Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Salve Andrea del Fuego


     Brasileira vence Prêmio Saramago de literatura


         A escritora paulista Andrea del Fuego, 36 anos, recebeu hoje (25), o prêmio Saramago de literatura. A organização da premiação, que ocorre a cada dois anos, fez o anúncio nesta terça-feira, em Lisboa.


Andrea del Fuego premiada
A escritora paulista, autora da obra Os Malaquias, recebe prêmio Saramago  crédito: divulgação
      A brasileira foi reconhecida pelo seu romance Os Malaquias (editora Lingua Geral) e receberá 25 mil euros (R$ 61 448) na sétima edição do evento, que premia autores lusófonos com menos de 35 anos – idade de Del Fuego à época da premiação.
     O júri foi presidido pela editora Guilhermina Gomes e também contou com a escritora Nélida Piñon; a poetisa Ana Paula Tavares; a presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Rio; o escritor Vasco Graça Moura; entre outros. 

A crise do capitalismo e o desenvolvimento desigual das nações

     O mundo vive, desde 2007, sob o signo da crise mais global da história do capitalismo. Em maior ou menor medida, seus efeitos são sensíveis em todos os continentes, sobretudo para a classe trabalhadora, sua principal vítima. 

Umberto Martins



     Mas uma característica fundamental da crise é sua diversidade. Ela se manifesta de maneira diferente nos países e impulsiona, com isto, o processo de desenvolvimento desigual das nações, que já vinha se verificando anteriormente. 
     Os estragos são bem maiores nos Estados Unidos, na Europa e no Japão do que na China e nos Brics. Dentro da Europa, a crise é generalizada, mas a situação da Grécia, elo mais frágil da cadeia imperialista, não é a mesma da Alemanha.
     Ascensão da China
     A indústria chinesa sofreu com a contração do mercado nos Estados Unidos e na Europa, em 2008. Muitas empresas faliram e milhões de operários foram demitidos. Mas a economia reagiu aos estímulos do Estado e se recuperou rapidamente, de modo que mesmo em 2009, quando o PIB mundial caiu 0,6% (os EUA recuaram 2,6%, a zona do euro 4% e o Japão 6,3%), a China cresceu 9,2%. Em 2010, mesmo com as economias europeia e norte-americana estagnadas, o país avançou 10,3% e ainda deve crescer mais de 9% este ano. 
     O crescimento desigual não é de hoje. Ao longo das últimas décadas o PIB chinês progrediu em média cerca de 10% ao ano enquanto os EUA e outras potências ocidentais cresceram entre 2 e 3%. O resultado deste desenvolvimento desigual foi uma revolução silenciosa na geografia econômica mundial, com o deslocamento da produção industrial, e por extensão do poder econômico, do Ocidente para o Oriente e dos EUA para a China. 
    Refletindo o avanço da indústria, nas condições de uma “economia de mercado socialista”, o país ocupa o primeiro lugar no ranking mundial das exportações, depois de superar a Alemanha e Estados Unidos. Acumula reservas superiores a 3 trilhões de dólares, as maiores do mundo e se transforma, por consquencia, num relevante investidor externo. É o maior credor dos EUA, onde aplicou parte substancial de suas reservas. 
     Para um número crescente de nações da África, Ásia e América Latina as relações comerciais e financeiras com a China já são mais relevantes que o intercâmbio com os EUA e a Europa. 
     Convergência das crises
     A particularidade mais notável da crise econômica em curso reside em sua convergência com o declínio da importância relativa das grandes potências e dos Estados Unidos em especial, que reflete o esgotamento da ordem econômica e política mundial remanescente dos acordos de Bretton Woods, erigida de acordo com a realidade do capitalismo após a Segunda Guerra, na época em luta com o socialismo soviético.
     Ao longo das últimas décadas, em sintonia com a globalização neoliberal e a desregulamentação do sistema financeiro, moldou-se um modelo de desenvolvimento mundial sustentado no excesso de consumo dos EUA e alguns países europeus, que alimentou a reprodução do capital em âmbito internacional e também contribuiu para a prosperidade chinesa. O déficit americano passou a ser financiado pela poupança asiática numa relação que chegou a ser caracterizada equivocadamente como uma perfeita simbiose.
      Mas este padrão de reprodução do capital, fundado no crescente endividamento e na hipertrofia do sistema financeiro, entrou em crise e hoje parece insustentável. Os EUA não são mais a locomotiva do globo; as economias emergentes, lideradas pela China, já respondem por mais de 50% do crescimento da economia mundial.
     Objetivamente, o mundo está mudando e demanda uma nova ordem internacional, uma nova moeda ou novas moedas e novas instituições. A transformação da geografia econômica de certa forma sugere uma transição neste sentido, mas a verdade, de resto evidente, é que o globo, em crise, ainda é prisioneiro da velha ordem, da liderança capenga e instável do dólar, do arbítrio dos EUA e da Otan e de governos submissos ao capital financeiro. A transição para uma nova ordem não se completará sem luta.
     Acirramento da luta de classes
     Outro aspecto fundamental é que a recessão e as perturbações no processo de reprodução do capital provocam um notável acirramento da luta de classes entre capital e trabalho, verdade que se revela com força na Europa e nos países mais afetados pela crise. Isto ocorre porque a estagnação da economia tem a sua tradução para a classe trabalhadora no desemprego em massa, na redução de salários e direitos. O número de desempregados no mundo excede 200 milhões, 40 milhões nos países mais desenvolvidos. 
