Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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domingo, 6 de janeiro de 2013

Os rapazes que venceram os raios e salvaram Dona Pandá


 Na noite do dia 29, faltando, portanto, dois dias para a passagem do ano, houve, aqui, na Chácara Xury, uma tempestade, com trovoadas e relâmpagos. Os apavorados Bei, Bia e Pretinho conseguiram permissão para entrar na casa. Antes que derrubassem a porta, Dona Pandá preferiu abrir mão da norma que proíbe cachorro ultrapassar o umbral da porta. A energia elétrica acabou e todos os aparelhos elétricos e eletrônicos foram rapidamente desligados, as lâmpadas de emergência salvaram esses moradores da escuridão e os acalmaram um bocadinho.

 No domingo, pela manhã, nada de energia. Como o telefone é uma linha WLL, cuja estação transmissora depende da eletricidade e o celular não tem sinal, a Chácara estava isolada, provocando em Dona Pandá uma sensação de desconforto. Resolveu verificar se as chácaras vizinhas estavam na mesma situação e descobriu que o problema era só dela. Foi até o padrão da força, na entrada da chácara, e verificou que a energia chegava ao relógio. Ficando claro sua total impotência, procurou, na estrada, um ponto mais alto para conseguir o sinal do celular e pediu socorro a seu amigo faz de tudo, Divino, que, em 40 minutos, estava, com um aparelhinho de teste buscando a fonte do problema. 

A primeira descoberta do Divino foi que toda a fase de voltagem 110v não funcionava e a de 220v, sim. A segunda foi que na cozinha havia um fio derretido e este estava posicionado ao final de uma linha. Considerando um bom progresso na sua pesquisa, Divino anunciou:
- Aqui está um resultado do curto circuito. Agora, preciso achar onde foi o curto. Já vi isto acontecer e o eletricista formado demorou um dia inteiro para achar o problema. – Dona Pandá, respirando mais profundamente que seu normal e já abaixando a voz (não sabia que ao final do dia estaria sibilando):
- Divino, vou perder toda a comida que está no freezer e nas geladeiras!!!
- Olha, não perca a calma, vamos descobrir. Vamos ver lá na casinha do Vanderlei como estão as coisas por lá. 

Embora Vanderlei não more na Chácara Xury,  o lugar onde ele toma as refeições, descansa e também guarda as ferramentas que exigem mais cuidados é chamado a Casinha do Vanderlei. Verificaram que as coisas por lá estavam como as coisas por cá. Divino, na intenção de acalmar sua amiga, fez uma dissertação sobre as dificuldades da eletricidade e Dona Pandá, por mais cuidado que tivesse com a sensibilidade do D. faz tudo, o interrompeu novamente com a repetição de - “Vou perder toda a comida ...”

Dai, a nora de Dona Pandá, havia avisado que seus pais viriam à CXury, no dia 31. Foram, então, convidados participar do último almoço do ano. Eis a preocupação de nossa amiga que já havia abastecido o freezer e a geladeira com os tira-gostos e as comidas semipreparadas para essas festas. Na geladeira da Casinha, havia o peru esperando o dia 31 para ir ao forno. Enquanto Divino apresentava seus relatórios de pesquisa, Dona Pandá só conseguia pensar que não iria conseguir fazer tudo de novo. Como amassar novamente as berinjelas? E o frango desossado?  As cervejas? Os vinhos espumantes? Ai, ai, ai não se passa de um ano para outro sem geladeira... Lá estava Divino falando... Ela sabia que a intenção era acalmá-la, mas a cada minuto que passava, a impressão de que iria perder a compostura ia ficando cada vez mais forte.

Divino precisava subir numa escada para verificar os disjuntores. A escada é de ferro e ele calçou uma chinela com sola de borracha para se proteger, mas houve uma pequena incompatibilidade entre o tamanho da chinela e o dos pés dele, então Dona Pandá, lembrando-se de seu avô, disse:
 - Tudo bem, calcanhar não é pé. -
Divino subiu e Dona Pandá ficou segurando a escada. De repente, ela viu um pé se levantar estranhamente, num ângulo de 90 graus à esquerda, e a perna acompanhar  levando todo o corpo que não passou do chão, embora parecesse trêmulo e com o rosto embranquecido pelo choque levado. O susto foi maior que a dor, segundo o acidentado que tudo fez para minimizar a vergonha passada. Dona Pandá se sentiu culpada e preocupada com as consequências do choque e do tombo, mas o rapaz só se desculpava. Aí falou mais alto o autoritarismo da dama que o fez se movimentar observando cuidadosamente até se convencer de que de fato nada grave havia acontecido. Deixada a escada de lado, voltaram à casa principal e recomeçaram a pesquisa.

