo das estimativas anteriores. Segundo o relatório, uma piora da crise na Europa traria mais turbulência ao mercado financeiro e provocaria uma contração mais profunda na expansão da economia.

"A pior hipótese é o que o mercado chama de 'sudden stop', ou seja, a paralisação dos fluxos financeiros, e isso terá um impacto na economia brasileira mesmo com as reservas e vários mecanismos de proteção que nós temos”, diz Mussi. “O melhor, é claro, se o mundo volta a crescer como um todo, o Brasil pode voltar a ter uma participação importante nos mercados de exportação dele, de commodities e manufaturas, e dar uma tranquilidade para a construção do seu mercado interno".

Fonte: Rede Brasil Atual

Jovens estudantes apresentarão mapa georreferenciado na Rio+20

Um grupo de alunos do ensino médio de escolas públicas do Rio vai apresentar durante o Pop Ciência, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), um mapageorreferenciado. Omapa cruza dados sociais com coordenadas geográficas, apontando problemas socioambientais diagnosticados nas comunidades onde vivem os estudantes: Maré, Manguinhos e Jacaré, todas na zona norte da cidade.
O trabalho foi desenvolvido em parceria com jovens de Moçambique, na África, por meio do CEnaRios – versão em português para Science Centers Engagement and the Rio Summit. Trata-se de um desafio internacional lançado pela Associação de Centros de Ciência e Tecnologia, organização internacional sem fins lucrativos que reúne 600 instituições de várias nacionalidades a centros de pesquisa de 12 países. Esses centros convocaram representantes da juventude para desenvolver projetos sobre desafios globais e os impactos locais. No Brasil, o único participante é o grupo carioca, vinculado ao Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Os resultados dos projetos, cujos temas são acesso à água potável e alternativas sustentáveis de consumo de energia e saúde, serão apresentados por meio de videoconferência com a participação de todos os jovens contemplados pelo CEnaRios.
As descobertas estão sendo narradas em um blog, no qual jovens brasileiros e moçambicanos trocam experiências e informações. No blog, a estudante Taize Fagundes, 16 anos, afirma que em Manguinhos, onde mora, há “muitos pontos negativos, mas também não podemos esquecer dos pontos positivos”. Entre os negativos, ela cita a truculência de policiais que “acabam matando pessoas inocentes”, os alagamentos em caso de chuva, o esgoto a céu aberto e “lixo pra todo lado”, além do tráfico de drogas que, segundo a menina, é explícito.
Mayara Lima, 17 anos, moradora da Maré, destacou que em sua comunidade os principais problemas são a falta de “infraestrutura das passagens pelas pontes, o saneamento básico e a educação”, além da presença do tráfico.
Já Mariane Cavalcante, que também mora na Maré, destacou que a mudança que procura é a “que faça bem para todos”. “Devemos pensar uns nos outros, se isso acontecer vamos enxergar as diferenças, mas abandonar preconceito ou recriminação seja por cor, ou por dinheiro, todos devemos ser respeitados e também respeitar. Devemos buscar a mudança que faça bem para todos, que é salvar o Planeta”, destacou.
A apresentação do documento ocorrerá no dia 19 de junho, às 14h, no Armazém 4, do Cais do Porto. O Pop Ciência na Rio+20 é gratuito e aberto a todo o público. O evento foi criado pelo Grupo de Trabalho Popularização da Ciência na Rio+20, do qual participam o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Instituto Brasileiro de Museus e a Fiocruz, entre outros.
Nossa fonte: Correio do Brasil

Reforma Agrária, a grande demanda


Cúpula dos Povos: roteiro para a soberania alimentar
A soberania alimentar é o tema de uma das plenárias de convergência da Cúpula dos Povos, evento paralelo a Rio + 20 que será realizado entre 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo. O engenheiro agrônomo Horacio Martins vê a retomada da agricultura familiar como ponto crucial para a reversão da atual ordem mundial, onde cerca de 12 grupos multinacionais controlam o mercado, manipulando formas de produção e especulando preços. “A agricultura passou a ser um dos maiores negócios do mundo", diz.
Rodrigo Otávio

     Rio de Janeiro - A soberania alimentar é o tema de uma das plenárias de convergência da Cúpula dos Povos, evento paralelo a Rio + 20 que será realizado entre 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo. Na dinâmica do evento, os resultados das plenárias de convergência serão encaminhados para a Assembleia dos Povos, que nos últimos três dias da cúpula definirá as agendas e lutas para o período pós Rio+20.
     A partir do conceito de soberania alimentar como “o direito dos povos a alimentos nutritivos e culturalmente adequados, acessíveis, produzidos de forma sustentável e ecológica, advindos do direito de decidir o próprio sistema alimentar e produtivo”, definido pela Via Campesina em 1996, durante a Cúpula Mundial sobre Alimentação da agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o engenheiro agrônomo Horacio Martins vê a retomada da agricultura familiar como ponto crucial para a reversão da atual ordem mundial, onde cerca de 12 grupos multinacionais controlam o mercado, manipulando formas de produção e especulando preços.
     “A agricultura passou a ser um dos maiores negócios do mundo. O volume financeiro no comércio de alimentos processados entre 2010/11 foi de US$ 3,5 trilhões”, afirma o membro da Associação Brasileira de Reforma Agrária. “Não é mais o custo de produção que determina o preço. O preço é determinado fora. A Bolsa de Chicago movimenta financeiramente em um ano o equivalente a 46 vezes a produção mundial de trigo, e 24 vezes a de milho”, exemplifica Martins.
Novo campesinato
     Segundo o agrônomo, o processo de construção da soberania alimentar recai em alguns lugares comuns. O primeiro é a necessidade de uma reforma agrária ampla, ligada a uma soberania nacional e popular, para que “não o mercado decida o que nós devemos comer, mas sim uma política nacional de alimentação que acabe com a tirania da dieta alimentar definida pelas multinacionais a partir dos produtos agrícolas rentáveis”.
     Martins é taxativo. “Precisamos criar camponeses!”, e propõe um novo olhar sobre esse campo. “O camponês como modo de produção e como classe social. Ele tem uma especificidade que não é nem o produtor simples de mercadoria, nem a pequena burguesia, mas uma nova abordagem da questão camponesa, Ele e o trabalho da terra com sua família, uma família moderna, contemporânea, estudando”, diz.
     Para o trabalho da terra desembocar na mesa de jantar sem especulação, a retomada dos circuitos curtos de mercado é o caminho ideal, na visão do agrônomo. “Só equaciono a soberania alimentar com a oferta de alimentos sadios nos mercados locais e produção regional, contra as ‘mercadorias de não lugar’”, afirma, pontificando que esse cenário representa “o processo de desconcentração e democratização do uso da terra e da oferta de serviços”.

Tecnologia
     Para Martins, outra vantagem desse modelo seria forjar um novo padrão tecnológico, a partir da agroecologia para o pequeno. “Se agrotóxicos, fertilizantes e sementes estão na mão das multinacionais, o padrão é dado de fora para dentro. E nossas políticas públicas e empresas de pesquisas passam a ser determinadas por esse grande mercado, sem emancipação e liberdade”, diz ele.

