no artigo de dom Tomás Balduino
(Seria um alerta à Pressidenta Dilma?)- Por Redação - de Goiânia e São Paulo (Correio do Brasil)
Em artigo publicado nesta sexta-feira, o mestre em teologia Paulo Balduino de Sousa Décio, bispo emérito da cidade de Goiás e conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra acusa frontalmente a senadora Kátia Abreu (ex-DEM e hoje integrante do PSD), de promover a violência no campo e incentivar o confronto armado.
Na matéria, assinada no sítio Floresta faz a diferença, na internet, d. Tomas Balduino apresenta ainda a indicação de que a senadora, cotada para assumir um posto no governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), usou de seu poder no cargo de presidenta da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins para promover uma “lista dos felizardos” para ganhar grandes glebas de terra naquela região.
Leia aqui o artigo, na íntegra:
Apreensão no campo
Eis o quadro: o pequeno agricultor Juarez Vieira foi despejado de sua terra, em 2002, no município tocantinense de Campos Lindos, por 15 policiais em manutenção de posse acionada por Kátia Abreu. Juarez desfilou, sob a mira dos militares, com sua mulher e seus dez filhos, em direção à periferia de alguma cidade.
O caso acima não é isolado. O governador Siqueira Campos decretou de “utilidade pública”, em 1996, uma área de 105 mil hectares em Campos Lindos. Logo em 1999, uns fazendeiros foram aí contemplados com áreas de 1,2 mil hectares, por R$ 8 o hectare. A lista dos felizardos fora preparada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins, presidida por Kátia Abreu (PSD-TO), então deputada federal pelo ex-PFL.
O irmão dela Luiz Alfredo Abreu conseguiu uma área do mesmo tamanho. Emiliano Botelho, presidente da Companhia de Promoção Agrícola, ficou com 1,7 mil hectares. Juarez não foi o único injustiçado. Do outro lado da cerca, ficaram várias famílias expulsas das terras por elas ocupadas e trabalhadas havia 40 anos. Uma descarada grilagem!
Campos Lindos, antes realmente lindos, viraram uma triste monocultura de soja, com total destruição do cerrado para o enriquecimento de uma pequena minoria. No Mapa da Pobreza e Desigualdade divulgado em 2007, o município apareceu como o mais pobre do país. Segundo o IBGE, 84% da população viviam na pobreza, dos quais 62,4% em estado de indigência.
Outro irmão da senadora Kátia Abreu, André Luiz Abreu, teve sua empresa envolvida na exploração de trabalho escravo. A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins libertou, em áreas de eucaliptais e carvoarias de propriedade dele, 56 pessoas vivendo em condições degradantes, no trabalho exaustivo e na servidão por dívida.
Com os povos indígenas do Brasil, Kátia Abreu, senadora pelo Estado do Tocantins e presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), tem tido uma raivosa e nefasta atuação.
Com efeito, ela vem agindo junto ao governo federal para garantir que as condicionantes impostas pelo Supremo no julgamento da demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol sejam estendidas, de qualquer forma, aos demais procedimentos demarcatórios.
Com a bancada ruralista, ela pressionou a Advocacia-Geral da União (AGU), especialmente o ministro Luís Inácio Adams. Prova disso foi a audiência na AGU, em novembro de 2011, na qual entregou, ao lado do senador Waldemir Moka (PMDB-MS), documento propondo a criação de norma sobre a demarcação de terras indígenas em todo o país.
O ministro Luís Adams se deixou levar e assinou a desastrosa portaria nº 303, de 16/7/12. Kátia Abreu, ao tomar conhecimento desse ato, desabafou exultante: “Com a nova portaria, o ministro Luís Adams mostrou sensibilidade e elevou o campo brasileiro a um novo patamar de segurança jurídica”.
Até mesmo com relação à terra de posse imemorial do povo xavante de Marãiwatsèdè, ao norte do Mato Grosso, que ganhou em todas as instâncias do Judiciário o reconhecimento de que são terras indígenas, Kátia Abreu assinou nota, como presidente da CNA, xingando os índios de “invasores”. Concluindo, as lideranças camponesas e indígenas estão muito apreensivas com o estranho poder econômico, político, classista, concentracionista e cruel detido por essa mulher que, segundo dizem, está para ser ministra de Dilma Rousseff. E se perguntam: “Não é isso o Poder do Mal?” No Evangelho, Jesus ensinou aos discípulos a enfrentar o Poder do Mal, recomendando-lhes: “Esta espécie de Poder só se enfrenta pela oração e pelo jejum” (Cf. Mt 17,21)
Este blog se destina a discutir ideias e caminhos ligados à literatura, à vida de bem com a natureza, à construção de um país mais justo. Buscar ser feliz é nossa obrigação. Vamos falar de livros,artesanatos, bichos,plantas orgânicas, saúde,movimentos sociais. LULA PRESIDENTE!
sábado, 26 de janeiro de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Cepal: Temos muito o que aprender com Cuba na Celac
A secretária executiva da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) assegurou, nesta quarta-feira (23), que Cuba tem muito o que ensinar aos países da região para combater as desigualdades e romper os círculos viciosos da pobreza.

Em entrevista exclusiva para a Prensa Latina, a secretária das Nações Unidas qualificou como muito positivo o fato de que a ilha assuma, no dia 28 de janeiro, a presidência da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), até o momento presidida pelo Chile, na primeira reunião do fórum regional, fundado em dezembro de 2011 em Caracas.
Anunciou que em fevereiro visitará o país caribenho, a fim de pôr à disposição do governo cubano em sua presidência da Celac toda a capacidade da Cepal.
"Queremos que Cuba, como presidência rotativa em 2013 e possivelmente início de 2014, saiba que conta com a Cepal para tudo o que precise, de estudos, de trabalho, de respaldo em todo sentido, para dar toda nossa experiência a este processo de integração", afirmou.
Na opinião de Bárcena, com a Celac se está conseguindo uma aspiração longamente demandada pela própria Cepal, e considera que hoje em dia, esse é um sonho que está se tornando realidade, daí que lhe interessa acompanhar a liderança da ilha.
A especialista das Nações Unidas recordou que durante o ano em que o Chile presidiu a Celac foi dado ênfase no tema dos investimentos econômicos, financeiros, importantes para o desenvolvimento.
E com "Cuba, vai permitir-nos abordar os temas do investimento social, de ver a importância da educação como a grande ponte para combater desigualdades e romper os círculos viciosos de pobreza", enfatizou, convencida de que a educação será um tema que vai ser abordado com muita força.
E relacionado a isso, estimou que outra temática à qual a ilha dará especial atenção na próxima etapa serão as experiências da América Latina e do Caribe para tentar tirar da pobreza mais de 57 milhões de pessoas e zelar pelo futuro destas.
"Ao sair da pobreza, como as sustentamos fora da pobreza? Isso só vai ser conseguido se formos capazes de transformar a estrutura produtiva", reflexionou.
A mexicana Alicia Bárcena recordou que Cuba é um dos países que está fazendo uma mudança estrutural profunda e, portanto, tem muito o que dizer sobre o que significa propiciar uma mudança estrutural do tamanho e da magnitude da que está levando adiante.
"Acho que o resto da região sabe pouco dos avanços de Cuba e dos problemas e desafios que enfrenta para fazer a mudança estrutural da produtividade, (...) de conseguir que os trabalhadores do Estado vão a áreas rentáveis, mas sem perder de vista que o horizonte segue sendo a igualdade e que isso não é negocial", destacou.
Segundo a máxima diretora da Cepal, a América Latina tem feito da igualdade um de seus principais paradigmas, portanto há muito que aprender de Cuba.
"Inclusive devo citar uma frase que me impactou muito, do presidente Raúl Castro, quando disse que em Cuba não estava sendo propiciado o igualitarismo, mas sim a igualdade. E isso me encanta, porque se trata de promover o mérito, mas sempre com base em uma cidadania que tem direitos, os quais são irrenunciáveis, que há um princípio último, ético, e esse é o princípio da igualdade", comentou.
Nesse sentido assinalou que ter a igualdade como horizonte, a mudança estrutural como caminho e a política como instrumento é algo que prepara a região para entrar nesse desafio.
"Cada país tem modelos diferentes e, portanto, há uma grande diversidade de estratégias de desenvolvimento, mas eu acho que há um intercâmbio muito positivo que deve ser acontecer para atingir níveis de igualdade como existem em Cuba, em educação, em saúde", acrescentou.
E por outro lado, sugeriu que quiçá a ilha também requer de experiências da região para melhorar seus índices de produtividade no campo, na cidade, na indústria. "Acho que estamos diante de um prospecto importantíssimo de relacionamento entre nós", disse.
Ao respeito, fez questão de não esquecer que a América Latina e o Caribe é uma região rica em matéria-prima, em pessoas, em conhecimento e, portanto, está certa em olhar para fora, mas é bom olhar também para dentro e ver que muito pode ser conseguido, para um pouco construir a própria resiliência social, econômica, financeira, de maneira regional.
Mais de 50 anos de bloqueio estadunidense contra Cuba
A secretária executiva da Cepal recordou que o organismo que dirige é um dos que envia relatórios à Assembleia Geral das Nações Unidas para que se entenda qual tem sido o impacto econômico e social do bloqueio contra Cuba e seu povo.
"Acreditamos que há necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro. E já são 20 anos de votos consecutivos da Assembleia Geral e esperamos que isto seja escutado plenamente, porque isso vai permitir a Cuba uma inserção total na economia mundial", exclamou.
Bárcena afirmou que essa política hostil ignora as noções de igualdade soberana dos Estados e de não intervenção e não ingerência.
"De por si, Cuba tem feito grandes avanços neste período, talvez e até em certa medida, incentivada pelo próprio bloqueio, o qual é injusto, porque é o povo quem tem pago pelas consequências", considerou.
O dano econômico ocasionado ao povo cubano pela aplicação do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba até dezembro de 2011, considerando a depreciação do dólar frente ao valor do ouro no mercado internacional, ascende a 1,66 trilhão de dólares.
Objetivos da visita a Cuba
Além de pôr à disposição das autoridades cubanas a capacidade da Cepal na nova presidência pró témpore da Celac, em sua visita à ilha, Bárcena participará da celebração dos 50 anos de planejamento em Cuba, que coincidem com os 50 anos da criação do Instituto Latino-americano de Planejamento Econômico e Social (Ilpes).
"Em Cuba vamos lançar um processo importantíssimo agora em fevereiro, de consultas a todos os países e que vai culminar no Brasil em novembro de 2013", já que o gigante sul-americano ocupa a presidência do órgão regional do Conselho de Planejamento Regional (CPR).