Às 14h, depois de uma batalha com a escada, agora de madeira, para verificar  os fios nos postes altos, Dona Pandá foi novamente em busca de um ponto de sinal para o celular e pediu socorro para o Vanderlei. Chegando, ele substituiu Dona Panda no segurar a escada e mais uma hora se passou sem que se descobrisse algo que desse a luz.  A ideia, então, foi o Vanderlei buscar seu sogro Hélio, o eletricista que havia feito a instalação elétrica da CXury. O pequeno problema é que Hélio estava, em consequência de um acidente, de muletas.

O eletricista chegou junto com a chuva. Os três corajosos rapazes, sem tomar conhecimento da água que caia, foram vistoriar toda a rede interna à Chácara. Hélio, no chão, encostado em alguma árvore comandava, enquanto os outros dois – um no chão segurando a escada e o outro sobre ela – executavam as ordens de pega o fio azul, testa com o fio branco... Num determinado momento, com a chuva mais forte, Dona Pandá falou que estava desistindo e no outro dia veria o que fazer, pois além da chuva, do cansaço, o dia já desaparecera há algum tempo. Os intrépidos cavalheiros comunicaram que só iriam embora depois de deixar as geladeiras funcionando.

Eram 20h quando descobriram o ponto do curto que, evidentemente, estava nos últimos metros de fio vistoriado. Fomos, então, testar. Todas as lâmpadas e tomadas queimadas, assim como o forno micro-ondas, o rádio-relógio, filtros de linha e outras cositas más. Quando Dona Pandá abriu o freezer, nem acreditou... estava tudo congelado ainda, após 24h! Dona Pandá estava salva!  

sábado, 5 de janeiro de 2013

Crise entre Câmara e STF se agrava após declarações de candidato a presidente

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O “quarto poder” se assanha


“Quarto poder” é uma expressão criada para qualificar, de modo livre, o poder das mídias em alusão aos outros três poderes típicos do Estado democrático: Legislativo, Executivo e Judiciário. Esta expressão refere-se ao poder dos meios de comunicação quanto à sua capacidade de manejar a opinião pública, a ponto de ditar regras de comportamento, influenciar as escolhas dos indivíduos e da própria sociedade.

Por Robson Sávio Reis Souza*

O filme Mad City discute o poder dos media sobre a opinião pública, mostrando a manipulação da mídia para favorecer os interesses de terceiros; a sua capacidade de construir e destruir mitos; a sede por notícias e aquilo que se diz notícia; a dúvida do que seria o verdadeiro jornalismo. Analisa também o sensacionalismo e o circo construído em cima de determinados fatos.

No Brasil, o poder da grande mídia tem sido objeto de muitas reflexões. Venício A. Lima, neste Observatório da Imprensa, nos oferece importantes interpretações sobre a influência da grande mídia (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed717_o_poder_da_midia_contradicoes_e_(in)certezas). Um dado importante, a ser destacado, é que a grande mídia já não exerce mais a influência decisiva que exerceu em campanhas eleitorais no passado, determinando o curso da história. Numa sociedade que se democratiza a passos largos, o povo dá evidentes mostras de sua autonomia e, neste cenário, o quarto poder começa a se posicionar para reforçar cada vez mais o Judiciário, em mais uma guinada à direita.

O lado conservador

A grande mídia age desta forma não porque deseja um Judiciário independente e democrático. Muito pelo contrário. Age desta forma porque deseja, ardorosamente, que os togados – distantes do povo e incrustrados nos suntuosos tribunais – não se “contaminem” com os ventos democratizantes – que garantem a pluralidade, a diversidade cultural e a igualdade de direitos. Para os cartéis midiáticos é importante que o Judiciário se mantenha afastado dos anseios populares e democráticos para respaldar as arbitrariedades perpetradas cotidianamente pelo quarto poder – que se julga acima do bem e do mal, a tal ponto de querer determinar, antes mesmo do pronunciamento dos tribunais, quais são as penas, quem são os réus; enfim, quem são os bandidos malvados que devem ser eliminados a qualquer custo; ao arrepio da própria lei que, paradoxalmente, tenta defender.

