Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade
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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Reconstrução

Autora: Emérita Andrade

Reconstruir é reler a História
Fundir coragem sem temer os vendavais
Ser a semente que se funde com a terra
E se levanta com graça e sem espanto
Formando campos e perfumando de verdade
A forma do viver libertário
Recolhendo os traços pequeninos das vitórias
Sem ódio e sem temor,
Buscando partituras esquecidas
E cicatrizando recentes feridas
Para compor a ópera da harmonia!
Pois para curar-se é necessário que haja poesia
Chávenas de versos, não!
É necessária uma chocolateira de rimas
Com toucinho do céu, em café quente – ambrósias!
Para curar-me assim
Só mesmo a resistência lírica
Do Amanhã!

Emérita Andrade, Salvador-Ba., 30/10/18


CANTO DA RESISTÊNCIA

Autor: MAAR 

Triste a noite sombria
E cai chuva gelada
Mesmo assim todo dia
Eu sigo na estrada
 
Eu não vou me render
E nem vou desistir
Eu não vou me esconder
Nem chorar, nem fugir
 
Sim, eu vou resistir
E vou perseverar
Até ver vir luzir
Da Justiça o raiar

Salvador, noite de 28 de outubro de 2018

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

"Nós temos que retomar o trabalho de base"

 Liderança do MST,  João Pedro Stedile: "Nós temos que retomar o trabalho de base"



Entrevista à Rádio Brasil de Fato  


O que dizer para as mais de 46 milhões de pessoas que votaram no candidato Fernando Haddad, apoiado pelo MST?

Ainda estamos no calor dos resultados e precisamos, acima de tudo, ter muita serenidade e entender o contexto da luta de classe e não nos considerarmos derrotados por esse resultado. Ainda que as urnas tenham dado legitimidade ao Bolsonaro, não significa que ele teve a maioria do apoio da população. Há um alto índice de abstenção, 31 milhões. O Haddad teve 45 milhões. Só ai são 76 milhões de brasileiros que não votaram no Bolsonaro.

Portanto, a sociedade brasileira está dividida. Mesmo o resultado eleitoral, do que eu pude acompanhar já nas pesquisas anteriores, ficou claro que quem está apoiando o projeto do Haddad é quem ganha menos, de dois a cinco salários mínimos. Quem tem até o ensino fundamental, e claramente, os mais ricos e abastados, votam no Bolsonaro.  

Mas também houve uma divisão eleitoral clara, geograficamente. Quando olhamos para o mapa do Brasil com os governadores eleitos, temos 12 candidatos progressistas do campo popular que vai desde o Pará até o governador Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo. O Nordeste e aquela parte da Amazônia são um polo de resistência geográfico que demonstram claramente que aquela população não quer seguir os rumos do projeto fascista de Bolsonaro.

Por último, como um breve balanço, como todos estão comentando, além do que o resultado eleitoral, a última semana consagrou uma vitória política da esquerda e dos movimentos populares. Tivemos inúmeras manifestações de todas as forças organizadas. Sindicatos, intelectuais, estudantes, universidades. 

Nunca antes na história do Brasil tínhamos colocado mais de 500 mil mulheres em todo o Brasil, em 360 cidades, que foram as ruas para dizer "Ele não", "Fascismo não", de maneira que eu acho que o balanço não é de uma derrota política, nós sofremos uma derrota eleitoral, mas saímos desse processo aglutinados, com capacidade e força organizada para resistir com a pretensa ofensiva fascista.  

Apesar dos bravateios de Bolsonaro, sabemos que no campo institucionais, há limitações. Ele já disse que tem a intenção de tipificar o MST e o MTST como organizações terroristas. Enxerga a possibilidade real e institucional que isso realmente aconteça?

Eu acho que o governo Bolsonaro vai se assemelhar, se fizermos um paralelo, com que foi o governo Pinochet no Chile. Não pela forma que chegou, mas pela sua natureza fascista. É um governo que vai usar todo o tempo a repressão, as ameaças, o amedrontamento. Vai liberar as forças reacionárias que estão presentes na sociedade. Por outro lado, ele vai tentar dar liberdade total ao capital em um programa neoliberal. Porém, essa fórmula é inviável, não dá coesão social e não resolve os problemas fundamentais da população.

O Brasil vive uma grave crise econômica que é a raiz de todo esse processo, desde 2012 o país não cresce. Portanto, ao não crescer, ao não produzir novas riquezas, os problemas sociais, econômicos e ambientais só vão aumentando.