Bárcena disse que em novembro de 2012 se reuniu com a ministra de Planejamento e Orçamento do Brasil, Miriam Belchior, e que foi acordado um processo que coincide com o que será lançado a partir de Cuba.
"Porque acreditamos que o planejamento está de volta, planificar é governar. Quem não planifica não governa. E, portanto, não é somente celebrar os 50 anos de Planejamento em Cuba, mas sim que recobremos o Planejamento na América Latina e no Caribe", expressou.
A campanha que se iniciará em Cuba continuará na Guatemala, Equador, México e outros países, até culminar no Brasil em novembro de 2013, com um relançamento do Ilpes, como um órgão de coesão, de acordo regional.
O projeto implica trocar experiências, lições e ver no futuro como se comporta o processo do planejamento, do ordenamento orçamental, do território.
"Hoje em dia, demonstrou-se que planificar tem muito a ver com ter uma visão estratégica de médio e longo prazo", manifestou Bárcena. A visita da secretária a Cuba também está dirigida a preparar a agenda bilateral com o organismo que dirige.
"A mim interessa acompanhar o processo de mudança de Cuba, nos parece que a Cepal é um organismo que tem a responsabilidade histórica de acompanhar Cuba neste processo tão importante de mudança, e precisamente estamos aí, a serviço de Cuba, para poder apoiar essa mudança estrutural tão complicada e tão importante que o país está vivendo", explicou.
É de seu interesse aproximar os vínculos com o Escritório Nacional de Estatísticas, com o qual a Cepal tem uma grande relação. "Para mim, repensar nossa relação bilateral Cepal-Cuba sempre é importantíssima e estamos aí para apoio a qualquer coisa que seja importante para Cuba neste ano", reiterou.
Além disso, expressou que seria importante fomentar a decisão da Cepal de propiciar a participação de especialistas cubanos nos seminários que habitualmente acontecem na sede deste organismo das Nações Unidas, em Santiago do Chile.
"Parece-nos sumamente importante que sempre tenhamos uma representação de Cuba em tudo o que a Cepal faz na região", concluiu.
Fonte: Prensa Latina (Nossa fonte: Vermelho)
Em entrevista exclusiva para a Prensa Latina, a secretária das Nações Unidas qualificou como muito positivo o fato de que a ilha assuma, no dia 28 de janeiro, a presidência da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), até o momento presidida pelo Chile, na primeira reunião do fórum regional, fundado em dezembro de 2011 em Caracas.
Anunciou que em fevereiro visitará o país caribenho, a fim de pôr à disposição do governo cubano em sua presidência da Celac toda a capacidade da Cepal.
"Queremos que Cuba, como presidência rotativa em 2013 e possivelmente início de 2014, saiba que conta com a Cepal para tudo o que precise, de estudos, de trabalho, de respaldo em todo sentido, para dar toda nossa experiência a este processo de integração", afirmou.
Na opinião de Bárcena, com a Celac se está conseguindo uma aspiração longamente demandada pela própria Cepal, e considera que hoje em dia, esse é um sonho que está se tornando realidade, daí que lhe interessa acompanhar a liderança da ilha.
A especialista das Nações Unidas recordou que durante o ano em que o Chile presidiu a Celac foi dado ênfase no tema dos investimentos econômicos, financeiros, importantes para o desenvolvimento.
E com "Cuba, vai permitir-nos abordar os temas do investimento social, de ver a importância da educação como a grande ponte para combater desigualdades e romper os círculos viciosos de pobreza", enfatizou, convencida de que a educação será um tema que vai ser abordado com muita força.
E relacionado a isso, estimou que outra temática à qual a ilha dará especial atenção na próxima etapa serão as experiências da América Latina e do Caribe para tentar tirar da pobreza mais de 57 milhões de pessoas e zelar pelo futuro destas.
"Ao sair da pobreza, como as sustentamos fora da pobreza? Isso só vai ser conseguido se formos capazes de transformar a estrutura produtiva", reflexionou.
A mexicana Alicia Bárcena recordou que Cuba é um dos países que está fazendo uma mudança estrutural profunda e, portanto, tem muito o que dizer sobre o que significa propiciar uma mudança estrutural do tamanho e da magnitude da que está levando adiante.
"Acho que o resto da região sabe pouco dos avanços de Cuba e dos problemas e desafios que enfrenta para fazer a mudança estrutural da produtividade, (...) de conseguir que os trabalhadores do Estado vão a áreas rentáveis, mas sem perder de vista que o horizonte segue sendo a igualdade e que isso não é negocial", destacou.
Segundo a máxima diretora da Cepal, a América Latina tem feito da igualdade um de seus principais paradigmas, portanto há muito que aprender de Cuba.
"Inclusive devo citar uma frase que me impactou muito, do presidente Raúl Castro, quando disse que em Cuba não estava sendo propiciado o igualitarismo, mas sim a igualdade. E isso me encanta, porque se trata de promover o mérito, mas sempre com base em uma cidadania que tem direitos, os quais são irrenunciáveis, que há um princípio último, ético, e esse é o princípio da igualdade", comentou.
Nesse sentido assinalou que ter a igualdade como horizonte, a mudança estrutural como caminho e a política como instrumento é algo que prepara a região para entrar nesse desafio.
"Cada país tem modelos diferentes e, portanto, há uma grande diversidade de estratégias de desenvolvimento, mas eu acho que há um intercâmbio muito positivo que deve ser acontecer para atingir níveis de igualdade como existem em Cuba, em educação, em saúde", acrescentou.
E por outro lado, sugeriu que quiçá a ilha também requer de experiências da região para melhorar seus índices de produtividade no campo, na cidade, na indústria. "Acho que estamos diante de um prospecto importantíssimo de relacionamento entre nós", disse.
Ao respeito, fez questão de não esquecer que a América Latina e o Caribe é uma região rica em matéria-prima, em pessoas, em conhecimento e, portanto, está certa em olhar para fora, mas é bom olhar também para dentro e ver que muito pode ser conseguido, para um pouco construir a própria resiliência social, econômica, financeira, de maneira regional.
Mais de 50 anos de bloqueio estadunidense contra Cuba
A secretária executiva da Cepal recordou que o organismo que dirige é um dos que envia relatórios à Assembleia Geral das Nações Unidas para que se entenda qual tem sido o impacto econômico e social do bloqueio contra Cuba e seu povo.
"Acreditamos que há necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro. E já são 20 anos de votos consecutivos da Assembleia Geral e esperamos que isto seja escutado plenamente, porque isso vai permitir a Cuba uma inserção total na economia mundial", exclamou.
Bárcena afirmou que essa política hostil ignora as noções de igualdade soberana dos Estados e de não intervenção e não ingerência.
"De por si, Cuba tem feito grandes avanços neste período, talvez e até em certa medida, incentivada pelo próprio bloqueio, o qual é injusto, porque é o povo quem tem pago pelas consequências", considerou.
O dano econômico ocasionado ao povo cubano pela aplicação do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba até dezembro de 2011, considerando a depreciação do dólar frente ao valor do ouro no mercado internacional, ascende a 1,66 trilhão de dólares.
Objetivos da visita a Cuba
Além de pôr à disposição das autoridades cubanas a capacidade da Cepal na nova presidência pró témpore da Celac, em sua visita à ilha, Bárcena participará da celebração dos 50 anos de planejamento em Cuba, que coincidem com os 50 anos da criação do Instituto Latino-americano de Planejamento Econômico e Social (Ilpes).
"Em Cuba vamos lançar um processo importantíssimo agora em fevereiro, de consultas a todos os países e que vai culminar no Brasil em novembro de 2013", já que o gigante sul-americano ocupa a presidência do órgão regional do Conselho de Planejamento Regional (CPR).
Bárcena disse que em novembro de 2012 se reuniu com a ministra de Planejamento e Orçamento do Brasil, Miriam Belchior, e que foi acordado um processo que coincide com o que será lançado a partir de Cuba.
"Porque acreditamos que o planejamento está de volta, planificar é governar. Quem não planifica não governa. E, portanto, não é somente celebrar os 50 anos de Planejamento em Cuba, mas sim que recobremos o Planejamento na América Latina e no Caribe", expressou.
A campanha que se iniciará em Cuba continuará na Guatemala, Equador, México e outros países, até culminar no Brasil em novembro de 2013, com um relançamento do Ilpes, como um órgão de coesão, de acordo regional.
O projeto implica trocar experiências, lições e ver no futuro como se comporta o processo do planejamento, do ordenamento orçamental, do território.
"Hoje em dia, demonstrou-se que planificar tem muito a ver com ter uma visão estratégica de médio e longo prazo", manifestou Bárcena. A visita da secretária a Cuba também está dirigida a preparar a agenda bilateral com o organismo que dirige.
"A mim interessa acompanhar o processo de mudança de Cuba, nos parece que a Cepal é um organismo que tem a responsabilidade histórica de acompanhar Cuba neste processo tão importante de mudança, e precisamente estamos aí, a serviço de Cuba, para poder apoiar essa mudança estrutural tão complicada e tão importante que o país está vivendo", explicou.
É de seu interesse aproximar os vínculos com o Escritório Nacional de Estatísticas, com o qual a Cepal tem uma grande relação. "Para mim, repensar nossa relação bilateral Cepal-Cuba sempre é importantíssima e estamos aí para apoio a qualquer coisa que seja importante para Cuba neste ano", reiterou.
Além disso, expressou que seria importante fomentar a decisão da Cepal de propiciar a participação de especialistas cubanos nos seminários que habitualmente acontecem na sede deste organismo das Nações Unidas, em Santiago do Chile.
"Parece-nos sumamente importante que sempre tenhamos uma representação de Cuba em tudo o que a Cepal faz na região", concluiu.
Fonte: Prensa Latina (Nossa fonte: Vermelho)
domingo, 20 de janeiro de 2013
Castanha portuguesa: o difícil caminho do ouriço ao paladar
Dona Pandá anda revoltada com as
agruras da produção agrícola. É claro que ela se refere ao pequeno produtor,
geralmente familiar. Além de toda a dificuldade no seu trabalho – falta de
seguro, crédito, assistência técnica, canais eficientes de comercialização,
rentabilidade – ainda as condições climáticas nem sempre são favoráveis. Ontem,
nossa amiga ficou muito brava ao ouvir alguém reclamar dos preços da feira. Foi
logo perguntando se a pessoa sabia o
trabalho que havia para um pé de alface chegar à sua bela mesa. Depois, mais
calma, acabou explicando até com bom
humor a formação do tal preço: impostos, transporte, intermediários, custos
propriamente da produção.
Conseguiu deixar claro o quanto o produtor é sacrificado e mal remunerado. O feirante também ajudou a defender o produtor na medida em que precisava justificar sua tabela.