Todos os grandes veículos de comunicação, nos últimos dias, caminham em uníssono para a blindagem do Judiciário, representado neste momento pelo STF. Por outro lado, insuflam, criminosamente, a população contra os demais poderes, sendo o “patinho feio” da vez o poder legislativo. É claro que se avizinham mudanças significativas, via legislação, nesse “estado de coisas” que pariu, foi conivente e edificou uma mídia tão venal, autoritária, refratária e golpista nesta República ainda de poucos. E essas empresas de comunicação buscam se alinharem a um Judiciário – não menos refratário – para manter as coisas como elas são; em outras palavras, esse establishment, numa sociedade que ainda não conseguiu fazer a sua “reforma agrária do ar”.

Todos os países democráticos já conseguiram avançar em legislações de controle social da mídia. Os poucos países que não avançaram nesse pantanoso terreno buscam manter os privilégios dos grandes meios de comunicação calçados em decisões justamente do Poder Judiciário. Não é à toa que os togados representam, historicamente, o lado conservador das sociedades. Vide, recentemente, a disputa que se instalou na Argentina: respaldado em decisões judiciais, o grupo Clarín – aquele império erguido em acordos e em circunstâncias pouco confessáveis – busca no Poder Judiciário postergar as modificações democratizantes advindas com a Ley de Medios.

Um golpe que se avizinha

Voltando a nossas plagas, inúmeros articulistas e comentaristas políticos brasileiros têm demonstrado o perigo de um poder autocrático, como o Judiciário, definir os rumos da vida social. Mauro Santayanna, por exemplo, escreveu que “todas as leis, que estabelecem as regras de convívio na sociedade e organizam e normatizam a ação do Poder Judiciário e do Executivo, têm que ser discutidas e aprovadas pelos parlamentares, para que tenham a legitimidade, uma vez que representam a vontade popular. Só o Poder Legislativo, conforme a obviedade de sua definição, outorga estatutos ao governo e, em alguns casos, reforma o próprio Estado, se for eleito como poder constituinte. O parlamento, ao receber do povo o poder legislativo, não pode delegá-lo a ninguém, nem mesmo a outras instituições do Estado”.

Roberto Amaral afirma: “Ao contrário do Executivo e do Legislativo, o Judiciário, no Brasil, é o único dos poderes republicanos que desconhece a única legitimidade conhecida pela democracia, aquela derivada da soberania popular. Em vez de mandatários da vontade da cidadania, expressa em eleições periódicas das quais derivam mandatos certos, os membros do Judiciário – agora me refiro aos Tribunais superiores, a começar pelo STF –, são nomeados pelo Presidente da República; em vez de exercerem mandatos a termo (como os titulares dos poderes Executivo e Legislativo em todas as instâncias) suas investiduras relembram a monarquia, pois são vitalícias”.

Por fim, Eduardo Guimarães nos alerta para um golpe que se avizinha caso a sociedade continue imobilizada contra as forças reacionárias que se assanham nos últimos tempos no Brasil: “Afirmo que a sociedade está indignada com mídia, oposição e Judiciário por conta do que essas forças hoje discricionárias estão perpetrando contra a democracia. E o que é que a sociedade recebe dos que prometeram representá-la? Deram vazão à sua voz? Não, acovardaram-se miseravelmente. E o pior é que não pagarão sozinhos um preço desse imobilismo que terá que ser pago”.

Independência dos poderes

Em contrapartida, manchete de sexta-feira (21/12) do jornal O Globo – cuja organização que o sustenta foi erguida e consolidada em tempos, circunstâncias e condições pouco memoráveis – acusa o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), de intimidar ministros do STF, quando o que está ocorrendo no Brasil é justamente o contrário.

Para além da briga pelo “grito mais alto e definitivo”, há que se registrar outro fato: a grande mídia, aliada de primeira hora a segmentos da direita enrustida e raivosa brasileira, não tolera que o “andar de baixo” tenha autonomia. Além de demonstrar independência nas eleições municipais, o povo também exibe a mesma autonomia em relação à formação da uma opinião pública: nas últimas pesquisas de opinião publicadas pelo Datafolha e Ibope, o percentual dos que “confiam muito” na imprensa caiu de 31% para 22% e os “não confiam” de jeito nenhum nos jornais subiu de 18% para 28%. Aos poucos, separa-se o joio do trigo; ou seja, a opinião publicada não é a opinião pública. É neste cenário que a crescente judicialização da política, no Brasil e no mundo; um risco à democracia. Não podemos esquecer que o Judiciário é o poder menos transparente, menos democrático, mais aristocrático e mais distante da “vida como ela é”, como dizia Nelson Rodrigues.