Ele com seu programa ultraliberal, de apenas defender os interesses do capital, pode até ajudar os bancos, fazer com os bancos continuem tendo lucro, pode ajudar as empresas transnacionais para que tomem de assalto o resto do que nós temos aqui, porém, ao não resolver os problemas concretos da população de emprego, de renda, de direitos
trabalhistas, de previdência, de terra, de moradia, isso vai aumentando as contradições. 

Isso irá gerar um caos social que permitirá aos movimentos populares retomar a ofensiva, as mobilizações de massa. E, no fundo, além do que está na Constituição, coisa que ele não vai respeitar muito, o que vai nos proteger, não é corrermos para debaixo da tenda. O que vai nos proteger é a capacidade de aglutinar o povo, seguir fazendo lutas de massas na defesa dos direitos, na melhoria das condições de vida e essas mobilizações populares é que serão a proteção aos militantes, aos dirigentes. Não nos assustemos. As contradições que eles vão enfrentar serão muito maiores do que as possibilidades deles reprimirem impunemente.  

Há uma outra luta, que tem relação com as eleições, que desde que começou a campanha eleitoral ficou em segundo plano: a prisão ilegal e injusta do ex-presidente Lula. Qual é a perspectiva dos movimentos populares pra essa outra frente de batalha?

Como todos nós acompanhamos ao longo desse período, o presidente Lula foi sequestrado pelo capital por meio de um Poder Judiciário completamente servil a esses interesses. Ele foi preso ilegalmente. Há muitos outros, não só políticos como cidadãos, que estão respondendo em liberdade, até que se cumpra a Constituição, que só permite a prisão depois que o processo passa por todas as instâncias.

No caso do Lula, ainda falta ser julgado no STJ e depois no STF. Depois não deixaram ele concorrer quando o registro da candidatura foi feito. Outros 1400 candidatos concorreram na mesmas condições do Lula mas a ele foi proibido, e finalmente, o proibiram de falar, quando qualquer bandido de quinta categoria pode dar entrevista na Globo. Ficou famoso aquele caso do ex-goleiro do Flamengo que todo dia estava na Globo só para dar audiência. E ao Lula foi proibido se comunicar com o povo. Na verdade, eles sabiam que o Lula é a principal liderança popular que aglutinaria amplas forças do povo brasileiro, que levaria pro debate a discussão de projeto. É evidente que parte dos eleitores do Lula, que acreditam no Lula, são trabalhadores enganados por uma campanha de mentiras, que acabaram votando no Bolsonaro.

Para a esquerda e movimentos populares, temos um desafio enorme daqui pra frente de organizar comitês populares em todo Brasil, organizar um verdadeiro movimento de massas, e organizar uma verdadeira campanha internacional por sua libertação e pela designação do Prêmio Nobel da Paz no ano que vem, como é a campanha encabeçada pelo [vencedor do] Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel. 

Vamos ter uma tarefa enorme de organizar esses comitês e transformar a luta pela campanha com uma bandeira popular. Evidentemente haverá outros desafios que nós, da esquerda e movimentos populares teremos que nos debruçar no próximo período para nos aglutinarmos como vem sendo já sugerido que temos que transformar a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, quem sabe nos juntarmos todos, em uma Frente Popular pela Democracia e Antifascista.

Poderia ser um instrumento mais amplo ainda do que a própria Frente Brasil Popular. Temos muita luta pela frente. A luta de classes é assim. É muito parecida com um jogo de futebol em um longo campeonato. Tem domingo que se perde uma partida, tem outro em que se ganha. Mas o fundamental é ir acumulando força e organizando nosso povo. É isso que muda correlação de forças. 

Como a esquerda sai dessa batalha? Os partidos, movimentos, o próprio Fernando Haddad?

Eu me envolvi pessoalmente, o nosso movimento e a Frente Brasil Popular, e se notou claramente, nas últimas duas semanas, um novo alento, uma nova interpretação para o que está acontecendo no Brasil. Muita gente se mobilizou independente de partidos e movimentos, ou seja, há energias na sociedade e conseguiremos resistir ao fascismo. 

Agora, não podemos cair no reducionismo da vida partidária e ficar nas especulações do que acontecerá com fulano ou beltrano. As pessoas pouco importam nesse processo. A luta de classes, é de classes, e portanto, é a dinâmica da luta de classes que altera a correlação de forças, que vai resolver os problemas do povo. No meio dessas lutas de classe, vão surgindo novos líderes e novas referências. Não podemos nos apegar a essas leituras.

