Ilda e Ramon - Sussurros de Liberdade

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Google vai divulgar dados de usuários


Aprenda a se proteger


A nova política de privacidade do Google entra em vigor em todo o mundo em 1º de março, mas já desperta polêmica entre os internautas. No final de janeiro, a companhia anunciou que iria juntar os dados coletados dos usuários em todos os serviços que oferece, entre eles email, redes sociais e YouTube, para criar uma experiência “simples e intuitiva”.


A ação visa eliminar os obstáculos que a gigante da internet enfrenta para usar informações de um usuário do Gmail para o YouTube, por exemplo. Segundo a empresa, suas mais de 70 políticas diferentes, ou termos de uso assinados pelos internautas, vão ser compactadas em uma principal e 12 outras.

A mudança deve ajudar os anunciantes a encontrarem potenciais clientes e a personalizar as buscas dos usuários, seguindo, por exemplo, informações enviadas em emails.

A Microsoft lançou anúncios dizendo que seus serviços preservam os usuários e reguladores da União Europeia protestaram contra a política, além de pedirem mais tempo antes de sua aplicação para analisar se a privacidade dos usuários estaria devidamente protegida.

O Centro para Democracia Digital dos Estados Unidos também apresentou uma reclamação a Federal Trade Commission (FTC), na qual solicita que o Google seja processado para eliminar a nova politica de privacidade e multado. Caso isso ocorra, a FTC pode impor multas de mais de 16 mil dólares por dia para cada violação.

Mas ainda há tempo para aqueles que quiserem manter seus passos na internet em segredo –antes que o Google construa um perfil permanente que pode incluir informações pessoais como idade, sexo, localização e até mesmo sexualidade – antes da mudança.

Até 29 de fevereiro, é possível apagar o histórico de navegação, que vai limitar a extensão dos tópicos acompanhados pelo Google, que pode incluir os seus “segredos virtuais”.

Veja os três passos abaixo:

1 – Acesse a homepage do Google e faça o login em sua conta de email. Após isso, clique em cima do login na home para habilitar um menu. Entre na opção “Configurações de Conta”.

2 – Encontre a sessão “Serviços” e o link “Veja, ative ou desative o Histórico da web”. Clique em “Acessar Histórico da Web”.

3 – Na próxima página, clique na aba “Remover todo o histórico da Web”.

Desabilitar o histórico não evita que o Google use os dados para fins internos, mas a empresa irá torna-los anônimo em 18 meses. Além disso, a busca personalizada é desativada.

Mesmo que o usuário não esteja logado em seu email, o Google pode traçar o seu perfil pelo IP do computador. Logo, a forma mais segura de limpar um histórico pessoal é logando-se a sua conta.

Fonte: Carta Capita

Tradição nas Alterosas


Jesus com cachaça
Caeté mantém tradição de mais de 200 anos. Crença é de que preserva imagem contra cupins

Homens dão banho de cachaça em imagem de Cristo em Minas


Em silêncio absoluto e total sinal de respeito, os sete homens entram na igreja, em fila e carregando garrafas de aguardente, da mesma forma como fizeram os seus antepassados. Em poucos minutos, eles vão dar início a um ritual secreto de mais de 200 anos que marca a quarta-feira de cinzas no distrito colonial de Morro Vermelho, em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

Por Gustavo Werneck, no Estado de Minas


 A medida, conforme reza a tradição, é para evitar que a madeira se deteriore ao longo dos anos ou seja alvo dos cupins. Coincidência ou não, o fato é que essa é a única peça sacra da Matriz de Nossa Senhora de Nazareth ainda não atacada pelos insetos ou destruída pela ação do tempo.

A entrada no templo barroco, nesse momento, é proibida às mulheres – sempre foi assim e elas não reclamam, certas de que o costume deve ser mantido. O primeiro a chegar à porta da matriz, por volta de 12h50, é Antônio Itamar Vieira, conhecido como Gelatina, de 58 anos. Há 25 anos ele participa do misterioso ritual, que dura cerca de uma hora e até o instante em que Cristo é posto sob um andor com a cruz às costas. “Para nós, Jesus é um pai, então fazemos tudo com muito cuidado”, afirma Antônio Itamar, que trabalha como vendedor, tem quatro filhos e um neto.

A imagem tem 1,85m e é toda articulada. Tiras de couro fazem as ligações dos braços e pernas. Segundo o grupo, é a única do país que fica de pé no altar. Durante todo o ritual, favorecidos talvez pela atmosfera barroca da matriz e o dia nublado, há momentos muito simbólicos, que remetem aos séculos 18 e 19. Um deles é quando o aposentado Walter Estefânio, de 62, nascido e criado no distrito, tira a peruca de Cristo e vai passando a cabeleira para cada um, como se fosse uma irmandade. “É para dar boa sorte”, explica o paulista José Carlos Escalina Dias, de 62, que há cinco passou a fazer parte do grupo. “Tenho muita fé, isso é o mais importante. Na primeira vez, cheguei a arrepiar”, conta José Carlos, casado com Isabel, nascida em Morro Vermelho.