N
ossa fonte: Carta Maior

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Uma proposta a favor do emprego


Assis Melo quer manter emprego nas empresas com financiamentos


As empresas que contratarem financiamentos em instituições públicas da União ou que receberem incentivo fiscal do Governo Federal devem manter o nível de emprego e evitar demissões. A proposta é do deputado Assis Melo (PCdoB-RS) que considera altas as demissões sem justa causa.


“Nossa visão é a de que empresas que se socorrem do dinheiro arrecadado de impostos devem se submeter aos interesses sociais. Tomar ou não um empréstimo subsidiado é sempre uma decisão de gestão empresarial. E os empresários devem avaliar se aceitam ou não as condições dos empréstimos. O que não é aceitável é financiar publicamente a extinção de empregos”, destaca Assis.

A proposta foi apresentada, na Comissão de Trabalho, em voto em separado ao projeto de lei que estabelece contrapartidas para as empresas que receberem incentivos fiscais do Governo Federal. 

No projeto original, a contrapartida social é exigida apenas às empresas que recebem incentivos fiscais. Pela proposta de Assis Melo apensada, a manutenção de empregos é exigida nos casos de financiamento público. Dessa maneira, o mesmo texto incorpora as duas matérias.

As indicações deverão constar nos acordos ou contratos celebrados entre empresas e a administração pública, tendo ainda que ser garantida a aplicação de, no mínimo, 5% do valor dos incentivos fiscais recebidos em programas voltados à qualificação do trabalhador.

O deputado é a favor da aprovação do projeto, desde que incluídas as suas indicações, que beneficiam o trabalhador. O voto em separado será analisado, caso os membros da Comissão de Trabalho rejeitem o parecer do relator.

De Brasília com informações da Ass. Dep. Assis Melo

Nossa fonte: Vermelho

terça-feira, 5 de junho de 2012

Vandana Shiva: "financeirização da economia está na raiz da crise"


Em entrevista à Carta Maior, a ativista indiana Vandana Shiva fala sobre suas expectativas em relação a Rio+20. Ela não acredita que a conferência da ONU consiga firmar compromissos de mudanças mais significativas em função da influência das grandes corporações. Neste cenário, defende, o papel da Cúpula dos Povos adquire maior importância. Para Vandana Shiva, a crise atual não poderá ser resolvida com mais financeirização e mais mercantilização.

     Vandana Shiva, que participará da Rio+20 e da Cúpula dos Povos, é a autora do livro ‘The Violence of Green Revolution’ de 1991 (A Violência da Revolução Verde), uma leitura obrigatória para o debate sobre a produção agrícola alterada pela ‘Revolução Verde’; ‘revolução’ que trouxe para o plano agrícola a lógica que impôs o uso de pesticidas e sementes transgênicas, dentre muitas outras modificações, que Vandana explora profundamente em seu livro, infelizmente ainda sem tradução para o português.
     Ela é defensora dos direitos humanos e do meio ambiente, os quais infelizmente muitas vezes são defendidos como causas separadas, mas que possuem intrínseca conexão pois os dois são explorados, cada um a sua forma, pela lógica econômica capitalista. 
     Vandana trabalha por uma economia verde sem dogmas e não foge ao debate sobre questões necessárias para barrar o avanço da situação que se encontram tanto trabalhadores, como natureza. A ativista também levanta a bandeira da situação das mulheres indianas, da segurança alimentar e da preservação dos povos e culturas locais. É fundadora da ONG indiana Navdanya, que, entre outras agendas, estimula a agricultura orgânica local. 
Infelizmente seu livro "The Violence of Green Revolution" não foi traduzido para o português até hoje. Você poderia trazer ao nosso leitor uma exposição dá época em que ele foi escrito juntamente de uma análise dos desdobramentos que se deram dos anos 80 prá cá em relação as perdas da agricultura, não só na Índia como nos outros países. 
Comecei a fazer a pesquisa sobre a violência da Revolução Verde em 1984, ano da violência no Punjab, onde a Revolução Verde foi implementada pela primeira vez em 1965. A Revolução Verde teve um Prêmio Nobel da Paz, mas em 1984, Punjab era uma terra de guerra. 30.000 pessoas foram mortas pela violência em Punjab, que é um número 6 vezes maior do que os mortos na tragédia do 11/9. O ano de 1984 foi também o ano do desastre de Bhopal, onde uma fábrica de pesticidas, da ‘Union Carbide’ (hoje Dow), vazou e matou 3.000 pessoas. Desde então, 30.000 pessoas morreram.. Hoje a Índia é a capital da fome e dos suicídios de agricultores. Desde 1997, 250.000 agricultores foram presos por dívidas e tiraram suas vidas. 
A senhora traçaria um paralelo entre o modo de produção voltado ao abastecimento e especulação do mercado, as reservas naturais e as condições que se encontram a mão de obra trabalhadora no seu país? Outras regiões do mundo trariam condições semelhantes?
O modelo econômico dominante desperdiça recursos e pessoas. Apesar destes resíduos serem chamados de "eficiente" e "produtivo". Ele substituiu a produção com a especulação do capital financeiro, e do consumismo para as pessoas. Este modelo é: destruir a natureza e a sociedade em si. 
Reformas ou Revolução? O que e o porque a senhora acredita ser necessário para impedir o avanço da situação de degradação das condições tanto humanas quanto naturais contemporâneas?
Duas coisas são necessárias para acabar com essa deterioração. Em primeiro lugar, uma mudança de paradigma e visão de mundo. Em segundo lugar, as pessoas levantarem-se coletivamente e dizer "Basta". Chega. 
A senhora terá a oportunidade de participar da Rio+20 e da Cúpula dos Povos. Quais seriam na sua opinião, as limitações e as contribuições que cada uma delas poderão nos trazer?
A Rio+20 será limitada em firmar compromissos em função da influência das grandes corporações. Essas contribuições podem ser significativas, se reconhecerem a necessidade de restabelecer a harmonia com a natureza - objeto de uma sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas no ano passado - e se reconhecerem que a agricultura ecológica é o caminho para a proteção do planeta e da Segurança Alimentar. A Cúpula dos Povos, os Direitos da Mãe Terra, e o compromisso para uma transformação serão vitais. 
Não haveria uma lógica comum entre os mecanismos financeiros criados em torno da questão ambiental e ativos financeiros comuns? Esta mesma lógica é capaz de lidar com problemas ambientais, criados muitas vezes por ela própria? O que a senhora poderia falar sobre este assunto?
Há um provérbio africano que diz: "Você não pode colocar um bezerro dentro de uma vaca bezuntando-o com lama". A financeirização da economia e a consequente redução da economia a um casino, e os recursos do planeta e processos em mercadorias privatizadas, são a a raiz das crises ecológicas e econômicas. Estas crises não podem ser resolvidas por mais financeirização e mercantilização.
Nossa fonte: Carta Maior