Conseguiu deixar claro o quanto o produtor é sacrificado e mal remunerado. O feirante também ajudou a defender o produtor na medida em que precisava justificar sua tabela.
O resultado desse pequeno incidente
é que Dona Pandá quer mostrar seu próprio sofrimento para conseguir colocar na
boca a deliciosa castanha portuguesa.
Esta árvore frondosa, bonita e
generosa demanda um bocado de anos para ter este porte e nos oferecer, uma vez
por ano, seu fruto. Quando os esquilinhos começam a se mostrar, é sinal de que
as castanhas estão próximas do ponto de colheita. Aí, com muito cuidado para
não escorregar, já que é também tempo das águas que deixam o terreno mais
propício ao tombo, Dona Pandá vai catar as castanhas.
Ora, ora ela está me dizendo que
pulei várias etapas. Antes de ir para debaixo da castanheira, Dona Pandá se
preparou. Calçou uma bota com sola de borracha e luvas grossas. Buscou, na
cozinha, um garfo de cabo longo e duas bacias, uma grande e outra menor. Passou
pela caixa de ferramentas e pegou um alicate de ponta fina e uma chave de
fenda. Com as ferramentas dentro da bacia, pode, com a outra mão, carregar um
pequeno tamborete. Agora, sim, ela foi para debaixo da árvore.
A castanha fica dentro de um ouriço,
cujos espinhos são maldosos, espertos e traiçoeiros. Qualquer descuido, eles se
enfiam em suas mãos, braços, ou qualquer lugar que der moleza. Este é o motivo
de toda a parafernália dentro da bacia. Como as castanhas com seus ouriços tomam muito espaço, a opção
é recolher do chão algumas castanhas, encher a bacia e se sentar no tamborete
para retirar os ouriços. Estes ficam na bacia grande até Dona Pandá terminar
aquela porção colhida. Em seguida, coloca os ouriços ao pé da castanheira e
recomeça a catação.
Com as castanhas livres dos seus
espinhos, é hora de lavar as mãos e braços, passar nesses pobres membros uma
tintura de calêndula, aguentando o ardume onde os espinhos foram mais ágeis que
a dona das mãos. Até com a luva grossa eles conseguem aporrinhar a catadora de
castanha.
A próxima etapa é lavar as
castanhas, tirar um pedacinho de cada uma e colocá-las na panela de pressão. Após
uns 40 minutos, dependendo da quantidade, estão prontas para a degustação que
pode ser acompanhada de um bom vinho branco..
Fica, aqui, um pedido: se alguém conhece uma boa receita
de marron glacê, Dona Pandá agradeceria
seu envio, marron glacê pasta, não em caldas
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Salve Bezerra da Silva, o Malandro Maior
Malandro: há 8 anos morria Bezerra da Silva
Há oito anos morria o cantor Bezerra da Silva, vítima de uma parada cardíaca. Considerado uma espécie de embaixador de morros e favelas do Rio de Janeiro, seus sambas retratavam as angústias e dificuldades enfrentadas pela classe trabalhadora de todo o país.
José Bezerra da Silva nasceu em Recife (PE), a 23 de fevereiro de 1927. Veio para o Rio de Janeiro aos 15 anos fugindo da fome e apenas com a roupa do corpo.
Iniciado na música pelo coco de Jackson do Pandeiro, começou, em 1950, sua carreira como ritmista na Rádio Clube —tocava tamborim, surdo e instrumentos de percussão em geral. Suas primeiras composições, "O Preguiçoso" e "Meu Veneno", foram gravadas por Jackson. Seu primeiro disco —um compacto— foi gravado, em 1969, pela Copacabana.
Ícone do chamado “Sambandido”, e admirado por astros da música pop como Frejat, O Rappa e Marcelo D2, Bezerra Da Silva fez sucesso interpretando músicas como “Malandragem dá um tempo” e “Malandro é Malandro e Mané É Mané”. No final de 2001, tornou-se evangélico, e segundo a sua mulher, ele se preparava para gravar um CD com músicas religiosas ainda este ano.
Perguntado certa vez se achava que brancos não sabiam fazer samba respondeu: "isso é uma mentira, uma discriminação boba. Tudo depende da veia poética do sujeito. Você já imaginou se Deus deixasse eu fazer eu do jeito que quero, com a cuca que tenho? Eu seria verde, todo bonito. Ninguém ia ser igual a mim. Eu seria um sucesso, o cabelo de ouro, ia ser tudo comigo. Mas me fizeram um crioulo esquisito. Essa história de que branco não faz samba é mentira. E também tem crioulo que não faz samba. Artista nasce em qualquer lugar".
Bezerra da Silva morreu às vésperas de completar 78 anos. Antes de se tornar compositor e cantor, teve várias profissões e por cerca de sete anos chegou a morar nas ruas do Rio de Janeiro.
Nossa fonte: Vermelho Ouça especial produzido pela Rádio Vermelho:
Programa Partido Cultural
Há oito anos morria o cantor Bezerra da Silva, vítima de uma parada cardíaca. Considerado uma espécie de embaixador de morros e favelas do Rio de Janeiro, seus sambas retratavam as angústias e dificuldades enfrentadas pela classe trabalhadora de todo o país.
Iniciado na música pelo coco de Jackson do Pandeiro, começou, em 1950, sua carreira como ritmista na Rádio Clube —tocava tamborim, surdo e instrumentos de percussão em geral. Suas primeiras composições, "O Preguiçoso" e "Meu Veneno", foram gravadas por Jackson. Seu primeiro disco —um compacto— foi gravado, em 1969, pela Copacabana.
Ícone do chamado “Sambandido”, e admirado por astros da música pop como Frejat, O Rappa e Marcelo D2, Bezerra Da Silva fez sucesso interpretando músicas como “Malandragem dá um tempo” e “Malandro é Malandro e Mané É Mané”. No final de 2001, tornou-se evangélico, e segundo a sua mulher, ele se preparava para gravar um CD com músicas religiosas ainda este ano.
Perguntado certa vez se achava que brancos não sabiam fazer samba respondeu: "isso é uma mentira, uma discriminação boba. Tudo depende da veia poética do sujeito. Você já imaginou se Deus deixasse eu fazer eu do jeito que quero, com a cuca que tenho? Eu seria verde, todo bonito. Ninguém ia ser igual a mim. Eu seria um sucesso, o cabelo de ouro, ia ser tudo comigo. Mas me fizeram um crioulo esquisito. Essa história de que branco não faz samba é mentira. E também tem crioulo que não faz samba. Artista nasce em qualquer lugar".
Bezerra da Silva morreu às vésperas de completar 78 anos. Antes de se tornar compositor e cantor, teve várias profissões e por cerca de sete anos chegou a morar nas ruas do Rio de Janeiro.
Nossa fonte: Vermelho Ouça especial produzido pela Rádio Vermelho:
Programa Partido Cultural
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
O plantador de árvores
Ele plantava árvores e me dizia:
- Para de plantar árvores senão a chácara vai
ficar sem Sol.
Cada vez que eu ia vê-lo em Belo Horizonte, ele havia feito algumas mudas
de frutíferas que embalava de forma sempre muito criativa para que não
sofressem com a viagem dos 600 km. Na última vez, quando lhe telefonei falando
da minha ida de avião, senti um quezinho de irritação em sua voz ao me
perguntar:
- Você não vem com a Preta
(caminhonete)?
Descobri, logo que lá cheguei, o
porquê do tom: as mudinhas estavam esperando uma carona para o seu
destino: a Chácara Xury. Quando de minha despedida, ele não se deu o trabalho de discutir, embalou apenas
três e não as seis que preparara e como recusar o presente? Era mais fácil
deixar a mala.
No começo dos tempos da Chácara
Xury, ele, acompanhado de sua companheira, vinha ajudar a transformar o terreno
cheio de mato em pomar, horta e jardim.
Falava da falta de Sol e, dominado pela sina de plantador, de cada fruta que
comia nascia uma árvore. Colhia as sementes, preparava as mudas, carregava-as
das Gerais, nos ônibus, até seu destino, cavava a terra, plantava as mudinhas e
lhes passava a energia da vida. Plantou manga, jabuticaba, lichia, cabeludinha,
abacate, laranja, uvaia e ainda muitas outras.
Ele se foi. Deixou, em cada pedaço
da Chácara, sua energia. Ando por aí e ele comigo. Durante muito tempo, depois
de um passeio pelo pomar, vinha para o telefone querendo sua orientação para algum problema e sofria um soco no
coração ao perceber que não podia mais lhe telefonar.
Eu ficara órfã.
Agora, não mais me engano, não mais
pego o telefone, não preciso. Minha conversa é direta. Andamos juntos pela
chácara. Examinamos juntos cada planta. Sentimos a alegria do despertar de cada flor. Sofremos juntos ao ver a jabuticabeira adoecer e se definhar sem
aceitar o socorro que tentamos lhe dar.
Hoje, a alegria veio grande. Ao
passar pela lichia – ele a plantou, trazendo a semente do sítio Catita, há mais
de 10 anos – vi as primeiras frutas, lá bem no alto. Poucas, mas lindas no seu
colorido, deliciosas no seu sabor delicado. Colhi cada lichia sentindo a
presença dele como se sua mão me entregasse a fruta.
Vim para a casa, me sentei
na varanda olhando para a matinha lá mais distante, para o jardim bem perto e
comecei a chupar as lichias. Sua energia encosta em mim quando as saboreio.
Faço de conta que ele também se delicia com as frutas que plantou para mim.
Minhas lágrimas são de saudade e da certeza de ter sido uma filha muito amada
por um pai que foi plantador de árvore e de vida.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Teste: verdades e mitos sobre sexo
Dona Pandá estava procurando, nos seus alfarrábios(1), receitas de repelentes naturais quando deu de cara com um teste curioso e resolveu fazer uma brincadeirinha com seus leitores. Ela me mandou transcrever o que a revista Saúde (Ano 7, nº 7 de 1990 da Editora Azul) publicou. Então, você é bem informado sobre esse assunto tão delicado e gostoso?
Segundo a nossa fonte, se você acertar de sete a 10 questões, sua nota será 10; de quatro a sete, terá alcançado a nota 70 e abaixo de quatro, você não sabe nada sobre sexo. Cuide-se. (Não vale olhar as respostas antes do térmico do teste). Seja honesto (a) e lembre-se: a curiosidade matou o gato (até parece que só o gato ...)