Assim que o Cristo desce do altar, é carregado por todos e imediatamente colocado sobre um pano roxo, dobrado. Depois, os pés são postos dentro de uma gamela de madeira. A cena vem sendo presenciada por Nildo Jesus Leal, de 70, desde quando ele tinha 18 anos, e sempre causa emoção. “Eu era menino e ficava olhando os mais velhos, pela fresta da porta, ansioso para chegar o dia em que poderia estar presente. O meu avô era um dos que davam o banho de cachaça no Cristo, mas meu pai, não. Quem me trouxe pela primeira vez foi o avô do meu amigo Toinzinho”, recorda-se Nildo. Ele abre os botões da veste de veludo roxo, dobra a roupa com cuidado, depois da veste de linho branco, deixando a imagem apenas com um tipo de anágua também imaculadamente branco e do mesmo tecido. Nildo conta que as roupas serão enviadas para lavar e, agora, substituídas por outras limpas.

De acordo com informações da Arquidiocese de Belo Horizonte, à qual a Matriz de Nossa Senhora de Nazareth está ligada, o ritual é de responsabilidade dos leigos e só tem participação deles, sem a presença de integrantes da Cúria, padre ou outros religiosos.

Água Benta 

Cada participante pega a sua garrafa, umas de plástico, outras de vidro, e começa a despejar a cachaça, com movimentos suaves, com as mãos, na cabeça, nos braços, pernas e pés. O líquido que escorre será recolhido e aproveitado em diversas ocasiões, diz o pedreiro Antônio Lopes, de 51, o Toinzinho. “Serve para curar feridas e ajudar os enfermos. Da mesma forma, as roupas recém-retiradas do santo podem ser usados por quem estiver doente”, revela Toinzinho, para quem o ritual tem um ar de mistério. O sineiro Sudário José Leal, de 74, é outro que já viu décadas e décadas desse ritual, e não se cansa. “É nossa história”, resume. No momento em que a pinga escorre, Antônio Agostinho dos Reis, com seriedade, aponta os pingos: “Pode pegar um pouco que é benta”. 

A etapa seguinte é enxugar a imagem, nesse momento totalmente despida. Nildo veste as roupas limpas e, junto com os amigos, ergue a imagem sobre o andar. Durante toda a quaresma ele fica em destaque na matriz, saindo em procissão no Domingo de Ramos, dia em que, em Morro Vermelho, há o encontro entre Nossa Senhora e Jesus, e na cerimônia do descendimento da cruz e procissão do enterro, na sexta-feira da paixão.

Por volta das 14h, um grupo de mulheres aguarda o momento de entrar na igreja para fazer a limpeza. Elas não demonstram curiosidade pelo que se passa na nave central do templo. “É algo tão antigo, que a gente nem se importa”, diz a dona de casa Maria de Lourdes Xavier Lopes, de 58. “É tradição, então por que iria nos incomodar?”, pergunta Nilza Batista da Silva de 65. Ao lado, estão as amigas Vera Lúcia Madeira Pinto, de 49, Darlene Batista Pinheiro, de 42, e Gilda Lopes, de 61. “Acho que vou tomar um pouquinho dessa pinga hoje, mas me disseram que amarga”, diz Darlene, com bom humor.

Publicado no jornal Estado de Minas

Uma agenda para a esquerda só pode ser mundial


O que pode unificar distintas matizes da "nova" e da "velha" esquerda - contra as políticas de decomposição das funções públicas do Estado - é o exercício, pelo Estado, de políticas antagônicas às ditadas pelas agências privadas, que hoje orientam políticas e são responsáveis pela crise. O neoliberalismo foi abalado, mas não sucumbiu. Se os partidos de esquerda não reduzirem o pragmatismo e não se unificarem numa agenda avançada, o que foi obtido até aqui pode ser perdido.

Tarso Genro*


Conceber a obtenção de conquistas reais dentro do regime capitalista da selvageria financeira, implica considerar que o capitalismo – ele próprio – pode ser mais democrático, política e economicamente. Isso supõe aceitar que ele também pode sair da "enrascada" em que se encontra - sem que haja uma revolução - ainda mais forte, mais agressivo e ainda mais autoritário do que no presente. E que, via de consequência, essa saída pode e deve ser disputada, mesmo que não haja uma ruptura, pois dela podem resultar coisas piores, ou melhores para a humanidade. Nesta última hipótese, para perspectivas de menos guerras, menos injustiças e desigualdades, com a criação de um ambiente mundial política e culturalmente mais favorável aos ideais democráticos do socialismo: ou seja, criar condições fora da antítese do "quanto pior, melhor", pois a vida tem demonstrado que "quanto pior, pior".

Para que se concorde com esta análise sumária é preciso ter em consideração que a sua base histórica é a seguinte: parte-se do pressuposto que a disputa, hoje, é entre saídas neoliberais para crise, de um lado, e saídas neo-sociais-democratas, de outro. Não, infelizmente, entre saídas capitalistas e saídas socialistas "strictu sensu". Esta última possibilidade, saída socialista, implicaria em conceber que estaríamos "novamente" à beira da crise geral do sistema, tanto do seu poder político, como militar. Como isso não é possível supor, é razoável entender que a disputa, na verdade, é sobre qual vai ser a próxima correlação de forças no período subsequente à crise, bem como as influências que ela deixará sobre as democracias políticas do ocidente.

O presente artigo, não tem o propósito de apresentar uma agenda “unitária” para a esquerda mundial, mas visa chamar atenção para a necessidade de construí-la, a partir das forças políticas de “dentro” de cada país. Este “dentro” contém “em si”, o “fora”, o mundo globalizado por inteiro na sua política e na sua economia. A repressão, o constrangimento, a repressão de “dentro”, no próprio sistema democrático, contém o “fora” sistemicamente. O “dentro” e o “fora” integram a mesma totalidade. O que implica dizer que não existem mais estratégias políticas “contra o fora”, como no período de formação dos estados nacionais, mas somente estratégias “com o fora”, ou seja, a transformação nacional e internacional está contida no mesmo processo transformador.