"O Haddad já se cacifa para 2022", "O Ciro se cacifa". O Ciro Gomes saiu muito bem no primeiro turno, com moral, e depois jogou essa moral na lata do lixo ao se abster da disputa política do segundo turno. A vida útil do Ciro durou três semanas. É assim a lógica da luta de classes.

Acho que a esquerda e os movimentos populares que tem causas bem específicas, de mulheres, moradia, terra e movimento sindical, temos que nos debruçar com serenidade, fazer as avaliações críticas e autocríticas e retomar a nossa agenda história da classe trabalhadora, para enfrentar os desafios da vida e da história.

Ficou claro durante essa campanha: nós temos que retomar o trabalho de base, que até o  Mano Brown puxou a orelha e ele estava correto. Se nós tivéssemos tido a paciência de, ao longo desses seis meses, ter ido de casa em casa, nos bairros da periferia, onde vive o povo pobre, acredito que teríamos outro resultado eleitoral. O povo entende, mas ninguém vai lá falar com ele.

Temos que ter claro que o que altera a correlação de forças, não é discurso, não é mensagem no Whatsapp. O que altera a correlação de forças e resolve os problemas concretos da população é se nós organizarmos a classe trabalhadora e a população para fazer lutas de massa e resolver seus problemas.  

Se falta trabalho, temos que fazer a luta contra o desemprego. Se o gás está muito alto, temos que fazer a luta para abaixar o preço do gás. Isso exige luta de massa. Da mesma forma, a esquerda abandonou a formação política. As pessoas foram iludidas pelas mentiras da campanha do Bolsonaro no Whatsapp, por que? Porque não tem discernimento político para saber o que é mentira e o que fazia parte do jogo. Isso só se resolve com formação política e ideológica, quando a pessoa tem discernimento, conhecimento, para ela julgar por si mesmo e não esperar orientação de ninguém.

Assim como temos que potencializar ainda mais esse belo trabalho que vocês fazem no Brasil de Fato, com rádio, jornal, tabloide, internet, que é potencializar nossos meios de comunicação populares. De fato a televisou parou de pesar na formação de opinião das pessoas. Então, temos que construir os nossos meios de comunicação. Agora é o tempo ideal.

Finalmente, temos que fazer um novo debate no país, sobre um novo projeto soberano para uma sociedade igualitária e justa. Como essa campanha foi baseada na mentira e na luta contra mentira, nós não discutimos programa, não discutimos um projeto estrutural pro país. Agora temos que recuperar esse debate e nos próximos meses e anos, reconstruir uma unidade popular entorno de um projeto. Um programa de soluções para o povo, porque do outro lado, do governo, não virá.



sexta-feira, 26 de outubro de 2018

RAP HADDAD MANUELA


Autor: MAAR

No asfalto, na roça, na favela,
Queremos Haddad e Manuela.
De cara feia ou face bela,
Somos Haddad e Manuela.
Da gente gorda à bem magrela,
Somos Haddad e Manuela.
Da tez tão negra, à mais branquela,
Somos Haddad e Manuela.
Pra evitar pior mazela,
Vote Haddad e Manuela.
Quem ama educa, entende e zela,
Apóie Haddad e Manuela.



quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Carta do Lula aos brasileiros

O Libertas  publica a Carta do Lula aos brasileiros. Peço àqueles que costumam dar ao PT a cátedra do erro, da corrupção, sem conseguirem se lembrar dos acertos, das obras e das medidas positivas que leiam e confiram os dados.

Meus amigos e minhas amigas,

Chegamos ao final das eleições diante da ameaça de um enorme retrocesso para o país, a democracia e nossa gente tão sofrida. É o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia.

Por mais de 40 anos percorri este país buscando acender a esperança no coração do nosso povo. Sempre enfrentamos o preconceito, a mentira e até a violência, e, mesmo assim, conseguimos construir uma profunda relação de confiança com os trabalhadores, com as pessoas mais humildes, com os setores mais responsáveis da sociedade brasileira.

Foi pelo caminho do diálogo e pelo despertar da consciência cidadã que chegamos à Presidência da República em 2002 para transformar o país. O povo sabe e a história vai registrar o que fizemos, juntos, para vencer a fome, superar a miséria, gerar empregos, valorizar os salários, criar oportunidades, abrir escolas e universidades para os jovens, defender a soberania nacional e fazer do Brasil um país respeitado em todo o mundo.