       Além disto, a intervenção dos governos para resgatar o sistema financeiro, derramando trilhões de dólares e euros na economia, agravou os problemas, elevando os déficits públicos e detonando a crise da dívida. Frente à nova situação, programas de ajuste fiscal são impostos, especialmente às nações mais frágeis da Europa, com doses de sacrifícios extras para os trabalhadores. O FMI, refratário a reformas, cumpre a missão neocolonial de monitorar a execução dos pacotes antissociais, a exemplo do que fez no Brasil e na América Latina durante os anos 1980. 
     A crise, em vez de arrefecer, ganha novo fôlego com as medidas que reduzem o nível de emprego e o poder de compra dos salários, deprimindo o consumo e empurrando as economias para uma espécie de círculo vicioso no qual as políticas econômicas, que deviam contornar a crise, reproduzem mais recessão. Para superar o drama, conforme recomendou a presidente brasileira Dilma Rousseff, seria necessário estimular o consumo e os investimentos produtivos, ao contrário da receita imposta pelo FMI, ditada pelos interesses dos banqueiros.
      A burguesia europeia, embriagada de neoliberalismo, aproveita o ambiente de crise para desmantelar o chamado Estado de Bem Estar Social e aumentar o grau de exploração da força de trabalho, de forma a se apropriar de uma parte maior do excedente econômica (trabalho excedente) e enfrentar a concorrência asiática, cuja competitividade é também lastreada em outros padrões salariais. É uma ofensiva capitalista radical, que está acirrando a luta de classes e despertando uma notável revolta na classe trabalhadora.
     Protecionismo e guerra comercial
     Ao lado da instabilidade monetária e financeira, a contração dos mercados acirrou a concorrência entre as grandes empresas que dominam o comércio internacional, bem como as contradições entre as nações, desembocando no crescimento do protecionismo e em guerras cambiais e comerciais. 
      É conveniente lembrar Lênin, que aponta a tendência do imperialismo em crise para o reacionarismo em toda linha. A exacerbação da intolerância, voltada principalmente contra trabalhadores imigrantes, o fortalecimento da extrema direita nos Estados Unidos e na Europa, são sinais preocupantes da manifestação desta tendência política, ao lado da intensificação da agressividade militar do imperialismo e dos conflitos políticos no Oriente Médio.
      Os acontecimentos sugerem que não se deve esperar uma saída positiva para a crise do imperialismo, do ponto de vista da civilização humana, nos marcos do capitalismo. 
      Os interesses do capital financeiro já não conduzem ao desenvolvimento e entraram em franca contradição com as demandas sociais. Como em outras ocasiões da história, o sistema caminha para a barbárie. Uma solução progressista só virá pelas mãos do povo.
      Desafio das forças revolucionárias
      A reação dos povos europeus, com protagonismo crescente da classe trabalhadora e de suas organizações, é de revolta, resistência e luta. Eleva-se a dezenas o número de greves gerais realizadas na Grécia e em outros países do continente. Manifestações de protesto pipocam em todo o mundo, inclusive no centro do império americano. 
      O desafio das forças progressistas e revolucionárias é pavimentar nas batalhas em defesa dos direitos sociais, dos salários, das aposentadorias e do emprego, o caminho da luta maior contra o imperialismo e o capitalismo, entrelaçando a peleja por uma nova ordem internacional, efetivamente democrática, solidária e multilateral, com o objetivo estratégico e revolucionário de construir uma sociedade socialista. 
     O imperialismo, como disse Lênin, é o capitalismo dos nossos dias. Por isto, a luta contra o imperialismo não terá maior consequência se não contemplar o objetivo de liquidar o modo de produção capitalista, que está na raiz do imperialismo, e promover o socialismo.
      A par de seus objetivos gerais, a desigualdade das realidades nacionais confere características e particularidades à luta em cada país. A América Latina vive um novo cenário político, com um grande número de países governados por forças políticas progressistas, que buscam uma alternativa ao neoliberalismo. 
      São experiências diferenciadas, em que o objetivo mais avançado é o do socialismo bolivariano, proclamado pela Venezuela. Mas há em comum o objetivo de buscar uma maior integração econômica e política das nações latino-americanas e procurar um modelo de desenvolvimento alternativo ao projeto dos EUA, sinalizado na rejeição da Alca e na criação da Unasul, da Celac (Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos) e da Alba (Aliança Bolivariana para os povos da Nossa América), entre outros fatos. São acontecimentos que confrontam objetivamente a hegemonia dos EUA e apontam na direção de uma nova ordem mundial. 
      Cabe registrar que, diferentemente do que ocorre na Europa, os governantes latino-americanos não estão adotando receitas recessivas ditadas pelo FMI para descarregar o ônus da crise sobre a classe trabalhadora. Os indicadores revelam uma relativa valorização do trabalho e redução das desigualdades sociais em grande número de países da região. 
      Os comunistas apoiam a integração regional, compreendendo o seu caráter objetivamente antiimperialista, e lutam, no Brasil, para que o processo de mudanças avance no sentido de novos projetos de desenvolvimento, antineoliberais e antiimperialistas, ancorados nos movimentos sociais, nos quais a classe trabalhadora deve ter papel proeminente e que abram caminho para o socialismo.