1. Café aumenta o risco de esterilidade: verdadeiro---falso---
2. No homem o odor tem grande poder erótico: v---f---
3. Os alimentos apimentados influenciam a ereção: v---f---
4. Os sonhos eróticos provocam reações sexuais: v---f---
5. O segredo do prazer feminino se resume em localizar o ponto G: v---f---
6. É ruim a mulher fingir orgasmo: v---f---
7. Alguns cremes dermatológicos são contra indicados a grávidas: v---f---
8. Nas mulheres, a cirurgia dos órgãos genitais, sobretudo o útero, não interfere na vida sexual: v---f---
9. Não são aconselháveis relações sexuais antes de provas esportivas ou grandes esforços físicos: v---f---
10. Cardíacos não devem ter relações sexuais: v---f---
Lá vão as respostas
1. Falso. Parece que essa crença originou da afirmação de alguns médicos norte-americanos que chegaram a afirmar que a cafeína diminuía a fertilidade nas mulheres, mas outros da mesma origem salvaram a pátria (deles) e comprovaram que não. Dona Pandá não conseguiu saber se a indústria cafeeira teve algum desembolso nas últimas pesquisas, mas como ela confia nos médicos ainda que com tal origem, ela acha que, de fato, a resposta é f.
2. Verdadeiro. “A explicação é fisiológica. Nosso aparelho olfativo tem relação estreita com o sistema límbico – parte do cérebro que age na memória -. Essa estrutura transmite informações através de neurotransmissores a outros centros nervosos, inclusive aqueles que influenciam o comportamento amoroso. Sensibilizadas, as glândulas apócrinas presentes na superfície da pele segregam esteroides, cuja estrutura é semelhante ao hormônio masculino ou feminino”. Dona Pandá não ousa discordar da fonte, mas que isto acontece com os animais ela tem inúmeras provas. Lembra-se, por exemplo, do aperto passado quando de um passeio a cavalo (o animal era um garanhão) e, sem saber, ela se aproximou cerca de meio quilômetro do pasto das éguas. Ah! Dona Pandá, vamos deixar esse caso para outra vez e vamos voltar ao resultado do teste.
3. Falso. Não só a pimenta, como diversas especiarias foram consideradas por muito tempo como afrodisíacas. A justificativa seria a relação entre o prazer oral, o sexo - os dois bastante sensuais – e o sabor exótico dos temperos. Pode usar como uma boa motivação, mas nada foi provado. Como no amor e no sexo, a imaginação criativa nunca fez mal...
4. Falso. Basta prestar atenção quando acordar depois de um sonho erótico.
5. Falso. Falsíssimo. Dona panda acha que esta questão é meio imbecil, mas nossa fonte diz: “Situado na parte superior da vagina (o ponto G), é uma zona erógena bastante irrigada, com terminais nervosos e rica em fibras elásticas. Mas não é essencial ao orgasmo feminino”.
6. Falso. ““Forçar” o prazer pode ajudar a mulher a “liberar-se”. Alguns psicólogos recomendam a cena para quem tende a se bloquear. Outros a criticam”. Dona Pandá grita logo: só se a “cena for combinada”, pois fingir não está com nada.
7. Verdadeiro. “Produtos que contêm cortisona, antisséptico iodado e algumas substâncias à base de crotaminol e retinol são desaconselháveis a gestantes. Segundo o dermatologista Abraão Totberg, de São Paulo, a absorção epidérmica pode trazer problemas fetais”.
8. Verdadeiro. Operações genitais (por exemplo, a retiradas de ovários) podem levar à suspensão da menstruação e mudança na vagina, todavia nada disto significa o final da vida sexual e do seu prazer.
9. Falso. Pode acontecer eventuais desentendimentos amorosos que levariam ao prejuízo da concentração. Motivo de os treinadores preferirem que os jogadores não tenham relações amorosas às vésperas de um grande jogo.
10. Falso. O ato sexual não é tão exigente em esforços físicos como os de competições esportivas. No entanto, emoções fortes, estresse, medo e sedentarismo são contraindicados. O ambiente amoroso é favorável ao cardíaco. Dona Pandá dá outro grito: a todos nós!
Segundo a nossa fonte, se você acertar de sete a 10 questões, sua nota será 10; de quatro a sete, terá alcançado a nota 70 e abaixo de quatro, você não sabe nada sobre sexo. Cuide-se. (Não vale olhar as respostas antes do térmico do teste). Seja honesto (a) e lembre-se: a curiosidade matou o gato (até parece que só o gato ...)
1. Café aumenta o risco de esterilidade: verdadeiro---falso---
2. No homem o odor tem grande poder erótico: v---f---
3. Os alimentos apimentados influenciam a ereção: v---f---
4. Os sonhos eróticos provocam reações sexuais: v---f---
5. O segredo do prazer feminino se resume em localizar o ponto G: v---f---
6. É ruim a mulher fingir orgasmo: v---f---
7. Alguns cremes dermatológicos são contra indicados a grávidas: v---f---
8. Nas mulheres, a cirurgia dos órgãos genitais, sobretudo o útero, não interfere na vida sexual: v---f---
9. Não são aconselháveis relações sexuais antes de provas esportivas ou grandes esforços físicos: v---f---
10. Cardíacos não devem ter relações sexuais: v---f---
Lá vão as respostas
1. Falso. Parece que essa crença originou da afirmação de alguns médicos norte-americanos que chegaram a afirmar que a cafeína diminuía a fertilidade nas mulheres, mas outros da mesma origem salvaram a pátria (deles) e comprovaram que não. Dona Pandá não conseguiu saber se a indústria cafeeira teve algum desembolso nas últimas pesquisas, mas como ela confia nos médicos ainda que com tal origem, ela acha que, de fato, a resposta é f.
2. Verdadeiro. “A explicação é fisiológica. Nosso aparelho olfativo tem relação estreita com o sistema límbico – parte do cérebro que age na memória -. Essa estrutura transmite informações através de neurotransmissores a outros centros nervosos, inclusive aqueles que influenciam o comportamento amoroso. Sensibilizadas, as glândulas apócrinas presentes na superfície da pele segregam esteroides, cuja estrutura é semelhante ao hormônio masculino ou feminino”. Dona Pandá não ousa discordar da fonte, mas que isto acontece com os animais ela tem inúmeras provas. Lembra-se, por exemplo, do aperto passado quando de um passeio a cavalo (o animal era um garanhão) e, sem saber, ela se aproximou cerca de meio quilômetro do pasto das éguas. Ah! Dona Pandá, vamos deixar esse caso para outra vez e vamos voltar ao resultado do teste.
3. Falso. Não só a pimenta, como diversas especiarias foram consideradas por muito tempo como afrodisíacas. A justificativa seria a relação entre o prazer oral, o sexo - os dois bastante sensuais – e o sabor exótico dos temperos. Pode usar como uma boa motivação, mas nada foi provado. Como no amor e no sexo, a imaginação criativa nunca fez mal...
4. Falso. Basta prestar atenção quando acordar depois de um sonho erótico.
5. Falso. Falsíssimo. Dona panda acha que esta questão é meio imbecil, mas nossa fonte diz: “Situado na parte superior da vagina (o ponto G), é uma zona erógena bastante irrigada, com terminais nervosos e rica em fibras elásticas. Mas não é essencial ao orgasmo feminino”.
6. Falso. ““Forçar” o prazer pode ajudar a mulher a “liberar-se”. Alguns psicólogos recomendam a cena para quem tende a se bloquear. Outros a criticam”. Dona Pandá grita logo: só se a “cena for combinada”, pois fingir não está com nada.
7. Verdadeiro. “Produtos que contêm cortisona, antisséptico iodado e algumas substâncias à base de crotaminol e retinol são desaconselháveis a gestantes. Segundo o dermatologista Abraão Totberg, de São Paulo, a absorção epidérmica pode trazer problemas fetais”.
8. Verdadeiro. Operações genitais (por exemplo, a retiradas de ovários) podem levar à suspensão da menstruação e mudança na vagina, todavia nada disto significa o final da vida sexual e do seu prazer.
9. Falso. Pode acontecer eventuais desentendimentos amorosos que levariam ao prejuízo da concentração. Motivo de os treinadores preferirem que os jogadores não tenham relações amorosas às vésperas de um grande jogo.
10. Falso. O ato sexual não é tão exigente em esforços físicos como os de competições esportivas. No entanto, emoções fortes, estresse, medo e sedentarismo são contraindicados. O ambiente amoroso é favorável ao cardíaco. Dona Pandá dá outro grito: a todos nós!
Quando o moralismo esconde a lei
Paulo Moreira Leite
http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2013/01/06/moralismo-ajuda-a-esconder-a-lei/
Os ataques a José Genoíno chegaram a um ponto escandaloso e inaceitável.
Vários observadores se colocam no direito de fazer uma distinção curiosa. Dizem que a decisão de Genoíno em assumir o mandato para o qual foi eleito por 92 000 votos pode ser legal mas é imoral.
Me desculpem. Mas é uma postura de ditadorzinho, que leva a situações perigosas e inspira atos violentos. Também permite decisões arbitrárias e seletivas. Pelo argumento moral, procura-se questionar direitos que a lei oferece a toda pessoa. Isso é imoral.
Não surpreende que essa visão tenha produzido grandes tragédias, na história e na vida cotidiana.
Isso porque os valores morais podem variar de uma pessoa para outra mas a lei precisa valer para todos.
Você pode achar que aquele livro sobre não sei quantos tons de cinza é uma obra imoral mas não pode querer que seja proibido por causa disso. Por que? Porque a Lei garante a liberdade de expressão como um valor absoluto.
Para ficar num exemplo que todos lembram. Os estudantes de uma faculdade paulista que agrediram e humilharam uma aluna que foi às aulas de mini saia muito mini também se achavam no direito de condenar o que era legal mas lhes parecia imoral. Vergonhoso. Isso sempre acontece quando se pretende dizer que o moral precisa ser o legal.
Para começar, quem acha muita imoralidade da parte de Genoíno deveria olhar para o lado em vez de exagerar na indignação.
Em seis Estados brasileiros o Superior Tribunal de Justiça, a segunda mais alta corte do país, tenta licença para processar governadores e não consegue avançar na investigação. Não consegue nem apurar as acusações que o STJ considera sérias.
Por que? Porque as Assembleias Legislativas não autorizam. Curiosidade: não há ”petistas aparelhados” envolvidos. Entre os 6 governadores, cinco são tucanos e um é do PMDB. Quantos são imorais nesse time? E os ilegais? Vai saber.
O que está em jogo, nos Estados? O princípio do artigo 55 da Constituição, aquele que reserva ao Congresso o direito de decidir pela cassação (ou não) de deputados e senadores. São os representantes eleitos que podem cassar os representantes do povo – e apenas eles.
Mas é curioso que ninguém fala em imoralidade neste caso.