A internacionalização radical da política outorgada pela teoria ao proletariado universal foi realizada pelo anti-humanismo universal do capital financeiro, que capturou os estados e suprimiu soberanias. Quando se fala em agenda "unitária" em termos globais, porém, não se quer dizer "fechada", totalizante, a ponto de criar a ilusão de que os movimentos "esquerdistas", naquele sentido já clássico do jargão leninista, possam - por exemplo - valorizar eleições e governos, conquistas dentro da ordem e integração entre lutas sociais e ações de governo: políticas concretas de redução das desigualdades, reformas educacionais dentro da democracia política e crescimento econômico, com inclusão social e produtiva.

A reestruturação produtiva do capital mudou o perfil do mundo do trabalho e reorganizou as formas de compra da força de trabalho, nas regiões mais desenvolvidas do sistema capitalista global. Tal processo mudou a realidade que a esquerda deve lidar, porque as revoluções produtivas também vem alterando o modo de vida e a subjetividade do conjunto de grupos e frações de classes, de todos os setores assalariados e não assalariados. Aos excluídos, em geral, alocados como exércitos de reserva da produção industrial, somam-se -nos dias de hoje- os excluídos do conhecimento, dos novos padrões tecnológicos e das técnicas de acesso ao conhecimento. A vanguarda do trabalho produtivo e socialmente útil, está submetida, também, a um funil de passagem cada vez mais estreito e com diferenciações salariais internas cada vez mais gritantes. Inclusive já baseadas em novos tipos de sub-empregos, precariedades e intermitências.

Refiro-me, nesta análise, à situação do mundo do trabalho, não somente assalariado, dos países que formam o núcleo e a periferia industrializada do sistema-mundo. São os lugares onde tem chances de ocorrer os movimentos políticos e as lutas mais agudas, com alguma capacidade de interferir na situação caótica do mundo globalizado.

Neste quadro, as "mensagens", as "palavras-de-ordem" tradicionais e análises clássicas da esquerda, alicerçadas naquilo que foi conformado pelo marxismo dominante (como ideologia do proletariado clássico), não mais se reportam aos verdadeiros dramas do mundo do trabalho. Ele está espremido pelo desemprego tradicional, nas novas formas "livres" de prestação de serviços, na desvalorização do trabalho mecânico da fábrica moderna e no império do trabalho imaterial nas redes. A predominância da ética da descartabilidade vem liquidando com a velha ética do trabalho fabril, que chamava as consciências para o público e não para a privatização das emoções.

Nos territórios do ocidente em que isso ocorre, as mudanças expressivas na produção material e imaterial, também já passaram a não respeitar, integralmente, as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo privado: entre vida cotidiana e processos do trabalho, entre lazer a trabalho. A dependência jurídica – e a submissão política no interior da fábrica moderna - se é verdade que vem libertando da tutela patronal direta os trabalhadores da vanguarda produtiva (os ligados aos "bits", à info-digitalidade e à informação, por exemplo) e criando, ao lado deles, legiões de excluídos e baixos assalariados, vem também intensificando as formas mais duras de expropriação do trabalho imaterial. Seus métodos de dominação impulsionam a adesão a novos "modos de vida", cuja sociabilidade tende a reproduzir, em tempo integral, a exploração da força de trabalho imaterial.

As novas formas de produção também vêm reduzindo a responsabilidade social das empresas -cada vez mais alheias à preservação de um estoque mínimo de trabalhadores comuns qualificados - e, ainda, aumentando o controle pelo resultado e a fragmentação de tarefas. Tanto na concepção como na realização. Assim, fica mais reduzida a subordinação direta contratual: reduz-se a integração do trabalhador na vida coletiva da empresa e também a responsabilidade empresarial sobre os contratos, mas aumenta a subordinação geral, de classe, pois os movimentos coletivos dos trabalhadores ficam mais fragilizados. Nesta hipótese, há uma transcendência da dominação tradicional da subordinação fabril, para uma dominação completa da vida por inteiro.

Tal contexto abarca a natureza do consumo, a redução do espaço público para a fruição livre, a uniformização de uma indumentária que integra, pela aparência, os setores assalariados com os padrões das classes privilegiadas. É notório, ainda que, cada vez mais, o próprio lazer é "produzido" como lazer mercantil, ditado e ocupado por inteiro pela acumulação. Os mega-shows dos mega-artistas, com mega-públicos e mega-custos, constituem os mega-espaços "rebeldes", onde rebelião, mercadoria e consumo, dominação e liberdades formais, erguem os novos templos das culturais globais. Estas, já iconizadas num espaço onde tudo é aparente identidade coletiva, mas, para cada um dos indivíduos ali presentes, tudo é expressão da sua concreta singularidade.

Lukács dizia, para justificar a passividade dos operários alemães, perante as propostas revolucionárias, que eles ainda "tinham anõezinhos nos jardins", para atrair "sorte" e espantar o "mal", o que seria o símbolo do seu atraso. Isso corresponderia, hoje, a dizer que os potenciais de rebelião da maioria dos jovens de todos os setores assalariados de renda média e baixa, contra as injustiças, estão temporariamente suspensos pelas luzes feéricas dos concertos de Elton John e pelas lembranças das belas canções de Fred Mercury, embora estes artistas não tenham gerado a sua arte para esta finalidade. É lazer, cultura, artes visuais com novas tecnologias, subjetividades pulsantes, mais drogas e álcool, não como livre opção existencial, mas como decurso da lógica do mercado: modo de vida capturado para o anonimato em busca de um sentido.