Para as novas gerações, a recuperação de uma página importante

UNE: Uma página Perdida da História


 Augusto C. Buonicore**

A Honestino, Helenira, Umberto, Gildo e Mata Machado, mártires da juventude e do povo brasileiro.
       A bibliografia sobre o movimento estudantil na década de 1960 tende a considerar que ele teria terminado com a queda do 30º Congresso da UNE, em outubro de 1968, ou, no máximo, com a decretação do Ato Institucional número 5, ocorrida em dezembro daquele mesmo ano. Esses autores, em geral, partem de uma concepção mais restrita do que seja o movimento estudantil, vinculando-o apenas às grandes manifestações de massas. Passeatas dos 100 mil, no entanto, são acontecimentos relativamente raros em nossa história.
      Após o AI-5 as lutas estudantis entraram numa fase de refluxo, mas não deixaram de existir. Ainda em abril de 1969 realizou-se uma plenária nacional - considerada por todos como legítima continuadora do 30º Congresso da UNE. Nela, se elegeu uma nova direção na qual Jean Marc Von Der Weid (da AP, Ação Popular) era o presidente. Ao contrário da gestão anterior - composta pelas principais correntes de esquerda, excluindo o PCdoB -, essa era uma composição que envolvia apenas a AP e o PCdoB.
     Na chapa vitoriosa representavam o PCdoB os estudantes João de Paula (CE), Helenira Resende (SP), Ronald Rocha (RJ) e Aurélio Miguel (BA). Pela AP, além de Jean Marc (SP), havia Honestino Guimarães (DF), Valdo Silva, Umberto Câmara, José Carlos da Mata Machado, Dora Rodrigues de Carvalho (MG).
     Um segundo Conselho Nacional se realizou em julho numa fazenda na Baixada Fluminense. Ali se fizeram as primeiras alterações na composição da diretoria da UNE, com substituições de diretores que haviam sido presos. Na ocasião, saiu João de Paula, preso no Paraná, e ingressou José Genoino Neto também do PCdoB. Pela AP ingressaria Gildo Macedo Lacerda.
     Segundo alguns participantes, neste Conselho se reuniram cerca de setenta delegados, representando a maioria dos estados brasileiros. Era um número expressivo tendo em vista o clima de repressão reinante depois do AI-5. O encontro não chegou ao fim porque na região ocorreu uma operação antiguerrilha do Exército, e os delegados, por segurança, tiveram de fugir. Por sorte, desta vez, ninguém foi preso.
     Ser dirigente de uma entidade estudantil naquela época implicava graves riscos, inclusive de vida. Em 1º de setembro Jean Marc foi preso e muito torturado. Ele só seria libertado em janeiro de 1971, por ter sido um dos 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço. Dos diretores desta gestão apenas Dora escapou de ser presa, torturada ou morta. Contudo, amargou um longo período de clandestinidade e exílio interno.
          Depois de um breve impasse sobre como se daria a substituição de Jean Marc - inclusive, se deveria ser substituído ou mantido simbolicamente na presidência -, foi decidido que Honestino Guimarães assumiria o cargo vago. Ele era, na época, uma das principais lideranças da Ação Popular, e muito querido entre os estudantes.
     Logo em fevereiro de 1969, antes mesmo da plenária nacional, a ditadura aprovou o famigerado Decreto-lei 477, pelo qual os líderes estudantis, considerados perigosos à ordem ditatorial, ficavam proibidos de se matricular em qualquer estabelecimento de ensino durante três anos. Nova onda de cassações também atingiu o corpo docente. Os centros acadêmicos livres foram fechados e substituídos por entidades atreladas à direção das escolas. Esse decreto, para muitos, foi o AI-5 da educação.
     A diretoria da UNE assumiu a luta contra esse decreto fascista, organizando várias manifestações. Após a prisão de Jean Marc - e a divulgação de sua contundente carta-denúncia -, recrudesceu a campanha nacional de denúncias dos crimes da ditadura militar, pela libertação dos presos políticos e contra a tortura.
     Um dos atos mais ousados - e temerários - desta gestão foi a greve com ocupação da Faculdade de Filosofia da UFRJ, onde o PCdoB tinha muita força. Era uma resposta à tentativa da ditadura de fechar a instituição. Ocorreram choques violentos com a polícia política e, no final, centenas de estudantes foram presos. Por isso, alguns participantes afirmaram que a forma de luta encontrada não se adequava ao momento de refluxo vivido pelo movimento estudantil e popular.
     De fato, a maioria das correntes de esquerda - incluindo o PCdoB - não havia avaliado adequadamente a nova correlação de forças que se abria no final de 1968. Via o AI-5 apenas como um sinal de fraqueza e isolamento do regime militar. Acreditava que existiam todas as condições de retomar o movimento de massas no mesmo patamar do período anterior. Um grave erro que seria responsável por algumas derrotas. Embora ainda houvesse certa margem de manobra dentro de algumas poucas escolas. Isso, no entanto, acabaria nos meses seguintes.
     Outro marco importante do movimento estudantil foi a realização de expressivas manifestações contra a visita do secretário de Estado estadunidense Nelson Rockfeller. Não conseguiram reunir o mesmo número de pessoas das grandes manifestações do ano anterior, quando as lutas estudantis estavam no seu auge. Contudo, não fizeram feio. Jean Marc afirmou que cerca de 30% das faculdades chegaram a paralisar durante dois dias. Estes atos representaram uma derrota à ditadura militar, que se gabava de ter acabado com as entidades nacionais estudantis.
     Os conselhos da UNE continuaram se realizando clandestinamente - sob uma ditadura cada vez mais violenta. Houve um encontro logo no início de 1970 e outro no mês de julho na cidade de Salvador. Neste ano sombrio ocorreram atos internacionalistas contra os bombardeios criminosos realizados pelo imperialismo estadunidense contra o povo do Vietnã e do Camboja. A UNE, também, participou da campanha pelo voto nulo e contra a farsa eleitoral da ditadura. E o resultado desse clima político foi o alto índice de votos anulados e em branco naquela eleição.
     A diretoria da UNE continuou se reunindo. Entretanto, não podia mais fazer atividades públicas. Os diretores da entidade - cercados por um aparato de segurança - apareciam de surpresa em assembleias e reuniões relâmpagos nas escolas. Mantinham contatos esporádicos e rápidos com os dirigentes dos Diretórios Acadêmicos. Uma de suas principais atividades consistia em distribuir o jornal Movimento, órgão oficial da entidade. Esta era a forma encontrada de dizer à ditadura: estamos vivos!
     Esta gestão da UNE (1969-1971), presidida por Jean Marc e Honestino Guimarães, travou uma luta heroica para manter minimamente organizado o movimento estudantil num período muito difícil da história brasileira. Como afirmou Gaspari, tínhamos saído de uma "ditadura envergonhada" para ingressarmos numa "ditadura escancarada". A quase totalidade de seus dirigentes nacionais foi presa e barbaramente torturada. Vários deles foram assassinados pela repressão. Este foi o preço pago para manter tremulando a bandeira da UNE e da resistência democrática e popular no Brasil.
     Antes mesmo de terminar aquela gestão, Helenira Resende e José Genoino foram deslocados para a região do Araguaia, onde se preparava o desencadeamento de uma guerrilha rural. Helenira morreria em combate, Genoíno seria preso e torturado. João de Paula, depois de uma passagem por uma base rural do PCdoB no Vale do Ribeira, rumou para o exílio.
     Muitos autores acreditam que esses deslocamentos para o campo teriam representado um abandono dos movimentos sociais urbanos pela direção do PCdoB, como se a grande maioria de seus quadros tivesse sido deslocada para o trabalho de preparação da guerrilha rural. Esta ideia, no fundamental, é falsa. O Partido, na medida do possível, procurava atuar no que existia de movimentos sociais organizados, especialmente o estudantil. Lembremos apenas que a repressão e as dificuldades organizativas impostas por ela haviam aumentado em escala geométrica após o AI-5.
     Contudo, mesmo nos períodos mais duros, houve certa renovação de quadros partidários, destacadamente jovens. A União da Juventude Patriótica (UJP) no Rio de Janeiro e o Movimento de Resistência Popular (MRP) em São Paulo - ambos organizados pelo PCdoB entre 1971 e 1973 - são provas disso.
O Congresso e a diretoria que desapareceram