Pergunto: cadê o abaixo assinado, uma denúncia contra “esse políticos” ? Cadê as marchadeiras de botox e cabelo tingido? Onde ficaram nossos moralistas de punho cerrado? Onde estão os cronistas do cronstragimento, os marqueteiros da “imagem” dos políticos?
Será que voltamos (ou nunca saímos?) à lógica dos dois mensalões, o do PT e o do PSDB-MG?
A Constituição reconhece os três poderes e não reconhece, de forma alguma, qualquer hierarquia entre eles.
E aí cabe a pergunta: se as Assembleias Legislativas podem impedir a abertura de uma investigação sobre governadores, por que o Congresso não tem o direito de decidir, como manda a Constituição, o destino de quatro deputados? Há uma diferença de princípio, uma visão de mundo?
Ou é a velha paróquia política do país ?
No caso dos governadores e deputados, a preferência é tão descarada que nem se abre uma investigação. Não vamos julgar e depois absolver. Não. Nem se começa o jogo. Não custa recordar de novo. A Lei diz que o mandato de um deputado só pode ser cassado por decisão do Congresso. Não é interpretação. Não é princípio genérico.
É texto da lei. É tão claro como dizer que o Brasil não pode fabricar bomba atômica. Ou que o racismo é crime e é inafiançável. Ou que a licença-maternidade deve durar quatro meses.
O jurista Pedro Serrano, especialista em Direito Constitucional, disse aqui mesmo neste blogue que essa prerrogativa é um dos elementos básicos da separação entre os poderes, definição que separa a República da Monarquia.
Embora diversos ministros do Supremo tenham feito elogios demorados à Constituição do Império – entre outros traços típicos, ela tratava os escravos como coisas – desde 1899 o país vive sob um regime republicano. O retorno à monarquia foi derrotado em plebiscito, junto com o parlamentarismo, lembra?
Teve gente que levou os descendentes de Pedro II e da Princesa Isabel para percorrer o país, na esperança de que algum fantasma do passado contribuísse para melhorar o marketing eleitoral da monarquia.
Mas o Supremo considerou por 5 votos a 4 que tem o direito de cassar os mandatos dos deputados condenados pelo mensalão. Muitos juristas – os mesmos que os donos da moral de hoje costumam ouvir quando lhes interessa — consideram que foi uma decisão que atravessou essa divisão entre poderes.
Num plenário que em situações normais inclui onze votos, cinco ministros acharam-se no direito de questionar um artigo explícito da Lei Maior. Quatro ficaram contra essa decisão.
Em qualquer caso, não custa lembrar que, como está estabelecido, a Constituição só pode ser modificada por uma emenda constitucional, com o voto de dois terços – e não maioria simples – dos parlamentares, que são os representantes eleitos do povo. Não é debate moral. É determinação legal.
Por que ela diz isso? Porque esse artigo 55 é coerente com o artigo 1, aquele que diz que “todo poder emana do povo, que o exerce através de seus representantes eleitos.”
Uma decisão do Supremo deve ser cumprida e tem força de lei, diz o Ministro da Justiça.
Mas o que se faz quando, por 5 votos a 4, se estabelece uma diferença clamorosa, uma contradição com a própria Constituição?
Não é possível ser simplório nem empregar argumentos de autoridade. A menos, claro, que se pretenda criar um novo tipo de autoritarismo.Durante o Estado Novo, o Supremo autorizou que a militante comunista Olga Benário fosse enviada para a morte num campo de concentração nazista.
Seria imoral e ilegal tentar impedir a entrega de Olga Benário por todos os meios e recursos que poderiam preservar sua vida, sua dignidade e mesmo a filha que levava em seu ventre, vamos combinar.
Em 1964, o Supremo aceitou a tese de que a presidência da República ficara vaga depois que Jango deixou o país e deu posse à ditadura militar. Legal? Moral? Ou ilegal e imoral?
Em 2010, o Supremo decidiu por 7 votos a 2, que só o Congresso poderia modificar a Lei de Anistia. Com isso, as investigações sobre torturas e execuções perderam uma base legal importante.
Pergunto: vamos proibir os jovens que denunciam torturadores nas operações esculacho, e não se rendem a uma decisão que – sem entrar no debate se correta ou não – envolve uma opção pela impunidade?
Vamos chamar a PM para dar porrada? (Quando ela não estiver perseguindo estudantes que portam maconha, o que lei diz que é legal em certa quantidade mas que muita gente considera imoral e por isso aprova todo tipo de repressão, até sem base legal).
Mais ainda. Vamos silenciar procuradores que, teimosamente, ainda procuram brechas para colocar os responsáveis por crimes contra a humanidade na cadeia, lembrando que a Constituição diz que a tortura não é passível de anistia ou graça?
Os 7 a 2 do Supremo deveriam garantir que esses garotos exemplares fossem silenciados para sempre?
Queremos a Submissão à autoridade, título de um livro antológico sobre técnicas de tortura?
Colocar a questão moral à frente da legal só ajuda a despolitizar um debate, a encobrir questões sérias e a impedir uma avaliação consciente do que está em jogo. No saldo, quem perde é a democracia.
Quando Genoíno se diz com a “consciência limpa dos inocentes” deveríamos dedicar alguns minutos de reflexão ao assunto.
Você pode, com base naquilo que viu e ouviu nas 53 sessões do julgamento, achar que ele é mesmo culpado e deveria renunciar ao mandato que recebeu.
Mas você poderia pensar o contrário.
A grande acusação é que ele assinou “empréstimos fraudulentos” que alimentaram o esquema, certo? Podemos ouvir isso todo dia, nos comentários de sabichões que frequentam o rádio e a TV.
Mas: veja só. A própria Polícia Federal, que investigou o caso e as contas do mensalão, concluiu que os empréstimos não eram uma fraude. Em seu relatório, a PF diz que os empréstimos foram verdadeiros, implicaram na remessa de dinheiro do Banco Real para o PT. A Justiça, mais tarde, supervisionou um acordo para o pagamento do empréstimo. Era ilegal? Era imoral? Ou o que?
Em todo caso, se era ilegal, pergunta-se: o que aconteceu com a turma do Banco Central que deveria fiscalizar essas coisas?
O que houve com quem referendou o acordo? Alguém foi punido por ser ilegal? Ou não se julgou moralmente conveniente?
Muitos ministros condenaram Genoíno porque “não era plausível” que ele “não soubesse” do que eles dizem sobre o que seria o “maior escândalo da história.” Uniram o papel político óbvio de Genoíno no governo Lula com um esquema financeiro, sem conseguir provar seu envolvimento direto na “compra de votos” no Congresso. Não conseguiram apontar, sequer, qual projeto foi aprovado em troca de dinheiro.
Enquanto não se provar que Genoíno cometeu uma ilegalidade, estamos, mais uma vez, numa visão moral de uma pessoa, num julgamento que envolve a atribuição de atitudes e valores, mas não consegue reunir provas robustas – indispensáveis no direito penal — para sustentar o que diz.
O que é imoral, neste caso?
Embora o Supremo tenha condenado Genoíno, a lei dá ao deputado o direito de aguardar pelo exame de todos os recursos antes de considerar que o caso está encerrado. Junto com a liberdade, é a história de uma vida que está em jogo.
Ao contrário do que se poderia julgar do ponto de vista moral, ele tem o dever de resistir. A lei não lhe dá essa possibilidade por acaso. O necessário, para o esclarecimento de qualquer dúvida, de qualquer ponto de vista, é que que ele entre com seus recursos, que eles sejam ouvidos, examinados e conhecidos por todos. E a melhor forma de fazer isso é preservando seu mandato.
Vou adorar ouvir seus argumentos, na tribuna da Câmara. E vou adorar ouvir os argumentos contrários.
Será uma grande novidade. Em sete anos de investigações, o mensalão transformou-se no discurso de um lado só, uma única voz, uma única verdade. Cada advogado de defesa teve direito a um discurso de duas horas num julgamento que durou cinco meses. Isso impediu que dúvidas importantes, sobre Genoíno e sobre o mensalão, fossem discutidas e resolvidas. Nenhuma auditoria provou que os recursos usados pelo esquema do PT foram extraídos do Banco do Brasil. Não há sinal de desvio na Visanet, empresa que fazia os pagamentos para as agências de Marcos Valério. Ou seja: verdades que pareciam evidentes em 2005 teriam de ser examinadas, revistas e explicadas em 2012. Ou corrigidas, ou retiradas.
É por isso que o Congresso tem razão em debater suas prerrogativas e nossos moralistas de plantão erram quando tratam Marco Maia e seu provavel sucessor, Henrique Alves,como criadores de caso, encrenqueiros que jogam para a platéia. Se o artigo 55 não foi abolido – o que só os parlamentares tem o direito de fazer – é mais do que razoável que sua aplicação seja discutida. Um pouquinho de história, para quem tem a memória selecionada. A cronologia diz tudo neste caso. Ao longo de 7 anos de mensalão Congresso não moveu um dedo mínimo para atrapalhar a investigação. Tampouco cometeu qualquer gesto em direção ao STF que pudesse ser interpretado como ação indevida. Ficou silencioso em seu canto, respeitoso das atribuições de cada um. E é natural que queira ser respeitado, agora.
O ministro que decidiu a votação por 5 a 4 teve um voto oposto, em situação muito parecida.
Juízes não são obrigados a votar de modo idêntico a vida inteira.
Mas a democracia é um regime coerente.
Por isso a Constituição diz que o povo exerce o poder através de seus representantes eleitos. Esta frase não é enfeite, certo? O voto da maioria da população é o começo e o fim de tudo
.
http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2013/01/06/moralismo-ajuda-a-esconder-a-lei/
Os ataques a José Genoíno chegaram a um ponto escandaloso e inaceitável.
Vários observadores se colocam no direito de fazer uma distinção curiosa. Dizem que a decisão de Genoíno em assumir o mandato para o qual foi eleito por 92 000 votos pode ser legal mas é imoral.
Me desculpem. Mas é uma postura de ditadorzinho, que leva a situações perigosas e inspira atos violentos. Também permite decisões arbitrárias e seletivas. Pelo argumento moral, procura-se questionar direitos que a lei oferece a toda pessoa. Isso é imoral.
Não surpreende que essa visão tenha produzido grandes tragédias, na história e na vida cotidiana.
Isso porque os valores morais podem variar de uma pessoa para outra mas a lei precisa valer para todos.
Você pode achar que aquele livro sobre não sei quantos tons de cinza é uma obra imoral mas não pode querer que seja proibido por causa disso. Por que? Porque a Lei garante a liberdade de expressão como um valor absoluto.