Os novos e antigos movimentos sociais, que estão no centro da questão democrática, os "sem" teto, terra, proteção social, os hóspedes das praças, os rebeldes das redes sociais, os que não cabem no sistema, os indignados, querem os seus direitos e a sua parte no sistema. Parte destes setores, originários da classe média fragmentada, nem imagina que as suas demandas integrais por inclusão, não podem ser acolhidas no sistema, pois a transição para o "cume", isoladamente, nos melhores postos de trabalho, só pode ser molecular. Podem compreender, porém, que é possível uma transição de parte deles -de alguns grupos que estão "fora", para "dentro" do sistema, abrindo fendas na sua ossatura férrea. No caso , podendo gerar novos mecanismos democráticos de gestão no sistema, alargando a influência da ação política para a resolução da crise que os expeliu.

É o capítulo da disputa pela a hegemonia, portanto, para instituir políticas de desenvolvimento e políticas públicas de coesão social, que apontem para um novo Contrato Social, cuja bases não são somente as instituições republicanas clássicas, mas as combinações destas instituições com as formas de democracia direta, presenciais e virtuais. O sistema atual é, por natureza, limitadamente democrático e centralizador, e a sua unicidade supranacional é determinada pela força coercitiva do capital financeiro globalizado. A participação direta na gestão pública é, por natureza, democrática e aberta. A sua unidade global é demandada pela democracia política, que repele, dentro dos quadros da constituição política, o autoritarismo e a centralização burocrática inerentes ao sistema.

Só a democracia política exercida de forma plena, sobre a gestão do Estado e na definição das suas políticas globais, é capaz de expor a desumanidade das contradições que separam, cada vez mais, regime democrático e capitalismo. O desequilíbrio entre o regime de acumulação, forçado pela especulação, e a necessidade de tomada de decisões públicas no âmbito da democracia, sugerida pela política limitada pela representação, institui desigualdades cada vez mais graves, entre as classes sociais, internamente, e os estados nacionais na geoeconomia global.

Estas desigualdades também ocorrem na escala salarial interna da empresas e na estrutura de salários do funcionalismo estatal. São diferenciais de renda que também são apropriados - a partir das "sobras para poupança" dos altos salários - para fortalecer os laços do capital financeiro com esta nova massa de "rentistas". Ela faz fluir parte dos seus recursos para a ciranda do lucro financeiro.

As formas e os meios pelos quais as crises serão solucionadas -sejam as soluções engendradas pela soberania estatal ou pelas agências de risco- é que determinarão a correlação de forças no próximo período. Só a recuperação da força normativa e da legitimidade política do Estado é que pode gerar um centro aglutinador de poder para enfrentar, concomitantemente -na esfera da política e da economia- uma nova saída neoliberal, ainda mais autoritária e elitista, para a crise do capital, que certamente estender-se-á, no mínimo, por mais cinco anos.

A crise emendou a vitória do tatcherismo sobre a esquerda européia com o fim da URSS; a crise do "sub-prime" com o "euro"; a ocupação do Iraque com o fracasso do Presidente Obama; a emergência do Brasil no cenário mundial com a "flexibilização" da social-democracia européia. O que pode, neste contexto, unificar distintas matizes da "nova" e da "velha" esquerda -contra as políticas de decomposição das funções públicas do Estado- é o exercício, pelo Estado, de políticas antagônicas às ditadas pelas agências privadas, que hoje orientam as políticas de Estado e são responsáveis pela crise. Não é a derrubada do Estado para a instalação de uma nova ordem, que, de resto sequer tem suporte social para configurá-la, que está na ordem do dia.

Os leninistas clássicos precisam compreender que a classe operária é vanguarda apenas para defender os seus direitos no emprego, o que é potencialmente transformador; os sociais-democratas tradicionais precisam compreender que já se afundaram demais no liberalismo economicista e faliram, tanto quanto o regime soviético - e que o resgate dos ideais sociais-democratas só é possível com mais democracia, não com menos -; os radicais do corporativismo precisam compreender que nem revolução, nem cirurgia, podem ser "permanentes" (senão gangrenam), mas que, se as saídas da crise atual se derem nos marcos da rendição grega, mais distantes todos estaremos de qualquer utopia.

Trata-se de um período não revolucionário e de reação política, de falência tanto dos modelos socialistas dito marxistas, como dos modelos da social-democracia clássica: o neoliberalismo está com a sua hegemonia abalada, mas ainda não sucumbiu.

As demandas por direitos, dos movimentos sociais que lutam pela água, pela defesa das suas culturas, das suas terras, do ambiente natural protegido da lógica mercantil; as lutas pela inclusão educacional, pelo direito ao trabalho produtivo ou improdutivo (este voltado para recuperação da natureza depredada), para o cuidado dos velhos e das crianças; as lutas para melhorar as prestações sociais do Estado, as lutas dos trabalhadores por seus direitos, as lutas democráticas pela transparência e pela ética pública, não terão resultados práticos nem estimularão demandas mais complexas, se não tiverem resultados no cotidiano das pessoas, que está subjugado pela ideologia do mercado. Para que o resultado possa ocorrer, porém, é preciso subtrair o Estado da tutela do capital financeiro, que crescentemente esgota a sua capacidade de financiar políticas públicas de dignificação da vida comum. Isso certamente não ocorrerá fora da política, seja ela processada na sociedade civil, para interferir sobre a gestão do Estado, seja ela intra-estatal, a saber, a que se processa entre as instituições e agências políticas, administrativas e financeiras do próprio Estado.