   Quando José Serra discursou na abertura do congresso de reconstrução da UNE em 1979, referiu-se a ele como 31º Congresso. A partir de então a grande maioria dos autores passou a fazer o mesmo. Esqueceram, no entanto, que já havia ocorrido um outro congresso com a mesma numeração. Para sermos justos devemos dizer que uma das poucas exceções à regra foi o livro História da UNE, organizado por Nilton Santos e publicado em 1979. Nele consta a realização daquele congresso e, inclusive, é publicada uma entrevista com um dos diretores eleitos: Neuton Miranda.
     O 31º Congresso original realizou-se entre setembro e outubro de 1971. Nele, Honestino Guimarães se reelegeu para a presidência da entidade. Aquela foi uma reunião realizada na mais dura clandestinidade e com a participação de poucos delegados, eleitos em encontros estaduais e regionais. Neuton Miranda afirmou: "Impossibilitados de realizarmos grandes reuniões, com ampla participação, a realização desse congresso envolveu várias fases que iam desde a retirada dos delegados por escola, à realização de reuniões por estado, às regionais e por último uma reunião nacional. Esse processo durou vários meses, tendo começado ainda em 1970".
     O processo se iniciava nos cursos em reuniões convocadas pelos Diretórios Acadêmicos, segundo as condições de segurança de cada universidade. Atualmente não existem dados exatos sobre a quantidade de estudantes que participaram dessas reuniões. Acredita-se que tenha sido 200 o número dos eleitos. Esses, por sua vez, se reuniram em conselhos estaduais ou regionais: um na região Norte (realizado no Pará), três no Nordeste (em sedes na Bahia, em Pernambuco e Ceará), no sul (com sede no Rio Grande do Sul), Minas Gerais, Rio de Janeiro (possivelmente abarcando o Espírito Santo), São Paulo e Brasília (possivelmente abarcando o Centro-Oeste). Ronald, que nos forneceu estas informações, falou que apenas em Minas Gerais foram eleitos 40 delegados e no Rio de Janeiro 20. Delegados eleitos para os encontros regionais e não o nacional.
     Foram estes fóruns que indicaram os representantes para participar do 31º Congresso da UNE, numa proporção de um por estado. O indicado já trazia a posição da maioria do encontro regional e, possivelmente, os votos para composição da nova diretoria. A plenária final se reuniu no Rio de Janeiro e teve a participação de algumas dezenas de estudantes. Foi, de fato, um congresso da vanguarda estudantil e não um encontro de massas, como o de Ibiúna. Um congresso realizado nas condições que a conjuntura repressiva permitia.
    Este, portanto, foi o processo mais amplo - e mais democrático - que se poderia realizar naquele momento. Por isso, foi reconhecido pelos que ainda atuavam no movimento estudantil. O jornal A Classe Operária, órgão oficial do PCdoB, assim anunciou o evento: "A realização vitoriosa do 31º Congresso da UNE significa novo estímulo à luta das forças patrióticas e populares. Comprova que é possível e indispensável mesmo sob o tacão dos militares fascistas, realizar a luta pelos interesses das massas e que a juventude estudiosa poderá cumprir com sucesso sua missão de impulsionadora da revolução popular". O Congresso, além da nova diretoria, aprovou uma carta aos estudantes.
     A AP e o PCdoB, que ainda mantinham atuação nas entidades de base, obtiveram uma grande maioria. Há de se destacar que, naqueles anos, a correlação de forças entre o PCdoB e a AP se equilibrou, chegando mesmo o primeiro a ter uma pequena vantagem nos fóruns estaduais e na plenária final do Congresso. Um acordo firmado anteriormente garantiu que AP se mantivesse na presidência da entidade e o nome escolhido por consenso foi o de Honestino Guimarães. Este já era o presidente, pois havia substituído Jean Marc após a sua prisão em 1969.
    O PCdoB, por sua vez, ficou com a maioria dos cargos na diretoria. O Partido elegeu Ronald Rocha (RJ), Marco Aurélio (MG), Rufino (CE), Maria Emília (BA), Jorge Paiva (SP) e Luís Oscar (RS). A AP indicou Honestino Guimarães (DF), Umberto Câmara (PE), Neuton Miranda (MG), Alírio Guerra (RN) e Pedro Calmon (RS). Neuton e Alírio ingressariam no PCdoB entre 1972 e 1973. Como podemos notar ocorreu uma grande renovação de dirigentes, especialmente entre os comunistas. Uma renovação que só pode ter sido fruto de um trabalho político no interior das escolas.
     A argumentação para o não reconhecimento daquele congresso apareceu no próprio livro organizado por Nilton Santos. Nele se afirmava que não foi reconhecido "devido à sua pouca representatividade e às condições em que foi realizado". Outros tentaram remediar a situação afirmando que o Congresso de Reconstrução (1979) foi uma continuação do congresso de 1971. Por isso teria o mesmo número. O problema é que - ao contrário do que aconteceu com o Congresso de Ibiúna - o 31º se reuniu, aprovou uma carta-programa e elegeu uma diretoria.
     Refutando os que negaram o reconhecimento do congresso de 1971, Ronald Rocha declarou: "o argumento é inaceitável uma vez que significaria imputar ao movimento estudantil e à sua entidade máxima a responsabilidade pelas situações e limites impostos pelo terrorismo de Estado (...). Seria deslocar o conceito de representatividade de suas condições histórico-sociais de existência". Posição com a qual estou de acordo. Não cabe a nós - passados quase 40 anos - questionarmos a representatividade e a decisão soberana daqueles jovens combativos que colocaram suas vidas em risco para manter a entidade de pé.
     Esta gestão viveu uma conjuntura ainda mais difícil que a anterior. O próprio Neuton Miranda descreve a situação: "Logo nos primeiros meses, quase a metade da diretoria foi presa e submetida às mais bárbaras torturas, o que dificultou em muito o nosso trabalho. O movimento de massas que havia nessa ocasião não era suficientemente forte para permitir que atuássemos abertamente, participando de reuniões, assembleias e outras manifestações estudantis, em nome da UNE, como ocorria até 1968". Eles tentaram e não conseguiram romper o cerco ditatorial.
     Em 1972 a UNE, ao lado das entidades de base, realizou atividades comemorativas do cinquentenário da Semana de Arte Moderna. Era o que dava para fazer naquele momento. Em novembro 11 mil estudantes da USP, em plebiscito, disseram não ao ensino pago. O ministro-coronel Jarbas Passarinho chegou a falar em "conluio da esquerda radical e a classe rica". O nome da UNE ainda circulava de boca em boca nos corredores das universidades, embora não se pudesse conhecer mais a fisionomia de vários de seus dirigentes.
     A UNE continuou sua luta pelos direitos humanos, contra as prisões, as torturas e os assassinatos dos opositores ao regime. O ápice desse processo foram as manifestações públicas contra o assassinato do estudante da USP Alexandre Vannucchi Leme, ocorrido em março de 1973. Este, possivelmente, foi o último acontecimento de que a UNE clandestina, mortalmente ferida, participou. Não era mais possível sobreviver naquelas condições tão desfavoráveis.
     Esta gestão heroica resistiu até o final 1973, quando, finalmente, foi destroçada pela repressão. Honestino Guimarães e Umberto Câmara foram sequestrados e mortos em outubro. No mesmo mês caíram José Carlos Mata Machado e Gildo Macedo Lacerda. Assim, em poucos dias, os principais dirigentes estudantis da AP-ML foram brutalmente assassinados.
     Ronald Rocha foi preso e torturado ainda em 1972. Neuton Miranda foi obrigado a entrar na clandestinidade ainda em 1971 e, no ano seguinte, acabou sendo condenado à revelia a dois anos de prisão. Continuou na direção da entidade até o fim.
     Numa entrevista dada ao Vermelho, Ronald Rocha afirmou: "Nunca, porém, tomamos a decisão de cerrar as portas da entidade ou renunciar aos mandatos. Estou convencido de que essa atitude de resistência, sem capitulação e sem derrota definitiva, facilitou a reorganização da entidade máxima dos estudantes brasileiros alguns anos depois, sem uma lacuna abissal que liquidasse a tradição e a memória coletivas". Mesmo depois do seu desmantelamento, nos muros das universidades mutiladas, ainda podia se ler: "A UNE SOMOS NÓS!".
"Não existem linotipos?
 Não existem rotativas?
 Que importa, meu companheiro?
 Há sempre uma mão altiva
 pegando um giz ou pincel.
 E há muros pela cidade
 se nos negarem papel".
"Isso é história, companheiro.
História que tu escreveste
à margem das linotipos,
à margem da rotativa
e das tiras de papel.
História que tu escreveste
tendo ideal, mão altiva,
toco de giz ou pincel".
(O povo escreve a história nas paredes, do comunista Mário Lago)