Nossa fonte: Vermelho 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011



Lançado o Acervo Digital de Chiquinha Gonzaga, acesso livre a mais de 300 partitras da compositora.

Pablo Picasso: os 130 anos de um gênio


     Após pintar seu primeiro quadro com sete anos, o espanhol Pablo Picasso, que nesta terça-feira completaria (25) 130 anos, não abandonou mais os pincéis e se tornou um dos gênios do século XX. Pintor, escultor, desenhista, ceramista, gravador... Picasso é o artista espanhol mais influente do século passado e um dos grandes gênios da história da arte.




     Mestre da Modernidade, revolucionou e marcou um novo rumo da história artística quando pintou em 1907 "As Meninas de Avignon", marco e ponto de referência para o desenvolvimento das vanguardas artísticas posteriores.
     O espanhol introduziu na arte novas concepções revolucionárias que originaram o cubismo, movimento criado por ele junto com George Braque.
     Nascido em Málaga em 1881, a família se mudou para La Coruña e depois para Barcelona, onde se formou em um estilo acadêmico, mas um breve contato com grupos modernistas o fizeram mudar sua forma de expressão.
     Após sua passagem por Madri e como a maioria dos artistas da época, Picasso ganhou notoriedade em Paris, onde se instalou no atelier do pintor espanhol Isidro Nonell.
     Em 1904 se mudou definitivamente para a capital francesa, trabalhando no atelier Bateau Lavoir. Este é o ponto de partida de sua "fase azul" (1901-1904), caracterizada pelo predomínio desta cor junto à representação de personagens esquálidos com expressão trágica.
     Entre 1905 e 1906, a "fase rosa", Picasso mostra uma faceta menos triste em que representa cenas de circos e comediantes, entre outras coisas.
     Em 1906 conheceu Matisse e um ano mais tarde terminou "As Meninas de Aviñon". A partir de então trabalhou sobre dois princípios opostos de representação, um figurativo e outro dissociado da forma. Um ano depois conheceu Braque com o qual iniciou o chamado "cubismo analítico", até que em 1913 passou ao "cubismo sintético".
     Cansado das estruturas geométricas, Picasso retornou ao clássico, ao nu monumental, ao equilíbrio e ao desenho de Ingrés.
     Aberto a todos os movimentos, em 1925 se aliou ao surrealista André Breton, quando combinou o monstruoso e o sublime na composição de figuras meio máquinas, meio monstros, de aspecto aterrorizante. Esta etapa terminou em 1932.
     Em 19 de setembro de 1936, início da Guerra Civil espanhola, foi nomeado diretor do Museu do Prado, cargo que não chegou a exercer, mas ajudou a levar as peças mais valiosas do museu para protegê-las em Paris.
     Em 1937 pintou um mural para representar a Espanha no Pavilhão de Exposição Universal de Paris. O bombardeio de Guernica provocou a criação da mais famosa obra de arte contemporânea, que critica a guerra e a injustiça causada pelo confronto.
    
     A obra retornou em 1981 à Espanha procedente do Museu de Arte Moderna de Nova York onde se encontrava temporariamente, cedida pelo próprio artista.
     Com isso, se respeitou a vontade de Picasso que a tela monumental voltasse ao seu país assim que este recuperasse suas liberdades democráticas. Poucos eventos como a chegada do Guernica marcaram o antes e o depois da transição política espanhola.
     Picasso passou os últimos anos de sua vida no sul da França trabalhando em um estilo muito pessoal e morreu na vila de Notre-Dame-Vie, em Mougins, em 8 de abril de 1973, de um edema pulmonar quando preparava uma exposição para o Palácio dos Papas, em Avignon.
     O artista malaguenho, autor com mais obras em museus de todo o mundo, teve uma longa e produtiva trajetória com 1.876 quadros, 1.355 esculturas, 7.089 desenhos, 25.388 gravuras, 2.880 cerâmicas e 149 cadernos - um total de 4.659 trabalhos.
     Picasso se casou seis vezes e teve quatro filhos. 
     Fonte: Efe

Nossa fonte: Vermelho

domingo, 23 de outubro de 2011

Definição de Filho


       Por José Saramago
"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.  
Perder? Como?  Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".

Contribuição de Milza Cintra Januário

A PRAÇA É DO POVO...


Frei Betto*  

      Há algo de novo, e não de  podre, no reino da Dinamarca! Verdade que provocado pelo cheiro de podridão.  Como suportar o odor fétido de uma Câmara dos Deputados que absolve uma  deputada flagrada e filmada recebendo bolada de dinheiro  escuso?
      A 12 de outubro, manifestantes foram às ruas do Brasil, e  de 1.242 cidades dos EUA, emitir protestos cívicos. Aqui, 30 mil pessoas, a  maioria em Brasília, exigiram o fim do voto secreto no Congresso Nacional; o  direito de o Conselho Nacional de Justiça investigar e punir juízes corruptos;  a vigência da Ficha Limpa nas eleições de 2012; e o fim da corrupção na  administração pública.
      A novidade é que, tanto aqui como nos EUA,  as mobilizações foram convocadas por redes sociais. Uma ação espontânea, sem  partidos e líderes carismáticos, e que, no mínimo, mereceria o apoio da UNE,  da CUT e dos partidos ditos progressistas.
      Nos EUA, cresce o  movimento Ocupem Wall Street. Ali se situa o centro financeiro  estadunidense, protegido pela exuberante estátua do touro que bem simboliza a  ganância e a prepotência do capital financeiro.
      Semana passada,  mais de 1.000 manifestantes foram presos nos EUA, desmascarando a propalada  liberdade de expressão da democracia capitalista. Liberdade, sim, de  especulação feita por aqueles que Roosevelt qualificou de “monarquia  econômica”.
      A elite usamericana entrou em pânico, embora as  manifestações sejam bem mais pacíficas e ordeiras que as do Tea Party (extrema  direita) em 2009. O deputado republicano Eric Cantor chamou os manifestantes  de “gangues”. Mitt Rommey, pré-candidato republicano em 2012, acusou-os de  provocar uma “luta de classes”...
      O fato é que o poder público,  aqui, e o poder econômico, lá, estão prensados contra a parede. E agora o  movimento se expande pelos países da Europa diretamente afetados pela crise  financeira e mais interessados em salvar bancos que empregos.
      A  avareza dos magnatas ianques é tamanha que acusam Obama de “socialista” pelo  simples fato dele apoiar a regra Volcker, que proíbe bancos, beneficiados com  ajuda governamental, de praticarem especulação.
      Bush aprovou (e  Obama ainda não revogou) a redução de US$ 5 bilhões no montante de impostos  pagos pela minoria que ganha mais de US$ 250 mil por ano (cerca de R$ 420  mil). “Taxem os ricos!”, diziam os protestos do Ocupem Wall Street.
      Desde janeiro de 2008, o setor financeiro de Nova York fechou 22  mil postos de trabalho. E mais 10 mil estão previstos. O banco Goldman Sachs  despediu 1.000 funcionários e o Bank of America, 30 mil.
      São  consideradas “muito ricas” nos EUA apenas 31 milhões de pessoas, o que  equivale a 1% da população. E todo o sistema de governo mais protege essa  minoria do que os outros 99%. No Brasil, os muito ricos são 3  milhões.
      O Brasil está sob ameaça da crise financeira. Nossas  exportações, em especial soja e minério de ferro, dependem muito da China. Por  sua vez, 41,5% das exportações chinesas são consumidas pelos EUA e a União  Europeia. Se estes dois blocos reduzirem suas importações, o sinal vermelho  acende na China. Ela cresceu 10,3% ano passado e, este ano, não deve ir além  de 8,7%, caindo para 8,2% em 2012. O que pode afetar as exportações  brasileiras e trazer de volta, junto com o dragão da inflação, o desemprego.
      Todas essas manifestações de rua são positivas, porém  insuficientes. Não basta protestar. É preciso propor – uma nova ordem  econômica, um novo projeto político, um outro mundo possível...
      Outro risco implícito às atuais manifestações é confundir  apartidarismo com repúdio a partidos. Estes são imprescindíveis para manter ou  transformar o atual estado de coisas. E, ano que vem, teremos eleições  municipais. Com o Ficha Limpa vigente, saberemos em quem não votar. Mas  é preciso ter clareza em quem votar, livre das promessas vãs e da demagogia  televisiva.
      É hora de iniciar o debate de valores e critérios  para a escolha de vereadores e prefeitos. Caso contrário, tudo ficará como  dantes no quartel de Abrantes.