A integração, portanto, das "lutas sociais" com as "lutas políticas" tradicionais, promovidas pelas esquerdas modernas e pós-modernas, pode ser baseada numa agenda comum, que remeta para a recuperação das funções públicas do Estado. Todavia ela não surtirá efeito sem um confronto que tenha diversas origens no cenário global, seja através de eventos como o Fórum Social Mundial, de manifestações pontuais (ainda que impotentes até agora), como as dos indignados espanhóis e dos rebeldes e Wall Street, ou mesmo como as reformas do neo-constitucionalismo boliviano, com a sua árdua tarefa de compatibilizar modos de vida secularmente arraigados e "arcaicos" - tanto do ponto de vista do capitalismo como do socialismo por razões diferentes - com a república, a modernização produtiva e a agregação de valor.

Num outro lugar destas lutas, mas olhando para uma mesma direção, estão as eleições periódicas nas democracias capitalistas mais avançadas, como as que ocorrerão brevemente na França. São elas que, até agora, tem tido potência para -no âmago do Estado- tanto dar sustentação, como desenvolver contrapontos fortes ao neoliberalismo. Os governos nacionais, regionais e locais, que se opõem à "tutela grega" podem ser, juntamente com os movimentos sociais e os partidos de esquerda e do centro democrático, os "agendeiros" do próximo período de lutas, como o Brasil fez na América do Sul.

Embora nosso país tenha começado um novo modelo econômico e desenvolvido uma política de articulação global, para reduzir os efeitos da dominação dos bancos e das agências privadas sobre a nossa economia, sabemos que o desfecho deste processo não é ,nunca, um desfecho exclusivamente nacional. Seu desfecho, ou é vitorioso também no espaço político global ou será derrotado. A extorsão permanente do nosso trabalho e do desenvolvimento industrial e comercial do país, continua sendo processada através da drenagem de riquezas através dos juros e serviços da dívida, que ajudam o sistema especulativo global a manter-se forte. A "confiança" dos investidores no Brasil -refiro-me aos investidores da especulação financeira- é a confiança do “senhor” sobre o “escravo”, pois o “senhor” sabe que o “escravo” não tem outra saída, por enquanto, que não a de continuar submetido.

Se os partidos de esquerda não reduzirem as suas taxas de pragmatismo e não se unificarem numa agenda política avançada, inclusive em termos de reforma política, não atentarem para esta nova etapa estratégica -que deverá ser enfrentada pelo nosso Estado Democrático e suas instituições políticas- tudo que obtivemos até agora poderá ser perdido. O fortalecimento democrático, financeiro, político e militar, do Estado brasileiro (combinado com ousadas políticas de combate às desigualdades sociais e regionais), é a grande contribuição que o nosso país pode dar ao mundo para uma saída da crise por fora da tragédia grega.

As eleições municipais deste ano no Brasil e as eleições nacionais na França, constituem uma modesta preliminar deste novo enredo em direção a 2014 e aos próximos dez anos, para formatar a próxima correlação de forças em escala política globalizada.

Não é de graça que a esfera da política é tão udenisticamente atacada pelos principais meios de comunicação que sempre apoiaram as reformas neoliberais, e também tão atacada pelos pequenos partidos esquerdistas com o mesmo viés moralista. Uns e outros descartam o fortalecimento de um Estado público. Os primeiros porque isso faz mal ao neoliberalismo. Os segundos, porque o fortalecimento democrático do Estado descarta a ilusão revolucionária, que alimenta os seus rarefeitos adeptos que esperam a “crise geral”. Agora sim, sem saída.

(*) Tarso Genro é governador do Estado do Rio Grande do Sul

Fonte: Carta Maior

sábado, 25 de fevereiro de 2012

USP: grávida é arrastada pela Tropa de Choque e desmaia

Em pleno domingo (19) de carnaval, a Moradia Retomada da USP foi invadida pela Tropa de Choque que prendeu 12 estudantes, entre eles uma grávida. A aluna gestante foi arrastada pela PM e chegou a desmaiar. A Rádio Brasil Atual recebeu em seus estúdios na segunda-feira (20), os estudantes Augusto Saraiva e Rosi Santos, presos na operação policial, e a aluna Laura Lima, moradora de outro bloco do Crusp e que presenciou a ação da PM.

Em entrevista à repórter Lúcia Rodrigues, eles relatam a violência vivenciada. No IML, o Instituto Médico Legal, o médico obrigou todos a ficarem nus. "[Ele] mandou a gente tirar a calcinha, senão voltaríamos para a delegacia", afirma indignada a estudante Rosi Santos. 

Confira abaixo a entrevista aos estudantes realizada pela Rádio Brasil Atual:

http://www.youtube.com/watch?v=tESNNolMudk&feature=player_embedded
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Nossa Fonte: Vermelho

Martinho da Vila faz show gratuito


Nos 90 anos do PCdoB 


O cantor e compositor Martinho da Vila se apresenta no dia 24 de março no show ‘Brasil em Festa: 90 anos do PCdoB’ na casa de espetáculos Vivo Rio. 