Agradeço especialmente a Ronald Rocha e Neuton Miranda, ex-diretores da UNE, pelas entrevistas concedidas.
* Artigo publicado originalmente no Portal Vermelho em outubro de 2008.


** Augusto C. Buonicore é historiador, secretário-geral da Fundação Maurício Grabois e autor de Marxismo, história e revolução burguesa: Encontros e desencontros.
Bibliografia
COELHO, Maria Francisca Pinheiro. José Genoino: escolhas políticas, São Paulo: Centauro, 2007.
DEPOIMENTO DE Jean Marc ao projeto Memória do Movimento Estudantil da Fundação Roberto Marinho.
DIRCEU, J. & PALMEIRA, V. Abaixo a ditadura: o movimento estudantil contado por seus líderes, Garamond, 1998.
FREITAS, Mariano. Nós, os estudantes, Fortaleza (RE): Livro Técnico, 2002.
MARTINS FILHO, João Roberto. Movimento Estudantil e Ditadura Militar (1964-1968), Papirus, 1987.
PARANÁ, Denise. Entre o sonho e o poder: a trajetória da esquerda brasileira através das memórias de José Genoino, São Paulo: Geração Editorial, 2006.
PETTA, Augusto. "Congresso da UNE 68: quando a defesa de teses acontece na cadeia", in Colunas Vermelho.
POERNER, Artur José. O Poder Jovem, Civilização Brasileira, 1979.
REIS FILHO, Daniel Aarão & MORAES, Pedro de. 68: a paixão de uma utopia, FGV, 1988.
ROMAGNOLI, L. H. & GONÇALVES, Tânia. História Imediata: A volta da UNE - De Ibiúna a Salvador, São Paulo: Alfa-Ômega, 1979.
SANFELICE, José Luís. Movimento Estudantil: a UNE e a resistência ao golpe de 1964. Autores Associados, 1986.
SANTOS, Nilton. História da UNE, vol. 1. Depoimentos de ex-dirigentes, Livramento, 1979.

A gestão de esquerda e o socialismo


Pode ser que tenhamos alguns dos problemas de gestão assinalados por Tarso Genro, mas creio fortemente que, acima de qualquer coisa, temos um problema de comunicação e de convocação da juventude para participar das reformas que levem à construção de uma sociedade solidária. Precisamos mudar nosso discurso, mudar nossa convocatória aos jovens, não através de temas econômicos, mas sim de justiça social. Pobre linguagem a nossa. O artigo é de Luis Porto.

(*) Segundo artigo da série publicada pelo semanário Brecha que propôs um debate para lideranças políticas uruguaias a partir de um artigo do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, sobre os limites e desafios, para a esquerda, de governar e, ao mesmo tempo, não abandonar a reflexão teórica e as ideias da utopia socialista.

A Frente Ampla se guia pelo programa de governo e não é inútil recordar que, se alguém baixar o “Programa da FA 2010-2015”, do V Congresso de dezembro de 2008, e digitar “socialismo” no mecanismo de busca, aparecerá uma resposta automática: “Não foi encontrada nenhuma ocorrência”. Por tanto, “as coisas a resolver”, “as alianças” do governo e a “relação com os eleitores”, mencionadas por Tarso Genro em seu artigo, já estão pré-determinadas por um programa de governo que não fala em “socialismo”.

Segundo os estudiosos da ontologia da linguagem, somos o que dizemos, e não dizemos socialismo. O que não tem evitado que o governo faça esforços para reduzir as desigualdades geradas pela sociedade capitalista. 

O que nos guia, na gestão do governo, é o conceito de “equidade”, conceito que aparece no programa de governo em várias oportunidades e concepções: de gênero, étnico-racial, de oportunidades, de receitas, de direitos...

Portanto, não se pode dizer que o programa da Frente Ampla seja um programa de construção de uma sociedade socialista, mas tampouco se pode dizer que seja indiferente às desigualdades que uma sociedade capitalista gera. A discussão então deveria ser se este plano de ação ajuda ou não a construção de uma sociedade socialista.

Não concebo a sociedade socialista como um modelo pré-configurado, mas sim como uma construção social que transcende uma geração, como um processo dialético no qual os avanços ou retrocessos nas relações sociais de produção são legitimados pela sociedade.