Tenho consciência de que fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo, mas sei que isso contrariou interesses poderosos dentro e fora do país. Por isso tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo. Mas não vão conseguir.

Para derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, juntaram todas as forças da imprensa, com a Rede Globo à frente, e de setores parciais do Judiciário, para associar o PT à corrupção. Foram horas e horas no Jornal Nacional e em todos os noticiários da Globo tentando dizer que a corrupção na Petrobras e no país teria sido inventada por nós.

Esconderam da sociedade que a Lava Jato e todas as investigações só foram possíveis porque nossos governos fortaleceram a Controladoria Geral da União, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário. Foi por isso, e pelas novas leis que aprovamos no Congresso, que a sujeira deixou de ser varrida para debaixo do tapete, como sempre aconteceu em nosso país.

Apesar da perseguição que fizeram ao PT, o povo continuou confiando em nosso projeto, o que foi comprovado pelas pesquisas eleitorais e pela extraordinária recepção a nossas caravanas pelo Brasil. Todos sabem que fui condenado injustamente, num processo arbitrário e sem provas, porque seria eleito presidente do Brasil no primeiro turno. E resistimos, lançando a candidatura do companheiro Fernando Haddad, que chegou ao segundo turno pelo voto do povo.

O que assistimos desde então foi escandaloso caixa 2 para impulsionar uma indústria de mentiras e de ódio contra o PT. De onde me encontro, preso injustamente há mais de seis meses, aguardando que os tribunais façam enfim a verdadeira justiça, minha maior preocupação é com o sofrimento do povo, que só vai aumentar se o candidato dos poderosos e dos endinheirados for eleito. Mas fico pensando, todos os dias: por que tanto ódio contra o PT?

Será que nos odeiam porque tiramos 36 milhões de pessoas da miséria e levamos mais de 40 milhões à classe média? Porque tiramos o Brasil do Mapa da Fome? Porque criamos 20 milhões de empregos com carteira assinada, em 12 anos, e elevamos o valor do salário mínimo em 74%? Será que nos odeiam porque fortalecemos o SUS, criamos as UPAS e o SAMU que salvam milhares de vidas todos os dias?

Ou será que nos odeiam porque abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, de negros e indígenas? Porque levamos a universidade para 126 cidades do interior e criamos mais de 400 escolas técnicas para dar oportunidade aos jovens nas cidades onde vivem com suas famílias?

Talvez nos odeiem porque promovemos o maior ciclo de desenvolvimento econômico com inclusão social, porque multiplicamos o PIB por 5, porque multiplicamos o comércio exterior por 4. Talvez nos odeiem porque investimos na exploração do pré-sal e transformamos a Petrobras numa das maiores petrolíferas do mundo, impulsionando nossa indústria naval e a cadeia produtiva do óleo e gás.

Talvez odeiem o PT porque fizemos uma revolução silenciosa no Nordeste, levando água para quem sofria com a seca, levando luz para quem vivia nas trevas, levando oportunidades, estaleiros, refinarias e indústrias para a região. Ou talvez porque realizamos o sonho da casa própria para 3 milhões de famílias em todo o país, cumprindo uma obrigação que os governos anteriores nunca assumiram.

Será que odeiam o PT porque abrimos as portas do Palácio do Planalto aos pobres, aos negros, às mulheres, ao povo LGBTI, aos sem-teto, aos sem-terra, aos hansenianos, aos quilombolas, a todos e todas que foram discriminados e esquecidos ao longo de séculos? Será que nos odeiam porque promovemos o diálogo e a participação social na definição e implantação de políticas públicas pela primeira vez neste país? Será que odeiam o PT porque jamais interferimos na liberdade de imprensa e de expressão?

Talvez odeiem o PT porque nunca antes o Brasil foi tão respeitado no mundo, com uma política externa que não falava grosso com a Bolívia nem falava fino com os Estados Unidos. Um país que foi reconhecido internacionalmente por ter promovido uma vida melhor para seu povo em absoluta democracia.

Será que odeiam o PT porque criamos os mais fortes instrumentos de combate à corrupção e, dessa forma, deixamos expostos todos que compactuaram com desvios de dinheiro público?