Por Sheila Fonseca


A casa de shows Vivo Rio apresenta no dia 24 de março para o evento de cultura e cidadania ‘Brasil em Festa – Show de Martinho da Vila: 90 anos do PCdoB’. O show é parte integrante das comemorações de 90 anos do Partido Comunista do Brasil, que completa no dia 25 de março nove décadas presente no cenário político e sociocultural brasileiro.

O evento reúne atividade cultural além de manifestações públicas de intelectuais e militantes de causas sociais pertencentes ao PCdoB. O cantor Martinho da Vila, filiado ao PCdoB, apresenta no show sucessos que marcaram seus mais de 40 anos de carreira na história da música popular brasileira.

Estarão presentes no evento artistas, intelectuais e militantes do PCdoB de todo o país. Segundo o Secretário de Comunicação do PCdoB José Reinaldo de Carvalho, o evento é antes de tudo um ato histórico que marca a passagem de um partido que se funde à história do país: “O Partido Comunista do Brasil atravessou muitas etapas, deitou raízes profundas no solo nacional, desenvolveu-se inserido nos grandes acontecimentos do país, nos quais influiu, projetou o seu prestígio internacional e se tornou corresponsável por muitas conquistas democráticas e nacionais do povo brasileiro.”, comenta José Reinaldo.


Serviço:“Brasil em Festa – Show de Martinho da Vila: 90 anos do PCdoB”
Vivo Rio - Avenida Infante Dom Henrique, 85, Glória/RJ. Censura Livre. 
Data: 24/03
Horário: 19h
Entrada franca com entrega de convites antecipados. Para mais informações, entrar em contato com o comitê estadual ou com comissão organizadora da festa dos 90 anos.

Nossa Fonte: Vermelho 
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Funarte realiza mostra de teatro e dança para retomar Mambembão


 Fundação Nacional de Artes (Funarte) promove, a partir do próximo dia 28, uma mostra que pretende ser o piloto de um resgate do Projeto Mambembão, que marcou época nas décadas de 1970 e 1980. 



A iniciativa trará ao Rio, até 1º de abril, grupos de teatro de outros estados, que normalmente não conseguem apresentar seus trabalhos no Sudeste, embora tenham feito montagens que alcançaram sucesso de público e crítica.

Realizado, pelo então Serviço Nacional de Teatro (SNT), do Ministério da Educação, o Mambembão fomentava a circulação de espetáculos de teatro e dança das cinco regiões do país. A Funarte pretende relançar o projeto por meio de um edital que irá contemplar produções independentes ou de grupos e companhias de dança ou de teatro.

"A Funarte, ao reeditar o projeto, abre espaço ao talento e à criatividade de artistas do país inteiro. É também uma forma de dar visibilidade a grupos que muitas vezes têm um trabalho de destaque em suas cidades, mas nem sempre conseguem se apresentar em outras regiões”, explica o presidente da Fundação, Antonio Grassi.

Com curadoria na área de dança da produtora Regina Levy e na área de teatro do crítico Macksen Luiz, a mostra piloto terá 15 espetáculos em três teatros administrados pela Funarte no Rio de Janeiro: Dulcina, Cacilda Becker e Glauce Rocha.

No Teatro Dulcina, no centro do Rio, serão apresentados os espetáculos de dança Perfume para Argamassa, de Goiás, e O Fio das Miçangas, de Pernambuco, e as peças teatrais Heróis, O Caminho do Vento, de Brasília, Arvores Abatidas ou para Luis Mello, do Paraná, Anjo Negro, de Mato Grosso, e o grupo In.co.mo.de.te, do Rio Grande do Sul.

Ainda no centro, o Teatro Glauce Rocha abrigará três peças: Isso te interessa? (PR); Essa Febre Que Não Passa (PE) e Cabaré das Donzelas Inocentes (DF). No Teatro Cacilda Becker, no Catete, serão apresentados cinco espetáculos de dança - Novo Algo de Sempre (MG); 1(Uma) (SC); Vago (MG); Rastros Híbridos (AM) e Sol (BA) – e três de teatro: Pólvora e Poesia (BA); É Só uma Formalidade e Outro Lado, ambos de Minas Gerais.

Todos os espetáculos da mostra serão apresentados às 19h, com ingressos a R$ 5 e a R$ 2,50, a meia-entrada para estudantes e idosos.