São vários ao avanços feitos pelo governo da Frente Ampla neste caminho de construção: a reforma tributária, o imposto sobre a concentração dos imóveis rurais, a reforma da saúde, o Plano de Equidade, o Fondes, o Plano Juntos, o Plano Ceibal, o Programa Professores Comunitários...,são ações de governo que, ao mesmo tempo que reduzem desigualdades, geram mudanças institucionais que diminuem as inequidades, e fazem isso de tal forma que o processo seja dificilmente reversível.

É certo, porém, que nós não temos feito uma adequada promoção destes avanços e, portanto, do ponto de vista das ideias, do discurso, não temos feito uma publicidade das ideias de construção de uma sociedade mais justa.

Se somos o que dizemos, não só não dizemos socialismo, como dizemos bem estar material, salário digno (somo se a dignidade passasse pelo dinheiro), mais recursos, maior orçamento, distribuição de renda...dinheiro!

No discurso, na comunicação, validamos um sistema de incentivos, de prêmios e castigos que fazem o processo de seleção e reconhecimento social por meio das conquistas materiais. Isso não é independente da ordem de preferência na escala de valores da sociedade que promovemos, e estamos pagando as consequências: não mobilizamos os jovens.

“(...) nem bem a eficácia de um ideal morre, a humanidade veste outra vez seus trajes nupciais para esperar a realidade do ideal sonhado com nova fé, com tenaz e comovedora loucura. Provocar essa renovação (...) é em todos os tempos a função e o trabalho da juventude”. Assim disse José Enrique Rodó, em “Ariel”.

Pode ser que tenhamos alguns dos problemas de gestão assinalados por Tarso, mas creio fortemente que, acima de qualquer coisa, temos um problema de comunicação e de convocação da juventude para participar das reformas que levem à construção de uma sociedade solidária.

O socialismo como ideia reguladora? Ante as limitações que a gestão nos impõe, Tarso nos convoca a retomar o debate e a utopia de um modelo de sociedade universal de uma democracia socialista. Confesso-me parcialmente contrário a tal pretensão, ao menos por dois motivos.

Em primeiro lugar, porque a democracia socialista promulgada não é um modelo universal que se possa impor, e isso pela própria definição da democracia e da liberdade de pensamento, e, portanto, de ideias que a concepção traz associadas (a pretensão de uma ideia reguladora universal não é diferente da do pensamento único).

Um modelo de sociedade é uma construção social e, portanto, com contradições que geram caminhos não lineares. A própria concepção de “máxima desigualdade aceitável” é uma concepção social e histórica, mutável no tempo e entre diferentes sociedades. Além disso, é multidimensional (oportunidades, receitas, ponto de partida, direitos, etc.) e plena de dilemas entre suas próprias dimensões: pode a igualdade de receitas gerar desigualdade de direitos e de obrigações, por exemplo?

São as contradições e conflitos que esses dilemas provocam que geram soluções, mais ou menos estáveis em cada sociedade e em cada tempo. Ante as múltiplas dimensões de igualdade e desigualdade e os eventuais dilemas entre elas, os conceitos de “máximo aceitável” e “mínimo exigível” perdem sentido como ideia reguladora universal e utópica. Serão em cada momento histórico e em cada sociedade o resultado da construção social e da forma pela qual se resolvem as contradições e conflitos.

Neste sentido, o socialismo não deveria ser uma ideia reguladora utópica e universal, mas sim uma construção social a la uruguaia. Mas, como assinalei anteriormente, sou parcialmente contrário à ideia. É que há algo na proposta de Tarso que resulta desafiador para quem está no governo e enfrenta diariamente interesses em conflitos e dilemas: a proposta de uma ideia reguladora.

Diante das contradições e dilemas que enfrentamos creio que uma potente ideia reguladora pode ser explicitar a escala de valores que está por trás da resolução de um conflito de interesses ou de um dilema, e publicizá-lo. Uma explicitação que evidencie as contradições geradas por uma sociedade que persegue o bem estar material através de falsas liberdades individuais.

Que a ideia do socialismo apareça não como uma ideia universal e utópica, mas sim como a resposta social à perda de liberdade provocada pela escravidão da perseguição do bem estar material. A democracia socialista não como ideia nem como modelo pré-configurado, mas sim como construção social alternativa a um modelo que marginaliza e aliena.

Em resumo. E então, falando desde a perspectiva do governo da Frente 
Ampla, “qual é o lugar da nossa geração na evolução das ideias?”

“Confesso que consumi”, parafraseando ironicamente a Neruda, parece ser o legado que estamos deixando para a próxima geração. Mas não é certo, nem seria justo. Participamos da reconstrução de uma democracia mil vezes mais justa que a ditadura que a precedeu, mas ainda injusta.

E nos vangloriamos das conquistas com uma linguagem que nos condenará a ser lembrados como os que participamos do crescimento econômico do país. Pobre linguagem a nossa.

Mudar nosso discurso, mudar nossa convocatória aos jovens, não através de temas econômicos, mas sim de justiça social, pode levar-nos a mudar nosso papel como geração nesta evolução e construção social da qual participaram várias gerações.

“Confesso que tentamos”, deveria ser nosso legado.

(*) Vice-ministro de Economia e Finanças do Uruguai.

Publicado originalmente no semanário Brecha


Tradução: Katarina Peixoto

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Folha tucana ataca a blogosfera


Altamiro Borges


     Numa matéria desonesta e distorcida, assinada pelos jornalistas Bernardo Mello e Catia Seabra, a Folha de hoje voltou a atacar a blogosfera - o que só confirma que a velha mídia está muito incomodada com a força crescente das redes sociais. Ao tratar de uma reunião ocorrida ontem à noite entre blogueiros paulistas e o candidato à prefeitura de São Paulo Fernando Haddad (PT), o jornal tucano destilou todo o seu veneno.

     Já no título, "Petista pede ajuda a blogueiros que apoiam governo", uma mentira deslavada. A reunião foi articulada pelos ativistas digitais e não pelo PT ou por Haddad. Da mesma forma, os blogueiros - que residem em São Paulo e conhecem o desastre causado pela dupla Serra-Kassab - já estão agendando conversas com candidatos à prefeitura paulistana de outros partidos.

"Reporcagem" desonesta e distorcida
     Na reunião, o pré-candidato petista apresentou as suas propostas programáticas para a cidade, apontou os principais problemas das últimas gestões demotucanas - e agora do PSD de Kassab - e falou dos desafios da sua campanha eleitoral. Mesmo sem ter acesso ao encontro, a Folha intuiu - bem ao estilo Gilmar Mentes - que Haddad "pediu ajuda a sua campanha na internet". Nada foi falado sobre o tema, nem o petista seria ingênuo para achar que iria enquadrar os blogueiros. Ou seja: a Folha mentiu novamente!
     De forma desonesta, a Folha tentou vender a imagem de que os presentes da reunião pertencem ao "núcleo de militantes virtuais para atuar na internet" e que "o grupo será acionado para fazer propaganda de Haddad e atacar rivais nas redes sociais". Do encontro participaram vários blogueiros que não têm qualquer filiação partidária e, inclusive, militantes de outros partidos. A Folha sabe disso, mas procurou novamente manipular a informação.