Tenho muito orgulho do legado que deixamos para o país, especialmente do compromisso com a democracia. Nosso partido nasceu na resistência à ditadura e na luta pela redemocratização do país, que tanto sacrifício, tanto sangue e tantas vidas nos custou.

Neste momento em que uma ameaça fascista paira sobre o Brasil, quero chamar todos e todas que defendem a democracia a se juntar ao nosso povo mais sofrido, aos trabalhadores da cidade e do campo, à sociedade civil organizada, para defender o estado democrático de direito.

Se há divergências entre nós, vamos enfrentá-las por meio do debate, do argumento, do voto. Não temos o direito de abandonar o pacto social da Constituição de 1988. Não podemos deixar que o desespero leve o Brasil na direção de uma aventura fascista, como já vimos acontecer em outros países ao longo da história.

Neste momento, acima de tudo está o futuro do país, da democracia e do nosso povo. É hora de votar em Fernando Haddad, que representa a sobrevivência do pacto democrático, sem medo e sem vacilações.

Luiz Inácio Lula da Silva

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Segurança da Mulher


Estamos vivendo momento terrivelmente difícil em
nosso País. O tema segurança tem sido explorado 
de uma forma assustadora por um dos candidatos. 
As mulheres têm sido desrespeitadas e ameaçadas. 
Precisamos nos proteger e a união é nossa força.
O Libertas publica o endereço de um guia, cuja  
elaboração objetivou o empoderamento  das mulheres 
na defesa de sua segurança. Permito-me sugerir o seu
uso e divulgação.
Ainda outra sugestão: ao colocar seu voto na urna, neste 
próximo domingo, leve em consideração a postura
do candidato em relação às mulheres.Os dois 
candidatos têm se colocado, em seus pronunciamentos, 
de forma bastante explícita. Basta ouvi-los e votar
bem, em defesa da segurança da mulher.


domingo, 19 de agosto de 2018

Plano de Governo do Lula



Vamos votar comparando as propostas dos candidatos. No site abaixo, podemos ver as propostas da Chapa Petista: Lula e Haddad.  Vamos ler, refletir e comparar com cuidado, sem preconceitos e depois resolvemos o que é melhor para nós e para o Brasil.


http://www.pt.org.br/plano-lula-de-governo-e-registrado-no-tse/

O PT arma-se contra a mídia


por Maurício Dias — publicado 18/08/2018 em CARTA CAPITAL
Tudo indica que Lula vai para o confronto pela aprovação de um marco regulatório e Haddad já está sintonizado com o plano


Lula, com ou fora do poder, está em rota de colisão com a Rede Globo, e outras empresas, com a finalidade de democratizar a comunicação social no Brasil. Tem de ganhar a luta política. O confronto deve ser duro. É o que se prevê.
Eleito em 2002, o metalúrgico, talvez empolgado, tentou um convívio amável com Roberto Marinho. O idílio mudou com o tempo. Na morte de Marinho, Lula compareceu ao enterro. Leonel Brizola também foi. 
Eleito, em 1991, para o governo do Rio de Janeiro, o gaúcho talvez tenha agido protocolarmente. Brizola enfrentou e ganhou a eleição para o governo do Rio de Janeiro e preparou-se para disputar a Presidência da República. A ambição política os afastou. 
Com Lula tudo indica que, desta vez, no confronto com os Marinho, ele vai ou racha.  Se eleito, o candidato petista, seja ele quem for,  vai apresentar nos seis primeiros meses de governo uma proposta de democratização midiática. A base do trabalho já está feita e tem sido repetida por Fernando Haddad. Sem pestanejar, espera-se. 
O jornalista Marcos Dantas, professor Titular da Escola de Comunicações da UFRJ, integrante do grupo de formação deste novo marco regulatório, pretende impor os “princípios da Constituição para democratizar largamente a comunicação social e impedir que beneficiários das concessões públicas e controladores das novas mídias restrinjam o pluralismo e a diversidade”.
Isso assusta os barões da mídia? Dantas, porém, não é impulsionado pela posição partidária. Diz ele: “A diferença na condição do exercício da liberdade de expressão é uma das desigualdades centrais da sociedade brasileira”.
Há brechas no artigo 220 da Constituição para enfrentar “monopólios e oligopólios diretos e indiretos, com limites à concentração dentro do mesmo mercado à propriedade cruzada, à integridade vertical, bem como vedar toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”, lembra Dantas.
Ele explica: “O governo Lula investirá fortemente na garantia da universalização da banda larga barata e acessível para todos e todas”. E acrescenta: “A distribuição das concessões deve ampliar a participação de universidades, sindicatos e organizações da sociedade civil nas outorgas para o sistema público e privado de rádio e televisão”.  
A desconcentração dos investimentos publicitários estatais está prevista de forma a “promover a diversidade, inclusive regional, e impedir que os gastos públicos reforcem a concentração da comunicação”. Em caso de vitória do petista, o caminho estará aberto.
 Fonte: Carta Capital
Comentário do Libertas: Se tivéssemos uma mídia honesta, competente e que praticasse o jornalismo verdadeiro, informando à população os fatos reais, sem mentiras e destorções, não estaríamos vivendo o caos atual.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