Fonte: Agência Brasil


Gripe pode impulsionar o risco a Alzheimer


Por Dalane Santos em O Berro

     Quando saímos de uma gripe, com dor de garganta e no corpo, costumamos pensar que o pior já passou. Mas algumas infecções virais podem ter efeitos duradouros e invisíveis sobre o cérebro, sugere uma pesquisa recente.
     O estudo insinua que os vírus como o da gripe e herpes podem deixar as células cerebrais vulneráveis à degeneração quando nos encontramos em idade avança, e aumentar o risco de desenvolver doenças como Alzheimer e Parkinson. Isso porque estes vírus podem entrar no cérebro e desencadear uma resposta imune, uma inflamação, que pode danificar as células cerebrais.
      De acordo com o Dr. Ole Isacson, professor de neurologia da Escola de Medicina de Harvard, os vírus e outras fontes de inflamação podem ser os fatores iniciais de algumas das doenças neurológicas mais comuns.
      É improvável que um surto da gripe cause danos significativos. Mas, ao longo da vida, as lesões das células se acumulam, segundo Isacson, e junto com pressões locais, isso pode matar as células e desenvolver doenças no cérebro. A quantidade de infecções obtidas pode ser a diferença entre uma pessoa desenvolver mal de Parkinson com a idade de 65 ou aos 95 anos, afirma Isacson.
      É possível que o enfraquecimento da inflamação, que ocorre logo após a infecção viral, possa reduzir os danos causados as células e o risco de desenvolver doença cerebral posteriormente. O neurologista apontou para um estudo de 2011, no qual 135 mil homens e mulheres descobriram que aqueles que tomaram ibuprofeno (um medicamento que pode reduzir a inflamação) possuíam 30% menos probabilidade de desenvolver Parkinson ao longo de um período de seis anos em comparação com aqueles que não tomaram a medicação.
 Infecção cerebral
      Um dos primeiros elementos que evidenciam a ligação de vírus com doenças cerebrais vem da pandemia de influenza de 1918. Depois do surto, houve um aumento dramático nos casos de uma doença conhecida como parkinsonismo pós encefalite, que tem muitos dos mesmos sintomas que o mal de Parkinson.
      Em um teste mais rigoroso dessa ligação, um estudo de 2009 mostrou que os camundongos injetados com o vírus da gripe H5N1 desenvolveram infecções celulares em uma região do cérebro conhecida por ser significativamente afetada pelo mal de Parkinson.
      A investigação também mostrou que a infecção com alguns vírus da herpes pode aumentar o risco de mal de Alzheimer. E muito raramente, encefalite ou inflamação cerebral provocada por vírus pode levar diretamente a uma forma aguda, mas transitória, do mal de Parkinson.
      Mas cada vez mais as infecções virais em nosso cérebro são silenciosas, diz Isacson. Segundo ele, nós não vemos o impacto destas infecções até a degeneração cerebral ser substancial.
  Como prevenir
      Várias semanas após a infecção, as moléculas inflamatórias conhecidas como citocinas atingem um pico de concentração, comenta Isacson. É esta "tempestade de citocinas" que Isacson e seus colegas suspeitam ser responsável pelos danos das células cerebrais associadas a infecções virais.
       Se os pesquisadores pudessem encontrar uma forma de bloquear o acontecimento deste pico, eles poderiam reduzir o risco de certas doenças neurológicas.
      Além disso, os pesquisadores também poderiam tentar identificar os vírus que causam as chamadas tempestades de citocina particularmente mais graves, para melhor 

Vila Isabel homenageia Angola e faz tributo a Martinho da Vila


A Vila Isabel escolheu fazer carnaval com a história de Angola e sua contribuição para o Brasil. Com o enredo "Você semba la... que eu sambo cá. O canto Livre de Angola!", a escola fechou a apresentação na primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro e mostrou que nossa ligação com o país vai muito além da língua portuguesa.


Rodrigo Gorosito/G1
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.Martinho da Vila canta com a plateia no desfile da Vila Isabel.
A Vila encontrou nas tradições trazidas pelos negros angolanos origens do samba e fez, ao fim do desfile, um tributo a Martinho da Vila. A apresentação da escola foi assinado pela carnavalesca Rosa Magalhães.

O percurso por esta região da África começou com a comissão de frente representando a savana africana. Os integrantes passaram pela Sapucaí dentro de uma alegoria que retratava um pedaço do bioma. Negros lutavam com animais e desenvolviam coreografias sobre o carro.

A fauna selvagem angolana foi o tema do carro abre-alas. Na frente do carro, Gabriela Alves vestiu a fantasia das riquezas naturais da angola. O primeiro setor da escola trouxe foliões em alas que representavam zebras, girafas e pássaros africanos.

O segundo carro representava o "Imbondeiro, a árvore da vida". Em Angola, ele é considerada sagrado. Da árvore são tirados medicamentos e água, além e ela também costuma ser usada como esconderijo em tempos de guerra.

"Na corte da rainha Njinga" foi o nome do terceiro carro. Nascida em 1580, ela foi uma das maiores heroínas da parte central da África. Ela impressionou os portugueses por ser uma líder habilidosa e até chegou a ser batizada com o nome de Ana de Souza, mas nunca deixou de lutar contra a dominação estrangeira.

Navio negreiro

A quarta alegoria, "O navio negreiro aporta no cais do Valongo", representou a travessia dos africanos no Porto de Luanda, em Angola, até o cais do Valongo, no Rio. A chegada de Dona Tereza Cristina ao cais brasileiro foi o tema da quinta alegoria. A vinda da imperatriz fez com que o local passasse por uma grande reforma na década de 1840.

A adaptação dos negros às novas condições de vida foram contadas no sexto carro: "Festas de largo". De forma clandestina, eles recriaram seus cultos somados com novas experiências religiosas recebidas dos portugueses. Congadas, Festas do Divino e as coroações do Rei de Congo e da Rainha de Ginga aparecem no setor.

"O negro rei Martinho e sua corte" apareceram em festa no carro que fechou o desfile. Martinho da Vila é considerado embaixador cultural do Brasil em Angola. Além de um artista reconhecido ele também engajado. O sambista é filiado ao PCdoB.

Da redação, com informações do G1

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Nossa fonte: Vermelho
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Anvisa lança guia para evitar doenças transmitidas por alimentos


Conhecidas como DTA, as doenças transmitidas por alimentos podem provocar complicações na saúde, como infecções, ou até mesmo a morte de idosos, crianças, gestantes, convalescentes e outros grupos de indivíduos vulneráveis. Por isso a Anvisa lançou um guia ilustrado explicando como evitar a contaminação de alimentos na hora da manutenção e preparo.