*Frei Betto é escritor,  autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros  livros.
http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br) 

sábado, 22 de outubro de 2011

Gabriel García Márquez: toda guerra é burra


 Livro recém-lançado do Nobel de Literatura traz discursos anti-bélicos que o escritor colombiano fez desde os 17 aos 80 anos, embasados por sua luta em defesa da unidade e soberania da parte latina e submetida do continente americano.

Marcos Aurélio Ruy *(Vermelho)

Gabriel García Márquez
Gabriel García Márquez
     O livro “Eu não vim fazer um discurso” (Editora Record, 2011), de Gabriel García Márquez, apresenta os discursos do autor desde sua formatura no equivalente ao nosso ensino médio, a tantos eventos literários, culturais e políticos por onde passou, sempre denunciando o imperialismo norte-americano e a submissão dos regimes ditatoriais latino-americanos. Sempre um grito em favor da liberdade e dos oprimidos.
     García Márquez nasceu em 06 de março de 1927 e enfrentou diversas dificuldades, inclusive financeiras, até consagrar-se como escritor. Justamente por sua opção política na defesa dos interesses nacionais e do povo de seu país e contra toda forma de opressão, transformou-se em um dos maiores representantes latino-americanos do chamado “realismo mágico”, uma escola literária que usa do absurdo para mostrar a realidade, numa maneira de driblar a censura existente na maioria dos países na parte sul do continente. Para alguns, uma resposta latino-americana à literatura fantástica europeia, só que diferentemente, aqui, não apresenta teor niilista em seu conteúdo. Pelo contrário, vislumbra um futuro melhor. Márquez sempre acreditou na necessidade de unidade dos países latino-americanos e de uma luta conjunta, permanente, contra a sombra do imperialismo e do fascismo no continente.
     Grandes nomes escolheram o caminho do fantástico para escrever seus livros, entre eles os argentinos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges, o venezuelano Arturo Uslar Pietri, considerado o pai do realismo mágico no continente, o cubano Alejo Carpentier e, mais recentemente, a chilena Isabel Allende, filha de Salvador Allende e a mexicana Laura Esquivel, entre outros. Alguns autores brasileiros também enveredaram por esse caminho, como Murilo Rubião e José J. Veiga, ou o dramaturgo Dias Gomes nas novelas que escreveu para a televisão.
     Já aos 17 anos, ao pronunciar discurso de despedida na escola em que estudou, o colombiano mostrava ao que veio. “Toda esta série de acontecimentos cotidianos que nos uniram através de laços inquebrantáveis com este grupo de rapazes que hoje abrirá caminho na vida”. E seu caminho foi se abrindo a duras penas, porque ele escolheu um rumo de luta e de soberania contra a classe dominante ditatorial, elitista e antinacional. Num outro discurso sobre literatura ele explica como e por que começou a escrever. “Comecei a ser escritor da mesma forma que subi neste palco: à força”, afirma, e complementa, ao contar o motivo que o levou a escrever seu primeiro conto e enviá-lo para o jornal publicá-lo: “Eduardo Zalamea Borda, diretor do suplemento literário do ‘El Spectador’ de Bogotá, publicou um artigo no qual dizia que as novas gerações de escritores não ofereciam nada, que não se via em lugar algum um novo contista ou um novo romancista”. Provocado, Márquez escreveu um conto e o editor reconheceu o engano e pediu desculpas.
     Em seus discursos. o escritor sempre colocava sua posição política em favor da liberdade, da igualdade, da soberania dos povos e da justiça social. Mesmo em 1982, quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, ele denunciou o preconceito com o qual éramos vistos pelos europeus, assim como a situação de penúria e opressão vivenciada na América Latina de então, diferente de hoje, quando vislumbramos luzes no fim do túnel em todos os aspectos da vida. 
     No discurso de agradecimento pelo Nobel, diz que “a independência do domínio espanhol não nos pôs a salvo da demência”, porque “os desaparecidos pela repressão somam quase 120 mil” e ainda porque “20 milhões de crianças latino-americanas morreram antes de fazer dois anos” e complementa com as denúncias ao afirmar que “é compreensível que insistam em nos medir com a mesma vara com que se medem, sem recordar que os estragos da vida não são iguais para todos, e que a busca da identidade própria é tão árdua e sangrenta para nós como foi para eles”, ao falar sobre a atitude dos europeus e norte-americanos em relação a nós. No discurso “A América Latina existe”, Márquez afirma que “tudo o que não parece com eles parece um erro, e fazem tudo para a sua maneira, corrigir isso, como, aliás, fazem os Estados Unidos”.
     Pela paz e pela cultura     Diversas vezes o autor colombiano pronunciou-se em favor da paz ao defender a autodeterminação dos povos, contra as guerras imperialistas. Num discurso para militares disse aos soldados que “a vida de todos nós seria melhor se cada um dos senhores levasse sempre um livro na mochila”. Da mesma forma afirmou também que “as crianças que hoje estão na escola primária preparando-se para reger nossos destinos continuam condenadas a contar com os dedos da mão, como os contadores da mais remota antiguidade, enquanto já existem computadores capazes de fazer cem mil operações aritméticas por segundo”, ao denunciar o descaso coma educação nos países da América Latina. Noutro discurso contra o armamento e contra a guerra afirma Márquez que “diante deste descomunal desperdício econômico, é ainda mais inquietante e doloroso o desperdício humano: a indústria da guerra mantém em cativeiro o maior contingente de sábios jamais reunidos para tarefa alguma na história da humanidade” e continua dizendo que a libertação deles é fundamental “para que nos ajudem a criar, no âmbito da educação e da justiça, a única coisa que pode nos salvar da barbárie: a cultura da paz”. 
     Foi uma crítica direta à indústria bélica e a opressão que impedia os países do Terceiro Mundo de se libertar e progredir. Em um evento, Márquez afirmou que “estamos aqui para tentar que um encontro de intelectuais tenha aquilo que a imensa maioria deles não teve: utilidade prática e continuidade” defenderam ainda que “a cultura é a força totalizadora da criação: o aproveitamento social da inteligência humana” e “como disse Jack Lang sem maiores rodeios: ‘a cultura é tudo’”.
     Para Gabriel García Márquez “a corrida das armas vai ao sentido contrário da inteligência”, ele diz ainda “a educação privada, boa ou ruim, é a forma mais efetiva da discriminação social”. Ao debater a necessidade de se investir na educação pública, no incentivo à leitura e na defesa da cultura nacional dos países, respeitando-se as formas populares de expressão. 
     O escritor e jornalista também falou de jornalismo. “Alguém teria que ensinar aos jornalistas que o gravador não é um substituto da memória e, sim, uma evolução da humilde caderneta de anotações”, ao criticar o uso excessivo da tecnologia em detrimento da inteligência e da argúcia no jornalismo. Diz também com razão que para o exercício do bom jornalismo “ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a morrer por isso poderia persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fosse para sempre, e não concede um instante de paz enquanto não torne a começar com mais ardor que nunca no minuto seguinte”, numa visão do que seja a função de jornalista, terrivelmente abandonada nestes tempos de tentativas de arrombamento de apartamentos, de paparazzi, de invasão de privacidade, de diz-que-diz, de submissão à empresa, de falta de escrúpulos e de falta de ética no jornalismo.
     Uma voz da América Latina
     O escritor diz com segurança que “maltratada e dispersa, e ainda sem acabar, e sempre à procura de uma ética da vida, a América Latina existe. A prova disso? Nestes dois dias tivemos essa prova: pensamos logo existimos”, sobre encontro de intelectuais sobre a cultura na América Latina. Mas também critica com veemência ao afirmar que “minha impressão é que o tráfico de drogas se tornou u problema que escapou das mãos da humanidade. Isso não quer dizer que devemos ser pessimistas e declarar-nos derrotados, mas que é preciso continuar combatendo o problema” para tirar a juventude das garras do tráfico ele acredita ser necessário mover-se esforços de educação e de ocupar-se os jovens, mas também com a solução das questões sociais que extinguem a miséria e sobre o seu país ele acredita que “é impossível imaginar o fim da violência na Colômbia sem a eliminação do narcotráfico”. 
     Parece que inclusive o Brasil hoje vive situação semelhante onde perdemos inúmeras vidas de jovens da periferia dos grandes centros para os traficantes e para a violência policial.
Ainda sobre a necessidade de unidade da América Latina Márquez afirma, em 1990, que vivemos num continente “no qual a morte há de ser derrotada pela felicidade e haverá mais paz para sempre, mais tempo e melhor saúde, mais comida quente, mais rumbas saborosas, mais de tudo de bom para todos. Em duas palavras: mais amor”. Um tempo, diz o escritor colombiano, “que cada um possa fazer apenas aquilo que goste do berço à tumba”.
     Como um dos grandes escritores em língua espanhola de todos os tempos, Gabriel García Márquez revela em sua obra a obstinação por um mundo melhor através de sua literatura e de livros fundamentais para a leitura de todos, como “Cem anos de solidão”, “O amor nos tempos do cólera” e muitos outros livros que o colocam como um dos grandes escritores mundiais e uma voz constante em defesa da América Latina. García Márquez teve inúmeras obras adaptadas para o cinema e aposentou-se em 2009 deste ofício do qual diz ser falta de escolha na vida. Que bom se todos tivessem tamanha falta de escolha!
*Marcos Aurélio Ruy é colaborador do Vermelho
Algumas obras de Gabriel García Márquez:Cem anos de solidão (1967)
Como contar um conto (1947-1972)
O amor nos tempos do cólera (1985)
Doze contos peregrinos (1992)
Do amor e outros demônios (1994)
Memórias de minhas putas tristes (2004)
 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