A estrela sobe?



por Marcus Ianoni — publicado 02/08/2018 14h03
Uma virada política à esquerda está em construção e é factível que se viabilize em outubro


O cenário que se esboça é a repetição da disputa entre esquerda e direita, com ou sem Lula
[Este é o blog do Brasil Debate em CartaCapital. Aqui você acessa o site]
A estratégia do PT de manter a candidatura de Lula, mesmo com ele preso, tem se revelado frutífera do ponto de vista eleitoral. Em primeiro lugar, a campanha de denúncia e de luta contra o processo judicial arbitrário, sem provas, altamente politizado, enfim, que o levou à prisão é uma posição de resistência política fundamental contra a deterioração do Estado Democrático de Direito associada ao golpe contra a presidente Dilma Rousseff, em 2016.
Em segundo lugar, a criminalização do PT e a exclusão política da candidatura de Lula são as principais motivações da marcha à direita em curso no País, de modo que o PT apostou, e considero que o fez corretamente, na exploração de todas as possibilidades políticas e institucionais de resistência possíveis, usando o próprio processo eleitoral como um caminho singularmente fértil para maximizar a luta contra o arbítrio e, assim, fortalecer seu cacife para o pleito presidencial de 2018.
Na última pesquisa Vox Populi/CUT, Lula tem 41% das intenções de voto. O segundo colocado, Jair Bolsonaro aparece bem distante, com apenas 12%. Como disse um humorista recentemente, o candidato preso está com a vida bem mais fácil que os candidatos livres, que suam a camisa percorrendo o Brasil, mas não chegam a ameaçar o petista. Nesse cenário, Lula venceria no primeiro turno.
Mas há também duas novidades importantes no campo progressista. A primeira é que, confirmada a cassação do registro da candidatura de Lula ou, mesmo em caso mais grave ainda, se esse próprio registro for casuisticamente negado pelo TSE, as tendências apontam para o aumento de sua capacidade de transferência de votos para outro candidato, mecanismo que já ocorreu nas eleições de 2010, 2012 e 2014: a eleição e reeleição de Dilma Rousseff e a eleição de Fernando Haddad.
Há cerca de um mês, uma pesquisa eleitoral feita por encomenda da XP Investimentos constatou que se a candidatura de Haddad, por exemplo, for apresentada isoladamente, reúne 3% das preferências, mas esse número sobe para 11% se o candidato for vinculado a Lula.
Há dez dias, a Vox Populi mensurou que a capacidade de transferência de Lula, nesse momento, varia entre um mínimo de 20% até um teto de 32%. Esse quadro colocaria o eventual Plano B do PT no segundo turno. Dois terços dos eleitores de Lula tendem a votar em quem ele indicar.
A outra novidade importante que impacta no campo progressista é o revés enfrentado, no momento, pela candidatura de Ciro Gomes em função do Centrão (PP, PR, DEM, PRB e SD) ter recuado em apoiá-lo e estar negociando o apoio a Geraldo Alckmin.
Embora hoje, como nunca antes na história nacional, tudo que era sólido se desmancha no ar e, por isso, a previsibilidade está um tanto quanto pressionada pela volatilidade, não é pouca coisa essa reação da direita neoliberal mais orgânica, capitaneada pelo PSDB, para fazer frente ao Bolsonaro.
Desenha-se uma forte candidatura alternativa de direita à extrema-direita, inclusive pelo tempo de tevê que pode arregimentar. A maré conservadora é forte, mas, como seu programa tem pouco a oferecer à Nação, essa força pode ser um mero castelo de areia.
Por outro lado, a esquerda enraizada na base popular e competitiva para governar não está sangrando, pelo contrário, a estrela petista sobe. O programa de governo da candidatura Lula, coordenado por Fernando Haddad, começou a ser divulgado.
Contém propostas inovadoras, que, por um lado, motivam a militância, por outro lado, representam alternativas ao caos econômico e político nacional: a revogação da emenda constitucional do teto de gastos e da reforma trabalhista, o aumento da oferta de crédito, inclusive por meio da redução do spread bancário pela via da política tributária e o incentivo à democracia direta prevista na Constituição de 1988, com os plebiscitos e referendos.
Enfim, prevalecendo o cenário desenhado nesse artigo, se repetirá a estrutural disputa entre esquerda e direita que ocorre desde as eleições de 1994: a efetiva competição será entre, por um lado, PT e seus aliados e, por outro lado, PSDB e o Centrão.
Uma virada política à esquerda tem sido construída e se revelando factível de viabilizar-se em 2018. Mas toda a perseverança e a inteligência política são poucas para garantir essa vitória que poderá tirar o País do fundo do poço e recuperar a democracia maltratada pela ofensiva conservadora.
Um pacto de não agressão e uma ponte de diálogo entre os progressistas precisam ser cultivados. Boas ideias para a economia também são fundamentais.
*Marcus Ianoni é cientista político, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), realizou estágio de pós-doutorado na Universidade de Oxford e estuda as relações entre Política e Economia

 Fonte: Carta Capital

sexta-feira, 27 de julho de 2018

A carta de Lula e a luta da imprensa independente em defesa do Brasil


 Joaquim de Carvalho  (no Diário do Centro do Mundo)
​
A carta de Lula aos blogs progressistas é um documento histórico em defesa da liberdade de expressão e o resultado de uma análise lúcida sobre o papel da imprensa no desenvolvimento de uma nação. Um trecho resume bem essa análise:

”Mais do que acreditar na minha inocência – porque leram o processo, porque checaram as provas, porque fizeram Jornalismo – os blogueiros e blogueiras progressistas estão contribuindo para trazer de volta o debate público e resgatar o jornalismo da vala comum à qual foi atirado por aqueles que o pretendem não como ferramenta capaz de lançar luz onde haja escuridão, mas apenas e tão somente como arma política dos poderosos.”
Este é, precisamente, o ponto que separa a imprensa livre, que é chamada também de independente ou progressista, da mídia corporativa ou velha imprensa: jogar luz onde haja escuridão.
Esta é a missão do Jornalismo (Lula escreve, corretamente, com letra maiúscula): Explicar em vez de confundir, buscar a informação capaz de transformar, informação que surpreenda e, surpreendendo, quebre a corrente do senso comum e ajude na luta contra a pior das pragas de uma nação: o preconceito, fruto ignorância.
Ignorância não no sentido da falta de escolaridade formal ou de estudo, mas da ausência do conhecimento sobre a verdade factual. Ignorância que é construída, diariamente, pela velha imprensa.
Neste momento, faço a cobertura sobre os furos do processo do sítio de Atibaia e me deparei com exemplos concretos sobre o que a desinformação pode fazer numa sociedade.
A farsa de que Lula é dono de um sítio nasceu de um boato que circulava insistentemente no bairro do Portão, em Atibaia, depois que Marisa Letícia foi vista comprando pão e mortadela Ceratti na padaria local, e bebendo café em copo descartável.
Isso é crime?
Não.
Mas, como ela ia com a família ao sítio de amigos perto dali, logo começou o zunzunzum de que era proprietária da área.
O boato chegou ao conhecimento dos procuradores da república, que estavam empenhados na Operação Lava Jato, e a força-tarefa baixou lá.
O que isso tem a ver com a Petrobras, o que justifica a Lava Jato? Em princípio, nada, mas a os procuradores foram a Atibaia do mesmo jeito.
Gesuldo, o gerente da padaria, conta que dois homens — um deles o procurador Roberson Pozzobon, sei porque mostrei a foto e ele confirmou — estiveram na padaria, sentaram em uma mesa e pediram para falar com o gerente.
Pozzobon queria saber se ele tinha visto Lula pela região. O gerente negou, mas, mais tarde, ligou no número que o procurador tinha deixado para dizer: não tinha visto Lula, mas Marisa.
Começou, então, uma negociação para que ele gravasse um depoimento, e ele gravou, sem mostrar o rosto, com o celular voltado para o alto e captando o áudio.
Ele disse que viu Marisa comprando pão e mortadela.
O que isso prova?
Nada.
Mas foi usado como fumaça num caso em que não havia fogo. Os procuradores procuraram outras pessoas, pessoas que prestaram serviço no sítio.
Queriam saber se a propriedade era do Lula, se era ele, a mulher ou um dos filhos que pagava pelos serviços.
Nada.
Mesmo sem nada de concreto na mão, o Ministério Público Federal incluiu a ação de busca e apreensão no sítio de Atibaia em 4 de março de 2016, o dia do espetáculo da condução coercitiva de Lula.
Entrou no pacote que, ao fim e ao cabo, contribuiu decisivamente para a criação do ambiente político hostil que levou ao impeachment de Dilma Rousseff.