Por Christiane Marcondes


Cartilha Anvisa

Segundo o órgão regulador, “há mais micróbios em uma mão suja do que pessoas em todo o planeta”. Pior: quando uma pessoa vai ao banheiro e não lava as mãos, ela dobra o número de micróbios entre os dedos.
Daí a importância do guia Anvisa, que pode conscientizar populações mais carentes ou mesmo pessoas que manipulam grande quantidade alimentos para servir refeições a grupos quanto aos riscos envolvidos na tarefa. Que começa com a escolha, depois armazenamento, preparo, limpeza e coleta de lixo ao final.
Bactérias na comidas micróbios podem ser divididos em vírus, bactérias e fungos. A maioria das DTA são provocadas pelas bactérias. Portanto, é preciso estar alerta já que as bactérias são responsáveis por quadros graves de saúde, como a temida infecção hospitalar, por exemplo.
     Os micróbios se multiplicam nos alimentos quando encontram condições ideais de nutrientes, umidade e temperatura. Portanto, é preciso cuidado também no armazenamento, além do preparo das refeições.
     Quando as condições do alimento são ideais para o micróbio, uma única bactéria pode se multiplicar em 130 mil durante apenas 6 horas. Daí a importância dos refrigeradores e balcões de self-service, mas esses equipamentos só evitam o perigo se estiverem na temperatura adequada: geladeira, abaixo de 5°C; balcão de self-service, acima de 60°C.
     Também é preciso estar saudável quando a pessoa for preparar o alimento. Cortes e resfriados podem contaminar a comida. É importante ainda evitar tossir, espirrar ou mesmo "falar" demais quando se está manipulando o preparo da refeição.
     A limpeza do local de trabalho é outro item fundamental à prevenção de DTA e inclui não permitir a proliferação de insetos como baratas ou ratos. Como manipular o lixo ou a correta higiene após ida ao banheiro são outros aspectos que o guia aborda com riqueza de detalhes.
Como encontrar o guia 
     As informações, organizadas em linguagem simples e ilustrada, são amplas, contemplam todos os aspectos do problema que pode desencadear verdadeiras epidemias em ambientes como um hospital, por exemplo, ou uma cantina de escola.

     A Cartilha sobre boas práticas para serviços de alimentação pode ser encontrada no site da Anvisa. Você pode baixar o documento no link: 
http://www.anvisa.gov.br/divulga/public/alimentos/cartilha_gicra_final.pdf

Nossa fonte: Vermelho 

A nova estratégia de defesa dos EUA: tentando manter o domínio

Alberto Cruz (1)

O declínio do poderio dos EUA não se detém. Esta constatação, já pouco questionável, é confirmada quando se analisam as decisões do governo Obama, como a anunciada em prática em janeiro de 2012: uma nova concepção de defesa desenvolvida a partir da Estratégia de Segurança Nacional de 2010, que se tornou obsoleta em alguns pontos devido à rapidez da mudança geopolítica dos últimos dois anos (como se reconhece agora ao dizer que uma das razões que levaram os EUA a adotar a atual mudança foi a constatação de que "não podemos prever com certeza absoluta como vai evoluir o ambiente estratégico" nos próximos anos). Os EUA falharam em suas previsões há dois anos e agora tentam curar-se através de uma surpreendente, e incomum, quase autocrítica.

Ao falar sobre política externa dos EUA, cuja base é o ESN, devemos partir de uma premissa: o desejo de seguir a estratégia delineada no início de 1950 por Hans Morgentahu, o teórico do realismo "político" nas relações internacionais, para quem "a política dos EUA na luta constante e perpétua de potência mundial, tem de ser desenvolvida em três formas: a política do status quo, a política de prestígio e política imperial" (1). Assumida como tal pelos EUA após a 2ª Guerra Mundial manteve-se inalterada por seis décadas, desenvolvendo-se com maior ou menor grau uma ou outra destas formas, tanto durante o período de confronto com a URSS na Guerra Fria como nas duas décadas em os EUA vem exercendo o papel de única superpotência mundial, após o colapso da União Soviética.
 

Sem entrar em considerações acadêmicas, é digno de nota que esses três pilares da política externa dos EUA têm sido aplicados, isoladamente e/ou em conjunto, sempre que os EUA considerem isso necessário para seus objetivos, independentemente de quem seja o ocupante da Casa Branca, e com o objetivo explícito de afirmar seus "interesses nacionais vitais" em todo o planeta.

Agora a situação mundial tornou impraticável esta histórica aplicação da política externa dos EUA. A emergência do eixo BRICs, especialmente a China; a rejeição aos EUA que se tornou visível nas rebeliões árabes, por diferente que seja de país a país; assim como o despertar regional latino-americano, com iniciativas que precisam se firmar, como a CELAC ou a Unasul, mas que demonstram o desejo de se afastar de seu vizinho ao norte, deixa como único eixo sobre o qual gira a dominação mundial dos EUA a política imperialista baseada na superioridade militar. Mas esta precisa confrontar-se com o declínio

Veja na íntegra o lúcido artigo de Albertoi Cruz em: 

Tradução: José Carlos Ruy

(1) Alberto Cruz é jornalista cientista, político e escritor. Seu último livro é
 A violência política na Índia. Para além do mito de Gandhi, publicado com a colaboração do CEPRID. Pedidos podem ser feitos ceprid@nodo50.org libros@lacaida.info
Nossa Fonte:Vermeho