NOVO CICLO DA CIVILIZAÇÃO

De dentro para fora, da intimidade do ser para a objetividade das circunstâncias, há um movimento claro de transformação daquilo que chamamos de civilização. Nossa humanidade anda revoltada com o sistema, definitivamente percebeu que não vale mais a pena trabalhar uma enorme parte de sua vida individual para sustentar uma máquina burocrática que é corrupta e ineficiente; ninguém sabe qual das duas condições veio primeiro e foi causa da outra. Em todos os países se dissemina essa revolta porque não foi imposta, pode até ser eventualmente manipulada, mas isso é irrelevante, o que importa é aceitar que há um movimento transformador e revolucionário que não pode ser detido. Este é o verdadeiro fim do mundo, uma revolução sem precedentes que inicia um novo ciclo de civilização.
NÓS BRASILEIROS TEMOS QUE NOS MOBILIZAR URGENTEMENTE 
Ontem, os deputados federais mostraram a cara e não votaram o projeto de lei FICHA LIMPA. Para quem não sabe, ontem, foi rejeitada a votação, na Ordem do Dia da Câmara Federal, o Projeto de Lei FICHA LIMPA, que impede a candidatura a qualquer cargo eletivo, de pessoas condenadas em primeira ou Unica instância ou por meio de denuncia recebida em tribunal e no caso de poli­ticos com foro privilegiado em virtude de crimes graves, como: racismo, homicídio, estupro,homofobia, trafico de drogas e desvio de verbas publicas..
A IMPRENSA NÃO DIVULGA PORQUE NÃO É INTERESSE DELA! PORTANTO, VAMOS USAR A INTERNET,PARA DAR CONHECIMENTO AOS OUTROS 198.000.000 DE BRASILEIROS QUE OS DEPUTADOS FEDERAIS TRAÍRAM O POVO!
Espalhe esta noti­cia; segundo dados, uma mensagem da internet enviada a 12 pessoas, no fim do dia chega a 30.000 usuarios. Vamos espalhar!
Mensagem enviada por Oscar Quiroga

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

FAO: situação da fome no mundo é alarmante e dramática


Representantes da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e do Programa Alimentar Mundial (PAM) advertiram nesta terça-feira (18) a comunidade internacional sobre a situação da fome no mundo, considerada por eles alarmante e dramática.