Vínculos sombrios com José Serra
     Na prática, a "reporcagem" da Folha tentou prestar mais um servicinho sujo ao tucano José Serra - com que sempre teve o rabo preso. É bastante conhecida a influência do eterno candidato do PSDB na cúpula da empresa da famiglia Frias, inclusive na confecção de pautas e no pedido de demissões de repórteres menos amestrados. Será que a Folha topa divulgar, com mais transparência, seus constantes encontros e contatos com Serra?
     A matéria também visou estimular a cizânia entre os blogueiros. Mas esta tentativa é infantil. Os ativistas da chamada blogosfera progressista sempre zelaram pela pluralidade no interior deste jovem movimento. Eles sabem que existem blogueiros de diferentes concepções e origens, de diversos partidos e, principalmente, de ativistas digitais sem filiação partidária. O esforço sempre foi o de construir a unidade na diversidade, respeitando o caráter horizontal e democrático deste movimento.
     A Folha, com a sua cultura autoritária e arrogante, não entende a nova realidade da rede. Azar dela. Ela continuará a perder credibilidade e leitores! O seu modelo de negócios continuará afundando! 

Fonte: Blog do Miro

Agenda por um Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário


Trabalhadores rurais discutem pauta de reivindicações do Grito da Terra em Brasília


GritodaTerra
Milhares de trabalhadores rurais estarão na Esplanada nos Ministérios cobrando da Presidenta Dilma uma posição sobre as reivindicações do Grito da Terra
Trabalhadores rurais de várias regiões do país estarão em Brasília nesta quarta-feira para cobrar da presidenta Dilma Rousseff um posicionamento sobre a pauta de reivindicações do Grito da Terra Brasil. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), cerca de 8 mil trabalhadores estarão na Esplanada dos Ministérios das 5h às 17h30.
A pauta de reivindicações, intitulada Agenda por um Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, foi entregue à Presidência da República no dia 27 de abril com 138 propostas e, de acordo com a Contag, expressa os principais pleitos de aproximadamente 20 milhões de trabalhadores rurais ligados à confederação, às 27 federações de Trabalhadores na Agricultura e aos mais de 4 mil sindicatos de trabalhadores rurais.
Entre os dias 21 e 29 de maio, representantes da entidade foram recebidos em quase 20 ministérios. Hoje, dia da mobilização nacional, a diretoria da Contag, coordenadores e presidentes das federações devem ser recebidos pela presidenta para tratar da pauta de reivindicações do 18º Grito da Terra Brasil.
Entre os principais itens da pauta estão o desenvolvimento rural com distribuição de renda e o enfrentamento às desigualdades, a garantia e ampliação dos direitos sociais e culturais com qualidade de vida no campo e nas florestas, a participação democrática, a organização sindical e o orçamento público.
Segundo a Contag, a base desta 18ª edição é “a realização de uma ampla e massiva reforma agrária e a valorização e o fortalecimento da agricultura familiar, questionando o descaso do governo ao papel da terra e do território para a valorização dos povos do campo”.
Fonte: Correio do Brasil

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Comissão do Senado aprova descriminalização do uso de drogas


A ideia é que não será considerado crime uma quantidade de droga que represente o consumo médio individual de cinco dias

Da Redação 

Nesta segunda-feira (28), a Comissão Especial de Juristas do Senado aprovou a descriminalização do uso de drogas. Segundo a proposta, não será considerado crime uma quantidade de substância entorpecente encontrada com o usuário que represente o consumo médio individual de cinco dias, que será tida como para uso pessoal. Atualmente, o juiz determina se a quantidade droga encontrada com um usuário é para consumo próprio, o que provoca diferentes interpretações.

Esta quantidade ainda será regulamentada pela autoridade administrativa de saúde, que é atualmente exercida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A presunção de que a droga será destinada a uso pessoal também dependerá da natureza da substância, que também será regulamentada, assim como aspectos relativos à situação em que o usuário esteja com a droga, à sua conduta e às circunstâncias sociais e pessoais que a pessoa esteja.

De acordo com a proposta aprovada pelos juristas, "se o agente adquire, guarda, tem em depósito, transporta ou traz consigo drogas para consumo pessoal" não será mais crime. Também deixa de cometer um crime quem, para uso pessoal, semear, cultivar ou colher plantas voltadas para a preparação de drogas para consumo pessoal.

Segundo o site Folha.com, as propostas da comissão devem ser encaminhadas ao Congresso até o final de junho e, somente depois de serem votadas nas duas Casas elas se tornam lei.

Ainda de acordo com a publicação, a comissão também aprovou como exceção o uso de drogas próximo a escolas e outros lugares que tenham concentração de crianças e adolescentes e o consumo na presença dos mesmos, atitudes que serão consideradas crimes. Conforme a Folha, as penas seriam prestação de serviços à comunidade, advertência sobre os efeitos das drogas e o comparecimento obrigatório a programa ou curso educativo, as mesmas aplicadas atualmente ao uso comum.

Tráfico
Também foi aprovada a redução do tempo máximo da pena de prisão para o crime de tráfico determinada pela atual Lei de Drogas (Lei 11.343, de 2006). O teto da pena foi reduzido de 15 para 10 anos. A pena mínima de cinco anos foi mantida, assim como a multa.

É considerado crime de tráfico preparar, importar, exportar, remeter, produzir, fabricar, adquirir, vender e oferecer drogas ilegais, mesmo que seja de forma gratuita. A pena também é válida para cultivo, colheita ou plantio de matéria-prima para a fabricação de drogas.

*Com informações da Agência Senado

sábado, 26 de maio de 2012

Terceiro Encontro Nacional de Blogueiros começa nesta sexta


Quatrocentos e vinte e seis ativistas da rede se inscreveram para participar do 3º Encontro Nacional de Blogueiros (BlogProg), que acontece entre hoje (25) e domingo (27), em Salvador (BA), no Hotel Sol Bahia. O número de inscritos supera a meta dos organizadores, que era de 400 participantes. O BlogProg é organizado pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.
Segundo a comissão nacional organizadora do evento, o 3º BlogProg terá dois eixos básicos: a defesa da liberdade de expressão e da blogosfera, alvo de intensos ataques no último período; e a luta pela democratização da comunicação, com a deflagração de um debate democrático na sociedade sobre o novo marco regulatório do setor.

Marco Civil da Internet
O Encontro de Blogueiros será palco de uma das diversas audiências públicas em torno do Marco Civil da Internet, documento que deverá balizar a discussão de todos os temas relacionados à internet no país. No sábado (26), às 14h30, debatedores e deputados discutirão Liberdade de Expressão e Potencial de Inovação da Internet. A audiência é parte de uma série de debates que vem sendo realizada em diversos estados brasileiros.

III BlogProg
Data: 25, 26 e 27 de maio
Local: Hotel Sol Bahia (Rua Manuel Antônio Galvão, 1075, Patamares, a 12 quilômetros do aeroporto), em Salvador, BA
Inscrições e informações
: http://www.baraodeitarare.org.br/ 

CONVITE: Seminário sobre Agricultura Urbana

quarta-feira, 23 de maio de 2012

SALVE MAURÍCIO DE SOUSA



Vice de Kátia Abreu chama Maurício de Sousa de “babaca ignorante”


O cartunista Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, entrou no movimento #VetaDilma, que nos últimos dias teve como maior expoente o pedido feito pela atriz Camila Pitanga durante evento em que Lula recebeu cinco títulos de doutor honoris causa no Rio de Janeiro.




Além de divulgar uma tirinha em que o Chico Bento pede para a presidenta Dilma Rousseff vetar o Código Florestal, o cartunista também publicou, na noite desta terça-feira (22), duas fotos no twitter, onde tem quase 200 mil seguidores também pedindo o veto ao projeto que foi aprovado pela Câmara dos Deputados:


“Você, um só, pequeno ante a majestade da floresta, pode ajudar a salvá-la”.


“Integre-se ao movimento ‘Veta Dilma’. Duas espécies ameaçadas pelo novo código (des)florestal — veta Dilma”.

A resposta veio pelo próprio twitter. O pecuarista Assuero Veronez, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), presidida pela Senadora Kátia Abreu (PSD/TO), reagiu chamando o desenhista de “babaca ignorante”.

O autor do Blog da Amazônia retalhou: “não perca o respeito e a elegância contra Mauricio de Sousa”. Ao que foi respondido: “não respeito quem usa sua notoriedade para fazer ativismo político sobre assunto que não conhece”.

Usuários do Twitter, no entanto, manifestaram apoio às declarações de Maurício de Souza.

Da Redação do Vermelho, Vanessa Silva 
Com informações do Blog da Amazônia

Direito à Alimentação


Relatório apresentado pelo Relator Especial sobre direito à alimentação, Olivier de Schutter

Resumo
O reinvesti mento na agricultura, desencadeado pela crise no preço dos alimentos de 2008, é essencial para a plena realização do direito à alimentação. Entretanto, em um contexto de crises ecológicas, alimentares e energéti cas, a questão mais premente relati va ao reinvesti mento não é o “quanto”, mas o “como”.

Este relatório explora como os Países podem e devem obter uma reorientação de
seus sistemas agrícolas para meios de produção que sejam altamente produti vos, altamente sustentáveis e que contribuam para a realização progressiva do direito humano à alimentação adequada.

Baseado em uma ampla revisão da literatura científica publicada nos últi mos cinco anos, o Relator
Especial identifica a agroecologia como um meio de desenvolvimento agrícola que não apenas apresenta fortes conexões conceituais com o direito à alimentação, mas tem resultados comprovados
para um rápido progresso na concreti zação deste direito humano para muitos grupos vulnerabilizados em diversos países e ambientes. Além disto, a agroecologia proporciona vantagens que são
complementares às abordagens convencionais mais bem conhecidas, tais como a criação de variedades de alta produti vidade. E ela contribui bastante para um maior desenvolvimento econômico.

O relatório sustenta que a disseminação destas experiências é o principal desafi o que precisa ser
planejado hoje. É possível criar um ambiente propício para esses modos de produção sustentáveis
mediante políti cas públicas adequadas, entre as que se incluem: dar prioridade a aquisição de bens
públicos com despesas públicas em vez de apenas subsidiar insumos; investi r em conhecimento para
o reinvesti mento em serviços de pesquisa e extensão agrícola; investi r em formas de organização
social que esti mulem parcerias, incluindo escolas de campo para agricultores e redes de inovação
de movimentos de agricultores; investi r em sistemas de pesquisa e extensão agrícola; empoderar
as mulheres; e criar um ambiente macroeconômico propício, por exemplo, pondo em contato as
propriedades agrícolas com mercados justos.

Para download do livro:


Memórias de uma guerra suja e a participação da mídia no apoio à ditadura


O livro Memórias de uma guerra suja, depoimento do ex-delegado do DOPS, Claudio Guerra, a Marcelo Netto e Rogério Medeiros, foi recebido inicialmente com certa incredulidade até por setores progressistas. Há revelações ali que causam uma rejeição visceral de auto-defesa. Repugna imaginar que em troca de créditos e facilidades junto à ditadura, uma usina de açúcar do Rio de Janeiro tenha cedido seu forno para incinerar cadáveres de presos políticos mortos nas mãos do aparato repressivo.
O acordo que teria sido feito no final de 1973, se comprovado, pode se tornar o símbolo mais abjeto de uma faceta sempre omitida nas investigações sobre a ditadura: a colaboração funcional, direta, não apenas cumplicidade ideológica e política, mas operacional, entre corporações privadas, empresários e a repressão política. Um caso conhecido é o da Folha da Tarde, jornal da família Frias, que cedeu viaturas ao aparato repressivo para camuflar operações policiais.
Todavia, o depoimento de Guerra mostra que nem o caso da usina dantesca, nem o repasse de viaturas da Folha foram exceção. Esse é o aspecto do relato que mais impressionou ao escritor e jornalista Bernardo Kucinski, que acaba de ler o livro. Sua irmã, Ana Rosa Kucinski, e o cunhado, Wilson Silva, foram sequestrados em 1974 e desde então integram a lista dos desaparecidos políticos brasileiros.
Bernardo atesta:’ Esta tudo lá: empresas importantes como a Gasbras, a White Martins, a Itapemirim, o grupo Folha e o banco Sudameris, que era o banco da repressão; o dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar os bandidos com bonificações generosas’.
No livro, Claudio Guerra afirma que Ana Rosa e Wilson Campos — a exemplo do que teria ocorrido com mais outros oito ou nove presos políticos — tiveram seus corpos incinerados no imenso forno da Usina Cambahyba, localizada no município fluminense de Campos.
A incredulidade inicial começa a cair por terra. Familiares de desaparecidos políticos tem feito algumas checagens de dados e descrições contidas no livro. Batem com informações e pistas anteriores. Consta ainda que o próprio governo teve acesso antecipado aos relatos e teria conferido algumas versões, confirmando-as. Tampouco o livro seria propriamente uma novidade para militantes dos direitos humanos que trabalham junto ao governo. O depoimento de Guerra, de acordo com alguns desses militantes, teria sido negociado há mais de dois anos, com a participação direta de ativistas no Espírito Santo.
A escolha dos jornalistas que assinam o trabalho – um progressista e Marcelo Netto, ex-Globo simpático ao golpe de 64 – teria sido deliberada para afastar suspeitas de manipulação. Um pedido de proteção para Claudio Guerra já teria sido encaminhado ao governo. Sem dúvida, o teor de suas revelações, e a lista de envolvimentos importantes, recomenda que o ex-delegado seja ouvido o mais rapidamente possível pela Comissão da Verdade.

Vejam as respostas de Bernardo Kucinski  à Carta Maior sobre o conteúdo do livro no link:

Nossa fonte: Correio do Brasil