Agora se sabe que, naquele dia, o único depoimento colhido na região foi de uma mulher tirada de casa pela manhã e levada com o filho pequeno, de 7 anos de idade, sem mandado judicial, para depor no sítio.
Rosilene da Luz Ferreira havia prestado serviço como faxineira no sítio e, questionada sobre quem lhe fez o pagamento, disse mais de uma vez: Fernando Bittar.
A resposta evidencia que era Bittar o dono de direito — a escritura está no nome dele — e de fato da propriedade — é ele quem dá ordens ali.
Mas o depoimento dessa senhora foi suprimido da denúncia, porque não contribuía para a farsa que seria evidenciada pelo power point: Lula como chefe de uma organização criminosa.
O depoimento de Rosilene veio a público há pouco, quando seu marido denunciou ao juiz Sergio Moro o que pode ser interpretado como abuso por parte dos procuradores e da Polícia Federal.
A velha imprensa ignorou. Mas quem lê o Diário do Centro do Mundo tomou conhecimento do caso e teve oportunidade de ver o vídeo em que a criança aparece, assustada, ao lado da mãe durante o depoimento — em que a mulher conta que recebeu a diária da faxina de Fernando Bittar.
Este é um exemplo, dentre tantos outros, em que a mídia independente combate o bom combate, como disse Lula em sua carta.
Não é fácil, mas o resultado tem sido reconhecido, não apenas por Lula, mas pelo publico em geral, como mostram os números da audiência — no caso do DCM, triplicou em um ano —, uma evidência de que o público já não confia na velha imprensa e busca outras fontes de informação.
A situação política no Brasil é dramática — o líder disparado nas pesquisas está sendo impedido de concorrer —, mas tem um efeito pedagógico: mostra quem é quem.
No caso da velha imprensa, já está claro que não trabalha pelo Brasil, mas por interesses muito específicos.
Por que tanto medo do Lula?
Por que tanta violência institucional para impedir que o povo decida livremente se o quer ou não na presidência?
São perguntas que começam a ser respondidas e, quando tudo estiver bem claro, o Brasil já estará maduro para tirar de cena aqueles que, realmente, trabalham para evitar que o o país se encontre com sua vocação: a grandeza.
E dou mais um exemplo: no dia 10 de julho estive em Curitiba, em mais uma tentativa de entrevistar Lula — nosso pedido foi negado pela juíza Carolina Lebbos — e fiz uma transmissão ao vivo da frente da Polícia Federal.
Fiz conforme o protocolo, me apresentei aos policiais militares do Paraná e comecei a gravar, no espaço que é usado pela imprensa em geral, entre o cordão de isolamento e a Superintendência da Polícia Federal.
Depois que terminei a transmissão e comecei a tirar fotos, um policial, o cabo Azevedo, disse que eu não poderia permanecer ali.
Por quê?
Ele me disse que eu deveria permanecer junto com os manifestantes da Vigília Livre. Nada contra, mas perguntei se a imprensa não poderia permanecer no local onde eu estava.
Ele me respondeu: “depende”.
Do quê?
“Se for imprensa imparcial, pode.”
Questionei sobre que critérios ele usava para definir o que parcial ou imparcial.
Ele não respondeu nada.
Como já tinha terminado meu trabalho, fui embora, e depois denunciei o policial à corregedoria da PM.
O que ele fez é fruto da ignorância.
Mas mesmo os ignorantes precisam ser instruídos, e que a corporação a que pertence decida.
O importante é que fiz o meu trabalho e o público foi informado.
É uma luta árdua.
Mas quem disse que ajudar a construir uma nação seria fácil?
Fonte: Diário do Centro do Mundo