     Para os especialistas, a situação se agrava com o crescimento da população mundial e a elevação constante dos preços dos alimentos. A região que mais sofre no mundo é a conhecida como Chifre da África, onde está a Somália.
     “Uma em cada sete pessoas no mundo vai para a cama com fome, na maioria mulheres e crianças”, disse a diretora da representação do PAM em Genebra (Suíça), Lauren Landis, no seminário intitulado “Lutar Juntos Contra a Fome”. “A fome mata anualmente mais pessoas do que o vírus que transmite a aids, a malária e a tuberculose”, acrescentou.
     No período de 2005 a 2008, os preços dos alimentos atingiram o nível mais elevado dos últimos 30 anos. Os alimentos mais afetados são o milho e o arroz. “A situação assumiu proporções dramáticas a partir de 2008, quando os preços alcançaram um pico histórico e quase duplicaram num período de três a quatro anos”, disse o diretor da FAO em Genebra, Abdessalam Ould Ahmed.
     Ahmed acrescentou ainda que a situação atual é “mais dramática” porque o aumento dos preços dos alimentos ocorre no mesmo momento do agravamento da crise econômica internacional.
     Para ele, a elevação dos preços é uma consequência, entre outros fatores, do aumento substancial da população mundial. “Cada ano existem no mundo mais 80 milhões de bocas para alimentar”, disse Ahmed.
Fonte: Sul 21

Nossa fonte: Vermelho

Neoliberais usam Grécia como cobaia da crise financeira, diz deputado grego

Em entrevista à Carta Maior, o deputado grego pelo partido da Coalizão da Esquerda Radical Michalis Kritsotakis reconhece a importância dos movimentos que surgiram nos últimos meses no país, mas duvida que eles substituam o potencial de uma esquerda unida. “Esses movimentos podem ajudar na união do povo grego, mas não podem oferecer uma proposta política integrada”, diz. Para o membro do Fórum Social Grego, reguladores do sistema neoliberal usam Grécia como cobaia para avaliar comportamento e resistências das sociedades numa crise sistêmica como a atual.

Atenas - Deputado nacional desde as eleições de 2009 o professor universitário e mestre em administração de empresas, Michalis Kritsotakis é protagonista do “Fórum de Dialogo e Ação Unida da Esquerda” e da Coalizão da Esquerda Radical, que desde 2004 reúne 10 partidos e ocupa nove cadeiras no parlamento. Ele acredita que é o dever histórico da esquerda agir em conjunto nos pontos de concordância neste momento de crise e deixar para o futuro uma eventual conversa sobre a união sob um único partido. 

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, Kritsotakis responsabiliza o sistema político bipartidário que governa a Grécia desde a ditadura por seguir um modelo de desenvolvimento errado, corrupto e adaptado aos interesses da minoria que detém o poder financeiro. Na sua analise, a Esquerda tem parte da responsabilidade pela falência do país, ao se recusar de unir e priorizar a pureza ideológica. “Isso decepciona o povo e, portanto, a nossa responsabilidade é ainda maior. A nossa proposta não é mais de unir a esquerda, pois o partido comunista se recusa a discutir. A proposta hoje” é “chegar a um consenso e atuar juntos nos pontos que concordamos”. 

Alerta que a queda livre do país e sua perda de soberania já têm impactos fatais. O povo grego está enfrentando uma piora sem precedência nos índices sociais, fato que prejudica sua saúde psicológica, pois “a perda do salário ou da aposentadoria que leva as pessoas abaixo da linha da pobreza, à perda da esperança, da perspectiva, da auto-estima”. Para ele, os reguladores do sistema neoliberal “querem avaliar qual é o comportamento e as resistências das sociedades” numa crise sistêmica como essa. Abaixo a integra da entrevista com Michalis Kritsotakis. 

Carta Maior – O governo alega que tenta salvar o país e que a culpa da crise é do governo anterior e das características da sociedade grega. Quem afinal é o réu da falência?
Michalis Kritsotakis – A responsabilidade absoluta é do sistema político bipartidário que nos governa há trinta anos, porque sempre cuidou dos interesses da minoria, que são os detentores do poder financeiro, às custas da grande maioria do povo. O sistema nunca desenvolveu a base produtiva do país, e basicamente seguiu um modelo de desenvolvimento errado, corrupto e adaptado aos interesses dessa minoria financeira. A responsabilidade do sistema bipartidário, nesse momento, é que aceita, independente das suas pequenas diferenças, a dominação da lógica neoliberal da Troika em cima do país. O memorando que eles assinaram não tem nenhuma chance de ajudar o país a sair na superfície. Pelo contrário, nos empuxa para o fundo ainda mais. 
Veja a íntegra da entrevista em www.cartamaior.com.br 

Pifes, zabumbas e um som de duzentos anos


Fundada em 1835, a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto viaja pelo país com show de música, dança e rituais seculares que mantêm viva a tradicional cultura nordestina. Originária dos terreiros, pés de serra e da periferia de Crato (CE), a banda dos Irmãos Aniceto é formada por músicos agricultores com mais de 80 anos e por amigos, filhos e netos, que se destacam também como atores.


Com shows gratuitos neste mês de outubro em Santos (21), São Paulo (23), Rio de Janeiro (28), e Niteroi (29), a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto traz a rara oportunidade de aplaudir uma história de resistência de mais de 200 anos. Programa ideal para os apreciadores das genuínas manifestações tradicionais populares, a trupe vem do Crato, cidade do Cariri cearense, para animar o público com seus pifes, zabumbas, pratos e caixas de guerra. As apresentações, gratuitas, buscam também perpetuar a tradição musical e cultural e têm patrocínio da Petrobras, através da Lei Rouanet.

Banda cabaçal


Uma banda cabaçal é um conjunto de música instrumental constituído de instrumentos de percussão e sopro: dois pifes (pífanos, flautas rústicas de madeira), um zabumba e uma “caixa”. Sua origem vem do fato de que, no século 19, os tambores (zabumbas, caixas ou taróis) eram confeccionados com pele de bode ou carneiro estiradas sobre cabaças secas. Já em 1838, o botânico inglês George Gardner registra a presença de bandas cabaçais nesta região do interior do Ceará.