Enganam-se aqueles que rejubilam com os arroubos autoritários do Judiciário. A quem interessa que um poder tão distante do povo possa se sobrepor às demais instituições republicanas?

O mesmo Tribunal que condena “mensaleiros” também concede inúmeros habeas corpus para que criminosos fiquem calados em Comissões Parlamentares de Inquérito, obstaculizando investigações do Legislativo e reforçando a ideia de que CPIs sempre viram pizza (a quem interessa a deslegitimação do Legislativo?); livra banqueiros corruptos de prisão (concedendo, na calada da noite, duas limares em menos de 24 horas) ou é o mesmo que deu fuga a Salvatore Cacciola e que absolveu o ex-presidente Fernando Collor por inexistência de provas. Evidente que muitas das decisões do Supremo estão eivadas de interesses políticos. Paradoxalmente, é a política (enquanto jogo e disputa do poder) que o Supremo tenta deslegitimar, ao interferir na independência dos poderes das instituições republicanas.

Donos da verdade

Se existe um poder totalmente sem controle no Brasil, este poder chama-se Judiciário. Prova disto, é que nem mesmo o Conselho Nacional de Justiça consegue fazê-lo transparente. “Nós, magistrados, temos tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. É preciso acabar com essa doença que é a ‘juizite’”, disse a ministra Eliana Calmon, ex-presidente do Conselho Nacional de Justiça à revista que se tornou a porta-voz-mor da direita refratária e perversa brasileira: Veja.

Temos inúmeros políticos de conduta duvidosa no Legislativo e no Executivo, é verdade. Mas estes dois poderes, não obstante suas mazelas, possuem mecanismos de prestação de contas e controles interno e externo muito mais efetivos. O voto, por exemplo, é um desses mecanismos. E não venham dizer que o povo não sabe votar. Isso é conversa de gente preconceituosa, que detesta a verdadeira democracia, na qual todos têm os mesmos direitos e deveres.

E em relação ao Judiciário, o que podemos dizer em termos de transparência, controle e prestação de contas à sociedade? Qual a participação popular na configuração do Judiciário? A onipotência das togas, numa democracia, é indesejável. O judiciário tem que ter limites. Não podemos concordar que uma elite jurídica, qual casta incorruptível, venha a determinar os rumos da vida republicana, em detrimento da política. Juízes não podem ser os donos da verdade.

O medo das elites

A democracia só é possível dentro dos marcos do pluralismo das ideias, e as decisões da Justiça não podem extirpar a possibilidade do surgimento dos conflitos sociais e da plena mediação de tais conflitos por todos os poderes republicanos, e não somente pelas vias jurídicas e judiciárias.

Estamos, infelizmente, caminhando a passos largos para uma onipotência judicial ou, se preferirmos, para um governo dos juízes, em que as grandes decisões políticas vão se deslocando do âmbito do Legislativo e do Executivo para o do Poder Judiciário. Isso não é avanço institucional; ao contrário, trata-se de retrocesso perigoso.

Terrível pensar numa sociedade onde juízes se colocam no lugar de semideuses, autodeclarando-se os donos da verdade. Não podemos assistir calados e inertes a tal disparate.

A Constituição de 1988, a carta cidadã, estabelece em seu artigo 1º, parágrafo Único: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição.” Portanto, claro e cristalino, não é o Judiciário quem dá a última palavra. No artigo 1º, que inaugura nossa Carta Magna, está instalado o medo das elites – aqui representadas pelo Poder Judiciário e pela grande mídia: o poder emana do povo.

*Robson Sávio Reis Souza é filósofo e professor da PUC Minas.

Fonte: Observatório Imprensa

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Pablo Neruda conta história de Luis Carlos Prestes

Luís Carlos Prestes morreu em 1990 de causas naturais. O poeta chileno Pablo Neruda, em seu livro Canto Geral, que retrata a história da América Latina do ponto de vista dos povos colonizados, chamou em um poema Luis Carlos Prestes de "Claro Capitão". Neste curta você vai reviver o primeiro encontro do poeta com o Cavaleiro da Esperança e descobrir outros segredos de Neruda.