Para ficar num exemplo que todos lembram. Os estudantes de uma faculdade paulista que agrediram e humilharam uma aluna que foi às aulas de mini saia muito mini também se achavam no direito de condenar o que era legal mas lhes parecia imoral. Vergonhoso. Isso sempre acontece quando se pretende dizer que o moral precisa ser o legal.
Para começar, quem acha muita imoralidade da parte de Genoíno deveria olhar para o lado em vez de exagerar na indignação.
Em seis Estados brasileiros o Superior Tribunal de Justiça, a segunda mais alta corte do país, tenta licença para processar governadores e não consegue avançar na investigação. Não consegue nem apurar as acusações que o STJ considera sérias.
Por que? Porque as Assembleias Legislativas não autorizam. Curiosidade: não há ”petistas aparelhados” envolvidos. Entre os 6 governadores, cinco são tucanos e um é do PMDB. Quantos são imorais nesse time? E os ilegais? Vai saber.
O que está em jogo, nos Estados? O princípio do artigo 55 da Constituição, aquele que reserva ao Congresso o direito de decidir pela cassação (ou não) de deputados e senadores. São os representantes eleitos que podem cassar os representantes do povo – e apenas eles.
Mas é curioso que ninguém fala em imoralidade neste caso.
Pergunto: cadê o abaixo assinado, uma denúncia contra “esse políticos” ? Cadê as marchadeiras de botox e cabelo tingido? Onde ficaram nossos moralistas de punho cerrado? Onde estão os cronistas do cronstragimento, os marqueteiros da “imagem” dos políticos?
Será que voltamos (ou nunca saímos?) à lógica dos dois mensalões, o do PT e o do PSDB-MG?
A Constituição reconhece os três poderes e não reconhece, de forma alguma, qualquer hierarquia entre eles.
E aí cabe a pergunta: se as Assembleias Legislativas podem impedir a abertura de uma investigação sobre governadores, por que o Congresso não tem o direito de decidir, como manda a Constituição, o destino de quatro deputados? Há uma diferença de princípio, uma visão de mundo?
Ou é a velha paróquia política do país ?
No caso dos governadores e deputados, a preferência é tão descarada que nem se abre uma investigação. Não vamos julgar e depois absolver. Não. Nem se começa o jogo. Não custa recordar de novo. A Lei diz que o mandato de um deputado só pode ser cassado por decisão do Congresso. Não é interpretação. Não é princípio genérico.
É texto da lei. É tão claro como dizer que o Brasil não pode fabricar bomba atômica. Ou que o racismo é crime e é inafiançável. Ou que a licença-maternidade deve durar quatro meses.
O jurista Pedro Serrano, especialista em Direito Constitucional, disse aqui mesmo neste blogue que essa prerrogativa é um dos elementos básicos da separação entre os poderes, definição que separa a República da Monarquia.
Embora diversos ministros do Supremo tenham feito elogios demorados à Constituição do Império – entre outros traços típicos, ela tratava os escravos como coisas – desde 1899 o país vive sob um regime republicano. O retorno à monarquia foi derrotado em plebiscito, junto com o parlamentarismo, lembra?
Teve gente que levou os descendentes de Pedro II e da Princesa Isabel para percorrer o país, na esperança de que algum fantasma do passado contribuísse para melhorar o marketing eleitoral da monarquia.
Mas o Supremo considerou por 5 votos a 4 que tem o direito de cassar os mandatos dos deputados condenados pelo mensalão. Muitos juristas – os mesmos que os donos da moral de hoje costumam ouvir quando lhes interessa — consideram que foi uma decisão que atravessou essa divisão entre poderes.
Num plenário que em situações normais inclui onze votos, cinco ministros acharam-se no direito de questionar um artigo explícito da Lei Maior. Quatro ficaram contra essa decisão.
Em qualquer caso, não custa lembrar que, como está estabelecido, a Constituição só pode ser modificada por uma emenda constitucional, com o voto de dois terços – e não maioria simples – dos parlamentares, que são os representantes eleitos do povo. Não é debate moral. É determinação legal.
Por que ela diz isso? Porque esse artigo 55 é coerente com o artigo 1, aquele que diz que “todo poder emana do povo, que o exerce através de seus representantes eleitos.”
Uma decisão do Supremo deve ser cumprida e tem força de lei, diz o Ministro da Justiça.
Mas o que se faz quando, por 5 votos a 4, se estabelece uma diferença clamorosa, uma contradição com a própria Constituição?
Não é possível ser simplório nem empregar argumentos de autoridade. A menos, claro, que se pretenda criar um novo tipo de autoritarismo.Durante o Estado Novo, o Supremo autorizou que a militante comunista Olga Benário fosse enviada para a morte num campo de concentração nazista.
Seria imoral e ilegal tentar impedir a entrega de Olga Benário por todos os meios e recursos que poderiam preservar sua vida, sua dignidade e mesmo a filha que levava em seu ventre, vamos combinar.
Em 1964, o Supremo aceitou a tese de que a presidência da República ficara vaga depois que Jango deixou o país e deu posse à ditadura militar. Legal? Moral? Ou ilegal e imoral?
Em 2010, o Supremo decidiu por 7 votos a 2, que só o Congresso poderia modificar a Lei de Anistia. Com isso, as investigações sobre torturas e execuções perderam uma base legal importante.
Pergunto: vamos proibir os jovens que denunciam torturadores nas operações esculacho, e não se rendem a uma decisão que – sem entrar no debate se correta ou não – envolve uma opção pela impunidade?
Vamos chamar a PM para dar porrada? (Quando ela não estiver perseguindo estudantes que portam maconha, o que lei diz que é legal em certa quantidade mas que muita gente considera imoral e por isso aprova todo tipo de repressão, até sem base legal).
Mais ainda. Vamos silenciar procuradores que, teimosamente, ainda procuram brechas para colocar os responsáveis por crimes contra a humanidade na cadeia, lembrando que a Constituição diz que a tortura não é passível de anistia ou graça?
Os 7 a 2 do Supremo deveriam garantir que esses garotos exemplares fossem silenciados para sempre?
Queremos a Submissão à autoridade, título de um livro antológico sobre técnicas de tortura?
Colocar a questão moral à frente da legal só ajuda a despolitizar um debate, a encobrir questões sérias e a impedir uma avaliação consciente do que está em jogo. No saldo, quem perde é a democracia.
Quando Genoíno se diz com a “consciência limpa dos inocentes” deveríamos dedicar alguns minutos de reflexão ao assunto.
Você pode, com base naquilo que viu e ouviu nas 53 sessões do julgamento, achar que ele é mesmo culpado e deveria renunciar ao mandato que recebeu.
Mas você poderia pensar o contrário.
A grande acusação é que ele assinou “empréstimos fraudulentos” que alimentaram o esquema, certo? Podemos ouvir isso todo dia, nos comentários de sabichões que frequentam o rádio e a TV.
Mas: veja só. A própria Polícia Federal, que investigou o caso e as contas do mensalão, concluiu que os empréstimos não eram uma fraude. Em seu relatório, a PF diz que os empréstimos foram verdadeiros, implicaram na remessa de dinheiro do Banco Real para o PT. A Justiça, mais tarde, supervisionou um acordo para o pagamento do empréstimo. Era ilegal? Era imoral? Ou o que?
Em todo caso, se era ilegal, pergunta-se: o que aconteceu com a turma do Banco Central que deveria fiscalizar essas coisas?
O que houve com quem referendou o acordo? Alguém foi punido por ser ilegal? Ou não se julgou moralmente conveniente?
Muitos ministros condenaram Genoíno porque “não era plausível” que ele “não soubesse” do que eles dizem sobre o que seria o “maior escândalo da história.” Uniram o papel político óbvio de Genoíno no governo Lula com um esquema financeiro, sem conseguir provar seu envolvimento direto na “compra de votos” no Congresso. Não conseguiram apontar, sequer, qual projeto foi aprovado em troca de dinheiro.
Enquanto não se provar que Genoíno cometeu uma ilegalidade, estamos, mais uma vez, numa visão moral de uma pessoa, num julgamento que envolve a atribuição de atitudes e valores, mas não consegue reunir provas robustas – indispensáveis no direito penal — para sustentar o que diz.
O que é imoral, neste caso?
Embora o Supremo tenha condenado Genoíno, a lei dá ao deputado o direito de aguardar pelo exame de todos os recursos antes de considerar que o caso está encerrado. Junto com a liberdade, é a história de uma vida que está em jogo.
Ao contrário do que se poderia julgar do ponto de vista moral, ele tem o dever de resistir. A lei não lhe dá essa possibilidade por acaso. O necessário, para o esclarecimento de qualquer dúvida, de qualquer ponto de vista, é que que ele entre com seus recursos, que eles sejam ouvidos, examinados e conhecidos por todos. E a melhor forma de fazer isso é preservando seu mandato.
Vou adorar ouvir seus argumentos, na tribuna da Câmara. E vou adorar ouvir os argumentos contrários.
Será uma grande novidade. Em sete anos de investigações, o mensalão transformou-se no discurso de um lado só, uma única voz, uma única verdade. Cada advogado de defesa teve direito a um discurso de duas horas num julgamento que durou cinco meses. Isso impediu que dúvidas importantes, sobre Genoíno e sobre o mensalão, fossem discutidas e resolvidas. Nenhuma auditoria provou que os recursos usados pelo esquema do PT foram extraídos do Banco do Brasil. Não há sinal de desvio na Visanet, empresa que fazia os pagamentos para as agências de Marcos Valério. Ou seja: verdades que pareciam evidentes em 2005 teriam de ser examinadas, revistas e explicadas em 2012. Ou corrigidas, ou retiradas.
É por isso que o Congresso tem razão em debater suas prerrogativas e nossos moralistas de plantão erram quando tratam Marco Maia e seu provavel sucessor, Henrique Alves,como criadores de caso, encrenqueiros que jogam para a platéia. Se o artigo 55 não foi abolido – o que só os parlamentares tem o direito de fazer – é mais do que razoável que sua aplicação seja discutida. Um pouquinho de história, para quem tem a memória selecionada. A cronologia diz tudo neste caso. Ao longo de 7 anos de mensalão Congresso não moveu um dedo mínimo para atrapalhar a investigação. Tampouco cometeu qualquer gesto em direção ao STF que pudesse ser interpretado como ação indevida. Ficou silencioso em seu canto, respeitoso das atribuições de cada um. E é natural que queira ser respeitado, agora.
O ministro que decidiu a votação por 5 a 4 teve um voto oposto, em situação muito parecida.
Juízes não são obrigados a votar de modo idêntico a vida inteira.
Mas a democracia é um regime coerente.