O lendário grupo também existe desde o século 19, quando foi fundado em 10 de maio de 1835 por José Lourenço da Silva, o José Aniceto. A família descende dos índios Cariris – que teimavam em ficar por ali, ao pé da Chapada do Araripe, antes da colonização, no sul de um território ao qual viriam a dar o nome de Ceará, mais especificamente, Crato. 

Nossa fonte: Vermelho

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Fundação Palmares promove exposição de arte africana


A mostra Expressões Africanas, organizada pela Fundação Cultural Palmares, expõe ao púbico 70 peças, entre artefatos, quadros, móveis e esculturas do acervo de 15 embaixadas do Continente Africano no Brasil. A exposição, em comemoração ao Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, segue até o dia 20 no Salão Branco do Congresso Nacional, em Brasília.

domingo, 16 de outubro de 2011

Mafalda: viva e única






Estátua de Mafalda, em Buenos Aires, Argentina, é uma das atrações turísticas da cidade. A menina continua tão atual quanto na época que foi criada, em 1964, uma vez que persistem os mesmos hábitos e acontecimentos sociais, que inspiravam comentários da personagem. Quino, seu criador, afirmou, ao  perguntarem a ele se não pensava em ressuscitá-la. "E ressuscitá-la significaria que está morta, quando ninguém dúvida que está bem viva, felizmente".


     Quase meio século após sua estreia, a personagem dos quadrinhos argentinos Mafalda constata hoje que o passar dos anos está muito longe de significar o fim das preocupações e, menos ainda, a solução para problemas urgentes.
     Risonha e impertubável, a pequena protagonista de quadrinhos criada pelo argentino Joaquín Salvador Lavado (Quino), observa agora o mundo de seu banco de praça, de ferro e madeira, na esquina das ruas Defesa e Chile, a escassos metros da antiga casa de seu criador.
     Ali permanece sentada com seu vestidinho verde limão (nos quadrinhos nem sempre nessa cor), há mais de dois anos, quando o Programa Portas do Bicentenário do Governo da Cidade de Buenos Aires decidiu homenagear seu pai intelectual com uma estátua de sua mais conhecida criação.
     A uns passos dali, no edifício localizado na rua Chile 371, onde Quino deu vida também a outros personagens do grupo (seus pais, Guille, Manolito, Liberdade, Felipe, e Susanita,) uma placa lembra os que passam: "Aqui viveu Mafalda".
     Hoje, a escultura de 80 centímetros de altura, feita pelo artista Pablo Irrgang em resina e fibra de vidro reforçada, constitui um dos lugares mais fotografados não só do velho bairro San Telmo, mas de toda a cidade, cujo bairro Colegiales tem também uma praça com esse nome.
     Esta última foi inaugurada em 28 de novembro de 1994 depois que quatro artistas plásticos pintaram em bancos e brinquedos desse espaço público fragmentos dos quadrinhos que refletem toda a sabedoria da Mafalda, para muitos o ícone do pensamento inconformado da América Latina.
     A surpreendente presença de Mafalda 
     Em uma entrevista concedida a revista Viva, Quino admitiu "nem eu mesmo sei" por que a vigência de Mafalda até os dias atuais. Talvez, explicou, porque muitas das coisas que ela questionava continuam sem resolver; disso não resta dúvidas.
     Além disso, porque persistem muitos dos acontecimentos e comentários que faz desde sua primeira aparição  pública, em 29 de setembro de 1964, até a segunda metade do ano 1973 - quando deixou de se publicar - puseram na boca da menina as inquietudes sociais e políticas de sua época.
     Uma vez, relatou o criador, perguntaram-me se não pensava em ressuscitá-la. "E ressuscitá-la significaria que está morta, quando ninguém dúvida que está bem viva, felizmente".
     Segundo Quino, Mafalda é para ele tão única como tentar viver de novo a alegria daquela época que costuma trazer à memória as canções dos Beatles, cujas gravações escuta "mais por nostalgia que por inspiração".
     Em 1988, a inteligente menina esteve a ponto de converter-se no primeiro - e seguramente único - personagem de quadrinhos a ser declarada Cidadã Ilustre da capital argentina, mas um impedimento legal fez com que a proposta não fosse adiante. Entre outras coisas, argumentava-se que: Mafalda segue sendo na memória coletiva dos argentinos a menina que pergunta, a questionadora, irreverente, e inesperada, que propôs tantas interrogações incômodas e nos fez refletir sobre nossos hábitos, crenças, preconceitos e lugares comuns, ajudando deste modo a construir uma sociedade melhor.
Fonte: Prensa Latina

Nossa fonte: Vermelho

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dia 16: Dia Mundial da Alimentação


Ibase defende mecanismos contra aumento de preços dos alimentos


      A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) comemora domingo (16) o Dia Mundial da Alimentação, com o tema Preço dos Alimentos: da Crise à Estabilidade. A entidade considera que o preço é uma ameaça para a segurança alimentar dos países em desenvolvimento e quer discutir como esse impacto pode ser reduzido entre as populações mais carentes.