O filme pode ser visto em:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=29&id_noticia=201780


(Fonte: Mandala Filmes)

Polêmica com Luiz Fux alerta Senado sobre impeachment de ministro do STF



Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux encontra-se na alça de mira de parlamentares tanto da oposição quanto da base aliada. Fux encontra-se sob fogo pesado, após afirmar a jornalistas que pediu a autoridades dos governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff para ser indicado à Corte Suprema. Segundo o ministro-chefe da Secretaria da Presidência da República, Gilberto Carvalho, em recente entrevista, “sem que ninguém o perguntasse”, Fux garantiu que “mataria no peito” o julgamento dos líderes de esquerda envolvidos na Ação Penal (AP) 470, encerrado na semana passada com todos os votos do ministro contrários aos réus.
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Impeachment
Diante do fogo cruzado, no qual integrantes da oposição ao governo federal também questionam os últimos pronunciamentos do ministro, o jornalista Paulo Henrique Amorim, apresentador de um jornal da rede de TV aberta Record, e editor do blog Conversa Afiada adiantou, nesta terça-feira, que na volta do recesso parlamentar, o Senado deverá votar o impeachment do ministro do STF Luiz Fux.
Amorim, em texto publicado na véspera, questiona: “Os votos do Ministro Fux estão irremediavelmente sob suspeita. O depoimento de Gilberto Carvalho o incrimina de forma inequívoca. Como é que um ‘candidato’ (…) a Ministro do Supremo visita um Ministro de um Governo petista e promete a este Ministro petista que ‘tomaria uma posição muito clara’ num processo que ‘não tinha prova nenhuma’ e incriminava líderes? Onde é que nós estamos? Com quem mais ele fez campanha? Com o Daniel Dantas? Com o Padim Pade Cerra?”.
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“O Requião diz que o Congresso transformou-se numa ameba, porque tem o rabo preso. O Collor denunciou um Procurador Geral que chama de chantagista e prevaricador, como quem pregasse no deserto. Tem o PT vermelho, do Marco Maia, que disse não ao Barbosa e, certamente, contribuiu para que a Democracia caísse na cilada do Gurgel. Mas, tem também o PT amarelo, o ‘Odarelo‘. Esse PT Odarelo é o que, aparentemente, predomina no Senado. E, nesse intervalo natalino, o próximo Ministro do Supremo deve estar a prometer ao Felipão, ao Faustão e ao Gilberto Carvalho que vai ‘matar os tucanos’ com um tiro no peito”, concluiu Paulo Henrique Amorim. 

Vejam a íntegra da matéria em:
http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/polemica-com-luiz-fux-alerta-senado-sobre-impeachment-de-ministro/563401/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20121227

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Flores amarelas da Chácara Xury


        Para as pessoas do meu bem querer
      
       Hoje, quando de minha andança com os cachorros – Bia, Bei e Pretinho – percebi que o momento, na Chácara Xury, era das flores amarelas. Estão trazendo uma vibração energizante e me oferecendo uma beleza convidativa. Convidam a uma reflexão. 
         Nos últimos anos, pessoas muito queridas se foram, o País esteve no fio da navalha, pessoas também muito queridas estiveram em dificuldades, mas pessoinha nova acaba de chegar. É a primeira reunião no natal de minha família de que não participarei. Ainda tenho a grande pendência com o INSS que me traz os sentimentos terríveis de injustiça e impotência, porém, aí, bem paralelo, me chegou a viabilidade - por meio de um gesto de muito amor e generosidade - de permanecer no ponto que construí.
        
As    As  flores amarelas parecem trazer uma mensagem que não fala do negativo. Elas são energia vibrante, elevam. Na mitologia africana, o amarelo é a cor de Oxum, a dona das águas doces, do ouro. É a mãezona, a grande protetora, um orixá positivo.
    
          As pessoas queridas que nos deixaram estão tão presentes em mim! Há muita saudade, mas estão me preparando, a me dizer que nada é para sempre. Na família, sou a bola da vez, sou a mais velha. Gostaria  que minha partida não fosse na cama. Para isto ando tomando cuidados. O passar dos anos me marcou, como não poderia deixar de fazer, mas continuo recebendo estes fluidos, vindo da natureza deste meu lugar e dos corações amigos que me fazem sentir tanto a vida.
         
        Nosso País parece ter evitado uma crise institucional e acredito que terá um desempenho sócio-econômico medíocre, mas nem tanto. Quero crer que estamos caminhando devagarinho para um amenizar das desigualdades.  Temos que acreditar no bom senso dos três poderes, na capacidade de luta da população e no seu discernimento. Temos uma mulher nos liderando e sua sensibilidade e memória nos conduzirão por caminhos mais justos. Nosso parlamento pode ter acordado e,  quem sabe, ainda fará a sua parte. Os juízes, depois do descanso, sem os holofotes, podem perceber e desempenhar seu papel de uma forma mais sensata e independente.

       

     As pessoas queridas que lidaram com maiores dificuldades estão no caminho da saída e conseguirão, são fortes, corajosas, batalhadoras. A elas envio minhas boas energias que, carregadas de intenso amor, ajudarão puxar em sua direção as forças do Universo.


     À pessoinha de chegou já lhe enviei minha bênção e a certeza de que todo o amor que a recebeu só pode ter um resultado, a felicidade.

      
      Minha pendência com o INSS, preciso acreditar que 2013 será o prazo da solução. Sobretudo preciso acreditar que esse órgão, que deveria ser o primeiro a defender e apoiar os idosos, sairá de sua redoma e se democratizará, com justiça. Preciso acreditar que nossa contribuição será destinada às aposentadorias.

       Assim, as flores amarelas são o presente mostrando o belo, trazendo para a Chácara Xury uma energia solidária que irá alcançar as pessoas a quem quero bem. As flores amarelas são generosas em inspiração. Olho para elas e sinto paz, alegria por estar aqui e poder desejar compartilhar com meus amigos queridos as maravilhas da vida. A eles ofereço as flores amarelas da Chácara Xury. Permito-me sonhar que esta energia da cor do ouro e que está na sua bandeira cobrirá nosso Brasil.           


     










        Salve 2013, o ano das flores amarelas!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Berinjela para mestres habilidosos



Dona Pandá continua com o objetivo de não deixar os produtos da horta
perderem com a chuva incessante. Berinjela, tomate, pimentão e pepino
são os que estão chegando, pelas mãos de Vanderlei. Sabendo do aperto
de Dona Pandá na cozinha, ele vem com a gamela cheia e antes que lhe
digam qualquer coisa, vai logo se desculpando:
- Se ficarem nos pés vão apodrecer. A pobrezinha da alface já se foi, suas folhas melaram tudo.


Vanderlei e sua bela gamelaHoje, Dona Pandá resolveu experimentar uma receita(1) que a mana sábia lhe passou por telefone.

Ingredientes: berinjela, tarine e temperos a gosto.
Jeito de fazer
Depois de higienizar a berinjela, espete-a num garfo, preferentemente de cabo longo. Leve ao fogo, girando o garfo para não deixar queimar. Quando a berinjela estiver assada, ela muda a consistência, ficando mole, retire a pele, amasse-a, coloque os temperos e uma colher de chá de tarine, misture bem. Coloque em um vidro, tampe e guarde na geladeira. 

Esta pasta vai bem com torradas, pão integral e, claro, com cerveja do Alívio Gelado (11 2812 3338/www.aliviogelado.com.br). 

Pois bem, a receita está aí. Agora, Dona Pandá já avisa (quem avisa amiga é) não é para qualquer um. Trata-se de uma receita que demanda muita habilidade. Passei certo apuro para me manter séria, enquanto Dona Pandá lutava com o garfo e a berinjela. Inicialmente, tudo estava indo conforme a receita, de repente, começou a sair fumaça e um cheiro de queimado. Alguém que passava por perto, gritou:
- Vire o garfo. – Imediatamente, veio a resposta:
- O que você acha que estou fazendo?
- Não está virando com a velocidade necessária.

De fato, nossa mestra cuca descobriu que de um lado estava pegando fogo, enquanto de outro, não havia sinal de alteração na cor da fruta. Corrigiu, no maior silêncio, o ritmo das viradas e toda contente achou que estava tudo como gosta, sob seu controle. E outro de repente apareceu para lhe tirar o sossego, a berinjela se espatifou no fogão. Correria para apagar o fogo. No atrapalhado da situação emergencial, nossa amiga pegou, sem qualquer proteção para as mãos, a fruta preta, deu um berro e a pobrezinha (da fruta...) foi parar dentro da pia (ainda bem que estava limpa). Os dedos da distraída (ou seria mesmo incompetente?) ficaram vermelhinhos. Turrona, de dedos queimados, continuou a operação. Conseguiu colocar a berinjela num prato e com o auxílio de um garfo menor e uma faca foi tirando a pele, percebendo que alguns potinhos pretos ficaram. Então, com uma colherzinha, depois de alguns minutos, achou que estava livre deles e começou a amassar a fruta que pôs resistência ao garfo, era a pele que fora retirada apenas a película exterior, restando ainda uma outra. Aí a cheia de dedos vermelhos resmungou:
- Caraca! não sabia que berinjela tem duas peles. 

 Ficamos no maior silêncio. Esperávamos o prato que, como Dona Pandá - ainda serena, antes de a berinjela mostrar sua personalidade -, havia dito, é muito saboroso. Quero dizer, o prato que a mana sábia fez, em Guarapari quando as duas lá estavam.

Depois dessa última operação, foi possível, enfim, amassar, temperar e misturar o tarine. Na receita, existe o alerta que o prato é melhor  depois de totalmente frio, mas a demora, aqui, neste nosso caso, foi tal que já estava no ponto de degustar.  Foi o que fizemos, com muito prazer.

Acho que os dedinhos vermelhos foram totalmente esquecidos. (é claro, que ninguém ousou tocar no assunto). É, de fato, um patê gostosíssimo!
Quem tiver habilidade um bocadinho mais que a da Dona Pandá pode fazer que a delícia é garantida. 

(1) Contribuição, com a maravilhosa receita, de Meiri Lemos Cintra, a quem a Chácara Xury muito agradece.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Receitas para Marcela conservar sua beleza

Dona Pandá foi visitar Marcela, uma garota muito bonita, vaidosa. Como poderia não ser se todos vivem falando de sua beleza? Tem 19 anos, cabelos castanhos escuros, compridos, mas nem tanto, lábios carnudos, sensuais em demasia, maçãs do rosto quadrado bem desenhadas, sobrancelhas quase retas e cheias. Sua pele é morena, aquela cor gabriela de que os homens dizem da cor do pecado. Aliás, Dona Pandá é de opinião que o pecado tem, então, uma bonita cor. Marcela é quase magra demais, não pode emagrecer um grama que o será.  
O motivo da visita tem tudo a ver com a vaidade da moça. Ela foi pedir à Dona Pandá uma receita para seu cabelo ficar mais sedoso e também para limpar e hidratar a pele. Disse que não quer ficar cheia de rugas, causando a quem a ouvia risadas, mas obteve de Dona Pandá sua aprovação:
- Está certa. Os cuidados com todo o corpo devem ser sempre e não apenas quando as rugas já instalaram, os cabelos branquearam, a pele perdeu o viço e os músculos já não seguram nada. Vou preparar suas receitas e depois vou levá-las para você que terá de me pagar.
- Ai, mas eu não tenho grana! – Respondeu a garota que é bem pobrezinha e seu salário de manicure vai todo para pagar a faculdade. Dona Pandá a tranquilizou, esclarecendo:
- Não quero pagamento em dinheiro, mas estou de olho naquela  bougainvíllia  perto da entrada da sua casa. Você me paga com a muda que vai pedir à sua mãe. Topa? – A garota ficou feliz e o demonstrou dando um beijo na amiga.
Assim, Dona Pandá, sabendo das dificuldades financeiras de Marcela,  preparou seu  pedido com os ingredientes disponíveis nas chácaras.

Aí estão as receitas, eficientes e bem baratinhas.

Para amaciar os cabelos (e outras cositas más)
Ingrediente: Babosa (aloe vera)
Jeito de preparar: Colha a folha da babosa, lave-a com cuidado, retire a parte verde e leve a parte branca ao liquidificador para fazer uma espécie de gel. Passe generosamente nos cabelos e deixe descansar por cerca de meia hora. Lave com shampoo.
Observação: A babosa, além de amaciar os cabelos, ajuda no combate à caspa e à queda. Também é um excelente antirrugas, pois limpa as células mortas, regenerando os tecidos.
Marcela gostou bastante dessa receita por ser multiuso e praticamente não ter custo.

Para limpeza da pele (também tonifica)
Ingredientes:
Duas colheres de sopa de óleo de cavalinha, uma colher de sopa de tintura-mãe de cavalinha, uma xícara de chá de folhas de cavalinhas, uma colher de chá de mel, 10 colheres de chá de argila (que pode ser substituída por aveia) e uma colher de café de chá de hortelã).
Jeito de fazer:
Coloque, em uma tigela, todos os ingredientes exceto o chá, misture até dar o ponto de máscara, coloque o chá. Passe no rosto e deixe por cerca de meia hora, enxágue e seque com amabilidade.

Assim que Dona Pandá falou no óleo e na tintura-mãe, Marcela já reclamou dizendo que não podia comprar. Dona Pandá ensinou a fazer esses dois ingredientes.

Tintura-mãe: Depois de colhida e lavada a cavalinha, soque-a e a coloque num vidro âmbar, despeje sobre a erva  álcool de cereais. A proporção é de três medidas de erva para sete de álcool.

Óleo: Numa tigela bem seca, coloque a cavalinha, que já deve ter sido lavada e secada. Despeje um óleo sobre a erva e deixe em repouso por um mês. Para o caso de óleo que será usado na pele, deve-se preferir o óleo de uva.
Observação: o ideal é deixar o óleo sobre a erva por até quatro meses.

Para hidratar a pele:
Ingredientes: pétalas de rosa, pétalas de calêndula, uma colher de sopa de mel, uma colher de sobremesa de óleo de rosa (pode-se fazer o óleo de rosas como se faz o de cavalinha) e uma ampola de Arouvit .
Jeito de fazer:
Faça uma infusão com as pétalas de rosa e com as de calêndula (Soque as pétalas num pilão de madeira, coloque-as um recipiente e despeje sobre elas água fervente, tampe e deixe por uma hora, filtre antes de usar). Coloque os ingredientes, um por um, em  banho-maria, mexendo sempre, por último, depois de a aveia estar cozida, coloque o Arovit.  O creme deve ser conservado em geladeira.
  

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Para aproveitar a colheita obrigatória


As plantas são seres harmoniosos, equilibrados e exigem cuidados, sobretudo com sua alimentação, proporcionais às necessidades, nem mais, nem menos. Não gostam de carência: nada de fome, nada de sede. Também não apreciam o desperdício.

Dona Pandá está procurando o meio de comunicação com São Pedro, o dono das águas do céu. Será que alguém pode passar um recado? É urgente e em nome dos produtores de hortícolas. - São Pedro, tenha mais cuidado nos seus cálculos e ações ao mandar daí do alto água para cá na terra, faça-o comedidamente. As plantinhas estão se afogando! Tome tento, Santo das chaves e das chuvas! Vai um bom conselho: procure ajuda da mãe das águas doces, a grande Oxum, ela é sábia e protege seus filhos, pode lhe dar uma força para segurar essas chuvas e despejá-las com mais sabedoria.

Vanderlei – o encarregado da horta na Chácara Xury – chegou na cozinha de Dona Pandá com uma cesta cheia de berinjelas, tomates, pimentões, abobrinhas, pepinos e foi logo se justificando:
- Se deixar nos pés vão apodrecer com essa chuvarada.

Dona Pandá percebeu que não tinha escolha, o fogão a esperava.  Lembrou-se, então, de uma receita que o pessoal do Alívio Gelado (11 282 12 3338/ www.aiviogelado.com.br) lhe dera. Ela faz questão de compartilhar a receita, pois parece agradar a muitos.

Receita de tira-gosto Alívio Gelado  
Ingredientes:
berinjela, pimentão, tomate, temperos (sal, cebola e alho roxos, tomilho, orégano, vinagre e azeite).
Jeito de fazer:
depois da higienização dos ingredientes, pica-os em fatias finas, misture-os bem com os temperos, exceto o azeite e o vinagre. Coloque tudo numa assadeira tipo tabuleiro e leve ao forno com temperatura baixa (mais para cozer que assar). Depois que a mistura estiver no ponto (bem macia), deixe esfriar e misture o vinagre (pouco) e o azeite (muito). Em seguida, coloque em um vidro com tampa eficaz, colocando mais azeite. Feche bem e leve à geladeira para amadurecer por uns três dias. Sirva com pão e, segundo o pessoal do Alívio Gelado, com cerveja geladaça.

Voltando à questão das plantas, quando falta chuva, há necessidade de generosas irrigações, o que aumenta os custos da lavoura com mão-de-obra e combustível para as bombas que levam a água até os canteiros. Aqui, estamos sendo bem otimistas, pois não queremos pensar na estiagem que chega à falta de água nas fontes. A colheita exige cuidados com os horários. Se for feita durante o Sol a pino, as verduras ficam murchas, feias e serão rejeitadas pelos compradores, prejuízo para os produtores.

Quando as chuvas passam da conta, como o Vanderlei já disse, as verduras e os legumes apodrecem antes da hora, prejuízo do produtor.
Quando vamos à feira, não temos ideia do caminho percorrido pela bela alface ou pelo suculento tomate.  A forma que o produtor tem para poder fornecer seu produto sempre e com boa qualidade, exigência natural do consumidor, é produzir em estufas e o investimento é grande. Poucos, na região de Ibiúna, grande fornecedora para a CEAGESP, têm condições de arcar com os custos de uma plasticultura. Está aí o motivo dos aumentos de preços da feira.
Dona Pandá ainda queria falar das outras dificuldades do pequeno produtor de hortaliças, como a falta de assistência técnica, as péssimas estradas, a falta de financiamentos, mas isto fica para outro dia.