Por isso a Constituição diz que o povo exerce o poder através de seus representantes eleitos. Esta frase não é enfeite, certo? O voto da maioria da população é o começo e o fim de tudo
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Acusações a Lula podem ter sido manipuladas
- alerta procurador-geral de Justiça
- Por Redação do CdB - de Brasília
Enquanto o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, defende a investigação das declarações atribuídas ao publicitário Marcos Valério, divulgadas na edição passada do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, o Conselho dos Procuradores Gerais recomenda cautela sobre elas. O jornal afirma que o publicitário Marco Valério acusou o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva de conhecer o esquema do chamado “mensalão“, alvo da Ação Penal 470 no STF, e que teria se beneficiado dele.
Ao ser perguntado sobre a necessidade de investigações, durante um intervalo da sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Joaquim Barbosa disse:
– Eu creio que sim – embora tenha, como informou, apenas “conhecimento oficioso, não oficial” sobre o assunto.
A reportagem do Estadão acusa Lula de ter autorizado empréstimos dos bancos Rural e BMG para o PT. O depoimento de Marcos Valério onde constariam estas denúncias teria ocorrido depois dele ter sido condenado no STF a mais de 40 anos de prisão, por crimes de corrupção, peculato, evasão de divisas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro na Ação Penal 470.
A Procuradoria Geral da República informou, nesta quarta-feira, que o procurador-geral, Roberto Gurgel, não pretende se pronunciar sobre o assunto até a conclusão do julgamento do ‘mensalão’. No início de novembro, quando informações semelhantes foram veiculadas pela mídia conservadora, Gurgel disse que as revelações de Valério precisam ser analisadas com cuidado, não podendo ser usadas em seu próprio benefício na ação do chamado “mensalão”, embora poderiam – afirmou – motivar novas investigações.
Conselho teme manipulação
O presidente do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais, Oswaldo Trigueiro, disse na noite passada que é preciso “cautela” e “prudência” na avaliação de uma possível repercussão formal das declarações atribuídas ao publicitário Marcos Valério, publicadas n’O Estado de S. Paulo.
– É importante termos conhecimento das circunstâncias em que esse depoimento foi feito e em que momento (para avaliar) se isso tem ou não repercussão formal. Temos que ter cautela e prudência para avaliar essa situação – disse ele.
A cautela é necessária, disse, para evitar que haja uma “manipulação do sistema de provas”, em que, após o réu ter sido condenado, “busca modificar o pensamento que ao início foi dado”.
– As oportunidades foram dadas, não podemos ficar à merce do insucesso de um réu ou outro. Ou seja, se eu tive um insucesso vou denunciar, mais adiante tive benefício, então recuo na minha informação. Se há ambiente novo de investigação, que se procedam nas investigações naturais – acrescentou.
Desde que informações semelhantes surgiram na mídia conservadora – inicialmente na revista semanal de ultradireita Veja, elas foram recebidas com reservas inclusive por ministros do STF, havendo a suspeita de que Marcos Valério estaria tentando criar uma situação para beneficiar-se de um eventual acordo de delação premiada, favorecendo-o no cumprimento das penas a que foi condenado.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Suco Luz do Sol
Como Fazer um Suco de Luz do Sol em Casa
A vida é demasiadamente curta e sempre procuramos ter mais tempo para trabalhar ou fazer outras atividades cotidianas. Nessa busca de ganhar tempo acabamos por cair nas garras dos Fast Foods, comidas processadas, lanches, salgadinhos, bolachas, etc. Mas é comprovado que ganhamos alguns minutos fazendo estas refeições rápidas, mas com um preço muito alto, a nossa saúde a longo prazo fica comprometida e o tempo ganho hoje nós é tirado em nosso tempo de vida.
Hoje vou dar uma receita bem legal, um suco vivo, ou Suco Verde com Clorofila. No começo tem um sabor diferente mas com o tempo podemos acostumar com o gosto. A receita pode ser variada de acordo com o gosto da pessoa, muitos colocam alguns outros ingredientes como pó de sementes de linhaça, quínua, soja etc..
Suco de Luz do Sol
A pergunta mais comum é que sementes usar para o Suco de Luz do Sol? Nós podemos usar qualquer semente e grãos comestíveis, seja da dieta humana como da dieta de pássaros, que pode ser gergelim, girassol, painço, aveia, trigo, linhaça, centeio, arroz, soja, grão de bico, ervilha, amendoim, lentilha, nozes, castanha do Pará, amêndoas, etc..
Como fazemos o suco de luz com os brotos das sementes recém germinadas, muitos perguntam como germinar as sementes do Suco de Luz do Sol? Não tem segredo, uma maneira fácil com passo-a-passo está abaixo.
Despeje em um vidro transparente de uma a quatro colheres de sopa de sementes;
Coloque água mineral ou água filtrada até cobrir todas as sementes;
Deixe as sementes repousarem durante toda a noite;
Cubra o vidro com um pedaço de filó e prenda com um elástico, isso deixa a sementes receberem ar puro;
Despeje a água e lave bem sob a torneira do filtro.
Coloque o vidro inclinado num escorredor em um lugar sombreado e fresco
Enxague pela manhã e à noite. Nos dias quentes é preciso lavar mais vezes.
As sementes começam a germinação em períodos variáveis, . Em geral estão com a sua potência máxima logo que sinalizam o processo do nascimento, quando ficam prontos para serem consumidos.
Receita de Suco de Luz do Sol (para um copo).
Todos os ingredientes tem que ser puros ou orgânicos.
1 Maçã com casca picadinha e sem semente
1 Pepino médio
3 Folhas de couve ou outra hortaliça rica em clorofila
3 Galhos de hortelã ou capim limão ou erva cidreira
1 Porção de grãos germinados
1 Raiz a seu gosto – Pode ser gengibre, cenoura, ou outra raiz qualquer
1 Legume a seu gosto – Pode ser batata doce, inhame, ou outra legume qualquer
Modo de Preparar o Suco de Luz do Sol
Coloque a maçã picadinha no liquidificador e use o pepino como socador até que o primeiro líquido se forme. Coe e volte para o liquidificador. Acrescente os grãos germinados, as folhas verdes comestíveis, o legume e a raiz escolhida. Varie as hortaliças sempre que possível e utilizando sempre as de produção orgânica. Coe num coador de pano e beba logo em seguida.
Vibração verde
(que é nossa fonte)
A vida é demasiadamente curta e sempre procuramos ter mais tempo para trabalhar ou fazer outras atividades cotidianas. Nessa busca de ganhar tempo acabamos por cair nas garras dos Fast Foods, comidas processadas, lanches, salgadinhos, bolachas, etc. Mas é comprovado que ganhamos alguns minutos fazendo estas refeições rápidas, mas com um preço muito alto, a nossa saúde a longo prazo fica comprometida e o tempo ganho hoje nós é tirado em nosso tempo de vida.
Hoje vou dar uma receita bem legal, um suco vivo, ou Suco Verde com Clorofila. No começo tem um sabor diferente mas com o tempo podemos acostumar com o gosto. A receita pode ser variada de acordo com o gosto da pessoa, muitos colocam alguns outros ingredientes como pó de sementes de linhaça, quínua, soja etc..
Suco de Luz do Sol
A pergunta mais comum é que sementes usar para o Suco de Luz do Sol? Nós podemos usar qualquer semente e grãos comestíveis, seja da dieta humana como da dieta de pássaros, que pode ser gergelim, girassol, painço, aveia, trigo, linhaça, centeio, arroz, soja, grão de bico, ervilha, amendoim, lentilha, nozes, castanha do Pará, amêndoas, etc..
Como fazemos o suco de luz com os brotos das sementes recém germinadas, muitos perguntam como germinar as sementes do Suco de Luz do Sol? Não tem segredo, uma maneira fácil com passo-a-passo está abaixo.
Despeje em um vidro transparente de uma a quatro colheres de sopa de sementes;
Coloque água mineral ou água filtrada até cobrir todas as sementes;
Deixe as sementes repousarem durante toda a noite;
Cubra o vidro com um pedaço de filó e prenda com um elástico, isso deixa a sementes receberem ar puro;
Despeje a água e lave bem sob a torneira do filtro.
Coloque o vidro inclinado num escorredor em um lugar sombreado e fresco
Enxague pela manhã e à noite. Nos dias quentes é preciso lavar mais vezes.
As sementes começam a germinação em períodos variáveis, . Em geral estão com a sua potência máxima logo que sinalizam o processo do nascimento, quando ficam prontos para serem consumidos.
Receita de Suco de Luz do Sol (para um copo).
Todos os ingredientes tem que ser puros ou orgânicos.
1 Maçã com casca picadinha e sem semente
1 Pepino médio
3 Folhas de couve ou outra hortaliça rica em clorofila
3 Galhos de hortelã ou capim limão ou erva cidreira
1 Porção de grãos germinados
1 Raiz a seu gosto – Pode ser gengibre, cenoura, ou outra raiz qualquer
1 Legume a seu gosto – Pode ser batata doce, inhame, ou outra legume qualquer
Modo de Preparar o Suco de Luz do Sol
Coloque a maçã picadinha no liquidificador e use o pepino como socador até que o primeiro líquido se forme. Coe e volte para o liquidificador. Acrescente os grãos germinados, as folhas verdes comestíveis, o legume e a raiz escolhida. Varie as hortaliças sempre que possível e utilizando sempre as de produção orgânica. Coe num coador de pano e beba logo em seguida.
Vibração verde
…
Ler mais: http://www.vidasustentavel.net/modo-de-vida/como-fazer-um-suco-de-luz-do-sol/ (que é nossa fonte)
Alimentos são jogados fora enquanto morre gente de fome*
Por Redação do CdB, com Adital - de Lisboa
Toneladas de alimentos são produzidas no mundo e parte disso vai parar no lixo,
enquanto milhões de pessoas passam fome
enquanto milhões de pessoas passam fome
No Estado espanhol, de acordo com o Banco de Alimentos, são jogados fora, a cada ano, 9 milhões de toneladas de alimentos em boas condições. Na Europa este número aumenta para 89 milhões, de acordo com um estudo da Comissão Europeia: 179 quilos por habitante e por ano. Um número que, inclusive, seria muito superior se o referido relatório incluísse também os resíduos de alimentos de origem agrícola gerados no processo de produção, ou os descartes de pescados jogados ao mar. Realmente, calcula-se que na Europa, ao longo de toda a cadeia agroalimentar, do campo aos lares, até 50% dos alimentos saudáveis e comestíveis se perdem.
Resíduos e desperdício contra a fome e a penúria. No Estado espanhol, uma em cada cinco pessoas vive abaixo da linha inicial da pobreza, 21% da população. E de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, em 2009 se calculava que mais de um milhão de pessoas tinham dificuldades para comer o mínimo necessário. Nos dias de hoje, independente dos números oficiais, a situação, sem dúvida, é muito pior. Na União Europeia, são 79 milhões de pessoas que não superam a linha inicial da pobreza, cerca de 15% da população. E destes, 16 milhões recebem ajuda alimentar. A crise converte a sub-cotação em um drama macabro, onde, enquanto milhões de toneladas de alimento são desperdiçadas anualmente, milhões de pessoas não têm o que comer.
E, como e onde se joga fora tanta comida? No campo, quando o preço caem abaixo dos custos de produção, ou quando o produto não cumpre com os critérios de tamanho e aspecto exigidos, é mais barato ao agricultor jogar fora do que colher os alimentos produzidos. Nos mercados em atacado e nas centrais de compra, onde os alimentos devem passar por uma espécie de “competição de beleza” correspondendo aos critérios estabelecidos, principalmente, pelos supermercados. Na grande distribuição (super e hipermercados), que requerem um número elevado de produtos para ter as prateleiras sempre cheias, embora mais tarde expirem e tenham que ser descartados, onde ocorrem erros na preparação dos pedidos, há problemas de embalagem e deterioração de alimentos frescos. Em outros pontos de venda no varejo, como os mercados e as lojas, em que o que não se pode vender é jogado fora.
Nos restaurantes e bares, onde 60% do desperdício são consequência de uma previsão mal feita, 30% ao preparar as refeições e 10% são sobras dos pratos dos comensais, de acordo com um relatório elaborado pela Federação Espanhola de Hotéis e Restaurantes. Nos lares, quando os produtos se estragam porque compramos a mais do que necessitamos, deixando-nos levar pelas ofertas de ultima hora (tipo 2×1), ou por não saber interpretar a rotulagem confusa, ou pelos pacotes que não são adaptados às nossas necessidades.
O desperdício alimentar tem diversas causas e responsáveis, mas, basicamente, trata-se de um problema estrutural e de fundo: os alimentos se tornaram mercadorias de compra e venda e sua função principal, nos alimentar, ficou em segundo plano. Desta maneira, se o alimento não cumpre determinados critérios estéticos, sua distribuição não é considerada rentável, se deteriora antes do tempo….. é rejeitado. O impacto da globalização alimentar a serviço dos interesses da indústria e dos supermercados, promovendo um modelo de “agricultura quilométrica”, dependente do petróleo, deslocalizada, intensiva, que fomenta a perda da agrobiodiversidade e do campesinato …, tem uma grande responsabilidade. Pouco importa que milhões de pessoas passem a fome. O fundamental é vender. E se você não pode comprar não conta.
Mas, o que acontece se você tentar coletar o alimento excedente? Ou você pode encontrar o recipiente fechado com chave, como acontece em Girona com os depósitos na frente dos supermercados, alegando o alarme social diante do fato de que cada vez mais pessoas coletam alimentos dos lixos. Ou você pode enfrentar uma multa de 750 euros se remexer nos recipientes de Madrid. Como se a fome ou a pobreza fossem uma vergonha ou um crime, quando o vergonhoso e delinquente são as toneladas de alimentos que são jogadas fora diariamente, fruto das exigências do agronegócio e dos supermercados, e que contam a aprovação das administrações públicas.
Os supermercados nos dizem que doam os alimentos aos Bancos de Alimentos, em uma tentativa de “lavar a cara”. Entretanto, de acordo com um estudo do Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, somente cerca de 20% o fazem. E esta, além disso, não é a solução. Dar comida pode ser uma resposta de emergência, uma atadura ou um torniquete, baseada na ferida, mas é essencial chegar à raiz do problema, às causas do desperdício, e questionar o modelo agroalimentar pensado não para alimentar as pessoas, mas para dar lucro a poucas empresas.
Vivemos em um mundo de paradoxos: gente sem casa e casas sem gente, ricos mais ricos e pobres mais pobres, desperdício versus fome. Dizem-nos que o mundo é assim e que é má sorte. Apresentam-nos a realidade como inevitável. Mas não é verdade. Uma vez que, o sistema e as políticas se digam neutras e não são. Têm uma inclinação ideológica e reacionária: procuram o benefício, ou agora a sobrevivência, de poucos à custa da grande maioria. Assim funciona o capitalismo, também nas coisas de comer.
* Publicado originariamente em Público.
Tradução: Roberta Sá.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Os rapazes que venceram os raios e salvaram Dona Pandá
Na noite do dia
29, faltando, portanto, dois dias para a passagem do ano, houve, aqui, na
Chácara Xury, uma tempestade, com trovoadas e relâmpagos. Os apavorados Bei,
Bia e Pretinho conseguiram permissão para entrar na casa. Antes que derrubassem
a porta, Dona Pandá preferiu abrir mão da norma que proíbe cachorro ultrapassar
o umbral da porta. A energia elétrica acabou e todos os aparelhos elétricos e
eletrônicos foram rapidamente desligados, as lâmpadas de emergência salvaram
esses moradores da escuridão e os acalmaram um bocadinho.
No domingo, pela manhã, nada de energia. Como
o telefone é uma linha WLL, cuja estação transmissora depende da eletricidade e
o celular não tem sinal, a Chácara estava isolada, provocando em Dona Pandá uma
sensação de desconforto. Resolveu verificar se as chácaras vizinhas estavam na
mesma situação e descobriu que o problema era só dela. Foi até o padrão da
força, na entrada da chácara, e verificou que a energia chegava ao relógio.
Ficando claro sua total impotência, procurou, na estrada, um ponto mais alto
para conseguir o sinal do celular e pediu socorro a seu amigo faz de tudo, Divino, que, em 40 minutos,
estava, com um aparelhinho de teste buscando a fonte do problema.
A primeira
descoberta do Divino foi que toda a fase de voltagem 110v não funcionava e a de
220v, sim. A segunda foi que na cozinha havia um fio derretido e este estava
posicionado ao final de uma linha. Considerando um bom progresso na sua
pesquisa, Divino anunciou:
- Aqui está um
resultado do curto circuito. Agora, preciso achar onde foi o curto. Já vi isto
acontecer e o eletricista formado demorou um dia inteiro para achar o problema.
– Dona Pandá, respirando mais profundamente que seu normal e já abaixando a voz
(não sabia que ao final do dia estaria sibilando):
- Divino, vou perder
toda a comida que está no freezer e nas geladeiras!!!
- Olha, não perca a
calma, vamos descobrir. Vamos ver lá na casinha do Vanderlei como estão as
coisas por lá.
Embora Vanderlei não
more na Chácara Xury, o lugar onde ele
toma as refeições, descansa e também guarda as ferramentas que exigem mais
cuidados é chamado a Casinha do Vanderlei.
Verificaram que as coisas por lá estavam
como as coisas por cá. Divino, na
intenção de acalmar sua amiga, fez uma dissertação sobre as dificuldades da
eletricidade e Dona Pandá, por mais cuidado que tivesse com a sensibilidade do D. faz tudo, o interrompeu novamente com
a repetição de - “Vou perder toda a comida ...”
Dai, a nora de Dona
Pandá, havia avisado que seus pais viriam à CXury, no dia 31. Foram, então,
convidados participar do último almoço do ano. Eis a preocupação de nossa amiga
que já havia abastecido o freezer e a geladeira com os tira-gostos e as comidas
semipreparadas para essas festas. Na geladeira da Casinha, havia o peru
esperando o dia 31 para ir ao forno. Enquanto Divino apresentava seus
relatórios de pesquisa, Dona Pandá só conseguia pensar que não iria conseguir
fazer tudo de novo. Como amassar novamente as berinjelas? E o frango desossado? As cervejas? Os vinhos espumantes? Ai, ai, ai
não se passa de um ano para outro sem geladeira... Lá estava Divino falando... Ela
sabia que a intenção era acalmá-la, mas a cada minuto que passava, a impressão
de que iria perder a compostura ia ficando cada vez mais forte.
Divino precisava
subir numa escada para verificar os disjuntores. A escada é de ferro e ele
calçou uma chinela com sola de borracha para se proteger, mas houve uma pequena
incompatibilidade entre o tamanho da chinela e o dos pés dele, então Dona
Pandá, lembrando-se de seu avô, disse:
- Tudo bem, calcanhar não é pé. -
Divino subiu e Dona
Pandá ficou segurando a escada. De repente, ela viu um pé se levantar
estranhamente, num ângulo de 90 graus à esquerda, e a perna acompanhar levando todo o corpo que não passou do chão,
embora parecesse trêmulo e com o rosto embranquecido pelo choque levado. O susto foi maior que a dor, segundo o
acidentado que tudo fez para minimizar a vergonha passada. Dona Pandá se sentiu
culpada e preocupada com as consequências do choque e do tombo, mas o rapaz só se
desculpava. Aí falou mais alto o autoritarismo da dama que o fez se movimentar
observando cuidadosamente até se convencer de que de fato nada grave havia
acontecido. Deixada a escada de lado, voltaram à casa principal e recomeçaram a
pesquisa.
Às 14h, depois de
uma batalha com a escada, agora de madeira, para verificar os fios nos postes altos, Dona Pandá foi
novamente em busca de um ponto de sinal para o celular e pediu socorro para o
Vanderlei. Chegando, ele substituiu Dona Panda no segurar a escada e mais uma
hora se passou sem que se descobrisse algo que desse a luz. A ideia, então, foi o Vanderlei buscar seu
sogro Hélio, o eletricista que havia feito a instalação elétrica da CXury. O
pequeno problema é que Hélio estava, em consequência de um acidente, de
muletas.
O eletricista chegou
junto com a chuva. Os três corajosos rapazes, sem tomar conhecimento da água
que caia, foram vistoriar toda a rede interna à Chácara. Hélio, no chão, encostado
em alguma árvore comandava, enquanto os outros dois – um no chão segurando a
escada e o outro sobre ela – executavam as ordens de pega o fio azul, testa com o fio branco... Num determinado
momento, com a chuva mais forte, Dona Pandá falou que estava desistindo e no
outro dia veria o que fazer, pois além da chuva, do cansaço, o dia já
desaparecera há algum tempo. Os intrépidos cavalheiros comunicaram que só iriam
embora depois de deixar as geladeiras funcionando.
Eram 20h quando
descobriram o ponto do curto que, evidentemente, estava nos últimos metros de
fio vistoriado. Fomos, então, testar. Todas as lâmpadas e tomadas queimadas, assim
como o forno micro-ondas, o rádio-relógio, filtros de linha e outras cositas más. Quando Dona Pandá
abriu o freezer, nem acreditou... estava tudo congelado ainda, após 24h! Dona
Pandá estava salva!
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