      O diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Francisco Menezes, disse à Agência Brasil que o aumento dos preços dos alimentos, que tem ocorrido com certa frequência, mostra que esse não é um problema ocasional. “Há uma característica mais estrutural”.
     Para Menezes, a questão resulta de uma “mercantilização” dos alimentos. Embora reconheça que alimentos são também mercadorias compradas e vendidas, “isso não pode estar acima de todas as coisas. Nós sabemos que por trás dessa volatilidade dos preços está a especulação”. O diretor do Ibase lembrou que especialmente nas bolsas de futuros, os alimentos são tratados como meras mercadorias.
      Por isso, defendeu a criação de instrumentos de proteção. Ele explicou que como o alimento é um bem essencial, garantido pela Constituição brasileira, seus preços não podem ficar ao sabor do jogo dos mercados. No mercado interno, o problema exige, segundo Francisco Menezes, políticas públicas de regulação e impedimento dos excessos especulativos.
     “Mas existe também, no plano internacional, a necessidade de criação de mecanismos que impeçam essas flutuações. Porque o mercado hoje é muito globalizado”. O diretor disse ainda que se o preço de uma commodity agrícola, como o milho, sobe em um país, a repercussão vai ser sentida aqui, sem sombra de dúvida. “Nesse sentido, deve haver um esforço, um mutirão de regulação do mercado de alimentos”.
     Menezes avaliou que, nos últimos anos, o Brasil apresentou avanços importantes na área de alimentação, a partir de ações efetivas de combate à fome e de elaboração de políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, que atenderam aos mais necessitados. “Foi uma combinação dessas iniciativas, como o Bolsa Família e o Programa de Aquisição de Alimentos, que possibilitou grandes avanços. Os últimos dados disponíveis mostram isso”, acrescentou.
     O diretor admitiu, entretanto, que ainda há muito a ser feito em relação ao acesso aos alimentos. “O que se conseguiu não significa que tenhamos chegado ao fim desse trajeto. Há muito a ser trabalhado”, observou. Entre os problemas que precisam ser olhados com mais rigor, ele indicou a qualidade dos produtos. Há a preocupação de contaminação por agrotóxicos, associada ao modelo de produção, que ainda precisa ser transformado, além da mudança dos hábitos alimentares da própria população.
     O Ibase tem um posicionamento firme em relação à publicidade dos alimentos. O instituto não concorda, por exemplo, com o argumento de que interferir na publicidade de alimentos constitui agressão à liberdade de expressão. “A gente acha que isso, ao contrário, é uma utilização da possibilidade, sobre públicos muito vulneráveis, como as crianças, de uma manipulação, por todas as consequências desastrosas que pode gerar uma má alimentação”. 
     Ele acredita que a realização da 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em Salvador (BA), em novembro próximo, será um momento importante para que se estabeleçam diretrizes que orientem os próximos passos a serem dados no Brasil nessa área.


Agência Brasil


Nossa fonte: Vermelho

Morte e Velhice: veja a opinião do Frei Beto


MORRER É TRANSVIVENCIAR

Frei Betto  



      A morte de toda celebridade provoca impacto midiático.  Por isso, os arquivos da mídia guardam obituários da rainha Elizabeth II e do  papa Bento XVI, de Pelé e Neymar, de Demi Moore e Sebastien Vettel.
      A morte nem sempre manda aviso prévio. Se uma  celebridade deixa a vida por acidente, como Ayrton Senna e Lady Di, ou por  causa inesperada, como Michael Jackson e Amy Winehouse, as redações precisam  ter pronto o perfil biográfico do falecido.
      Agora, Steve Jobs morreu aos 56 anos. O impacto é  tanto maior quanto mais prematura e irreparável a perda: não há como clonar  cérebros e talentos geniais. Há pessoas, sim, insubstituíveis. Como já não  estão entre nós, ficamos sem parâmetro de comparação, sem saber o que fariam  no lugar de quem lhes sucedeu.
      Sim, sabemos todos que ninguém é imortal. Em  determinado dia, mês e ano do calendário cada um de nós deixará este mundo. O  que choca é ver alguém morrer antes do tempo... Sobretudo quando se respira  uma cultura de preconceito à velhice.
      Chamar, hoje, alguém de velho é uma ofensa. No máximo,  admite-se “idoso”. E haja eufemismos para qualificar quem passou dos 60:  terceira idade, melhor idade etc. Vi escrito numa van: “Aqui viaja a turma da  dign/idade”.
      Como velho que sou, rejeito tais artimanhas da  linguagem. A melhor idade é dos 20 aos 35 anos (embora a ditadura, ao  encarcerar-me, tenha me roubado 4). Se é para inventar eufemismo, melhor ser  realista e considerar, nós velhos, a turma da eterna idade, já que estamos  naturalmente mais próximos dela...
      Nossa cultura pós-moderna lida muito mal com a morte.  Busca ansiosamente o elixir da eterna juventude: academias de ginástica,  anabolizantes, macrobiótica, cirurgias plásticas etc. Na minha infância,  criança era quem tinha de zero a 11 anos. Adolescente, de 11 a 18. Jovem, de  18 a 30. Adulto, de 30 a 50. Velho, mais de 50.
      Hoje, tem-se a impressão de que criança é de zero a  18, quando se vive na dependência dos pais. Adolescente, de 18 a 30, sem  segurança quanto a compromissos afetivos e profissionais. E, jovem, dos 30 em  diante, ainda que se tenha 80 ou 90...
     O mundo desencantou-se, disse Max Weber. Religiões e  ideologias estão em crise. Pouco se pergunta pelo sentido desta vida e,  portanto, muito menos o que nos espera na outra. A relativização de valores e  a desculpabilização ética exorcizam o medo de padecer eternamente no inferno.
     A morte, como fato social, é tratada como  inconveniente: não há rituais fúnebres. Morre-se no hospital, faz-se breve  velório, crema-se o corpo, espalham-se as cinzas ao pé de alguma árvore. E  vira-se a página. Não há luto nem memória do falecido. E em famílias ricas não  raramente a briga por herança começa antes de o defunto  esfriar.
     As escolas deveriam educar seus alunos  quanto aos ritos de passagem inevitáveis ao longo da vida. Eles aprenderiam  que a morte não merece credibilidade porque, em si, não existe. Existem a  passagem para quem se foi e a perda para quem ficou.
     Há famílias que cometem o erro de evitar que as  crianças compareçam ao velório de entes queridos. Elas ficam com uma incômoda  interrogação na cabeça frente ao “sumiço” do parente  querido.
     Não gosto do verbo morrer. Prefiro  transvivenciar. Por uma questão de fé e sentimento. Quando nascemos, todos  riem e nós choramos. Quando transvivenciamos, ocorre o  contrário.
      A vida é um milagre excepcionalmente belo  para enclausurar-se nos poucos anos que nos são dados viver. Acredito que, ao  sair do casulo, todos haveremos de virar borboletas – o que é ainda mais belo  e promissor.

Frei Betto é escritor, autor do romance “Minas do  Ouro” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
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Mobilização mundial neste sábado em defesa da democracia e contra o neoliberalismo: